Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 02 – Adoração em Êxodo: Compreendendo Quem é Deus

Comentários de Maria José F. Vieira


Texto Central: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de Mim.” (Êxodo 20:2-3)


Será possível conhecer Deus? Ele é tão imenso, tão eterno e ao mesmo tempo se fez homem e habitou entre nós para mostrar Seu caráter.

É possível conhecê-Lo… Que bom!

Ele se apresenta a nós em diversas situações. Para a mulher samaritana Ele disse: “…Mas, vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque são estes o que o Pai procura para seus adoradores” (João 4:23)

Deus nos procura para adorá-Lo. Foi assim com Moisés, o libertador do povo escolhido por Deus, que estava cativo no Egito, numa terra pagã, esquecendo-se da verdadeira adoração.

Deus sempre buscou o Seu povo para tirar do cativeiro da escravidão, pois esta é a única saída. Deus enxerga o todo. Nós enxergamos uma pequena parte da história. Pode, a princípio, parecer uma forma de sublimar o sofrimento, que aparece a qualquer momento e transforma uma vida e uma história. Porém, temos a Bíblia. Ela mostra o final da história em muitas situações.

Foi assim com Moisés. Desde bebezinho, Deus cuidou dele, pois já sabia que Ele seria usado por Suas poderosas mãos para uma grande missão. Foi criado no palácio do faraó, sem apresentar necessidades materiais e sendo preparado para ser um grande estadista. Mas, esta história inverteu. Se ela terminasse após Moisés ter matado o egípcio e fugido, poderíamos interpretá-la de várias formas. Mas, Deus não permitiu que ela terminasse assim. Moisés foi para o deserto, lugar em que cada um de nós tem a oportunidade e o privilégio de ir, apesar de aparentemente ser ruim, para inverter não só o próprio destino, mas também o destino de muitos.

Passaram-se muitos anos. Moisés não colocava em prática nada do que havia aprendido como príncipe, pois era um simples pastor de ovelhas. Mas, como Deus nunca dorme, nem cochila, as mudanças aconteciam, apesar de aparentemente estarem em franca decadência. É difícil entender e aceitar, mas Deus não para e sempre está nos levando em direção à santidade e à Sua semelhança.

Certo dia, enquanto pastoreava as ovelhas, Moisés deparou-se com uma sarça que queimava, mas não se consumia. Isto causou um estranhamento, e Ele se aproximou, pois ouviu uma voz chamando-o pelo nome. A lição relata que Moisés estava tendo uma grande visão, algo notável e mesmo sobrenatural. Deus ordenou que as sandálias fossem tiradas, pois a terra que pisava era santa. Deus estava lá, dando uma orientação simples, como tirar as sandálias dos pés, mas preparando para algo muito mais grandioso. Só que Moisés precisaria conhecê-Lo antes de poder cumprir as próximas tarefas e reconhecer que Deus deve ser reverenciado, adorado e respeitado. Moisés seria o libertador do povo escolhido do Egito, prefigurando Jesus, que nos apresentou o caráter de Deus, quando Se entregou para a nossa libertação eterna.

Precisamos não só tirar “as sandálias” para nos apresentarmos perante Deus; mas reconhecer que sem Jesus somos apenas um peregrino sem rumo e perdendo a oportunidade de finalmente encontrar a verdadeira libertação e a terra Santa.

Por meio do sangue de Jesus, colocado nas ombreiras da nossa vida, poderemos ser poupados da morte eterna. Pode ser difícil entender a morte dos primogênitos egípcios, a princípio. Pode parecer cruel que inocentes tenham sido sacrificados, mas eles haviam sido avisados: “Assim diz o Senhor: Israel é Meu filho, Meu primogênito, E eu tenho dito: Deixa ir o Meu filho, para que Me sirva, mas tu recusaste deixá-lo ir” (Êxodo 4:22-23).

Ellen White, no livro Patriarcas e Profetas, cita na pagina 373 que “Deus é longânimo e cheio de misericórdia. Tem terno cuidado pelos seres formados à Sua imagem…a nação egípcia obstinadamente resistiu à ordem divina e o golpe final estava prestes a ser desferido”.

O povo israelita entendeu a mensagem, obedeceu e curvou-se em adoração (Êxodo 12:27), pois os primogênitos de Israel foram poupados. Esta Páscoa simbolizou que o Primogênito de Deus não seria poupado e morreria em nosso lugar. Este acontecimento, que mudou a história da humanidade e dividiu-a em antes e depois de Cristo, deve fazer-nos lembrar a cada instante do grande amor que Deus tem por nós, a ponto de dar o Seu filho em favor da humanidade caída.

