Adoração Bíblica – Capítulo Um

A Adoração, Apostilas — 5 de julho de 2012 11:51

por: Arival Dias Casimiro

Princípios Bíblicos Acerca da Adoração Agradável a Deus

O Que Significa Adorar?

Nada é mais importante do que a adoração. Lutero disse: "Ter um Deus é adorar a Deus". Adorar a Deus é atribuir-lhe o valor de que é digno, conforme a palavra inglesa "worship" = "valor reconhecido". Frederick W. Robertsosn afirma: "Repito, o homem não tem opção para ser ou não ser um adorador. Um adorador ele não pode deixar de ser – a única questão é decidir o que ele vai adorar. Todo homem adora – pois é um adorador nato". Adorar a Deus. Esta é a nossa razão de ser como cristão e igreja. Pedro declara: "Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo." (I Pedro 2:5).

Por definição, a Igreja é uma comunidade de adoradores. Ela existe para adorar. Ela é uma casa espiritual, um sacerdócio santo e real. João afirma: "Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!" (Apocalipse 1:5-6). "Adoração não é uma opção, é uma obrigação; não é luxo, é uma necessidade. Adorar a Deus e glorificá-lo é a única coisa que a igreja pode fazer e que nenhuma outra assembléia pode fazer. Não estou certo de que estejamos fazendo isto" diz Warren W. Wiersbe.

Quando adoramos ou cultuamos prestamos um serviço espiritual a Deus. Adorar é servir e trabalhar para Deus, em reconhecimento por tudo que Ele é e faz por nós. Adorar é obedecer a "convocação santa" de Deus.

Vejamos o vocabulário bíblico:

O vocabulário bíblico

Para alcançarmos uma visão correta sobre o culto a Deus precisamos examinar alguns termos usados pelos escritores bíblicos:

1 – "Latreia" – seu significado principal é "serviço" ou "culto". Denota o serviço prestado a Deus, pelo povo inteiro e pelo indivíduo, tanto externamente no ritual, como internamente no coração. Em outras palavras; é o serviço que se oferece à divindade através do Culto formal, ritualístico e por meio do oferecimento integral da vida (Êxodo 3:12; 10:3 e 7-8; Deuteronômio 6:13; Mateus 4:10; Lucas 1:74; 2:37; Romanos 12:1).

2 – "Leitourgia" – composto de duas palavras gregas, "povo" (laos) e "trabalho" (ergon), significa "serviço do povo’. No Antigo Testamento, aplicava-se ao serviço oferecido a Deus pelo Sacerdote, quando apresentava o holocausto sobre o altar de sacrifícios (Êxodo 36:1; Josué 22:27; I Crônicas 23:24,28). No Novo Testamento, aplica-se essencialmente ao serviço que Cristo oferece a Deus, pois ele é o nosso "Liturgos" (Hebreus 8:2,6): Em suma, "Liturgia" é o serviço que o pastor e toda a Igreja oferecem a Deus à semelhança do serviço realizado por Jesus (Romanos 15:16; Filipenses 2:17; Atos 13:2).

3 – "Proskunein’’ – originalmente, significava beijar’. No Antigo Testamento significa ‘curvar se", tanto para homenagear homens importantes e autoridades (Gênesis 27:29; I Samuel 25:23), como para "adorar" a Deus (Gênesis 24:52; II Crônicas 7:3; II Crônicas 29:29; Salmos 95:6). No Novo Testamento, denota exclusivamente a adoração que se dirige a Deus (Atos 10:25-26; Apocalipse 19:10; 22:8-9). Em seu emprego absoluto, significa "participar do Culto Público", "fazer orações", "entoar hinos" (João 12:20; Atos 8:27; 24:11; Apocalipse 4:8-11; 5:8-10; 19:1-7). Esta adoração compreende o ato externo e a atitude interna correspondente.

4 – Outros termos – os vocábulos ‘Eusebia"(piedade) e "Threskeia" (religião), aparecem no Novo Testamento para expressar a conduta do adorador (II Timóteo 3:12; Atos 26:5; Tiago 1:26): Quem adora mostra a sua devoção por meio de uma vida piedosa.

