O Contraste Entre a Verdadeira e a Falsa Adoração – Parte 4/4

A Forma da Adoração — 1 de outubro de 2015 03:00

por: Ricardo Oliveira Luz

George E. Rice observa que os mileritas da Igreja Metodista partilhavam da aceitação de Wesley das experiências emocionais durante a adoração. De modo que as primeiras reuniões adventistas reproduziram o entusiasmo do metodismo, caracterizando-se por um coro de améns fervorosos e brados de louvor a Deus.

Na véspera de Natal de 1850, Ellen White teve uma visão sobre a perfeita ordem que reina no Céu e a glória de Deus enchendo o templo celestial. Com base nessa visão e na instrução que a acompanhava, ela começou (1) a defender a organização da igreja e (2) a pedir que a igreja se afastasse do alvoroço prejudicial e desnecessário na adoração. Referindo-se às "práticas" (experiências extáticas), disse ela: "Vi que havia grande perigo em abandonar a Palavra de Deus e confiar em práticas. (…) Prevejo perigo" (Manuscrito 5, p. 227).

Quando o tema do grande conflito se desdobrou perante ela, Ellen White entendeu que Satanás tentaria falsificar a obra do Espírito Santo, introduzindo experiências fortemente emocionais e extremismos espirituais durante a adoração. Essas atividades se intensificariam durante os momentos finais da história da Terra, quando o grande enganador falsificaria a experiência da dotação especial do Espírito Santo nesse tempo. De 1850 em diante, as palavras de advertência se multiplicaram. (1)

Sinais de perigo entre o remanescente final

Infelizmente, a despeito das inúmeras advertências e instruções, práticas que favorecem o êxtase religioso em maior ou menor grau vêm se tornando comuns entre o professo povo de Deus. Uma das razões para isso é a forte influência que a nossa cultura altamente dependente de estímulos sensoriais exerce sobre a igreja.

Formadores de opinião (ministros, professores, músicos, cantores, etc.), cuja reputação os coloca acima de qualquer suspeita, têm rebaixado as normas do evangelho pela adoção de expedientes universalmente aceitos (mas biblicamente questionáveis), esperando desse modo atrair e agradar os descrentes. Pretendem exercer sua influência em favor da verdade, quando, na realidade, abrem as portas para que os valores do mundo ajam livremente no seio da igreja.

Ao mesmo tempo em que tem trazido opróbrio à causa de Deus, esta política puramente pragmática, disfarçada em trajes piedosos, tem provocado a ruína de muitas almas. As seguintes declarações de Ellen White deveriam absorver toda a nossa atenção:

Costumes, práticas e modas que tendem a desviar de Deus as pessoas há anos têm estado lançando raízes, a despeito das advertências e exortações do Espírito divino, e, afinal, seus caminhos se tornaram retos aos próprios olhos, e a voz do Espírito Santo mal é ouvida. Ninguém pode prever até onde se embrenhará no pecado quando uma vez se tiver rendido ao poder do grande enganador. Satanás penetrou em Judas Iscariotes e induziu-o a trair seu Senhor. Induziu Ananias e Safira a mentir ao Espírito Santo. Os que não estiverem inteiramente consagrados a Deus podem ser levados a fazer a obra de Satanás, ao passo que se jactam de estar fazendo a obra de Cristo. (2)

Nova ordem de coisas entrou no ministério. Há desejo de moldar-se segundo outras igrejas, e simplicidade e humildade são quase desconhecidas. Os ministros jovens procuram ser originais, e introduzir ideias e planos novos para o trabalho. Alguns iniciam reuniões de reavivamento, trazendo assim muitos conversos para a igreja. Passada, porém, a excitação, onde estão os convertidos? Não se veem arrependimento e confissões de pecados. O pecador é instado a crer em Cristo e aceitá-Lo, sem consideração quanto a sua vida passada de pecado e rebelião. O coração não é quebrantado. Não há contrição de alma. Os supostos conversos não caíram sobre a Rocha, Cristo Jesus. (3)

