(Falsas) Estratégias de Crescimento para a Igreja

“Uma Vida com Propósitos” à luz da Teologia Adventista – Dia 9

Dia 9: O que Faz Deus Sorrir?

por: Levi de Paula Tavares

1. Resumo do argumento do capítulo

Warren abre este segundo capítulo do bloco Adoração afirmando que agradar a Deus é o primeiro propósito da vida e, por isso, a tarefa mais importante a que o crente pode se dedicar. Descreve a geração antediluviana como moralmente arruinada e voltada para o próprio prazer, a ponto de Deus lamentar ter criado a humanidade. Houve uma exceção: Noé, que “dava alegria ao Senhor” (Gênesis 6:8, BV). Da narrativa do dilúvio, Warren extrai cinco atos de adoração que, segundo ele, fazem Deus sorrir.

O primeiro é amar a Deus acima de qualquer coisa. Noé cultivou um relacionamento próximo com Deus sem ter exemplo algum ao seu redor, e o autor apresenta esse amor como o maior mandamento e como o próprio motivo da criação: Deus estaria mais interessado no afeto do crente do que em qualquer oferta ou sacrifício. O segundo é confiar completamente em Deus, mesmo quando a instrução recebida parece não fazer sentido. Warren enumera três obstáculos que poderiam ter abalado Noé (nunca ter visto chuva, viver longe do mar, ter de reunir e cuidar dos animais) e lembra que sua confiança resistiu a 120 anos de construção sem sinal algum do dilúvio prometido.

O terceiro ato é a obediência incondicional. Deus deu a Noé instruções minuciosas sobre o tamanho, a forma e os materiais da arca, e ele as cumpriu por inteiro e sem demora. Daí Warren conclui que obediência atrasada equivale à desobediência e que a compreensão vem depois da obediência, nunca antes. O autor rejeita também a obediência seletiva, ilustrada por quem frequenta a igreja mas recusa o dízimo, ou lê a Bíblia mas nega perdão a quem o magoou. O quarto ato é louvar e agradecer continuamente, como fez Noé ao erguer um altar logo que deixou a arca. Para o crente, o sacrifício de louvor e de gratidão toma o lugar dos sacrifícios de animais, e a alegria que ele dá a Deus volta ao próprio adorador. Warren ilustra essa reciprocidade com a lembrança da mãe, feliz ao ver os filhos saborearem sua comida.

O quinto ato é usar as habilidades recebidas de Deus, sem esconder talentos nem imitar dons alheios, uma vez que cada pessoa foi moldada deliberadamente para o deleite do Criador. O capítulo estende esse prazer divino para além das atividades religiosas: Deus atenta para cada detalhe da vida do crente, do trabalho ao lazer, e seu prazer não depende da maturidade espiritual de quem o vive. Warren compara esse afeto ao de um pai que observa com ternura o filho dormindo, sem exigir dele desempenho nem perfeição. Conclui que a pergunta que orienta a vida deveria deixar de ser “Quanto prazer posso ter em minha vida?” para se tornar “Quanto prazer Deus pode ter em minha vida?”.

2. Pressupostos teológicos implícitos

A leitura que o capítulo faz do dilúvio pressupõe que as narrativas do Antigo Testamento sirvam, antes de tudo, como modelos de conduta. Da história de Noé, Warren extrai comportamentos replicáveis (amar, confiar, obedecer, louvar, servir), num tipo de leitura comum na tradição devocional evangélica, que toma os personagens bíblicos como espelhos a serem imitados pelo leitor. A mesma premissa orienta o fechamento do capítulo. Deus, afirma Warren com apoio em Salmos 14:2, ainda procura pessoas como Noé, e o personagem passa a valer como padrão a ser reproduzido no presente.

A obediência imediata funciona, no capítulo, como critério central de devoção genuína. Warren apoia a frase de que obediência atrasada é desobediência numa analogia doméstica, a do pai que espera ser obedecido sem precisar dar explicações, e dispensa até o pedido de um tempo para orar a respeito da ordem recebida. A prontidão em agir torna-se, assim, a evidência mais confiável de fé. O discernimento fica para depois, uma vez que, para o autor, é a obediência que libera a compreensão.

