Do Monte Para a Multidão

Especial Liturgia — 18 de outubro de 2013 03:00

por: Zinaldo A. Santos

De acordo com Walter Thomas Conner, falecido teólogo batista, “a primeira ocupação da igreja é a adoração”. Entretanto, isso não significa, absolutamente, desprezo pela missão evangelizadora, cujo cumprimento envolve a execução de vários ministérios. A igreja não deve ser imaginada como uma comunidade ascética, fechada entre quatro paredes, limitando-se a louvar, orar e meditar. Afinal, “Deus não pretende que nos tornemos eremitas ou monges, que nos afastemos do mundo, a fim de nos consagrar a práticas de piedade. Nossa vida deve ser semelhante à de Cristo – dividir-se entre o monte da oração, e o convívio das multidões. Aquele que não faz senão orar, ou em breve deixará de fazê-lo, ou suas orações se tornarão formais e rotineiras” (Ellen G. White, Caminho a Cristo, p. 101).

Porém, na adoração, ocorre o encontro do Altíssimo e Supremo Deus com o crente humilde, agradecido, disposto a obedecer e servir. Nessa interação, somos inspirados, motivados e espiritualmente capacitados a agir. Portanto, concluímos que a adoração genuína é o propulsor do envolvimento de toda a igreja na missão. Ela abre nosso coração ao amor e faz com que nossa vontade se entregue ao propósito de Deus. A congregação genuinamente adoradora se torna uma rede lançada ao grande mar da humanidade, dividida entre “a oração e o convívio com as multidões”, buscando por todos os meios atraí-las ao Deus criador, redentor e mantenedor de todas as coisas, único digno de receber honra, glória e louvor. Somente o verdadeiro encontro com Deus no culto nos fará sair dele e causar impacto verdadeiramente transformador nas pessoas com as quais interagimos.

Diante disso, como líderes pastorais, somos confrontados com o dever de elaborar uma liturgia de qualidade, que conduza a congregação e a nós mesmos a sentir a plenitude do encontro com nosso Senhor e Deus. Encontro que transforme e capacite Seu povo a representá-Lo devidamente no mundo. Tendo isso em mente, o teólogo Daniel Plenc, especialista no assunto, já sugeriu que o culto seja organizado em consonância com as seguintes características:

“Pelo vínculo fundamental da igreja com Cristo, o culto será cristocêntrico e soteriológico. Pelo fato de a igreja responder à convocação divina, o culto será teogenético (originado em Deus) e teocêntrico. Por ser consequente com a natureza essencial da igreja, o culto será inclusivo e participativo. Por ser consciente da dimensão corporativa da igreja, o culto será edificante e instrutivo, fraterno e evangelizador. Pelo fato de a igreja ter um compromisso com a revelação, o culto será ordenado e espiritual.”


Fonte: Revista Ministério, julho/agosto 2013, p. 3


Tags: