Ensinando Valores Cristãos através de Atividades de Coro Escolar

Coral e Regência — 29 de janeiro de 2015 13:56

Observação dos editores do Música Sacra e Adoração: Apesar de o presente documento tratar diretamente do canto coral no ambiente acadêmico, entendemos que a maior parte de seu conteúdo pode ser aplicado diretamente aos coros de igreja. Para tal, basta fazer as seguintes substituições de palavras durante a leitura: “escola”, por “igreja”; “professor” por “regente”; “aluno” por “corista”

É o nosso anseio que este documento possa ajudar a igreja a compreender melhor o papel e a importância de manter um coro organizado e atuante. E que tudo seja feito para a edificação da igreja e para a maior glória de Deus.


por: Turíbio José de Burgo

1 – Introdução

A música tem um lugar importante na educação, e contribui para um desenvolvimento equilibrado da personalidade como um todo.

O canto coral é uma forma muito eficaz e prática de alcançar objetivos educacionais e musicais e, devido ao significado espiritual que a música possui, pode ser usado para ensinar valores cristãos.

Este documento propõe que os valores espirituais deveriam completar os objetivos educacionais e musicais nos coros escolares, e que estes valores espirituais podem permear e integrar os valores intelectuais, emocionais, sociais e morais incorporados através de um programa coral (em aulas ou apresentação em grupo). Também sugere maneiras pelas quais esta integração pode ser obtida em um coro escolar cristão.

2 – A Importância da Música na Educação

A importância da música na educação geral é um fato amplamente reconhecido e recomendado tanto por educadores cristãos quanto seculares.

Começando com Platão, que recomendava a música na educação de todos os cidadãos, e continuando nas universidades da Idade Média, as quais incluíam música nos quadrivium de assuntos exigidos para o grau de mestre, até os educadores atuais como James B. Conant e organizações como a Comissão de Políticas Educacionais, a música tem sido considerada como parte essencial de uma boa educação (Hoffer 1967, p. 6)

Aristóteles escreveu: “Uma vez que a música tem tanto a ver com a modelagem do caráter, é necessário que a ensinemos aos nossos filhos” (Tufts 1965, p. 8). Dorothy Bromley acrescenta: “Estamos apenas começando a entender que o tipo correto de música e canto, ensinado às crianças quando são jovens, têm o poder de mudar o curso e o destino de suas vidas” (Tufts 1965, p. 7) Louis Diercks completa a ideia: “A música há muito tempo mantém um lugar único na cultura dos homens e das nações, em seus esforços para fortalecer e melhorar a si mesmos” (Neiding & Jennings 1969, p. 22).

O valor da estética no currículo também é afirmado pela National Association of Secondary-School Principals (Associação Nacional de Diretores de Escolas Secundárias):

“Nem uma nação de destaque, nem um indivíduo digno podem ser maduros intelectualmente e pobres esteticamente. Os programas escolares devem refletir uma imagem equilibrada de valores sociais e artísticos” (Ernest & Gary 1965, p. 2)

Ellen White também recomenda a música e o canto como uma poderosa influência na educação:

“Nunca se deve perder de vista o valor do canto como meio de educação. … Haja canto na escola, e os alunos serão levados para mais perto de Deus, dos professores e uns dos outros.” (White, 1947, p. 168)

3 – Canto Coral na Escola

O canto é uma das atividades musicais mais importantes na escola, recomendada por educadores e por músicos.

O canto coral é uma das melhores maneiras de fazer música com um investimento significativamente pequeno. O canto utiliza o instrumento mais pessoal – a própria voz, o próprio corpo – sem que seja necessário comprá-lo. Instrumentos musicais e aulas de música normalmente são caros. Quando os recursos são escassos, o canto torna-se uma alternativa mais viável. Praticamente qualquer pessoa pode ser treinada para desenvolver uma técnica de canto aceitável e, através do trabalho sério, um bom coro pode ser formado em um tempo razoavelmente curto.

Em um programa bem equilibrado, o coro torna-se um laboratório no qual a estrutura, propósito e significado da música podem ser demonstrados e praticados. Envolvimento e participação ativa pode assim auxiliar os estudantes a alcançar objetivos musicais e educacionais.