A descrição de Deus com emoções semelhantes às humanas, já observada no Dia 8, continua neste capítulo, agora concentrada na imagem do sorriso diante de quem lhe agrada. Deus lamenta e se indigna diante da geração de Noé, aprova Noé com uma fala coloquial que Warren lhe põe na boca e se alegra com o louvor como a mãe que vê os filhos apreciarem sua comida. O pressuposto é que a vida afetiva de Deus se deixa descrever pelas categorias das relações humanas, inclusive na reciprocidade: quanto mais o crente se alegra em Deus, maior o prazer que lhe dá.

A aceitação divina independente do desempenho sustenta a imagem com que o capítulo se encerra, a do pai que observa com afeto o filho adormecido. Essa imagem trata a aceitação como algo relacional e permanente, ancorado na própria condição de filho, e não no estágio de amadurecimento espiritual já alcançado. Trata-se de uma ênfase próxima da doutrina batista tradicional da segurança eterna do crente uma vez convertido. Warren reforça a premissa ao lembrar que Deus conhece a fragilidade humana (Salmos 103:14) e leva em conta, sobretudo, a atitude do coração.

3. Base bíblica usada por Warren

O capítulo recorre a uma ampla variedade de versões: NLT (notas 3, 10 e 21), NVI (notas 5, 9, 15, 18 e 20), NTLH (notas 8, 14, 19, 24 e 26), CEV (notas 13 e 23), KJV (notas 16 e 17), NCV (nota 10) e GWT (nota 25). Soma a elas duas paráfrases de autor único, a Bíblia Viva (notas 2, 4, 11, 12 e 27) e The Message (notas 1, 6 e 22). A Bíblia Viva sustenta justamente o versículo sobre o qual o capítulo inteiro se apoia, e The Message reescreve a conclusão que Hebreus tira da fé de Noé. Nas duas, quem parafraseia já decidiu o sentido do versículo antes do leitor, o que pede conferência com versões mais formais, como a Almeida Revista e Atualizada.

Gênesis 6:8 chega ao leitor, na Bíblia Viva, como “Noé dava alegria ao Senhor” (nota 2). A Almeida diz: “Porém Noé achou graça diante do Senhor”. A expressão hebraica descreve um favor recebido, e não um prazer provocado, e é a mesma usada quando Ló e Moisés recebem de Deus um favor que não mereciam (Gênesis 19:19, em que a Almeida traduz por “mercê”; Êxodo 33:17). A paráfrase troca a graça concedida pela aprovação conquistada, e o faz antes que o texto descreva, no versículo seguinte, o caráter justo de Noé (Gênesis 6:9). O uso é extrapolado: o capítulo apresenta como mérito de Noé aquilo que o texto apresenta como favor de Deus.

Hebreus 11:7, em The Message, sustenta a confiança de Noé, que construiu a arca em terra seca e, por isso, “se tornou amigo íntimo de Deus” (nota 6). Na Almeida, o fruto dessa mesma fé é outro: Noé “se tornou herdeiro da justiça que vem da fé”. A paráfrase preserva a ideia de confiança, mas substitui a justiça recebida pela fé por uma intimidade que o versículo não menciona. A amizade que Warren vê como recompensa da confiança de Noé vem da paráfrase, e não do texto.

O capítulo se encerra com Salmos 14:2, na Bíblia Viva, para afirmar que Deus procura hoje pessoas como Noé: o Senhor olha do céu “procurando alguém que deseje comunhão com Ele” (nota 27). Na Almeida, o Senhor olha “para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus”, e o versículo seguinte dá a resposta: “não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Salmos 14:3). Paulo recorre a esse salmo justamente para mostrar que todos pecaram (Romanos 3:10-12). O uso é descontextualizado. Warren transforma em convite a imitar Noé um texto que descreve uma busca sem resultado.