Não permitais que vossos esforços sejam no sentido de seguir os modos do mundo, mas as maneiras de Deus. A exibição exterior não realizará a obra que o Senhor deseja para despertar as classes mais altas quanto à convicção de que ouviram a verdade. Não despojeis a verdade de seu caráter digno e impressivo mediante preliminares mais segundo a maneira do mundo do que segundo a do Céu. Fazei com que os ouvintes compreendam que não efetuais reuniões aos domingos à noite a fim de atrair-lhes os sentidos com música e outras coisas, mas para pregar a verdade em toda a sua solenidade, para que ela lhes soe como uma advertência, despertando-os de seu sono profundo de condescendência consigo mesmos. É a verdade nua que, qual aguda espada de dois gumes, corta de ambos os lados. (…) Os que, em seu trabalho para Deus, confiam em planos mundanos, para obter êxito, hão de fracassar. O Senhor requer uma mudança em vossa maneira de trabalhar. Quer que sigais as lições ensinadas na vida de Cristo. Então, ver-se-á o molde de Cristo em todas as reuniões que realizardes. (4)

A experiência de Indiana se repete hoje. Com base no relatório de S.N. Haskell sobre os excessos na reunião campal em Muncie, Indiana, em setembro de 1900, na qual os participantes desenvolveram um alto grau de excitação por meio de estímulos físicos e emocionais, Ellen White escreveu:

As coisas que descrevestes como ocorrendo em Indiana, o Senhor revelou-me que haviam de ocorrer imediatamente antes da terminação da graça. Demonstrar-se-á tudo quanto é estranho. Haverá gritos com tambores, música e dança. Os sentidos dos seres racionais ficarão tão confundidos que não se pode confiar neles quanto a decisões retas. E isto será chamado operação do Espírito Santo. Essas coisas que aconteceram no passado hão de ocorrer no futuro. Satanás fará da música um laço pela maneira por que é dirigida. Deus convida Seu povo, que tem a luz diante de si na Palavra e nos Testemunhos, a ler e considerar, e dar ouvidos. Instruções claras e definidas têm sido dadas a fim de todos entenderem. Mas a comichão do desejo de dar origem a algo de novo dá em resultado doutrinas estranhas, e destrói largamente a influência dos que seriam uma força para o bem, caso mantivessem firme o princípio de sua confiança na verdade que o Senhor lhes dera. (5)

As demonstrações físicas em Muncie as quais Ellen White reprovou são hoje a marca característica das igrejas evangélicas e protestantes que veem nos apelos da religião popular um valioso recurso para o seu crescimento. E a música com ritmo repetitivo, sincopado e marcado por instrumentos de percussão não melódicos que caracteriza o contexto religioso contemporâneo tem dado a sua contribuição no processo dialético de mudança mental e comportamental e de construção de consenso.

A previsão de Ellen White de que a excitação causada por estímulos emocionais e físicos na reunião campal em Muncie se repetiria no futuro, encontra, com efeito, seu cumprimento no moderno sentimentalismo religioso, até mesmo nas igrejas cristãs mais ortodoxas. A escritora adventista observa, porém, que:

O Espírito Santo nunca Se revela por tais métodos, em tal balbúrdia de ruído. Isso é uma invenção de Satanás para encobrir seus engenhosos métodos para anular o efeito da pura, sincera, elevadora, enobrecedora e santificante verdade para este tempo. É melhor nunca ter o culto do Senhor misturado com música do que usar instrumentos músicos para fazer a obra que… seria introduzida em nossas reuniões campais. A verdade para este tempo não necessita nada dessa espécie em sua obra de converter almas. Uma balbúrdia de barulho choca os sentidos e perverte aquilo que, se devidamente dirigido, seria uma benção. As forças de agentes satânicos misturam-se com o alarido e barulho, para ter um carnaval, e isto é chamado de operação do Espírito Santo. (…) Nenhuma animação deve ser dada a tal espécie de culto. (6)

Uma resposta bíblica à falsa adoração

Visto que Satanás tem procurado influenciar o cristanismo e enganar o mundo recorrendo à excitação emotiva como um meio eficaz de explorar a inversão hierárquica e inter-relacional da mente depois da queda, é de vital importância reconhecer no evangelho eterno uma poderosa fonte para a renovação da mente e a cura dos sistemas emocionais. A ênfase da Palavra de Deus na necessidade de uma mente transformada e um espírito renovado é deveras significativa, e não pode ser negligenciada (ver Romanos 12:2; II Coríntios 4:16; Efésios 4:23; Colossenses 3:10; Tito 3:5).

Deus fez maravilhosa provisão para que possamos vencer nossa natureza pecaminosa e alcançar a cura dos efeitos negativos do pecado. Mediante Seu Espírito, Ele nos oferece o privilégio de sermos participantes da natureza divina, de modo que nossa natureza humana seja despojada do velho homem e se revista da natureza de Cristo (Romanos 13:14; Gálatas 3:27; Efésios 3:14-19; 4:20-24; Hebreus 3:14; II Pedro 1:2-4).

