Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 07 – Adoração nos Salmos

Comentários de Gilberto G. Theiss


Texto Central: “Como é agradável o lugar da tua habitação, Senhor dos Exércitos. A minha alma anela, e até desfalece pelos átrios do Senhor, o meu coração e o meu corpo cantam de alegria ao Deus vivo”. (Salmos 84:1 e 2 – NVI)


Sábado

Os Salmos possuíam, além de letras de louvor, um significado inigualável para os povos daquele tempo. É difícil incorporar a dimensão de valor que Israel dava a estes Salmos, talvez por não terem sido uma conseqüência de nossa própria experiência presente. Poderíamos entender melhor este fato utilizando a dor de uma família por perder um ente querido. Somente entenderíamos o significado de tanto sofrimento desta família quando passarmos pela mesma experiência. Infelizmente, as canções se perderam no tempo, e tudo o que temos hoje destes salmos são apenas as letras. De qualquer forma, através do conteúdo transmitido por este livro, podemos ter uma pequena idéia do que representava para o povo ao reproduzir estas canções na nossa própria vida.

Nesta semana faremos um passeio em alguns desses hinos e tentaremos absorver deles o aprendizado necessário do que permeou o louvor e adoração de Israel e o que era mais significativo para eles no ato de adorar manifestado nestes Salmos. Possivelmente nos encantaremos com a teologia ou com a simplicidade contida nestes versos revestidos de sinceridade e desejo de elevar a Deus Sua dignidade e majestade. Perceberemos também que, possivelmente muitas das palavras que brotavam de suas canções representam na íntegra muitas de nossas próprias palavras.


Domingo
Adoremos o Senhor, Nosso Criador
(Salmos 19; Salmos 90:1-2; Salmos 95:1-6; Salmos 100:1-5; João 1:1-3; Colossenses 1:16-17; Hebreus 1:1-3)

Ao contrário dos nossos dias, parece que os escritores dos Salmos não possuem nenhum conflito cognitivo entre evolução e criação. Todos eles crêem plenamente, sem restrição, que Deus é o autor da existência de todas as coisas, inclusive das leis que regem não apenas a natureza, mas as que também regem a conduta moral.

A fé, por mais abstrata que seja, é capaz de nos conduzir racionalmente às verdades mais sublimes e ocultas que existem. Por exemplo: Os escritores dos Salmos que enalteceram a Deus pelas maravilhas de Sua criação, não possuíam conhecimentos surpreendentes como hoje podemos conhecer. Eles não sabiam que o núcleo de uma ameba é maior do que os 30 volumes combinados da Enciclopédia Britânica. Não sabiam que o DNA humano, mesmo invisível aos olhos, é um universo de informações complexas. Não conheciam os detalhes da paulatina divisão de um zigoto, célula única que resulta da fecundação do óvulo pelo espermatozóide, que ao longo de nove meses se divide até se transformar nos 100 trilhões de células que formam os 220 tipos de tecidos do corpo humano de maneira extraordinariamente organizada para fazer tudo isso se transformar em um bebê com dois olhos, duas pernas, dois braços, duas mãos, etc. – tudo com seu devido encaixe perfeitamente planejado. Bom, poderíamos citar milhares de outras questões que facilmente nos deixaria estarrecidos, pasmos e profundamente admirados.

Os escritores destas citações, embora não tenham conhecido tanto como conhecemos hoje, não demonstravam possuir crises de incredulidade, tipo, se Deus realmente foi o criador ou não. Isto serve de grande lição para todos nós, pois, carregados de tanta luz e conhecimento, muitos ainda conseguem alimentar a dúvida quanto à nossa existência ter vindo de Deus. A nota tônica da mensagem de hoje é clara e inseri Deus no Seu devido lugar – o de criador absoluto de todas as coisas. Mesmo a ciência que contraria as verdades reveladas na Bíblia, persiste no devido erro por uma questão de pura interpretação. A mesma descoberta que utilizam para desmerecer a existência de Deus e Seu ato criativo, é a mesma descoberta que, naturalmente pode ser interpretada a favor da existência de Deus e de Seu ato criativo. Tudo depende simplesmente da pré-concepção existente. O salmista não possuía uma fé cega, ele possuía convicção racional, pois tudo que existe, determina com indizível solidez que, o que existe não pode ter provocado sua própria existência quando não existia. Para as mentes sensatas, isto significa que Deus existe e ponto final.