Outras diferenças não alteram o argumento: a Bíblia Viva transforma em recusa das ofertas a preferência de Oséias 6:6 pelo conhecimento de Deus “mais do que holocaustos” (nota 4); a CEV troca o verbo “justificar” de Tiago 2:24 por “agradar” (nota 13); e Salmos 33:15 (nota 22) e Isaías 45:9 (nota 23) são aplicados aos talentos pessoais, tema que seus contextos não abordam. O restante do uso bíblico é fiel, com destaque para Hebreus 11:6 e Gênesis 6:22, sobre a fé e a obediência de Noé, e para Números 6:25 (NLT) e Salmos 119:135 (Msg), versículos que abrem o capítulo e traduzem com legitimidade por “sorrir” o que a Almeida chama de fazer “resplandecer o rosto”.

4. Pontos de convergência

A afirmação de que sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6) é plenamente compartilhada pela teologia adventista: nenhum ato de devoção tem valor diante de Deus sem a confiança que o sustenta.

O chamado a usar habilidades e talentos como forma de adoração converge com a compreensão adventista da mordomia, que inclui os talentos pessoais e estende a vida cristã a todas as áreas da existência, não apenas às atividades tidas por “espirituais” (Nisto Cremos, cap. 21).

A salvação pela graça, e não por mérito, também aproxima as duas posições. Ao tratar da obediência, Warren afirma explicitamente que a salvação não pode ser merecida e vem exclusivamente pela graça, o que converge com o ensino adventista (Nisto Cremos, cap. 10) e com o testemunho consistente da Escritura sobre a graça como único fundamento da salvação (Romanos 3:24; Romanos 11:6; Tito 3:5; Efésios 2:8,9).

5. Pontos de tensão ou divergência com a teologia Adventista

O eixo do capítulo, uma vida que agrada a Deus pela fé, pela obediência e pela gratidão, encontra apoio sólido na Escritura. As ressalvas adventistas recaem sobre a ordem entre graça e obediência em Gênesis 6:8,9, sobre a arca como figura do juízo final e da salvação, sobre o Espírito Santo como quem habilita a obediência pronta, sobre a relação entre a obediência que “prova” o amor e a aceitação do filho que dorme, e sobre as esferas coletivas da adoração, ausentes dos cinco atos de Noé.

“Achar graça”: o que o hebraico de Gênesis 6:8,9 descreve

A ilustração de abertura do capítulo sugere uma sequência de causa e efeito: Deus não encontrava ninguém que o agradasse até que Noé, por seu comportamento, conquistou o sorriso divino e, com ele, a preservação de sua família. A leitura é eficaz do ponto de vista pastoral, mas inverte a ordem que o próprio texto sustenta. A expressão de Gênesis 6:8, “achou graça diante do Senhor”, descreve um favor concedido antes de qualquer mérito enumerado. O verbo “achar” indica descoberta: Noé se vê destinatário de algo que não produziu, como o homem das parábolas de Jesus que encontra o tesouro escondido ou a pérola de grande valor (Mateus 13:44-46). O achado precede o esforço de quem acha. O mesmo padrão aparece no chamado de Abraão (Gênesis 12:1-3) e na eleição de Israel (Deuteronômio 7:7,8), em que a iniciativa é sempre de Deus. O caráter justo de Noé, descrito só no versículo seguinte (Gênesis 6:9), surge como fruto dessa graça, que o antecede e sustenta, na mesma ordem que Paulo aplica à salvação do crente (Efésios 2:8,9; Nisto Cremos, cap. 10).

O próprio Warren afirma, ao tratar da obediência, que a salvação “vem pela graça, e não por esforço”. A tensão reside na forma como o capítulo constrói a narrativa de abertura; nenhuma frase do texto nega a graça. Apresentado como recompensa por uma conduta admirável, o sorriso de Deus pode deixar no leitor uma impressão de desempenho, mesmo quando a doutrina que o autor professa é outra. Ellen White descreve essa ordem com precisão: “é a fragrância do mérito de Cristo que torna nossas boas obras aceitáveis a Deus, e é a graça que nos habilita a praticar as obras” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 200). Um crente formado apenas por essa ilustração pode concluir que mede o afeto de Deus pelo esforço de repetir os atos de Noé. Deixaria de perceber que a graça, recebida antes de qualquer obra, é o que torna esses atos possíveis.

