Templos de Adoração

A Adoração — 4 de março de 2013 17:33

por: Jorgeana Longo

“O certo sempre será o certo, mesmo que ninguém o faça”. Essa foi a resposta de um aluno quando propus que escrevesse aquilo que sua mãe sempre diz. Pode parecer claro para os adultos e, para nós que somos cristãos muito mais, afinal, procuramos viver seguindo os princípios bíblicos que sempre, e em qualquer situação apontam-nos o incontestável.

O perigo está em filosofias alojadas em nossa sociedade que por vezes se infiltram na igreja causando males. Tais filosofias, como o Iluminismo [1] pregam que eu sou responsável por criar meus próprios padrões de vida, que estes por sua vez não são absolutos e que tudo depende das exigências desta vida. Dessa forma, muito daquilo que tem sido defendido há anos perde paulatinamente seu valor, em outros momentos são tidos como questões polêmicas ou culturais, deixando de serem avaliadas em determinadas circunstâncias. Um exemplo claro é a adoração.

A palavra adoração refere-se ao respeito e reverência ao que é digno, e quem poderia ser mais honrado do que Deus? Segundo Rick Warren a adoração “é expressar o nosso amor por Deus, por quem Ele é, pelo que Ele disse e pelo que está fazendo.” [2]

Se observarmos a maneira de culto de nossos pais poderemos abstrair importantes lições. Apesar de aparecerem diferentes instâncias relacionadas à adoração na Bíblia a ênfase recai, muitas vezes, sobre a adoração congregacional. Havia todo um preparo em cada reunião. Era de suma importância que todos os participantes estivessem cônscios de suas responsabilidades. No Yom Kipour, por exemplo, algumas minúcias não podiam ser desconsideradas: a sensibilidade da nação ante o pecado, a roupa do sacerdote, o ritual sacrifical, a entrada no templo, o cântico final de júbilo pela certeza do perdão.

Perceba que para cada item o próprio Deus deixou expressa a sua vontade, tudo era feito com perfeição para Aquele que é perfeito, nada era negligenciado. Isso nos diz muito sobre como devemos reverenciar a Deus, e quais são as características da adoração genuína.

A Bíblia ensina que somos templos do Espírito Santo: “Não sabeis vós que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (Coríntios 3:16). Pensar num templo logo traz à mente a imagem de algo bem adornado, limpo, organizado, onde há cânticos e palavras vivas. É certo que existem templos que mais parecem sepulcros caiados, são frios, escuros, vazios, todavia, o texto bíblico refere-se ao primeiro, onde Deus habita, e é deste que podemos considerar as seguintes lições:

1) Se somos templos do Espírito Santo, não importa o momento ou lugar, estamos constantemente na presença do Deus vivo. Essa percepção nos leva a uma adoração sincera e constante, não como muitos julgam, somente na igreja, algo esporádico ou inconstante. A minha vida é um cheiro suave que ascende ao céu. O livro Mensagens aos Jovens diz a esse respeito: “A verdadeira reverência para com Deus é inspirada por um sentimento de sua infinita grandeza, e de sua presença. Com esse sentimento do invisível, todo coração deve ser profundamente impressionado” [3]. Assim, necessário é que avaliemos a cada instante o nosso proceder, o nosso falar e pensar, afinal, o Espírito Santo está em nós.

2) A maneira como me apresento perante Deus e aos homens devem revelar a veracidade do Evangelho. Assim como a roupa dos ministros de Deus nos tempos bíblicos, o que uso deve simbolicamente representar Cristo em tudo. Deve haver modéstia e um gosto apurado, levando sempre em consideração aquilo que agrada a Deus, pois é Ele que deve estar em evidência. É bem vigente em nossos dias a questão cultural, mas tenhamos cuidado, Deus não se agrada das tradições humanas. A Bíblia nos alerta quanto a seguirmos preceitos humanos em detrimento de Sua palavra. A voz do povo longe está de ser a voz de Deus, o melhor a fazer é seguir o conselho bíblico: “a beleza de vocês deve estar no coração.” (I Pedro 3:4) [4]. “Os cristãos devem seguir a Cristo, e harmonizar seu traje com a palavra de Deus. Devem fugir dos extremos e seguir humildemente uma orientação reta, para frente, a despeito de aplausos ou censuras, apegando-se ao direito justamente por ser direito”. [5]

3) O louvor verdadeiro é um dos meios mais eficazes para impressionar a mente com as verdades bíblicas pois ele produz paz e harmonia. Em quaisquer circunstâncias, o coração do cristão necessita estar sempre envolvido com a música boa e agradável, dessa forma, haverá renovação de pensamentos, eliminará da alma a tristeza e amargura e dará lugar a ações de graças a Deus. Se nossa vida for um louvor ela será mais feliz, comunicará a outros a quem pertencemos e nos envolverá numa atmosfera celestial. “Todos vocês que são corretos, alegrem-se e fiquem contentes por causa daquilo que o Senhor tem feito! Cantem de alegria, todos vocês que são obedientes a ele!” (Salmos 32:1). Quando o louvor é autêntico a presença de Deus é certa pois “a alma pode subir mais perto de Deus nas asas do louvor.” [6]

Em tempos como este, é preciso que sejamos sóbrios e conhecedores de todas as coisas que se alojam em nossa vida minando a influência do Espírito Santo. Não podemos olvidar as armadilhas do inimigo para nos atrair, nem jamais ceder aos princípios deste mundo que procuram desviar nossa atenção daquilo que é puro, agradável e bom. Não nos enganemos, todas as questões giram em torno da adoração.

Como ministros na causa de Deus necessitamos ser templos do Espírito Santo, bem adornados, de onde procede o verdadeiro louvor. Assim, todos os que de nós se aproximarem serão influenciados por esse Espírito e, o poder de Deus em nossa vida será mostrado.


Referências:

[1] Colin Brown, Filosofia e Fé Cristã. São Paulo, SP: Vida Nova, 2001

[2] Rick Warren, Uma Igreja com propósitos. São Paulo, SP: Editora Vida, 2005, p.235

[3] Ellen G. White, Mensagem aos Jovens. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1996, p. 251.

[4] Nova Tradução na Linguagem de Hoje, Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2000

[5] Ellen G. White, Mensagens aos Jovens, p. 350

[6] ___________, Caminho a Cristo, p. 104


Jorgeana Longo é esposa de Pastor e Professora na Associação Sul Paranaense.


Fonte: Publicado originalmente em: http://www.amissao.com/2009/08/templos-de-adoracao.html


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