Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 07 – Adoração nos Salmos

Comentários de César Luís Pagani


Texto Central: “Como é agradável o lugar da tua habitação, Senhor dos Exércitos. A minha alma anela, e até desfalece pelos átrios do Senhor, o meu coração e o meu corpo cantam de alegria ao Deus vivo”. (Salmos 84:1 e 2 – NVI)


Essencialmente, os salmos são cânticos (hinário inspirado) e poemas espirituais para uso adoracional particular e congregacional. Também se constituem um livro de meditação, oração e adoração. O livro de Salmos é o mais citado em o Novo Testamento.

Sua composição, em grande parte, deve-se a Davi, mas também temos salmos de autoria de Asafe, Moisés, dos filhos de Coré, de Salomão, Ageu, Zacarias, Hemã (um sábio dos tempos de Salomão), Ezequias e até Esdras.

Muitos dos salmos são messiânicos, outros falam sobre a condição do homem, o perfil dos ímpios, seu destino e punição; outrossim, há cânticos de experiências espirituais, da igreja como povo de Deus, do dever dos governantes, da exaltação suprema da Palavra de Deus, dos atributos divinos e as experiências de Israel.

Jesus os reconhece como pertencentes ao cânon sagrado (Lc 24:44).

“Cristo tomou sobre Si a natureza humana, para que pudesse compreender todos os corações. Seu espírito nunca se encheu tanto dos cuidados deste mundo que não tivesse tempo para as coisas de cima. Ele podia dar evidências de Sua alegria, cantando salmos e hinos celestiais. Muitas vezes ouviam os moradores de Nazaré Sua voz erguer-se em louvor e ações de graças a Deus. Com frequência entretinha em cânticos comunhão com o Céu; e quando os companheiros se queixavam da fadiga do trabalho, eram animados pela doce melodia que Lhe caía dos lábios. Dir-se-ia que Seu louvor banisse os anjos maus e, como incenso, enchesse com doce fragrância o lugar em que Se achava.” MM02, 243.

Excerto de uma palestra de CLP proferida na Central Paulistana em 27/7/11.

Os salmos foram compostos tanto para uso congregacional como particular. Compõem não apenas um livro de louvores e cânticos cúlticos, mas um tratado de psicologia divina e livro de cabeceira do cristão. É confortador saber que os mais destacados servos de Deus do passado tiveram dores como as nossas, e como confiaram em Deus e Lhe escancararam o coração em busca de livramento e lenitivo.


Domingo
Adoremos o Senhor, Nosso Criador
(Salmos 19; Salmos 90:1-2; Salmos 95:1-6; Salmos 100:1-5; João 1:1-3; Colossenses 1:16-17; Hebreus 1:1-3)

Deus não nos deixou de dar razões para O adorarmos. Primeiramente, Ele é nosso Criador. De um modo maravilhoso fomos formados (entretecidos no útero materno, como diz o salmista). Não é apenas por essa razão que Lhe devemos serviço. Quanto mais a ciência médica avança, mais hinos de louvor são entoados ao Grande Projetista e Engenheiro de nosso corpo.

O Senhor também é nossa Fonte de Vida: “Pois nEle vivemos, e nos movemos, e existimos…” (At 17:28) Há uma centelha da vida de Deus que nos anima até à hora da morte. DEle constantemente fluem vida, vigor, renovação celular, energização do sistema imunológico e outros fenômenos maravilhosos ocorrentes no organismo.

Outro ponto de destaque é que Ele nos amou primeiro, antes mesmo de existirmos. Como? Nossa vinda ao mundo foi determinada pelo Senhor desde antes da criação de Adão – “Os Teus olhos me viram a substância ainda informe, e no Teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.” (Sl 139:16)

Como se não bastasse, Ele é nosso Protetor e Guarda-Costas contra o mal: “Pois Eu lhe serei, diz o Senhor, um muro de fogo em redor e Eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória.” (Zc 2:5) “Contudo, não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça.” (Lc 21:18)

Nosso Salvador. Quem ideou e executou o plano da salvação a custo infinito para Si? Não foi, porventura, o Deus dos deuses? Cada dia Ele está tomando todas as providências para consolidar nossa salvação. Seu perdão está sempre disponível. Suas misericórdias se renovam a cada manhã.