Segunda-feira
Juízo de Seu Santuário
(Salmos 73)

Certa feita, um homem fora julgado e incriminado por um crime hediondo. Sua pena foi não menos do que prisão perpétua nos EUA. Dez anos depois de sua condenação, na prisão, fora friamente assassinado. No entanto, logo depois de sua morte, veio a bomba – ele era inocente. Injustiças como esta e outras podem estar acontecendo todos os dias em nosso mundo e infelizmente, a única reação que nos cabe diante de tais atrocidades é o simples silêncio.

O livro de Salmos, especialmente o de Asafe (73), apresenta as injustiças cometidas contra os justos e puros de coração, enquanto que os ímpios que falam enganosamente são revestidos de prosperidades e facilidades na vida. Asafe confessa que seus “pés quase que se desviaram” por contemplar a prosperidade dos ímpios, e em contrapartida o desgaste e sofrimento dos justos. Mas, a partir do verso 16 ele descreve a realidade que acometerá os ímpios no juízo e vitória dos que foram oprimidos. Asafe percebeu a larga diferença existente entre os justos e ímpios, tanto aqui na terra no contexto do pecado quanto no dia do juízo. “Ele viu que a orientação do Senhor era de valor infinitamente maior que toda a prosperidade temporal do mundo, porque o Senhor mantém os pés do justo nos caminhos que levam à glória eterna! (Signs of the Times, 3 de fevereiro de 1888).

O desejo pela justiça não está aflorada apenas nos discursos dos salmistas, mas nos lábios de muitos cristãos de hoje. A justiça se tornou um mito em nossos dias, e isto se deve pelo fato de, exatamente, por estarmos tão distante dela. A prática da injustiça é cada vez mais assoberbada e praticada sem nenhuma dor de consciência. Aliás, a injustiça se tornou tão comum que, caso alguém resolva praticar algum ato de justiça, este sim é encarado de maneira estranha. Querendo ou não, todos os humanos um dia terão que enfrentar o grande tribunal de Deus onde toda prática de injustiça será condenada. Deus fará, talvez, o único julgamento mais perfeito e justo que já existiu desde a entrada do pecado no mundo. Por esta razão, poderemos ficar em paz e tranqüilos, pois todos nós seremos reivindicados neste tribunal.


Terça-feira
“Como os Animais que Perecem”
(Salmos 49)

Certa feita, uma jovem cruzou-se ao meu caminho para desabafar que não consegue ser feliz nesta terra. Prontamente lhe respondi que ela não era a única pessoa a se sentir assim. Há milhares, ou milhões de pessoas que, todos os dias, sentem o fardo de algum tipo de sofrimento. Parece que a dor, seja física ou emocional, nos persegue constantemente. Nem mesmo os ricos escapam destes infortúnios. Só o fato de não possuírem segurança e de serem alvos de bandidos já lhes custam muito caro o viver. Na verdade, não podemos ser felizes neste contexto em que vivemos. Caso conseguíssemos ser felizes neste mundo ou com as coisas que estão ao nosso redor, facilmente nos esqueceríamos das promessas de um mundo melhor. Quanto mais felizes aqui, mais nos acostumamos com este lugar e quanto mais as raízes de nossos sonhos se infiltram nessa terra, mais distante de Deus nos encontramos.

Ninguém é apreciador do sofrimento e muito menos dos infortúnios da vida, mas, é necessário entender que, às vezes nos acostumamos tanto com o lixo desta Terra que nos esquecemos dos valores eternos prometidos. É muito fácil se apegar a coisas, objetos, pessoas e sonhos deste mundo, e se assim fizermos, correremos o risco de sermos destruídos junto com eles. Outros ainda buscam refúgio e amparo, e talvez até salvação própria em algo desta terra. Ora, se o sacrifício de Cristo não for suficiente, nada mais será! Se o amor de Deus não for nosso amparo, nada mais será! Se a bondade de Deus não for nosso mais terno cuidado, nada mais será! Se as promessas de um mundo melhor não forem nossa esperança diária, nada mais será!


