Adoração Bíblica – Capítulo Seis

A Adoração, Apostilas — 5 de julho de 2012 13:30

por: Arival Dias Casimiro

Princípios Bíblicos Acerca da Adoração Agradável a Deus

Dança no Culto

Muitas igrejas hoje introduziram a dança como meio de adoração. Muitos irmãos sinceros e com motivações verdadeiras defendem a "dança do elogio" ou a "dança do louvor". Há igrejas que usam grupos coreográficos para expressar louvor e adoração.

Os principais argumentos são:

  • Adorar a Deus por meio da dança é bíblico: Salmos 149:3 e 150:4. Leia o que já escrevemos em "Adoração nos Salmos".
  • A dança foi praticada por servos de Deus, no Antigo Testamento: Miríã e Davi (Êxodo 15:19-21; I Crônicas 15:19).
  • A dança pode ser praticada no culto, pois não existe nenhuma proibição bíblica. E se não é proibido, é permitido.

Entendo que o melhor caminho é o da exegese bíblica para resolvermos este assunto. Não podemos analisar textos somente com o pretexto de defendermos uma posição pessoal.

Primeiro, não encontramos base bíblica no Novo Testamento para introduzirmos dança na adoração coletiva. Creio que com a drástica mudança que houve do culto cerimonial para o culto "em verdade e em espírito", se a dança fosse algo fundamental seria destacada por Jesus, pelos apóstolos ou pelos escritores bíblicos.

A palavra grega "orcheomai" = "dança" refere-se à dança praticada por crianças e a dança sexual praticada pela filha de Herodias (Lucas 7:32; Marcos 6:22; Mateus 11:17; e 14:6).

Outra palavra grega é "choros" = dança em círculos (choir) ou um grupo de dança. No caso de Lucas 15:25, "choros" vem acompanhado de "sinfonia", uma banda de músicos e cantores. O contexto não é de culto ou adoração a Deus.

A palavra grega "aggaliao" = regozijar-se grandemente, exultar descreve uma alegria demonstrativa (Lucas 1:14,44,47; Mateus 5:12; João 5:35; Atos 16:34; I Pedro 1:6,8).

O termo "hallomai" = saltar, pular, saltitar refere-se a uma postura física sempre relacionada a uma cura (Atos 3:8; 14:10).

O termo "skirtao" = estremecer, pular, saltar de alegria refere-se a atitude de João Batista no ventre de Isabel, ao ouvir a saudação de Maria (Lucas 1:41,44; 6:23).

Todas as referências sobre dança no NT não estão relacionadas ao culto ou adoração. A dança era essencialmente uma celebração social de eventos especiais, como uma vitória militar, um festival religioso, ou uma reunião familiar. Era praticada principalmente por mulheres e crianças ou grupos específicos.

Segundo, no Antigo Testamento várias palavras são usadas para descrever a dança. Nenhuma delas relaciona-se com o culto de adoração a Deus, no tabernáculo ou no templo. Davi dançou "diante do Senhor" (II Samuel 6:14,16), contudo, não foi autorizado por Deus a introduzir a dança no culto. As mulheres dançavam celebrando vitórias militares (I Samuel 18:6; 21:11; 29:5; Juízes 11:34).

É importante destacar os princípios da Hermenêutica Bíblica aplicados à interpretação de narrativas:

  • Você não deve estabelecer uma doutrina bíblia numa narrativa histórica. As narrativas históricas são descritivas e não normativas. Davi dançou, isto de fato aconteceu, mas não normatiza o que deve acontecer ou um mandamento para a Igreja hoje. Lembre-se sempre que a formulação de uma doutrina bíblica deve incluir tudo o que a Bíblia diz sobre o assunto.
  • Uma narrativa, geralmente, não ensina diretamente uma doutrina, mas pode ilustrar uma doutrina que é ensinada de modo proposicional em outro lugar da Bíblia. Davi dançou, registra a narrativa bíblica, mas isso não ilustra uma doutrina que é ensinada em outra parte da Bíblia.

Transcrevemos abaixo as palavras hebraicas e os seus significados, apontando as referências bíblicas. Faça uma análise dos textos.

Terceiro, a adoração envolve a vida do adorador. O culto é a vida e a vida envolve o homem na sua totalidade: corpo e alma.(Romanos 12:1; I Coríntios 6:20). Quando alguém vai à adoração coletiva, ele não vai "desencarnado". O culto é "de corpo presente". Logo, todo culto coletivo envolve a expressão do coração, da mente e do corpo.

O grande problema ou o pomo de todas as discórdias é a utilização de algumas "expressões corporais", no momento do culto coletivo. Devo dançar, levantar as mãos e bater palmas para expressar a minha adoração a Deus?

No culto do Antigo Testamento ou da Velha Aliança, a expressão corporal estava limitada ao culto individual e provavelmente as festas religiosas. Nos cultos coletivos não havia o louvor congregacional, pois somente os "cantores oficiais" tocavam e cantavam no templo. No culto do Novo Testamento ou da Nova Aliança, a adoração congregacional é estabelecida e praticada. E o único texto que refere-se a expressão corporal no culto coletivo está em I Timóteo 2:8: "Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade." Trata-se do "levantar as mãos", exclusivamente para pessoas do sexo masculino, no contexto da oração.

Diante do exposto, no meu entendimento pessoal, concluo:

  • Esforcemo-nos para oferecer a Deus aquilo que Ele pede de nós. Adore ao Pai em espírito e em verdade. Não tente oferecer a Deus o que Ele não está pedindo em Sua Palavra, pois podemos cair no mesmo erro dos fariseus: "Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens." (Mateus 15:8-9). Preceitos humanos envolvem tudo aquilo que é inserido no culto, em adendo ou substituição àquilo que Deus pede ao adorador. Tanto tradicionais quanto contemporâneos podem cair neste erro.
  • Utilizemos os princípios estabelecidos por Paulo, na orientação que deu a igreja de Corinto, quanto ao culto coletivo: deve ser prestado com equilíbrio: mente + espírito (I Coríntios 14:15); compreensível para todos, principalmente para o visitante (14:19 e 23); tudo seja feito para a edificação da igreja (14:26); tudo seja feito com decência e ordem (14:40); tudo seja feito para a Glória de Deus (10:31).
  • Obedeçamos às orientações da Igreja ou denominação que você faz parte, enquanto esta permanecer fiel a Palavra de Deus.

Capítulo 5 Índice da Apostila Conclusão

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