A Teologia de Adoração e Liturgia de Ellen White

A Forma da Adoração, Compilações dos Escritos de Ellen G. White — 6 de março de 2017 15:11

por: Denis Fortin

Qualquer debate sobre adoração e liturgia é um assunto polêmico na maior parte das igrejas na América do Norte – e não somente nas congregações Adventistas do Sétimo Dia. De acordo com Paul Basden: "Durante toda a história cristã, a adoração pública atraiu atenção, estimulou discussão e até provocou discórdia".[1] Essa análise parece ser precisa. No Novo Testamento, o apóstolo Paulo enfrentou problemas com adoração na igreja em Corinto e parte da discórdia sobre aceitar cristãos gentios era se judeus e gentios crentes em Cristo poderiam adorar juntos. Durante a Idade Média, o cristianismo ocidental e oriental se dividiu sobre o uso de ícones na adoração. Na época da Reforma Protestante, embora os reformadores estivessem basicamente de acordo com relação a questões de fé e salvação, as amargas divisões entre eles por causa de formas e elementos de adoração prejudicaram sua unidade e testemunho comum. Protestantes reformados e católicos perseguiram anabatistas por causa de sua teologia e prática do batismo; Lutero desprezou a compreensão de Zwingli sobre a Ceia do Senhor. Os puritanos se separaram dos anglicanos por causa da prioridade dada à pregação da Palavra de Deus.

Embora hoje não matemos mais as pessoas por causa de discordância sobre formas de adoração, pouco mudou com relação às perguntas que dividiram o cristianismo ao longo dos séculos e muitos artigos continuam a ser escritos sobre esse assunto em revistas cristãs populares.[2] Para os Adventistas do Sétimo Dia, as formas de adoração também se tornaram grandes pontos de discórdia. Por décadas adoramos a Deus seguindo um formato de adoração protestante tradicional baseado em hinos, no qual o sermão era o elemento dominante. Hoje, contudo, embora o sermão tenha tendência de continuar sendo o elemento dominante – embora a tendência esteja se distanciando do sermão expositivo tradicional, sendo o substituindo com uma narrativa de fé e experiência pessoal – o canto baseado em hinos está sendo substituído por músicas e canções mais contemporâneas, uma variedade de instrumentos músicas além do piano e do órgão servindo de acompanhamento para a congregação, a ordem de adoração é mais espontânea e menos previsível e a resposta dos adoradores à música e às palavras faladas não é mais um "amém" passivo, mas vai desde aplausos até pulos. Embora algumas congregações tenham incorporado alguns elementos de adoração e música contemporânea ao formato tradicional baseado em hinos, outras congregações substituíram completamente o formato adventista tradicional com um formato contemporâneo ou misto. Onde o número de membros é grande o suficiente para justificar dois cultos de adoração nos Sábados de manhã, provavelmente um é mais tradicional enquanto o outro é mais contemporâneo. Cultos de adoração entre os adolescentes e jovens adultos na América do Norte e em outros países ocidentais são tipicamente cultos contemporâneos envolvendo resposta e participação do público; se ele inclui um sermão ou exortação, é bastante provável que seja uma história narrativa em vez de um sermão bíblico expositivo. Visto que membros mais velhos ainda têm preferência por um estilo de adoração mais tradicional, e como resposta à música e adoração contemporânea, algumas congregações adotaram formatos litúrgicos mais formais, até então desprezados pelos adventistas, incluindo mais leituras responsivas, orações impressas e ordens de adoração claramente especificadas. Ainda assim, para o bem ou para o mal, essa tendência e diversidade estão aqui para ficar. A adoração adventista em algumas congregações jamais retornará a um formato simples de adoração baseada em hinos. A percepção adventista da controvérsia e discórdia sobre formas de adoração é facilmente vista quando alguém examina os numerosos títulos de artigos de revistas ou livros publicados sobre o assunto nos últimos anos.[3]

Nesse momento decisivo de nossa história e dado aos desenvolvimentos nos estilos de adoração que ocorreram em nossas congregações, uma consideração sobre os princípios de adoração como são encontrados na Escritura e nos escritos de Ellen White pode certamente esclarecer o significado e prática da adoração adventista. O povo de Deus deve buscar compreender e seguir como Deus deseja ser adorado. Foi a opinião de Ellen White que "a menos que aos crentes sejam inculcadas ideias precisas acerca da verdadeira adoração e da verdadeira reverência, prevalecerá entre eles uma crescente tendência para nivelar o que é sagrado e eterno ao que é comum" e dessa forma ofenderão a Deus e serão uma desgraça para a religião. Ela também acreditava que o povo de Deus na terra deve estar preparado para apreciar a adoração nas cortes celestiais acima "onde toda criatura demonstra absoluta reverência a Deus e Sua santidade ”.[4]

Já perto do fim do século dezenove, num testemunho sobre o assunto da adoração escrito em 1889, Ellen White reclamou que: "Houve uma grande mudança, não para melhor, mas para pior, nos hábitos e costumes do povo com relação ao culto religioso. As coisas sagradas e preciosas, destinadas a ligar-nos a Deus, estão quase perdendo sua influência sobre nossa mente e coração, sendo rebaixadas ao nível das coisas comuns".[5] Para reverter essa tendência, ela acreditava que “os cristãos devem aprender como considerar o lugar onde o Senhor deseja encontrar-Se com Seu povo” ao estudar as instruções de Deus para Israel com relação à santidade da adoração nos cerimoniais do santuário terrestre. De acordo com a Sra. White, essa instrução não era limitada ao comportamento no local de adoração, mas também incluía orientações referentes ao significado, ordem e formas de adoração.[6]

A fim de conseguir uma compreensão apropriada de adoração, é essencial começar com um estudo bíblico desse assunto. Contudo, esse artigo se concentrará nos escritos de Ellen White e deixará para outra pessoa a tarefa de realizar o estudo preliminar da Escritura.

Uma grande desvantagem, contudo, enfrenta um estudo dos princípios de adoração de Ellen White – e, com relação a isso, princípios bíblicos também. Em anos recentes, uma hermenêutica pós-moderna das preferências pessoais e culturais tem dominado qualquer debate sobre adoração. Com frequência velada sob a pretensão de encontrar os únicos princípios de adoração verdadeiros e válidos, muitos estudos também foram tendenciosos, por causa de preferências culturais e pessoais.  Desta forma, muitos adventistas hoje se resignaram a aceitar a noção de que adoração é primariamente uma questão pessoal, que nenhum formato único e compreensão uniforme do significado da adoração devem ser impostas sobre todas as pessoas, e que o estilo de adoração é um assunto de escolhas e preferências culturais e congregacionais. E é duvidoso se tal mentalidade cristalizada pode considerar de forma objetiva a validade de normas externas e transcendentes de adoração como encontradas na Escritura e escritos de Ellen White. Dado que Ellen White viveu e escreveu numa era do Adventismo que valorizava a forma de adoração protestante tradicional baseada em hinos, poderia uma pessoa pós-moderna que apoia e reconhece o valor intrínseco da diversidade e das preferências pessoais e culturais aceitar ser limitada por normas e princípios de outra era? Esperamos que as ideias, princípios e conceitos básicos apresentados nesse estudo sejam úteis para fornecer maior clareza para definir como podemos compreender e praticar a adoração adventista em qualquer lugar independente de época e cultura.

