Apostila Básica de Áudio – Regulando

Sonorização — 3 de março de 2015 00:08

4.2. Regulando o Equipamento

por: Filippo Valiante Filho

Instalado o equipamento chegou a hora de o regularmos para se extrair o máximo rendimento. Vamos ver apenas o básico e começamos pelo mais importante que é a equalização. Vamos tratá-la de maneira que possamos fazê-la bem, mas com um mínimo de recursos. Juntamente com a equalização vamos ajustar também os “volumes” das potências.

É importante saber, antes de começarmos a equalização, que há uma característica de nossa audição muito fácil de comprovar, mas que sempre passa desapercebida. Nós passamos a ouvir as frequências mais baixas a partir de uma certa intensidade, portanto, quando começamos a aumentar o volume, iremos ouvir primeiro os sons médios e agudos e, depois de um certo ponto é que começaremos a ouvir os graves.

O procedimento para a equalização é o seguinte. Primeiro, ligamos um aparelho de CD na mesa de som. Escolhemos um ou mais CDs bem gravados e que conheçamos bem. Deixamos o canal da mesa flat, com o volume em 0dB e ajustamos o ganho de maneira que os trechos mais fortes da música atinjam 0 dB no VU da mesa (solo do canal). O master da mesa também deve estar em 0 dB. No equalizador deixamos os canais em in e o ganho inicialmente no zero. No equalizador, deixamos seus canais em in e colocamos todos os controles de frequência no meio (flat) e podemos cortar (abaixar todo) o controle de 20Hz se houver e, caso seus falantes de graves sejam de 15", corte também os de 25 e 31Hz, se houverem. Para retornos, com o falantes de 10”, ou 12”, podemos abaixar todos os controles antes dos 60Hz, ou até os 100 Hz. Os equalizadores têm geralmente 15, 30 ou 31 faixas de ajuste por canal, por isso alguns equalizadores não terão todas as frequências especificadas aqui. Se houver um botão para ajuste do ganho dos controles, deixe-o na posição de menor ganho. Podem haver também filtros para a máxima e mínima frequência que o equalizador trabalha (HPF e LPF), deixe o LPF em 20 kHz e o HPF a partir da última frequência que foi cortada (20 ou 31 Hz).

Os “volumes” das potências devem ficar no máximo. Caso o som esteja alto demais, abaixe os atenuadores, até obter o volume desejado. Caso o som ainda esteja baixo, você pode aumentar o ganho do equalizador, mesmo que necessite colocá-lo no máximo. Esse “volume” da potência, na verdade é apenas um atenuador. As potências não amplificam mais ou menos quando mexemos nele, elas amplificam sempre igual. Quando regulamos os atenuadores, diminuímos o sinal que chega na potência, fazendo com que ela tenha menos sinal para amplificar, por isso o volume é menor. Podemos atenuar de todo o sinal de entrada até deixar passá-lo totalmente. Portanto, não há nenhum problema em deixar as potências no máximo.

Equalize cada lado do PA por vez e depois repasse os dois lados juntos. Equalize cada via de monitoração (retorno) por vez (só o monitor sem PA) e repasse todas juntas. No final abrimos tudo, PA e monitores para vermos se está tudo legal e repassar o volume de cada um. Na equalização devemos ouvir o som de maneira direta, sem obstáculos, mesmo que para isso tenhamos de nos deslocar de onde está o equalizador. Nosso objetivo é obter o máximo de qualidade e nitidez.

Provavelmente perceberemos que os PAs e retornos não estão perfeitos, precisamos então ajustar os controles de frequências do equalizador em busca do melhor som possível. Podemos nos orientar pelo seguinte:

O controle próximo de 60 Hz pode ser usado para cortar ruído elétrico, junto com o de 80 Hz influenciam bumbo e contra-baixo; as vozes, guitarras, a parte superior do teclado e a maior parte dos instrumentos musicais estão nas frequências médias, entre 0,4 a 4 kHz; os controles a partir de 5 kHz lhe proporcionam clareza e nitidez ou, quando em exagero, excesso de sibilância (éssss, ésssse); as frequências abaixo de 250Hz atuam em instrumentos graves e também em baixos vocais, podem dar o peso necessário, mas quando em excesso abafam o som. A frequência de 125 Hz costuma amenizar ruídos de P e B. Quando as frequências médio-agudas ou agudas estão muito altas o som pode apitar (microfonia), a solução é atenuar essas frequências.

