Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 195

Histórias de Hinos — 10 de julho de 2012 23:30

Rocha Eterna

Letra: Augustus Montagne Toplady (1740-1778)

Título Original: Rock of Ages

Música: Thomas Hastings (1784-1872)

Texto Bíblico: Confiai sempre no Senhor; porque o Senhor Deus é uma rocha eterna. (Isaías 26:4)


Acompanhe o hino no Youtube


1. Rocha eterna, meu Jesus, Tu morreste lá na cruz!
Vem de Ti um sangue tal que me vem lavar do mal!
Traz as bênçãos do perdão: paz, conforto e salvação.

2. Nem trabalho, nem penar pode alguém aqui salvar,
Mas só Tu, meu bom Jesus, podes dar-me a vida e luz.
Peço-Te perdão, Senhor, pois confio em teu amor.

3. Eis que vem a morte atrás desta vida tão fugaz!
Quando ao lar do Céu subir, e Teu rosto em glória vir,
Rocha eterna, que prazer eu terei de em Ti viver!


Este hino de louvor e oração a Cristo, a “Rocha Eterna”, que morreu por nós, cujo sangue nos lava, e que oferece “perdão, pureza e salvação”, é um dos hinos mais difundidos e amados no mundo inteiro. Era o costume de Augustus Toplady escrever hinos para sua congregação cantar após o seu sermão. Este hino foi registrado depois do seu sermão sobre Gênesis 12:5. O tema principal da vida deste pastor anglicano era a suficiência da morte de Cristo para a nossa salvação. Toplay queria que todos entendessem bem que “nem trabalho, nem penar” contribuem para a nossa salvação, e que “nada eu tenho a te ofertar”; quem simplesmente crer nEle subirá para o céu e verá Seu rosto em glória!

Há diversas histórias sobre a inspiração da frase “Rocha Eterna”, mas uma pesquisa cuidadosa revela a mais provável. No prefácio do hinário Hymns on the Lord’s Supper (Hinos sobre a Ceia do Senhor), publicado por Charles Wesley em 1745, foram citadas algumas linhas de um sermão intitulado O Sacramento e Sacrifício do Cristão pelo Dr. Daniel Brevint:

Não deixe que meu coração arda com menos zelo, para segui-lO e servi-lO agora enquanto o pão está quebrado na mesa, do que ardiam os corações dos Teus discípulos quando quebraste o pão em Emaús, Ó Rocha de Israel, Rocha de Salvação, Rocha ferida e partida por mim.(…) Não deixe que minha alma tenha menos sede do que se eu estivesse com [Teu povo] no Monte Horebe, onde jorrou o santo sangue das feridas do meu Salvador.

A grande semelhança de fraseologia de Toplady no original dá crédito a esta posição, Toplady publicou uma estrofe deste hino em 1775, em The Gospel Magazine (A Revista do Evangelho), da qual era editor, juntamente com um artigo intitulado A Vida é uma Viagem. Depois de apresentar uma série de perguntas e respostas que demonstravam que a Inglaterra jamais poderia pagar sua dívida nacional, comparou isso com o homem e seus pecados. Calculou quantos pecados um homem poderia cometer até certas idades – até 20 anos, 30, 40, etc. Chegando aos 80, o total seria de 2.522.890.000.Então apresentou a única solução, a que Cristo oferece, citando Gálatas 3.13:

“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro”.(…) Isto, não somente contrabalançará, mas infinitamente sobrebalançará todos os pecados de todo o mundo que crê.

A poesia completa de quatro estrofes apareceu na mesma revista, em março de 1776. Este hino tem sido o consolo de pessoas em todos os continentes.Albert, o príncipe-Consorte da rainha Vitória, recebeu grande consolação dele e pediu que fosse cantado no seu culto fúnebre. Foi cantado nos funerais do primeiro ministro da Grã-Bretanha, William Gladstone. Ao ouvir o hino nesta ocasião, o hinólogo A.C.Benson declarou:

Ter escrito palavras que atendam à necessidade das pessoas em momentos de emoção profunda e de aflição, consagrando, consolando, enaltecendo – dificilmente pode haver algo que tenha mais valor do que isto!

Augustus Montague Topady (1740-1778) nasceu em Farnham, no condado de Surrey. Seu pai, major no exército da Grã-Bretanha, foi morto no cerco de Cartagena (Espanha), pouco depois do seu nascimento. Estudou na renomada Escola Westminster, em Londres, e mudando-se a família para  a Irlanda, fez seu mestrado em artes na Faculdade Trinity, em Dublin,  capital.

