Princípios de Adoração e Liturgia

A Adoração — 16 de março de 2014 19:38

por: Fernando Canale

Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia – Universidade Andrews

Muitos estudiosos e membros de igreja estão confusos pela multiplicidade de estilos cristãos de adoração. Normalmente, quando ouço cristãos conversando sobre esses sentimentos, a conversa acaba quando alguém afirma que a razão pela qual alguns não apreciam uma forma de adoração é cultural A cultura é moldada pelo gosto. Assim, o raciocínio prossegue, se eu aceito o novo estilo, com o tempo chegarei a gostar dele. Não tenho certeza se chegarei a gostar de coentro caso eu me force a comê-lo uma vez por dia pelo resto da minha vida. Os estilos de adoração [1] são uma questão de gosto ou de princípio? O gosto pessoal é um princípio confiável para moldar o nosso estilo de adoração comunitária? Existem princípios que podemos usar para nos ajudar a moldar nossa adoração e escolhermos aquilo que incluímos nela?

Como muitos cristãos, tenho adorado a Deus desde o início da minha juventude. Quando adoramos, a experiência precede a razão. Nos relacionamos com o sábado da mesma maneira. Nós o experimentamos de acordo com o mandamento de Deus. Simplesmente fazemos isto. Não ficamos pensando sobre isto. Por que deveríamos refletir sobre aquilo que experimentamos? Porque Jesus orou pessoalmente ao Pai para que pudéssemos ser “perfeitos em unidade” (João 17:23) assim como Ele e o Pai são um (verso 22). Assim, quando o nosso culto de adoração se torna um elemento de divisão, precisamos refletir precisamos refletir acerca das razões explícitas e implícitas nós temos para aquilo que fazemos. Sempre evito discussões quando os argumentos e as conclusões brotam de paixões, emoções e preferências pessoais. Mesmo assim, todos nós precisamos refletir e orar acerca desta situação que desonra a Deus. Espero que este artigo possa nos ajudar a avaliar os nossos hábitos de adoração e liturgia, para que possamos servir e adorar a Deus em Espírito e em Verdade.

Muitos adventistas compreendem a adoração como sendo aquilo que eles fazem no sábado, durante os momentos do sermão. Além disto, a convicção de que a forma da nossa adoração é uma questão cultural está se espalhando entre nós. Dizer que os estilos de adoração são “culturais” significa que podemos utilizar qualquer forma cultural que seja aceita pela sociedade contemporânea. “Adoração tem a ver com expressão pessoal. Portanto, qualquer coisa que eu escolha para me expressar na adoração é aceitável diante do Senhor.” Quando nos referimos a adoração divina neste contexto, estamos propensos a gerar debates exaltados e muito pouca comunicação. Estamos entendendo a adoração divina em uma base cultural/individualista. Ainda assim, pelo menos em teoria, qualquer pessoa rejeitaria que “tudo é aceitável diante de Deus”. Porém, quando não são utilizados parâmetros claros e permanentes para avaliar as nossas formas culturais, é impossível evitar esta conclusão na vida prática. Obviamente, não encontraremos na cultura humana parâmetros permanentes para avaliar as formas culturais. Não deveríamos nos referir ao papel da cultura na formação do ritual antes que tenhamos uma ideia clara acerca de princípios permanentes que devem balizar os rituais que usamos na adoração comunitária. Meu propósito neste artigo é identificar alguns dos princípios balizadores permanentes da adoração bíblica que deveriam unir a adoração adventista ao redor do mundo e avaliar o processo cultural da formação do ritual a da prática da adoração. As perguntas diante de nós são: Onde podemos encontrá-los? Quais são estes princípios permanentes?

1 – Metodologia

Como adventistas, devemos concordar que os princípios permanentes de adoração devem ser bíblicos (Crença Fundamental nr. 1). Afinal de contas, afirmamos que a Escritura é a única regra de doutrina e prática. Ainda assim, uma vez que a Escritura não fornece uma lista explícita de princípios de adoração, precisamos pesquisar a Escritura para identificá-los. Esta é a tarefa da Teologia Sistemática. A Teologia Sistemática Adventista ainda não desenvolveu este assunto. Consequentemente, para os propósitos deste artigo, escolhi pesquisar os escritos de Ellen White para ver se ela descobriu na Escritura alguns princípios permanentes de adoração que possam nos ajudar [2] enquanto os exegetas e teólogos pesquisam este assunto.

Neste artigo, uso a metodologia sistemática. Sistemática significa articulação, inter-relacionamento ou interface. Ellen White estava familiarizada com a abordagem sistemática do estudo bíblico. Ela sabia que “os mais valiosos ensinos da Bíblia não serão obtidos com um estudo ocasional ou fragmentado. Seu grande conjunto de verdades não é apresentado de modo a ser descoberto pelo leitor apressado ou descuidado. Muitos de seus tesouros jazem muito abaixo da superfície, e só se podem obter por uma pesquisa diligente e contínuo esforço. As verdades que irão perfazer o grande todo, devem ser pesquisadas e reunidas ‘um pouco aqui, um pouco ali’. Isaías 28:10. Quando assim descobertas e reunidas, notar-se-á que se adaptam perfeitamente umas às outras.” [3] Neste sistema encontramos princípios de interligação. “Cada princípio tem na Palavra de Deus seu lugar, cada fato sua significação. E a estrutura completa, em seu plano e execução, dá testemunho do seu Autor. Mente alguma poderia conceber ou moldar tal estrutura, a não ser a que possui o Ente infinito.” [4] Seguindo o método sistemático, discutiremos alguns dos princípios de adoração em suas interconexões e contextos lógicos. Embora os princípios de adoração sejam da maior importância para a nossa compreensão e adoração de Deus, eles não se sustentem por si mesmos. Ao contrário, dependem de princípios mais amplos, os quais precisamos considerar para entendermos a adoração. Então, com a ajuda de Ellen White, explicaremos alguns dos princípios de adoração apresentados em ordem de influência. Começaremos com os princípios de adoração mais gerais e influentes, e então passaremos aos princípios da adoração congregacional e formação da liturgia.

2 – Escritura, Cultura, Adoração e Liturgia

Antes de lidarmos com os princípios da adoração cristã, precisamos obter um conhecimento funcional da maneira como os cristãos chegam aos seus conceitos de adoração. Este conhecimento é necessário porque os adventistas frequentemente copiam seus “estilos de adoração” das denominações protestantes como se isto não pudesse ser prejudicial. Portanto, precisamos compreender, de maneira crítica, a origem [5] dos vários “estilos de adoração” disponíveis atualmente e decidir se deveríamos continuar a adotar cada novo “estilo” de liturgia criado pelos evangélicos ou se deveríamos, ao invés disto, alicerçar a nossa liturgia no pensamento escriturístico. Também precisamos compreender o papel que a cultura desempenha nos estilos litúrgicos que estamos copiando de outras denominações cristãs.

Vamos iniciar detalhando a distinção entre “adoração” e “liturgia”, que já assumimos acima. O dicionário Oxford define “adoração” como “o sentimento ou expressão de reverência e adoração por uma divindade,” [6] e “liturgia” como “uma forma ou formulação de acordo com a qual a adoração religiosa, especialmente a adoração cristã, é conduzida.” [7] Em outras palavras, enquanto “adoração” indica um estado interno da consciência humana, “liturgia” designa formas e rituais objetivos, externos à consciência humana. Resumindo, adoração é uma experiência interna, que ocorre no íntimo do ser humano. Liturgia consiste nas formas e rituais exteriores que os crentes usam em suas cerimônias de adoração.

