Músicos Possuem Melhor Desempenho Mental

Sobre Corpo e a Mente Humanas — 17 de março de 2017 09:32

por: Dra. Ines Jentzsch

Um novo estudo, realizado pela Universidade de St. Andrews sugere que a atividade musical pode proteger contra o declínio da atividade mental por conta da idade ou doenças.

O trabalho, publicado no periódico Neuropsychologia avança sobre descobertas anteriores de que as habilidades mentais estão definitivamente relacionadas às habilidades musicais. Os pesquisadores dizem que as últimas descobertas demonstram o potencial para ‘benefícios de vasto alcance’ da atividade musical sobre o bem estar mental e físico.

O estudo foi dirigido pela psicóloga Ines Jentzsch, que comparou a capacidade cognitiva de músicos amadores com a de pessoas sem nenhuma relação com a música, ao executar tarefas mentais simples.

A diferença mais fundamental encontrada por ela está na capacidade que os músicos têm para reconhecer e corrigir erros. Não apenas isso, mas eles responderam mais rapidamente do que aqueles que não têm nenhuma formação musical, sem perda de exatidão. Provavelmente isso não é surpreendente, uma vez que os músicos aprendem a estar constantemente conscientes de sua execução, mas não serem totalmente afetados por seus erros.

A Dra. Jentzsch, que é membro do Departamento de Psicologia e Neurociência da Universidade comentou que “nosso estudo demonstra que mesmo níveis moderados de uma atividade musical podem ser benéficos para o funcionamento do cérebro”.

"Nossas descobertas podem ter implicações importantes, uma vez que os processos  envolvidos são os primeiro a ser afetados pelo envelhecimento, bem como uma série de doenças mentais como a depressão. A pesquisa sugere que a atividade musical poderia ser utilizada como uma intervenção eficaz para diminuir, parar e até mesmo reverter o declínio do funcionamento mental relacionado à idade ou a doenças".

O estudo comparou grupos de músicos amadores, com tempos variados de prática diária de seus instrumentos, com um grupo de controle de não músicos. Então eles mediram as respostas comportamentais e cerebrais de cada grupo a testes mentais smples.

Os resultados mostraram que a execução de um instrumento musical, mesmo em níveis moderados, melhora a capacidade de uma pessoa em detectar os erros e ajustas as respostas subsequentes de forma mais eficaz, quando necessário.

A Dra. Jentzsch, ela própria uma pianista talentosa, continua, "A atividade musical pode não apenas enriquecer as nossas vidas, mas os benefícios associados para o nosso funcionamento físico e mental poderiam ser de alcance muito mais abrangente do que o que foi proposto por nossos estudos anteriores."

"A música desempenha um papel importante em virtualmente todas as sociedades. Contudo, em períodos de dificuldades econômicas, os fundos para educação musical com frequência são os primeiros a serem cortados. Encorajamos fortemente aqueles que tomam as decisões a reconsiderarem o corte de fundos para a educação artística e a aumentarem os gastos públicos para a educação musical."

"Além disso, adultos que nunca tocaram um instrumento, ou que se sentem muito velhos para aprender, devem ser encorajados a se envolver com a música – nunca é tarde demais".


Este estudo completo está publicado (no original, em Inglês), neste endereço


Fonte: Universidade St. Andrews


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