Foi neste país que este culto jovem inglês teve a experiência que mudou sua vida. Decidiu ir a um culto dos metodistas Wesleyanos, um braço calvinista da denominação. Foi a um celeiro, onde ouviu um evangelista leigo, James Morris, pregar sobre o texto de Efésios 6.13. Ali Toplady nasceu de novo! Nas suas próprias palavras:

Estranho, que eu, que tanto tempo estava exposto aos meios da graça, pudesse ser levado direto a Deus numa parte obscura da Irlanda, com um punhado de gente reunindo-se num celeiro, e pelo ministério de um que mal podia soletrar seu próprio nome. Certamente foi o Senhor que fez isto, e é maravilhoso. A excelência do poder tem que ser de Deus e não do homem.

Julian nos afirma que o pregador Morris realmente não era tão mal instruído. Embora humilde, possuía um cérebro privilegiado e era um orador nato. Não foi a primeira nem será a última vez que um homem das grandes cidades julga mal a capacidade e a cultura do homem simples do interior.

Voltando a Inglaterra, Toplady foi consagrado ao ministério anglicano em 1762. Serviu em três Igrejas e, de 1775, em diante, pregou numa igreja Calvinista francesa em Londres. Ardente calvinista, escreveu o livro Prova Histórica da Doutrina do Calvinismo da Igreja Anglicana. Levou, em boa tradição inglesa, um debate longo e acirrado com João Wesley sobre diferenças doutrinárias. Escreveu muitos hinos. Publicou um livro de poesia sacra, Psalms and Hymns for Public Worship (Salmos e Hinos para o Culto Público). Suas obras completas foram publicadas postumamente em seis volumes, em 1825.

Toplady, altamente respeitado como líder evangélico espiritual, faleceu muito jovem, aos 38 anos, de sobrecarga de trabalho e tuberculose. Pouco antes de morrer, disse:

“Meu coração bate cada dia mais e mais forte para a Glória. Enfermidade não é aflição, dor nenhuma causa, morte nenhuma dissolução (…). As minhas orações agora estão convertidas em louvor”.

Julian disse dele que, mesmo que fosse às vezes um homem de palavras impetuosas, “uma chama de devoção genuína queimava na frágil candeia do seu corpo sobrecarregado e gasto. (…) Sua é a grandeza da bondade”.

Thomas Hastings, o extraordinário músico albino da republica americana, embora sofresse muito da visão, foi autor de mais de 50 volumes de música sacra: 1000 melodias e 600 textos originais, além de publicar mais de 50 coletâneas de muito valor. Dedicou sua vida à tarefa de elevar e melhorar a música das igrejas do seu país. Uma vez escreveu: “A homenagem que devemos ao Deus onipotente requer o mais nobre e reverente tributo que a música pode render. (Outros dados deste dedicado servo de Deus estão no hino nr. 154)”.

Bibliografia: Gospel Magazine, março de 1776, in: Julianm John, A Dictionary of Hymnology, Dover Edition,New York, Dover Publications, 1957


Entre os maiores hinos da língua inglesa, que são poucos, está este, de Augustus Toplady. O autor o intitulou “Uma Oração do Crente Mais Santo do Mundo para sua Vida e Morte.” A primeira publicação do hino foi em “The Gospel Magazine” (A Revista do Evangelho), em 1776.

Toplady e John Wesley não concordavam em assuntos de teologia. Eram oponentes acerbos nos assuntos da Graça e do Livre Arbítrio. Seus hinos, porém, permanecem lado a lado no hinário; nenhum outro hino expressa melhor a doutrina da Expiação, a impossibilidade do homem salvar a si próprio e o pleno poder do sangue de Cristo para a Salvação. Toplady comparou o “Débito do Pecado” do homem ao Débito Nacional da Inglaterra, e mostrou a futilidade do homem em querer pagar sua própria divida e então diz:

“Necessitamos a Deus, o Pai, por eleger-nos; a Deus, o Filho, por assumir nossas dividas; e a Deus, o Espírito Santo, por seu dom da fé em Cristo.”

O hino faz uso da Rocha como uma figura de Cristo, constantemente usada tanto no Velho como no Novo Testamento: “Sê a minha firme Rocha, uma casa fortíssima que me salve.” (Salmos 31:2) “Desde o fim da terra clamo a Ti por estar abatido o meu coração; leva-me para a Rocha que é mais alta do que eu.” (Salmos 61:2) “Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar… e beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da Pedra espiritual que os seguia: e a Pedra era Cristo.” (I Coríntios 10:1-4).

Thomas Hastings escreveu a melodia “Toplady” que está intimamente ligada a este hino na América. Escreveu um grande número de hinos e melodias e juntamente com Lowell Mason e W. B. Bradbury, e teve grande influência no gosto musical das igrejas da América. Na Inglaterra a melodia preferida para estas palavras é “Petra”, “Redhead”, ou “Gethsemane” de Richard Redhead. Esta melodia aparece no Church Hymnal, acompanhando as palavras do hino “Go To Dark Gethsemane”, nº 122.

Fonte: Histórias de Hinos e Autores – CMA – Conservatório Musical Adventista


Veja a partitura cifrada deste hino

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