Ele rege o Universo desde as nanopartículas até a maior de todas as estrelas (a mais conhecida é a VY Canis Major, com quase três bilhões de quilômetros de diâmetro e 2.100 vezes maior que o Sol). Mesmo tendo que cuidar dessa e de outras estrelas, galáxias e sistemas cósmicos, encontra tempo para estar conosco dia e noite, zelando por nós como se fôssemos Sua única peça de criação.

Também cuidou e cuida de nosso futuro, já tendo adquirido mansões celestiais com a escritura passada em nosso nome. Lembremo-nos que Ele nos dará o maior banquete do Universo quando chegarmos de viagem ao Céu.

A Bíblia usa uma expressão interessante: Ela diz que Jeová é o Grande (hb. gadol) Deus (Sl 95:3). Mas como o Senhor é de grandeza incomensurável, isto é, que não se pode medir, como podemos dizer que Ele é só grande? Essa é a maneira humana de expressar-se porque não temos outro adjetivo que vá bem além de supremo – o que Lhe faria certa justiça – para aplicá-lo ao Senhor. Infelizmente, por nossa pequenez e incompetência, não fazemos justiça à imensidade de nosso Criador, digno de toda adoração.

Salmo 19

Os céus declaram a glória de Deus. Deem uma olhadela no artístico quadro que o Designer Divino pintou na tela do cosmos:


Nebulosa da Formiga. Seis mil anos-luz de distância da Terra.

Para qualquer lugar que nos volvamos e atentemos bem, Deus está presente com as provas de Sua majestade – em nós mesmos e nosso organismo, nas belezas da Terra e do céu azul, no mundo microscópico, nas entranhas do planeta, no espaço imensurável, no fundo do mar. Como podem os homens que se dizem cientistas e intelectualmente muito à frente do cidadão comum, dizer que tudo se originou de uma explosão fortuita ocorrida há 13,7 bilhões de anos?

Ora, sabemos pela fé que tudo se originou da palavra criadora saída dos lábios do Senhor. Ele falou e logo tudo veio a existir.

E Jeová falou mais mandando registrar Seus pensamentos num sobreespetacular volume chamado Escrituras Sagradas. Uma palavra que durará tanto quanto a eternidade. No Céu descobriremos ainda muitas verdades agora ocultas na Bíblia.

Deus não apenas falou, mas cumpriu todas as Suas promessas, inclusive a de dar Seu próprio Filho Unigênito para que viesse pertencer à humanidade. Nenhum dos outros bilhões de mundos criados por Deus tem um Representante divino-humano. Só nós.

O que você acha? Merece Ele nossos louvores?


Segunda
Juízo de Seu Santuário
(Salmos 73)

Asafe, diretor de música sacra no tempo de Davi e de Salomão, escreveu 12 salmos (50, 73 a 83). Ele abre o salmo 73 reconhecendo que Deus é bondoso para com Seu povo, especialmente aqueles que buscam santificar-se.

Sem muita delonga ele descreve um problema existencial e teológico que enfrentou, e tão grande a ponto de desanimá-lo totalmente e quase fazê-lo perder sua fé em Deus.

Pensador que era, Asafe não se conformava com o fato de Deus permitir que os ímpios prosperassem a olhos vistos, enquanto os justos padeciam. Ele próprio não estava vendo nenhum benefício numa vida espiritual regrada, dedicada, consagrada. Revoltava-se com suas aflições diárias, talvez achando que Deus encolhera Sua bendita mão e não lhe dispensava atenção.

Um dia, num culto, Asafe entendeu que os justos, embora padecentes, desfrutam a aprovação divina e seus pecados são cobertos pelo sangue do Salvador substituto, privilégio que os ímpios contumazes não têm. O fim dos ímpios é a condenação eterna. O único prazer que desfrutam é a passageira vida terrena.

