O Uso de Palmas e Aplausos no Culto

por: Levi de Paula Tavares

Periodicamente tem surgido pessoas, líderes da igreja e até mesmo alguns pastores defendendo o uso de palmas e aplausos no culto de adoração. Os argumentos são os mais variados, mas podemos resumi-los na seguinte lista:

  1. O louvor quadrado, formal e frio, é tão extremadamente prejudicial.
  2. É muito importante que o adorador se envolva no louvor, com todo o ser, inclusive, com o corpo.
  3. A Bíblia nos recomenda a cantar a Deus com palmas em Salmos 47:1-2.
  4. Não existe uma única passagem bíblica sequer que condene o ato de bater palmas.
  5. O louvor acompanhado das palmas alcança muito melhor o seu objetivo de envolver a todos.
  6. Bater palmas é uma questão cultural. A igreja deve usar as melhores formas de expressão existentes em sua cultura que levem a maioria a participar do louvor.
  7. Palmas podem usadas, desde que com equilíbrio, para a honra e glória de Deus.

Estes são alguns dos argumentos levantados pelos defensores desta prática. Estes argumentos tem sustentação escriturística? Quais são os princípios bíblicos aplicáveis a este debate? Qual seria a posição da Igreja Adventista do Sétimo Dia com relação a esta questão?

Na verdade, assim como em toda a questão da música sacra e da adoração, não existe o que poderíamos chamar de “posição oficial”, como aqueles encontrados na declaração das 28 crenças fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Mesmo a “Filosofia Adventista de Música”, um documento oficial da Associação Geral, publicado em 1972, e revisto em 2005, não traz nada a respeito das palmas, talvez por que fosse impensável para os que participaram de sua elaboração que alguém, algum dia usaria palmas na igreja.

Vamos ver o que a Palavra de Deus e o Espírito de Profecia tem a dizer acerca desta questão. Vamos analisar os argumentos colocados, um a um:

1. O louvor quadrado, formal e frio, é tão extremadamente prejudicial.

O louvor frio não é somente prejudicial: ele não é louvor e, portanto, não existe! É um ritual, apenas uma forma, vazia de conteúdo. Obviamente que isto é uma distorção do verdadeiro louvor, mas qual é o remédio divino para esta distorção?

  1. Buscarmos, através da comunhão pessoal, uma razão íntima para louvar a Deus de forma plena ou;
  2. Buscarmos estímulos externos para incitar a participação popular em uma manifestação de excitação de massas?

Todos sabemos quais são as instruções de Deus a este respeito, mas não custa nada relembrar: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João 4:23-24).

Ellen White fala o seguinte a este respeito:

“Se trabalharmos para criar excitação do sentimento, teremos tudo quanto queremos, e mais do que possivelmente podemos saber como manejar. Calma e claramente ‘prega a Palavra’. Importa não considerar nossa obra criar excitação. Unicamente o Espírito de Deus pode criar um entusiasmo são. Deixai que Deus opere, e ande o instrumento humano silenciosamente diante dEle, vigiando, esperando, orando, olhando a Jesus a todo momento, conduzido e controlado pelo precioso Espírito que é luz e vida.” (Carta 68, 1894.)

2. É muito importante que o adorador se envolva no louvor, com todo o ser, inclusive, com o corpo.

O argumento acima não leva em conta o princípio estabelecido por Paulo em Romanos 12:1-2: o culto cristão é um culto racional (“logiken latria“); demanda uma renovação da mente. Este texto está em perfeita consonância com as citações do Antigo Testamento que falam de entrega e transformação do coração, visto como a sede das decisões e da razão, ou seja, do “eu” (veja Isaías 6:10; 29:13; Jeremias 4:14; 24:7; 29:13; 31:33; 32:39;).