I. Princípios Bíblicos de Adoração Enfatizados por Ellen White

Na sua discussão sobre a adolescência e início da vida adulta de Jesus no Desejado de Todas as Nações, Ellen White afirma que Jesus compreendia que parte de sua missão era ensinar "a significação do culto de Deus".[7] Rejeitando as "rígidas regras" e "inúmeros regulamentos" que guiaram a adoração no seu tempo, Jesus buscou exemplificar uma forma simples de adoração baseada na palavra de Deus. Uma simplicidade bíblica marcava sua adoração ao Pai. "Não podia sancionar a mistura de exigências humanas com os divinos preceitos. Não atacava os preceitos ou práticas dos doutos mestres; mas quando O reprovavam por Seus próprios hábitos simples, apresentava a Palavra de Deus em justificação de Sua conduta”.[8]

Para Ellen White, o significado de verdadeira adoração hoje também deveria ser marcado por tal simplicidade e ela tentou seguir alguns princípios bíblicos básicos quando escreveu sobre adoração. Um primeiro princípio bíblico que ela destacou é que somente Deus deveria ser o objeto de adoração.[9] Em um mundo no qual não somente ídolos de madeira e pedra são adorados, mas no qual realizações humanas, orgulho e dinheiro são feitos deuses, nós somos lembrados que devemos adorar e servir ao "Senhor Deus, e a Ele tão-somente… Qualquer coisa que se torne objeto de indevidos pensamentos e admiração, absorvendo a mente, é um deus posto diante do Senhor".[10] "Não é ao homem que devemos exaltar e adorar; é a Deus, o único verdadeiro Deus, o Deus vivo, a quem são devidos nosso culto e reverência".[11] Além disso, essa adoração é centrada na criação de Deus. “O dever de adorar a Deus se baseia no fato de que Ele é o Criador, e que a Ele todos os outros seres devem a existência".[12] Adoração do Deus Criador se manifestará em reverência, alegria e ações de graças.[13]

Adoração ao Deus Criador também é fundamentada na observância do Sábado como um dia de descanso e adoração. A compreensão de Ellen White da importância do Sábado também fornece apoio aos seus princípios teológicos e bíblicos subjacentes à sua teologia de adoração (cf. Gênesis 2:1-3; Êxodo 20:8-11; Levítico 23:2). Ela inter-relacionava intimamente os conceitos de adoração a Deus e escatologia bíblica. Ela acreditava que o quarto mandamento do Decálogo convoca toda a humanidade a adorar a Deus, o Criador, e que no final dos tempos, as profecias do livro do Apocalipse renovam esse chamado universal a adorar o verdadeiro Deus. Na verdade, muita da controvérsia do fim dos tempos entre bem e mal, Cristo e Satanás, é sobre quem será adorado pela humanidade e em qual dia da semana. "A importância do sábado como memória da criação consiste em conservar sempre presente o verdadeiro motivo de se render culto a Deus", ela afirmou, "porque Ele é o Criador, e nós as Suas criaturas". Citando o livro de J. N. Andrews, History of the Sabbath (História do Sábado), ela mencionou que "O sábado, portanto, está no fundamento mesmo do culto divino, pois ensina esta grande verdade da maneira mais impressionante, e nenhuma outra instituição faz isso. O verdadeiro fundamento para o culto divino, não meramente o daquele que se realiza no sétimo dia, mas de todo o culto, encontra-se na distinção entre o Criador e Suas criaturas. Este fato capital jamais poderá tornar-se obsoleto, e jamais deverá ser esquecido".[14]

Um segundo princípio bíblico na compreensão de Ellen White sobre a verdadeira adoração salienta a futilidade de formas exteriores de adoração pobres de significado ou base bíblica (cf. Êxodo 20:4-6, 23). Comentando sobre as circunstâncias que levaram Israel ao cativeiro babilônico, ela disse: "A religião deles centralizava-se nas cerimônias do sistema sacrifical. Haviam feito da forma exterior algo da máxima importância enquanto tinham perdido o espírito do verdadeiro culto. Seu culto estava corrompido com tradições e práticas do paganismo, e na realização dos ritos sacrificais não olhavam além da sombra da substância. Não discerniam a Cristo, a Verdadeira Oferta pelos pecados dos homens".[15] Tal situação não está, de forma alguma, limitada ao tempo de cativeiro de Israel. Na época da Reforma, ela entendeu que "religião consistia em uma série de cerimônias, muitas delas emprestadas do paganismo" levando a mente das pessoas para longe de Deus e da verdade. "Superstições sem sentido e cobranças rigorosas tomaram o lugar da verdadeira adoração a Deus".[16] As mesmas preocupações continuam existindo hoje e muitos são tentados a considerar "formas exteriores" e cerimônias como indicadores suficientes de adoração verdadeira.[17] Para Ellen White, contudo, essas preocupações "não podem ser substitutos de uma piedade interna, e uma conformidade da vontade para com a vontade de Cristo".[18]

Terceiro, e em contraste com formas exteriores, a verdadeira adoração é sobretudo espiritual.[19] Para a mulher samaritana, Jesus declarou: "a hora vem, quando os verdadeiros adoradores não precisarão buscar um monte santo, nem templo sagrado, mas adorarão o Pai em espírito e em verdade. Religião não deveria ser confinada a cerimônias e formas exteriores, mas devia ser entronizada no coração, purificando a vida e atuando em boas obras".[20] E para Nicodemos Jesus explicou que a renovação espiritual ocasionada pela experiência do novo nascimento é essencial na verdadeira adoração. "Não por procurar um monte santo ou um templo sagrado, são os homens postos em comunhão com o Céu. Religião não é limitar-se a formas e cerimônias exteriores. (…) Para O servirmos devidamente, é necessário nascermos do divino Espírito".[21] A verdadeira adoração é, portanto, o fruto da obra do Espírito Santo sobre a vida da pessoa; é o resultado da conversão. Mas a verdadeira adoração também é inspirada pelo "verdadeiro conhecimento de Jesus Cristo".[22]

Um quarto princípio bíblico destaca a íntima relação entre adoração e obediência à vontade de Deus. A adoração genuína não se separa da vida cristã genuína. "O verdadeiro culto consiste em trabalhar juntamente com Cristo. Orações, exortações, e conversas são frutos baratos, que frequentemente são acrescentados; mas os frutos que se manifestam em boas obras, em cuidar dos necessitados, dos órfãos e das viúvas, são frutos genuínos, e crescem naturalmente numa árvore boa".[23]

Dos princípios bíblicos destacados acima fluem conselhos de Ellen White com relação a experiência de adoração de uma pessoa e como os vários elementos de adoração podem ser conduzidos.

