Multimídia, um Recurso Auxiliar no Culto

A Forma da Adoração, Sonorização — 15 de setembro de 2014 13:53

por: Pr. David Karnopp

Um dos recursos cada vez mais usado na comunicação são os recursos de multimídia (sons, vídeos, slides, imagens). A exemplo do computador e do celular, este recurso veio para ficar. Ele tem sido uma bênção na condução dos cultos, palestras, estudos bíblicos e reuniões. Apesar de ser um instrumento valioso para a igreja, ele pode trazer problemas se for mal usado. O desafio então é usá-lo corretamente. As vantagens dele são conhecidas e não é necessário descrevê-las. Porém, quais seriam os perigos do uso inadequado dos recursos de multimídia?

1. Recursos audiovisuais sempre são bemvindos no culto. No entanto, quando eles se tornam o centro das atenções, o culto perde o foco. O foco do culto não devia estar no recurso, mas na mensagem para a qual o recurso transmite. O senhor Jesus também se utilizou de recursos para ensinar. Certa vez, ele subiu a um monte para falar melhor (Mateus 5:1); noutra ocasião, ele utilizou um barco para ensinar a multidão na praia (Lucas 5:3). Em ambas as situações, o foco não estava nos recursos, mas na sua Palavra. Quando um recurso de multimídia é responsável por encher a igreja, é preciso perguntar se ele não está sendo mais valorizado do que a própria Palavra.

2. Em alguns lugares, todo o culto é projetado no projetor ou no telão, inclusive hinos e leituras bíblicas. Isso faz com que as pessoas deixem de folhear a Bíblia e o hinário. O único contato com a Bíblia passa a ser o visual. Com o tempo, elas não saberão mais localizar passagens ou livros da Bíblia. Mesmo que, no futuro, a Bíblia deixe de ser impressa em papel é preciso saber “folheá-la” eletronicamente.

3. Há casos em que são projetados excesso de imagens, cores e texto. Isso faz com que o culto vire uma poluição visual. O excesso de informação e ilustração, ao invés de ajudar, perturba. Em alguns casos, também acontece uma projeção indiscriminada de imagens. Muitas delas são “catadas” na internet sem a menor reflexão sobre sua origem. Algumas imagens beiram ao chocante. A impressão que se tem, é que, o texto projetado não é suficientemente forte, por isso, precisa ter uma imagem de impacto para que fale mais que o texto. É sempre melhor que as imagens sejam discretas para que a atenção não esteja nelas, mas no texto.

4. O uso dos recursos de multimídia pode também afetar o sistema litúrgico tradicional. Ele tem sido usado para se investir excessivamente na variedade litúrgica. Mesmo que se mantenha o esqueleto da liturgia, o que dita o tom é a variedade. Isso oferece o perigo de descartar a histórica liturgia e seu rico conteúdo. Com o tempo, também se corre o risco de perder a identidade cultual.

5. Os recursos de multimídia tem a vantagem de oferecer novidades, mas nisso também mora um perigo, pois o que é novo hoje, amanhã não é mais. Com isso, é necessário buscar sempre mais novidades, para, de alguma maneira, continuar agradando. O perigo é fazer das novidades o centro do culto.

6. E o bom uso dos textos projetados  também passa pela escolha mais adequada da fonte, isto é, o formato da letra. Evite as serifadas como a Times New Roman e semelhantes. Prefira letras como Arial, Tahoma, Verdana. E quanto ao tamanho da letra, use aquele em que a pessoa mais distante da tela possa ler, sem nenhuma dificuldade. Assim, o valor do culto não pode depender o projetor. O culto depende da Palavra e dos sacramentos, pelos quais Deus age. A ausência do projetor e de outros recursos não deveria desmerecer o culto, pois o centro das atenções é o altar, onde estão a Palavra e os sacramentos.

Os recursos de multimídia devem ser usados como uma ferramenta no culto, para ajudar as pessoas a entenderem melhor o que Deus está dizendo. Ele não deveria substituir nem Bíblia, nem hinário, nem pastor. A imagem que ele transmite deve sublinhar a mensagem, e não dispersar o pensamento com ilustrações muito diversificadas. Ele deve ser um recurso para memorizar, para fixar ideias, para mostrar gráficos e mapas, para mostrar a grandeza do amor de Deus por nós. Também deveria ser usado como recurso da nossa resposta ao amor de Deus.


David Karnopp é membro da Comissão de Culto da IELB e Pastor em Vacaria, RS


Fonte: Este artigo foi publicado originalmente em Mensageiro Luterano, Janeiro e Fevereiro de 2011 – Editora Concórdia, Porto Alegre

Os editores do Música Sacra e Adoração agradecem ao autor pela disponibilidade em ceder este material.


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