Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 05 – Você é Feliz, Ó Israel!

Comentários de César Luís Pagani


Texto Central: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito!” (Isaías 5:20, 21)


“Sim, bem-aventurado é o povo cujo Deus é o Senhor!” (Sl 144:15) Não foi o povo que escolheu a Deus, mas Ele ao povo. Chamou-o “Meu povo”, “povo escolhido”, “nação santa”, “sacerdócio real”. As razões da escolha de Deus podem parecer estranhas; veja: “Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o Senhor vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o Senhor vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito.” (Dt 7:7, 8)

Primeiro lhes teve afeição, amor. Teve compaixão deles porque eram pouco numerosos em relação às nações poderosas do Oriente Médio. Em verdade, um povo escravo, sem expressão política… nem uma nação eram. Apenas uma etnia – descendentes de Noé, de Sem e de Abraão.

Deus sabia que esse povo Lhe daria muito trabalho e tristeza, provocá-Lo-ia à ira muitas vezes, nem por isso recuou de Sua preferência.

De um grupo escravo e destinado ao genocídio por Faraó, o Senhor tomou-o como Sua propriedade particular e fê-lo a “menina de Seus olhos” (Dt 32:10). Organizou-o pormenorizadamente, deu-lhe um líder poderoso e consagrado, cercou-o de todos os cuidados, ordenou que construíssem um lugar sagrado para poder habitar no meio deles. Não se contentou em ficar apenas no trono celestial, mas fez questão de marcar Sua presença contínua no santuário. De dia e de noite brilhava o símbolo da presença divina no Santo dos Santos.

Quando Deus escolhe um povo para ser particularmente Seu, Ele não mede as concessões de Sua graça. Derrama-a de maneira sobreabundante. Além da graça, o Rei do Universo estende-lhes Sua misericórdia, compaixão, paciência infinita… Compreende-lhes as fraquezas e empenha todos os recursos na salvação e santificação desse povo.

Porém, o Senhor deseja algo em troca. Aquilo que todo pai deseja receber de seus filhos: amor, carinho, obediência, respeito, imitação.

Talvez ainda não nos tenhamos dado conta do incalculável privilégio que temos de cultuar e servir ao Senhor.

Lembro-me de que quanto moço cantava um hino de quarteto que me alegrava muito: “Somos filhos de um Rei, Rei dos reis, Rei dos reis; somos filhos de um Rei, rumo ao lar cantando…”

Sendo filhos do Grande Rei, temos o nobre título de príncipes e herdeiros. Como nobres devemos adorar a Deus seguindo os ditames de nossa consciência iluminada pela Palavra da Vida e pelo Espírito do Senhor. Precisamos saber em que consiste um culto agradável ao Deus dos deuses.

Ninguém negará que precisamos de uma reforma na área de adoração. O culto divino é o espaço de tempo consagrado à expressão de amor a Deus e Ele, em retribuição, nos dará a felicidade real que enche e transborda corpo, alma e espírito.


Domingo
A Consagração
(Levítico 9)

A consagração do primeiro grupo sacerdotal foi impressionante. Toda a congregação de Israel assistiu o futuro sumo sacerdote ser banhado e vestido, peça por peça, dos trajes sagrados (Êx 28:2). Depois testemunharam a unção de todos os móveis e utensílios do templo e, ato contínuo, a aplicação do óleo da unção sobre a cabeça de Aarão. Viram Moisés também vestir seus sobrinhos com um traje sacerdotal mais simples que o do irmão, mas de solene impressão. Aarão e seus filhos confessaram seus pecados sobre a cabeça de um novilho que, em seguida, foi sacrificado. O sangue colhido foi aplicado nas pontas do altar de holocaustos e o corpo do animal disposto no altar para ser consumido pelas chamas.

O ritual de consagração não parou por aí. Leia os versos 18 até 30 e acompanhe os ritos complementares.

Oferta de Sacrifícios

Aarão iniciou seu ministério oferecendo sacrifícios por ele mesmo e pelo povo. Ora, mas se havia imposto as mãos sobre o novilho e mais dois carneiros como ato de confissão, por que oferecer novo sacrifício?