Ainda assim, a vida dos ímpios não é tão fácil quanto parece. Podem divertir-se, ganhar fortunas, comprar terras, ter fama mundial e rechear-se de bens terrenos, mas não conseguem felicidade. Está escrito em Is 57:21: “Para os perversos, diz o meu Deus, não há paz.” Veja também Is 3:11: “Ai do perverso! Mal lhe irá; porque a sua paga será o que as suas próprias mãos fizeram.” E Tg 5:1: “Atendei, agora, ricos, chorai lamentando, por causa das vossas desventuras, que vos sobrevirão.” Não é a riqueza que se discute aqui, mas a “mamonlatria” ou amor ao dinheiro, que é a raiz de todos os males.

Asafe compreendeu que ele possuía uma esperança da qual os ímpios não partilhavam: “… Depois me receberás na glória” (v. 24). A glorificação é o resultado final da justificação pela fé. Ele percebeu que tinha um Advogado no Céu: “A quem tenho eu no Céu senão a ti?” (v. 25)

“Os que estiverem vivendo sobre a Terra quando a intercessão de Cristo cessar no santuário celestial, deverão, sem mediador, estar em pé na presença do Deus santo. Suas vestes devem estar imaculadas, o caráter liberto de pecado, pelo sangue da aspersão. Mediante a graça de Deus e seu próprio esforço diligente, devem eles ser vencedores na batalha contra o mal. Enquanto o juízo investigativo prosseguir no Céu, enquanto os pecados dos crentes arrependidos estão sendo removidos do santuário, deve haver uma obra especial de purificação, ou de afastamento de pecado, entre o povo de Deus na Terra. Esta obra é mais claramente apresentada nas mensagens do capítulo 14 de Apocalipse…” CSS, 99. O sangue da aspersão, branqueador total das vestes do caráter, não é aplicado aos ímpios porque eles confiam mais no poder de suas riquezas. Dispensam Jesus.

Certo dia, um irmão muito querido contou-me sua conversa com um grande empresário. Enquanto nosso irmão apelava para que o milionário voltasse sua atenção para as coisas espirituais, o homem desdenhava dizendo: “Deus não precisa me ajudar. Se Ele não me atrapalhar já é uma grande coisa.” Que pena! Ele cria na fábula do Rei Midas a cujo toque tudo se transformava em ouro.

È no juízo do santuário que nossos destinos eternos estão sendo decididos – para a glória ou o aniquilamento.

Lembrei-me agora de uma história que li há uns 40 anos: Um culto membro de igreja tinha dúvidas sérias sobre como funcionava a justificação pela fé. Ele matutava sobre a questão e não conseguia entender o assunto. Certo dia, ele foi até sua igreja chegando algum tempo antes do culto. Um velho diácono varria o chão da igreja e a arrumava para receber os crentes. O homem foi logo expondo sua dúvida ao venerando ancião que humildemente recolhia a poeira da casa de culto. O velho disse que a resposta era muito simples: “É fácil! Deus vota a nosso favor; o diabo vota contra. Nosso voto é que decide a eleição.”

Como Asafe, precisamos entender a questão do Juízo

“O assunto do santuário e do juízo investigativo deve ser claramente compreendido pelo povo de Deus. Todos necessitam para si mesmos de conhecimento sobre a posição e obra de seu grandeSumo Sacerdote. Aliás, ser-lhes-á impossível exercerem a fé que é essencial neste tempo, ou ocupar a posição que Deus lhes deseja confiar. Cada indivíduo tem uma alma a salvar ou a perder. Cada qual tem um caso pendente no tribunal de Deus. Cada um há de defrontar face a face o grande Juiz. Quão importante é, pois, que todos contemplem muitas vezes a cena solene em que o juízo se assentará e os livros se abrirão, e em que juntamente com Daniel, cada pessoa deve estar na sua sorte, no fim dos dias!” Ev, 221, 222.


Terça
“Como os Animais que Perecem”
(Salmos 49)

“Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade.” (Ec 3:19)

Por tornar-se cada vez mais iníquo e degenerado, o mundo está transbordando de transgressões, desigualdades, genocídios, fomes, violência, maldades de todo tipo, sexualismo, blasfêmias, desamor e um rol de pecados interminável.

