Música “Saudável” e a Recuperação da Depressão

Palestras e Sermões em Vídeo, Sobre Corpo e a Mente Humanas — 26 de outubro de 2015 03:00

por: Rich Constantinescu

Música melódica e simples, e hinos desempenham um papel vital na melhora da depressão e da ansiedade, de acordo com o presidente do Instituto Weimar, Neil Nedley, autor dos livros Proof Positive (Prova Positiva), Depression: The Way Out (Depressão: A Saída) e The Lost Art of Thinking (A Arte Perdida de Pensar), e que deu uma palestra sobre música no Concílio Anual da Conferência Geral [da Igreja Adventista do Sétimo Dia], acerca de equilíbrio emocional e melhoria da saúde mental.

Acerca dos pacientes de seus programas, muitos dos quais são ateus ou agnósticos, Nedley disse que esses tipos saudáveis de música melhoraram as condições e também elevaram seus corações e mentes, para que fossem abertos ao espírito de Deus.

Nedley é um especialista em medicina interna e estudou musicoterapia com Juanita McElwain, a mais importante desenvolvedora de programas de doutorado em musicoterapia nas universidades Americanas. Acompanhado pelo músico Erwin Nanasi, Nedley demonstrou evidências científicas e bíblicas para os resultados clínicos da musicoterapia em seu amplamente conhecido Programa de Recuperação de Depressão e Ansiedade.

“As melodias não precisam ser complexas”, disse Nedley. “Elas podem ser simples, belas e podem realmente produzir um efeito positivo poderoso sobre o cérebro.”

Nedley segurou um hinário e disse que nele estava a mais excepcional poesia cristã que pode ser encontrada em qualquer parte, e que música adaptada a belos poemas ajuda as pessoas a lembrá-los, o que eleva seu significado.

Ele também falou da música na natureza, comparando princípios da boa música ao canto dos pássaros. Nedley citou o livro
Evangelismo
, de Ellen White, que diz, “O bom canto é como a música dos pássaros — dominado e melodioso” [pág. 510], o que ajuda no equilíbrio da mente.

Citando pesquisas de musicólogos, tais como Leonard Bernstein, de Harvard, Nedley disse que o canto de cada pássaro tem sua assinatura própria na tonalidade menor. Ele esclareceu que a música na tonalidade menor pode trazer alegria, assim como hinos e obras de Bach. Disse que peças musicais menores geralmente oferecem maiores oportunidades de captar o drama, a paixão e o significado das palavras, se existe um texto associado a elas.

O hino na tonalidade menor “Fortalece Tua Igreja” (Hinário Adventista nr. 506) foi executado pelo músico Nanassi. Depois de tocar de maneira normal, Nanassi alterou o hino para a tonalidade maior e o público riu, uma ver que notaram que a alteração na tonalidade não combinava com as palavras. Nedley confirmou que ao mudar a tonalidade de menor para maior a música se tornou leve e frívola.

Ele também disse que harmonias que sejam belas e não saturadas com dissonâncias são importantes para resistir à depressão e pensar de maneira clara. Uma blue note (*) é chamada de blue note (nota melancólica) por uma boa razão.

“Esses princípios são universais, de uma cultura e linguagem para outra,” disse Nedley. “Existem músicas de diferentes culturas assim como existem diferentes alimentos de culturas diferentes. Existem alimentos que podem ser muito saudáveis em uma cultura, e existem alimentos culturais que também podem ser muito prejudiciais à saúde.”

Ele enfatizou que os princípios musicais são constantes; por exemplo, Hollywood nunca altera a trilha musical de um filme. Se o filme é exportado, a trilha permanece fixa, disse Nedley, porque Hollywood sabe que se o filme é exibido na África ou na Inglaterra, ele terá o mesmo efeito sobre os seres humanos, por causa da música.

Voltando-se para as pesquisas, Nedley disse que depois de voluntários terem ouvido a trinta minutos de música clássica, o hormônio do stress, cortisol, diminuiu significativamente, em 40%. Altos níveis do hormônio cortisol, afetam adversamente a memória e as emoções, e estão associados a depressão, ansiedade, osteoporose e depressão do sistema imune. Estudos mostram que os que ouvem música clássica melódica, em oposição à música rock e nova era, experimentam uma melhora mais significativa na hostilidade, fadiga, tristeza, relaxamento, vigor e tensão. Ao tocar o tipo certo de música, Nedley disse, as pessoas podem realmente produzir uma resposta adrenal positiva.

Mais estilos musicais foram demonstrados e foi notada a diferença entre o ritmo correto de marcha e o ritmo sincopado, em cânticos como “Ó Cristãos Avante” (Hinário Adventista, nr. 344).

Nedley mencionou estudos demonstrando que cirurgiões trabalham melhor quando música clássica está sendo tocada ao fundo. O Dr. Ben Carson executou a primeira separação de gêmeos unidos pela cabeça, enquanto ouvia música clássica por 72 horas, o que levou o Jornal da Associação Médica Americana a dizer, “Nossos dados nos levam a pensar que, sem a música, a cirurgia poderia ter sido um erro.”

O Presidente [da IASD] terminou o seminário notando que se forem organizar uma conferência sobre música, terão que ter uma conferência sobre paz e tranquilidade, porque não há muitas outras coisas que causem mais tensão do que o assunto da música.

“Em cada cultura estamos vendo uma influência na música que não é, necessariamente, inerente à sua cultura,” Wilson disse, “mas que está se tornando atualmente uma cultura mundial. … Algumas coisas estão acontecendo na música contemporânea, onde não é possível dizer a diferença entre o que se ouve na igreja e o que se ouve na porta ao lado, na casa noturna.”


(*) Nota do Tradutor:

Blue Note é uma nota musical que provém das escalas usadas nas canções de trabalho praticadas pelos povos afro-americanos. A característica musical resultante imprime um caráter lamentatório à música podendo considerar-se que tenha surgido como uma consequência da dureza do trabalho nos campos.

Do ponto de vista sistêmico, consiste em criar uma nota que não consta na escala diatônica tradicional, baixando alguns comas aos terceiro, quinto e sétimo graus da referida escala. Estas transformações tornam uma escala maior numa escala de blues. A escala de blues é usada na maioria dos blues de 8 e 12 compassos, mas também em várias canções populares convencionais com um sentimento "blue".

Esta herança escalar migrou mais tarde para o universo jazzístico.


Fonte: ADVindicate


Se você entende o idioma inglês, veja também essas gravações com o Dr. Neil Nedley:

Vídeo – Music and the Brain

Áudio – Heavenly Music: Starting Now


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