Teria havido um exagero no simbolismo de purificação de pecados? Observe que Moisés antecipou que depois de todo o rito cumprido, a glória do Senhor apareceria (Lv 9:6). O Senhor Se manifestou após os pecados dos sacerdotes e povo terem sido perdoados e cobertos pelo sangue sacrificial. Foram precisos três sacrifícios para a purificação. A nação deveria estar totalmente isenta da mancha de pecado antes de o Senhor aparecer em glória. Deus desejava impressionar o coração de Seu povo com Sua infinita santidade e desagrado com relação à transgressão.

Todos os sacrifícios simbolizavam o derramamento do sangue inocente do Cordeiro de Deus, um sacrifício único e competente, para que se completasse uma consagração ou dedicação completa. Um fato teológico que ressalta da leitura de Lv 8 e 9 é que o culto ou adoração a Deus não poder ser aceito sem derramamento de sangue, porque o pecado faz divisão entre nós e nosso Deus para que não nos ouça. O culto não agradaria a Deus sem a intervenção do sacrifício de Cristo.

As vítimas oferecidas eram novas em idade – novilhos, carneiros, bezerros e bodes, todos deveriam ser de um ano. Parece-me, sem ousar extrapolar o conteúdo do simbolismo, que eles profetizavam a morte do Messias na flor da idade. Jesus Se entregou como sacrifício aos 33 anos e meio de idade, em pleno vigor de Sua maturidade.

A prova incontestável de que o ritual obedecera a todos os pormenores que Deus instruíra a Moisés e aos sacerdotes agradara plenamente a Deus, foi apresentada no verso 24 do capítulo nove: “E eis que, saindo fogo de diante do Senhor, consumiu o holocausto e a gordura sobre o altar; o que vendo o povo, jubilou e prostrou-se sobre o rosto.”

Para meditar

Pelo menos três vezes por semana nós nos reunimos para adorar a Deus. Que preparo fazemos para comparecer diante do Senhor nesses dias, principalmente no sábado? Pedimos que o Senhor guarde os nossos pés ao adentrarmos o templo? Pedimos que nos purifique de todos os pecados para que nossa presença O agrade? Oramos para que nosso espírito seja totalmente absorvido pelas influências celestiais ao estarmos no lugar sagrado?

“Nos tempos patriarcais as ofertas sacrificais relacionadas com o culto divino constituíam uma lembrança perpétua da vinda de um Salvador; e assim era com todo o ritual dos serviços do santuário na história de Israel. Na ministração do tabernáculo e do templo que posteriormente lhe tomou o lugar, o povo era ensinado cada dia, por meio de símbolos e sombras, a respeito das grandes verdades relativas ao advento de Cristo como Redentor, Sacerdote e Rei; e uma vez em cada ano tinham a mente voltada para os eventos finais do grande conflito entre Cristo e Satanás, a purificação final do Universo do pecado e pecadores. Os sacrifícios e ofertas do ritual mosaico deviam sempre apontar para um serviço melhor, celestial mesmo. O santuário terrestre era ‘uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios’; seus dois lugares santos eram ‘figuras das coisas que estão no Céu’; pois Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote, é hoje ‘Ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem’. Hb 9:9 e 23; 8:2.” MM92, 26.


SEGUNDA
Fogo do Senhor
(Levítico 10:1-11; Êxodo 30:9; Levítico 16:12; Levítico 10:9)

“… O nosso Deus é fogo consumidor.” (Hb 12:29)

Foi estranha a atitude dos filhos de Aarão que, após terem testemunhado o fogo divino – ao que parece saído dentre os querubins que encimavam a arca -, afrontosamente desrespeitando as claras instruções litúrgicas quanto ao uso do fogo no tabernáculo, e tomaram a iniciativa de adentrar o Lugar Santo e ir diante do Senhor com seus turíbulos ou incensários e oferecer um tipo de adoração inaceitável e ofensivo a Deus.