A partir desta distinção, verificamos que muito do que se discute as respeito da “adoração” no adventismo é um debate acerca de liturgia e rituais. A confusão entre adoração e liturgia oculta a profunda questão espiritual da adoração a Deus. Não devemos igualar adoração com liturgia e rituais. Precisamos compreender, portanto, o que é adoração e como ela se conecta com as formalidades da liturgia. Talvez alguns dos princípios de adoração que Ellen White discute posam nos ajudar a compreender melhor a relação entre adoração e liturgia.

Quando tomamos parte nos rituais da igreja, é comum pensarmos mais acerca de como eles nos fazem sentir do que como eles se originaram. Contudo, a apreciação pessoal subjetiva e o sucesso pastoral em atrair crentes para os cultos de adoração não são critérios confiáveis para julgar se os rituais da adoração pública são apropriados. Os adventistas podem estar inclinados a assumir que retiram seus rituais da Escritura. Claramente, o batismo e a Santa Ceia originam-se na Escritura. Porém, outras coisas que fazemos na adoração pública, como os hinos que cantamos, não podem ser traçados até o texto bíblico. Portanto, a cultura desempenha um papel na formação litúrgica. Como podemos saber, então, se as formas litúrgicas que criamos ou copiamos das denominações evangélicas são compatíveis com a adoração bíblica? Para responder a esta pergunta necessitamos considerar brevemente quais pressupostos um estilo litúrgico qualquer assume.

Para simplificar a explicação deste assunto complexo, desenhei um diagrama na figura 1 abaixo. Espero que ele ajude os leitores a compreender de onde as formas litúrgicas provêm.

Figura 1 – Condições da Adoração e Liturgia

Se descrevermos o diagrama a partir de um ponto de vista da nossa experiência de vida (ordem histórica), devemos começar à direita e nos movermos para a esquerda. Os cabeçalhos do diagrama apresentam níveis interligados de realidade. Eles são (5) liturgia, (4) adoração, (3) vida, (2) teoria e (1) base. O nível litúrgico (5) inclui, por exemplo, estilos, rituais e música. O nível da adoração (4) se relaciona com a atitude interior da mente aberta para Deus. O nível da “vida” (3) antecede o nível da adoração no sentido em que as experiências da vida cristã são condições para a experiência de adoração e ajudam a moldar as formas litúrgicas. O nível da “teoria” (2) é onde a compreensão da teologia e da salvação ocorre e logicamente precede e ajuda a moldar os níveis da vida, adoração e liturgia. Finalmente, o nível “base” (1) é o fundamento sobre o qual estão os outros quatro níveis. Se considerarmos os mesmos componentes em sua ordem lógica (ordem causal), devemos começar da esquerda e nos movermos para a direita. Assim, a base (1) leva à nossa compreensão teológica (2) a qual, por sua vez, influencia a nossa experiência de vida (3) em Cristo, a qual nos impulsiona à adoração (4) e molda nossos estilos litúrgicos (5).

Ellen White faz as conexões que extraímos deste diagrama quando explica as forma de engano de Satanás. “Satanás está de contínuo procurando desviar da Bíblia a atenção do povo.” [8] [nível 1, básico] “É o constante esforço de Satanás representar falsamente o caráter de Deus, a natureza do pecado e os resultados finais em jogo no grande conflito. Seus sofismas diminuem a obrigação da lei divina dando ao homem licença para pecar. Ao mesmo tempo fá-lo Satanás acariciar falsas concepções acerca de Deus [nível 2 da teoria], de maneira que O considera com temor e ódio, em vez de amor [nível 3 da vida]. A crueldade inerente ao seu próprio caráter é atribuída ao Criador; aparece incorporada aos vários sistemas de religião e expressa nas diversas formas de culto [nível 4 da adoração]. Sucede assim que a mente dos homens é cegada e Satanás deles se aproveita como agentes para guerrear contra Deus. Por meio de concepções pervertidas acerca dos atributos divinos, foram as nações gentílicas levadas a crer serem os sacrifícios humanos necessários para alcançar o favor da Divindade; e horríveis crueldades têm sido perpetradas sob as várias formas de idolatria [nível 5 da liturgia].” [9]

Historicamente, conhecemos a liturgia através das ações. À medida em que experimentamos os rituais, eles se tornam parte de quem somos. Pertencemos à liturgia e a liturgia pertence a nós. Através da repetição, a liturgia torna-se a nossa segunda natureza. Isto explica por que muitos acham extremamente difícil analisar de maneira racional ou explicar com palavras seus pontos de vista acerca da liturgia. Podemos ver por que as questões que envolvem a liturgia podem tornar-se muito emocionais e sensíveis. Não podemos ignorar o nível histórico no qual experimentamos a liturgia. Uma vez que as formas externas da liturgia apelam à nossa percepção sensorial, sempre corremos o risco de confundi-las com adoração.

Quando surgem discordâncias na igreja acerca de estilos litúrgicos, não podemos nos esquecer de sua natureza emocional e precisamos tentar refletir sobre eles a partir de suas causas. Em outras palavras, devemos nos distanciar de nossa experiência emocional e tentar a difícil tarefa de compreender as causas dos estilos litúrgicos. Deveríamos começar considerando as bases das crenças teológicas e experiências religiosas. Vamos voltar para o nosso diagrama acima. A revelação de Deus é a base. Esta revelação, contudo, exige uma apropriação humana. Os cristãos têm se apropriado da revelação de duas maneiras principais. O cristianismo clássico e moderno pensa que a cultura humana revela a Deus ou aponta para Ele. O adventismo do sétimo dia acredita que Deus revela a Si mesmo na Escritura, conforme Ele interage historicamente dentro da cultura humana. Esses pontos de vista opostos tornam-se a base a partir da qual brotam a compreensão teológica, as experiências de vida, a adoração e a liturgia. Eles criam duas visões diversas e conflitantes a respeito da teologia, salvação, experiência cristã, adoração e estilos litúrgicos. Em outras palavras, os estilos litúrgicos nas denominações católica romana e protestantes são intimamente dependentes da maneira como compreendem a revelação-inspiração da Escritura, a teologia, salvação, vida cristã e adoração. Por este motivo não é seguro tomar emprestado estilos litúrgicos de denominações evangélicas sem uma visão crítica. Se fizermos isto, aceitaremos rituais baseados na cultura e tornaremos a igreja vulnerável ao sistema teológico ao qual eles pertencem.

Quando os cristãos assumem a cultura mutável como base as revelação divina – filosofia, ciência e tradição – estão colocando a salvação em um plano fora da história humana. Este pressuposto teológico desconecta Deus e a salvação da história e da cultura. Deus opera a salvação no nível atemporal não-histórico da alma humana Deus não salva no nível histórico/cultural, mas no nível mais elevado da espiritualidade não-histórica. Os protestantes chamam a isto de justificação pela fé ou “o evangelho”; os católicos romanos chamam de sacramentos.

