Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 10 – Adoração: Do Exílio à Restauração

Comentários do Prof. Sikberto Renaldo Marks


Texto Central: “Vocês têm plantado muito, e colhido pouco. Vocês comem, mas não se fartam. Bebem, mas não se satisfazem. Vestem-se, mas não se aquecem. Aquele que recebe salário, recebe-o para colocá-lo numa bolsa furada.” (Ageu 1:6 – NVI)


Sábado à tarde
Introdução

Dois comentários sobre a lição de hoje: desempenho e mudança.

O desempenho é um conjunto de indicadores sobre o êxito de uma atividade ou de uma organização. Por exemplo, se uma loja perde vendas para as concorrentes, seu desempenho está comprometido, e logo terá problemas de sobrevivência. Precisa logo tratar de descobrir porque os clientes dão preferência às outras lojas. Assim também deve ser na igreja. Se uma comunidade religiosa batiza, mas os recém convertidos não permanecem nela, ou se grande parte abandona, o desempenho está com problemas. O alvo de batismo não é um bom indicador, pois ele só mede o desempenho até um momento: o ato do batismo. Ele não mede a permanência da pessoa na igreja. E essa permanência tem sido como o saquitel ou bolsa furada de Ageu 1:6. É preciso considerar essa questão.

O outro comentário é sobre a mudança. É evidente que nós pecadores precisamos mudar. Aliás, devemos nos submeter ao ESPÍRITO SANTO para que nos transforme. Mas, se acontecer como foi com o povo de DEUS nos tempos do profeta Jeremias, a casa vai cair. Os profetas avisaram que o templo poderia ser destruído, mas os reis e os sacerdotes não consideraram essas predições com o devido respeito. E o que aconteceu? O templo foi destruído. E por quem? Por Babilônia, justamente o sistema inimigo de DEUS.

Hoje a advertência não é mais contra a possível queda do templo, ou dos templos, e sim, contra a sacudidura. A profecia é bem suprida sobre esse evento, bem no momento em que a igreja estiver se reavivando e se empenhando para realizar a sua última tarefa: o Alto Clamor. Nesses dias vai ser emitido o decreto dominical, e ele servirá para sacudir terrivelmente a igreja, e ela será purificada. O trigo permanecerá e será fortalecido pelo reavivamento e reforma, mas o joio, que impedia o derramamento do poder do ESPÍRITO SANTO, ele sairá e se unirá com Babilônia, contra os adventistas que permanecerem na igreja. Para não ser sacudido, precisa tornar-se humilde e ser transformado em uma pessoa à semelhança de JESUS CRISTO.

Naqueles tempos eles estavam tendo baixo desempenho em suas atividades, porque não eram de todo fiéis a DEUS. A causa de baixo desempenho sempre foi a mesma, em qualquer época da história. Em nossos dias, nosso baixo desempenho missionário é porque ainda, muitos de nós, não deixou de coxear entre dois pensamentos: um pouco devotado a DEUS, e um pouco ao mundanismo. A sacudidura, assim como foi com a destruição do templo de Salomão, definirá essa situação.


Primeiro dia
“Filho do Homem, Você Viu…?”
(Ezequiel 8)

A situação do reino de Judá era dramática. Jeoaquim, um dos filhos do bom rei Josias, reinou durante 11 anos (2Rs 23.34 – 24.7). Ele foi um mau rei, tornou o povo idolatria, praticou a injustiça, roubava, assassinava, extorquia, vivia em adultério, enfim, rejeitou totalmente ao Senhor (Jr 22.1-17). Jeoaquim, cujo reino fora conquistado pelos babilônios, resolveu rebelar-se contra Nabucodonosor, para não pagar mais os tributos exigidos. Mas, Nabucodonosor marchou contra Judá, e nos dias de seu filho Joaquim (Jeoaquim morreu no mês em que estava para ser atacado por Babilônia) Judá foi arrasada. Depois de um breve cerco a Jerusalém, Joaquim foi levado cativo com boa parte da população de Jerusalém, inclusive Ezequiel, em 597 a.C. (2Rs 24.8-12).