O que os levou a essa atitude insensata? O Espírito de Profecia responde: “Qualquer coisa que diminua as forças físicas enfraquece a mente, e torna-a menos clara para discernir entre o bem e o mal, entre o direito e o erro. Este princípio é ilustrado no caso de Nadabe e Abiú. Deu-lhes Deus sacratíssima obra a fazer, permitindo-lhes chegar perto dEle no serviço que lhes fora designado; eles, porém, tinham o hábito de beber vinho, e entraram no serviço santo do santuário com a mente confusa. Estava ali o fogo sagrado que fora aceso pelo próprio Deus; mas eles puseram fogo comum em seus incensários quando ofereceram o incenso que devia ascendercomo suave fragrância com as orações do povo de Deus. Visto que seu intelecto estava obscurecido por uma pecaminosa condescendência, menosprezaram a recomendação divina. ‘Então, saiu fogo de diante do Senhor e os consumiu; e morreram perante o Senhor.’ Lv 10:2.

“Deus proibiu o uso de vinho aos sacerdotes que ministravam em Seu santuário…” FEC, 427, 428.

Modernos “fogos estranhos”

Ainda existe fogo estranho apresentado perante o Senhor.

  1. A mistura no seio do povo de Deus do sagrado e do profano, do santo e do mundano é fogo estranho.
  2. A introdução de histórias que EGW chama de “fabulosas” (míticas, irreais, ficcionistas) num sermão também é fogo estranho. Ler Ev, 210.
  3. Condescendências pecaminosas com o gosto e o apetite são fogo estranho. Ler DT, 101.
  4. Misturar claras verdades bíblicas com interpretações fantasiosas e filosofais é apresentar fogo estranho.
  5. O eu entretecido na obra de Deus é fogo estranho. Ler TM 260.
  6. “Quando o orador, de maneira descuidada se intromete em qualquer parte, tomado pela fantasia, quando fala de política ao povo, está misturando fogo comum com o sagrado. Ele desonra a Deus. Não tem verdadeira evidência de Deus de que esteja falando a verdade. Comete para com seus ouvintes um grave mal. Pode plantar sementes que poderão lançar bem fundo suas fibrosas raízes, e elas brotam dando um fruto venenoso. Como ousam os homens fazer isso? Como ousam adiantar ideias quando não sabem com certeza de onde vieram, ou se são a verdade?” TM, 337.
  7. A exaltação própria e a língua altiva são fogo estranho. “É preciso o poder convertedor de Deus sobrevir aos homens que lidam com as coisas sagradas, e no entanto são incapazes, por alguma razão que Deus conhece melhor, de distinguir entre o fogo sagrado que Deus mesmo acendeu e o fogo estranho que eles oferecem. Esse fogo estranho é tão desonroso a Deus como o que foi apresentado por Nadabe e Abiú. O fogo sagrado do amor de Deus tornaria os homens brandos, bondosos e compassivos para com os que estão em perigo. Os que transigem com palavras cortantes, altivas, estão realmente dizendo: Sou mais santo do que tu. Não vês minha exaltada posição?” TM, 356. “Mas fogo estranho tem sido oferecido no emprego de palavrasásperas, na arrogância, na exaltação própria, na justiça própria, na autoridade arbitrária, no tiranizar, na opressão, ao restringir a liberdade do povo de Deus, sujeitando-os por meio de vossos planos e regras, que Deus não traçou, nem Lhe vieram à mente. Todas essas coisas são fogo estranho, não reconhecido por Deus, sendo uma contínua deturpação de Seu caráter.” TM, 357, 358.
  8. Opositores da obra de Deus, dizendo-se adventistas e reformadores da igreja a que chamam de Babilônia, dissidentes e inventores de novas doutrinas ou de correções impróprias ao ensino da Igreja – que é alicerçado na Bíblia -, são como Nadabe e Abiú.
  9. Doutrinas como a de que o Espírito Santo não é uma pessoa e não faz parte da Divindade, descrença no dom profético concedido à igreja de Deus, teses que visam a confundir a congregação e minar-lhes a fé no corpo doutrinário estabelecido, são encaixadas na categoria de “fogo estranho”.

Terça
Você é Feliz, ó Israel
(Deuteronômio 33:26-29)

A Moisés não fora permitido alcançar o objetivo da libertação do Egito, que era possuir a Terra da Promessa. Por certo ele muitas vezes sonhara em pisar a terra na qual viveram seus antepassados. Queria ver a herança de Deus prometida a Seu povo; a fidelidade inflexível do Senhor no cumprimento de Suas palavras.

