Culto Alternativo de “Igreja Ateísta” tem Rock e Comédia

(Falsas) Estratégias de Crescimento para a Igreja — 12 de abril de 2013 11:05

Uma “igreja ateísta” no norte de Londres está se provando um sucesso entre os não crentes. Alguns, no entanto, acreditam que a iniciativa pode se tornar uma nova religião. Inaugurada no mês passado como ponto de encontro para ateus, a Assembleia de Domingo é, nas palavras de seu mestre de cerimônias, o comediante Sanderson Jones, “parte um show de pessoas batendo os pés, parte igreja ateísta e em geral uma celebração da vida”. Em um domingo pela manhã, o grupo de mais de 300 pessoas se reúne no espaço de uma igreja desconsagrada para a celebração. Ao invés de hinos, os não religiosos ficam de pé para cantar músicas de Stevie Wonder e da banda Queen. Há uma leitura de Alice no País das Maravilhas e uma palestra de um físico de partículas, Dr. Harry Cliff, que explica as origens da teoria da matéria escura.

Parece uma apresentação de comédia stand-up. Jones e a co-fundadora Pippa Evans fazem piadas uns com os outros e animam a plateia como os veteranos do circuito de stand-up que eles são. No entanto, há momentos mais sérios. O tema desta manhã é “fascinação” – uma reação, segundo Jones, à crítica de que os ateus não conhecem esse sentimento.

Os participantes têm que abaixar a cabeça por dois minutos em contemplação ao “milagre” da vida e, em seu sermão de encerramento, Jones fala sobre como a morte de sua mãe influenciou sua jornada espiritual e sua determinação por aproveitar ao máximo cada segundo, consciente de que a vida é muito breve e que nada virá após dela.

A audiência – em sua maioria jovem, branca e de classe média – parece entusiasmada por ser parte de algo novo e fala do vazio que sentiam nas manhãs de domingo quando decidiram abandonar a fé cristã. Poucos se identificavam ativamente como ateístas. “É uma boa desculpa para nos reunirmos e termos um pouco de espírito de comunidade, mas sem o aspecto religioso”, diz Jess Bonham, uma fotógrafa. “Não é uma igreja, é uma congregação de pessoas não religiosas.” “Eu acho que as pessoas precisam desse sentimento de conexão porque todos são muito individualistas agora, e se sentir parte de algo é o que as pessoas estão precisando no mundo”, diz Gintare Karalyte, outra frequentadora.

O número de pessoas que se declaram “sem religião” na Inglaterra e no País de Gales aumentou de cerca de sete milhões em 2011 para 14,1 milhões, de acordo com o último censo no país, em 2011. Isso faz dos dois países alguns dos mais seculares do mundo ocidental.

Pessoas como o escritor Richard Dawkins e o comediante Ricky Gervais transformaram em “moda” a ideia de ser mais assertivo sobre não ter fé religiosa e de pensar sobre o que significa ser ateísta. O escritor Alain De Botton, que já propôs a criação de um “templo para ateus” em Londres, revelou também nessa semana um Manifesto para Ateístas, listando 10 virtudes para os que não têm fé. Ele diz querer promover virtudes “esquecidas” como resiliência e humor. De Botton teve a ideia em resposta à crescente sensação de que ser virtuoso se tornou “uma noção estranha e deprimente”. […]

No entanto, existe a preocupação entre alguns não crentes de que o ateísmo esteja se tornando uma religião em si mesmo, com seu próprio código de ética e sacerdotes autointitulados. Sanderson Jones insiste que não está tentando fundar outra religião, mas alguns membros de sua congregação discordam. […]

[Jones] diz que ficou surpreso com a reação do público da Assembleia de Domingo e que está explorando a possibilidade de fazer reuniões semelhantes em outros locais do país. As doações dos membros da congregação irão ajudar a pagar por ela. “Eu queria fazer isso porque pensei que seria algo maravilhoso”, diz Jones.

Ao lado da igreja desconsagrada onde se reúnem os ateus fica a igreja evangélica de São Paulo e São Judas, onde cerca de 30 pessoas se reuniram no mesmo domingo para cantar músicas gospel e fazer leituras da Bíblia. Mas o bispo Harrison, um pregador cristão há 30 anos, disse que não vê os vizinhos como ameaça e prevê que sua jornada espiritual eventualmente os levará a Deus. “Eles tem que começar de algum lugar”, diz.

(Folha.com)

Nota: Essa nova “religião” apenas revela o vazio que se instala no coração das pessoas quando afastam Deus de suas vidas. Detalhe: Será coincidência o fato de a Inglaterra e o País de Gales terem aprovado ontem, em primeira instância, o “casamento” gay?[MB]

Fonte: Criacionismo.


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