A liturgia, portanto, pertence ao âmbito da história e da cultura, onde Deus não intervêm. Sendo este o caso, os cristãos sentem-se livres para utilizar formas culturais para adorarem às suas concepções de Deus. Este uso da cultura sem uma visão crítica encaixa-se bem com o uso da cultura como sendo a base da teologia e das experiências de vida. Assim, quando a cultura muda, as denominações católicas e protestantes são compelidas a adaptar suas teologias e estilos litúrgicos às mutantes convenções sociais. Portanto, os rituais originados na cultura e o pluralismo nos estilos litúrgicos encaixam-se com a natureza espiritual/atemporal da atividade divina e a experiência evangélica da salvação. Os cristãos adventistas do sétimo dia, contudo, não deveriam adotar formas litúrgicas da maneira como os católicos romanos e os evangélicos fazem porque a base sobre a qual eles edificam sua teologia e sua vida não é a cultura, mas a Escritura.

Quando os cristãos assumem a Escritura como a base da revelação de Deus – o princípio de sola, tota, prima scriptura – descobrem o Deus transcendente e imutável operando pessoalmente a salvação dentro do fluxo histórico da história humana. Desde a queda de Adão e Eva o mesmo Deus continua a ser o centro de todas as histórias. Uma vez que nossa teologia se origina diretamente de Suas palavras, reveladas a nós através dos profetas, mudanças culturais não exigem mudanças na teologia, experiências de vida, adoração ou estilos litúrgicos. Somente novas palavras de revelação de Deus poderiam trazer mudanças na vida cristã, adoração e estilos litúrgicos. Portanto, cristãos comprometidos com os ensinamentos bíblicos deveriam fazer com que qualquer forma cultural ou artística que escolham para tornar-se parte da liturgia cristã, se encaixe nos ensinamentos gerais da Bíblia, especialmente seus ensinamentos acerca da salvação e da nova vida em Cristo. Princípios específicos acerca da liturgia também deveriam encaixar-se com os contextos teológicos e experiências gerais baseados no princípio da sola scriptura.

Existem, portanto, duas maneiras diferentes e conflitantes de incorporar elementos culturais nas liturgias e rituais cristãos. Uma maneira, baseada na cultura, adotada principalmente por católicos e a maior parte das denominações evangélicas, utiliza apenas diretrizes culturais não permanentes – filosofia e ciência – para determinar a inclusão [ou não] dos costumes culturais atuais em suas liturgias. Outra maneira, baseada na revelação bíblica, adotada pelos adventistas do sétimo dia e algumas congregações baseadas na Bíblia, utilizam apenas diretrizes bíblicas permanentes para determinar a inclusão [ou não] dos costumes culturais atuais em suas liturgias. Vamos voltar a nossa atenção para alguns princípios gerais de adoração que encontramos na Escritura.

3 – Princípios Gerais de Adoração

O que é um princípio? O dicionário Oxford nos diz que um princípio é “uma verdade ou proposição fundamental que serve como fundamento para um sistema de crenças ou comportamento ou para uma linha de raciocínio.” Colocando de forma simples, um princípio é um guia que nos ajuda a compreender a natureza e a vida. Nesta seção voltaremos a nossa atenção aos princípios bíblicos que podem nos ajudar pessoalmente e como comunidade a experimentar a verdadeira adoração cristã e a expressá-la em nossa liturgia utilizando formas culturais compatíveis.

Inicialmente, consideraremos alguns princípios gerais. Eles nos ajudarão a compreender a natureza da adoração. Depois, examinaremos brevemente alguns princípios da adoração congregacional. Estes dois conjuntos de princípios são critérios confiáveis que os adventistas podem usar para avaliar, modificar e identificar formas culturais compatíveis com a Escritura e aceitáveis a Deus.

Principio da Origem: Deus o Criador

A razão para a adoração é Deus – Sua natureza, ações e iniciativas. O princípio básico da adoração cristã é que a adoração está centralizada em Deus, não em nós mesmos ou nossas preferências culturais. Através do Antigo e Novo Testamentos, os autores bíblicos ensinam claramente este princípio. Há vinte e cinco séculos atrás Deus disse a Moisés para guiar Israel para fora do Egito, para adorá-lo (Êxodo 3:12). No final da Escritura, encontramos o anjo que Deus usou para dar as visões do Apocalipse dizendo a João a “Adora a Deus” (Apocalipse 22:8-9). De acordo com Jesus, este princípio é universal; todos os anjos (Hebreus 1:6) e mesmo Satanás (Mateus 4:16) devem adorar a Deus. Ellen White enfatiza a permanência eterna deste princípio. “O verdadeiro fundamento para o culto divino, não meramente o daquele que se realiza no sétimo dia, mas de todo o culto, encontra-se na distinção entre o Criador e Suas criaturas. Este fato capital jamais poderá tornar-se obsoleto, e jamais deverá ser esquecido.” [10] Esta distinção é enorme. Ela nos diz que a realidade de Deus vai além da grandeza de seu exaltado trono celestial. Os teólogos chamam isso de “transcendência divina”. Isto quer dizer que Deus é grande, além do nosso entendimento (Jó 36:26). Nem mesmo o mais alto dos céus pode contê-lo (II Crônicas 6:18). Isto pode nos ajudar a compreender por que o segundo mandamento nos diz para não fazermos qualquer imagem de Deus (Êxodo 20:4). Deus, o criador, está além de imagens. Fazer uma imagem de Deus é limitá-lo a uma de suas criaturas. A grandeza e transcendência de Deus o criador nos incita à adoração e requer formas litúrgicas condizentes.

A partir das declarações acima, de Moisés e João, aprendemos que adoração é uma ação humana dirigida a Deus. É interessante que nem o idioma hebraico nem o grego possuem uma palavra específica para adoração, como temos em Português. Dirigindo-se a Moisés, Deus usou a palavra hebraica “’abad”, que significa “servir, trabalhar, ser um escravo, adorar.” Dirigindo-se a João, o anjo utilizou a palavra grega “proskunéw”, que significa “curvar-se”. De acordo com estas palavras, adoração inclui submissão e serviço a Deus. Submissão aponta para a natureza interior da adoração. Serviço descreve a expressão exterior como estilo de vida.

Se a adoração é uma relação de submissão e serviço a Deus, a maneira como compreendemos a Deus (teologia) determina nossa adoração e nossa liturgia. Esta ligação entre teologia e adoração encaixa-se nos pressupostos da adoração que descrevemos na figura 1 acima. Quanto menos conhecermos o Deus da Escritura, mais provavelmente a cultura irá moldar a nossa adoração e liturgia. A declaração de Ellen White citada acima enfatiza magistralmente a Deus, o Criador, como sendo a origem e o referencial bíblico da adoração e liturgia.

Nós adoramos ao Criador. Ao fazer isto, a adoração Adventista do Sétimo Dia afasta-se da maioria das religiões organizadas, as quais aceitam ideias evolucionárias envolvendo grandes períodos de tempo. De acordo com a mensagem do primeiro anjo em Apocalipse 14, a igreja visível de Deus no tempo do fim adorará o Criador e O proclamará ao mundo (Apocalipse 14:7). Na medida em que nossa compreensão acerca de Deus difere, assim também a nossa vida cristã, adoração e escolha de formas litúrgicas.

Os crentes cristãos adoram a Deus em Cristo. Cristo é o Criador (João 1:1-3), encarnado na natureza humana (João 1:14). Porém, muitos crentes se esquecem da unicidade e grandeza de Cristo como Criador e assumem que na adoração estão se relacionando com um amigo humano. Esta visão promove um senso errado de familiaridade que leva à informalidade, casualidade e entretenimento. Precisamos ampliar e aprofundar nossa ideia a respeito de quem Deus é, para além de Sua encarnação em Jesus Cristo. A Bíblia nos ajudará a fazer isto. À medida que nossas ideias acerca de Deus se expandem através do estudo da Bíblia, nossa experiência de adoração e nossas formas litúrgicas entrarão em conformidade com a transcendência e unicidade de Deus. À medida que nos aproximamos da presença do infinito e misterioso Criador, um senso de temos e reverência encherá de adoração os nossos corações e lares.

