Bendito Playback, Maldito Playback

O Ministério da Música na Igreja Local — 8 de março de 2013 10:51

por: Daniel Lüdtke

Quem nunca teve que cantar uma música de última hora e, depois de procurar as várias opções no porta-cds (ou arquivos de mp3), encontrou a canção certa para o momento? Bendito playback.

Quem nunca teve vontade de cantar a canção tal do cantor fulano, e como não tinha instrumentistas à mão, recorreu ao playback – só apertou um botão e pronto? Bendito playback.

Quem nunca foi à uma igreja humilde, que antes “puxava” os hinos acapella (sim, “puxava” pra baixo!) e depois viu o progresso da música congregacional com cd do hinário, levando os irmãos a cantar com um pouco mais de alegria? Bendito playback.

Acontece que o playback dominou nossa música. Antigamente, as igrejas adventistas tinham pelo menos um piano. Bem, agora eles estão num canto, desafinados, e os pianistas sentados nos bancos, sendo corroídos por ferrugem.

Onde estão nossos instrumentistas? Onde estão os instrumentos? Imagino um bando de teclados, violões, violinos, flautas, trompetes, clarinetes, baixos e guitarras, tristes e lamuriosos num canto dizendo: “Ninguém precisa de nós. Eles têm o playback”.

A praticidade do playback roubou a beleza e espontaneidade da música instrumental ao vivo em nossas igrejas. “Pra que ensaiar uma banda/orquestra se posso apenas apertar um botão?”, pensa a maioria. E é essa mecanicidade que tem tomado conta de nossos momentos de louvor congregacional e das apresentações musicais especiais. Maldito playback.

Pior ainda é quando o playback não apenas tira a participação dos instrumentistas, mas também dos cantores e, por conseguinte, de toda a igreja. Cantar músicas congregacionais com “gente cantando no fundo” já virou costume – mas essa deveria ser uma ferramenta para a minoria que não dispõe de outros recursos, não um padrão para todas as igrejas.

Entenda-me: não estou dizendo que não podemos usar o playback. Mas estou tentando colocá-lo em seu devido lugar. Há uma recomendação: “Nas reuniões realizadas, escolham-se alguns para tomar parte no serviço de canto. E seja este acompanhado de instrumentos de música habilmente tocados” (Ellen White, Evangelismo, pág. 507).

Abaixo estão algumas das razões que julgo fundamentais para o uso da música instrumental ao vivo em nossos cultos:

Adequação ao Momento – Dependendo do clima do culto, do momento, a mesma música pode ser cantada com energia ou leveza. Essa flexibilidade só é permitida com os instrumentos ao vivo, não com playback. [Dentro dessa flexibilidade incluo a possibilidade de se repetir mais uma vez o coro, dependendo do clima criado pela música, por exemplo]

Envolvimento dos Participantes – Numa pesquisa realizada recentemente com os jovens adventistas da América do Sul, constatou-se que o segundo fator que mais mantém os jovens na igreja é a música. Sim, a música. Quando há música instrumental nas igrejas, os jovens envolvem-se nos treinos particulares, nos ensaios em grupo, nas apresentações. Enquanto se mantém ocupados, eles também vão tendo suas mentes “impregnadas” com as mensagens das músicas que tocam. Essa era uma das técnicas de Moisés com os filhos de Israel. Veja o que Ellen White escreveu:

“Moisés orientou os israelitas a porem as palavras da lei em música. Enquanto os filhos mais velhos tocavam instrumentos, os mais novos marchavam cantando em concerto o canto dos mandamentos de Deus. Em anos posteriores eles conservavam na memória as palavras da lei que haviam aprendido…” (Evangelismo, pág. 499-500)

Culto Mais Interessante – Não há dúvidas de que um culto com música ao vivo é mais atraente. Os membros se sentem mais motivados a chegar cedo no culto [ou mesmo ir ao culto] quando a música é de qualidade, tem preparo, e eleva. Ellen White escreveu:

“O emprego de instrumentos de música não é de modo algum objetável. Os mesmos eram usados nos cultos nos tempos antigos. Os adoradores louvavam a Deus com harpa e com címbalos, e a música deve ter seu lugar em nossos cultos. Isto acrescentará o interesse nos mesmos.” (Evangelismo, pág. 150)

Alegria– Uma das maneiras mais perfeitas para expressão da alegria da salvação é a música. E a música instrumental ao vivo, não enlatada, não pré-determinada, permite a condução do louvor com alegria, espírito real de adoração. Ellen White expressou esse entusiasmo:

“Alegro-me de ouvir os instrumentos de música que tendes aqui. Deus quer que os tenhamos. Quer que O louvemos, de alma e coração e com a nossa voz, engrandecendo Seu nome perante o mundo.” (Evangelismo, pág. 503 e 504)

Glória ao Nome de Deus. A música organizada glorifica o nome de Deus

“A música pode ser um grande poder para o bem; contudo não tiramos o máximo proveito desta parte do culto. O cântico é geralmente originado do impulso ou para atender casos especiais, e em outras vezes os que cantam o fazem mal, e a música perde o devido efeito sobre a mente dos presentes. A música deve possuir beleza, pod e faculdade de comover. Ergam-se as vozes em cânticos de louvor e adoração. Que haja auxílio, se possível, de instrumentos musicais, e a gloriosa harmonia suba a Deus em oferta aceitável. (Evangelismo, pág. 505)

Por ocasião da dedicação do templo de Salomão, a glória do Senhor encheu o templo. Com certeza a música instrumental daquele momento honrou o Senhor:

“O sagrado coro uniu suas vozes com toda espécie de instrumentos musicais, em louvor a Deus. Enquanto as vozes, em harmonia com os instrumentos musicais, ressoavam através do templo e eram levadas pelos ares através de Jerusalém, a nuvem da glória de Deus tomava posse da casa, como outrora havia enchido o tabernáculo. ‘A casa se encheu duma nuvem, a saber, a casa do Senhor. E não podiam os sacerdotes ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus’” II Crôn. 5:13 e 14 (Ellen White, História da Redenção, pág. 194).


Fonte: http://danielludtke.com/

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