Participar em um coro escolar é uma das experiências mais significativas que um aluno pode ter na escola. Muito depois de haver deixado a escola, essas experiências dificilmente serão esquecidas. Lembranças de momentos agradáveis com outros cantores e regentes durante os ensaios, a ansiedade da apresentação, com momentos de grandiosidade, as viagens, podem durar para sempre como um senso de realização.

O canto coral pode ser considerado um passatempo saudável para o resto de sua vida, e pode tornar-se um ministério que beneficiará a própria pessoa e a igreja.

4 – Valores Cristãos nas Atividades do Coro

Valores cristãos podem ser promovidos através de uma seleção apropriada de repertório, metodologia e materiais. Como a educadora argentina Maria Elena Gonzales sugere: “Valores morais, estéticos e espirituais podem ser cultivados através de cânticos e apresentações na escola” (Gonzales 1963, p. 39). Além disso, cantar no coro fornece aquela resposta afetiva que pode reforçar aspectos cognitivos, auxiliando o estudante a incorporar e consolidar melhor esses valores.

As canções têm palavras, e seu significado soma-se à mensagem dos elementos musicais.

“Música nunca foi uma ‘ciência do som’, mas é, virtualmente, um estilo de vida. A música coral, especialmente, preocupa-se com ideias – de cada contexto filosófico e cada confissão teológica – por causa do laço inquebrantável entre o texto e a linha musical. Esta qualidade maravilhosa deve ser levada a cada aluno, conforme seu desenvolvimento individual é fortemente encorajado pelo diretor do coro, o qual deve crescer, ele próprio, constantemente em sua compreensão” (Neiding & Jennings 1969, p. 19).

4.1 – Valores Intelectuais

Deus criou o com homem aptidões intelectuais e potencial maravilhosos. Desenvolver essas habilidades em toda a sua extensão é o objetivo da educação. Reconhecermos nossa capacidade intelectual como um dom de Deus é a chave para integrarmos os valores intelectuais e espirituais.

O Criador do homem e Criador de toda a beleza pretendia que a arte e a música contribuíssem para o desenvolvimento holístico do homem. “Experiências estéticas são vitais para que o homem atinja sua plena estatura” (Hamel 1973, p. 13). Ellen White diz que a música é destinada a elevar, inspirar e erguer os pensamentos (White 1947, p.166).

Baseados nessas citações, podemos concluir que nenhuma educação é completa se negligencia a necessidade humana pela estética. Se nossa vida espiritual não inclui o aspecto estético, um elemento importante está faltando.

Em contraste com a nossa cultura contemporânea, e seu apelo ao gosto barato das massas, um educador cristão deveria guiar seus alunos à maturidade estética. Isto pode ser obtido conforme eles se esforçam em fazer música para a glória de Deus.

O trabalho de preparar uma peça de música para ser apresentada exige de cada cantor seus melhores esforços. Exige consciência dos elementos musicais (afinação, entonação, ritmo), dicção e fraseado, de forma a interpretar o significado da letra. A interpretação sonora é obtida através de uma combinação sutil e cuidadosa de elementos musicais e não-musicais, exigindo concentração, sensibilidade e autodisciplina. Este é um trabalho intelectual pesado, promovendo valores como organização, e uma busca pela excelência.

4.2 – Valores Emocionais

Ser capaz de controlar as próprias emoções e/ou expressá-las de maneira construtiva deveria ser a marca de um cristão maduro e educado. Música é a linguagem das emoções. Ela pode expressar sentimentos e ideias de maneiras que a palavra não consegue. Como Hoffer afirma:

“A música desempenha um papel significativo em auxiliar emocionalmente os alunos. Música tem valor não apenas porque é uma forma de expressar as emoções, mas também porque ela libera emoções” (Hoffer 1964, p.18).

Executar boa música no coro dá a oportunidade de experimentar e expressar muitas emoções diferentes, desenvolvendo a sensibilidade emocional.

Através da apreciação e da execução, somos expostos a uma ampla gama de emoções, e aprendemos a sensibilidade emocional. Conforme aprendemos como refinar e direcionar as emoções, encontramos e harmonia e calma interior que é parte do equilíbrio pessoal (SDA/SPU 1990, p.6).