Princípio da Existência: Discipulado como Condição Necessária

Embora Deus seja a causa da adoração, a resposta humana é uma condição necessária para que ela exista. Sem resposta humana não existe adoração. A resposta humana, portanto, faz parte da essência relacional da adoração. A natureza da resposta humana na adoração já está implícita nas palavras de submissão e serviço que o Antigo e Novo Testamentos usam para descrevê-la. Assim, apenas verdadeiros discípulos adoram a Deus. Milhares de professos cristãos podem participar em cerimônias religiosas, mas somente os discípulos de Cristo podem oferecer-Lhe adoração aceitável verdadeira.

Como pecadores tornam-se discípulos? O batismo (um ritual de adoração) não transforma pecadores em discípulos. Ellen White explica que “a condição e evidência de nosso discipulado é a negação de si mesmo e a cruz. A menos que estas coisas sejam introduzidas em nossa experiência, não podemos conhecer a Deus; não podemos adorá-lO em espírito e em verdade e na beleza da santidade.” [11] Jesus ensinou que se permanecermos em Seus caminhos, somo verdadeiramente Seus discípulos (João 8:31). Nos tornamos discípulos, então, quando pelo estudo da Escritura compreendemos o estilo de vida de Jesus e aceitamos livremente segui-lO, deixando para trás o estilo de vida do velho ser (Efésios 4:22) e o mundo (Gálatas 6:14). A negação de si mesmo, centralizada na encarnação e na vida de Cristo tornam possível o discipulado (servir a Cristo). De acordo com Paulo, esta é a única maneira racional (coerente) de adorar a Deus (Romanos 12:1). Sem discipulado, os rituais de adoração particulares ou comunitários são formas externas, vazias de poder, significado e coerência. Isto nos leva à natureza da adoração.

Princípio da Natureza: Espírito e Verdade

Quando Jesus disse à mulher samaritana que “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24), Ele definiu a natureza da adoração. Comentando sobre esta passagem, Ellen White apontou que Cristo estava “…mostrando que o serviço ritual estava passando, e não possuía virtude alguma… A verdadeira circuncisão é a adoração de Cristo em espírito e em verdade, não em formas e cerimônias, com pretensão hipócrita.” [12] Consequentemente, os crentes precisam se conscientizar que a adoração não consiste na execução de rituais externos (liturgia), mas em experimentar uma entrega espiritual interior à verdade de Deus.

Se a adoração é uma questão do coração (mente, vontade e emoções), os seres humanos pecadores precisam de uma renovação constante dos padrões e conteúdos de seus pensamentos. Sabendo que os pensamentos interiores corrompem homens e mulheres (Gênesis 6:5; Mateus 15:18), Paulo compreendeu que os adoradores devem não apenas evitar adotarem o pensamento do mundo, mas também devem adotar os padrões de pensamento de Cristo (Romanos 12:2; II Coríntios 10:5). À medida que Cristo transforma os pensamentos de homens e mulheres à Sua semelhança, eles tornam-se prontos a adorá-lO em espírito e em verdade.

Se nossos pensamentos não devem se conformar com o mundo, como podemos pretender que Deus aceitará as formas litúrgicas adaptadas à maneira de pensar e agir do mundo? Nossas formas litúrgicas devem ser compatíveis com a natureza espiritual da adoração e estar em consonância com os pensamentos e a verdade de Cristo. Contudo, não podemos nos esquecer que a liturgia é apenas o veículo externo da adoração. Mesmo se ousarmos executar formalmente rituais ordenados por Deus na Escritura, sem espírito e verdade, não estaremos adorando, mas ofendendo a Deus (Isaías 1:11-14).

Princípio da Satisfação: Encontrando um Amigo

A adoração deve ser uma ocasião agradável [13] não apenas porque o estilo litúrgico é atrativo ao nosso gosto, mas porque estamos encontrando com Cristo. Encontramos a Cristo em Sua palavra. Em outras palavras, se a adoração se torna agradável para você somente quando a música, o drama, as decorações e as cerimônias apelam ao seu “gosto” pessoal ou cultural, pode ser que você não esteja adorando, mas buscando entretenimento e executando uma obra exterior. Pode ser que você precise tornar-se um discípulo de Cristo para cumprir as condições necessárias da adoração.

Ellen White compreendia claramente o princípio da satisfação na adoração. [Deus] “espera que, quando O adorem, possa estar com eles, para os abençoar e confortar, enchendo-lhes o coração de alegria e amor. O Senhor deseja que Seus filhos encontrem conforto em Seu serviço, achando mais prazer que fadiga em Sua obra. Deseja que aqueles que O buscam para Lhe render adoração, levem consigo preciosos pensamentos acerca de Seu cuidado e amor, a fim de poderem ser animados em todas as ocupações da vida diária, e disporem de graça para lidar sincera e fielmente em todas as coisas.” [14] Sem dúvida, a satisfação da adoração engloba muito mais do que rituais e cerimônias.

Embora música, cerimônias, rituais e interação social tenham seu lugar definido nos cultos na igreja, eles não fazem parte da natureza da adoração cristã. Muitas pessoas têm muitas dificuldades para compreender que a alegria da adoração brota de seguir a Cristo diariamente, não da liturgia. A adoração ocorre pessoalmente como uma experiência de vida de discipulado. Na adoração congregacional, os crentes expressam a alegria que a comunhão diária com Deus e o serviço a Ele geram em suas vidas. O discípulo traz alegria ao culto de adoração para compartilhá-la com Deus e seus irmãos. A alegria da adoração não é gerada pela atratividade da liturgia.

A noção de que a alegria se origina na liturgia corrompe a experiência de adoração. A liturgia opera sobre os sentidos e não sobre o espírito, onde a adoração ocorre. Na liturgia do século vinte procurou-se manter seu apelo efêmero aos sentidos através da acomodação à indústria do entretenimento. Ao adaptarem as formas litúrgicas ao mundo os cristãos desconsideram a Bíblia como a base para a adoração (veja a figura 1), seus princípios de adoração e a essência do cristianismo.

Esse procedimento não é novo. Ellen White descreve com intensidade os resultados desta abordagem à liturgia no tempo de Acabe. “Seduzidos pela suntuosa exibição e os fascinantes ritos da idolatria, o povo seguia o exemplo do rei e sua corte, e se entregava aos intoxicantes e degradantes prazeres de um culto sensual. Em sua cega loucura, preferiram rejeitar a Deus e Seu culto. A luz que lhes fora tão graciosamente concedida tornara-se em trevas. O fino ouro havia-se tornado fosco.” [15]

4 – Princípios da Adoração Congregacional

Para muitos adventistas “adoração” resume-se ao sermão do sábado pela manhã. O que deveríamos fazer quando nos congregamos para adorar a Deus? Para respondermos a essas questões, consideraremos brevemente alguns princípios da adoração congregacional. Os princípios congregacionais assumem, expandem e afirmam os princípios gerais discutidos acima.

