Os Elementos Essenciais da Verdadeira Adoração

A Adoração, Palestras e Sermões em Vídeo — 13 de março de 2017 21:47

por: John MacArthur



Os Elementos Essenciais da Verdadeira Adoração

Quero chamar a atenção de vocês para Romanos capítulo 12 e versos 1 e 2.

Uma porção muito, muito familiar das Escrituras: Romanos capítulo 12 e versos 1 e 2.

O apóstolo Paulo, através da inspiração, escreve isso: “Portanto, irmãos, rogo-vos, pelas misericórdias de Deus, a apresentardes vossos corpos como um sacrifício vivo e santo, aceitável a Deus, que é o vosso culto de adoração espiritual. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a vontade de Deus, a qual é boa, aceitável, agradável e perfeita”.

A frase para a qual quero chamar a sua atenção está no final do verso 1: “o vosso culto de adoração espiritual”.

Adoração é um assunto popular hoje em dia, sobre o qual muito se fala.

Existe muita atividade e comoção na igreja, atualmente, com foco na ideia de adoração. Temo que muitas pessoas veem adoração e música como sendo sinônimos; e se você disser para algumas congregações “Quero que vocês adorem ao Senhor comigo” eles irão presumir que que imediatamente música deveria começar.

Há pessoas que acreditam que a música é tão inseparável da adoração que é crucial o estilo de música que está sendo usado; e que se não usarmos a música certa, a música que fala na linguagem de um certo grupo de pessoas, limitaremos, de alguma forma, a sua adoração.

A batalha é travada tão ferozmente acerca dos estilos de música na igreja como forma de adoração que a igreja está realmente fragmentada em grupos de pessoas de todos os lados da questão e com frequência igrejas realmente se dividem, por causa da música.

A razão é que a ideia básica que algumas pessoas têm em sua mente é que a música produz adoração, ou a música induz a adoração; e se não temos o estilo correto de música, a adoração não acontecerá. Se a canção não é contemporânea, se a canção não é familiar, se o arranjo não é o que deveria ser para interessar a um certo grupo de pessoas, elas não serão capazes de adorar.

Na igreja Pop, a música quase sempre domina – longa, alta e repetitiva – e existe um esforço para mexer com os sentimentos e as emoções das pessoas na direção da adoração.

Há muitas pessoas que supõe que a música é a origem ou a fonte da adoração, e a ilusão é que alguns estilos de música produzem adoração, certas melodias e certos arranjos induzem adoração e outros, de alguma forma, a limitam.

Isso por parecer estranho para vocês, porque eu amo música. Eu amo música.

Mas a música, como tal, não tem nada a ver com adoração. Música não pode produzir adoração. Ela não pode induzir adoração. Música não é a origem da adoração. Vou dizer de outra forma: música não é o princípio da adoração é o seu final.

Eu amo música, mas não preciso de música par adorar. E há algumas músicas que não me ajudam, na minha adoração. Eu aprecio a música, gosto do som dela, aprecio sua beleza e, com certeza, ela enriquece a minha adoração. Gosto de algumas melodias, porque elas são belas, ou elaboradas; gosto de algumas canções e determinados arranjos, mas essas canções ou arranjos desempenham um papel bastante incidental a minha adoração.

Com música ou sem música, música que seja simplesmente animada, bela e agradável, ou música que não seja muito desta forma; qualquer que seja a música, em adoro a partir de uma origem muito diferente. Minha adoração vem de outro lugar. De onde ela se origina? O que este texto está nos dizendo?

Música é o final da adoração. Eu amo os cânticos que cantamos aqui esta noite, e nesta manhã. Eu os amo, porque eles estão preenchidos com a minha adoração. Eles não a produzem, eles não a induzem, não são sua fonte, não são sua origem, mas são sua expressão.

Quero que vejamos a frase “o vosso culto de adoração espiritual”, e apenas meditemos nela um pouco. “Culto de adoração espiritual” é uma frase notável, e para começarmos, nos concentramos na palavra “espiritual”, logiken; ela significa simplesmente no âmbito da alma.