Quarta-feira
Adoração e o Santuário
(Salmos 20:3; Salmos 40:6-8; Salmos 43:4; Salmos 51:19; Salmos 54:6; Salmos 118:27; Salmos 134:2; Salmos 141:2; Hebreus 10:1-13)

O santuário é a mais forte evidência teológica da verdadeira adoração. Seus detalhes no que diz respeito aos princípios que norteavam toda a conjuntura da adoração são uma revelação clara de como devemos proceder com Deus e com Sua palavra. Curioso notar que, a santuário é a ponte que estabelece um contato direto com verdades sublimes e importantes. Na verdade, a doutrina do santuário é a base de toda e qualquer verdade expressa na Bíblia. É como se fosse uma maquete de todo o plano de redenção e dos valores, princípios e verdades que dão uma direção exata dos planos de Deus para o homem caído. Poderíamos usar uma roda de bicicleta para exemplificar seu valor aplicando o cubo da roda como sendo o santuário, as raias seriam as doutrinas enquanto que a roda seria a igreja. Se uma dessas raias se quebrar, isto traria grande prejuízo para toda a roda, mas, se o cubo se quebrar (santuário), a destruição de toda a roda (igreja) seria fatal. Certa feita, um dissidente escreveu que, se fôssemos capazes de destruir a doutrina do santuário, facilmente o movimento adventista se despedaçaria.

Se olharmos atentamente para o santuário, perceberemos que o centro mais importante existente nele é o sacrifício de cordeiros. Jesus, o verdadeiro cordeiro que tira o pecado do mundo é o centro de toda a estrutura do santuário. Ele está presente em cada símbolo ou figura do templo sagrado. Ele é a água, , Ele é o pão, Ele é o incenso, Ele é o sacerdote e sumo sacerdote, Ele é o sacrifício, enfim, Jesus é a essência de todo o plano de Deus para resgatar o homem culpado. Tudo ali representa a Cristo e absolutamente nada pode ser desviado dEle. Compreendendo o valor e significado desta tão importante doutrina, podemos chegar à conclusão de que, os valores e princípios, inclusive de adoração e louvor contidos no santuário também são importantes e tem muito a nos dizer hoje. Assim como no santuário antigo, nos inserimos na presença de Deus para adorá-lo. Infelizmente, muitos estão tentando transformar os cultos da igreja em lugar de entretenimento e encontros sociais, o que faz destoar totalmente o verdadeiro propósito de estarmos ali. Lembre-se que, não vamos à igreja para participar de um culto, entramos na presença de Deus para oferecer o culto a Ele. Por isso, Jesus deve ser a razão de nossa devoção e submissão total.


Quinta-feira e Sexta-feira
Para Que Não Nos Esqueçamos
(Salmos 78; Salmos 105; Salmos 106; Deuteronômio 6:6-9; I Coríntios 10:11)

A história faz parte de nossa vida, seja passada, presente ou futura. A história da igreja no passado e a história de Israel, por mais que não tenhamos participado dela, refletem as entranhas ou o cordão umbilical de nossa própria existência. Em outras palavras, é a nossa história. Um povo sem passado é um povo sem existência ou sem identidade. O que nos faz ser o que somos hoje é exatamente o que fomos no passado. No entanto, o mais importante neste fato é que, Deus esteve presente em todo o momento da história do Seu povo. Quando olhamos para o passado para ver as intervenções Dele em favor de seus filhos, podemos nitidamente entender como Ele pode intervir em nossas vidas hoje.

Deus preservou alguns dos fatos passados para que o conheçamos melhor. Seu caráter e seu cuidado são demonstrados claramente nestas narrativas. Para os que olham para Deus como um tirano, pode olhar para a história e perceber que, na verdade, foi muito compassivo e repleto de bondade e amor. Sua compaixão e misericórdia podem ser notadas do começo até o fim. Deus poderia ter lançado este mísero planeta nos confins do universo para nunca mais dele se lembrar, mas, não foi isto que Ele fez. Deus preferiu não poupar Sua própria vida para nos oferecer algo que não merecemos. Isto não é suficiente para provar o quanto somos agraciados por Sua bondade? Se esta realidade não for capaz de extrair de nós a mais profunda certeza do amor de Deus, nada mais será.

Não podemos nos esquecer jamais que, o Deus que foi capaz de oferecer sua vida a nós, pendurado numa cruz entre o Céu e a Terra, é o mesmo que hoje promete retornar para materializar suas promessas de eternidade e glória aos que o amam. Pense nisso.


Leitura Adicional


Fonte: http://gilbertotheiss.blogspot.com


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