Princípio de Existência: Presença Divina

É possível ir à igreja sem adorar à Deus? Podemos afirmar que frequentar a igreja e adorar são a mesma coisa? O que é necessário para que uma congregação adore a Deus? De acordo com os princípios gerais de origem e existência, a adoração origina-se na criação de Deus e existe no discipulado humano. Portanto, Deus como criador e o discipulado são precondições para a adoração congregacional. Os discípulos vêm para adorar ao Criador. Ainda assim, o que dever ocorrer para que a adoração congregacional exista?

A adoração congregacional responde à presença de Deus. Sem a presença divina, a adoração não existe. Apenas nos encontramos, cantamos e nos relacionamos uns com os outros. Como experimentamos a presença de Deus na adoração congregacional? Ellen White explica que “embora Deus não habite em templos feitos por mãos humanas, honra, não obstante, com Sua presença, as assembleias de Seu povo. Ele prometeu que quando se reunissem para buscá-Lo, reconhecendo seus pecados, e para orarem uns pelos outros, Ele Se reuniria com eles por meio de Seu Espírito.” [16] Porém, de acordo com Cristo, nós não vemos nem sentimos o Espírito Santo (João 3:7-8). Como, então, podemos experimentar a presença de Cristo?

A maneira como os cristãos entendem a presença do Espírito Santo é amplamente variada.Os católicos romanos e as principais denominações protestantes acreditam que Cristo está presente em nos sacramentos, especialmente na Eucaristia. Os cristãos carismáticos pensam que experimentam a presença de Cristo no batismo do Espírito Santo, manifestado geralmente em conjunto com música alta, o dom de línguas e a pregação. Os cristãos bíblicos acreditam que Cristo se torna presente quando Sua palavra é proclamada. Ellen White explica que “o Espírito de Deus está em Sua palavra e uma bênção especial será recebida por aqueles que aceitam as palavras de Deus quando são iluminadas em suas mentes pelo Espírito Santo. É então que o crente come de Cristo, o Pão da Vida. A verdade é vista sob uma nova luz, e a alma se regozija como se na presença visível de Cristo[17]

“Quando nos curvamos em oração, lembremo-nos que Jesus está entre nós. Quando adentramos na casa de Deus, lembremo-nos que não estamos indo sozinhos ao lugar de adoração. Trazemos conosco Jesus. Se o povo de Deus pudesse ter uma real compreensão deste fato, não seriam ouvintes desatentos da palavra. Não haveria uma fria letargia sobre seus corações, de forma que aqueles que professem Seu nome não pudessem falar de Seu amor.” [18]

Adoração congregacional existe por causa da proclamação, explanação e aplicação das palavras de Deus na vida concreta dos crentes. Por esta razão o sermão, os testemunhos pessoais e as poesias bíblicas (cânticos espirituais?) tornam-se o componente sensorial/espiritual essencial da adoração. Contudo, a proclamação da palavra em si mesma não é adoração. Adoração é o movimento invisível e livre da mente/vida dos crentes individuais que respondem à palavra de Deus em um comprometimento profundo e completo com Ele.

Quando ocorre a adoração pública, Deus o criador, torna-se presente em Cristo através da Palavra e do Espírito Santo e, em resposta, os discípulos oferecem um comprometimento renovado de fé, cânticos espirituais, louvor, ações de graças e devoção. Ellen White vai direto ao ponto: “Quando nosso coração está sintonizado no louvor ao nosso Criador, não apenas em salmos e hinos e cânticos espirituais, mas também em nossa vida, então viveremos em comunhão com o Céu. Nossa oferta de ações de graças não será episódica, ou reservada para ocasiões especiais; haverá gratidão no coração e no lar, na devoção particular como na pública. Isto constitui a verdadeira adoração a Deus” [19]

Princípio da Atração: O Cristo Ressurreto

Por que você vai à igreja aos sábados? É por causa da música? Vai para encontrar os amigos? Você gosta da maneira como o pastor prega? Você vai à igreja por causa do ar condicionado e do estilo da arquitetura do prédio, ou pelo fato que a igreja está convenientemente localizada e marca suas reuniões em um período de tempo que se encaixa na sua agenda? Se você vai à igreja por essas razões ou outras semelhantes, pode ser que não está adorando a Deus.

Deus designou que na adoração Cristo deve ser o real, vivo e ativo centro de atração. Cristo prometeu que “eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim.” (João 12:32) “O propósito de Cristo era que Sua cruz se tornasse o centro da atração, de onde Ele atrairia o coração dos homens para Si.[20] Ellen White explica que “o Pai veio em conexão vital com o mundo através de Seu filho amado, e a revelação da verdade divina através do Filho foi planejada para atrair os homens ao Pai” [21] O Cristo ressurreto atrai, através do Espírito Santo, todos os homens para Si. Nem todos O adoram, nem todos serão salvos, mas todos serão atraídos por Cristo para Si. Quando homens e mulheres respondem à atração de Cristo, O adorarão em Espírito em Verdade. Você vai à igreja para encontrar-se com Cristo? A alegria de encontrar a Sua presença em Sua palavra move teus joelhos, serviço e louvor?

5 – Princípios de Liturgia

Princípio da Criatividade: Obediência a Cristo

O princípio da atração leva ao princípio da criatividade e vivacidade. A liturgia da adoração deve ser atrativa e testificar do comprometimento pessoal do adorador com Cristo. Isto requer uma criatividade obediente ao definirmos formas litúrgicas atrativas que apelam aos adoradores para que entreguem suas vidas a Cristo e O sirvam em suas vidas diárias. Ellen White relaciona de maneira bela Cristo como sendo o princípio da atração e o princípio da obediência criativa e da vivacidade das formas litúrgicas. “A mais alta recomendação que podemos receber como obreiros – explica Ellen White – é dizer que apresentamos a Cristo levantado sobre a cruz como o objeto de supremo desejo; e como podemos fazer isso melhor do que tornando a religião atrativa? Mostremos que para nós a adoração a Deus não é tarefa penosa e forma vazia, mas espírito e vida” [22]

A obediência criativa busca expressar nossa transformação à semelhança de Cristo; não nossas diferenças culturais, preferências e hábitos. Portanto, as formas de adoração que criamos devem ser transculturais e não culturalmente condicionadas. Devemos evitar cuidadosamente a utilização de formas que provenham de ou estejam associadas com práticas e hábitos pecaminosos. Ao mesmo tempo, nossa liturgia deve ser atrativa e uma expressão da alegria espiritual que brita da adoração a Deus.

Princípio do Conteúdo: Fazendo distinção entre o Santo e o Comum

Através do elaborado sistema litúrgico do Antigo Testamento, Deus pretendia mostrar a Sua santidade. Desta forma, pessoas, ações e coisas que Deus escolheu para usar no ritual tornavam-se “santas”, ou seja, consagradas para o uso santo Por exemplo, Nadabe e Abiu, filhos de Arão, apresentaram “fogo estranho perante o Senhor” (Levítico 10:1). O que provavelmente eles fizeram foi acender seus incensários não com o fogo do altar, conforme fora indicado, mas usaram uma fonte de fogo comum, não a consagrada. As consequências foram terríveis e, provavelmente, inesperadas. “Então saiu fogo de diante do Senhor e os consumiu; e morreram perante o Senhor” (Levítico 10:2). Moisés explicou o ato de Deus a seu irmão Arão, “Isto é o que o Senhor falou, dizendo: Serei santificado naqueles que se chegarem a mim, e serei glorificado diante de todo o povo” (Levítico 10:3). Neste contexto, Deus expressou um importante princípio geral de liturgia: “Vocês têm que fazer separação entre o santo e o profano, entre o puro e o impuro” (Levítico 10:10 NVI). Deus não apenas formulou este princípio de forma teórica, mas também explicou a sua importância e seu caráter não negociável na vida real ao punir Nadabe e Abiú com a morte através do fogo.

Este princípio relaciona-se com a adoração congregacional. Deveríamos aplicar este princípio à liturgia cristã? Embora Deus houvesse planejado o sistema litúrgico do Antigo Testamento para ser usado até a morte de Cristo (Marcos 15:38; Mateus 27:51; II Coríntios 3:11), Ele continua a ser santo e deseja apresentar-se como santo àqueles que dEle se aproximam. Além disso, uma vez que a natureza de Deus e Seu plano de salvação são imutáveis (Malaquias 3:6; Tiago 1:17; Hebreus 6:13-18; 13:8), este princípio se aplica à adoração cristã. Consequentemente, não deveríamos usar o que é comum e vulgar diante dEle. É desnecessário dizer que não deveríamos incluir na adoração cristã qualquer coisa associada com o mundo ou com nossa vida pecaminosa do passado (conforme Deuteronômio 12:1-6).

Ellen White sugere que “ninguém deve trazer para o serviço [de culto] o poder da imaginação para adorar aquilo que deprecia Deus na mente e O associa com coisas comuns. Aqueles que adoram a Deus devem adorá-l’O em espírito e em verdade. Devem exercer uma fé viva. Então a sua adoração não será controlada pela imaginação, mas pela fé verdadeira.” [23] Em assuntos litúrgicos, o critério para incluir conteúdo cultural nas formas litúrgicas deve ser aquilo que agrade a Ele, não aquilo que apela às preferências pessoais ou culturais dos adoradores. Adoração tem a ver com Deus, não com o adorador. Como podemos distinguir entre o santo e o comum?

De acordo com Ellen White, precisamos purificar as nossas almas [24] e evitar ficarmos absorvidos com as coisas deste mundo. [25] Este conselho é importante porque a falha em distinguir o sacro do profano pode parecer se pouca influência para as pessoas pós-modernas e secularizadas; contudo permanece sendo um declive escorregadio que leva à idolatria. “Salomão – explica Ellen White – mudou o lugar de adoração para Jerusalém, mas seu ato anterior de sacrificar em um local não consagrado pela presença do Senhor, mas dedicado à adoração de ídolos, removeu da mente do povo algo da repulsa com a qual deveriam ter considerado as terríveis práticas executadas pelo idólatras. Esta mistura do sagrado com o profano foi o primeiro passo na prática de Salomão, que o levou a supor que o Senhor não era tão específico em relação à adoração por parte de Seu povo. Assim, ele estava educando a si mesmo a cometer desvios ainda maiores, afastando-se de Deus e de Sua obra. Pouco a pouco sua ímpias esposas o levaram a construir para elas altares no qual sacrificavam aos seus deuses.” [26]

Princípio da Suspeita: Sola Scriptura

Cuidadosa aplicação do princípio da suspeita é necessária porque na formação da liturgia a criatividade pode brotar, às vezes, de desejos pecaminosos e corações desobedientes. Há mais de dois mil anos atrás, Gideão usou sua criatividade para construir um local alternativo de adoração a Jeová, em torno de um éfode de ouro que ele construiu a partir dos despojos tomados dos midianitas (Juízes 8:26-27). A criatividade de Gideão levou Israel a uma adoração licenciosa. “Seu pecado consistiu em assumir as prerrogativas do sacerdócio Aaraônico sem a sanção divina. Este erro preparou o caminho para uma apostasia ainda maior, tanto em sua família imediata quanto entre os outros membros de sua tribo.” [27]

Ellen White explica os resultados da criatividade litúrgica de Gideão. “O curso [de ação] seguido por Gideão provou ser um laço, não apenas para si mesmo e sua família, mas para todo o Israel. A adoração irregular e não autorizada levou o povo a finalmente abandonar totalmente o Senhor, e a servir a ídolos. O éfode e o peitoral eram considerados com orgulho, por causa do custoso material e elaborada obra de ourivesaria; e depois de algum tempo passaram a ser vistos com supersticiosa reverência. Os cultos no local de adoração eram celebrados com festejos e celebrações, e no final tornaram-se cenário de dissipação e licenciosidade. Assim Israel foi dirigido para longe do Senhor pelo mesmo homem que certa vez havia aniquilado a sua idolatria.” [28]

Neste contexto, Ellen White declara o princípio da suspeita. “Todos os planos baseados no raciocínio humano deveriam ser examinados com um olhar zeloso, para que Satanás não venha a insinuar-se na posição a qual pertence somente a Deus.” [29] Um “olhar zeloso” significa um “olhar de suspeita” [30], um olhar desconfiado. Em outras palavras, devemos desconfiar de nosso raciocínio e imaginação. Devemos sempre submeter nossos próprios pensamentos à crítica bíblica. Porém, como podemos criticar nossos próprios pensamentos e criações? Deveríamos começar por assumir que nossas imaginações são pecaminosas e nossas opiniões corrompidas. Então, testaríamos nossa ideias e criações litúrgicas pelos princípios bíblicos, doutrinas, e os princípios de adoração detalhados anteriormente neste artigo. Finalmente, deveríamos buscar em oração o conselho de irmãos de comprovada sabedoria e fidelidade ao Senhor.

Princípio do Efeito Espiritual

Ao criarmos ou selecionarmos a liturgia para a adoração congregacional, devemos ter em mente que as formas litúrgicas influenciam o espírito humano. Consequentemente, devem motivar, facilitar, expressar e melhorar a experiência da adoração individual e congregacional. O efeito espiritual da liturgia será determinado pela maneira como entendemos a origem, natureza e existência da adoração (veja acima), e a presença de Deus. Sem uma compreensão teológica bíblica do espírito Divino e do espírito humano, não seremos capazes de avaliar de maneira apropriada os efeitos espirituais dos rituais que escolhemos. Normalmente iremos escolher rituais que agradem aos nossos espíritos humanos caídos. Tais formas litúrgicas não motivarão a verdadeira adoração cristã em espírito e em verdade.

Uma vez que o cristianismo moderno se esquece de que Cristo é o criador, sua adoração e liturgia perde progressivamente a reverência e o temor. Com a intenção explícita de atrair crentes seculares, os pastores adaptam intencionalmente as formas litúrgicas de acordo com as tendências culturais. O efeito espiritual desta abordagem litúrgica ecumênica não é mais cristã, e sim mundana. Um espírito mundano de familiaridade, informalidade e casualidade substitui o espírito cristão de reverência e temor diante da presença de Deus.

A encarnação de Cristo não justifica uma mudança no efeito espiritual das formas litúrgicas. Ellen White explica corretamente que “é uma desonra a Deus falar dEle como se estivesse no mesmo nível dos homens finitos. Deveríamos proferir com reverência e sagrado nome de Cristo, pois, embora Ele tenha Se humilhado e Se tornado obediente até a morte de cruz, mesmo assim não usurpou ser igual a Deus. Tomemos este precioso nome em nossos lábios com profunda reverência. Alguns têm permitido que seus sentimentos controlem sua capacidade de julgamento, em reuniões de adoração, e se permitido palavras e atitudes que não estão em harmonia com a solene adoração a Deus. Temos visto homens gritar e pular, bater no púlpito e usar de vãs repetições, e isto pensam eles ser adoração a Deus. Mas isto não está de acordo com a instrução ou a vontade de Deus. Tudo o que é vulgar em atitude ou palavra torna o serviço de Cristo um assunto de ridículo, e traz confusão à casa e à adoração de Deus.” [31]

A liturgia deve sempre fluir da experiência de adoração existente no coração do crente e incrementá-la. Consequentemente, quando consideramos as formas litúrgicas, devemos examinar cuidadosamente seu efeito sobre o espírito do crente. Isto é muito importante porque a adoração ocorre como uma atitude interna da mente, vontade e emoções. Se aquilo que fazemos na igreja perturba nossa capacidade espiritual de receber a presença de Deus em Sua Palavra (princípios da existência e natureza), deveríamos modificar ou eliminar o que estamos fazendo, não importa quão apelativo aos nossos sentidos possam ser os nossos rituais.

