A Adoração – Parte 9

A Adoração, Livros Online — 9 de julho de 2013 7:20 pm

por: Natán Hege

Adoremos-Lhe em Público

“Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor que nos criou.” (Salmo 95:6)

Agrada a Deus quando Seu povo se congrega para adorá-Lo. Os verdadeiros adoradores se alegram quando têm oportunidades de juntos adorarem o seu Criador.

Uma mudança notável na adoração pública

Embora seja verdade que as pessoas estão se congregando mais do que nunca, muitas igrejas têm mudado o foco de sua adoração pública. Não se interessam mais em saber que Deus quer que seus espíritos se dobrem diante dEle. Essas igrejas acham que Deus quer lhes dar uma experiência fantástica na adoração. Uma experiência que gratifique os sentidos e as emoções.

É verdade que a adoração pública une os adoradores. Mas essa união se consegue quando os adoradores se inclinam juntos, em santo temor, debaixo da sombra do Onipotente e têm comunhão com Ele.

Toda adoração, para ser verdadeira adoração, tem que manter um foco vertical que realmente leve os adoradores a se ajoelharem juntos diante de Deus.

Preparemo-nos para a adoração pública

Sabemos que o (a) pregador (a) deve preparar-se para pregar a mensagem, e que a pessoa responsável por conduzir os hinos congregacionais deve também preparar-se para tal responsabilidade.

Temos, porém, que considerar a importância dos preparativos de cada adorador participante nos cultos; e isto diz respeito ao preparo do coração e do espírito. Preparamos nossos corações através da oração, a fim de que estejamos sob a ação do Espírito Santo em nossas mentes e não sermos vítimas de distrações ou confusões geradas por Satanás para impedir o nosso relacionamento com Deus.

Conforme as pessoas aprendem mais sobre a vontade de Deus revelada na Bíblia, mais as pessoas se dispõem a lutar para entregarem suas vontades a Ele.

Muitas vezes dependemos dos hinos de abertura ou da leitura bíblica inicial para nos prepararmos para a adoração. Poucas vezes isso é eficaz. O verdadeiro adorador, aquele que se preparou para estar na igreja em adoração, chega ao culto com reverência e santo temor. Ao chegar à igreja nesta condição, a música e a leitura bíblica servem para uni-lo ainda mais às outras pessoas ali congregadas em adoração a Deus.

Nossa adoração particular nos prepara para a adoração pública, porque a adoração pública é a reunião de adoradores que vivem vidas de devoção diária.

Adoremos-Lhe cantando

Cantar é um dom extraordinário de Deus, pois comunica em outras maneiras o que não se pode comunicar com palavras. A música acrescenta outra dimensão à linguagem falada. Através da música podemos expressar mensagens de maneira mais ampla. A música afeta nossa mente e nossa condição emocional de forma mais completa.

O apóstolo Paulo nos instrui a adorar “falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais” (Efésios 5:19). O canto merece um lugar de honra na adoração pública e deve ser utilizado para louvar a Deus e para edificar uns aos outros.

Nosso canto, porém, deve estar em harmonia com nossa posição prostrada na adoração. No canto estamos ofertando, e não entretendo. O canto que oferecemos agrada a Deus somente se nossos corações estiverem inclinados em humildade diante dEle.  A harmonia mais bela não Lhe agrada tanto quanto o espírito mais humilhado.

Mais importante do que a beleza no cantar e a beleza dos cânticos, é o quanto a igreja adora em seus cânticos. Ao cantar cada hino, devemos cantar com humildade, unindo nossas vozes com as vozes de nossos irmãos e irmãs, pensando na mensagem, buscando um significado novo e uma nova bênção.

Será que é bom escolhermos alguns (ou uma só pessoa) para cantar enquanto os demais escutam? Embora não seja errado escutar os outros cantarem, tal sistema de adoração pública ameaça exatamente a base da adoração. Quando os melhores cantores cantam, os que escutam tendem a se inclinar diante deles, porque eles têm vozes mais belas, em vez de se inclinarem diante de Deus. A adoração é algo que fazemos, não é algo que observamos. Não adoramos simplesmente ouvindo outros cantarem, assim como não nos limpamos observando outros se lavando.

Nosso canto deve estar em harmonia com nossa posição prostrada na adoração. Os hinos legítimos de adoração exaltam a Deus com uma música que está conforme Sua majestade, em vez de uma música superficial que logo agita as emoções humanas. Os hinos legítimos de adoração exaltam a Deus à posição enaltecida que Ele merece no coração dos adoradores. Os hinos que falam da experiência cristã são de adoração enquanto dão uma imagem de nós como recipientes indignos que somos da multiforme graça de Deus.