Ezequiel profetizou do exílio em babilônia. Dali DEUS, por meio dele, tentava evitar a destruição do templo de Jerusalém. Mas foi em vão. Bem logo Nabucodonosor viria contra Jerusalém, e seria para destruir a cidade e o templo do Senhor.

O que se passava lá no templo, que Ezequiel viu, por meio de visões, de longe? Os líderes religiosos confiavam no templo. Sejamos diretos, confiavam no prédio. Ali estava ainda a arca, embora, certamente não mais a glória de DEUS. Fora uma vez a habitação do Senhor. Portanto, eles já haviam perdido o principal, e estavam por perder o material, o físico, em que tanto confiavam.

E porque perderam a manifestação visível de DEUS sobre a arca do concerto, passaram a olhar para outros deuses, e dentro do templo. É de arrepiar o que Ezequiel escreveu em seu livro, no cap. 8:16. No átrio de dentro do templo estavam 25 homens, de costas para o templo, adorando o sol, virados para o oriente. Que situação de queda em direção à idolatria! Homens e mulheres adorando ídolos, no templo, ou em seus quartos. Ezequiel viu tudo isso em visão. Como chegaram a tamanha degeneração? A destruição do templo era iminente, e Ezequiel sabia disso.

A nação chegou a esse ponto ao longo de séculos. Foi uma sucessão de reis bons e reis maus. Cada rei bom fazia uma reforma, mas cada rei mau afundava o povo mais que o fizera o rei anterior. É como alguém que está se afogando em um rio: ele sobe à superfície algumas vezes, pode respirar, mas afunda outra vez. Cada vez que sobe à superfície, sai da água por menos tempo, até que desaparece submerso. O processo de degeneração da nação santa levou, digamos, desde a idolatria de Salomão (930 a.C.) até a queda de Jerusalém e do templo, diante de Babilônia, em 586 aC. Portanto, o processo de queda da nação durou em torno de 3,5 séculos, com altos e baixos. O Reino do Norte levou menos tempo até a sua queda, pois só teve baixos, todos os reis foram maus perante o Senhor. Durou apenas 208 anos, pois foi destruído pelos Assírios em 722 a.C..

Como ocorre o processo de degeneração de um povo? Do mesmo modo como de uma comunidade, de uma igreja, até de uma família, isto é, de qualquer organização social religiosa. Os líderes, ou parte deles se afastam de DEUS. No povo daqueles tempos, quem se afastou foram reis (nem todos) e sacerdotes (nem todos). E o povo os seguiu (nem todos). Notou alguma coisa? Alguns reis, alguns sacerdotes e parte do povo mantinha-se fiel a DEUS. Mas era minoria. Importante é que rei só havia um, portanto, ou o rei era mau, ou era bom. Líderes religiosos sempre houve poucos, e em épocas a maioria deles se afastava de DEUS. No tempo de JESUS, por exemplo, o Senédrio, composto por 72 membros, apenas dois deles se mantiveram fiéis ao Salvador: José de Arimatéia e Nicodemos.

É assim que ocorre a degeneração espiritual: líderes que se afastam de DEUS e liderados que os seguem. Uma comunidade de crentes não é só responsabilidade de líderes, ela deve ser suportada pelos liderados, ou seja, todos devem buscar, por sua iniciativa, a comunhão com DEUS e a fidelidade a Ele. O líder dos crentes não é um dos crentes, e sim, DEUS, coisa que poucos entendem bem. As pessoas tendem a seguir pessoas, e quando o líder que seguem comete erros, as pessoas erram juntas. Assim foi com Israel e com Judá, e levou séculos, mas chegaram ao fim.

Esse diagnóstico serve para nós, nos dias finais. Aliás, satanás sempre atacou o povo de DEUS por meio de atrativos do mundo, e sempre utilizou líderes (outra vez, nem todos) para conquistar e derrotar a igreja. Ele sabe que os membros em geral seguem líderes humanos. Poucos são os que seguem a recomendação “assim diz o senhor” ou “está escrito”, ou “também está escrito” que JESUS utilizou contra satanás em Mateus 4:4 a 7. Uma comunidade de crentes deve apoiar os líderes, mas não apoiar-se neles. Vale dizer, os liderados devem buscar o conhecimento e ajudar os líderes a errarem menos e acertarem mais. Porém, a história tem comprovado que os liderados se apoiam nos líderes e assim todos afundam juntos.