O que o Novo Testamento vê na vida de Noé

Os cinco atos de adoração que Warren extrai da vida de Noé permanecem no registro do comportamento individual. O Novo Testamento volta a essa mesma narrativa por vários ângulos, e nenhum deles é o da virtude exemplar.

Pedro estabelece um paralelo direto entre o dilúvio e o juízo final: assim como o mundo antigo pereceu pelas águas, “os céus que agora existem e a terra… têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo” (2 Pedro 3:5-7). Em outra carta, o mesmo apóstolo descreve a arca como figura do batismo, que “agora também vos salva” (1 Pedro 3:20,21), e liga o resgate de Noé à salvação oferecida em Cristo. Hebreus acrescenta que Noé construiu a arca “pela fé” (Hebreus 11:7). Essa fé ocupa um lugar diferente dos cinco atos que Warren alinha lado a lado: funciona como a raiz da qual depende toda obediência visível. O próprio Jesus usa a narrativa como espelho do tempo presente. A imagem que escolhe é a da vida comum antes do dilúvio, com pessoas comendo, bebendo e casando sem perceber o que se aproximava, retrato da desatenção espiritual que precederá a segunda vinda (Mateus 24:37-39; Nisto Cremos, cap. 25). Pedro acrescenta ainda uma dimensão missionária que o capítulo não contempla. Noé foi “pregador da justiça” (2 Pedro 2:5), e sua fidelidade se estendeu da relação pessoal com Deus ao testemunho público diante de uma geração que o ignorava.

Ellen White amplia esse sentido ao descrever o fechamento da porta da arca. A porta, fechada por mãos que os ocupantes não podiam ver, prefigurava o momento em que Cristo encerrará Sua intercessão pelos pecadores, antes da segunda vinda, quando também a porta da misericórdia se fechará (Patriarcas e Profetas, cap. 7; Nisto Cremos, cap. 24). Ela acrescenta que o primeiro gesto de Noé ao deixar a arca, erguer um altar e oferecer sacrifício, expressava, além da gratidão, a fé no sacrifício de Cristo que aquele altar anunciava (Patriarcas e Profetas, cap. 8). Ler a experiência de Noé apenas como exemplo de boas atitudes deixa de lado o que a teologia adventista considera decisivo no relato: o anúncio profético do juízo final e do encerramento da graça, que ainda está por vir.

A prontidão que só o Espírito Santo pode produzir

O capítulo insiste em que a obediência deve ser completa e imediata, sem hesitação e sem pedido de prazo para orar a respeito, e descreve corretamente o padrão de entrega que a Escritura espera do crente. Deixa de dizer que essa entrega só se torna possível pela atuação do Espírito Santo. Para a teologia adventista, a obediência genuína nasce da cooperação entre a vontade que se entrega e o Espírito que a capacita a agir, e nunca da determinação humana isolada (Nisto Cremos, cap. 11). Sem essa distinção, o apelo à prontidão pode soar como exigência de autodomínio, como se bastasse querer com força suficiente. O risco já apontado no Dia 8, o de a adoração se tornar disciplina da vontade própria, reaparece aqui em outra forma: a obediência tratada como ato de determinação pessoal.

A Escritura é explícita sobre o papel de Deus nessa cooperação: “desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar” (Filipenses 2:12,13). A iniciativa divina precede e sustenta toda resposta humana. Ellen White desenvolve o mesmo princípio ao tratar da vontade: “não podemos mudar o coração […] mas podemos escolher servi-Lo, podemos entregar-Lhe nossa vontade; então, Ele operará em nós o querer e o efetuar” (A Ciência do Bom Viver, p. 176). Sem o Espírito como habilitador, a exigência de prontidão que o capítulo descreve tende a se converter, no dia a dia do crente, numa autoexigência moral. Ela lhe cobra, por conta própria, uma perfeição que só o Espírito pode produzir.