Emoções são um componente importante do comportamento, e valores podem ser fortalecidos, caso estejam, de alguma forma, relacionados com emoções positivas.

A arte possui uma área de experiência na qual a emoção pode ser objetificada ou externalizada e, dentro da qual, o sentimento pode unir-se à cognição. (SDA/NAD 1973, p. 32-33).

É desnecessário dizer que sempre devemos equilibrar as emoções e o conteúdo intelectual.

4.3 – Valores Sociais e Cívicos

O homem foi criado como um ser social. O compartilhamento de ideias, sentimentos e experiências com seus pares responde a esta necessidade elementar por companheirismo. Cantar em um coro é uma atividade coletiva, a qual vai de encontro a esta mesma necessidade e fornece canais de expressão e comunicação.

Por natureza, o homem é gregário. O desejo de compartilhar pensamentos, experiências e emoções é mais facilmente preenchido através das expressões musicais do que através de qualquer outro meio (Neiding and Jenning 1969, p. 24).

A participação no coro pode fornecer um senso de pertencimento e de ser aceito pelo grupo. Além disso, a oportunidade de contribuir com tempo e esforço para a realização de objetivos comuns, compartilhar com outros a excitação de produzir uma obra de arte, dá aos alunos uma resposta positiva às suas necessidades sociais.

O canto coral ajuda a desenvolver hábitos e disciplina de ordem coletiva e social. Neste microcosmo, ao aceitar as decisões do grupo, respeitar a individualidade das pessoas, reconhecer os grupos minoritários, o aluno pode aprender valores sociais e democráticos.

Ser parte de uma equipe neutraliza o “complexo de astro”, preconceitos sociais e raciais, vaidade, e qualquer sentimento pessoal de superioridade. É dado aos cantores a responsabilidade de trabalhar com o grupo em favor de resultados coletivos, tendo a consciência de que qualquer falha pessoal pode colocar em risco o esforço do grupo. É exigida autodisciplina, uma vez que é necessário concentrar toda a atenção na tarefa.

Vários estudos têm demonstrado uma correlação positiva entre a participação em atividades musicais e a liderança e a aceitabilidade do aluno (Hoffer 1964, p. 17).

O professor pode potencializar o poder da influência dos colegas como uma maneira de auxiliar no desenvolvimento de atitudes positivas com relação à música, o envolvimento na música, bem como no estabelecimento daquilo que é “aceitável” ou, melhor ainda, “música esteticamente bela”.

Música e canto ajudam a desenvolver a autoconfiança e auto-afirmação. Jovens com frequência têm um conceito pobre de si mesmos, e estar ativamente envolvido em um grupo melhorará sua auto-estima. Dobson chama este mecanismo de “compensação”.

“Significa que o indivíduo contrabalança seus pontos fracos quando capitaliza em seus pontos fortes… Talvez ele consiga estabelecer seu nicho na música – muitas crianças fazem isso” (Dobson 1981, 87).

O compositor e educador brasileiro Villa Lobos usava o canto tanto para ensinar música quanto para promover valores. Entre os objetivos de seu sistema, chamado de “Canto Orfeônico”, ele enfatizava disciplina, cidadania, habilidades sociais e as artes. (Arruda 1951, p. 187).

O civismo é um dos principais objetivos do Canto Orfeônico. O estudo e a execução canções folclóricas e cívicas desperta sentimentos patrióticos, amor pela nação e respeito com relação aos artistas e heróis nacionais (Ibid. p. 188).

“Música e canto”, de acordo com W. Wilson, “faz cidadãos melhores; eles afastam a inveja e o ódio, unificam e inspiram. Música é o laço comum entre raças e nações” (Tufts 1965, p. 8). Louis Dierks comenta como a música ajuda a criar um espírito de boa vontade e fraternidade:

“Compreender a música, a arte de um povo, é compreender sua cultura, e os problemas e lutas que a produziram. Com a compreensão vem a tolerância e a apreciação, disposição para viver e ajudar a viver. Música é um meio através do qual esta unidade de espírito e esforços pode ser mais prontamente instigada e cultivada do que por qualquer outro implemento” (Neiding & Jennings 1969, p. 23).

4.4 – Valores Morais

A música não pode ser considerada moralmente neutra. Na batalha entre o bem e o mal, a música e o canto estão sendo utilizados por ambos os lados. Satanás sabe muito bem como usar a música para rebaixar os valores morais e podemos ver seus objetivos sendo cumpridos na maior parte da música popular da atualidade.

Nunca conheceremos, neste mundo presente, a completa influência que o tipo errado de música possui sobre a igreja e a sociedade. As lições do viver impiamente que são ensinadas através da música estão contribuindo para uma deterioração alarmante da vida Americana (Hamel 1973, p. 19).

Música pode ser um fator poderoso no condicionamento das emoções de uma pessoa, influenciando assim seu comportamento (Ibid. p.33).

Por outro lado, o canto “é um dos meios mais eficazes para impressionar o coração com as verdades espirituais” (White 1947, p. 167). “Com um cântico, Jesus, em Sua vida terrestre, defrontou a tentação.” (Ibid. p. 165). Felizmente, ainda existem muitas canções que “erguem os pensamentos a coisas altas e nobres” (Ibid. p. 166), protegendo a alma no momento de tentação.

4.5 – Valores Espirituais

A música é, essencialmente, uma arte cristã, diz Gaebelein (p. 70), com profundos significados espirituais, e o canto pode tornar-se uma experiência espiritual. Ellen White diz que:

“Fazia-se com que a música servisse a um santo propósito, a fim de erguer os pensamentos àquilo que é puro, nobre e edificante, e despertar na alma devoção e gratidão para com Deus.” (White 1930, 293). “É um dos meios mais eficazes para impressionar o coração com as verdades espirituais” (White 1947,p. 167).

Os grandes hinos da tradição cristã contêm todo um repertório de crença e experiência, compartilhado pelos crentes de diferentes culturas. Cantá-los pode dar aos alunos um vislumbre do significado histórico de nossa fé.

Cada cantor deve ser levado a reconhecer sua voz como sendo um dom de Deus, e a responsabilidade do exercício da mordomia em usar seu talento para a glória de Deus e benefício da humanidade. Ellen White recomenda:

“Em cada escola a instrução no canto é grandemente necessária. … Os alunos que têm aprendido a cantar os suaves hinos do evangelho com melodia e clareza podem atuar muito bem como cantores evangelistas. Eles encontrarão muitas oportunidades de empregar o talento que Deus lhes deu, levando melodia e luz a muitos lugares solitários e entenebrecidos pelo pecado, dor e aflição, cantando para aqueles que raramente têm os privilégios da igreja” (White, Review and Herald, 27 de Agosto de 1903).

5 – Os Elementos de Integração

A integração de elementos cristãos com um programa coral depende de alguns recursos chave: professor, aluno e repertório. Estes são os elementos essenciais do processo, uma vez que este não ocorreria sem o apoio dedicado do professor ou sem a cooperação do aluno.

5.1 – O Professor

O professor é a primeira e mais importante parte do processo. Ele deve compreender o poder da música, estando ciente dos seus objetivos e conscientemente comprometido com sua tarefa. Nenhuma integração de valores ocorrerá se o professor não for capaz ou não estiver disposto a levar sua tarefa a cabo.

O professor cristão é o intérprete, aquele que cria significados. Se ele não aceitou de maneira consciente este papel, pode até estar funcionando no processo educacional, mas certamente não no processo de educação cristã. (George H. Akers, The Measure of a School. The Lournal of Christian Education, vol. 40, N0 2, Dec. 77/Jan. 78, p. 9, 43.)

Ele será um modelo para seus alunos: “É importante que o professor seja uma testemunha viva de sua filosofia de vida, porque suas atitudes influenciarão mais do que aquilo que ele diz” (Matias 1986, p. 19). “Tudo que deseja que seus discípulos se tornem, ele mesmo se esforçará por ser.” (White 1947, 281).

O ensino através do exemplo é, potencialmente, a maneira mais poderosa de inculcar valores. Porém, o processo é sutil, e os professores devem ter consciência tanto dos efeitos negativos quanto dos positivos do modelo que são (SDA/SPA 1991, p. 8).

Analisando as diferentes metodologias de ensino de valores, Holes afirma:

“Especialmente nas áreas da performance e no desenvolvimento disciplinado de habilidades … a atitude do professor ou do aluno é o [ponto de contato] inicial e, talvez, o mais importante, com a fé cristã … Meu [do professor] cristianismo será evidenciado muito mais na minha atitude e na minha integridade intelectual do que no real conteúdo do curso” (Holmes 1975, p.47).

5.2 – O Aluno

Um aluno é o agente de qualquer programa coral. Se o coro é uma atividade opcional, não acadêmica, a participação deve ser aberta a alunos que preencham três requisitos básicos, igualmente importantes:

  • Disposição para participar e cooperar
  • Musicalidade
  • Qualidade vocal

5.3 – O Repertório

Escolher um repertório apropriado exige sabedoria e sensibilidade. Além das considerações/implicações técnicas e musicais, ele deve ser analisado do ponto de vista de “valores”. Também deve refletir critérios saudáveis … tendo como ponto de referência os alunos.

Existem responsabilidades duplas para o educador musical cristão. Como cristão, ele é compelido a escolher músicas que expressem alto valor moral. Como educador, ele é obrigado a aumentar a compreensão e o deleite de músicas mais complexas e significativas. Como educador cristão, deve começar do ponto onde o aluno está e encorajar o seu crescimento (Taylor 1991, p. 297).

Embora não seja o propósito deste documento apresentar critérios para a seleção de músicas, algumas sugestões podem ser dadas para auxiliar o professor. São as seguintes:

a) Utilize uma variedade de estilos para enriquecer a experiência do aluno.

Há espaço para canções clássicas, populares, folclóricas, sacras ou seculares. Ser capaz de compreender e apreciar diferentes estilos torna uma pessoa mais [madura musicalmente].

Cada organização musical deve receber uma dieta equilibrada da melhor literatura musical. De forma a fornecer aos alunos as experiências musicais mais elaboradas na música, o professor não deve permitir que sua visão de repertório se torne estreita. Quando um professor seleciona apenas obras de certo tipo, seus alunos estão recebendo uma educação musical incompleta (Hoffer 1964, p. 399).

b) Esforce-se pela qualidade musical.

Aqui está o conselho de Hannum:

“Em nossas escolas devemos encorajar a busca da excelência em música, bem como em outras fases da educação. Honramos nosso Criador quando aprendemos a compor, executar e apreciar o que há de mais elevado e melhor na música” (Hannum 1969, p.45).

c) Tenha cuidado com a qualidade e o significado das letras. Qual é a mensagem das palavras?

“O cristão não entoará canções incompatíveis com os ideais da verdade, da honestidade e da pureza. … Procurará evitar composições que contenham frases banais, poesia pobre, absurdos, sentimentalismos ou frivolidades, que desencaminham a pessoa dos conselhos e ensino das Escrituras e do Espírito de Profecia.” (SDA/GC ED 1975).

d) Considere a coerência entre a música e o texto.

Os fatos da comunicação não devem ser distorcidos pelo modo da comunicação … Devemos falar em uma linguagem que seja compreendida pelas pessoas, mas também devemos ser fiéis ao conteúdo da mensagem (Johansson p. 34, 35).

e) Compreenda o contexto cultural da música (período, compositor e tradições), bem como o ambiente cultural dos alunos.

f) Mantenha o equilíbrio.

O repertório deve “manter ponderado equilíbrio dos elementos emocional, intelectual e espiritual.” (SDA/GC ED 1975)

Seria apropriado sugerirmos que o foco central do repertório de qualquer coro escolar cristão deveria ser a pessoa de Jesus, Seu amor e, de acordo com o conselho de Ellen White, especialmente as cenas plenas de emoção de Seus últimos dias. Para um estudo mais completo a respeito da escolha de repertório, veja Taylor (1991) e Hoffer (1964, p. 377-384)

6 – Como Ensinar Valores na Situação do Ambiente do Coro

Existem muitas técnicas e oportunidades diferentes para ensinar valores durante as atividades do coro. De fato, aprender valores é um processo contínuo de síntese, o qual resulta na incorporação dos atributos desejados.