Mas o triste episódio da desobediência às ordens de Deus e o acesso de ira incontrolada que o possuíra, desonraram o Senhor perante todo o povo. Moisés e Aarão, num momento de ausência de santa vigilância, atraíram a atenção do povo para si dizendo que seria por seu próprio poder que água brotaria da rocha. O erudito evangélico G. Chown esclarece que o erro de Moisés foi triplo: “1) Seu mau humor em chamar os israelitas de “rebeldes” [hb. Marah, obstinados, teimosos, desobedientes], quando o próprio Deus mandara-lhe apenas trazer-lhes refrigério. 2) Sua sugestão de que a água dependia do poder dele e de Aarão. 3) Ferir a rocha quando a ordem divina era falar à pedra.” O Salmo 106:33 diz que Moisés falou irrefletidamente.

Deus não poderia ser parcial com Seus dois servos, apesar de eles se conduzirem com humildade durante os 40 anos de vagueação. Veja que um pecado apenas pode pôr tudo a perder. Primeiro anunciou a morte do irmão mais velho de Moisés. Aarão iria subir o Monte Hor, na terra de Edom, e ali ser sepultado.

Moisés ainda viveu um pouco de tempo mais na providência divina. Mais tarde, Deus anunciou-lhe que ele deveria subir à região montanhosa por nome Abarim, e ver de longe a terra que Deus estava dando ao Seu povo. Provavelmente a intenção de Deus era trasladar Moisés ao Céu, mas sua rebelião contra Deus custou-lhe esse privilégio (ver Nm 28:14).

A preocupação de Moisés ao saber da decisão divina não foi dissuadi-Lo de Seu propósito, alegando que sempre fora fiel e sofrera muito por amor ao Senhor. Que deveria perdoá-lo e deixar que entrasse na posse da terra junto com o povo. Ele queria saber quem Deus escolheria para comandar o povo na tomada de posse de uma grande extensão de terra militarizada, isto é, de nações que eram muito mais poderosas belicamente que Israel.

O capítulo 33 de Deuteronômio é uma belíssima peça laudatória ao nome de Deus, ao mesmo tempo um rogo fervente para que as ricas bênçãos repousassem sobre as doze tribos.

Ele garante a Israel que eles deveriam regozijar-se por serem o povo escolhido, que fora salvo pelo Senhor, por Ele escudado, Guerreiro protetor contra os inimigos, Aquele que lhes dava todas as vitórias.

Moisés exalta o Senhor como Aquele que é incomparável, muito, mas muito acima dos deuses dos homens. Disse também que Jeová era a habitação de Seu povo. Que fascinante verdade! Além de Deus morar com Seus eleitos, também lhes é refúgio e morada cada dia.

Isso tudo se aplica ao povo de Deus de hoje. Ele continua sendo o mesmo Deus que foi para Israel, merecedor de todo o amor do povo, de sua adoração, reverência, serviço, testemunho fiel e submissão completa.

É nosso privilégio atingirmos tal conhecimento do Senhor e estarmos tão vitalmente ligados a Ele, que possamos dizer sem qualquer hipocrisia: “Não há entre os deuses semelhante a Ti, Senhor; e nada existe que se compare às Tuas obras.” (Sl 86:8)

Eis um excerto dos comentários do Dr. Matthew Henry que exalta as grandezas divinas:

“Portanto, todas as nações Te adorarão, porque como Rei das nações Tu és grande, Tua soberania é absoluta e incontestável; Tua majestade terrível e insuportável; Teu poder universal e irresistível; Tuas riquezas são vastas e inexauríveis; Teu domínio sem limites e inquestionável; e, para provar isso, Tu fazes coisas maravilhosas que as nações admiram, as quais podem facilmente inferir que Tu somente és Deus e que não há ninguém como Tu e ninguém que se Te compare.”

Este é o nosso Deus, por isso somos mui felizes e com alegria vimos adorá-Lo em Sua casa.


Quarta
Uma Atitude de Entrega
(I Samuel 1)

A lição de hoje fala da submissão ou total entrega de Ana ao Senhor. O filho que ela tanto ansiava, que desejava educar, amar, acariciar, foi dedicado a Deus desde sua mais tenra infância. Ela prometera que tanto logo desmamasse o menino (o desmame dos bebês hebreus era feito aos três anos de idade), o levaria para o santuário em Siló, e lá ele ficaria definitivamente.

