Como a Música Pode Influenciar Decisões Sobre Grupos Étnicos

Sobre Corpo e a Mente Humanas — 4 de julho de 2012 00:51

por: Heather LaMarre

Apenas alguns minutos ouvindo a principal corrente do rock foi suficiente para influenciar estudantes brancos a favorecer seus pares em relação a outros grupos étnicos, mostra um novo estudo.

No entanto, estudantes brancos que escutaram mais música etnicamente diversa mostraram apoio similar a vários grupos, compostos por brancos, afro-americanos, árabe-americanos e latino-americanos.

Mesmo que o rock ouvido pelos voluntários não tivesse letras relacionadas a raça ou etnicidade, a música pode ter inconscientemente levado a mente a ter sentimentos positivos entre brancos sobre outros semelhantes, diz Heather LaMarre, da Ohio State University.

Um outro grupo de estudantes ouviu rock white-power, um gênero associado a grupos de supremacia branca. Esses estudantes deram mais apoio ao grupo banco do que aqueles que ouviram rock ou pop music, e deram menos apoio aos grupos compostos por afro-americanos e árabe-americanos.

“A música tem muito poder de influenciar nossos pensamentos e ações, mais do que podemos reconhecer”, dizem os autores. “Ela tem o poder de reforçar nosso viés positivo em direção ao nosso próprio grupo, e às vezes um viés negativo em relação aos outros.”

O estudo envolveu 148 estudantes que foram avisados de que estariam participando de um estudo sobre financiamento a grupos de alunos usando fundos do ensino.

Quando cada participante chegou para o estudo, foi solicitado a esperar pelo início da sessão. Eles foram instalados em uma sala de espera com música suave ao fundo. Não foi permitido ter acesso a outras mídias, incluindo tocadores de música, computadores, fones ou material de leitura.

Os participantes sentaram durante sete minutos enquanto a música foi tocada. Eles escutaram um entre três gêneros: rock, incluindo artistas como Bruce Springsteen and The White Stripes, top 40 pop, incluindo Justin Timberlake, Fergie e Gwen Stefani, ou radical white power rock (com bandas como Prussian Blue e Bound for Glory).

Depois, os participantes foram chamados e solicitados a dar uma opinião sobre como o dinheiro do fundo deveria ser distribuído entre quatro grupos de alunos. Os grupos tinham descrições idênticas sobre o que faziam, mas listavam diferentes filiações étnicas: centros para estudos afro-americanos, estudos latino-americanos, estudos árabe-americanos e estudos rurais e de agricultura (estudos anteriores mostraram que estudos rurais e de agricultura eram altamente associados com brancos entre estudantes universitários).

Os resultados mostraram que aqueles que ouviram as top 40 dividiram os fundos de maneira quase igualitária. Aqueles que ouviram rock deram cerca de 35% para os americanos brancos – e uma quantia similar para cada um dos outros três grupos.

Aqueles que ouviram radical white power rock deram a maior parte para o grupo de americanos brancos. Eles deram 25% para os latinos, 16% para africanos e 15% para os árabes-americanos.

“Isso mostra que não apenas as letras importam. Rock and roll – sem letras incendiárias ou de ódio – foi suficiente para aumentar a porcentagem de dinheiro alocada para os americanos brancos”.

“Observamos que os ouvintes de white power radical rock foram quase punitivos com afro-americanos e árabe-americanos. Aqueles que ouviram rock deram mais dinheiro ao grupo dos brancos, mas dividiram o resto igualmente entre os outros três – em outras palavras, não houve punição contra os demais.

Os autores dizem que isso não quer dizer que os estudantes que ouviram white power rock ou rock são racistas. Muitos estudos mostram que quase todo mundo tem vieses inconscientes – raciais ou outros. Ouvir certos tipos de música pode ativar esses vieses sem que as pessoas percebam, observam os autores.

Enquanto o estudo apenas envolveu alunos brancos e três gêneros musicais, os autores dizem que outras raças e etnicidades têm seus próprios vieses que podem ser ativados ouvindo música, seja rap, country ou outro tipo.

“Todo mundo mostra alguma forma de favoritismo, e a música é apenas um meio de reforçar isso”.


Fonte: Estadão.com.br

Para maiores detalhes, veja o artigo original (em Inglês)


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