A Família que Adora Unida – Episódio 5/5

A Adoração, Palestras e Sermões em Vídeo — 10 de julho de 2015 5:00 am

A Música na Adoração

por: NCFIC (National Center for Family-Integrated Churches)



Assista aos outros episódios da série A Família que Adora Unida


Transcrição da Tradução

Na maioria dos “cultos de adoração” hoje, no mundo evangélico moderno, se, de repente, no meio de uma música, desconectarmos os cabos de todos os instrumentos, microfones, e tudo mais, descobriríamos que a congregação praticamente não está cantando.


Muitas vezes nos tornamos adoradores de nós mesmos. Não estamos adorando a Deus. Estamos, simplesmente, adorando o sentimento que temos sobre Deus.


Quando se trata de música, é uma daquelas áreas que a batalha provavelmente continuará até que o Senhor volte.


O que temos feito é que elevamos a música ao que parece ser, uma posição acima dos ensinos das Escrituras.


A música na adoração tem três propósitos: codificar, unificar e glorificar. Isso capta a essência, que o propósito da música na adoração a Deus é codificar a verdade, para que possa ser cantada para a glória de Deus através das gerações.


A Família que Adora Unida

Episódio 5 – A Música na Adoração

Bem-vindos à série “A Família que Adora Unida.” Nessa sessão, vamos nos concentrar no assunto importante e, todavia, muito polêmico, da música.

Ao considerarmos o assunto da música, assim como em todas as coisas, somente as Escrituras devem ser nosso guia, quando se trata de avaliar a música. As Escrituras e somente as Escrituras.

Não há nenhum assunto na igreja hoje sobre o qual exista mais desacordo, subjetividade, confusão — algumas pessoas chamam de “Guerras da Adoração” — quanto os problemas que existem no assunto da música.

E a diversidade é tão ampla que vai desde as pessoas que dizem: “Por que o Diabo deveria ter toda a música boa?” para aqueles que acreditam que não deveria haver instrumento musical algum na adoração a Deus.

Assim, nesta sessão ouviremos muitas vozes, que farão advertências sobre música, em relação ao seu potencial para a idolatria carnalidade, centralidade no homem, e, muito mais importante, desconexão de absolutos bíblicos. E elas identificarão coisas que devemos analisar e também falarão das alegrias de cantar e da música na Igreja do Senhor Jesus Cristo.

Aqui estão algumas perguntas que iremos abordar:

  • Estamos cantando ou somente sendo entretidos?
  • Estamos cantando uma boa teologia com corações mortos, sem nenhuma alegria?
  • E a respeito do uso da mente, ou emoções na adoração?
  • Como deveríamos pensar sobre cantar salmos na adoração?
  • Qual deveria ser nossa posição sobre a execução?
  • Como avaliamos a presença da sensualidade na adoração, na música e também na liderança da adoração?
  • E, como sabemos quando a música é elevada a uma posição alta demais, na adoração a Deus?

E, finalmente, ao término dessa sessão, vou oferecer vários requisitos bíblicos para nossa adoração.

Mas, em tudo isso, oro para que nos lembremos das palavras do Salmo 149:

“Aleluia! Cantai ao Senhor um novo cântico e o seu louvor, na assembleia dos santos. Regozije-se Israel em seu Criador, exultem no seu Rei os filhos de Sião.”

Oro para que esse seja o legado dessa sessão.


Problemas com as Práticas Modernas na Música de Adoração

As pessoas perguntam quais são os grandes erros na adoração, adoração moderna, adoração contemporânea no mundo evangélico de hoje.

É o mesmo problema que temos em todas as partes no mundo evangélico. Aqueles que declaram crerem na infalibilidade das Escrituras, não têm provado por suas ações que crêem na suficiência da Escritura, e que tudo o que é feito na Igreja e na vida cristã, deve ser feito de acordo com a Escritura, em conformidade com o que está escrito. Somos um povo com uma grande imaginação.


Nem todas as coisas na Bíblia são provadas exatamente pelos mesmos métodos Por exemplo: Existem certos textos básicos na Bíblia que são como balas de prata, que dizem muito claramente “faça isso”, ou “não faça aquilo”. Esta seria uma forma de provar coisas pela Bíblia.