Em vez disso, as formas litúrgicas deveriam inspirar um senso de temor, reverência e expectativa pela presença de Deus como uma condição necessária da adoração. No Antigo Testamento Deus ordenou “reverenciem o meu santuário. Eu sou o Senhor” (Levítico 19:30, NVI). Seguindo a ordem de Deus, Paulo instrui os crentes do Novo Testamento a que “…adoremos a Deus de modo aceitável, com reverência e temor” (Hebreus 12:28, NVI, ênfase acrescentada). Reverência e temor são efeitos espirituais apropriados da liturgia, porque preparam nossas capacidades espirituais para recebermos a presença de Deus em Sua Palavra.

Reverência é tratar algo ou alguém com grande respeito; em outras palavras, ter a devida consideração para com os sentimentos, desejos ou direitos de alguém. [32] Temor é um sentimento de respeito reverente, mesclado com medo ou deslumbramento. [33] Os princípios da origem e da existência, apresentados acima, determinam o princípio do estado de ânimo congregacional. Ellen White explica, “Jeová, o Ser eterno, existente por Si mesmo, incriado, sendo o originador e mantenedor de todas as coisas, é o único que tem direito a reverência e culto supremos.” [34]

Duas décadas antes do final do século dezenove Ellen White pensava que a adoração adventista precisava crescer em reverência. Acredito que seus comentários também se aplicam aos adventistas do início do século vinte e um. “É um fato deplorável que a reverência pela casa de Deus esteja quase extinta. As coisas e lugares sagrados quase já não são discernidos; o que é santo e elevado não é apreciado. Não haverá uma causa para essa falta de legítima piedade nas famílias? Não será por que a elevada norma da religião esteja abatida até ao pó? Deus deu a Seu povo na antiguidade procedimentos precisos e exatos. Porventura Seu caráter foi mudado? Não é mais o Altíssimo e Todo-poderoso que domina sobre o Universo? Não conviria lermos com frequência as instruções que Deus mesmo Se dignou dar aos antigos hebreus para que nós, que temos a verdade gloriosa irradiando sobre nós, os imitemos em sua reverência para com a casa de Deus? Temos motivos de sobra para alimentar espírito de fervor e devoção na adoração a Deus. Temos até motivos para ser mais ponderados e reverentes em nosso culto do que os judeus. Mas um inimigo tem estado a trabalhar, a fim de destruir nossa fé na santidade da adoração cristã.” [35]

6 – Conclusão

A experimentação com “estilos de adoração” tem causado confusão entre os crentes adventistas na virada do século 21. Com frequência, a criatividade na adoração adventista degenera no empréstimo cada vez maior de formas litúrgicas secularizadas das congregações evangélicas. “Estilos de adoração” contemporâneos absorvem as formas culturais extraídas da indústria do entretenimento. Líderes envolvidos nesta experimentação emprestada assumem, de forma acrítica, que mesmo formas de cultura pop, produzidas para expressar sentimentos mundanos e pecaminosos, são aceitáveis a Deus. Perguntamos, na introdução: Os estilos de adoração são uma questão de gosto ou uma questão de princípio? O gosto pessoal é um princípio confiável para moldar nosso estilo de adoração corporativa? Existem princípios que podemos utilizar para nos auxiliar a moldar a nossa adoração e escolher o que incluímos nela?

Este nosso breve exame das evidências bíblicas e dos pensamentos de Ellen White a respeito da adoração sugerem algumas respostas preliminares. Adoração não é uma questão de gosto ou preferências culturais, mas um estado mental e uma atitude do coração. Pastores e membros deveriam começar compreendendo a clara distinção bíblica entre adoração e estilos litúrgicos. Uma vez que os pastores dirigem a adoração congregacional, deveriam ter em mente que em nosso relacionamento com Deus a adoração é o âmago essencial e a liturgia é uma formalidade externa. A adoração pode existir sem liturgia, mas a liturgia é sem sentido sem adoração.

Consequentemente, gosto e preferência pessoal ou cultural não são princípios confiáveis a partir dos quais moldamos nossas formas litúrgicas. Em vez disso, encontramos na Escritura e nos escritos de Ellen White princípios claros com relação à adoração e aos estilos litúrgicos, que os adventistas deveriam compreender e utilizar para fazer uma análise crítica e modificar qualquer forma cultural que possam desejar utilizar em sua liturgia. Literalmente, não podemos introduzir em nossa liturgia congregacional qualquer coisa que seja comum, a menos que antes a purifiquemos pela cuidadosa aplicação dos princípios bíblicos de adoração e de formação litúrgica.

Demonstramos que as formas litúrgicas são contextualizadas a uma série de princípios interligados. Elas assumem os princípios de liturgia. Princípios de liturgia assumem os princípios de adoração. Princípios de adoração assumem uma vida de discipulado cristão. Uma vida de discipulado cristão assume uma ampla e profunda compreensão da teologia. E teologia assume a base da revelação bíblica. Formas litúrgicas devem encaixar-se perfeitamente neste arcabouço contextual de vários níveis. Isto deveria impedir qualquer tentativa de assimilarmos formas litúrgicas das igrejas evangélicas que baseiam sua teologia não apenas da Escritura mas principalmente da cultura e da tradição.

Neste artigo passamos por alguns princípios interligados de adoração pessoal. A transcendência de Deus, o Criador, origina a adoração (princípio da origem). Discipulado é a condição requerida para sua existência (princípio da existência). Espírito e verdade estão no âmbito da realidade e são o conteúdo geral do ato de adoração (princípio da natureza). Adoração é uma ocasião agradável porque nela encontramos com Deus, nosso amigo (princípio da satisfação). Dois princípios da adoração congregacional vieram à nossa atenção. A adoração congregacional brota da presença de Deus o Criador em Sua Palavra, através do Espírito Santo (princípio da existência). Cristo e Sua cruz é o atrativo que traz os adoradores à igreja (princípio da atração).

Também aprendemos alguns princípios de formação de liturgia. Nossas formas litúrgicas deveriam ser atrativas e apelar para que os adoradores entreguem suas vidas a Cristo e O sirvam em suas vidas diárias (princípio da criatividade). Ao selecionarmos atividades para incluí-las em nossa liturgia, devemos ser cuidadosos para distinguir entre o santo e o comum (princípio do conteúdo). Uma vez que mesmo os discípulos de Jesus estão envolvidos no Grande Conflito com Satanás, que se expressa através das coisas do mundo, devemos fazer uma análise crítica em nossas decisões e escolhas que envolvem a formação da liturgia (princípio da suspeita). Nossas formas e cerimônias litúrgicas devem ajudar a criar uma atmosfera de reverência e temor necessária para apreciarmos a presença de Deus em Sua Palavra, e respondermos a Ele em adoração (entrega e serviço) (princípio do efeito espiritual). Cada congregação necessita compreender esses princípios e aplicá-los em sua experiência concreta de adoração congregacional e formação litúrgica.