II. A Experiência de Adoração

Nos seus escritos, Ellen White destaca a necessidade de o adorador ter uma atitude de reverência apropriada conforme se aproxima de Deus em adoração. Ela também adverte que sentimentos de excitação na adoração são indicadores enganosos da espiritualidade genuína. Uma vez que a adoração verdadeira a Deus é primeiramente uma atividade espiritual, Ellen White enfatizou repetidas vezes que reverência a Deus e às coisas sagradas deveria distinguir a adoração cristã. "Outra preciosa graça que cuidadosamente se deve cultivar é a reverência. A verdadeira reverência para com Deus é inspirada por uma intuição de Sua infinita grandeza e consciência de Sua presença".[24] Como já foi apontado, o pedido de Deus por reverência e adoração é baseado no fato que ele é o Criador.[25]

Essa atitude interna de reverência, num sentido de respeito, deveria ser demonstrada pelos cristãos na sua relação com o sagrado.[26] Em resposta à oferta de Nadabe Abihu de um fogo estranho para Deus no santuário terrestre e completa desconsideração para com as orientações de Deus acerca da adoração, "O propósito de Deus era ensinar ao povo que devem dEle aproximar-se com reverência e temor".[27] A reverência deveria ser demonstrada para com as coisas sagrados e o "sagrado nome de Cristo",[28] e para com os mandamentos de Deus e o Sábado em particular.[29] A reverência é demonstrada ao se prostrar ou se ajoelhar perante Deus durante a oração na adoração.[30]

Os conselhos da Sra. White com respeito à reverência na casa de adoração talvez seja a explicação mais explícita do que ela quis dizer por reverência.[31] Um senso de temor e respeito deveria caracterizar os adoradores conforme eles entram na presença de Deus durante o culto de adoração. “Para a alma crente e humilde, a casa de Deus na Terra é como que a porta do Céu. Os cânticos de louvor, a oração, a palavra ministrada pelos embaixadores do Senhor são os meios que Deus proveu para preparar um povo para a assembleia lá do alto, para aquela reunião sublime à qual coisa nenhuma que contamine poderá ser admitida. Da santidade atribuída ao santuário terrestre, os cristãos devem aprender como considerar o lugar onde o Senhor deseja encontrar-Se com Seu povo".[32]

Acreditando que a adoração terrestre é uma preparação para a celestial, Ellen White argumentou que a atitude da pessoa no lugar de adoração deveria ser cuidadosamente moderada. Quando adentram ao local de adoração, as pessoas deveriam fazê-lo com decoro, indo em silêncio para seus assentos.[33] “Conversas vulgares, cochichos e risos não devem ser permitidos na igreja, nem antes nem depois das reuniões”. Antes do início das reuniões, meditação silenciosa e oração deveria ocupar os adoradores.

Quando o ministro entra, deve ser de maneira digna. Quando a palavra é falada, as pessoas devem ouvir atentamente como se ouvissem a voz de Deus. Após a reunião terminar, os "arredores imediatos da igreja devem caracterizar-se por uma sagrada reverência" e conversas casuais devem acontecer fora da igreja.[34]

Embora muitas pessoas argumentem que a descrição de decoro apropriado de Ellen White na igreja era um reflexo da sua época vitoriana e, portanto, seria amplamente irrelevante para os costumes sociais de hoje, devemos ao menos admitir que ela baseou sua compreensão de reverência na crença que na adoração Deus se encontra com seu povo. Ela viu um paralelo tipológico importante entre adoração nos cultos do santuário do Antigo Testamento e a adoração nos tempos modernos em preparação para a eternidade.[35] Para ela, o amor, santidade e poder de Deus exigem temor e reverência. Ainda assim, tal respeito não exclui expressões de ações de graças[36], contentamento[37], alegria[38], louvor grato[39] e regozijo[40], mas exclui a casualidade.[41] Consequentemente, respeito e reverência a Deus deveriam impactar a atitude e comportamento das pessoas durante a adoração.

Em contraste com a reverência, Ellen White advertiu pessoas a não enfatizar sentimentos de excitação como um indicador válido de espiritualidade genuína. Durante um episódio de fanatismo religioso em Indiana, em torno de 1900, que se tornou conhecido como "Movimento da Carne Santa", ela advertiu as pessoas que "entusiasmo religioso é uma ilusão perigosa".[42] Relatos de testemunhas oculares de reuniões de reavivamento que ocorreram nesse estado descrevem o uso de música instrumental alta e estranha durante cultos, longas orações e pregação excitada e histérica.[43] As pessoas eram levadas a buscar uma experiência de demonstração física, caindo no inconscientes chão. Dizia-se que tais pessoas passaram pela experiência do Jardim do Getsêmani e desta forma estavam prontos para ser trasladadas.[44] A Sra. White condenou esse fanatismo e os ensinos que levaram a isso. "Mero ruído e gritos não são sinal de santificação, ou da descida do Espírito Santo. Vossas desenfreadas demonstrações só criam desagrado no espírito dos incrédulos".[45] "O Espírito Santo nunca Se revela por tais métodos, em tal balbúrdia de ruído. … A verdade para este tempo não necessita nada dessa espécie em sua obra de converter almas. Uma balbúrdia de barulho choca os sentidos e perverte aquilo que, se devidamente dirigido, seria uma bênção. As forças das instrumentalidades satânicas misturam-se com o alarido e barulho, para ter um carnaval, e isto é chamado de operação do Espírito Santo".[46]

III. Elementos da Adoração

Embora Ellen White nunca tenha usado a palavra "liturgia" nos seus escritos publicados, contudo ela deu alguns conselhos específicos com relação a necessidade de ordem na adoração e suas várias partes. O modelo de liturgia com o qual ela estava familizarizada e defendia é a adoração protestante tradicional baseada em hinos, o mesmo modelo apoiado por numerosas outras igrejas cristãs no século XIX. Esse culto dava destaque a pregação da palavra de Deus, e incluía orações "sinceras" e improvisadas, o cântico de hinos pela congregação, músicas e por vezes testemunhos pessoais. Normalmente, esse culto era descrito como informal e mais "conduzido pelo Espírito" já que excluía elementos encontrados em cultos mais formais e litúrgicos das denominações principais. Esses elementos formais evitados pelos adventistas incluíam sermões formais, orações de livros litúrgicos e até mesmo uma recitação semanal do Pai Nosso, leituras responsivas e respostas formais da congregação.

Necessidade de Ordem

Com base na tipologia entre cultos de adoração no Antigo Testamento e os cultos na igreja cristã, Ellen White viu uma relação bastante próxima entre a necessidade de reverência e a necessidade de ordem. Em 1889, num testemunho intitulado "O comportamento na casa de Deus", ela escreveu: "É um fato deplorável que a reverência pela casa de Deus esteja quase extinta. As coisas e lugares sagrados quase já não são discernidos; o que é santo e elevado não é apreciado". Ela se perguntou se a causa para esse desenvolvimento poderia ser a "falta de legítima piedade nas famílias" ou "porque a elevada norma da religião esteja abatida até ao pó". "Deus deu a Seu povo na antiguidade procedimentos precisos e exatos", ela continuou. "Porventura Seu caráter foi mudado? Não é mais o Altíssimo e Todo-poderoso que domina sobre o Universo? Não conviria lermos com frequência as instruções que Deus mesmo Se dignou dar aos antigos hebreus para que nós, que temos a verdade gloriosa irradiando sobre nós, os imitemos em sua reverência para com a casa de Deus? Temos motivos de sobra para alimentar espírito de fervor e devoção na adoração a Deus. Temos até motivos para ser mais ponderados e reverentes em nosso culto do que os judeus. Mas um inimigo tem estado a trabalhar, a fim de destruir nossa fé na santidade da adoração cristã".[47]