Na contramão da adoração e do reavivamento bíblicos, o moderno sentimentalismo religioso constitui uma tentativa precipitada de adaptar o evangelho ao pensamento contemporâneo. Espera obter o favor do mundo se unindo a ele e adotando seus princípios e costumes. Como resultado, sua mensagem e estilo de vida tendem a subestimar o pecado e a distorcer a correta compreensão do sacrifício expiatório de Cristo em nosso favor. Uma vez que o pecado deixa de ser ofensivo, a tendência é que o adorador não se sinta tão indigno assim na presença de Deus. A morte de Cristo, vista como pouco mais do que uma demonstração de altruísmo, é consequentemente destituída de sua significação mais profunda.

No forte apelo às emoções e na dinâmica imediatista dos milagres e prosperidade instantâneas, a religiosidade pós-moderna abre as portas para todo tipo de confusão e heresia. Através de novos estilos de adoração acompanhados de música apelativa e mundana, com performances dignas de um pop star, seus líderes esperam suprir as necessidades espirituais de seus membros chamando sua atenção para aquilo que a religião pode lhes oferecer em termos puramente existenciais e imediatos, ao mesmo tempo em que tratam levianamente as coisas de valor eterno.

Ao encorajar a adoção de métodos mundanos como meio de obter resultados imediatos, esse cristianismo de fachada representa falsamente o evangelho. Em vez de comunicar a pureza e santidade do caráter de Cristo em acentuado contraste com o mundo, a religião popular adota uma aparência politicamente correta para atrair as multidões e satisfazer-lhes os caprichos.

As pessoas, contudo, não deviam ser atraídas para a igreja, e sim para Cristo, de modo que ocorra uma mudança de vida, em vez de uma conformação com o mundo. Ademais, a obra de atrair pessoas pertence a Deus, não a nós (João 6:44; 12:32; 16:8). Nossa missão como cristãos é pregar o evangelho em sua integridade e pureza mediante o poder do Espírito Santo (Mateus 28:19-20; Atos 1:8).

Distinção entre o santo e o profano. Para o mundo, poluído e corrompido como nos dias de Noé, é natural confundir o sagrado com o comum. Mas quando os cristãos decidem seguir o exemplo do mundo, adotando seus costumes, linguagem e crenças, quais desculpas podem apresentar? Como podem os crentes que desejam participar de uma relação íntima com Cristo, que necessitam experimentar a purificação e o crescimento contínuos do caráter através do poder de Deus, condescender com a visão do mundo, desqualificando-se, assim, como filhos e filhas de Deus?

A Bíblia ensina que a aceitação do evangelho resulta na separação do mundo pela renovação da mente (Romanos 12:2), que a solidariedade com o mundo constitui inimizade contra Deus (Tiago 4:4; I João 2:15-17). O reino do Céu está estabelecido sobre princípios diametralmente opostos àqueles sobre os quais se estabelecem os reinos deste mundo (João 18:36). Todo os que desejam se identificar com o reino de Deus devem estar dispostos dia-a-dia a crucificar o eu com Cristo e morrer para o mundo.

O espírito e amizade do mundo são inimizade com Deus. Quando a verdade em sua simplicidade e força, como é em Jesus, é levada a dar frutos contra o espírito do mundo, desperta para logo o espírito de perseguição. Grande número de pessoas que professam ser cristãs não conhecem a Deus. O coração natural não foi mudado, e a mente carnal conserva a inimizade com Deus. São servos fiéis de Satanás, embora hajam assumido outro nome. (7)

Exortando à fidelidade e à diligência ministeriais, Paulo escreve: "… torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza." (I Timóteo 4:12, ver também Tito 2:7-8). Para ser uma padrão de conduta necessita-se de um padrão superior, neste caso Jesus Cristo. Não se pode admitir um parâmetro carnal em um ministério espiritual (II Coríntios 10:3-5, comparar com I Pedro 2:9).

Os seguidores de Cristo, cujas faculdades estão sendo regeneradas e conduzidas pela sabedoria divina, não podem permitir que seu caráter seja moldado de acordo com este século, pois a transigência com os caminhos do mundo sempre produz um afastamento da pureza e simplicidade do evangelho (II Coríntios 6:14-17).