O elemento essencial da adoração

Concordamos plenamente com o Dr. Russel Shedd que aponta o amor como a essência da adoração. Quem ama adora o que ama. Onde estiver o seu tesouro ai estará o seu amor. A essência da adoração é o amor. É totalmente impossível adorar a Deus sem amá-lo. E Deus nunca se satisfez com menos que "tudo". Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. (Deuteronômio 6:5; Mateus 22:37). "Sem o incentivo do amor por Deus, o culto não passa de palha, pura casca, isento de qualquer valor. Pode até se tornar em culto a satanás" (R. Shedd). Afirmamos, entretanto, que o culto verdadeiro requer amor de todo o coração, amor integral da mente e todo o nosso esforço.

Amor de Todo Coração

Para o Hebreu, o "Coração" é considerado a sede da mente e da vontade bem como das emoções. O termo "Alma" refere-se à fonte da vida e vitalidade (Gênesis 2:7,19), ou mesmo o próprio "ser". Estes dois termos indicam que o homem deve amar e adorar a Deus sem qualquer reserva em sua devoção. É no coração humano que Deus se revela (Atos 16:14; II Coríntios 4:4, 6), portanto é com o coração que devemos expressar nosso amor por Ele.

Amor Integral da Mente

A adoração envolve também o exercício da mente. "Dianóia" em grego significa a capacidade de pensar e refletir religiosamente (I João 5:20; Efésios 4:18; Mateus 24:15). Este entendimento é dádiva divina (Lucas 24:25; Efésios 1:17-18). Portanto, a adoração deve ocupar a mente, de maneira a envolver a meditação e consciência do homem. Em Romanos 12:2, Paulo estabelece que o culto cristão deve ser racional ("logiken latreia"). Amar a Deus com entendimento é um desafio para o crente (Marcos 12:30).

Amor que exige todo nosso esforço

Na adoração cristã, Deus exige ser amado com toda a força do adorador (Marcos 12:30; Lucas 10:27 e Deuteronômio 6:5). O termo "Força"(Ischuos) se refere à força e poder de criaturas vivas (Hebreus 11:34); exige-se que o cristão gaste todas as suas energias físicas em atos de amor por Deus (Romanos 12:1; II Coríntios 2:15-16). O amor a Deus expressa-se no serviço prestado por meio do coração (I Coríntios 13:3). Portanto, amar a Deus com "Toda a força" representa gastar a vida e energia unicamente com expressões de lealdade e afeição a Deus.

A necessidade de adorar

Deus não necessita da nossa adoração. Ele é auto-existente e auto-suficiente. Quando O louvamos, não acrescentamos nada a Sua pessoa, porque grande é o Senhor. Jamais poderemos impressioná-Lo com pompa, pois "glória e majestade estão diante dEle, força e formosura, no seu santuário" (Salmos 96:6).

Nós é que precisamos adorar a Deus. A adoração é necessária pelas seguintes razões:

1 – Na adoração, o homem acha a razão da sua existência. Ele foi criado para a adoração. "O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre" (Catecismo Maior da IPB). Fora da posição de adorador de Deus, o homem não encontra o sentido para vida (leiaI Coríntios 10:31; Romanos 11:36).

2 – A adoração foi instituída e ordenada por Jesus Cristo. Como diz Karl Barth: "Na adoração, não somos chamados a expressar nossas necessidades ou possibilidades, mas sim a obedecer". Quando a Igreja se reúne para louvar, orar, pregar a palavra e celebrar os sacramentos, ela simplesmente obedece (Marcos 16:15-16; Atos 1:8; I Coríntios 11:24-25; Atos 20:7).

3 – A adoração é suscitada e expressa pelo Espírito Santo. A salvação provoca adoração (Atos 10:46). O perdão restaura a capacidade de adorar, anteriormente perdida por causa do pecado. Veja alguns exemplos: Lucas 5:25; 13:13; 17:15; 18:43; I Coríntios 12:3 e II Coríntios 1:22.

4 – A adoração é útil. Ela tem utilidade didática, sociológica e psicológica. No ato do culto aprendemos a ser cristãos. Ele é a escola por excelência do cristão. No culto há também coesão, integração e comunhão pessoal (I Coríntios 10:17; Atos 2:42-47). Por fim, o culto traz paz, descanso e cura para a alma dos fiéis.