Antes, no mesmo testemunho, ela enfatizou que "devem existir aí regulamentos quanto ao tempo, lugar e maneira de adorar. Nada do que é sagrado, nada do que está ligado à adoração a Deus, deve ser tratado com negligência ou indiferença. Para que os homens possam verdadeiramente glorificar a Deus, importa que em suas relações pessoais façam distinção entre o que é sagrado e o que é profano".[48]

Embora esse testemunho e outros com tom parecido possam dar a impressão que ela favorecia um culto de adoração tão formal quanto aqueles encontrados nas principais denominações, só que sem as vestimentas evitadas pelos adventistas, Ellen White permitiu diversidade no culto de adoração. Por vezes ela recomendou que as congregações não precisavam ter, ou sequer esperar, um sermão a cada semana e que cultos de testemunhos poderiam ocorrer ao invés de um sermão.[49] Ela mesma apreciava participar de tais cultos.[50]

Ainda assim, suas declarações indicavam que ela compreendia que um culto de adoração deveria ser ordenado e bem preparado. Como já foi mencionado, ela não encorajava uma abordagem para a adoração que enfatiza emoções e entusiasmo religioso, música alta ou barulhos, ou gritos.[51] Na verdade, ela aconselhou ministros a conhecer "o valor da obra interior do Espírito Santo sobre o coração humano". Verdadeiros ministros, ela acrescentou: "satisfazem-se com a simplicidade nos serviços religiosos. Em vez de dar valor ao canto popular, volvem sua atenção principalmente para o estudo da Palavra, e dão de coração louvor a Deus. Acima do adorno exterior, consideram o interior, o ornamento de um espírito manso e quieto".[52] Certamente, Ellen White não imaginou a adoração como uma forma de entretenimento.

Sermão

Para Ellen White, a parte mais importante do culto de adoração é o sermão. Quando a palavra da vida é apresentada, vocês devem se lembrar de que estão ouvindo a voz de Deus através de Seu servo escolhido".[53] Embora muitos dos seus conselhos sobre a importância do sermão foram escritos no contexto de discursos apresentados em encontros evangelísticos, seus princípios gerais ainda podem ser aplicados ao sermão pregado durante um culto de adoração no Sábado. Ela era fortemente favorável a sermões centrados em Cristo,[54] simples, “curtos, espirituais e elevados” ao invés de sermões demorados;[55] sermões que “influenciar as pessoas a obedecer à verdade”,[56] que expliquem a Palavra de Deus ao povo[57] sem criar uma "excitação do sentimento".[58] Para esse elemento de adoração, o que importa mais também é como as pessoas são introduzidas à presença de Deus e não o entretenimento dos ouvintes. Dessa forma, ela deplorava práticas sermônicas que ela descreveu como "teatrais" quando os ministros tomam "atitudes e expressões calculadas a causar efeito".[59]

O momento crucial do culto de adoração é quando a palavra de Deus é explanada. "O coração de muitos no mundo, da mesma maneira que o de muitos membros da igreja, está faminto do pão da vida e sedento das águas da salvação. Acham-se interessados no serviço de canto, mas não estão anelando isso, nem mesmo a oração. Querem conhecer as Escrituras. Que me diz a Palavra de Deus? O Espírito Santo está operando na mente e no coração, atraindo-os ao pão da vida. Veem tudo se mudando em torno deles. Os sentimentos humanos, as ideias do que constitui a religião, tudo muda. Eles vão para ouvir a Palavra tal como é".[60]

Oração

Os conselhos de Ellen White com relação a oração durante os cultos de adoração comparam-se com seu pensamento sobre outros elementos já mencionados. "A verdadeira reverência para com Deus é inspirada por um sentimento de Sua infinita grandeza, e de Sua presença. Com esse sentimento do Invisível, todo coração deve ser profundamente impressionado. A hora e o lugar da oração são sagrados, porque Deus Se encontra ali, e, ao manifestar-se reverência em atitude e maneiras, o sentimento que inspira essa reverência se tornará mais profundo. ‘Santo e tremendo é o Seu nome’ (Salmos 111:9), declara o salmista. Ao proferirem esse nome, os anjos velam o rosto. Com que reverência, pois, devemos nós, caídos e pecadores, tomá-lo nos lábios!".[61]

Consequentemente, uma atitude de reverência na oração se manifestará ao evitar orações "longas", "fastidiosas", "tediosas" e "obsoletas".[62] "Expressões descuidosas e irreverentes" serão substituídas por “fervor” e “simplicidade”;[63] as orações “secas em forma de sermão” darão lugar a “oração de fé, que vem do coração”.[64]

“Há duas espécies de oração — a oração da forma e a da fé. A repetição de frases feitas e rotineiras, quando o coração necessita de Deus, é oração formal (…). Devemos ser extremamente cuidadosos em todas as nossas orações para proferirmos os desejos do coração e dizer somente o que pretendemos. Todas as palavras de retórica de que dispomos não equivalem a um único desejo santo. As orações mais eloquentes não passarão de repetições vãs, se não expressarem os verdadeiros sentimentos do coração. Mas a oração que parte de um coração sincero, quando são expressos os desejos simples do coração, tal como pediríamos um favor a um amigo terrestre, esperando sermos atendidos essa é a oração da fé. ".[65]

Os conselhos de Ellen White sobre a importância de se ajoelhar para orar também devem ser compreendidos no contexto de mostrar reverência a Deus. Ela aconselhou que "tanto no culto público, como no particular, temos o privilégio de curvar os joelhos perante o Senhor ao fazer-Lhe nossas petições".[66] Ao se ajoelhar perante Deus em adoração os cristãos mostram "dependência de Deus" e "reverência e piedoso temor".[67]

Em uma ocasião, enquanto estava num culto de adoração no qual iria falar, Ellen White repreendeu um jovem ministro quando percebeu que ele iria fazer a oração em pé. "Mas quando o vi pôr-se em pé enquanto os lábios se iam abrir em oração a Deus, minha alma foi levada no íntimo a dar-lhe uma repreensão pública. Chamando-o por nome, disse-lhe: "Prostre-se de joelhos!" Esta é sempre a posição apropriada".[68] Muitas pessoas compreenderam esse conselho sincero como se significasse que a oração sempre deve ser feita de joelhos. Embora haja inúmeras declarações dos seus escritos que enfatizam a necessidade de ajoelhar-se na oração[69],  o fato de que Ellen White não pretendia ensinar que em todas as ocasiões devemos nos ajoelhar fica claro por suas palavras e exemplo. Para ela, não havia hora ou lugar onde uma oração silenciosa não fosse apropriada, se nas ruas movimentadas ou durante uma reunião de negócios.[70] Sua família certifica que em sua casa as pessoas inclinavam a cabeça na hora da refeição e não se ajoelhavam. Ela não era conhecida por se ajoelhar para a bênção no encerramento dos cultos de adoração que ela participava. No seu ministério público e durante encontros evangelísticos houve ocasiões em que ela ficou em pé para orar e convidou a congregação a também ficar em pé. Nos seus últimos anos, por causa da idade e artrite, ela não se ajoelhava para orar durante os cultos de adoração.[71] Consequentemente, seu conselho sobre se ajoelhar parece ter aplicação principal nos cultos de adoração e devoções particulares em casa. Ellen White desejava ensinar a importância de mostrar o devido respeito, honra e reverência a Deus e ajoelhar-se na oração é para ela a maneira mais óbvia de fazê-lo.[72]