Uma das profecias bíblicas impressionantes encontra-se no livro de Tiago: “Atendei, agora, ricos, chorai lamentando, por causa das vossas desventuras, que vos sobrevirão. As vossas riquezas estão corruptas, e as vossas roupagens, comidas de traça; o vosso ouro e a vossa prata foram gastos de ferrugens, e a sua ferrugem há de ser por testemunho contra vós mesmos e há de devorar, como fogo, as vossas carnes. Tesouros acumulastes nos últimos dias. Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos e que por vós foi retido com fraude está clamando; e os clamores dos ceifeiros penetraram até aos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Tendes vivido regaladamente sobre a terra; tendes vivido nos prazeres; tendes engordado o vosso coração, em dia de matança; tendes condenado e matado o justo, sem que ele vos faça resistência.” (Tg 5:1-6)

Encontramos no livro de Nélson Dácio Tomazi, Iniciação a Sociologia, as seguintes ponderações sobre os confrontos sociais e econômicos: “As classes sociais se inserem em um quadro antagônico, elas estão em constante luta, que nos mostra o caráter antagônico da sociedade capitalista, pois, normalmente, o patrão é rico e dá ordens ao seu proletariado, que em uma reação normal não gosta de recebê-las, principalmente quando as condições de trabalho e os salários são precários.

“Prova disso, são as greves e reivindicações que exigem melhorias para as condições de trabalho, mostrando a impossibilidade de se conciliar os interesses de classes.

“A predominância de uma classe sobre as demais se funda também no quadro das práticas sociais, pois as relações sociais capitalistas alicerçam a dominação econômica, cultural, ideológica, política, etc.”

Na hora da morte, o rico é sepultado em seu jazigo e o pobre em sua cova. O ímpio vai para o descanso da mesma forma que o justo. Na extinção todos se igualam. Para o analista pouco perspicaz, todos vão para o mesmo lugar, só que uns gozaram mais a vida do que outros, que mal e mal puderam sobreviver.

A diferença – e que diferença! – será verificada no Juízo Final, quando os justos oprimidos estarão glorificados e os ímpios opressores destinados à matança.

Jesus morreu a Seu tempo pelos ímpios (Rm 5:6). Ele pagou o preço que o Salmo 49 diz ser “caríssimo” (v. 8). Esse salmo de autoria dos filhos de Coré traz-nos a certeza de que “Deus remirá a minha alma do poder da morte [a segunda morte].” Nessa ocasião, todos não irão para o mesmo lugar como está escrito em Ec 3:20. “E irão estes [os ímpios] para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.” (Mt 25:46)

“Na necessidade e no infortúnio, os filhos de Deus clamam por Ele. Muitos estão perecendo por falta das coisas necessárias à vida. Seus clamores penetram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Estritas contas pedirá Ele dos que têm negligenciado os Seus necessitados. Que farão esses ricos egoístas quando o Senhor lhes perguntar: ‘Que fizestes com o dinheiro que vos dei para usar para Mim?’ ‘Irão estes para o tormento eterno.’ Mt 25:46. O Senhor lhes dirá: ‘Apartai-vos de Mim, malditos… porque tive fome, e não Me destes de comer; tive sede, e não Me destes de beber; sendo estrangeiro, não Me recolhestes; estando nu, não Me vestistes; e estando enfermo e na prisão, não Me visitastes.’ Mt 25:41-43.” CM, 166.


Quarta
Adoração e o Santuário
(Salmos 20:3; Salmos 40:6-8; Salmos 43:4; Salmos 51:19; Salmos 54:6; Salmos 118:27; Salmos 134:2; Salmos 141:2; Hebreus 10:1-13)

A metáfora do incenso como aroma que sobe até o Senhor, é utilizada nas Escrituras com relação ao poder da oração: “Suba à tua presença a minha oração, como incenso, e seja o erguer de minhas mãos como oferenda vespertina.” Sl 141:2.