Muitos hinos, lamentavelmente, levam o título de cristãos, mas não são apropriados para um adorar cantá-los e nem ouvi-los. Muitos deles representam a Deus como um amante sensual ou um amiguinho; em outras palavras, arrastam Deus de Seu trono universal e O rebaixam ao nível humano. Outros hinos elevam o homem e não retratam a imagem do homem prostrado diante de Deus. Tais hinos não expressam nem inspiram adoração.

Somente quando cantamos com espíritos prostrados, desejando ver a glória de Deus e buscando a Sua verdade, é que os hinos podem nos levar a adorá-Lo.

Se você tem a responsabilidade de dirigir hinos

Quando lhe pedem que dirija os hinos, você está sendo chamado para fazer algo mais do que simplesmente escolher hinos. Você é chamado para dirigir o público na adoração.

Para dirigir a adoração você tem que adorar. Tome tempo com o Senhor e prepare-se para dirigir. Peça a Deus que lhe ajude a concentrar-se nele e em honrá-lo enquanto dirige. Estude a mensagem dos hinos que escolher para que o seu coração e a sua mente estejam em harmonia com a mensagem.

A sua maneira de dirigir deve ser uma expressão do hino em vez de uma expressão da sua pessoa ou da técnica que você achou no manual de música. Os seus gestos devem dirigir e interpretar o hino sem distrair ou incomodar a congregação. Ao dar o compasso da música, alguns diretores de hino exageram o movimento das mãos e chamam a atenção para si mesmos mais do que para o hino. Sem mostrar nada mais do que um rosto sorridente e alegre e uma voz entusiasta, você pode dirigir bem.

A congregação reflete o seu líder. Se ao dirigir você ficar pensando mais em si mesmo e no seu desempenho, a congregação vai focalizar mais em você. Se você se mostrar inseguro e envergonhado, sem dúvida a congregação vai sentir-se assim também. Se você se alegra no hino que dirige, ela irá acompanhá-lo.

Adoremos-Lhe escutando

 “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia”. (Hebreus 10:25)

Este texto demonstra que ouvirmos admoestações da parte de Deus, proferidas por pessoas inspiradas, é realmente parte da adoração. Chamamos a este elemento da adoração como “sermão” ou “pregação”.

O(a) pregador(a) fala de Deus e de sua vontade para seu povo. Chama os incrédulos ao arrependimento e os convertidos a uma entrega mais profunda e constante. Esquadrinha os mistérios da graça e da redenção e chama os corações à reverência e ao louvor. Escutar tais mensagens torna-se adoração quando o ouvinte voluntariamente inclina o seu espírito à verdade que ouve.

Para que o ouvir seja adoração, a congregação tem que compreender a verdade ensinada. Quando a congregação não entende o que se prega nem como isto se aplica a ela mesma, aquilo que ela ouve não a ajuda a adorar.

O problema mais comum hoje, no entanto, é que a mensagem focaliza-se nos gostos e desejos da congregação em vez de nas verdades inalteráveis de Deus registradas na Bíblia. Há muito entretenimento incluído nas mensagens ou mensagens incluídas no entretenimento, para que aqueles que não têm qualquer interesse nas coisas espirituais a escutem. Depois, a igreja às vezes oferece uma comida ou algum jogo para que os que não têm nenhum interesse espiritual queiram participar. Tal mensagem não é conforme a verdade e o caráter de Deus. Uma mensagem assim baixa a Deus até o nível do homem para que os homens possam brincar com ele. Isto inclina Deus para o homem e não o homem para Deus. Isso não é adoração.

Se o(a) pregador(a) quer chamar a congregação para a adoração, tem que primeiro ser adorador(a). Deve ter uma visão da grandeza de Deus de tal maneira que lhe encha de um respeito santo. Assim temerá representar mal a Deus, abusando do humor, buscando chamar atenção para si mesmo ou tentando conquistar a aprovação dos homens. O(a) responsável pela mensagem tem que fazer ressoar o chamado de Deus às pessoas para que elas dobrem suas vontades diante de Deus e O adorem em espírito e em verdade.

Adoremos-Lhe orando

Quando oramos, nos achegamos ao trono de Deus numa maneira muito direta. Não nos dirigimos a Ele para exigir, mas sim para pedir e louvar.

Uma necessidade coletiva e uma convicção coletiva de que Deus pode suprir tal necessidade dá à luz a oração coletiva. Quando oramos juntos nos colocamos juntos debaixo da carga do irmão para ajudá-lo a apresentar a sua carga perante Deus. Isso nos une no coração, nos une em adoração e nos leva juntos diante do trono de Deus para rogarmos por sua misericórdia.

Uma missão importante da igreja é levar pessoas a Jesus Cristo. A igreja dá um passo importante para o cumprimento dessa missão, quando os membros rogam juntos.