Música

Música e cântico também formam uma parte importante do culto de adoração. Como "a música faz parte do culto a Deus nas cortes celestiais", Ellen White afirmou: “Devemos esforçar-nos, em nossos cânticos de louvor, por nos aproximar tanto quanto possível da harmonia dos coros celestiais. … O cântico, como parte do culto religioso, é um ato de adoração, da mesma forma que a prece".[73] O princípio teológico conduzindo seus pensamentos com relação a música e canto são semelhantes aos que vemos com relação a outros elementos de adoração. A ordem e harmonia encontradas no céu e nos serviços do santuário no Antigo Testamento são orientações fiéis e confiáveis para o culto de adoração cristão.[74] Consequentemente, um culto de louvor deveria ser bem dirigido e o canto congregacional deveria ser "doce [e] simples".[75] "Não é o cantar forte que é necessário, mas a entonação clara, a pronúncia correta, e a expressão vocal distinta".[76] "Os que fazem do canto uma parte do culto divino, devem escolher hinos com música apropriada para a ocasião, não notas de funeral, porém melodias alegres, e todavia solenes".[77]

Ellen White também enfatizava o papel especial da música no culto de adoração. "Fazia-se com que a música servisse a um santo propósito, a fim de erguer os pensamentos àquilo que é puro, nobre e edificante, e despertar na alma devoção e gratidão para com Deus".[78] Nesse contexto, ela não se opunha ao uso de instrumentos musicais para acompanhar o canto ou para preencher o culto de adoração com "beleza" e "suavidade" para elevar os pensamentos ao céu.[79]

Ordenanças Eclesiásticas

As ordenanças da igreja formam outro elemento importante da adoração. Ellen White entendia que Jesus instituiu três ordenanças para a igreja: batismo, a Ceia do Senhor e o lava-pés, e que cada uma delas deve ser executada "de modo a exercer uma influência solene e sagrada".[80] Embora o batismo não seja necessariamente um elemento regular do culto de adoração, já que com frequência realizado em outros momentos durante a semana, as ordenanças de lava-pés e Ceia do Senhor ocorrem tradicionalmente durante um culto de adoração no Sábado.[81]

A Sra. White compreendia que há uma ligação bíblica e teológica entre a Páscoa e a ordenança da Ceia do Senhor. "A páscoa apontava para trás, para o livramento dos filhos de Israel, e também era simbólica, apontando para frente, para Cristo, o Cordeiro de Deus, morto para a redenção do homem caído. O sangue espargido nos umbrais prefigurava o sangue expiatório de Cristo, e também a dependência contínua do homem pecador sobre os méritos daquele sangue para segurança contra o poder de Satanás, e para a redenção final. Cristo comeu a ceia da páscoa com seus discípulos logo antes da sua crucifixão, e na mesma noite, instituiu a ordenança da Ceia do Senhor para ser celebrada em comemoração de sua morte. A páscoa tinha sido celebrada para comemorar o livramento dos filhos de Israel do Egito. Era uma cerimônia comemorativa e simbólica. O tipo atingiu o antítipo quando Cristo, o Cordeiro imaculado de Deus, morreu na cruz. Ele deixou uma ordenança para comemorar os eventos de sua crucifixão".[82]

Além disso, no mesmo sentido que a Páscoa estava apontando para frente, para o primeiro Advento de Cristo, "a Ceia do Senhor foi dada aos discípulos para que a celebrassem até que Cristo viesse pela segunda vez, com poder e grande glória". Esse aspecto escatológico da Ceia do Senhor "é um meio pelo qual ele [Cristo] planeja que o grande livramento realizado para nós, como resultado do seu sacrifício, seja mantido vivo em nossa mente".[83]

De acordo com Ellen White, a Ceia do Senhor foi instituída para todo o tempo e todo o lugar[84] e não deveria ser observado "vez por outra ou anualmente, mas com mais frequência do que a páscoa anual".[85] Ela também compreendia que os elementos usados durante o serviço "representam o corpo partido e o sangue derramado do Filho de Deus". Desta forma, ela acreditava que os únicos símbolos adequados da Ceia do Senhor incluem "nada fermentado" e "somente o fruto puro da vinha e o pão sem fermento".[86]

Dada primeiro "para benefício dos discípulos de Cristo", a ordenança do lava-pés foi instituída também para o "benefício de todos os que creem em Cristo" e para a reconciliação de uns com os outros.[87] "Quando quer que seja celebrada, Cristo está presente por meio de Seu Santo Espírito".[88] Antes da Ceia do Senhor, o lava-pés não é meramente uma forma,[89] mas é uma cerimônia na qual "filhos de Deus são levados a uma santa relação uns para com os outros, para se ajudar e beneficiar mutuamente".[90] Também exigia o serviço da humildade,[91] "essa ordenança é para encorajar a humildade" na igreja ao seguir o exemplo de Jesus; "é para tornar nosso coração mais sensível de uns para com os outros" e para testar nossa humildade e fidelidade.[92] Além disso, essa cerimônia tem a intenção de manter viva em nossa memória que a redenção do povo de Deus foi comprada mediante condições de humildade e obediência contínua por parte deles".[93] Assim como as outras ordenanças, o lava-pés não purifica os pecados da pessoa, mas é como um teste da pureza do coração da pessoa. "Se o coração estava purificado, esse ato era tudo que se fazia necessário para revelar o fato".[94]

Embora Ellen White use a palavra "sacramento" em referência à Ceia do Senhor e o serviço de lava-pés, deve-se notar cuidadosamente que seu uso da palavra não é feito dentro da teologia sacramental.[95] Há basicamente três pontos de vista sobre o papel desempenhado pelos ritos da igreja ao transmitir salvação. O primeiro defende que salvação é transmitida e recebida por meio de sacramentos da igreja. Talvez a expressão mais clara e completa dessa visão é a da Igreja Católica Romana, para a qual os ritos da igreja são atos necessários para a justificação e salvação do pecador. Esses ritos são na verdade formas de graça, de transmitir a graça salvadora de Deus para o pecador. O segundo ponto de vista defende que os sacramentos são sinais do cumprimento da nova aliança, como a circuncisão e a Páscoa eram no Antigo Testamento. Essa visão, defendida por muitos cristãos dentro da tradição da reforma, defende que os sacramentos são necessários a fim de que o cristão seja parte da família de Deus. O terceiro ponto de vista defende que salvação é transmitida e recebida pela Palavra de Deus. Essa opinião é defendida por muitos cristãos evangélicos e afirma que os ritos da igreja são representações ou símbolos visíveis da graça de Deus, mas não transmitem graça em si mesmos. Graça somente é transmitida pela Palavra de Deus recebida através da fé. Essa opinião descreve os ritos da igreja como ordenanças.

