Apostila Básica de Áudio – Ligação

Sonorização — 3 de março de 2015 00:01

4.1. Ligação dos Equipamentos

por: Filippo Valiante Filho

Antes de explicar as ligações propriamente ditas, vamos abordar mais um conceito importante. Usamos vários equipamentos num sistema de som: efeitos, compressores, equalizadores, gates, enhancers, etc. Nos efeitos, o sinal normal (sem efeito) é misturado com o sinal processado (com efeito), o que chamamos de processamento paralelo, ou seja, mixamos o sinal original e o processado. Equalizadores e processadores de dinâmica recebem um sinal em suas entradas, o modificam e apresentam um novo sinal na saída, deixando de lado o sinal original; a isto chamamos processamento serial.

As saídas dos efeitos voltam para a mesa em entradas específicas como as AUX Returns ou em canais comuns. Os processadores são ligados no caminho entre a mesa e o amplificador ou nos inserts da mesa, o que produz o mesmo resultado.

Eis um esquema de ligação típico para um sistema de som:

Ligamos microfones, instrumentos e playbacks na mesa. Como já comentamos quanto aos efeitos, mandamos o sinal da mesa para eles através de uma saída auxiliar e retornamos por um canal ou aux return. Ligamos os processadores um seguido do outro, ou através de cabos Y nos inserts. Na primeira maneira ligamos a saída de um equipamento na entrada do próximo. Quando utilizamos inserts, ligamos o “pé” do Y no insert desejado da mesa e ligamos as outras pontas, conforme a pinagem mais adiante, na entrada do primeiro equipamento e a outra na saída do último; interligamos os equipamentos com cabos da saída de um para a entrada do outro. A vantagem de utilizarmos os inserts das mesas é de manter um cabeamento mais organizado, além de facilitar a utilização do multicabo que pode ser ligado só na mesa, sem precisar ser esticado até um rack. Após os processadores, o sinal chega as potências, indo então para as caixas acústicas. PA e retorno utilizam potências e processadores diferentes; os retornos são ligados a partir das saídas auxiliares e as potências a partir do master da mesa.

P.A. é abreviação de “Public Address” e é o som que é dirigido ao público. Os sides são uma espécie de mini P.A. que funcionam como retornos e são encarados como tal. Dentro desse esquema podemos ligar uma aparelhagem simples com mesa, equalizadores (PA e retorno), compressores (PA e retorno) potências e caixas (PA e retorno); ou qualquer outro sistema mais completo e complexo, com dúzia de equipamentos de efeito e processadores.

Obviamente alguns equipamentos possuem seu lugar correto nesse esquema. Por exemplo o mais usual é deixar compressores gerais (para master e auxiliar) após equalizadores e imediatamente antes do amplificador ou, caso exista, antes do crossover. Ficando a seqüência para P.A. e retorno: mesa – equalizador – compressor – amplificador – caixas acústicas. A próxima figura mostra um exemplo de ligação de um sistema de sonorização. A seqüência crossover-amplificador-caixas será explicada logo a seguir.

Quanto aos crossovers, há duas maneiras de ligá-los. A primeira e mais utilizada, aliás, no geral, mais recomendada, é antes de todos os amplificadores. No desenho temos o esquema para a ligação de uma caixa full-range com divisor de freqüências interno e uma caixa externa de sub-graves, utilizando um crossover externo de 2 vias. Esse é um tipo de ligação muito comum e devemos nos lembrar de que as caixas de graves e sub-graves têm melhor desempenho quando estão no chão. Se utilizássemos um crossover de 3 vias teríamos mais um amplificador ligado a mais uma caixa.

Outra possibilidade para essa configuração de PA é ligar o crossover como se fosse um “bass-booster”, sem cortar os graves das caixas full-range. Note que utilizamos a entrada do primeiro amplificador para ligar o crossover.

