A Forma da Adoração

Reverência no Culto

por: Pr. David Karnopp

Quando relembro minha infância (mais de 40 anos atrás), visualizo algumas imagens dos cultos na Comunidade Paz, no interior de Canguçu, RS, onde fui batizado. Com meia hora de antecedência, todos estavam lá na igreja. Antes de entrar no templo, os homens tiravam o chapéu e, em cultos de Santa Ceia, vinham de terno escuro, gravata e de sapatos impecavelmente lustrados; as mulheres vinham de vestido escuro. As crianças não podiam se levantar no culto, nem fazer barulho. Será que havia nisso um rigor exagerado ou era um conceito elevado de reverência ao que é sagrado?

Muitos cultos de hoje são perturbados por aqueles que chegam atrasados, por toques de celulares, crianças chorando ou correndo e por aqueles que habitualmente, na hora do sermão, precisam ir ao banheiro. Há também os que se distraem por gracejos de alguma criança ou por algo que é visto através das janelas, aqueles que cochicham e riem nos cultos. Outros conferem o relógio para saber quanto tempo ainda falta para o culto terminar. E ainda há aqueles que se vestem de forma inadequada para o culto. Estaríamos hoje mais livres em relação ao rigor do passado ou estes seriam sinais de falta de respeito ao que é sagrado?

Afinal, o que é reverência?

De forma geral, é o respeito por aquilo que consideramos importante. De forma específica, a reverência designa o respeito às coisas sagradas. Ela demonstra nosso conhecimento e valor sobre Deus, do que ele fez por nós em Cristo e também daquilo que compreendemos sobre o culto.

Não há regras na Bíblia para a reverência no culto. O Novo Testamento se limita a dizer que tudo seja feito com “decência e ordem” (I Coríntios 14:40). Há, porém, exemplos que inspiram o respeito ao que é sagrado, a começar pelos anjos do Céu que dizem “Santo, Santo, Santo, é o Senhor Todo-Poderoso” (Isaías 6:3). Na Bíblia, são mencionadas atitudes que demonstram reverência, entre elas: a saudação, o inclinar-se e o ajoelhar-se em sinal de respeito (Gênesis 18:2; Salmos 95:6; Atos 10:25). Moisés inclinou-se ao chão para adorar o Senhor (Êxodo 34:8). O apóstolo João viu este gesto até mesmo no Céu (Apocalipse 7:14). Os magos do Oriente “se ajoelharam diante do menino Jesus e o adoraram” (Mateus 2:11). O fato de o culto ser um encontro entre o Senhor e a sua Igreja faz com que seja natural que seu ambiente se revista de reverência e respeito. A reverência, porém, não deveria vir por obrigação ou por medo; deveria estar embasada pelo respeito natural e com boa pitada de alegria.

Como podemos demonstrá-la no culto hoje?

A reverência começa pela nossa dedicação ao culto. Primeiro, habituar-se a chegar à casa de Deus com antecedência. Este é um momento para guardar silêncio para concentração ao culto. Pode também ser um momento para uma breve oração, pedindo que Deus dê a compreensão do culto e o crescimento na fé a partir dele. Pode-se também orar pelo pastor, pedindo que Deus o abençoe na condução do culto.

Um prelúdio musical poderá favorecer o ambiente de concentração. Este também pode ser um momento para uma rápida leitura dos textos bíblicos do dia. Isso ajuda na localização deles e na compreensão da temática do culto. Ao nos aproximarmos do altar, podemos fazer uma inclinação de cabeça. Esses são bonitos gestos de respeito. Os celulares, por exemplo, se não podem ficar em casa, deveriam ficar desligados durante o culto.

O livro de Eclesiastes resume tudo isso de forma simples: “Tenha cuidado quando for ao templo […] Vá pronto para ouvir e obedecer a Deus” (Eclesiastes 5:1).


David Karnopp é membro da Comissão de Culto da IELB e Pastor em Vacaria, RS


Fonte: Este artigo foi publicado originalmente em Mensageiro Luterano, Setembro de 2011 – Editora Concórdia, Porto Alegre

Os editores do Música Sacra e Adoração agradecem ao autor pela disponibilidade em ceder este material.


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