A amplitude da adoração

A adoração segundo a Bíblia é ampla ou integral. Ela abrange não somente o momento do culto, mas envolve toda a vida do adorador. John Frame resume: "De certa forma, podemos dizer que toda a vida é culto. Isso não nega a importância e até mesmo a necessidade de comparecermos às reuniões da igreja (Hebreus 10:25). Mas o Senhor deseja que vivamos de tal maneira que todos os nossos atos rendam louvores a Deus".

No Antigo Testamento há várias exortações de Deus condenando o culto formal que não era acompanhado de uma vida integra, com a prática da justiça e o exercício da misericórdia. Vejamos alguns exemplos:

"Ouvi a palavra do SENHOR, vós, príncipes de Sodoma; prestai ouvidos à lei do nosso Deus, vós, povo de Gomorra. De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? diz o SENHOR. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene. As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas." (Isaías 1:10-17)

O profeta Isaías sempre condenou o culto hipócrita: Isaías 29:13-16; 58:1-14. O ato restrito da adoração no templo deveria ser um reflexo ou a continuidade de uma vida santa e ética. Este assunto é tema em Malaquias 1 e 2, Oséias 2 e Amós 5. O profeta Miquéias resume bem: "Com que me apresentarei ao SENHOR e me inclinarei ante o Deus excelso? Virei perante ele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu corpo, pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus." (Miquéias 6:6-8).

No Novo Testamento o culto ganha uma dimensão ampla. Tudo que um cristão faz é culto. Ele não pode sair da presença de Deus, pois ele é santuário do Espírito Santo. Paulo declara: "Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo." (I Coríntios 6:19-20). Num sentido amplo, tudo que o cristão faz é culto (Romanos 12:1-2; Hebreus 13:15-16; Tiago 1:26-27). Paulo ensinando acerca da liberdade cristã diz: "Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus." (I Coríntios 10:31).

Jesus recomenda-nos: "Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta." (Mateus 5:23-24).

Os resultados da adoração

O objetivo da adoração é agradar a Deus. Quando o adoramos da maneira que Ele manda, somos também beneficiados espiritualmente. Muitas vezes vamos à igreja, participamos de um culto, e saímos como se nada tivesse acontecido. Mas será que a culpa está em Deus, ou no dirigente do culto ou em mim? Esta é uma pergunta que gera muitas discussões.

O certo e seguro, é que se o culto for agradável a Deus, Deus torna-se agradável ao adorador: "Agrada-te do Senhor e Ele satisfará os desejos do teu coração" (Salmos 37:4). Olhando para os exemplos de culto na Bíblia, podemos relacionar alguns resultados da adoração verdadeira:

  1. Cresce o nosso conhecimento e a nossa admiração por Deus (I Reis 8:23; Salmos 27:4; Lucas 5:9; 8:25; Apocalipse 1:9-20).
  2. Percebemos e sentimos a presença real de Deus em nosso meio e na nossa vida (Êxodo 40:34-38; II Crônicas 7:1-3).
  3. Tomamos consciência da nossa pecaminosidade e da nossa dependência da graça divina (Isaías 6:1-5; Lucas 18:9-14).
  4. Somos instruídos e orientados por Deus, por meio da Palavra (Neemias 8:1-12; II Reis 23:1-3).
  5. Recebemos salvação e libertação (II Crônicas 20:18-30; Mateus 15:21-28; Atos 12:1-11).
  6. Somos motivados à santificação e a consagração (Gênesis 28:18-22; Atos 13:1-3).
  7. Sentimos a necessidade de testemunhar e falar de Jesus (Atos 4:23-31).

Conclusão do capítulo

Concluímos este capítulo aprendendo cinco importantes lições:

  1. Adorar é servir e não ser servido;
  2. Adorar é um ato de amor que envolve a vida inteira do adorador;
  3. Adorar é uma atitude interna que se expressa numa conduta externa.
  4. Deus não precisa de adoração, mas nós precisamos adorá-Lo.
  5. O principal resultado da adoração é a satisfação em agradar a Deus e fazer a Sua vontade.

Introdução Índice da Apostila Capítulo 2

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