Ao instalarmos um equipamento de áudio devemos tomar cuidado com a parte elétrica, pois ela pode ser fonte de interferências além de poder colocar o equipamento em risco quando mal feita. A instalação elétrica deve ser adequada e com bom aterramento, que é extremamente necessário. Por melhor e super-dimensionada que possa ser a instalação elétrica, devemos sempre utilizar filtros de linha e estabilizadores para os equipamentos.

Outro cuidado de suma importância é a utilização de bons cabos de áudio. O cabo deve possuir malha bem trançada, que não se desfaça sozinha “só de olharmos para ela”; acredite, isso acontece em muitos cabos. Seus condutores internos (+ e -) devem ser trançados e suas capas devem ser siliconadas, além disso a capa externa não deve ressecar facilmente. Quanto aos plugues, devem ser metálicos, resistentes e de tamanho (diâmetro) proporcional à bitola do cabo a ser utilizado. Procure utilizar plugues banhados a ouro, por possuírem durabilidade maior.

Os cabos de áudio podem ser desbalanceados (positivo e terra) ou balanceados (positivo, negativo e terra). Os cabos balanceados são mais imunes a interferências e podem ter comprimentos maiores, além das conexões balanceadas possuírem um nível mais alto de sinal (ganho de 6dB). Devemos usar ligações balanceadas sempre que possível. Utilizamos a malha do cabo para o terra, a cor quente para o positivo (vermelho) e a cor fria para o negativo (preto/branco); quando o cabo é desbalanceado podemos ligar o negativo com a malha. Nas figuras vemos a pinagem dos plugues XLR, que ainda são chamados por muitos de cannon, que nas verdade é uma marca. Vemos também a pinagem dos plugues P10 (plugues de guitarra). Lembrando que as mesas inglesas possuem os pinos + e – (2 e 3) do conector XLR invertidos.

A pinagem dos cabos Y para uso nos inserts das mesas é a seguinte:

É importante que os cabos sejam bem soldados (não tenham solda fria). Também é sempre bom testá-los antes de utilizá-los, dado que um cabo em curto pode danificar a saída de um equipamento, ou dar uma boa dor de cabeça a quem estiver procurando o problema. Não se deve soldar a malha à carcaça do plugue XLR (a tira de metal oposta ao pino 3).

Cabos e mais cabos, vamos falar dos multicabos. Por dentro dessas “mangueiras pretas” passam vários cabos juntos, de modo a facilitar a instalação dos sistemas de sonorização. A cada um desses cabos nos referimos como vias do multicabo. O uso mais típico e mais necessário é a interligação da mesa até o ponto de ligação dos microfones e instrumentos, geralmente o palco; mas também podemos usar outros multicabos como extensões do multicabo principal. Na ponta onde ligamos os cabos, há uma caixa que pode ser chamada de banheira, medusa, ou snake.

No multicabo podemos ter sinais indo e voltando ao mesmo tempo, ou seja, os sinais dos microfones e instrumentos vão até a mesa de som pelo multicabo. Os sinais para os retornos e para o PA voltam pelo mesmo multicabo até os amplificadores, ou crossovers. Jamais utilize sinal amplificado no multicabo pois isso traz uma série de problemas. Quando da instalação (passagem) do multicabo, evite cruzar com fios elétricos ou dar voltas excessivas; procure o caminho mais curto e deixe o multicabo bem protegido.

Algumas derradeiras considerações são fazer-se uma instalação limpa, organizada, separando ao máximo cabos de áudio de cabos elétricos, identificando adequadamente os cabos e equipamentos, não utilizando comprimentos exagerados e ocultando ao máximo os cabos. Sem uma boa instalação é impossível conseguir-se uma boa e duradoura qualidade de som. Reforçando: devemos tomar todo o cuidado com a instalação do equipamento para garantirmos o melhor de sua qualidade sonora e de sua vida útil. Jamais economize com cabos, plugues, ou adequação da instalação elétrica. A melhor qualidade de som não está em equipamentos caros e sim na boa instalação e na boa utilização dos equipamentos.


Fonte: Publicado originalmente em: http://www.audionasigrejas.org/Apostila/indice.htm


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