O incenso aromático utilizado no santuário era sagrado. Ninguém poderia imitar-lhe a fórmula para uso particular. Caso o fizesse, a pena para esse crime de pirataria seria a extirpação do meio do povo. Sua composição continha estoraque (resina de benjoim), ônica (conchas marinhas perfumadas achadas no Mar Vermelho e reduzidas a pó), gálbano (resina odorífera extraída de uma planta), incenso (feito da resina medicinal de árvores Boswelliaserrata e Pittosporumundulatum] e sal sagrado.

Toda manhã e toda tarde Aarão queimava incenso sobre o altar de ouro no Lugar Santo. Algumas ofertas eram polvilhadas com incenso. Os pães da proposição ou presença eram salpicados de incenso.

O Apocalipse diz que o incenso representa as orações dos santos (5:8).

Note que a oração é um componente tão vital do culto, que no antigo santuário um altar era inteiramente dedicado à queima de incenso consagrado. Não há adoração sem oração.

Incenso também simboliza o perfume do evangelho de Cristo e Seus méritos eficazes. À semelhança do incenso, a fragrância do evangelho devia ser difundida através do mundo. Aos que aceitassem a Cristo, a mensagem seria um cheiro de vida para vida; mas, aos que persistissem na incredulidade, um cheiro de morte para morte.” AA, 326.

Obediência humana só tem valor com o incenso da justiça de Cristo – “A obediência do homem só pode ser aperfeiçoada pelo incenso da justiça de Cristo, o qual enche com a divina fragrância cada ato de obediência. A parte do cristão é perseverar em vencer cada falta. Constantemente deve orar para que o Salvador sare os distúrbios de sua alma enferma do pecado. Ele não tem sabedoria ou a força para vencer; isso pertence ao Senhor, e Ele os outorga a todos os que em humildade e contrição dEle buscam auxílio.” Idem, 532.

Ainda representa as dádivas abnegadas: A dádiva do pobre, fruto da abnegação, sobe perante Deus como suave incenso. E cada ato de abnegado sacrifício fortalece o espírito de beneficência no coração do doador, aliando-o mais intimamente Àquele que era rico, e por amor a nós Se fez pobre, para que por Sua pobreza enriquecêssemos.” Idem, 341.

Davi apresenta em adição um gesto especial como oferenda de entrega própria (Sl 141:2) – o erguer das mãos. Esse ato mostra nossa total dependência de Deus e também o anseio de Sua presença em nós.

O sacrifício de Jesus Cristo, Sua vida imaculada, o exemplo de santidade são mais importantes no contexto da adoração do que simplesmente o acompanhamento e participação nas liturgias. Assim como o sangue de bodes e touros não expiava pecados por si próprios, a mera profissão religiosa em nada resulta se não for “incensada” pela justiça de Cristo.

EGW fala do “incenso das boas obras” (CSM, 223). Não são as boas obras em si, por melhores que possam parecer aos olhos dos homens, que agradam a Deus. Desprovidas do incenso de uma vida inteiramente controlada pelo Espírito de Cristo, que aplica a justiça do Cordeiro a elas, valem tanto quanto a “vida consagrada e puritana” dos escribas e fariseus.

Deus anseia o sentimento do apóstolo João no cultoJesus ama aos que representam o Pai, e João podia falar do amor do Pai como nenhum outro discípulo poderia fazê-lo. Ele revelou a seus semelhantes o que sentia em sua própria alma, representando em seu caráter os atributos de Deus. A glória do Senhor se revelava em sua face. A beleza da santidade que o havia transformado irradiava de seu semblante com a glória de Cristo. Com adoração e amor contemplou ele o Salvador até que assemelhar-se a Ele e com Ele familiarizar-se, tornou-se-lhe o único desejo, e em seu caráter se refletia o caráter de seu Mestre.” Obra citada, 545. Ele assimilara integralmente o caráter de Cristo, tanto quanto fosse possível a um humano fazer.