Vamos ver ainda o que o Espírito de Profecia nos diz sobre o assunto:

“Movimentos corporais são de pouco proveito. Tudo o que esteja ligado, de alguma forma, com o serviço religioso, deve ser digno, solene e impressivo.” Manuscript Releases .v 5, Manuscrito nr. 306 – Música, p. 194

“Não temos tempo agora para gastar em buscar as coisas que agradam unicamente aos sentidos. É preciso íntimo esquadrinhar do coração. Necessitamos, com lágrimas e confissão partida de um coração quebrantado, aproximar-nos mais de Deus; e Ele Se aproximará de nós.” Review and Herald, 14 de novembro de 1899; Evangelismo p. 510

3. A Bíblia nos recomenda a cantar a Deus com palmas em Salmos 47:1-2.

4. Não existe uma única passagem bíblica sequer que condene o ato de bater palmas.

Uma vez que os dois argumentos acima são relacionados ao contexto dos aplausos nas Escrituras, vamos analisá-los de uma só vez, procurando compreender, através de uma pesquisa abrangente, como o assunto é tratado na Bíblia.

Os textos bíblicos que citam, de alguma forma, este tipo de manifestação são os seguintes:

Números 24:10 – “Então a ira de Balaque se acendeu contra Balaão, e bateu ele as suas palmas; e Balaque disse a Balaão: Para amaldiçoar os meus inimigos te tenho chamado; porém agora já três vezes os abençoaste inteiramente.”

II Reis 11:12 – “Então Joiada fez sair o filho do rei, e lhe pôs a coroa, e lhe deu o testemunho; e o fizeram rei, e o ungiram, e bateram as palmas, e disseram: Viva o rei!”

Jó 27:22-23 – “E Deus lançará isto sobre ele, e não lhe poupará; irá fugindo da sua mão. Cada um baterá palmas contra ele e assobiará tirando-o do seu lugar.”

Jó 34:36-37 – “Pai meu! Provado seja Jó até ao fim, pelas suas respostas próprias de homens malignos. Porque ao seu pecado acrescenta a transgressão; entre nós bate palmas, e multiplica contra Deus as suas palavras.”

Salmos 47:1 – “Batei palmas, todos os povos; aclamai a Deus com voz de triunfo. Porque o SENHOR Altíssimo é tremendo, e Rei grande sobre toda a terra.”

Salmos 98:8 – “Os rios batam as palmas; regozijem-se também as montanhas,”

Isaías 55:12 – “Porque com alegria saireis, e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cântico diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas.”

Lamentações 2:15 – “Todos os que passam pelo caminho batem palmas, assobiam e meneiam as suas cabeças sobre a filha de Jerusalém, dizendo: É esta a cidade que denominavam: perfeita em formosura, gozo de toda a terra?”

Ezequiel 6:11 – “Assim diz o Senhor DEUS: Bate com a mão, e bate com o teu pé, e dize: Ah! Por todas as grandes abominações da casa de Israel! Porque cairão à espada, e de fome, e de peste.”

Ezequiel 21:14 – “Tu, pois, ó filho do homem, profetiza e bate com as mãos uma na outra; e dobre-se a espada até a terceira vez, a espada dos mortos; ela é a espada para a grande matança, que os traspassará até o seu interior.”

Ezequiel 21:17 – “E também eu baterei com as minhas mãos uma na outra, e farei descansar a minha indignação; eu, o SENHOR, o disse.”

Ezequiel 22:13 – “E eis que bati as mãos contra a avareza que cometeste, e por causa do sangue que houve no meio de ti.”

Ezequiel 25:6 “Porque assim diz o Senhor DEUS: Porquanto bateste com as mãos, e pateaste com os pés, e com todo o desprezo do teu coração te alegraste contra a terra de Israel,”

Naum 3:19 – “Não há cura para a tua ferida, a tua chaga é dolorosa. Todos os que ouvirem a tua fama baterão as palmas sobre ti; porque, sobre quem não passou continuamente a tua malícia?”