É comum reforçarmos um pouco as frequências mais altas, devido à nossa dificuldade de ouvi-las, porém, com algumas combinações de ambiente, equipamentos e caixas, pode ocorrer radicalmente o contrário. Se existir diferença de volume entre os lados do PA devemos atenuar o ganho do equalizador no lado mais forte até que ambos se igualem.

Durante a equalização devemos utilizar músicas mais suaves e músicas mais pesadas e quando terminarmos é interessante repassar tudo com um bom microfone para fazer-se os pequenos ajustes que ainda forem necessários. Para saber se a equalização está bem feita é simples, abaixamos o master até um volume mínimo, devemos ter nitidez no som, mesmo apesar do volume baixo. Aumentamos o master, passando do zero até ficar consideravelmente alto, o som não pode perder nitidez e começar a “embolar” todo. Dois conselhos finais para a equalização: É sempre melhor atenuarmos as frequências que estão sobrando do que reforçarmos as que faltam. Procure manter sua curva de equalização (o desenho formado após o ajuste) o menos forçada possível, se a curva estiver quase flat melhor.

A equalização não é para ser mexida a qualquer hora, ela é fixa, pelo menos na imensa maioria do tempo. A equalização da mesa sim é para usarmos a nosso bel-prazer.

O ajuste básico de compressores para PA ou side é:

  • Threshold: comece com 0dB e ajuste para começar a comprimir próximo dos picos de sinal de entrada; em alguns compressores com VUs coloridos, quando ele entrar no amarelo.
  • Ratio: a taxa mais comum para esse tipo de aplicação é de 4:1, ou 3:1.
  • Attack e Release: pode-se deixar automático ou experimentar sua própria configuração, quando bons pontos de partida são entre 5 e 50ms para attack e cerca de 500ms para release.
  • Output: deve ser utilizado para compensar eventuais perdas de volume com a compressão, ou quando for preciso conseguir um pouco mais de som. O ponto de partida é 0dB.

Selecione a curva de compressão mais suave e macia e, para aplicação em PA ou side, se o compressor estiver em estéreo "linke" os dois canais.

A maneira mais usual de se regular o noise gate, também para PA ou side, é “abrirmos o som”, isto é, levantar os volumes, inclusive os microfones, e ouvirmos o ruído existente. Ajustamo então o threshold do gate até que ele feche. Qualquer sinal que passar do nível de threshold fará com que o gate abra, deixando o sinal passa normalmente. Para PA e side costumamos usar tempos de acionamento de médio para lento.

Quando nosso sistema utiliza crossovers, eles devem ser ajustados antes do equalizador. Isto porque o ajuste da frequência de crossover, ganho de graves e de médio-agudos, já são na prática uma equalização. Para ajustarmos a frequência de crossover devemos considerar a resposta da caixa, que podemos obter em catálogo ou manual do fabricante, ou com o revendedor. No caso de graves, essa frequência costuma estar entre 100 e 300Hz e para sub-graves entre 40 e 80 Hz. O ouvido deve “dar a última palavra” para julgar a frequência correta. O reforço, ou atenuação, de cada via deve ser ajustado para obter uniformidade no som da caixa. Esse ajuste fará com que o equalizador seja mantido mais próximo do flat.

Ajustado o equipamento é bom anotar a regulagem e guardar em um lugar seguro e ao mesmo tempo de fácil acesso, para quando for necessário arrumá-la ou refazê-la. Agora estamos prontos para aprender um pouco sobre a operação.


Fonte: Publicado originalmente em: http://www.audionasigrejas.org/Apostila/indice.htm


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