Foi porque o povo de israel, nos dois reinos, seguiram cegamente seus líderes, que as duas nações foram destruídas, e a capital da casa de DEUS foi arruinada e o templo derrubado duas vezes por forças pagãs, inimigas de DEUS. Faltou sabedoria a todos. Faltou apego à palavra de DEUS. Faltou humildade aos líderes e conhecimento aos liderados. Quando líderes infiéis dirige um povo que não conhece suficientemente a DEUS, todos caminham juntos ao fracasso.

E nós hoje? A história é a mesma, porém, mais intensa. Dessa vez estaremos enfrentando a última batalha. Somos a geração final desse grande drama. O inimigo está atacando por meio da mundanização, para deixar a igreja morna. Muitos líderes estão se empenhando por introduzir práticas mundanas nos cultos, em especial no louvor. E corre uma polêmica sem precedentes dentro da igreja sobre esse assunto. Só em existir tal polémica já é uma vergonha para nós, chamado povo de DEUS. Estarmos assim divididos não se justifica, foi fracasso de grande parte da liderança religiosa, com apoio dos liderados, que apreciaram viver de modo mais liberal. Aí temos uma igreja morna, laudicéia. Mas, graças a DEUS, outros líderes vêm sendo levantados por DEUS, e estão promovendo, de alto a baixo na hierarquia da igreja, a partir da casa do pastor geral mundial, um reavivamento e reforma autênticos, que abrange a igreja no mundo inteiro, mas não a todos como se sabe por meio das profecias. Após algum tempo de oportunidade para adesão a esse reavivamento e reforma, vem a sacududira para mandar ao exílio em babilônia, a moderna babilônia mística, o joio que não se reaviva nem se reforma. Então sim, a igreja, purificada, se torna poderosa pela manifestação do ESPÍRITO SANTO, e será, em poucos dias concluída a obra que já está levando mais de um século e meio a passo muito lento por causa da mornidão. Uma coisa é certa e sabemos pelas profecias: esta Laudicéia é a última igreja de CRISTO. E não adianta atacá-la para destruí-la e muito menos fechar os olhos para não ver a situação. O que resolve é o reavivamento e a reforma, pois não podemos continuar como estávamos vindo até aqui. Precisa haver mudança, e o Senhor da obra efetuará essa mudança, e já começou a fazê-la. Vê se não fica fora, pois essa vai ser a última oportunidade. E para ficar de fora, e depois ser sacudido em direção dos inimigos da igreja, basta manter-se apegado ao mundanismo, que ainda tem bastante no seio da igreja. Em especial, nas famílias de muitos de nossos líderes.


Segunda
Adorando a Imagem
(Daniel 3; Jeremias 29:10-14; Ageu 1)

Onde foi que a reincidente desobediência levou o povo de Israel? Ao cativeiro de Babilônia. De tanto que retornavam à idolatria, DEUS permitiu que a nação que deu origem a idolatria, Babilônia, e que se tornara a grande inimiga de DEUS, o império contrário ao Reino de DEUS na Terra, os capturasse e os dominasse, destruindo tudo. Agora eles estavam amargando 70 anos de dominação estrangeira.

Mas veja só que até nisso vemos o amor de DEUS. Essa não era uma dominação resultante meramente da vontade humana. DEUS permitiu que o povo dEle passasse por essa dificuldade, pois, Ele anunciara, antes de acontecer, que duraria 70 anos. E por meio de Daniel, antecipara que eles teriam, a partir do início da reconstrução do templo e dos muros da cidade, mais 490 anos para se decidirem a quem servir. E disse também que no final desse tempo, na última semana, JESUS viria a fim de convertê-los ao Seu reino. Portanto, o cativeiro estava acontecendo sob controle da autoridade de DEUS. Eles estavam sofrendo, mas se tratava de um sofrimento com causas e sob a administração do Rei do Universo. Contudo, chegaram a esse ponto por culpa deles, pois tivessem eles ouvido a voz dos profetas, estariam vivendo em meio a progresso espiritual e econômico.