A simples leitura dos textos acima nos deixa claro imediatamente que a expressão “bater palmas” na cultura hebraica dos tempos do Antigo Testamento, se referia muito mais a uma expressão de surpresa e espanto do que qualquer forma de comemoração ou reconhecimento, como hoje ocorre na nossa cultura. Esta expressão de surpresa poderia ser tanto positiva quanto negativa, ou até mesmo de forte reprovação, zombaria, escárnio e desprezo.

Além disso, de acordo com a referência Strong, a palavra hebraica utilizada neste texto (tâqah) também é traduzida como:

  • Soprar, tocar (trombetas) (46 ocorrências)
  • Cravar, afixar (com estacas ou cravos) (5 ocorrências)
  • Golpear (4 ocorrências)
  • Erigir (tendas) (3 ocorrências)
  • Empurrar, enfiar (armas brancas) (2 ocorrências)
  • Lançar (1 ocorrência)

Na verdade, podemos agrupar os textos acima, de acordo com seus significados, da seguinte forma:

  • Surpresa, espanto: Números 24:10; Salmos 98:8; Isaías 55:12; Lamentações 2:15; Naum 3:19
  • Reprovação, repreensão, rejeição, desprezo: Jó 27:22-23; Ezequiel 6:11; Ezequiel 22:13
  • Afirmação, concordância: Jó 34:36-37; Ezequiel 21:14; Ezequiel 25:6-7
  • Celebração, reconhecimento: II Reis 11:12; Salmos 47:1-2

Assim, fica bastante óbvio que qualquer referência a textos bíblicos que mencionem “bater palmas” (os quais ocorrem apenas no Velho Testamento), não pode ser transposta diretamente para a nossa cultura e às manifestações atuais, uma vez que o sentido das expressões bíblicas é muito diferente daquele empregado hoje. Será necessário uma análise do contexto das citações, para podermos compreender mais corretamente seu significado. Vamos analisar apenas os dois textos que indicam um significado de celebração ou reconhecimento, já que os outros significados estão, por si mesmos, excluídos da adoração.

Em II Reis 11:12 é citado o aplauso de reconhecimento e celebração. Porém, dizer que o rei estava sendo adorado através desta manifestação é absurdo! Fica assim evidenciado que o ato de bater palmas não era usado de forma direta como elemento de adoração, mesmo quando era usado como forma de celebração ou reconhecimento.

De todos os textos acima, a única referência bíblica acerca de bater palmas que poderíamos, de alguma forma, relacionar com o louvor é de Salmos 47:1-2. Porém, devemos observar uma coisa importante: O contexto do Salmo 47 indica que não é o povo de Israel que estava sendo chamado a bater palmas, mas sim as nações que haviam sido subjugadas. Ora, será que os povos pagãos, que não conheciam a Deus de forma plena nem O amavam, e que foram subjugados em Seu nome, estariam dispostos a adorá-Lo? Estariam dispostos a saudar o Deus do povo que os dominara? Provavelmente não e, neste caso, não podemos, de forma alguma, chamar isso de adoração.

Portanto, sendo Salmos 47:1-2 o único texto que poderia ser utilizado para defender esta prática como parte da adoração, podemos dizer com segurança que não há justificativa escriturística para fazer uso desta expressão no contexto da adoração a Deus na igreja. Se fosse esta a intenção do Salmo, ou se houvesse uma justificativa coerente para isto, este prática teria sido introduzida no Templo. Porém o relato bíblico nega esta possibilidade, já que não há nenhuma indicação aqui ou qualquer outro lugar da Bíblia de que bater palmas fosse uma característica usual na adoração.

Além disso, diferentemente da prática que se quer adotar atualmente em algumas igrejas (inclusive com o apoio de alguns pastores), notamos que somente Deus é o receptor desta expressão exuberante de alegria relatada no Salmo 47, e não um cantor, pregador, ou qualquer outra pessoa que se apresenta à frente. Da mesma forma, este “bater palmas” não é um acompanhamento rítmico à música que está sendo cantada.