Uma proteção eficaz contra a falsa adoração. A fonte da verdadeira experiência religiosa reside em uma percepção renovada da adoração bíblica entre o povo de Deus – percepção que só é possível quando decidimos abrir mão de nossos hábitos, maneiras e costumes peculiares para buscar a semelhança de Cristo.

No passado, as escolas dos profetas eram um valioso recurso nessa direção, pois serviam como uma barreira contra a corrupção generalizada, provendo o bem-estar moral e espiritual dos jovens israelitas e promovendo a futura prosperidade da nação, fornecendo-lhe homens habilitados para agirem no temor de Deus como líderes e conselheiros. Nestas escolas, os principais temas de estudo eram a lei de Deus, juntamente com as instruções dadas a Moisés, história sagrada, música sacra e poesia.

A apreciação desses temas não visava, porém, satisfazer a curiosidade ou o intelecto.. O grandioso objetivo de todo estudo era aprender a vontade de Deus e o dever do homem para com Ele. Sobre isso, Ellen White escreve:

Acariciava-se um espírito de devoção. Não somente se ensinava aos estudantes o dever de orar, mas ensinava-se-lhes como orar, como aproximar-se de seu Criador, como exercer a fé nEle, e como compreender os ensinos de Seu Espírito e obedecer-lhes. Intelectos santificados tiravam do tesouro de Deus coisas novas e velhas, e o Espírito de Deus se manifestava na profecia e no cântico sagrado. (8)

Os requerimentos de Deus não mudaram. Eles estão contidos na mensagem do primeiro anjo (Apocalipse 14:7), cujo apelo para adorar ao Senhor requer renúncia própria e completa submissão a Ele. A resposta positiva a este convite certamente será proveitosa para a igreja e benéfica para o mundo. Ela deve se refletir nos recursos e estratégias que adotamos para o avanço do evangelho. Ao invés de agradar as pessoas pela condescendência com suas paixões, imaginando assim atraí-las para Deus, devemos nos perguntar: o que Deus pensa sobre isso? A opinião divina é a única que realmente importa.

Os cristãos foram chamados para uma santa vocação. Nunca devemos esquecer que, antes de nossa conversão a Cristo, estávamos espiritualmente mortos em nossos delitos e pecados, andando segundo as concupiscências do mundo e satisfazendo os desejos de nossa natureza carnal (Efésios 2:1-3). "Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo" (versos 4-5) para que, vivificados pela divina graça, andássemos em boas obras (verso 10).

Com efeito, os crentes que foram batizados com Cristo em Sua morte e nEle ressuscitados para uma nova vida (Romanos 6:3-4) estão unidos a Cristo, e sua experiência posterior é centralizada em Cristo e totalmente influenciada pela vida, poder e Palavra de seu Mestre. "Crucificaram a carne, com suas paixões e concupiscências" (Gálatas 5:24), isto é, renunciaram resoluta e completamente cada tendência natural que não está em harmonia com a vontade de Deus, deixando de viver para si a fim de viverem para Cristo (II Coríntios 5:15-17).

A vontade, propósitos e esforços desses crentes, longe de se identificarem com os valores do mundo, são dirigidos para as coisas celestiais, porquanto foram renovados pelo poder transformador de Cristo (Colossenses 3:1-3). Sua conversão e consagração a Deus testificam do poder regenerador do Espírito Santo recebido pela fé em Jesus, e suas melhores faculdades são empregadas para agradar ao Senhor e obedecê-lO.

Devido à nova natureza, o cristão que foi justificado e está sendo santificado experimenta ativa e profunda hostilidade contra o pecado (Romanos 8:3-14; Gálatas 5:16-25). Não existe bem algum na natureza carnal (Romanos 7:18). Por isso, esta jamais poderá agradar a Deus (Romanos 8:8). Mediante a graça de Cristo, o cristão vence progressivamente a natureza inferior e carnal, embora ainda esteja no mundo, e essa batalha da fé é vencida com armas espirituais, forjadas no arsenal do Céu (Efésios 6:12-20). Se fosse possível vencê-la com armas carnais, o cristianismo seria uma religião puramente humana, orientada por sentimentos humanos e promovida com recursos exclusivamente humanos.

Portanto, é a experiência do novo nascimento que torna o crente mais sensível ao pecado e mais consciente de sua total dependência de Cristo. A íntima união do crente com Jesus necessariamente exclui tudo o que desagrada a Deus, tudo aquilo que não está em harmonia com a Sua vontade. O maior interesse do cristão é fazer do vínculo com Jesus sua meta mais importante. Refletir os pensamentos e atitudes de Seu Redentor é para ele a realização suprema.