“Quanto menos virmos em nós mesmos digno de estima, tanto mais havemos de ver digno de estima na infinita pureza e amabilidade de nosso Salvador. A vista de nossa pecaminosidade impele-nos para Ele, que é capaz de perdoar; e quando a alma, reconhecendo o seu desamparo, anseia por Cristo, Ele Se revelará em poder. Quanto mais a sensação de nossa necessidade nos impelir para Ele e para a Palavra de Deus, tanto mais exaltada visão teremos de Seu caráter, e tanto mais plenamente refletiremos a Sua imagem.” CC, 65.

Adoração e serviço – “Atinge-se a plenitude do caráter de Cristo quando o impulso para auxiliar e abençoar a outros brota constantemente do íntimo. É a atmosfera desse amor circundando a alma do crente que o torna um cheiro de vida para vida, e permite que Deus lhe abençoe o serviço.” AA, 551.


Quinta
Para Que Não Nos Esqueçamos
(Salmos 78; Salmos 105; Salmos 106; Deuteronômio 6:6-9; I Coríntios 10:11)

Os salmos tinham duas formas de expressão congregacional: eram cantados ou recitados. Por serem inspirados pelo Espírito Santo, tinham a finalidade de relembrar Israel dos poderosos feitos do Senhor em sua história e animá-los na luta pela santificação.

“Nada temos que recear quanto ao futuro, a menos que esqueçamos a maneira em que o Senhor nos tem guiado, e os ensinos que nos ministrou no passado.” E Recebereis Poder, 231. É justamente para não nos olvidarmos do trato paternal do Senhor que são necessárias repetições da história de Israel e da Igreja. Temos a propensão de esquecer rapidamente as bênçãos que o Senhor nos concedeu; as vitórias, os milagres e os livramentos que realizou em nossa vida.

Deus almeja reforçar nossa fé em Suas providências e terno amor. O verso 7 do Sl 78 é impressionante: “Para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas Lhe observassem os mandamentos; e que não fossem, como seus pais, geração obstinada e rebelde, geração de coração inconstante, e cujo espírito não foi fiel a Deus.”

Atente para os passos robustecedores da fé: 1) Colocar a confiança em Deus. 2) Não se esquecer do trato passado do Senhor com Seu povo e 3) observar-Lhe os mandamentos.

Um dos graves problemas do povo de Deus desde o passado até hoje é negligenciar a viva fé, esquecer-se da fidelidade de Deus em todas as eras e deixar de observar estritamente os reclamos de Sua Palavra.

É possível que nós, os membros mais maduros da igreja, passemos por alto a transmissão dos reais ensinos da Bíblia e dos Testemunhos aos nossos jovens. Parece que temos medo de apresentar mensagens mais cortantes das Escrituras, para não causar comoção ou abalos espirituais nos novos soldados de Jesus. O que Paulo recomendou ao jovem pastor Timóteo? “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.” (II Tm 4:2) Ou segundo a Nova Versão Internacional: “Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina.” Sinceridade na pregação de temas reavivantes, mas com amor e carinho, exortando nossos moços e moças a uma consagração mais plena.

Não custaria mostrar em programas JÁ ou outras reuniões a vida dos jovens seguidores de Cristo no passado, para inspirar os seguidores mais moços do Salvador. Leia-se a história de nossos pioneiros de maneira interessante ao jovem. Montem-se grupos de discussão sobre como podemos imitar aqueles que deram tudo de si mesmos à causa de Deus. Nossos jovens são fortes e receptivos. Basta mostrar-lhes a verdade com brandura e consagração.

Também, e principalmente, o exemplo do jovem Cristo (Ele morreu com apenas 33 anos).

“Far-nos-ia bem passar diariamente uma hora a refletir sobre a vida de Jesus. Deveremos tomá-la ponto por ponto, e deixar que a imaginação se apodere de cada cena, especialmente as finais. Ao meditar assim em Seu grande sacrifício por nós, nossa confiança nEle será mais constante, nosso amor vivificado, e seremos mais profundamente imbuídos de Seu espírito. Se quisermos ser salvos afinal, teremos de aprender ao pé da cruz a lição de arrependimento e humilhação.” DTN, 83.


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