Quando falamos sobre adoração, estamos falando de algo que se origina na alma, na pessoa interior. A palavra, na verdade, poderia ser traduzida como “racional”, como está em algumas traduções. Ou seja, se origina na razão, na inteligência.

Adoração é latreian, é uma adoração religiosa, é uma palavra utilizada para atividades sacerdotais. Nossa adoração perante Deus, o culto que prestamos a Deus na adoração é espiritual. Isso quer dizer que é interna, e não externa.

Com música ou sem música, com música bela, ou não tão bela assim, a verdadeira adoração se origina na alma, é espiritual, e é onde ela se inicia. Esta é a adoração da qual Paulo fala que é aceitável a Deus. É o tipo de adoração que Deus deseja.

A palavra grega aqui significa “completamente satisfatório para Deus”.

Tenham em mente: a adoração é um ato pelo qual oferecemos louvores a Deus. Certo? Não é um “clima”, ao qual nos entregamos. Não é uma sensação, à qual somos induzidos pela beleza do que ouvimos.

Adoração é uma atividade que nós ofertamos a Deus.

Ele é a audiência, Ele é Aquele a quem oferecemos a nossa adoração.

Portanto devemos oferecer aquela adoração que é aceitável a Ele.

E qual é a adoração aceitável a Deus? É aquela adoração que é espiritual. Não física. Não apenas a voz, mas a alma. É a adoração que brota do coração. Esta é a adoração que é aceitável a Deus.

É claro que Romanos 12:1-2 não fala nada sobre música.

Música, tocar, cantar, é a nossa resposta física à adoração da alma. Mas uma alma que adora é uma alma que adora. Se existe música, ela canta, se não há música ela adora sem o cântico, agradecendo a Deus por Sua pessoa, e Suas obras, oferecendo a Ele louvor.

A verdadeira adoração, portanto, brota da alma, e quanto mais a nossa alma compreende a glória e as maravilhas de Deus, mais iremos adorar.

Concordo que não há nada mais excitante e jubiloso e, em certo sentido, até instrutivo, do que este tipo de adoração corporativa.

Mas somente é adoração verdadeira na medida em que ela for permeada pela adoração do seu coração a Deus. E quanto mais conhecemos de Deus, mais Ele permeia a nossa adoração.

É por isso que me sinto tão mal a respeito da morte dos hinos.

É possível ir a muitas igrejas e nunca ouvir a música que ouvimos aqui esta manhã.

Podemos ir à maioria das igrejas e nunca ouvi-la. Isso é trágico.

Porque os hinos carregam teologia em uma forma profunda. Também a carregam em uma forma sutil; e muitas pessoas não conseguem cantar os hinos porque eles não os entendem, porque não conhecem teologia suficiente para compreender as sutilezas e as nuances.

Eu amo cantar hinos, porque eles não são apenas superficialmente aparentes, eles fazem brotar coisas mais profundas.

É por isso que eles permaneceram por séculos.

E você traz para sua adoração somente aquilo que o seu coração traz para a adoração.

E se a experiência primária para você é a sensação rítmica da canção, isso não é adoração.

E se você fica feliz com os coros 7-11 (7 palavras repetidas 11 vezes), isso não fala muito sobre a profundidade da tua teologia; você não está permeando essa experiência de cântico com muito conhecimento da alma.

Tendo dito isso, vamos dar uma olhada em nosso texto um pouco mais e fazer algumas perguntas simples.

O que deveria motivar a nossa adoração? O que deveria motivar a nossa adoração? Não a introdução à melodia, não o início da banda, ou da orquestra, ou do órgão ou do coral.

O que deveria motivar a nossa adoração? Verso 1: “Portanto, irmãos, rogo-vos” – aí vem… – “pelas  misericórdias de Deus…” Deveríamos ser motivados pelas misericórdias de Deus a oferecermos a Deus um culto espiritual de adoração.