Outra forma seria através da ideia de princípios na Bíblia ou de padrões na Escritura. E assim, a questão da música, pelo menos do meu ponto de vista, é muito difícil encontrar um texto de prova muito claro, ou um texto básico que diga “faça isso”, ou “faça aquilo” temos que olhar os padrões nas Escrituras e responder algumas perguntas difíceis.

Novamente: Que tipo de música exalta a Deus, e eleva a nossa alma? E qual tipo de música nós acreditamos que contenha a boa e santa doutrina verdadeira, que será benéfica para que o povo de Deus a recite para Deus, e, em segundo lugar, para trazer para sua própria mente e alma?


Está se tornando uma das minhas principais preocupações em nossos dias, porque, como pastor itinerante, tenho estado em lugares nos quais, basicamente, eles tomaram a música do tipo discoteca, a música do tipo cabaré, e a trouxeram para a Igreja. Assim, não somente perdemos de vista a música acompanhando as palavras, mas, mesmo sem as palavras, pessoas estão sendo levadas a um delírio emocional. E isso está errado. Isso é realmente uma adulteração da adoração.

É… um sequestro do lugar de adoração, porque as pessoas não estão mais pensando nas palavras; pois no fim, isso é o que a adoração é: são palavras. É você vindo a Deus, dizendo a ele: “Uau, isso é o que o Tu fizeste, “isso é quem Tu és, “e dizemos isso a Ti no contexto de louvor.” Agora, isso se perdeu por completo. Agora é só música heavy-metal, é só dança, por várias horas, e assim por diante; e, no momento em que o pregador é chamado a pregar, mesmo sua própria alma não foi preparada para compartilhar a Palavra de Deus naquele contexto.

É uma diferença gritante do que adoração era no Antigo Testamento, do que adoração era nos tempos do Novo Testamento e de como tem sido no decorrer das eras. São realmente trevas que estão se infiltrando e destruindo aquilo que deveria ser o momento mais reverente na alma de um ser humano.


Somos um povo que é forte no braço e na carne. Somos o povo que está sempre buscando e desejando descobrir uma maneira nova de fazer algo. E isso tem afetado nosso evangelismo, tem afetado a vida de nossa Igreja, e tem afetado nossa adoração.

Como fazemos pessoas evangelizarem? Como fazemos pessoas virem à Igreja? Como fazemos pessoas adorarem? Há somente uma forma, eles devem ser regenerados, devem estar cheios do Espírito Santo, devem estar crescendo em maturidade. Se jogarmos essa realidade fora, então teremos que trazer uma nova invenção para impulsionar as coisas.

Penso que a adoração de hoje, tem sido influenciada, mais do que qualquer outra coisa, pela nossa cultura de entretenimento.


É fácil fazer milhares de pessoas virem à sua Igreja. Fácil… É só ter um bom entretenimento. Então, você vai para o culto de adoração e é entretido, a música, as luzes, a ação, você é entretido. O pregador aparece, ele tem muitas histórias engraçadas ou histórias de partir o coração e saímos contentes, satisfeitos emocionalmente.

Sou a favor de números, sou a favor de alcançar as pessoas para Cristo. Mas quando nos tornamos dirigidos pelos números, tudo no culto de adoração tem isso como objetivo. Se temos números grandes, teremos que ter Igrejas grandes. E se temos Igrejas grandes, teremos dívidas grandes. Então, precisamos ter pessoas vindo e precisamos entretê-las, e fazer com que elas sejam emocionalmente satisfeitos.

E então, outra vez, voltamos a essa centralidade no homem que tem destruído a adoração no século XX. As pessoas sabiam muito bem como adorar a Deus nos anos 1800.


Vou dar um exemplo: Tenho estado, nos últimos dois anos, com um grupo de jovens. Não seria possível encontrar um grupo de jovens mais dedicado, mais desejoso de estudar a Cristo, e conhecer o evangelho. Eles são sinceros, convertidos e amam o Senhor.

Mas eles vêm do mundo evangélico contemporâneo. E, embora eles amem o Senhor, jejuem e orem, quando estamos em nosso culto de adoração, vemos que eles realmente não cantam com um grande zelo. Eles não expressam um ruído alegre, eles não clamam ao Senhor em cântico.