Mas, gostaríamos de destacar outra maravilhosa mulher que se submeteu integralmente à vontade de Deus e assumiu um grande risco. Ficar grávida sem ainda haver-se casado era considerado adultério e digno de morte por apedrejamento. Maria era noiva de José e não haviam ainda coabitado, quando o arcanjo Gabriel anunciou-lhe que seria mãe do Messias. Isso implicava em exposição pública e numa posição social e moral nada airosa. Até José achou que ela havia adulterado e resolveu deixá-la secretamente.

Cheia de fé e submissão Maria disse ao arcanjo: “Aqui está a serva do Senhor, que se cumpra em mim conforme a tua palavra.” (Lc 1:28)

A adoração a Jeová não se prende tão-somente a uma determinada forma litúrgica de culto, mas a uma vida inteiramente submissa à vontade divina. Adoramos ou amamos a Deus quando guardamos Seus mandamentos, princípios, estatutos e normas; quando: “A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo!” (Sl 84:2)

Em tempo: A palavra “submissão” quer dizer “pôr debaixo”. Pôr debaixo de quê? Debaixo do governo de Cristo, das ordens e planos de Deus.

“[os cristãos] Confiando nos méritos de Cristo, nEle exercendo verdadeira fé, recebem o perdão do pecado. Ao deixarem de fazer o mal e aprenderem a praticar o bem, crescem na graça e no conhecimento de Deus. Veem que precisam sacrificar-se a fim de separar-se do mundo; e, depois de calcular o custo, consideram tudo como perda se tão-somente puderem ganhar a Cristo. Alistaram-se em Seu exército. Acha-se perante eles a luta e nela entram valorosa e alegremente, combatendo suas inclinações naturais e desejos egoístas, levando a vontade em sujeição à de Cristo. Diariamente buscam do Senhor graça para obedecer-Lhe, e são fortalecidos e ajudados. Isso é verdadeira conversão. Em humilde e grata submissão, o que recebeu um coração novo confia no auxílio de Cristo. Revela na vida os frutos da justiça. Outrora amava a si mesmo. Os prazeres mundanos eram seu deleite. Agora o ídolo é destronado, e Deus reina supremo. O pecado que outrora amava, agora odeia. Firme e resolutamente segue no caminho da santidade.” The Youth’s Instructor, 26 de setembro de 1901.

“A entrega [submissão] tem que ser completa. Toda alma fraca, em dúvida, que luta para se render inteiramente ao Senhor, é posta em contato direto com as agências que a habilitarão a vencer. O Céu lhe está próximo, e ela é sustentada e socorrida por anjos de misericórdia em todas as ocasiões de lutas e necessidade.” AA, 299.

Não há submissão ou entrega verdadeira enquanto não conhecermos o Deus a quem devemos render nossos destinos.A submissão é alicerçada na fé. Quem não tem fé, não se submete.

O sacerdote e o levita da parábola do bom samaritano haviam participado da adoração de Deus no templo, mas seu coração não fora transformado pelas bênçãos do culto. Quando deveriam estender a adoração a Deus cuidando de um desvalido filho Seu, contornaram o moribundo e seguiram seus caminhos. As boas obras praticadas por um coração renovado pelo Espírito Santo são um louvor e culto a Deus. Veja: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5:16)


Quinta
Adoração e Obediência
(I Samuel 15:22-23)

Obedecer é melhor! Conhecemos a Deus através da revelação de Sua Palavra. Por ela ficamos sabendo o que é verdade e o que não é. Por ela conhecemos a vontade de Deus consubstanciada nos Dez Mandamentos e regulamentada em toda a Escritura. Por ela o Espírito Santo vai nos convencendo da verdade, da justiça e do juízo, nos santificando, isto é, levando-nos em conformidade com a Santa Vontade divina, se o permitirmos.

No processo de santificação há um progressivo ajuste de nossa vontade à vontade de Deus. Cada vez mais nos interessa servir a Deus obedecendo-Lhe o expresso querer. Deus não quer “dobrar” nosso processo volitivo ou de escolha. Mas deseja que, mediante Sua revelação, saibamos que nos ama e que Sua vontade a nosso respeito é o melhor que nos poderia suceder.

