Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 05 – Você é Feliz, Ó Israel!

Comentários de Gilberto G. Theiss


Texto Central: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito!” (Isaías 5:20, 21)


Sábado

A adoração reflete não apenas um momento único e circunstancial. Ela deve permear a vida como um todo. Os cultos na igreja, nos pequenos grupos, nas programações especiais e nosso encontro especial com Deus no dia de Sábado devem ser uma conseqüência da adoração que diariamente são materializadas e vividas a todo o momento. Adoramos a Deus no comportamento, nas palavras, na forma como vestimos, nas coisas que usamos, na maneira como empregamos pessoas, na forma como trabalhamos para os outros, como namoramos, como nos comportamos e convivemos com as pessoas que estão a nossa volta, a maneira como tratamos os que nos ferem, a forma como agimos diante de um tumulto no trânsito, a forma como usamos nossos olhos, o que colocamos no prato para comer e no copo para beber, a maneira como tratamos nosso cônjuge e filhos, em fim, a adoração verdadeira precisa ser um estilo de vida. Deus precisa ser honrado em todo o momento por nós em nosso viver.

Nesta semana, mais uma vez perceberemos que a adoração verdadeira está totalmente baseada e fundamentada na vontade de Deus em detrimento da nossa própria. Creio que, se entendermos bem esta essência, com certeza os problemas que se concentram na adoração se resolverão definitivamente. O grande problema é o próprio eu que trabalha constantemente para, seja na vida cotidiana seja na igreja, oferecer a Deus o que achamos, gostamos e pensamos. Nossa vida não é mais nossa, pois foi comprada por um preço incalculável. Poderemos ser felizes somente cumprindo a vontade do Senhor, porque Ele sim sabe que realmente pode ser feito para nossa eterna felicidade: Nós não. Devemos oferecer ao nosso Senhor o que de melhor temos segundo sua vontade. Satanás fará de tudo para nos enfraquecer neste sentido para desviar o verdadeiro foco da fé, redenção e adoração. Pela graça de Cristo, qualquer coisa poderemos enfrentar e ser transformados a imagem de Jesus e assim oferecer a Ele, além das ações comuns, a própria vida como um troféu de vitória em Suas mãos.


Domingo
A Consagração
(Levítico 9)

“Vi que um santo, se reto, poderia mover o braço de Deus; mas toda uma multidão, se em erro, seria fraca e nada efetuaria.” (Primeiros Escritos, p. 120).

Quão significativo a adoração se torna quando executada de maneira em que Deus responde animosamente enchendo-nos mais ainda de admiração e louvor. A citação acima claramente ensina o quanto devemos levar a sério a vida cristã e nossa devoção ao Senhor. Adoração é um claro reflexo de consagração. Nossos atos, nossa vida, nossas palavras e o que oferecemos ao Senhor possui uma íntima ligação com nossa consagração assim como a oração, estudo da Bíblia e a testificação. É um conjunto completo e muito bem entrelaçado.

O povo de Israel recebera a maior e mais profunda impressão quando Deus reagira diante deles aceitando suas devoções. Se prepararam muito para este evento e fizeram valer os valores que permeavam a consagração para uma adoração mais real e viva aos moldes divinos. Esta narrativa nos ensina como devemos agir diante de Deus hoje. Deus não exige de nós menos do que exigia de Israel. Deus nos convida a irmos até Ele como estamos, mas não pede que permaneçamos indefinidamente como estamos. Nossa vida deve ser um cheiro suave que sobe ao Senhor. Devemos nos consagrar a Deus totalmente sem reservas. Devemos almejar a pureza, a integridade e a santidade. Deus reprova nossas ações egoístas motivadas apenas pela própria satisfação.

Muita gente pretende hoje transformar a igreja em uma discoteca, ou área de lazer, ou até mesmo em um lugar de entretenimento. O argumento é o mesmo de sempre: Eu preciso me sentir bem na igreja mesmo que tenha que comprometer a verdadeira adoração. Deus não está atrás de pessoas que estejam buscando-o apenas por razões cômodas. Muitos estão procurando um Deus que esteja disposto a se submeter aos seus próprios gostos e desejos. Infelizmente, por conta do fortíssimo existencialismo e relativismo, a vontade de Deus não é mais tão relevante. Aliás, gradativamente, por conta do existencialismo e relativismo Deus é trazido para a esfera humana. O templo de hoje tem, aos poucos, se tornado um lugar de entretenimento e de encontros sociais do que um centro de adoração. Uma prova disso são as músicas baseadas nos gostos humanos, os cultos baseados nos gostos humanos, as mensagens baseadas aos gostos humanos, os apelos baseados nos gostos humanos, as roupas que usam baseadas nos gostos humanos, enfim, parece que em tudo, os humanos colocam suas impressões, seus gostos e desejos.