Eu tentei entender por que isso acontecia. E não é porque eles não amam o Senhor, mas porque eles cresceram em um cristianismo onde existe um diretor de música, uma banda musical, uma equipe de adoração, que fazem praticamente tudo. Combinado com isso, e com a cultura do entretenimento, eles têm sido ensinados a virem à Igreja e assistirem outras pessoas fazerem a adoração por eles.

E, na maioria dos “cultos de adoração” hoje, no mundo evangélico moderno, se, de repente, no meio de uma música, desconectarmos os cabos de todos os instrumentos, microfones, e tudo mais, descobriríamos que a congregação praticamente não está cantando. Mesmo quando a congregação está cheia de pessoas que amam o Senhor, porque nós quase que os treinamos para assistirem.

E esse é um dos maiores problemas no mundo evangélico atual.


Vãs Repetições

A música se degenerou. Os grandes hinos de fé, que cristãos cantaram por centenas de anos, literalmente, estão sendo agora rejeitados, como sendo irrelevantes, chatos.

E, em seus lugares, veio essa música altamente repetitiva, que, não consigo pensar em uma palavra melhor do que brega, onde expresso meu estado emocional ao invés de confessar o que creio sobre o Deus vivo e o que Deus revelou sobre Si mesmo.

Enquanto que a música na adoração a Deus deve refletir a majestade e dignidade do culto de adoração. E as palavras dos hinos devem ser baseadas na verdade, não no meu estado emocional, mas na verdade.

Então olhamos realisticamente para a maioria dos hinos de hoje, e é uma repetição do que eu sinto. Eu me sinto assim, Deus me faz sentir tão bem… Enquanto que os hinos do povo de Deus, dos Salmos, os cânticos espirituais que pessoas cantaram por geração após geração, foram baseados na verdade revelada nas Escrituras, e a música combina com a majestade e a dignidade das palavras. E perdemos isso hoje.

Hoje temos as músicas que vêm em ondas. Uma música se torna popular, uma música de louvor, ou seja lá como a chamem, se torna popular e então, em um ano, todos esqueceram dela. “Castelo Forte é Nosso Deus” tem sido cantado por 500 anos. “Saúdo a Ti, Quem Meu Redentor És”, 500 anos. Existem também hinos que cantamos na igreja hoje e que são de 1.800 atrás. O “Te Deum Laudamus” uma das primeiras orações da igreja primitiva ainda em alguns hinários. E esses são os grandes hinos que são cheios de verdade, cheios de majestade.

Então, eu diria que a decadência da pregação e a degeneração da música são dois dos principais fatores que têm destruído a adoração em nossa cultura.


Música Centrada no Homem versus Música Centrada em Deus

Quando se trata do assunto da música e adoração, nós, como seres humanos, frequentemente associamos certos tipos de música com adoração.

E, um dos grandes problemas está em quando um certo estilo se torna enraizado em nossa mente como parte da adoração, e estamos somente respondendo emocionalmente ao tipo de música.

Muitas vezes, o que acabamos fazendo é adorar a nós mesmos ao invés de Deus. Queremos nos sentir de uma certa maneira que nós associamos com a adoração. E, portanto, se uma batida ritmada faz isso, ou se algo do século XVI faz isso, somente isso é digno da adoração.

E a tragédia é que se for algo que apenas apela às nossas emoções, independente se acreditamos que isso é legítimo ou não, muitas vezes nos tornamos adoradores de nós mesmos.

Não estamos adorando a Deus. Estamos, simplesmente, adorando o sentimento que temos sobre Deus.


Estamos lidando com pessoas que vêm de muitas origens diferentes, que receberam muitas influências de outros lugares. Toda vez que tentamos adicionar um estilo, ou um modo, ou um gênero musical à adoração, creio que o perigo e a grande armadilha nisso é de que não estamos sendo honestos com nós mesmos.

Na realidade estamos dizendo: “Estou adorando a mim.” Estamos dizendo: “Só ficarei aqui enquanto você estiver fazendo “algo que atenda o que eu quero, o que eu desejo, o que eu gosto”.