Naquela situação, o que DEUS lhes disse? Está em Jeremias 29:10 a 14. Ele disse que tinha bons pensamentos a respeito deles, e que os estava ouvindo. Disse algo muito bonito: “buscar-Me-eis e Me achareis”, “Eu vô-lo ouvirei”, “farei mudar a vossa sorte”, “congregar-vos-ei de todas as nações.” Em especial, essa última parte se aplica também ao tempo do fim. Quando JESUS estiver voltando, Ele resgatará pessoas de todas as épocas, vindas de todos os lugares. Aliás, na mesa do Senhor estarão pessoas vindas de todos os lugares do planeta, como se pode ver em Lucas 13:29.

Mas eles teriam uma árdua tarefa a fazer. Deveriam reconstruir o templo e a cidade, principalmente os muros dela. Ali seria outra vez a sede do governo de DEUS, e nesse templo, o Senhor JESUS entraria, em pessoa, à semelhança dos seres pecadores. Naquela cidade o Salvador seria morto para que nós pudéssemos viver. Portanto, a cidade deveria ser reconstruída e o templo também, pois grandes maravilhas ainda aconteceriam nesse lugar.

Em nossos dias também nos é requerida uma grande obra. Agora não mais de grandes edifícios, pois isso agora é secundário, embora tenha a sua importância. Grandes edifícios bem logo serão todos destruídos. A grande obra a ser levada a cabo é a pregação do evangelho a todas as nações do mundo. Para isto, assim como eles deveriam reformar o templo e os muros de proteção, nós devemos reavivar a nossa vida espiritual e reformar nossos hábitos de vida. Antes de grandes eventos DEUS sempre tem chamado a uma reforma interior. O maior de todos os eventos está para acontecer nesse mundo, algo que jamais aconteceu aqui e nem em lugar algum do Universo. JESUS logo voltará viajando pelo meio das galáxias, e virá nos buscar, e com Ele irão todos os que se arrependeram de seus pecados. E nós, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, já estamos nos preparando intensamente para a última advertência. Ao menos muitos de nós estão fazendo esse preparativo; outros estão iniciando, e outros ainda iniciarão. Muitos infelizmente não se prepararão, e descobrirão sua indolência quando tiver passada a oportunidade.

Que nós, que estudamos essas lições, não sejamos rebeldes a ponto de perdermos a vida eterna, mas obedientes a ponto de servirmos de motivação a outros para seguir a JESUS.


Quarta
Onde Estão Agora os Seus Antepassados?
(Zacarias 1:1-6)

DEUS, por meio da palavra profética de Zacarias, disse ao povo no exílio, à geração que sucedeu os que foram levados cativos, que não fizessem como seus pais, avós e bisavós. Aqueles já haviam morrido, e eles foram os responsáveis pelo desastre nacional, seja espiritual, seja político. Foram eles que se desencaminharam de DEUS, adorando ídolos, cometendo muitos outros erros crassos. Por isso agora os seus descentes estavam no exílio. Mas, eles, os filhos das gerações que erraram tanto, agora Deus os chamava para retornarem à pátria, pela seguinte estratégia: “…tornai-vos para Mim, diz o Senhor dos Exércitos, e Eu Me tornarei para vós outros…” (Zac. 1:3). Era para eles fazerem o contrário do que fizeram seus antepassados. Deviam converter-se dos maus caminhos e das más obras, coisa em que seus pais não foram fiéis, e não atenderam os chamados dos profetas (ver Zac. 1:4).