Deus ouve toda vez que sua igreja unida se inclina diante dEle para buscar a Sua direção. Ele guiará aqueles que quiserem ser guiados por Ele. Mas para acharmos a Sua direção temos que dobrar a nossa vontade e prostrar o nosso espírito.

As orações da igreja devem ressoar com ação de graças e louvor.

“Não andeis ansiosos por coisa alguma; pelo contrário, sejam os vossos pedidos plenamente conhecidos diante de Deus por meio de oração e súplica com ações de graças” (Filipenses 4:6).

Tudo o que somos e temos vem de Deus; por isso nos inclinamos perante Ele reconhecendo nossas necessidades. Isso é adoração.

Adoremos-Lhe ofertando

Desde o princípio da adoração coletiva dos israelitas, dar dos bens materiais fazia parte de sua adoração pública. O chamado de Davi à adoração também incluía o ato de ofertar.

“Tributai ao Senhor a glória de seu nome; trazei presentes, e vinde perante ele; adorai ao Senhor na beleza da sua santidade” (I Crônicas 16:29).

Em si, será que contribuir ou ofertar é adoração? A essência da adoração é darmos o trono de nosso coração a Deus. Qualquer outra ação de ofertar que nasça desta oferta de adoração é também adoração.

“E, olhando ele, viu os ricos lançarem as suas ofertas na arca do tesouro; e viu também uma pobre viúva lançar ali duas pequenas moedas; e disse: Em verdade vos digo que lançou mais do que todos, esta pobre viúva; porque todos aqueles deitaram para as ofertas de Deus do que lhes sobeja; mas esta, da sua pobreza, deitou todo o sustento que tinha.” (Lucas 21:1-4)

Esta viúva adorou quando jogou as duas moedinhas na arca das ofertas porque a sua oferta, aparentemente, foi o resultado da entrega a Deus dela mesma e de tudo o que tinha. A oferta dela não era maior em dinheiro, mas era maior em significado porque a única coisa que os ricos deram a Deus foi um pouco do seu dinheiro.

Deus não é adorado pelos presentes de um coração obstinado, como também não é adorado pelo louvor de uma língua orgulhosa. Os verdadeiros adoradores doam-se primeiro e depois ofertam Àquele que os fez e deu a eles tudo o que possuem.

Um ambiente para a adoração pública

“Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o meu trono, E a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, Ou qual é o lugar do meu repouso? Porventura não fez a minha mão todas estas coisas?” (Atos 7:48-50)

Em Sua busca por adoradores, o que é que Deus busca?

“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.” (João 4:23).

“O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas” (Atos 17:24-25).

Quando cristãos sinceros se reúnem para adorar a Deus, Ele está presente no coração de cada adorador independente de obras humanas de arquitetura.

Alguns dizem que as belezas da arquitetura inspiram à adoração. Mas é preciso saber se a reverência que surge em nosso ser enquanto contemplamos um arco elegante ou a luz que dança através de um vitral colorido não é reverência a um ambiente feito pelo homem.

A adoração não é algo que nos sobrevém quando a luz é suave e a música é emocionante. A adoração não é algo que nos acontece, devido a algum estímulo externo. Adoramos quando decidimos inclinar nossos espíritos diante de Deus comovidos pela Sua verdade. E se adoramos verdadeiramente, nossa adoração é parte indispensável em toda a nossa vida diária.

O melhor ambiente para a adoração é aquele que não nos distrai de focar Deus e Sua verdade. Qualquer coisa que nos distraia de enfrentar a verdade abertamente é um empecilho à nossa adoração.

Por exemplo, no tempo do apóstolo Paulo os coríntios se desviavam de sua adoração pela grande confusão que reinava em seus cultos. Pessoas demais falavam ao mesmo tempo. E muitos falavam coisas que a maioria não entendia. O apóstolo Paulo lhes disse: “porque Deus não é Deus de desordem, mas sim de paz” (I Coríntios 14:33).

Tomando como base este texto, podemos concluir que a confusão, seja por sons confusos ou por comportamentos confusos, é produzida pelo homem é um obstáculo na adoração a Deus.

Nossos cultos de adoração devem exaltar a Deus, e não o homem. Nossos serviços litúrgicos devem ser planejados de modo a produzir um culto ordenado, que evite tanto a formalidade extrema como também o ambiente informal. Não devemos esperar que o culto nos entretenha, mas sim que nos santifique.


Para meditar:

Sua adoração pública é horizontal ou vertical? O foco da sua adoração está em Deus e em sua verdade, ou está no cantar de seu colega, no tom do pregador, na roupa nova de fulana ou na aranha que sobe pela parede?


Fonte: Hege, Natán – A Adoração – Publicadora Lâmpada e Luz, Farmington, New Mexico, EUA (2008) – Traduzido por: Eduardo Vieira da Silva

Sintetizado e adaptado especialmente para o Música Sacra e Adoração pela Profª Jenise Torres em Julho de 2013


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