A compreensão de Ellen White dessas cerimônias claramente está dentro desse terceiro ponto de vista, o qual é tradicionalmente chamado de visão Zwingliana. Ela entendia as três ordenanças como sendo ilustrações ou memoriais dos eventos da história da salvação. Como tais, essas cerimônias não transmitem graça justificadora ou santificadora aos participantes. Justificação e santificação são obtidos somente pela graça de Deus aceita pelo crente através da fé. É a Palavra de Deus que salva as pessoas e não a participação em uma cerimônia. Os emblemas da Ceia do Senhor, o pão e o vinho, são símbolos da morte de Cristo na cruz e sinais de salvação; eles não são realmente seu corpo e sangue. A presença de Cristo é sentida por meio do Espírito Santo durante a cerimônia, não é recebida por meio dos emblemas. Os seguintes dois exemplos ilustram o uso de Ellen White da palavra sacramento como um sinônimo para ordenança e que sua ênfase claramente está no caráter simbólico da cerimônia. “A administração do sacramento da Ceia do Senhor tem o propósito de criar uma poderosa ilustração do sacrifício infinito feito por um mundo pecador e por nós individualmente como parte do grande todo da humanidade caída, entre os quais e perante cujos olhos Cristo foi crucificado".[96] "Os símbolos da casa do Senhor são simples e facilmente compreensíveis, e as verdades por eles representadas são-nos da mais profunda significação. Ao estabelecer o rito sacramental para substituir a Páscoa, Cristo deixou para a igreja um memorial de Seu grande sacrifício em prol do homem. ‘Fazei isto’, disse Ele, ‘em memória de Mim’. Era esse o ponto de transição entre duas dispensações e suas duas grandes festas. Uma iria terminar para sempre; a outra, que Ele acabava de estabelecer, iria substituí-la, e continuar através dos séculos como o memorial de Sua morte".[97]

Um último ponto importante a ser mencionado com relação à Ceia do Senhor é a ênfase de Ellen White sobre a franca comunhão. "O exemplo de Cristo [de servir o pão e o vinho a Judas] proíbe exclusão da ceia do Senhor", ela categoricamente afirmou. "Verdade é que o pecado aberto exclui o culpado. Isto ensina plenamente o Espírito Santo. Além disso, porém, ninguém deve julgar. Deus não deixou aos homens dizer quem se apresentará nessas ocasiões. Pois quem pode ler o coração? Quem é capaz de distinguir o joio do trigo?"[98] "Podem chegar a relacionar-se convosco pessoas que não estejam de coração unidas à verdade e à santidade, mas queiram participar desses ritos. Não as impeçais".[99]

Conclusão

Os conselhos de Ellen White sobre adoração e liturgia se baseiam sobre poucos princípios bíblicos que ela extraiu dos serviços no santuário do Antigo Testamento e de cenas celestiais de adoração que ela observou em visões. Desses princípios, emerge uma teologia de adoração que é centrada em três conceitos-chave. A adoração é primeiramente centralizada em quem Deus é como Criador e Redentor e, portanto, conhecer a Deus é crucial para a adoração genuína. Em segundo lugar, é também no coração que Deus é adorado. A adoração é primordialmente uma relação espiritual entre Deus e o crente e conforme ela é expressa em particular ou em público, torna-se uma expressão externa dessa relação interna. Logo, todos os aspectos da vida pessoal da pessoa deveriam refletir essa relação com Deus.

Reverência para com Deus e coisas sagradas são o terceiro conceito-chave. Porque Deus é nosso Criador e Redentor, Ellen White compreendia que os cristãos deveriam abordar a adoração com um sentimento de reverência, respeito e honra. Na sua opinião, atitudes casuais, superficiais e despreocupadas com relação a adoração mostram desrespeito ao Criador. Alegria, gratidão e louvor são qualidades de adoração a serem encorajadas. Logo, o que fazemos e como nos comportamos durante a adoração na casa de Deus é parte do crescimento na graça e pode exigir polimento de bordas ásperas do nosso caráter no processo de santificação.

Outro conceito importante é a ordem. De acordo com Ellen White, os vários elementos da adoração cristã deveriam ser caracterizados pela ordem, com organização adequada e preparação. Contrariamente ao caos e confusão, a adoração deveria ser marcada por decoro e respeito. Embora devamos evitar o formalismo, a participação na adoração, entretanto, deve ser feita com prudência. Tudo isso brota do conceito de que Deus é um Deus de ordem e que os seres humanos que dele se aproximam em adoração deveriam fazê-lo de maneira apropriada.

Na minha opinião, certamente há algumas tendências e práticas em formas modernas de adoração que parecem estar em conflito com a compreensão de Ellen White dos princípios condutores da adoração cristã. Falta de reverência para com o lugar de adoração, despreocupação e leveza de coração são todas elas atitudes que exigem reflexão cuidadosa, assim como o uso de música alta simplesmente para fazer um "som alegre" e uma abordagem de entretenimento para adoração, a qual é mais focada nas necessidades humanas do que na presença espiritual de Deus.

Se os conselhos de Ellen White forem compreendidos à luz desses conceitos-chave, sua compreensão de adoração pode contribuir imensamente para os constantes debates no adventismo e no cristianismo. Creio que sua principal preocupação a qual moldava seus conselhos e teologia era auxiliar os cristãos a estarem prontos para "apreciar um Céu puro e santo, e estar preparados para se associarem aos adoradores de Deus nas cortes celestiais, onde tudo é pureza e perfeição, e onde toda criatura demonstra absoluta reverência a Deus e Sua santidade".[100]


Notas

[1] Paul F. M. Zahl et al., Exploring the Worship Spectrum: Six Views (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2004), p. 11.

[2] Uma amostra de livros e artigos recentemente publicados sobre adoração incluem os seguintes textos: Thomas F. Best, Worship today: Understanding practice, ecumenical implications (Genebra: World Council of Churches Publications, 2004); Cornelius Plantiga e Sue A. Rozeboom, Discerning the spirits: A guide to thinking about Christian worship today (Grand Rapids: Eerdmans, 2003); John D. Witvliet, Worship seeking understanding: Windows into Christian practice (Grand Rapids: Baker Academic, 2003); Philip Yancey, “A bow and a kiss: authentic worship reveals both the friendship and fear of God,” Christianity Today, Maio de 2005, p. 80; Gary A. Parrett, “9.5 theses on worship: a disputation on the role of music,” Christianity Today, fevereiro de 2005, pp. 38-42; Thomas G. Long, “Salvos in the worship wars,” Living Pulpit, janeiro-março de 2004, pp. 34-35; Christine A. Scheller, “Missing the rupture: how two groups address the real issues behind church splits,” Christianity Today, maio 2003, pp. 42-43; Andy Crouch, “Amplified versions: worship wars come down to music and a power plug,” Christianity Today, 22 de Abril 2002, p. 86; Donald N. Bastian, “The silenced word: why aren’t evangelicals reading the Bible in worship anymore?” Christianity Today, 5 de Março de 2001, p. 92; Donald G. Bloesch, “Whatever happened to God?” Christianity Today, 5 de fevereiro de 2001, pp. 54-55.