O povo, no entanto, assim como nós, apesar de todos os milagres e ações sobrenaturais, como a coluna de fogo, a nuvem que protegia do calor, a manutenção da vida dos primogênitos, ainda continuava em busca da idolatria. Ainda não havia introjetado sobre o poder e sabedoria de Deus. Com amor e misericórdia, Deus escreveu a Sua lei com o próprio dedo e os quatro primeiros mandamentos, apontam para a adoração do Deus único e verdadeiro. “Jeová revelou-Se não somente na terrível majestade de juiz e legislador, mas como um compassivo guarda de Seu povo. Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito , da casa da servidão (Exodo20:2)…A lei não fora proferida para benefício dos hebreus. Deus os honrou, fazendo deles os guardas e conservadores de Sua lei, mas esta deveria ser considerada como um depósito sagrado para todo o mundo…como o único que tem direito a reverência e culto supremos” (Patriarcas e Profetas, pag. 307).

A lição nos convida a pensar sobre: Tenho outros deuses em minha vida, competindo pelas minhas afeições, tempo, prioridades e objetivos? Quais são eles e como posso removê-los?

Devemos lembrar que atualmente vivemos em uma sociedade sem Deus. As prioridades são outras e somos bombardeados por informações e necessidades criadas pela própria cultura vigente. Devemos, diariamente, tomar tempo para a entrega a Deus e comunhão. Isto nos levará a conhecê-Lo, não só pelo que Ele já fez no passado, mas pelo que Ele faz como mantenedor da nossa vida independentemente das interferências, que progressivamente minam a confiança e fé no Deus que também promete a eternidade por meio de Jesus Cristo.

Devemos ter serenidade para tolerar o silencio e muitas vezes a impressão da ausência de Deus. Isto aconteceu com o povo israelita, quando Moisés ficou ausente durante 40 dias. Eles não suportaram a demora e construíram um ídolo de ouro, à semelhança dos deuses egípcios, para adorar. Talvez hoje não edifiquemos um ídolo de ouro, mas aonde vão nossos pensamentos e nossa fé quando as coisas não acontecem como planejamos?

Arão como líder e tendo presenciado e participado do poder de Deus em muitas ocasiões, teve medo e rendeu-se ao que a multidão pedia. Ellen White cita que há “Arãos flexíveis, que ao mesmo tempo em que mantêm posições de autoridade na Igreja, cederão aos desejos dos que não são consagrados, e assim os acoroçoarão ao pecado” (Patriarcas e Profetas, pag. 317). Somos humanos, demasiadamente humanos, e devemos ter a comunhão com Deus para ouvirmos a Sua voz mansa e suave dizendo qual o caminho que devemos seguir e qual a conduta que nos levará à semelhança com Deus.

A interferência hoje é muito forte e tem-se a impressão que a tendência é piorar, pela própria base frágil em que a sociedade, a família e a própria igreja está alicerçada. A união entre nós, a comunhão individual, em família e entre amigos da mesma fé, pode nos tornar mais fortes para não perdermos o foco do conhecimento de Deus e como isto é fundamental para a nossa salvação e daqueles que ainda não conhecem o plano traçado antes da fundação do mundo.

O ponto alto da lição e que deveria ser o desejo de cada um foi a frase de Moisés para Deus: Mostra-me a Tua glória.

O nada pedindo ao Todo que se mostrasse a ele. Parece Paulo quando caiu do cavalo perguntando: Quem é Tu?

Nas duas vezes e em muitas outras, por incrível que possa parecer, Deus se mostra, se apresenta, permite ser visto, mesmo que não totalmente, pois não seria possível suportar totalmente a Sua glória.

Deus é o Deus que se mostra. Quer ser adorado, pois precisamos d’Ele. Sem Ele construiremos ídolos, que mesmo que sejam de ouro, poderão ser roubados e derretidos.

Sem Ele, seremos dependentes do nada. Moisés queria conhecer, pois desejava depender e se submeter Àquele em que mora a justiça. Além disso, por já estar transformado pela graça de Deus, ele não era mais o assassino, que num ímpeto de descontrole, matou o egípcio e fugiu. Agora Ele era um príncipe diferente, que representava Jesus para muitos que o seguiam e que viram Sua face brilhar quando desceu da montanha. Ele era aquele que intercedia pelo povo e que dizia “Se a Tua presença não vai comigo, não nos faça subir deste lugar” (Êxodo 33:15).

Moisés era um representante do que Jesus faz por nós. Ele é o nosso intercessor. Sem Ele, não adianta seguir. Para onde iremos sem Jesus!!!! Ele é a luz do mundo.

“Deus não comunicará aos homens luz divina, enquanto estiverem contentes com permanecerem em trevas. A fim de receber o auxílio de Deus, o homem deve compenetrar-se de sua fraqueza e deficiência; deve aplicar seu próprio espírito na grande mudança a ser operada em si; deve despertar para a oração e esforço fervorosos e perseverantes” (Patriarcas e Profetas, pag. 249).

A sarça ainda está ardente e não se queima. Deus está chamando cada um de nós para ouvi-Lo e conhecê-Lo. Tira as sandálias…É terra santa.


Fonte: http://iasdmoema.org.br/escolasabatina.html


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