5. O louvor acompanhado das palmas alcança muito melhor o seu objetivo de envolver a todos.

Seria ótimo que todos estivessem envolvidos no louvor. Ellen White cita que “O canto não deve ser feito por uns poucos. O mais freqüentemente possível, una-se toda a congregação.” – Evangelismo, p. 507. Mas, o que este texto está dizendo é que devemos dar oportunidades de participação em grupo a todos aqueles que têm motivos pessoais para louvar, e não que devemos incitar a participação do grupo em uma atividade corporal, através de métodos de manipulação de massas.

O objetivo do louvor não é incitar a interação grupal, e sim dar glórias a Deus, reconhecendo o que ele fez na vida do adorador, de forma pessoal. Se eu não reconheço isto, por que participar de um momento de louvor? Porque o clima do ambiente me induz a participar da coreografia? Porque não quero ficar de fora da atividade da “galera”? Porque “entrei no clima”? Será que esses motivos (ou outros semelhantes) seriam aprovados e aceitos por Deus como sendo verdadeira adoração?

Caberia um estudo mais aprofundado sobre o que é louvor e como ele se encaixa na adoração (não, as duas palavras não são sinônimas…). Aliás, estamos falando de adoração ou de entretenimento?

Mais uma vez recorro ao Espírito de Profecia para nos ajudar a esclarecer alguns conceitos:

“A santificação bíblica não consiste em forte emoção. Eis onde muitos são levados ao erro. Fazem dos sentimentos o seu critério. Quando se sentem elevados ou felizes, julgam-se santificados. Sentimentos de felicidade ou a ausência de alegria não é evidência de que a pessoa esteja ou não santificada.” (Santificação, p. 10)

6. Bater palmas é uma questão cultural. A igreja deve usar as melhores formas de expressão existentes em sua cultura que levem a maioria a participar do louvor.

Com relação ao fato de que o ato de bater palmas é uma questão cultural, a questão já ficou um pouco mais clara quando examinamos, acima, os textos bíblicos existentes a este respeito. Mas com relação à participação no louvor, devemos nos perguntar: O papel da igreja é fazer com que o povo louve, para conseguir uma experiência “espiritual” ou é um agrupamento de pessoas dispostas a louvar, por conta de sua experiência espiritual pessoal, que forma uma igreja?

Se tivermos a coragem de responder de maneira sóbria e espiritual a esta pergunta, veremos que muitas vezes estamos “colocando o carro na frente dos bois” no que se refere às nossas reuniões de adoração. Muitas vezes colocamos o foco no adorador, e não em Deus, que deveria ser o centro de tudo o que ocorre durante um culto de adoração. Assim, não é surpreendente que surjam argumentos defendendo a utilização de métodos de manipulação de massas, buscando atrair, de maneira cada vez mais envolvente a “platéia”.

Sim, utilizamos o termo “platéia”, em vez de congregação, porque é a isto que que o grupo de pessoas presentes na igreja é rebaixado, quando tratamos o culto como momentos de entretenimento.

7. Palmas podem usadas, desde que com equilíbrio, para a honra e glória de Deus.

Concordamos plenamente com o conceito de que é necessário equilíbrio quando tratamos das coisas de Deus. Mas qual equilíbrio? Quem decide qual é o ponto de equilíbrio? Cada um de nós desenvolveu, por conta de suas experiências pessoais, escalas de valores diferentes e, portanto, vê os extremos em pontos diferentes, e encontra o ponto de equilíbrio num local diferente desta escala. Ou encontramos um ponto de equilíbrio absolutamente objetivo, e portanto, não sujeito às interpretações extremamente variáveis da subjetividade, ou o conceito de equilíbrio se torna tão fluído, indistinto e pessoal que não terá nenhum valor como métrica. Parece-nos que a melhor opção é saber o que Deus nos esclareceu a respeito, em vez de buscar explicar como cada um define o seu ponto de equilíbrio, o que não levará a ponto algum.