[3] Uma amostra de livros e artigos sobre adoração adventista recentemente publicados indica que o assunto é bastante discutido: Cynthia J. Brown, Experiencing worship: God focused, Christ centered, Spirit filled: a complete worship planning guide for pastors, elders, worship leaders and worship teams, Lincoln, NE: AdventSource, 2003; Samuel Koranteng-Pipim, editor, Here we stand: evaluating new trends in the church, Berrien Springs, MI: Adventists Affirm, 2005; Harold B. Hannum, “Worship: Sacred and Secular,” Elder’s Digest, outubro/dezembro de 2007, pp. 18-20; Dan Day, “Inspiring, Intentional Worship,” Adventist World–NAD Edition, janeiro de 2007, pp. 31-33; Audley C. Chambers, “Cyberspace Worship,” Adventist Review, 11 de Janeiro de 2007, pp. 12-14; Stephen W. Case, “ Bored at church,” Insight, 16 de Abril de 2005, p. 12; Kate Simmons, “Shaking hands with God,” Outlook (Mid American Union), Janeiro de 2005, p. 19; Larissa Stanphill and Angela Shafer, “Worship when it counts,” Outlook (Mid America Union), Janeiro de 2005, p. 12-14; Tracy Darlington, “Raise your praise,” Insight, 13 de novembro de 2004, p. 4-6; Thomas J. Mostert, jr., “Have we lost something?” Pacific Union Recorder, Agosto de 2005, p. 3; Ed Gallagher, “Joy in the house of prayer,” Outlook (Mid-America Union), Abril de 2005, p. 5; Henry Feyerabend, “The house of prayer,” Canadian Adventist Messenger, maio de 2005, p. 10-13; Lilianne Doukhan, “How shall we worship?” College and University Dialogue, 2003 (15:3), pp. 17-19; Claudia Hirle, “The worship recognized by heaven,” Elder’s Digest, outubro a dezembro de 2003, pp. 16-17; Roy E. Branson, “The Drama of Adventist Worship,” Spectrum, Outono de 2001, pp. 43-45; Ben Protasio, “Corporate worship can speak of God’s power,” Southwestern Union Record, fevereiro de 2000, p. 6-7; Ron Thomsen, “Worship: What is right? What is wrong?” Southwestern Union Record, fevereiro de 2000, p. 7.

[4] My Life Today, p. 285.

[5] Testemunhos para a Igreja, vol. 5, p. 491. Esse testemunho, intitulado "O comportamento na casa de Deus", é focado nos muitos princípios de adoração que Ellen White destacou durante todo o seu ministério.

[6] Ibid.

[7] O Desejado de Todas as Nações, p. 51.

[8] O Desejado de Todas as Nações, p. 51. Veja também O Desejado de Todas as Nações, p. 261.

[9] Spiritual Gifts, vol. 3, p. 269; cf. Êxodo 20:3-5, 23.

[10] Filhos e Filhas de Deus, p. 56.

[11] Evangelismo, p. 133.

[12] O Grande Conflito, p. 436.

[13] O Grande Conflito, p. 436; A Fé Pela Qual Eu Vivo, p. 287; Caminho a Cristo, p. 104.

[14] O Grande Conflito, p. 437. Veja também Patriarcas e Profetas, p. 336; A Fé Pela Qual Eu Vivo, p. 287. "Foi para conservar esta verdade sempre perante o espírito dos homens que Deus instituiu o sábado no Éden; e, enquanto o fato de que Ele é o nosso Criador continuar a ser razão por que O devamos adorar, permanecerá o sábado como sinal e memória disto. Tivesse sido o sábado universalmente guardado, os pensamentos e afeições dos homens teriam sido dirigidos ao Criador como objeto de reverência e culto, jamais tendo havido idólatra, ateu, ou incrédulo. A guarda do sábado é um sinal de lealdade para com o verdadeiro Deus, ‘Aquele que fez o céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas’. Segue-se que a mensagem que ordena aos homens adorar a Deus e guardar Seus mandamentos [Apocalipse 14:6-12], apelará especialmente para que observemos o quarto mandamento" (O Grande Conflito, p. 438).

[15] Olhando para o Alto, p. 161. Veja também Review and Herald, 24 de novembro de 1896.

[16] Signs of the Times, 31 de maio de 1883.

[17] E Recebereis Poder, p. 47; Serviço Cristão, p. 217.

[18] Bible Echo, 1 de junho de 1887.

[19] Testemunhos para a Igreja, vol. 9, p. 143; Profetas e Reis, p. 565.

[20] Spirit of Prophecy, vol. 2, p. 144; cf. João 4:21-24.

[21] O Desejado de Todas as Nações, p. 123; cf. João 3:5-8.

[22] Medicina e Salvação, p. 112; cf. João 17:3.

[23] Review and Herald, 16 de agosto de 1881. Veja também Testemunhos para a Igreja, vol. 2, p. 24; vol. 9, p. 156; cf. Mat 25:34-40; Tiago 1:27.

[24] Educação, p. 242.

[25] O Grande Conflito, pp. 436-437.

[26] Testemunhos para a Igreja, vol. 9, p. 91; vol. 6, p. 97.

[27] Patriarcas e Profetas, p. 257; cf. Lev 10:1-11.

[28] Signs of the Times, 24 de fevereiro de 1890.

[29] Southern Watchman, 23 de junho de 1908.

[30] Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 312 e 315. Veja também Spirit of Prophecy, vol. 1, p. 28; ibid., vol. 2, p. 142.

[31] Youth’s Instructor, 8 de outubro de 1896.

[32] Testemunhos para a Igreja, vol. 5, p. 491.

[33] Enquanto estava na Europa de 1885 a 1887, Ellen White visitou uma quantidade de igrejas escandinavas. Depois de uma visita a Estocolmo na Suécia, ela escreveu em suas anotações de viagem que os escandinavos "e, na verdade, quase todos os adoradores europeus, manifestam muito mais reverência do que é visto entre os americanos. Assim que eles entram no lugar de adoração, eles inclinam a cabeça e fazem oração silenciosa” (Historical Sketches, p. 188).

[34] Testemunhos para a Igreja, vol. 5, p. 492-494; Mensagens aos Jovens, p. 265.

[35] Testemunhos para a Igreja, vol. 5, p. 491.

[36] Amazing Grace, p. 75; Exaltai-o, p. 254.

[37] Medicina e Salvação, p. 213.

[38] Filhos e Filhas de Deus, p. 179.

[39] Orientação da Criança, p. 148.

[40] Orientação da Criança, p. 524; Parábolas de Jesus, p. 298; O Desejado de Todas as Nações, pp. 769-770.

[41] Testemunhos para a Igreja, vol. 5, p. 492.

[42] Arthur L. White, Ellen G. White, vol. 5, The Australian Years (), p. 105.

