Apostila Básica de Áudio – Operação

Sonorização — 3 de março de 2015 00:13

4.3. Operação

por: Filippo Valiante Filho

Para sermos bons operadores de som precisamos de experiência; prática, prática, prática… Existem alguns pontos básicos e até alguns segredinhos que irão ajudar muito e que apresentamos a seguir.

Ao ligar o equipamento, comece pelo filtro de linha, depois a mesa, os periféricos em ordem, ou seja, primeiro os equalizadores, depois os compressores, etc. E, por fim, os amplificadores. Na hora de desligar, siga a ordem inversa, desligando primeiro os amplificadores, depois os periféricos, depois a mesa. Isto evita que os picos de sinal produzidos na saída dos equipamentos prejudiquem os equipamentos que estão ligados na seqüência. Isso inclui também aqueles “estouros” nas caixas de som na hora de ligar o equipamento.

Os ajustes de equalizadores (PA e retornos), crossovers e delay são basicamente fixos, após regulados devem ser mantidos e conferidos, isto sim, sempre que operarmos o som. Já nos compressores e noise-gates mexemos um pouco de acordo com a necessidade.

Controles de ganho e volume na mesa nunca ficam no máximo, pois nessa condição o sinal é distorcido. O master costuma ficar estacionado em 0dB quando a mesa nos permite usar mais do que esse valor, ou um pouco abaixo quando o limite for o 0dB. Se estivermos precisando abaixar o volume de todos os canais ou aumentar, é sinal que precisamos mexer no master ou em algum outro equipamento para atenuar ou reforçar o sinal, o controle output do compressor pode ser uma boa saída quando precisamos reforçar o sinal.

E agora vai um segredinho: a relação entre ganho e volume nos canais. Devemos procurar trabalhar com os volumes de cada canal em torno do 0dB e ajustarmos o ganho para isso. Quando estamos colocando muito ganho, aumentamos um pouco mais o volume do canal. Quando estamos com o ganho muito baixo, a não ser que estejamos com sinal de linha onde o ganho geralmente é mínimo, abaixamos o volume do canal e aumentamos um pouco o ganho. Portanto o segredo é buscar o equilíbrio entre ganho e volume no canal, o que garante a melhor qualidade do sinal e, por conseqüência, do som.

Quanto a equalização valem as dicas que já foram colocadas, especialmente o parágrafo que fala sobre a atuação de cada freqüência. Os ajustes de graves das mesas costumam atuar na freqüência de 80 ou 100Hz e os agudos nas de 10 ou 12kHz. Os médios muitas vezes possuem a freqüência ajustável, são os chamados semi-paramétricos ou sweep, e ajudam bastante nosso trabalho. Os filtros HPF devem ser utilizados sempre, com exceção da utilização de aparelhos de CD, decks e rádio, direct-boxes (teclados e contra-baixos) e bumbo quando utilizando microfone específico; se bem que, mesmo no caso de microfones de bumbo, algumas vezes é conveniente utilizar o filtro HPF.

Ao aumentarmos o ganho do canal permitimos que os microfones captem o som mais longe, assim quando uma pessoa está utilizando um microfone, aumentando o ganho permitimos que ela fale mais longe dele; porém, ganho demais, ou agudo demais, são duas das causas da nossa arquiinimiga microfonia.

A microfonia é provocada pela realimentação do som, isto ocorre quando o som que sai na caixa acústica é captado novamente no microfone; daí saindo novamente na caixa acústica e retornando ao microfone, com o som retornando à caixa acústica e voltando ao microfone… Nesse processo o volume vai aumentando, aumentando, começa aquele zunido, até chegar no apito irritante e destruidor de tweeters, drivers e ouvidos, que é a microfonia. Portanto a microfonia mais comum é causada por um ou mais microfones captando o som que está saindo em alguma caixa acústica. As soluções, de acordo com o caso, são afastar o microfone da caixa ou, caso esteja apontado para a caixa (vocais com microfone de mão) mudar sua posição, ou diminuir o ganho do canal, ou o volume, ou ainda fazer tudo isso.

Para cortar momentaneamente a microfonia pode-se fazer uma jogada rápida de volume no canal específico ou no próprio master, abaixando-o um pouco e voltando-o para a posição original bem rápido (menos de 1 segundo), isto também funciona para evitar que a microfonia aconteça quando começa aquele zunido típico.

Outra causa de microfonia é quando o palco treme, então os microfones que estão nos pedestais podem provocar uma microfonia um pouco diferente, com som grave e que vai começando como um ronco. Para eliminá-la devemos atuar nos controles de grave, volume e sensibilidade dos canais, e também é importante firmarmos bem as bases dos pedestais de microfone, sem ficar com elas totalmente encostadas no chão.

Algumas mesas de som, nos volumes de cada canal, monitores e master, possuem dois estágios; no primeiro regulamos o volume até o centro, marcado com U ou 0, ou seja, regulamos desde a ausência do som até a intensidade de entrada (na posição U/0); do centro até o máximo é adicionado um ganho extra ao sinal. Da mesma forma na equalização, onde até o centro temos atenuação, no centro o ponto neutro e, após, reforço na faixa de freqüência correspondente.

Não mixe pelo fone de ouvido pois, o que ouvimos nele é bem diferente do que ouvimos no PA. O fone pode ser usado para identificar o que, ou quem, está em cada canal; para detectarmos problemas e para repassar a equalização em cada canal, ajustando algum detalhe depois que tudo já esteja arrumado. O fone deve ser uma ferramenta e não uma “muleta”, não se torne dependente de fone para mixar e se isto estiver acontecendo é melhor esconder seu fone por algum tempo.

Quando colocamos música de CD, ou fita, é de bom gosto começar a aumentar o volume lentamente, o que chamamos de fade in e no término da música abaixarmos o volume lentamente, fade out. Este recurso é muitas vezes utilizado em mixagens de fitas e CDs, ora feito pelos próprios músicos, ora feito na mixagem pelo operador. Muitas vezes podemos utilizar o fade com música ao vivo mesmo.

E por fim a essência da mixagem, um princípio da qualidade total: "um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar". Essa frase do programa 5S é a essência da boa mixagem. Cada instrumento e cada voz têm o seu lugar e a mixagem consiste em deixar cada coisa no seu lugar, ajustando o ganho e o volume para que aquela voz ou instrumento apareça o quanto precisa aparecer e, ajustando a equalização para que apareça com o som que deve aparecer. Assim o resultado será uma boa mixagem, ou seja, um bom som.


Fonte: Publicado originalmente em: http://www.audionasigrejas.org/Apostila/indice.htm


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