Há muitas maneiras de aprender valores. Uma maneira importante é pela identificação com outros e a imitação de seu comportamento. Quando pensamos em pessoas que são realizadas, bem-sucedidas, desejáveis, etc., nos vemos nos identificando com elas e copiando o que elas fazem. Também podemos aprender valores simplesmente sendo expostos a certas experiências na vida. Outra maneira de aprender é agirmos com a força daquilo que vemos e pensamos. Ainda outra é o ganho de recompensa ou senso de realização. Mais uma maneira de nos apropriarmos de valores é aceitarmos a autoridade da fonte daquele valor. Se nossos modelos ou outras fontes de valores possuem suficiente autoridade, podemos simplesmente depor nossa fé neles (SDA/SPD 1991, p. 3).

Cada situação possui seu potencial e o professor deverá ser criativo, buscando cada oportunidade e planejando novos procedimentos. Estas são algumas sugestões significativas que se aplicam à prática coral, as quais se encontram no documento Teaching Values by using Curriculum Frameworks (Ensinando Valores Usando as Estruturas Curriculares) da Divisão Sul do Pacífico da IASD (SPD):

a) Identificação:

Quando estamos aprendendo uma nova canção, não é suficiente aprender as notas e a correta interpretação. As canções possuem significado e carregam valores, os quais devem ser esclarecidos conforme o texto, os elementos musicais, o drama, o conteúdo emocional, o contexto histórico, etc., são analisados (pelo professor).

Como Philip Phenix sugere em Realms of Meaning (Âmbitos de Significado), toda informação possui algum significado humano por trás dela (a poderíamos acrescentar a palavra divino), e é a tarefa do professor auxiliar o aluno a descobrir este significado. Podemos chamar isso de dimensão moral. Esta função única e distintiva de um professor cristão destaca-o de seus colegas de profissão seculares. O professor cristão é o intérprete, aquele que cria significado.

b) Juízo de valores

O professor e os alunos podem comentar e detectar valores positivos e negativos, estabelecendo critérios duradouros para a seleção de música.

c) Imitação

Ao observar seu professor, os alunos o imitarão. Eles aprenderão valores tais como organização, responsabilidade, confiança, pontualidade, altruísmo, integridade e comprometimento com a excelência e com o ministério da música.

d) Expressão

Expressar pensamentos/crenças através de palavras e/ou cânticos reforça sua influência. O aluno deve ser encorajado a descrever as emoções despertadas pela música e seus sentimentos acerca do assunto/valores que ela contém.

e) Experiência

Cantar em um coro pode abrir oportunidades de participar ativamente em experiências significativas de adoração e testemunho.

Adoração: Cantar nos cultos na igreja dá aos alunos uma oportunidade especial de participar ativamente no programa de adoração, expressando seus sentimentos pessoais de gratidão e louvor (a Deus). Deve ser explicado aos alunos o significado da adoração e suas diversas partes, incluindo o papel do coro, liderando a congregação em adoração, não apenas através de hinos especiais, mas também no cântico congregacional.

Testemunho: Um bom coro pode ter várias oportunidades de envolver-se em trabalho missionário, alcançando lugares e pessoas que não seriam alcançadas por quaisquer outros meios.

Visitar e cantar em escolas, enfermarias, hospitais, casas de repouso e prisões sempre é bem-vindo e mesmo condomínios de residências particulares podem ser visitados para eventos especiais como Dia das Mães, Páscoa e Natal.

Para tornar essas visitas efetivas, o planejamento deve levar em conta aspectos tais como audiência, espaço físico, tempo e repertório. Grande cuidado deve ser tomado para assegurar uma atitude apropriada dos alunos antes, durante e depois do programa. O contato pessoal com o público deve ser encorajado, uma vez que o compartilhamento da interação pessoal será benéfico tanto aos cantores quanto ao público presente.

Depois que o evento terminar, de volta ao local de ensaios do coro, os alunos podem compartilhar suas experiências e orar por aqueles que eles visitaram, e ocasionalmente enviar um cartão de acompanhamento.

7 – Conclusões

Escolas e Colégios adventistas ao redor do mundo podem ter coros e grupos de canto. Eles fornecem infindáveis oportunidades para auxiliar no desenvolvimento dos valores cristãos. Participar nesses coros fornece impressões duradouras por toda a vida e preenche o coração e a mente dos cantores com valores cristãos.


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Fonte: The Institute for Christian Teaching

Traduzido por Levi de Paula Tavares em Janeiro de 2015


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