É por meio de sua união com Jesus que o cristão desenvolve os mesmos pensamentos de seu Mestre, deseja as mesmas coisas que Ele deseja e faz as mesmas coisas que Ele faria se estivesse na Terra. Este vínculo do crente com Cristo eleva sua experiência moral, espiritual e estética ao seu nível mais exaltado, contrastando com o baixo nível de valores que o mundo oferece.

Ora, se o discípulo de Jesus, tendo diante de si o desafio de conservar-se incontaminado no mundo, não pode aceitar os baixos padrões que ele oferece como norma para o seu comportamento, visto que foi chamado a uma elevada e santa vocação, como pode, ao mesmo tempo, conformar-se aos princípios mundanos que professamente rejeita em nome do politicamente correto? Como pode o crente batizado em Cristo (Gálatas 3:27), que se converte em um membro de Cristo (I Coríntios 6:15), e do qual se espera que mantenha essa sagrada relação conservando-se integralmente puro (I Tessalonicenses 5:23) ceder ao espírito do mundo e ainda considerar-se um seguidor de Jesus?

Conclusão

Os cristãos sobre os quais repousa a responsabilidade de anunciar ao mundo a tríplice mensagem angélica de Apocalipse 14 foram comprados por Deus de todas as nações, tribos, línguas e povos com o precioso sangue de Seu Filho, Jesus Cristo (I Pedro 1:18-19; Apocalipse 5:9). Comprou-os para serem santos; foram separados do mundo para pertencerem a Deus e atuarem como Suas fiéis testemunhas (Levítico 20:26; Isaías 43:10; I Pedro 2:9).

Deus espera que os que professam o Seu nome considerem o peso deste privilégio e responsabilidade e resgatem em suas próprias vidas o conceito bíblico de adoração exatamente no momento em que ele é mais necessário. As experiências místicas têm aberto o caminho para uma uniformidade espiritual no mundo, e as igrejas cristãs constituem a última fronteira da Nova Era. Satanás não descansará enquanto não obter o completo controle sobre estas igrejas.

A aceitação do evangelho eterno implica em separação do mundo, em rompimento com o modelo consensual globalista anticristão. A comissão evangélica somente será cumprida se aceitarmos o desafio politicamente incorreto da Palavra de Deus:

Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso. (II Coríntios 6:17-18)

Ao recordar a ordem divina destinada ao judeus que retornaram do cativeiro babilônico (conforme Isaías 52:11-12), o apóstolo Paulo ilustra a necessária separação do povo de Deus do mundo. Como no passado, o Senhor chama Sua igreja a não se conformar com as crenças e práticas pervertidas de Babilônia espiritual, mas confrontá-la com as verdades santificadoras e enobrecedoras do evangelho. Ele conclama mais uma vez o Seu povo, dizendo:

Retirai-vos dela, povo Meu, para não serdes cúmplices em seus pecados, e para não participardes dos seus flagelos. (Apocalipse 18:4)

E promete a todos os que atenderem ao chamado divino:

Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. (Êxodo 19:5-6, ver I Pedro 2:9-10)

Que privilégio e responsabilidade! Abençoa-nos, Senhor, neste sentido.


Notas e referências

1. George E. Rice. "Dons Espirituais". Em Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia. Raoul Dederen (Ed.). Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2011, p. 713. (voltar)

2. Ellen G. White. Testemunhos para a Igreja. Vol. 5. Tatuí, SP: CPB, 2004, p. 103. (voltar)

3. ___________. Mensagens Escolhidas. Vol. 2. 3ª ed. Tatuí, SP: CPB, 1988, p. 18 e 19. (voltar)

4. ___________. Evangelismo. 4ª ed. Versão digital. Tatuí, SP: CPB, p. 148. (voltar)

5. ___________. Mensagens Escolhidas. Vol. 2, p. 36 e 37. (voltar)

6. Ibid., p. 37. (voltar)

7. Ellen G. White. Primeiros Escritos. 2ª ed. Santo André, SP: CPB, 1976, p. 274. (voltar)

8. ___________. Patricarcas e Profetas. 9ª ed. Tatuí, SP: CPB, 1989, p. 438. (voltar)


Fonte: As Três Mensagens Angélicas


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