Nós somos seguramente a última geração. Estamos nos últimos anos. A última crise já está se formando, em especial nos Estados Unidos e na Europa. Faltam poucos anos para vir o fim da história do pecado. Estamos na iminência de entrar na grande controvérsia. É uma questão de meses talvez. Se levar anos, serão poucos, bem poucos. Mas nós somos produto de gerações de pessoas desobedientes, estamos em meio a um mundo de debochadores de DEUS, numa sociedade contrária aos princípios divinos de vida. O apelo é até mais para nós que para aqueles filhos dos exilados que se encontravam em meio ao Império Persa. Nós somos a geração que fará o último convite para a salvação por CRISTO JESUS. Para isso receberemos poder especial da parte de DEUS, que nos concederá o poder do ESPÍRITO SANTO. Mas O ESPÍRITO SANTO será concedido à igreja, para a conclusão da pregação, quando nela, em todos os lugares do mundo, seus membros forem unânimes no modo de crer, de adorar e de louvar. Assim foi no Pentecostes. Os discípulos também só receberam o ESPÍRITO SANTO quando se tornaram unidos entre si. A evidência de que existe amor entre os irmãos é a ausência de qualquer tipo de divisão. Os pregadores na igreja, em especial aqueles que estudaram teologia, têm o dever de conduzir a igreja a essa unanimidade.E aqueles que estiverem promovendo divisões, convém repetir e tornar a repetir – uma das mais importantes causas de divisão se manifesta no louvor -, precisam resolver essa questão, urgentemente. Nossos líderes maiores estão muito lentos nesse sentido. Não há como DEUS dar o poder do alto enquanto estivermos divididos, uns dizendo e fazendo uma coisa, e outros, exatamente o contrário. O dramático é que isso acontece em meio ao ministério! Seja o que for que entre nós crie grupos antagônicos, deve ser equacionado com urgência. Se não for, por exemplo, a distribuição do livro “A grande esperança” estará fragilizada. Talvez o próprio DEUS tome providências se entre nós nada for feito, ou se nossas ações forem muito lentas. Isso ainda veremos. No Pentecostes foi do mesmo modo: só receberam poder do alto quando tiraram dentre eles algumas desinteligências, diz Ellen G. White, coisas como: desejo de poder, de primazia, de honras, etc. Hoje, do mesmo modo, todos aqueles que irão proclamar a última mensagem ao mundo, serão como um só ser humano, de tão unidos entre si, por estarem unidos a DEUS. Então o testemunho será coerente, não apenas teologicamente, mas coerente entre o que falam os mensageiros e o que vivem, e coerente entre o que vivem e o que DEUS é. E quem resistir e não se submeter ao poder transformador de DEUS, para deixar de estorvar a ação do ESPÍRITO SANTO, necessária para a conclusão dessa obra, será expurgado da igreja por meio da sacudidura.

A atitude principal para que um crente em DEUS seja aproveitável à obra de DEUS, é substituir o “eu” (orgulho, prepotência, ser dominador, arrogância, etc.) pela humildade que CRISTO demonstrou quando viveu nessa Terra.


Quinta
A Oração de Neemias
(Neemias 1)

Neemias era funcionário do rei Persa, na cidade de Susã. Por volta de 457 a. C., recebeu a visita de seu irmão Hanani, que viera de Jerusalém, caminhando por 1600 km. Já se passavam 80 anos desde que Zorobabel, sob o Rei Ciro, havia voltado para Jerusalém (em 537 a. C.) levando de volta os utensílios sagrados, a fim de reconstruir o templo, o altar, a cidade, e povoar o lugar outra vez. Eles conseguiram reconstruir o altar e o templo, e o restante das obras há muito estavam paradas, o pouco povo sofrendo em grande miséria, e os muros em ruínas. Era uma cidade fragilizada diante dos inimigos, um triste cenário a um DEUS todo poderoso, a cidade de Sua capital na Terra. A situação era de insegurança em relação aos inimigos por perto e de longe, diante dos povos que controlavam a região.

Neemias servia ao rei Artaxerxes na mesma cidade e palácio onde uma geração anterior a rainha Ester e seu tio Mordecai haviam agido corajosamente para salvar o povo judeu da trama de Hamã. O profeta ficou extremamente preocupado diante da situação onde tempos idos moravam seus pais, e onde eles estavam enterrados. Ele jejuou e orou a DEUS, e clamou para que DEUS agisse.

Passando os dias, o rei percebeu que o semblante de Neemias estava pálido e triste. Ao saber de tudo, o rei compadeceu-se de seu servo e seu povo, ordenou que ele mesmo fosse para Jerusalém, levando homens para o protegerem, e recomendações reais para favorecer a obra de Neemias. Esse foi o terceiro decreto para a reconstrução de Jerusalém, emitido em 457 a. C., data que vale para a contagem dos 2.300 anos proféticos do livro de Daniel.