É, no mínimo, curioso saber que o verbo obedecer nas Escrituras Hebraicas tem a mesma formação do verbo ouvir com uma pequena variante(shama´e shemah). Juntando os verbos podemos dizer que ouvir é obedecer e obedecer é ouvir.

Quando você ouve a Palavra do Senhor, está recebendo uma revelação da vontade divina. O Pai nos indica sempre o caminho da vida e fá-lo com pormenores para que não o erremos. Mas sabe que com a natureza corrompida que carregamos, somos inimigos figadais de Sua vontade. Assim sendo, o que Ele requer de nós? Obediência de fé, ou seja, que creiamos que Ele, a Fonte de todo poder, nos dará vontade e poder para cumprirmos Sua Palavra. (Fp 2:13) Apenas devemos manifestar nossa escolha, exercer nosso arbítrio em favor do querer do Deus que é amor, compaixão, longanimidade, misericórdia, abnegação, verdade e tudo o que há de perfeito.

Não há adoração ou culto sem obediência. Dos desobedientes diz o Senhor: “Em vão Me adoram obedecendo a mandamentos de homens.” Tal obediência requerida não se limita aos cultos, mas à vida toda. Veja o registro do “culto” de Saul. A ordem de Deus era: “Vai, pois, agora, e fere a Amaleque, e destrói totalmente a tudo o que tiver, e nada lhe poupes; porém matarás homem e mulher, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos.” (I Sm 15:3) O Senhor decidira riscar a memória de Amaleque de debaixo dos céus, extinguir esse povo idólatra e inimigo de Israel.

Saul, porém, resolveu ter outra ideia de prestar respeito a Deus: “Respondeu Saul: De Amaleque os trouxeram; porque o povo poupou o melhor das ovelhas e dos bois, para os sacrificar ao Senhor, teu Deus; o resto, porém, destruímos totalmente.” (I Sm 15:15) Ora, aceitaria Deus os sacrifícios dos animais antes pertencentes aos amalequitas como um sinal de “boa vontade” de Israel e Saul? Esse culto prestado com os produtos da desobediência agradaria ao Senhor? Bem mostraram Saul e seu povo que a vontade de Deus tinha de ser retificada, porque não estava de acordo com o desejo do povo e de seu rei.

Deus considerou a atitude de Saul e seus súditos como rebelião, pecado comparável à bruxaria,e iniquidade ou injustiça e idolatria. Consideremos a gravidade do feito dos israelitas – rebelião, injustiça ou contrariedade aos mandamentos do Senhor e idolatria.

Culto contínuo – Jesus Cristo é nosso exemplo ideal do que é verdadeiramente adorar a Deus. “Em todas as coisas punha Seus desejos em estrita obediência à Sua missão. Glorificava Sua vida por torná-la em tudo submissa à vontade de Seu Pai. Quando, na Sua juventude, Sua mãe, ao encontrá-Lo na escola dos rabis, disse: ‘Filho, por que fizeste assim para conosco?’ Lc 2:48. Ele respondeu – e Sua resposta é a nota tônica de Sua obra vitalícia – ‘Por que é que Me procuráveis? Não sabeis que Me convém tratar dos negócios de Meu Pai?’ Lc 2:49.” OE, 42.

“Não sabemos que grandes interesses podem estar em jogo em provarmos a Deus. Não há segurança alguma a não ser na obediência estrita à Palavra de Deus. Todas as Suas promessas são feitas sob condição de fé e obediência, e uma falta de conformação com as Suas ordens elimina de nós a plena utilização dos abundantes recursos providos nas Escrituras.” PP, 621.

“Lembra-te de que tens um Céu a ganhar, e um caminho aberto para a perdição, a evitar. Quando Deus diz uma coisa, quer dizer isso mesmo. Quando proibiu aos nossos primeiros pais comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, sua desobediência abriu a todo o mundo as comportas da desgraça. Se andarmos contrariamente a Deus, Ele andará contrariamente a nós. Nosso único procedimento seguro é prestar obediência a todas as Suas ordens, sejam quais forem as custas. Todas as Suas exigências se fundam em infinito amor e sabedoria.” TS2, pp. 119-122.


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