Ainda acerca deste argumento, devemos levantar algumas observações:

  1. Será que o uso das palmas no culto, pelo que vimos nos escritos de Ellen White, é a posição de equilíbrio? Ou esta seria uma posição de entusiasmo, excitação, movimentação de massas?
  2. Como bater palmas com equilíbrio? Bater palmas não é uma expressão espontânea de apreciação por parte de um grupo? Não é, por natureza, uma manifestação ruidosa e expansiva?
  3. Qual será o próximo passo? Bater os pés? Assobios? Pulos? Gritos? Como traçar uma linha divisória?

Se considerarmos que estas últimas manifestações não são apropriadas, não nos esqueçamos que Ezequiel 6:11 e 25:6 citam o bater dos pés; Jó 27:23 cita assobios; Ezequiel 25:6 cita pulos de alegria e Salmos 47:1; 98:8 e Isaías 55:12 citam aclamações se júbilo, todos estes em conjunção com as palmas! Obviamente que para aceitarmos estas manifestações com base nesses textos, será necessário distorcer completamente o seu significado, mas ao aceitarmos as palmas não estaríamos dando uma indicação de que esta distorção pode ser aceitável?

Infelizmente, temos que concluir que a aceitação de palmas nos momentos de adoração, uma prática não encontra base bíblica para justificar-se, não passa de relativismo, puro e barato! Dentro da visão e dos valores do Pós-Modernismo, a verdade é relativa à cosmovisão reinante. Portanto, ela só existe dentro de uma comunidade que compartilha da mesma cosmovisão, não em âmbito universal. Assim, a verdade seria aquilo em que a comunidade decide acreditar. Nós somos Adventistas do Sétimo Dia, povo remanescente, levantado por Deus com uma mensagem específica para o tempo do fim, ou cristãos pós-modernistas? Qual é o nosso conjunto de valores? A vontade de Deus, expressa através da Bíblia e de Sua mensageira para este povo, ou as práticas reinantes nos povos e denominações ao nosso redor? Tendo em mente que a nossa forma de adoração é um reflexo do nosso conceito de Deus, a Palavra de Deus nos diz:

Não seguireis outros deuses, os deuses dos povos que houver ao redor de vós.” (Deuteronômio 6:14)

Será, porém, que, se de qualquer modo te esqueceres do SENHOR teu Deus, e se ouvires outros deuses, e os servires, e te inclinares perante eles, hoje eu testifico contra vós que certamente perecereis.” (Deuteronômio 8:19)

Tendo em vista a análise feita acima, não podemos dizer com certeza que o aplauso tenha entrado na igreja Adventista do Sétimo Dia como o resultado de uma pesquisa com oração, na Bíblia e nos escritos de Sra. White. Veio, como tantas outras coisas vieram, mais pelo “desejo de moldar-se segundo outras igrejas” (Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 18).

Ellen White, embora sem mencionar palmas diretamente, dá o seguinte conselho, referindo-se a um regente e cantor: “Movimentos corporais são de pouco proveito. Tudo o que esteja ligado, de alguma forma, com o serviço religioso, deve ser digno, solene e impressivo. Deus não se agrada quando ministros que professam ser representantes de Cristo, representam-No tão mal como se fossem arremessar o corpo em atitudes de representação, gesticulando de modo indigno e vulgar, e gestos grosseiros e reles. Tudo isso diverte e despertará a curiosidade daqueles que desejam ver coisas estranhas, bizarras e empolgantes, mas estas coisas não elevarão a mente e o coração daqueles que as testemunham.” Manuscript Releases, vol. 5, Manuscript nr. 306 – Music, p. 194

Foi mostrado a Ellen White o conflito final do povo remanescente de Deus:

“Vi que alguns, com fé robusta e gritos clamavam perante Deus. Estavam pálidos e seus rostos demonstravam a profunda ansiedade resultante de luta interna. Grossas gotas de Suor banhavam sua fronte…

Os anjos maus os rodeavam, oprimindo-os com trevas para ocultar-lhes a visão de Jesus … De quando em quando Jesus enviava um raio de luz aos que angustiosamente oravam, para iluminar seu rosto e dar alento aos seus corações.