Essa adoração de um Deus santo e justo não tem a ver com eu me sentir satisfeito com o que eu quero. Mas sim quando eu compreendo, quando me submeto ao senhorio, à soberania, à majestade do Deus Todo-poderoso; e desejo vigiar a maneira que minha carne deseja adorá-Lo, e olhar para essa Palavra e dizer: “Querido Deus, instrua-me a Te adorar, como posso te adorar?”


Mente e Emoção na Adoração

Um perigo é ter um bom conhecimento intelectual, sermões bons e sólidos, bom conteúdo, mas o sermão não vai além do conhecimento intelectual. Não alcança o coração, não agita as emoções, não tem impacto sobre a consciência, não aflige a alma com as afeições pelas verdades da Palavra de Deus.

Isso é um perigo, na realidade, em alguns círculos reformados. A parte intelectual está correta, mas o coração parece estar em falta.

Outro perigo é ter todas as emoções. Buscar as emoções da alma antes mesmo de formar a mente. Isso é feito em muitos círculos pentecostais, carismáticos.

Existem tantos tipos de músicas que agitam as emoções, mas que em seu curso ficam muito repetitivas. E as pessoas ficam animadas e emocionadas pelo ritmo da música. Mas o coração não está sendo movido pela verdade proposicional das Escrituras.

Assim, o que acontece em tais situações é que pessoas ficam animadas pela música, e o sermão se torna uma coisa secundária, quase um relaxamento. E, aquele sermão também normalmente não tem muito conteúdo, e o sermão e a adoração sofrem.

Então, em alguns ambientes onde tudo é intelectual, e não há coração, as pessoas saem das Igrejas Reformadas e vão para as Igrejas Pentecostais, onde tudo se torna coração e nada de cabeça.

Os reformadores e os puritanos tinha um bom equilíbrio nisso, eles ministravam para o homem num todo, no culto de adoração. Então, o que eles diziam era que a música devia coincidir com o espírito e com a reverência do sermão.

De fato, se o sermão fosse de muita advertência, naquela manhã em particular, por ser um texto de advertência, a música deve ter uma nota de advertência nela também, para coincidir. Assim, todo o culto de adoração se torna uma coisa só. Se o texto foi muito confortador, a música deve ser muito confortadora.


Definindo Apropriadamente a Adoração

Alguma das armadilhas que tenho notado e visto têm muito que ver em como a adoração é definida. Muitas pessoas identificam e definem adoração como esse evento rodeado pela música. E, certamento, podemos ver no contexto bíblico, que a adoração pode incluir música. Mas, quando é definida apropriadamente, e quando analisamos mais a fundo nas Escrituras, não deveria ser relegada apenas a esse elemento da música.

Adoração deve impactar e afetar cada aspecto da vida de uma pessoa. Desejaria que a adoração afetasse a maneira como eu acordo cada dia, a maneira como me dirijo a minha esposa, a maneira em que desempenho minhas funções no trabalho, as tarefas que estão diante de mim. Certamente, eu posso estar cantando, e louvando, enquanto penso na bondade do Senhor, Sua graça e misericórdia. E a armadilha seria que eu preciso me proteger de pensar que não estou adorando enquanto faço essa atividade, que só estou adorando quando estou reunido na Igreja, reunido com os santos, e que é aquele elemento que acontece logo antes do ensino e da pregação da Palavra.

Penso que essa é uma armadilha perigosa na qual a Igreja está hoje.


Temos elevado a música ao que parece ser, uma posição acima dos ensinos das Escrituras. Ela é… Não estou falando em todas as Igrejas, mas em muitas Igrejas, a música é o foco do culto, e o ensinamento das Escrituras é secundário.

E, quando temos pessoas e crentes que dizem: “Preciso de música melhor”, no sentido de música que seja atraente para eles. Todavia, eles estão bem com o ensinamento forte das Escrituras.

Quando temos pessoas que deixam igrejas por coisas como essas, em oposição a dizer: “Escutem, posso tolerar mau ensino, desde que a música seja boa.”