Finalmente, espero que todos nós compreendamos a importância relativa da liturgia. A participação em formas e cerimônias litúrgicas não é adoração. É possível existir adoração verdadeira sem liturgia congregacional. Adoração é necessária para a salvação, liturgia não é. Aqueles que reduzem a sua experiência religiosa às formas externas da adoração não serão salvos. Para eles, a liturgia se torna legalismo e mesmo uma forma de justificação pelas obras. Os que frequentam a igreja devem ter em mente que Deus deseja “o amor mais que os sacrifícios, e o conhecimento de Deus mais que os holocaustos” (Oséias 6:6, NVI).


Fernando Canale é professor de Teologia e Filosofia no Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia da Universidade Andrews, onde ensina desde 1985. Antes de vir para a Universidade Andrews, foi pastor na Argentina e no Uruguai e ensinou Filosofia e Teologia no Colégio Adventista River Plate, na Argentina.


Fonte: Journal of the Adventist Theological Society, 20/1-2 (2009):89-111. Disponível em PDF no original, em inglês, neste endereço

Traduzido por Levi de Paula Tavares em Março de 2013. Versão traduzida disponível na íntegra, no formato PDF, clicando aqui


Notas e Bibliografia

[1] – Uso aqui a denominação equivocada genérica “estilos de adoração”. A designação correta para os estilos da atividade congregacional é “liturgia”. Explicarei a distinção entre adoração e liturgia na seção 2. (voltar)

[2] – Para pesquisar os escritos de Ellen White, usei o CD-Rom com suas obras publicadas. Pesquisei a palavra “adoração” e recebi 3.552 resultados. É claro que este número inclui muitas repetições do mesmo parágrafo em publicações diferentes. O número real, portanto, deve ser substancialmente menor. Nos primeiros 112 resultados, encontrei vários princípios de adoração que ela extrai da Escritura e que me auxiliaram a descobrir e compreender alguns princípios permanentes de adoração. Neste capítulo, não relatarei o ponto de vista de Ellen White sobre adoração. (voltar)

[3] – Ellen White, Educação (Casa Publicadora Brasileira – Tatuí, SP), p. 123. (voltar)

[4] – Ibidem, p. 124. (voltar)

[5] – O mesmo uso de maneira acrítica das formas culturais ocorre na missiologia adventista. Veja, por exemplo, o artigo "C-5 Muslims, C-5 Missionaries or C-5 Strategies?" de Carlos Martins no Journal of the Adventist Theological Society 17/2, Outono (2006): 122-34. (voltar)

[6] – Oxford Dictionary of English (CD-ROM by Selectsoft Publishing), pesquisa por “worship” (adoração). (voltar)

[7] – Ibidem, pesquisa por “liturgy” (liturgia). (voltar)

[8] – Ellen White, Testemunhos para a Igreja (Casa Publicadora Brasileira – Tatuí, SP), v. 5, p. 26. (voltar)

[9] – Ellen White, O Grande Conflito (Casa Publicadora Brasileira – Tatuí, SP), p. 569 (voltar)

[10] – Ellen White, The Great Controversy between Christ and Satan, 1888 Materials. (Mountain View, CA: Pacific Press Publishing Association, 1907), p. 437-438; ênfase acrescentada. (voltar)

[11] – Ibidem, , p. 51; ênfase acrescentada. (voltar)

[12] – Ellen White, Fundamentos da Educação Cristã, p. 399. (voltar)

[13] – “Nosso Deus é um terno e misericordioso Pai. Seu serviço não deve ser considerado como um exercício penoso e entristecedor. Deve ser uma honra adorar o Senhor e tomar parte em Sua obra. Deus não quer que Seus filhos, para quem preparou uma tão grande salvação, procedam como se Ele fosse um duro e exigente feitor.” Ellen White, Caminho a Cristo (Casa Publicadora Brasileira – Tatuí, SP), p. 103. (voltar)

[14] – Ibidem. (voltar)

[15] – Ellen White, Profetas e Reis (Casa Publicadora Brasileira – Tatuí, SP), p. 116. (voltar)

[16] – Ibidem. (voltar)

[17] – Ellen White, Signs of the Times, 10 de Outubro de 1895, par. 9; ênfase acrescentada. (voltar)

[18] – Ibidem, 18 de Abril de 1892, par. 10. (voltar)

[19] – Ellen White, The Youth’s Instructor, 31 de Dezembro de 1896. (voltar)

[20] – Ellen White, Signs of the Times, 8 de Maio de 1893; ênfase acrescentada. (voltar)

[21] – Ibidem. (voltar)

[22] – Ellen White, Signs of the Times, 4 de Dezembro de 1884; ênfase acrescentada. (voltar)

[23] – Ellen White, The Seventh-day Adventist Bible Commentary (Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Association, 1970) vol. 4, p. 1145. (voltar)

[24] – “Qualquer que seja a nossa condição ou posição na vida, é nosso privilégio ter a fé que opera pelo amor e purifica a alma. Fé que produz amor a Deus e amor ao nosso próximo é fé verdadeira. Esta fé levará à genuína santificação. Ela aumentará nossa reverência para com as coisas sagradas.” Ellen White, Signs of the Times, 2 de Fevereiro de 1890; ênfase acrescentada. (voltar)

[25] – “Mas aqueles que deveriam ter permanecido na clara luz, para que pudessem apresentar as atrações de Cristo perante o povo, e exaltar a Jesus diante deles assim que deixassem suas mesas, estavam pregando enfaticamente sobre comprar e vender imóveis e sobre investir dinheiro em ações de mineradoras. Suas mentes, absortas nos assuntos de negócios, não conseguiam distinguir entre o sagrado e o comum; seu discernimento estava embotado, o poder de engano do inimigo foi exercido sobre suas mentes” Ellen White, The Ellen G. White 1888 Materials (Washington, D.C.: Ellen G. White Estate, 1987), vol. 4, p. 51; ênfase acrescentada. (voltar)

[26] – Ellen White, The Seventh-Day Bible Commentary (Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Association), vol. 2, p. 1025. (voltar)

[27] – Francis D. Nichol ed., The Seventh-day Adventist Bible Commentary (Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Association, 1978), sobre Juízes 8:30. (voltar)

[28] – Ellen White, Signs of the Times, 28 de Julho de 1881. (voltar)

[29] – Ibidem. (voltar)

[30] – Webster’s 1828 Dictionary, (Versão Eletrônica por Christian Technologies, Inc., c. 2002), pesquisa por “jealous” (ciumento, zeloso). (voltar)

[31] – Ellen White, Signs of the Times, 24 de Fevereiro de 1890. (voltar)

[32] – James Strong, The Exhaustive Concordance of the Bible: Showing Every Word of the Text of the Common English Version of the Canonical Books, and Every Occurrence of Each Word in Regular Order, edição eletrônica (Ontario: Woodside Bible Fellowship., 1996), item H3372. (voltar)

[33] – Veja o Dicionário Oxford. (voltar)

[34] – Ellen White, Patriarcas e Profetas (Casa Publicadora Brasileira – Tatuí, SP), p. 305; conforme O Grande Conflito, pp. 436-437. (voltar)

[35] – Ellen White, Testemunhos Para a Igreja (Casa Publicadora Brasileira – Tatuí, SP), vol. 5, pp. 495-496. (voltar)


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