Vi que alguns não participavam dessa obra…ao contrário mostravam-se indiferentes e negligentes, sem cuidar-se de resistir as trevas que os envolviam, e essas trevas os encobriam como uma densa nuvem. Os anjos de Deus se afastaram deles e acudiram em auxilio aos que dedicadamente oravam. Vi anjos de Deus que se apressavam para auxiliar todos quantos de empenhavam em resistir com todas as forças aos anjos maus e procuravam ajudar-se a si mesmos invocando perseverantemente a Deus.” (Primeiros Escritos, pp. 269-270)

Brevemente, antes da vinda de Jesus, cada cristão deve passar pela experiência do Getsêmani. Aqueles que desenvolveram uma experiência superficial baseada no emocionalismo, não suportarão este tempo. Porém aqueles que têm aprendido a defender a verdade e os princípios, receberão ajuda para permanecerem firmes.

Haverá um verdadeiro derramamento do Espírito Santo. Porém não será acompanhado de música mundana, palmas, leviandade, trivialidade e fanatismo – ao contrário, nos levará a uma profunda contrição de alma. Mas antes do verdadeiro derramamento do Espírito Santo virá um movimento falso, assim como antes da segunda vinda de Cristo haverá uma segunda vinda falsa. Não será muito melhor esperar pelo Espírito Santo verdadeiro e pela verdadeira Segunda Vinda?

“E naquele dia se dirá: Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e ele nos salvará; este é o SENHOR, a quem aguardávamos; na sua salvação gozaremos e nos alegraremos”. Isaías 25:9


Seguem abaixo algumas outras citações de Ellen White a respeito da ordem e solenidade no culto:

“Não temos tempo agora para gastar em buscar as coisas que agradam unicamente aos sentidos. É preciso íntimo esquadrinhar do coração. Necessitamos, com lágrimas e confissão partida de um coração quebrantado, aproximar-nos mais de Deus; e Ele Se aproximará de nós.” – Review and Herald, 14 de novembro de 1899 – Evangelismo, p. 510

“As superfluidades que se introduziram no culto em ______, têm de ser vigorosamente evitadas. … A música só é aceitável a Deus quando o coração é consagrado, e enternecido e santificado por sua docilidade. Muitos, porém, que se deleitam na música não sabem coisa alguma sobre produzir melodia ao Senhor, em seu coração. Estes foram ‘após seus ídolos'”. Ezequiel 6:9. – Carta 198, 1899.

“Quando os professos cristãos alcançam a alta norma que é seu privilégio alcançar, a simplicidade de Cristo será mantida em todo o seu culto. As formas, cerimônias e realizações musicais não são a força da igreja. No entanto, estas coisas tomaram o lugar que deveria ser dado a Deus, tal como se deu no culto dos judeus.

O Senhor revelou-me que, se o coração está limpo e santificado, e os membros da igreja são participantes da natureza divina, sairá da igreja que crê a verdade um poder que produzirá melodia no coração. Os homens e as mulheres não confiarão então em sua música instrumental, mas no poder e graça de Deus, que proporcionará plenitude de alegria. Há uma obra a fazer: remover o cisco que se tem trazido para dentro da igreja. …

Esta mensagem não se dirige apenas à igreja de ______, mas a todas as igrejas que lhe seguiram o exemplo.” – Manuscrito 157, 1899.

“Outros ainda vão ao extremo oposto, pondo mais força nas emoções religiosas, e manifestando intenso zelo nas ocasiões especiais. Sua religião parece ser mais da natureza de um estimulante do que uma permanente fé em Cristo.

Os verdadeiros pastores conhecem o valor da obra interior do Espírito Santo sobre o coração humano. Satisfazem-se com a simplicidade nos cultos. Em vez de dar valor ao canto popular, volvem sua atenção principalmente para o estudo da Palavra, e dão de coração louvor a Deus. Acima do adorno exterior, consideram o interior, o ornamento de um espírito manso e quieto. Na sua boca não se acha engano.” – Manuscrito 21, 1891.