No entanto, há pessoas sinceras, tementes e cheias de desejo de agradar, servir e de se submeter a Deus completamente. Há pessoas que não estão preocupadas com seus próprios gostos e desejos, pelo contrário, se sentem alegres, satisfeitas e felizes em renunciar-se por amor ao seu Mestre Jesus. Nisto é que está a verdadeira essência da verdadeira adoração. Aqueles que servirem ao Senhor seguindo Sua vontade, Deus mesmo se manifestará poderosamente em suas vidas assim como se manifestou no antigo Israel quando possuíam semelhante comportamento de devoção plena.


Segunda-feira
Fogo do Senhor
(Levítico 10:1-11; Êxodo 30:9; Levítico 16:12; Levítico 10:9)

Interessante notar que, o mesmo fogo que consumiu a oferta em sinal de aprovação de Deus, foi o mesmo fogo capaz de consumir Nadabi e Abiú em sinal de reprovação. É válido lembrar que, a mesma glória que glorificará o povo de Deus na segunda vinda de Cristo será a mesma glória que consumirá os ímpios. Esta lição é importante para nós, pois, muitos tratam a adoração, a fé e a Deus como questões periféricas de nossa vida. Claro que este trato não é de boca ou convicção. Na verdade demonstramos tal fato em nossos atos, devoção e adoração. Nossa vida também deve ser uma demonstração clara da maneira como realmente encaramos a Deus e a adoração.

A narrativa de Nadabi e Abiú é um pouco semelhante à oferta de Caim quando rejeitada por Deus. Ellen White comenta que “Os filhos de Arão tomaram fogo comum, o qual Deus não aceitava, e insultaram ao infinito Deus, apresentando fogo estranho diante dele. Deus os consumiu com fogo, por causa do desrespeito à Sua expressa orientação. Tudo que faziam era como a oferta de Caim” (No Deserto da Tentação, p. 97). O que torna essas narrativas semelhantes não são os aspectos externos, mas, os aspectos da irreverência, rebeldia e intransigência quanto aos fatores envolvidos que correspondem a vontade de Deus. Por esta razão é que as duas histórias são assemelhadas e nos transmitem lições importantes que, infelizmente, são poucos os que conseguem enxergar. A pergunta séria que devemos fazer diante destes ensinamentos seria: O que estou oferecendo e fazendo para Deus realmente é o que Ele deseja? Pela milésima vez, não podemos nos esquecer que, a verdadeira adoração possui como centro ou alicerce: a vontade Deus em detrimento da vontade humana. Nossa devoção e adoração sempre será imperfeita enquanto permanecermos aqui neste mundo de pecado. No entanto, o que Deus julga é o melhor que podemos oferecer dentro dos aspectos que envolvem a Sua vontade e não a nossa. Se oferecermos a Ele nossa adoração, no melhor que pudermos, mas, nas condições de Sua vontade, mesmo que sejam imperfeitas, elas subirão diante do trono do Altíssimo transformadas e purificadas e Ele responderá dando sua impressão de aceitação.


Terça-feira
Você é Feliz, ó Israel
(Deuteronômio 33:26-29)

Com Deus, o que poderia sair errado? O povo de Israel somente encontrou desgraças ao seu redor e em seu meio somente quando se afastavam de Deus quebrando os Seus mandamentos. Permanecer ao lado do Senhor sempre resulta em bênçãos, proteção e prosperidade. Israel foi um testemunho claro do significado exato da palavra obediência ou desobediência. Um escudo protetor sempre esteve com o povo enquanto permaneciam abraçados à aliança feita com Jeová. No entanto, todas as vezes em que viravam as costas para Deus, o escudo protetor que os protegia e as bênçãos que recebiam deixavam de ser uma realidade. Aqui está uma verdade incontestável, é impossível ser abençoado por Deus vivendo no pecado. É impossível receber a proteção de Deus permanecendo na rebelião. É impossível ser salvo apenas possuindo um suposto coração sincero quando nossos atos não correspondem a fé que professamos crer. Passar o verniz da boa religião não é capaz de nos tornar essencialmente puros e íntegros. Seremos felizes com Deus somente se, genuinamente permanecermos ao Seu lado de maneira irrestrita. Os cuidados especiais do Senhor só podem acompanhar a vida dos que são tementes e entregam seus gostos e suas vidas ao controle total e absoluto do Espírito Santo. Não há outro caminho e não há outra solução.