Parece que temos uma geração exatamente como essa nos dias de hoje. Que está mais interessada em música cristã, ou o canto cristão do que o ensinamento da Palavra. Agora, a música é importante e vamos cantar e continuar cantando. Mas, penso que temos elevado a música a tal ponto, que ela tem sido uma questão maior do que o próprio ensino da Palavra.

E, quando analisamos Atos 2:42, a doutrina, a comunhão, o partir do pão, e orações, acredito que cantar é uma parte disso. Pois, podemos cantar músicas que sejam corretas doutrinariamente, e podemos cantar em nossa comunidade. Podemos até mesmo cantar orações ao Senhor. Mas não é um daquelas exigências fundamentais, acredito. E penso que esse é um dos grandes equívocos de muitos crentes que sentem que adoração não é adoração até que cantemos.

E não é isso o que vemos nas Escrituras. Podemos cantar e adorar o Senhor, mas a adoração a Deus nem sempre exige o canto. E penso que aí é onde nos perdemos. Então, quando temos… Especialmente se temos uma geração de crentes imaturos, que sentem que adoração é equivalente ao canto.


Necessitamos ir para as Escrituras, e aqui está um texto em particular que nos mostra, de um modo mais definitivo, o que deve fazer parte da adoração. Devemos “falar entre nós”, Efésios 5:19, “em salmos, e hinos, “e cânticos espirituais; “cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração”.

Assim, um texto como esse nos dá uma espécie de padrão dos tipos de música que precisam estar no culto. Certamente os Salmos devem fazer parte do nosso cântico a Deus. É o centro de nossa Bíblia. E, aqui, as palavras do próprio Deus nos tem dado a música valiosa que foi usada no templo no antigo Israel. Felizmente, durante o tempo da Reforma, novas melodias foram dadas àqueles Salmos, porque perdemos todas as melodias com a destruição do templo no ano 70 A.D. Então, isso foi recuperado, e podemos cantar esses Salmos, para a glória de Deus.

E, temos hinos, que seriam aquelas melodias não inspiradas, ou canções diferentes que, no entanto, tomariam o conceito das Escrituras e exaltariam a Cristo e todo Seu ministério aqui na Terra, e devemos estar cantando essas.

E, então, por último, os cânticos espirituais, as quais, creio significarem um pequeno trecho das Escrituras que é extraído e colocado em uma melodia apropriada, a qual então, pode ser cantada na adoração. E encontramos vários exemplos disso na Bíblia. Um bom exemplo seria Filipenses 2, onde temos uma porção das Escrituras, que se analisarmos essa passagem, começando no capítulo 2, verso 4 até verso 12, vemos o que acredito ser uma música antiga, cantada na igreja do Novo Testamento, e depois colocada nas Escrituras. Esse seria um cântico espiritual.

Estamos, na realidade, tomando uma determinada porção das Escrituras e dando a ela uma melodia. Estamos cantando as Escrituras de volta a Deus.


Música na Adoração Corporativa?

Quando se trata de música, é uma daquelas áreas que a batalha, provavelmente continuará até que o Senhor volte.

Porque, as pessoas podem falar sobre o Princípio Regulador, e o Princípio Regulador fala dos elementos da adoração, e os limita a um número básico. Porém, quando se trata de cantar, temos o problema de: Deveria ser apenas “a capella”? Sem instrumentos? Ou deveria haver instrumentos?

Novamente, encontraremos que a Igreja cristã tem geralmente se dividido em dois campos nisso. Temos aqueles que ensinam que acompanhamento instrumental era somente para o Antigo Testamento, porque isso era parte do Tipo, o qual, portanto, foi cumprido em Cristo.

Enquanto que, ainda temos outros que insistem que o aspecto instrumental é um ingrediente essencial, simplesmente parte da música. Tentar dividir a música, entre voz e instrumento, é introduzir uma barreira artificial. Correto? Portanto, eles permitem os instrumentos.

Assim, se pudermos passar para o lado dos instrumentos, novamente a pergunta que surge é: Quais instrumentos usamos?

Meu conselho básico para as pessoas é sempre um fato que está no livro que escrevi, intitulado “Fundamentos para o Rebanho.” Tratei desse assunto até certo ponto, e eu dei um princípio geral de que as circunstâncias devem servir à forma da adoração, e a forma deve servir ao elemento.