O que queremos dizer com isso? O que são as misericórdias de Deus? No plural!

Bem, essencialmente, é tudo o que Deus nos tem dado, em misericórdia. Isso quer dizer tudo o que Deus nos tem dado e que nós não merecemos; e isso inclui tudo, porque não merecemos nada.

Tudo o que temos de Deus é uma misericórdia e, de fato é a maneira de Paulo resumir os capítulos de 1 a 11. É isso.

As misericórdias de Deus são aquelas grandes realidades espirituais sobre as quais Paulo esteve escrevendo nos 11 capítulos de abertura desta grande epístola.

E se você voltar em Romanos, ali você vai encontrar este tipo de lista. Aqui estão coisas sobre as quais Paulo estava escrevendo e que podem ser incluídas na categoria das misericórdias de Deus: amor eterno, graça eterna, o Espírito Santo, paz interminável, alegria eterna, fé salvífica, consolação, força, sabedoria, esperança, paciência, bondade, honra, glória, justiça, segurança, vida eterna, perdão, reconciliação, justificação, santificação, liberdade, ressurreição, filiação e intercessão contínua. E mais…

Este é o resumo do que Paulo estava dizendo que é nosso na salvação, entre os capítulos 1 a 11.

Qual é a tua resposta às misericórdias de Deus? Creio que os Salmos expressam bem isso; Salmos 116:12, “Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito? ”

Quando eu conto os benefícios, as misericórdias de Deus que Ele me tem dado, o que eu darei ao Senhor? Esta é a pergunta que o Salmo faz, e Paulo nos dá a resposta: “rogo-vos, pelas misericórdias de Deus” – por causa das misericórdias de Deus – “a  apresentardes vossos corpos como um sacrifício vivo e santo, aceitável a Deus, que é o vosso culto de adoração espiritual. “

Como resultado desta poderosa obra de Cristo na cruz, como resultado da salvação que veio a nós através da cruz e da ressurreição, deveríamos ser movidos, motivados, impulsionados, guiados – pelas admiráveis misericórdias de Deus dadas a nós – a adorá-Lo.

E o que gera, o que produz a verdadeira adoração é um vislumbre da riqueza da salvação. Um vislumbre da glória da graça que salva.

É por isso que, quando Paulo chega ao fim da lista das misericórdias de Deus, ele está quase estourando.

Assim, no verso 33 [em diante] do capítulo 11 de Romanos, ele estoura com essas palavras: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?”

Mais uma vez, é completamente inescrutável, é totalmente não merecido…

“Porque dEle e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. Amém.” Isto é pura adoração!

Não há canção, não existe música. Ninguém começou a dedilhar algum tipo de instrumento de cordas. Foi uma explosão de louvor. Ao contemplar 11 capítulos de verdades inspiradas, acerca das riquezas de Deus, dadas a um pecador que não as merece, Paulo continua, nos capítulos 12 e 13, 14, 15 e no último capítulo, o capítulo 16.

Ele não consegue se conter no final do capítulo 16 e novamente exclama (verso 25 [em diante]): “Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto, mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé; ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém.”

É tudo para Ele. Começando no verso 25, “Àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação” da cruz, àquele que nos deu “a revelação do mistério”, significando o Novo Testamento, as Escrituras, Àquele que que trouxe todas as nações para a salvação, levando à “obediência da fé”, a Ele “seja dada glória por Jesus Cristo”.

O apóstolo Paulo tem essas explosões doxológicas durante todos os seus escritos em alguns dos lugares mais espantosos. Eles aparecem vez após outra. Uma das que eu mais gosto é no final do capítulo 3 em Efésios: “Ora, Àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos,” – Ele nos deu misericórdias que são inimagináveis – “segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém.”

Resumo: Quanto mais das Escrituras você conhece, quanto mais doutrina você conhece, mais adoração você oferece.

Ela é motivada por, brota de, originada em conhecimento… conhecimento… conhecimento.

Filipenses, é uma doxologia simples; Paulo estava falando em Filipenses sobre as coisas que Deus nos dá.

Verso 19, Filipenses 4: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.”

Vamos separar esta afirmação em partes: Deus dará, em Cristo, tudo o que você precisa, de acordo com suas infinitas riquezas. Tendo dito isto, ele não consegue conter a adoração: [verso 20] “Ora, a nosso Deus e Pai seja dada glória para todo o sempre. Amém.”

Este tipo de coisas sempre vem em resposta a uma contemplação das glórias da salvação.

Ao escrever a Timóteo, Paulo ensaia o seu próprio testemunho. No final de I Timóteo 1 ele diz, no verso 13: “A mim, que dantes fui blasfemo, e perseguidor, e injurioso;” – e agora isso – “mas alcancei misericórdia…”

E então vem a doxologia [verso 17]: “Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém.”

Isto é adoração. Ela vem de um coração completamente subjugado pelas misericórdias de Deus associadas à cruz. Esta é a motivação da adoração.

Com música ou sem música, este estilo, aquele estilo, qualquer estilo… Meu coração está tão transbordante com as verdades das misericórdias de Deus que, se eu estiver na Igreja da Graça, ou na Rússia, onde quer que eu esteja, nas montanhas da América do Sul, em algum lugar, onde quer que eu esteja neste planeta, o que quer que eu esteja ouvindo, mesmo que seja um coro simples, posso impregná-lo, pelo meu entendimento dessas coisas, com riquezas que nem todos compreendem e que se torna para mim uma expressão de adoração.

Eu trago a minha adoração para a música; e vocês devem fazer o mesmo.

A linguagem de Paulo se move, em nosso pensamento, da motivação da  adoração para o mandamento; porque ele , basicamente, está nos dizendo que temos que fazer isso.

Ele começa com essas palavras: eu lhes imploro, eu solicito a vocês, eu insisto com vocês. Parakalo, uma palavra composta: “Eu apelo a vocês”. Um forte apelo, até mesmo uma ordem. ‘Irmãos, por causa das misericórdias de Deus’ – aceitem essas misericórdias, conheçam essas misericórdias. Você pode encorajar um jovem cristão, que acaba de vir para o Senhor, a começar em Romanos 1 e se tornar impregnado com esses 11 capítulos, para que ele compreenda a grandiosidade dessas misericórdias.

Você não ajuda as pessoas ao mantê-las num entendimento superficial de tudo, tornando as coisas o mais simples possível, com uma abordagem reducionista da Bíblia. Eu me encolho com algumas pregações que ouço. São tão mínimas! Você quer que eles entendam o máximo possível. Vocês querem entender o máximo possível.

Paulo apela conosco a este respeito, para que nos apropriemos das misericórdias de Deus em sua totalidade. Este é o mandamento.

Em terceiro lugar, existe uma forma pela qual devemos adorar. Ele diz; aqui está: “apresentem vossos corpos como um sacrifício vivo e santo”. Isso quer dizer: ofereçam toda a sua vida em adoração. É uma forma de vida.

Quando ele dia “corpo”, aqui, ele quer dizer todas as nossas faculdades humanas. Todas as nossas faculdades humanas. Toda a nossa humanidade.

“… subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão… ”, ele disse aos coríntios em I Coríntios 9 [27]. Ele quer dizer com isso, tudo o que há de humano nele.

“Apresentem”, parastesai, é um termo usado no templo, é um termo levítico. Coloque sobre o altar, morra para seus próprios objetivos, para tudo ao seu redor e entregue toda a sua humanidade, tudo o que você é, “como um sacrifício vivo e santo” a Deus. Esta é a forma.

Motivação, brota do coração. O mandamento, é fazer isso porque é o certo. A forma é permitir que a compreensão do coração, que a apropriação do coração pela verdade, que o amor do coração pelas misericórdias de Deus, que a gratidão do coração, afete tudo o que você é, de forma que toda a sua vida se torna uma oferta e a adoração se torna uma experiência 24×7.