O importante aqui, nesse estudo, é a oração de Neemias. Ele percebeu que não havia como reconstruir a cidade sem o poder de DEUS. Necessitavam do perdão e da unidade de ação. O povo ali estava empobrecido e desanimado. Não havia liderança local empreendedora, mas havia forte oposição externa de povos vizinhos. Eles sabiam da vontade de DEUS para a reconstrução da cidade, e faziam o possível para impedir. E até entre os do povo de DEUS havia pessoas para frustrar qualquer iniciativa. Era fácil deduzir que sem a participação de DEUS, nada seria feito.

Interessante e curioso: é essa a situação da Igreja Adventista hoje. Não temos muros a reconstruir, mas temos a última proclamação do evangelho a realizar. E estamos nos preparando para essa finalidade. Mas se levanta a oposição poderosa no mundo inteiro. As igrejas em geral estão se unindo contra essa proclamação. Em meados do mês de julho foi concluído o Código de Conduta sobre ações missionárias. Esse código, bastante subjetivo, aparentemente inofensivo, servirá não só para atrapalhar a pregação bíblica, mas também para impedir essa pregação. É que já chega o tempo de falar tudo, e é o que estamos fazendo. Grandes pregadores nossos estão na televisão, nos DVDs, e em palestras, com diplomacia e clareza, dizendo tudo o que deve ser dito. O mundo já está sendo avisado da breve volta de JESUS, e da necessidade de tomar uma decisão de sair ou de ficar em Babilônia. Essa pregação já está em andamento, e a oposição também já está se mobilizando. Em 2007, por exemplo, na reunião entre o papa, a ONU e o presidente americano, na época George Bush, houve o acordo de cooperação entre esses três poderes, dando-se início à Tríplice Aliança entre o falso protestantismo, o catolicismo e o espiritismo (ONU), de Apoc. 16:13 e 14. Também avança o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso, para cercar o povo de DEUS e impedir a sua obra. Bem logo esses poderes entrarão em ação explícita. Precisamos, como nos dias de Neemias, lutar com a espada numa mão e com a outra, segurar em CRISTO, para pregar e falar o que deve ser dito.

Esse é o tempo do qual falavam os profetas, tempo que antecede a volta de JESUS. É o tempo em que Seu povo não pode ficar indolente, inativo, tem que se preparar trabalhando unido para que as pessoas tenham o conhecimento necessário e tomem a decisão, ou saem conscientemente de Babilônia e se salvem para sempre, ou ficam nela e se perdem para sempre.


Aplicação do estudo
Sexta-feira, dia da preparação para o santo Sábado:

É necessário ler e reler as três citações que Rosalie Haffner Zinke, autora das lições desse trimestre, selecionou para o estudo de hoje. Como falta levarmos a sério esses escritos proféticos, tão claros, simples e diretos. Teria a igreja evitado iniciativas oficiais com o intuito de alcançar pessoas que, imaginam alguns, só é possível com mundanismo. Esse movimento de utilizar métodos do mundo, que vem das igrejas populares que reúnem grandes massas para serem enganadas, está bastante forte em nosso meio. O intuito aparentemente é salvar, mas o efeito tende a ser o contrário. Querendo ou não querendo, há associação com aqueles que combatem abertamente o ESPÍRITO SANTO como terceira pessoa da Trindade, pois, utilizando tais métodos, desconfiam da eficaz ação do poder de DEUS. É como já aconteceu muitas vezes no passado: querer dar uma ajudazinha a DEUS. E quando por esses métodos alguns se convertem, já servem de justificativa para consagrar tais iniciativas. E pior, quando essas iniciativas têm a chancela oficial, poucos têm coragem de levantar a sua voz e oferecer denúncia. Mas aqui está a lição de hoje para fazê-lo.