[43] Numa carta para Ellen White, Stephen Haskell descreveu o que viu em Indiana. “Há um grande poder no movimento que está sendo promovido ali. Quase todos são por ele influenciados, se não usam de cautela e se sentam e ouvem com toda a atenção, por causa da música que é executada na cerimônia. Eles possuem um órgão, um contrabaixo, três violinos, duas flautas, três tamborins, três trompas e um grande tambor, e talvez, outros instrumentos que eu não tenha mencionado. São tão treinados em sua linha musical como qualquer coro do Exército de Salvação. De fato, seu esforço de reavivamento é simplesmente uma cópia fiel do método utilizado pelo Exército de Salvação, e quando chegam a uma nota alta, fica impossível ouvir qualquer palavra da congregação em seu canto, nem ouvir outra coisa, a não ser grunhidos parecidos com os que são emitidos por deficientes mentais. Eu não creio que tenha exagerado de forma alguma" (S. N. Haskell para Ellen G. White, 25 de setembro de 1900, no livro de Arthur L. White, Ellen G. White, vol. 5, The Australian Years [ ], p. 102).

[44] Ibid., pp. 100-102; Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 31.

[45] Ibid., p. 35.

[46] Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 36 (pp. 31-39).

[47] Testemunhos para a Igreja, vol. 5, p. 496.

[48] Ibid., p. 491.  Veja também Testemunhos para a Igreja, vol. 1, pp. 145-146; Maranata – O Senhor Vem!, p. 234.

[49] Testemunhos para a Igreja, vol. 6, p. 361; Evangelismo, p. 348.

[50] Ellen G. White in Europe, p. 61.

[51] Evangelismo, p. 597; Maranata – O Senhor Vem!, p. 234.

[52] Evangelismo, p. 502.

[53] Mensagens aos Jovens, p. 266. Veja também Testemunhos para a Igreja, vol. 5, p. 493.

[54] Obreiros Evangélicos, p. 153-160.

[55] Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 167-168; Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 337-338, 311; Evangelismo, p. 348, 640.

[56] Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 375.

[57] Evangelismo, p. 153; Review and Herald, 27 de fevereiro de 1908.

[58] Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 16.

[59] Evangelismo, p. 640.

[60] Evangelismo, p. 501.

[61] Obreiros Evangélicos, p. 178.

[62] Testemunhos para a Igreja, vol. 4, p. 70; ibid., vol. 6, p. 64; ibid., vol. 2, p. 583; Obreiros Evangélicos, p. 176.

[63] Primeiros Escritos, p. 269, 273; Obreiros Evangélicos, p. 177-178.

[64] Testemunhos para a Igreja, vol. 2, p. 581; Obreiros Evangélicos, p. 177.

[65] Minha Consagração Hoje, p. 15.

[66] Obreiros Evangélicos, p. 178; Profetas e Reis, p. 48.

[67] Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 312 e 315.

[68] Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 311.

[69] Veja a compilação de algumas das suas declarações encontradas no Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 312-316.

[70] Caminho a Cristo, p. 99; Obreiros Evangélicos, p. 258; A Ciência do Bom Viver, pp. 510-511.

[71] Veja Mensagens Escolhidas, vol. 3, pp. 266-270.

[72] Mensagens Escolhidas, vol. 2, pp. 314-315.

[73] Patriarcas e Profetas, p. 438. Também veja Educação, p. 168.

[74] Veja Testemunhos para a Igreja, vol. 1, pp. 145-146.

[75] Evangelismo, pp. 506, 509.

[76] Testemunhos para a Igreja, vol. 9, p. 143.

[77] Signs of the Times, 22 de junho de 1882; Evangelismo, p. 508.

[78] Patriarcas e Profetas, p. 438.

[79] Testemunhos para a Igreja, vol. 4, p. 71; Evangelismo, p. 150. Veja também Testemunhos para a Igreja, vol. 6, p. 62; ibid., vol 9, p 144; Evangelismo, pp. 503-504.

[80] Testemunhos para a Igreja, vol. 6, p. 97. Embora igrejas protestantes tradicionalmente tenham aceitado somente o batismo e a Ceia do Senhor como ordenanças ou sacramentos, os adventistas do sétimo dia consideram o serviço do lava-pés anterior à Ceia do Senhor como uma terceira ordenança. Na sua discussão sobre esse serviço no Desejado de Todas as Nações Ellen White se referiu ao lava-pés como uma ordenança. "Depois, havendo lavado os pés aos discípulos, Ele disse: “Eu vos dei o exemplo, para que como Eu vos fiz, façais vós também”. Nestas palavras Cristo não somente estava ordenando a prática da hospitalidade. Queria significar mais do que a lavagem dos pés dos hóspedes para tirar-lhes o pó dos caminhos. Cristo estava aí instituindo um culto. Pelo ato de nosso Senhor, esta cerimônia humilhante tornou-se uma ordenança consagrada. Devia ser observada pelos discípulos, a fim de poderem conservar sempre em mente Suas lições de humildade e serviço" (O Desejado de Todas as Nações, p. 460, ênfase acrescentada; cf. Evangelismo, pp. 275-276; Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 5, pp. 1138-1139; veja também a série de seis partes “The Lord’s Supper and the Ordinance of Feet-Washing” (A Ceia do Senhor e a Ordenança do Lava-Pés), no Review and Herald, 31 de maio a 5 de julho de 1898).

[81] No tempo de Ellen White, a Ceia do Senhor com frequência ocorria ou no Sábado à tarde ou no domingo durante um encontro trimestral (Review and Herald, 3 de julho de 1888; Manuscript Releases, vol. 21, p. 119; Ellen G. White in Europe, p. 117).

[82] Spirit of Prophecy, vol. 1, p. 201. Veja também Patriarcas e Profetas, p. 539; Evangelismo, p. 273.

[83] Review and Herald, 4 de novembro de 1902. Veja também O Desejado de Todas as Nações, pp. 652-653.

[84] Evangelismo, pp. 275-276.

[85] A Fé Pela Qual Eu Vivo, p. 300.

[86] Review and Herald, 7 de junho de 1898.

[87] Evangelismo, p. 275; Spirit of Prophecy, vol. 1, p. 202.

[88] Evangelismo, p. 275.

[89] Evangelismo, p. 274.

[90] O Desejado de Todas as Nações, p. 461.

[91] Evangelismo, p. 278.

[92] Review and Herald, 31 de maio de 1898; Evangelismo, p. 275; Spirit of Prophecy, vol. 1, p. 202.

[93] Spirit of Prophecy, vol. 1, p. 202.

[94] Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 5, p. 1138. Nos seus escritos publicados, Ellen White não faz conexão teológica entre a ordenança do lava-pés e do batismo, ela também não sugeriu que o lava-pés é uma renovação dos votos batismais.

[95] Veja por exemplo O Desejado de Todas as Nações, p. 650-660.

[96] Review and Herald, 28 de junho de 1898, ênfase acrescentada.

[97] Review and Herald, 22 de junho de 1897, ênfase acrescentada; Evangelismo, p. 273.

[98] O Desejado de Todas as Nações, p. 465.

[99] Evangelismo, p. 277.

[100] Testemunhos para a Igreja, vol. 5, p. 500.


Denis Fortin é Professor e Diretor de Teologia no Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia da Andrews University


Fonte: Andrews University

Traduzido por Debora Mayer em Fevereiro de 2017. Revisão da tradução por Pr. Renato Stencel


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