Você não guarda nada para si mesmo.

Há alguns domingos à noite atrás falamos sobre os escravos de Cristo. E eu agradeço a todos pela resposta de vocês, foi uma resposta maravilhosa, muito encorajadora. Isso é uma continuação daquela conversa sobre escravos.

De fato, é mais sério do que oferecer-se como escravo. É colocar a sua vida sobre o altar, desistindo dela em todos os sentidos. Muito similar àquela conversa sobre escravos.

A linguagem aqui é a linguagem do Antigo Testamento. Um ofertante do Antigo Testamento trazia o seu sacrifício para Deus fora do Lugar Santo e a entregava para o Sumo Sacerdote. O Sacerdote a tomava e a apresentava a Deus sobre o altar.

Quando alguém trazia uma oferta, isso simbolizava um coração adorador, porque isto é o que Deus realmente queria. Mesmo no Antigo Testamento. Deus não se agradava com uma oferta meramente externa. Ele queria o coração. Ele sempre quis o coração.

Deus quer que os verdadeiros adoradores o adorem em espírito e em verdade [João 4:24].

Mas agora não há mais sacrifícios mortos, apenas vivos. O sistema sacrifical foi abolido, e Deus quer sacrifícios vivos.

Ele quer que nós sigamos o Senhor Jesus Cristo e neguemos a nós mesmos. E ao fazermos isso, no verso 2, nós vamos indicar, provar, qual é a vontade de Deus, a qual é boa, aceitável e perfeita.

Em outras palavras, quando você entrega a sua vida, está dizendo: Não seja feita a minha vontade, mas a Tua.

De agora em diante, qualquer que seja a Tua vontade, o que quer que, de acordo contigo, for bom, e aceitável, e perfeito, é isso que eu desejo fazer.

Isto é o sacrifício vivo.

Mas como você chega lá? Há uma quarta coisa a considerar. O quarto elemento crítico, a mente do verdadeiro adorador.

Como chegamos ao ponto em que entendemos as misericórdias de Deus? Como chegamos ao ponto em que ficamos tão completamente subjugados e agradecidos por essas misericórdias, que você está desejoso, de todo coração, como um ato espiritual de adoração, a entregar todo o seu ser em uma única expressão de adoração, em abandono da sua própria vida aos propósitos divinos de Deus. Como chegamos a este ponto?

O verso 2 explica. Primeiro a negativa: “Não sede conformados com este mundo…”

Um verbo grego muito interessante, syschematizesthe, do qual temos a palavra “esquemático”. Esta palavra é uma palavra composta, então ela é muito intensificada.

Significa literalmente, ser estampado, como uma medalha. Ou ser moldado. Podemos traduzir como “parem de permitir que vocês sejam moldados pelo mundo”.

Vocês não podem permitir que a sua mente seja moldada pelo mundo.

O que é o mundo? O mundo é, simplesmente, o pensamento caído. Ideias caídas. Ideias que pertencem ao reino das trevas. É a massa flutuante de ideias e comportamentos não santificados, que estão separados e são hostis ao reino de Deus.

Você nunca irá adorar da maneira como deveria adorar, se estiver sendo conformado, moldado por, estampado com a imagem do mundo.

João diz que “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.” [I João 2:15]

Se todo o teu afeto e amor é para o mundo, você não é um crente, mas, como crentes, podemos permitir sermos influenciados pelo mundo, embora amemos a Cristo.

Não permita que o mundo te molde à sua forma de pensamento e comportamento. Não pense como o mundo e não aja como o mundo.

Por outro lado, há o positivo: “… sede transformados…” – metamorphousthe – metamorfose, transformação. Presente, imperativo passivo.

Permita-se ser constantemente transformado. E quem está fazendo isto? O Espírito de Deus. II Coríntios 3:18. Ele está transformando o crente na própria imagem de Cristo, de um nível de glória para o seguinte e o seguinte e o seguinte…

Você quer adorar? Quer adorar através de uma miríade de expressões de música?