Esta lição é fundamental e reflete uma vida de verdadeira ou falsa adoração. O Senhor deseja nossa felicidade e oferece Seu mais sublime amparo. Ele nos ama e coloca a nossa disposição suas mais preciosas bênçãos. O que poderia sair errado quando estamos com Ele? A resposta é simples: Absolutamente nada. Mesmo os acontecimentos ruins se transformarão em bênçãos. Mas é necessário fazer valer nossa confiança Nele e buscar de todo o coração a pureza e a integridade, ingredientes estes que, precisam ser uma realidade na vida de qualquer ser humano que deseje o título de Cristão.


Quarta-feira
Uma Atitude de Entrega
(I Samuel 1)

Que exemplo magnífico e poderoso! Assim como Abraão, Ana não poupou seu próprio filho e ofereceu-o ao Senhor para servi-lo no templo. O seu grande sonho era ter um filho, mas nenhum sonho era-lhe maior do que o de agradar e servir a Deus.

Esta narrativa ilustra bem como deve ser nossa vida de adoração. Aos moldes do melhor que podemos oferecer, percebemos que tudo deve estar ornamentado com os gostos e vontades do Senhor. Nossos gostos não podem estar acima dos valores e princípios determinados pelo criador. Nossa adoração deve refletir nossa disposição de fazer Sua vontade em detrimento da nossa.

Em nossos dias, infelizmente, muitos fazem de sua vida um centro de adoração a si próprio. Alguns cantores cristãos, ao invés de desenvolverem um louvor e adoração que foque totalmente a vontade de Deus, fazem de seus cânticos e louvor uma demonstração clara de quem estão adorando: o próprio eu. Isto se revela quando ignoram valores e princípios que permeiam seus comportamentos e músicas. Quando misturam música mundana com letra religiosa estão voltando a adoração para o próprio ego ou gosto pessoal. Da mesma forma, muitos dos que vão à igreja para adorar, dependendo do pregador ou da mensagem, se retiram e vão embora. Estas atitudes, assim como muitas outras, refletem o tipo de adoração que existe neles, o de transformar o momento do culto em um centro de adoração que reflita suas próprias convicções. Isto é muito sério e precisamos entender bem o verdadeiro sentido da adoração. Deus é quem deve ser adorado e isto significa que, a adoração como um todo, deve ser voltada para Ele e por Ele. Nossos gostos e vontades precisam ser transformados e renovados pela presença e poder do Espírito Santo. Infelizmente, muitos estão vindo do Egito, mas, o Egito ainda permanece dentro deles. Além de o Egito ainda permanecer dentro de alguns professos cristãos, ao invés de mudarem suas vidas, estão tentando moldar o Senhor Deus aos gostos e vontades humanas. Não é Deus que deve se entregar a nós, mas nós é que devemos nos entregar a Deus totalmente.


Quinta-feira e Sexta-Feira
Adoração e Obediência
(I Samuel 15:22-23)

Adoração e obediência estão bem amalgamados um ao outro. Um depende do outro quando o contexto é adoração. A obediência deve ser uma realidade na vida dos que dizem servir a Deus. O título de cristão representa um povo que serve, obedece e adora o Deus dos Cristãos. Não há dúvidas que, no conflito entre falsa e verdadeira adoração, estão permeados valores que impulsionam a obediência a Deus ou desobediência. Ellen White esclarece que”Deus requer agora o que exigiu de Adão – perfeita obediência, justiça completa, sem falha aos Seus olhos.” (ME, vol. 2, p. 381).

Também é contundente quando diz que “Deus nos ajude a dar-Lhe tudo quanto Sua lei requer.” (ME, vol. 2, p. 381). Ela não está se referindo a perfeccionismo, mas à entrega completa da vida ao poder regenerador do Espírito Santo. O que verdadeiramente teme a Deus, farão o melhor para Ele seguindo Sua vontade em todas as coisas. A obediência determina de fato, de qual lado estamos neste grande conflito. Querendo ou não, a verdadeira adoração está muito longe de nossas próprias convicções e vontades. Adoração sem obediência não é adoração e jamais será.

Neste contexto, cabe muito bem o estilo de vida que vivemos diante de Deus e dos homens, pois nossos atos, comportamentos e palavras refletem muito bem nossa obediência e a adoração. A transformação da vida, realizada pelo poder de Deus mostra de que lado estamos. Ela é progressiva, porém crescente. White esclarece que “A santificação não é uma obra instantânea, e, sim, progressiva, assim como a obediência é contínua. Enquanto Satanás lançar suas tentações sobre nós, a batalha pela conquista do próprio eu terá de ser travada reiteradas vezes; mas, pela obediência, a verdade santificará a alma. Os que são leais à verdade irão, pelos méritos de Cristo, vencer toda debilidade de caráter que os levou a serem moldados por todas as multiformes circunstâncias da vida” (Signs of the Times, 19 de maio de 1890).


Leitura Adicional


Fonte: http://gilbertotheiss.blogspot.com


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