Apostila Básica de Áudio – Processadores

Sonorização — 2 de março de 2015 23:28

3.4. Processadores de Dinâmica

por: Filippo Valiante Filho

A dinâmica musical se constitui das variações de intensidade e das nuances de um programa musical, é algo bem conhecido para músicos. Pense em uma música bastante trabalhada, certamente ela tem trechos vocais quase sussurrantes e grandiosos e explosivos refrões, solos instrumentais arrasadores e aquela quebradinha bem suave; essa é a dinâmica da música, a variação da sua intensidade de execução. Um orador ora fala com intensidade normal, ora fala propositadamente mais baixo, mais alto ou até grita. Os processadores de dinâmica entram em cena para ressaltar a dinâmica e prevenir excessos tanto para o equipamento como para nossos ouvidos, protegendo ambos. Os processadores de dinâmica existentes são os compressores, os limiters (limitadores), os noise gates, os expanders (expansores) e os companders (compressores-expansores). Vamos falar um pouco mais sobre os dois primeiros que são os mais utilizados.

Os compressores atenuam o sinal de entrada quando este passa acima de um certo limiar nível escolhido pelo usuário (threshold) e a atenuação se dá numa proporção também escolhida pelo usuário, chamada de taxa de compressão (ratio). Exemplificando quando estamos com taxa de compressão de 2:1 temos o sinal de saída igual a metade do sinal de entrada, mas apenas onde o trecho do sinal passa do nível selecionado. Exemplificando em números, se o nosso limiar (treshold) for 5, e a taxa de compressão de 2:1. Um sinal de entrada de intensidade 7, será atenuado para 6; e um sinal de entrada de intensidade 10, será atenuado para 7,5. Isso melhora a extensão dinâmica do sinal e ainda preserva os equipamentos e os ouvidos. Lembrando que a principal causa de queima de caixas acústicas e amplificadores é a presença de sinal saturado em suas entradas, o que sobrecarrega seus circuitos. Os compressores e limiters evitam esse tipo de problema. Os limitadores são basicamente o uso de altas taxas de compressão para evitar que o sinal passe do nível selecionado (taxas tipicamente de 10:1 ou mais). Praticamente todos os compressores encontrados no mercado são compressores/limitadores.

Os controles existentes em todos os compressores são:

  • Threshold: é o nível de entrada a partir do qual o compressor vai atuar.
  • Ratio: controle da taxa de compressão de 1:1, nenhuma compressão até :1, compressão total quando atingido o nível de threshold.
  • Attack: controla o tempo que levará para o compressor entrar em atuação após o sinal passar do nível de threshold.
  • Release: controla o tempo que levará para o compressor deixar de atuar após o sinal voltar a ficar abaixo do nível de threshold.
  • Output: é um controle de volume que pode ser usado para reforçar ou atenuar o nível de sinal de saída do compressor.
  • Peak/RMS ou Manual/Auto: botão que seleciona o modo que o compressor vai monitorar o sinal de entrada. No modo peak/manual o sinal é monitorado constantemente e podemos selecionar nosso próprio tempo de attack e release. No modo RMS/Auto o compressor ajusta automaticamente esses tempos.
  • Hard Knee/Soft Knee ou vocal/instrument: botão que seleciona entre uma curva de compressão mais brusca, imediata ou uma curva mais suave e musical.
  • Bypass: botão que desativa o compressor, fazendo com que o sinal passe sem ser modificado.

Os compressores costumam ter VU’s com a indicação da redução do sinal, ou seja a atuação do compressor, nível de sinal de entrada e nível de sinal de saída. A depender do modelo, pode haver algum tipo de seleção da indicação.

Por fim, os compressores possuem um botão que sincroniza a atuação dos dois canais, para uso em estéreo.

Esses são os controles básicos existentes na maioria dos compressores. No painel traseiro temos as conexões de entrada e saída de cada canal e de alimentação. Também podemos ter uma conexão de side chain em cada canal que funciona como uma espécie de insert, podendo controlar a atuação do compressor através de um outro sinal, útil para narrações sobre uma música de fundo, por exemplo.

Os noise-gates atuam como “botões mute inteligentes”. Imagine a seguinte situação: um orador está falando normalmente e só percebemos sua voz, quando ele faz uma pausa ouvimos algum chiado que pode ser do próprio sistema, ou algum ruído ambiente captado e que passa a ser percebido. O ideal seria cortar o microfone durante a pausa e abrir novamente quando o orador for falar. E é exatamente isto o que os noise gates fazem.

Os noise gates cortam o sinal quando ele cai abaixo do nível selecionado no controle de threshold (limiar), ou atenuam muito no caso dos expander gates. Porém, antes de cortar ele espera um certo tempo selecionável por outro controle ou botão. Se o tempo for muito curto, ou o threshold muito alto, podem haver cortes indesejáveis do sinal. Os gates possuem um led para indicar quando o sinal é cortado. É comum encontrarmos gates incorporados à compressores.


Fonte: Publicado originalmente em: http://www.audionasigrejas.org/Apostila/indice.htm


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