Então, se os instrumentos estão começando tirar [a importância] do cântico, assumindo assim uma vida própria, precisam ser detidos. Se estão acompanhando o cântico, se estão tornando o cântico muito mais significativo, então estão assumindo um papel secundário, estarão somando, que é o que devem estar fazendo. Assim, esse seria meu conselho.

E saberia que mesmo em nossa família das Igrejas, que é a família das Igrejas Reformadas, haveria outros que fariam exceções a isso, mas eu os respeitaria.


É por isso que, qualquer que seja a posição de uma pessoa sobre cantar Salmos, ou hinos, ou o que seja, deveríamos focar nisso, que o cântico de Salmos não deveria ser excluído. Pois, os Salmos realmente centralizam nossa adoração em Deus. E há uma reverência acerca deles.

Os salmos têm uma maneira de evitar que nos tornarmos centrados em nós. E o culto de adoração se torna somente eu e minhas coisas; e sim, aliás, tem a ver com Deus, mas me faz sentir bem. Os Salmos têm uma maneira de nos manter teocêntricos.

Então, é ótimo cantar Salmos na adoração, para manter aquele espírito de reverência que coincide com o sermão.


Eles devem ser cantados a Deus e sobre Deus. Quero dizer, vemos os grandes exemplos no livro de Salmos. Aquele era o hinário do povo judeu por muitos e muitos séculos.

E não nos limitamos ao livro de Salmos, porque, como os atos redentores de Deus prosseguem nas Escrituras, com o Senhor Jesus Cristo, o povo de Deus continua incluindo novas músicas e louvores para Ele. Mas, devem ser centralizadas em Deus, devem ser sobre Deus, não apenas sobre nós. E, se falamos sobre nós, que seja em relação a Deus, e devem ser cantados para Deus.

Então, mesmo quando cantamos, e a Bíblia diz em Efésios e Colossenses para encorajarmos uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, todavia, a direção final de todo nosso canto na adoração é em louvor ao Deus triúno.

Douglas Bond escreveu um documento muito bom sobre a música na adoração. Ele disse – eu queria ter pensado nisso – Ele disse que a música na adoração tem três propósitos: codificar, unificar e glorificar. Isso capta a essência, que o propósito da música na adoração a Deus é codificar a verdade, para que possa ser cantada para a glória de Deus através das gerações, de forma a unificar a Igreja. Não para unificar somente a Igreja na esquina, mas estou falando da unidade da Igreja, da universalidade da igreja através dos séculos.

Que relação temos aos 2.000 anos anteriores da Igreja, se cantamos somente as músicas que foram escritas ontem? Agora, não me oponho a cantar músicas que foram escritas ontem, se forem verdadeiras, se tiverem dignidade, majestade e beleza. Mas não temos nenhuma relação na adoração com as gerações anteriores de cristãos se não estivermos cantando as mesmas músicas que eles cantaram.

Então, o propósito da música na adoração… das palavras, é: codificar a verdade, unificar a Igreja por todo o mundo e através dos tempos, e glorificar a Deus.


Essa é uma das razões pela qual o próprio Calvino não quis usar acompanhamento musical. Ele temia que as pessoas se tornariam idólatras de seus sentimentos. E acredito que ele estava completamente certo, no que se refere ao perigo.

Não creio que temos que viver em idolatria, mas devemos estar cientes do perigo de adorar a nós mesmos, por causa daquilo que sentimos na adoração.


Agora, os instrumentos musicais têm um propósito adicional, que é lindamente declarado o propósito dos instrumentos é lindamente declarado no Antigo Testamento, que é elevar cânticos de alegria. Elevar cânticos de alegria.

Calvino escreveu uma das coisas mais grandiosas sobre o efeito da música, boa e má, sobre as emoções, na mente e no coração. E ela realmente eleva cânticos de alegria. Ela cria, na adoração a Deus e no povo de Deus que O está adorando, quando escutam essa linda música que honra a Deus, por detrás dos hinos, e que os capacita a cantar, realmente aumenta a alegria, enquanto cantam.

