A Batalha da Adoração

A Adoração — 3 de julho de 2012 20:52

por: Ron Owens

Por toda a eternidade passada, até onde Deus abriu a cortina para nosso conhecimento, sempre houve adoração. Desde que houve algum ser criado no céu, sempre houve adoração. No centro do motim no céu, liderado pelo arcanjo Lúcifer, estava a questão da adoração. Sendo arcanjo, Lúcifer obviamente tinha algo a ver com a adoração no céu, mas por causa do orgulho que invadira seu interior, achava que era ele quem devia ser adorado. Uma terça parte do exército angelical se ajuntou com ele na sua revolta, tentando destronar a Deus a fim de que o próprio Lúcifer pudesse se assentar no seu lugar, e ser adorado por todos os exércitos dos céus (Isaías 14:12-14).

A próxima vez que temos um confronto pessoal a respeito da adoração entre Lúcifer (agora Satanás) e Deus foi depois do batismo de Jesus por João no rio Jordão. Jesus foi levado pelo Espírito para o deserto para ser tentado pelo diabo (Mateus 4:1). Na essência daquela tentação, Satanás ainda estava tentando fazer com que Deus se dobrasse diante dele (Mateus 4:9). Satanás sabia que se o Senhor Jesus lhe dobrasse o joelho em adoração, o estaria reconhecendo como ser superior, e que a batalha que prossegue até hoje em torno da devoção e adoração da humanidade já seria decidida.

Todos São Adoradores

Fundamentalmente, a batalha que prossegue nas regiões celestiais tem a ver com adoração. Diante de quem a humanidade vai se prostrar, e a quem vai adorar? Esta é a questão que os missionários enfrentam em cada lugar para onde vão, até aos confins da terra. É também a questão que cada dirigente de adoração enfrenta aqui no mundo ocidental, nos países “cristãos”. A quem os povos pagãos, e a quem as pessoas sentadas nos bancos das igrejas, vão adorar? Ou a quê vão adorar?

Basicamente, Deus colocou na natureza do homem a necessidade e o desejo de adorar. Você pode ir até o lugar mais longínquo da terra e descobrirá que não precisa ensinar as pessoas a adorar. Já estão adorando a algum deus. Às vezes, é uma multiplicidade de deuses, mas já reconhecem um ser supremo e superior. Todos somos adoradores.

Um amigo meu que é pastor de uma igreja grande no estado de Arkansas, nos EUA, disse-me o seguinte: “Ron, se eu tivesse mais adoradores na igreja aos domingos de manhã, haveria uma adoração muito melhor”.

Respondi-lhe: “Os bancos da igreja estão cheios de adoradores… Todos estão adorando a alguma coisa“. Por exemplo, se for numa época de campeonato nacional de futebol, ou de Copa do Mundo, você logo poderá notar o que é mais importante para as pessoas. Podemos oferecer nosso tempo a Deus desde que não entre em conflito com aquilo que é mais importante para nós. Todos adoram a alguma coisa ou a alguém.

O Que Significa Adoração

O ajuntamento do povo de Deus em adoração coletiva é de importância vital à vida da igreja. O que se passa neste tempo deveria preparar o caminho para que Deus visitasse seu povo em avivamento. É possível, entretanto, que o período de “adoração” no culto seja mais um obstáculo do que uma preparação para o avivamento. Como isto pode ser? Vamos examinar primeiro o que é adoração, e depois comparar com o que fazemos hoje.

A palavra que é mais usada para adoração no Velho Testamento do que qualquer outra palavra é shachach. Sempre significa o ato de ajoelhar-se, abaixar-se, curvar-se, dobrar-se, ou prostrar-se diante da pessoa que é objeto de adoração.

“Inclinaram-se, e adoraram ao Senhor, com o rosto em terra” (Neemias 8:6).

“Também os anciãos prostraram-se e adoraram” (Apocalipse 5:14).

Verdadeira adoração, portanto, deve começar com uma atitude de coração, de prostrar-se ou curvar-se em reverência diante daquele a quem adoramos. Em alguns casos pode haver até uma expressão corporal desta atitude.

Mas muitas vezes, no Velho Testamento, mesmo quando o povo realizava o ato físico que expressava esta atitude, pelo fato de não o fazerem de coração, Deus nem dava atenção ao que estavam fazendo.

Em Isaías 1, Deus disse: “Nem ouço quando estendem a mim suas mãos em oração” (v.15), porque não o faziam de coração. Adorar a Deus em espírito e em verdade é essencialmente uma questão de coração. Jesus disse que é isto que o Pai procura, e isto é verdade até hoje (João 4:23-24).

No Novo Testamento, a palavra mais usada para adoração é proskyneo, que significa basicamente a mesma coisa: curvar-se, dobrar-se, abaixar-se, ajoelhar-se. Contém também uma figura belíssima de beijar a mão da pessoa a quem se adora. Se não fizermos essas coisas fisicamente, pelo menos no nosso coração deve haver esta atitude de nos abaixar, de curvar-nos e ajoelhar-nos diante daquele a quem estamos adorando, se verdadeiramente estivermos adorando a Deus.

Hoje vemos muito pouco desta atitude de abaixar-se e de humilhar-se na adoração. Ao contrário, parece que passamos uma proporção muito maior de tempo em pé, celebrando. Você costuma ver esta atitude de abaixar-se, ajoelhar-se, e curvar-se diante daquele a quem estamos adorando na igreja hoje? Fomos arrebatados pelas tendências modernas, e praticamos muito mais celebração do que adoração.

Celebração faz parte integral das nossas vidas. Fomos ordenados a celebrar. Os filhos de Israel receberam ordens para celebrar em memória da Páscoa, por exemplo. Tanto a adoração como a celebração devem fazer parte da vida da igreja, mas há uma diferença importante entre as duas. Na adoração, há um senso de temor e reverência por quem Deus é. Ele é o foco da adoração. Na celebração, regozijamo-nos e deleitamo-nos naquilo que Deus faz, ou naquilo que Deus já fez. Na verdade, a mais pura celebração brota de um coração que adora. É claro que há um lugar para celebração na vida da igreja, mas nunca deveria substituir a adoração a Deus!

Não temos notícia de um avivamento sequer que tivesse começado com um povo em constante celebração, e nunca em adoração. Pelo contrário, temos muitos registros de tempos de visitação que começaram quando o povo estava prostrado diante de Deus (Zacarias 1:3; Atos 1:13-14; 2:1-4). As exigências de Deus não mudaram: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (II Crônicas 7.14).


Fonte: Revista Impacto


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