Não olhe para a música, para induzir a tua adoração, olhe para a música simplesmente como uma expressão daquilo que é induzido por um coração que está transbordante pelas misericórdias de Deus, obediente ao mandamento para adorar, até o ponto em que nos entregamos em total abandono a Deus e a Cristo, para fazer aquilo que é bom, aceitável e perfeito a Ele.

Como fazemos isso? Tendo uma mente transformada. Ele diz, no verso 2: “pela renovação da vossa mente”.

Esta é outra palavra grega que é valiosa para aqueles que se interessam por isso: anakainosei. Significa uma completa renovação de pensamento. Você precisa ter o seu pensamento completamente alterado.

É tudo sobre a mente. Não é sobre a emoção, é tudo sobre a mente.

Quão maravilhoso que aqui, de acordo com I Coríntios 2:16, nós temos a mente de Cristo, isso não é ótimo? Nós temos a mente de Cristo.

Eu sei como Deus pensa, até o ponto em que Ele revelou isso. Eu sei como Cristo pensa, sei como o Espírito Santo pensa, porque eles revelaram isso aqui. Esta é a mente da Trindade.

Como isso é maravilhoso.

Então, se eu quero que a minha mente seja totalmente renovada, se eu quero pensar da maneira como Deus quer que eu pense, eu tenho a fonte, bem aqui.

É a mente de Deus, revelada na Escritura.

Ao escrever aos colossenses, Paulo disso assim, no capítulo 1, verso 9: “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual”.

Se você quer adoração espiritual, precisa de sabedoria espiritual, entendimento espiritual, precisa do conhecimento da Sua vontade.

“Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo”. [verso10]

Então, qual é a fonte da verdadeira adoração? É a verdade, o conhecimento da Palavra de Deus, o que quer dizer, o conhecimento das misericórdias de Deus, e voltamos ao ponto onde começamos.

Conhecer a verdade, acreditar na verdade, ter convicções acerca da verdade e amar a verdade. Funciona desta forma.

É convicção, seguida por afeição. Cantando com Davi, “Oh, como eu amo a Tua lei.”

Agora, quando vimos à mesa do Senhor nesta noite, vimos ao ponto focal das misericórdias de Deus.

Vamos curvar a cabeça em oração:

Senhor, agora que vamos nos lembrar do sacrifício de Cristo, o ponto no qual todas as misericórdias de Deus encontram seu significado, sua origem, nós queremos Te agradecer por tudo o que a cruz nos trouxe, e a cruz trouxe tudo para nós.

Nós Te agradecemos porque enquanto ainda éramos inimigos, Cristo morreu por nós.

Nós Te agradecemos porque, quando éramos rebeldes, indignos e miseráveis pecadores, merecedores apenas do castigo eterno, nós fomos redimidos.

Nós estávamos lá, quando o Salvador morreu na cruz, Ele estava suportando o nosso pecado sobre Seu próprio corpo na cruz.

Aquele que não conheceu pecado, tornou-se pecado por nós, para que pudéssemos nos tornar justiça de Deus através dEle. Isso é maravilhoso, e isso certamente não é uma salvação minimalista, pois a obra na cruz nos trouxe ilimitadas, infinitas misericórdias.

Queremos conhece-las, compreendê-las, aceitá-las, crer nelas e amá-las, para que a adoração, como um culto espiritual, que brota do nosso espírito, passa através de todas as faculdades humanas, e é oferecida a Ti, como uma expressão de gratidão.

Damos-Te o louvor, damos-Te a glória por tudo o que tens feito e, mais uma vez, oferecemo-nos sobre o altar como sacrifícios vivos, sem reter nada, entregando tudo a Ti. Morremos novamente para nós mesmos. Como Paulo disse, devemos morrer a cada dia.

Que possamos viver para a Tua glória.

Que a nossa adoração seja maior do que jamais foi, porque agora sabemos mais do que jamais soubemos, conforme contemplamos a grandeza da cruz.


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