Agora, isso não quer dizer, necessariamente, que eles demostrarão essa alegria; quero dizer, muitas músicas hoje em dia tornam as pessoas agitadas, eles querem dançar, bater palmas, saltar pra cima e pra baixo nos bancos, todas essas coisas. Mas, tenha em mente que a parte mais profunda de um rio não é corredeira. A parte mais profunda de um rio é calma do lado de fora.

Quero dizer, às vezes as pessoas vem para as Igrejas Reformadas e dizem: “Vocês são muito austeros, não há nada alegre sobre seus cânticos.” Como você sabe? Pode ver meu coração? Pode ver meu coração e me dizer que não há nenhuma alegria? Quero dizer, às vezes, posso estar de pé lá e estar explodindo de alegria, e você não poderia dizer isso. Não me importa se possa dizer ou não, porque o propósito da adoração não é impressionar você. Deus vê o coração.


Bem, estes homens acabam de deixar bem claro que a Escritura nos instrui a termos uma atmosfera específica para o nosso canto. Que, na realidade, existem absolutos bíblicos que devem reger a adoração.

E quero dar a vocês oito perguntas para ajudá-los a entender isso um pouco mais.

Pergunta número 1: “A música está enfatizando o ensinamento, “ou a música se torna mais proeminente?” Colossenses 3:16 e 17 nos ensina que nosso canto é destinado a nos ensinar, a permitir que “a palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, e hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração.” O problema é: está a Palavra de Deus habitando ricamente como resultado do canto, ou é a música que está habitando ricamente?

Pergunta número 2: “A música transmite instruções precisas?” Colossenses 3:16 também trata desse assunto de ensino e admoestação. As letras devem ter integridade bíblica.

Pergunta número 3: “A música vem de um motivo errado? A adoração surge de algum mal no coração?” I Reis 1:26 é um exemplo disso. Jeroboão criou todo um esquema de adoração para atrair pessoas si.

Número 4: “A música adora o Deus correto da maneira errada?” Nadabe e Abiú são exemplos disso. O bezerro de ouro é um exemplo disso. Onde as tentativas eram para adorar ao Deus verdadeiro, mas de uma maneira que não agradava Deus.

Número 5: “A música incentiva a reverência?” Porque, reverência é um absoluto bíblico. Na adoração a Deus, encontramos pessoas prostrando-se sobre seus rostos perante Deus. Em Malaquias, a reverência tinha sido jogada pela janela, e eles estavam trazendo qualquer oferta, aleijada e cega, conforme desejavam, e o profeta disse: “Tentem dar isso ao governador.” Não havia nenhuma reverência ali. Mas, somos obrigados a trazer música que incentive reverência e sobriedade.

Número 6: “A música incentiva a santidade ou a sensualidade?” E, ambos podem ser discernidos no estilo da música, porque a música poder ser sensual por natureza, e também na forma em que os líderes conduzem a direção da adoração, especialmente quando há mulheres envolvidas na direção da adoração.

Número 7: “A música incentiva a ordem?” O apóstolo disse: “Tudo, porém, seja feito com decência e ordem.”

E, número 8: “A música incentiva o amor?” O objetivo de nossa instrução é amor. Então, deve haver esse senso de amor por Deus e amor pela humanidade, da maneira em que Deus o define.

Bem, aqui está, talvez um dos princípios fundamentais em tudo isso, que é: A música é concebida por Deus para realçar as palavras da mensagem, e tornar a mensagem significativa.

Mas, temos que perguntar: A música me faz amar a música demais e a mensagem de menos? E, qualquer música que falha em fazer isso, cria um conflito com o que Jesus disse como sendo “adorar em espírito e em verdade.”

Bem, nossa grande oração para essa sessão é de que nos tornemos quadros vivos do que lemos no Salmo 150, que diz: “Aleluia! Louvai a Deus no Seu santuário; “louvai-O no firmamento, obra do Seu poder. “Louvai-O pelos Seus poderosos feitos; “louvai-O consoante a Sua muita grandeza.”

Que toda música nos leve nessa direção.


Tradução: Gustavo Santos e Hander Heim – Fatos Incríveis – Sob encomenda de Música Sacra e Adoração

Revisão e sincronismo: Levi de Paula Tavares


Fonte: NCFIC


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