É importante que se diga, e se reflita no seguinte: os membros mais novos, ou menos experientes, sempre olham para JESUS através da vida dos mais antigos, mais experientes e principalmente se são líderes. Do mesmo modo, líderes também olham para outros líderes, principalmente se são mais liberais, para copiarem os métodos que incluem conformação com o mundo, pois assim reúnem multidões. Mas é importante que se saiba, a IASD não é uma igreja popular, não é uma igreja de multidões. Essa igreja não irá salvar a maioria do mundo, e sim, uma minoria. Nossa tática de evangelização não são grandes massas, e sim, pela pregação por meio do poder do ESPÍRITO SANTO, levar o mundo inteiro a refletir sobre a diferença entre a verdade e o erro. Chama-se Alto Clamor, que já está iniciando. E, nesse grandioso empreendimento, um percentual bem pequeno decidirá por ser salvo, que quem vai operar a salvação dessas pessoas não serão os nossos métodos, e sim, o poder do alto.

Selecionamos mais três citações, de Ellen G. White, sobre esse assunto (uma é sobre a sacudidura), para serem acrescentados aos que a lição já disponibilizou. É alto tempo de nossos dirigentes superiores colocarem as coisas em seu lugar certo, antes que DEUS venha contra nós com a sacudidura. E é certo que ela virá, mas o que for reformado antes, escapará.

Satanás pensa assim: “Por meio daqueles que têm uma forma de piedade, mas não lhe conhecem o poder, podemos ganhar muitos que de outra maneira nos causariam grande mal. Os mais amantes dos prazeres do que amantes de Deus, serão os nossos mais eficientes auxiliares. Os que pertencem a essa classe, se forem mais aptos e inteligentes, servirão de chamariz para atrair outros para as nossas ciladas. Muitos não lhes temerão a influência, porque professam a mesma fé. Levá-los-emos então a concluir que as reivindicações de Cristo são menos estritas do que uma vez creram, e que pela conformação com o mundo exercerão maior influência sobre os mundanos.Assim se separarão de Cristo; então não terão forças para resistir ao nosso poder, e dentro de pouco tempo estarão prontos para ridicularizar o seu antigo zelo e devoção.

“Enquanto não for dado o grande golpe decisivo [decreto dominical e decreto de morte], devem nossos esforços contra os observadores dos mandamentos serem incansáveis. Devemos estar presentes em todos os seus ajuntamentos. Especialmente em suas grandes reuniões, nossa causa muito sofrerá, e devemos exercer grande vigilância, e empregar todas as nossas artes sedutoras para evitar que as almas ouçam a verdade e por ela sejam impressionadas” (Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, 474, grifos acrescentados).

Todos os que assim falsamente representam a Cristo estão imprimindo um molde errado à obra; pois encorajam os que com eles estão ligados a fazerem o mesmo.Por amor de sua alma, por amor àqueles que correm o risco de sua influência, devem eles resignar sua posição; pois no Céu aparecerá o registro de queo praticante do mal tem em suas vestes o sangue de muitas pessoas. Ele fez com que alguns ficassem exasperados, de tal modo que abandonaram a fé; alguns se têm imbuído dos seus próprios atributos satânicos, sendo impossível avaliar o dano a eles causado. Somente aqueles que manifestam que seu coração está sendo santificado pela verdade devem ser mantidos em posições de confiança na obra do Senhor” (Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, 262, grifos acrescentados).

“Perguntei qual o sentido da sacudidura que eu acabava de presenciar e foi-me mostrado que fora causada pelo positivo testemunho motivado pelo conselho da Testemunha fiel, aos laodiceanos. Esse testemunho terá o seu efeito sobre o coração do que o recebe, levando-o a exaltar a norma e declarar a positiva verdade. Alguns não suportarão esse claro testemunho. Opor-se-lhe-ão e isto causará uma sacudidura entre os filhos de Deus.

“O testemunho da Testemunha fiel não foi atendido nem pela metade.O solene testemunho do qual depende o destino da igreja foi subestimado, se não rejeitado por completo.Esse testemunho tem que operar arrependimento profundo, e todos os que de fato o receberem, obedecer-lhe-ão e serão purificados” (Testemunhos Seletos, v1, 60, grifos acrescentados).


Sikberto Renaldo Marks é professor titular no curso de Administração de Empresas da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ (Ijuí – RS)


Fonte: http://www.cristovoltara.com.br


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