Obediência total e aceitação do filho que dorme

O capítulo termina com duas afirmações que o texto nunca reconcilia. A obediência precisa ser completa e imediata, e é ela que, segundo Warren, “prova” o amor do crente por Deus. Poucas páginas depois, Deus tem prazer no crente mesmo quando ele simplesmente dorme, sem produzir nada e sem qualquer exigência de maturidade. Lado a lado, as duas ideias deixam ao leitor a tarefa de decidir qual delas determina, afinal, o quanto ele é aceito por Deus.

A teologia adventista situa a obediência como fruto de um relacionamento já estabelecido: ela expressa o amor do crente, sem jamais produzi-lo. O próprio Cristo descreve essa ordem em relação ao Pai: “tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço” (João 15:10). O amor já presente na relação sustenta a obediência de Jesus, e a mesma sequência se repete no chamado aos discípulos: “se me amais, guardareis os meus mandamentos” (João 14:15). João aplica o princípio ao amor do crente por Deus: “nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:19). Nos três textos, o amor vem primeiro e a obediência o segue como resposta, nunca como pré-requisito (Nisto Cremos, cap. 10).

Essa ordem desfaz a leitura ansiosa que a justaposição de Warren deixa em aberto, a de tratar a obediência completa e imediata como termômetro diário da própria aceitação diante de Deus. Essa é justamente a ansiedade que a ilustração final pretende afastar. Compreendida como fruto do amor recebido, a obediência continua séria e inegociável, mas deixa de funcionar como medida instável de um afeto que, para a teologia adventista, já estava garantido antes de qualquer resposta do crente.

Os cinco atos de Noé e as esferas da adoração que ficam de fora

Os cinco atos de adoração descritos no capítulo (amar, confiar, obedecer, louvar e servir) são formulados na primeira pessoa, como experiência solitária do crente diante de Deus, à imagem do próprio Noé, isolado em meio a uma geração que o ignorava. O padrão já foi observado no Dia 1 desta série, a propósito do chamado individual descrito por Warren sem contrapartida comunitária, e reaparece aqui sob o ângulo da adoração.

A solidão imposta a Noé pelas circunstâncias de sua geração não é o padrão que a Escritura estabelece para a vida devocional. O autor de Hebreus adverte: “não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações” (Hebreus 10:24,25). O salmista celebra a alegria de ir “à Casa do Senhor” ao lado dos companheiros de peregrinação (Salmos 122:1). Os primeiros cristãos, logo depois do Pentecostes, “perseveravam… na comunhão, no partir do pão e nas orações” (Atos 2:42), padrão coletivo que atravessa todo o Novo Testamento e que a experiência irrepetível de Noé não pretende substituir. A igreja reunida integra, assim, a própria estrutura da adoração bíblica, e o culto congregacional está entre as funções que a Escritura confia à igreja visível (Nisto Cremos, cap. 12).

Em Adoração — O Presente do Homem Para Deus, o autor organiza essa estrutura, a partir da classificação da Dra. Eurydice V. Osterman, em três esferas concêntricas e interligadas: a comunhão particular, o culto em pequenos grupos e o culto congregacional. Os cinco atos que Warren descreve habitam quase só a primeira. O culto pode ser pessoal e particular, mas, como observa o Dr. Daniel O. Plenc, citado naquele livro, nunca é “inteiramente solitário”. A adoração sustentada em comunidade fortalece a experiência pessoal com Deus e a protege do desgaste silencioso que a correria cotidiana impõe a quem não tem, com regularidade, o apoio da congregação reunida.

Praticar fielmente os cinco atos deste capítulo pode produzir uma vida devocional sincera e constante e, ainda assim, deixar intocadas duas das três esferas da adoração. Com o tempo, a ausência se faz sentir: a brasa que arde sozinha esfria longe do braseiro. O encontro regular com outros crentes em pequenos grupos e o culto congregacional devolvem ao adorador o estímulo mútuo, a correção fraterna e a consciência de pertencer a um corpo maior do que ele mesmo, aquilo que a devoção solitária, por mais genuína, dificilmente produz por conta própria.


Dia 8 — Planejado para Agradar a Deus Índice dos Capítulos Dia 10 — A Essência da Adoração
Apresentação Índice Remissivo

Tags: ,