Reverência – Prof. Sikberto R. Marks

por: Prof. Sikberto R. Marks

Introdução

Santo e tremendo é o Seu nome” (Salmo 111:9).

Entender melhor a majestade de DEUS, Sua santidade, Sua natureza, Seus atributos santos, Seu infinito poder, o “EU SOU O QUE SOU”, é algo necessário para nossos dias, importante para darmos o testemunho correto do que cremos e em Quem cremos, porque cremos, e porque somos assim como nos vêem. O comentário de sábado à tarde foi escrito com uma precisão impressionante. Em poucas palavras os autores Jemes Londis e Geffrey Garne nos descreveram, com propriedade, as condições de nosso tempo. Teríamos que dar aos nossos dias um título que resumisse II Tim. 3:1-5 – que vide no estudo de 22/05, na lição desse trimestre. E o título sugerido pelos autores é bem adequado: “Idade da Irreverência”.

Ganha-se muito dinheiro sendo irreverentes, na TV principalmente, e em toda a mídia, está na moda debochar do que é sagrado, correto, saudável, bom, nobre, etc. Há programas de TV – e não assisto a nenhum deles, exceto por alguns minutos em alguns lugares onde preciso estar e a TV está ligada nesses lixos – que se especializaram em deboche, em ridicularizar, em rebaixar os costumes e bons princípios. Os costumes, assim, se tornam em uma média moral cada vez mais baixa. A juventude está sendo jogada num estilo de vida onde não deve haver nenhum respeito com tudo o que merece ser respeitado. Muitos dos próprios líderes, professores – que deveriam ser “educadores”, que estão incumbidos a dar exemplo de coerência com uma sociedade civilizada, fazem o contrário. Os reflexos se vêem em todo lugar. Nada mais é respeitado, nem o patrimônio, nem a vida, nem a família, nem as igrejas, nem o que é sagrado, e agora o mais atingido é o próprio DEUS, O Criador. De fato, os autores do comentários tem razão, tudo o que é nobre tornou-se motivo de deboche, e o mundo tornou-se numa sociedade da irreverência, com raras exceções.

Um exemplo. Dias atrás, iniciava uma nova turma na Universidade. Como de costume, na primeira aula exponho os bons princípios de saúde, pelos quais os estudantes do cursos de Administração poderão ser melhores profissionais. Em geral a aceitabilidade pelo assunto é boa, e em todas as turmas há aqueles que experimentam o teste dos dez dias, para ver a diferença em ter o estilo saudável de vida e o que vinham levando. Mas, também em quase todas as turmas há os coitados que, de tão degenerados que estão, não conseguem entender, e também não conseguem disfarçar seu menosprezo por tudo o que é de origem elevada e que coopera para o bem. Um dos alunos, no meio da aula pediu permissão para ir ao restaurante tomar uma cerveja. Fez isso justamente quando comentava sobre os malefícios do álcool.

Isso não é o pior. Mais triste ainda é ter que suportar professores que se apresentam com alta titulação, mas cuja conversa parece originar-se em meio ao depósito de lixo municipal (minha universidade não é confessional, mas isso não muda muita coisa).

É tempo de em nossa vida criarmos um impacto por sermos diferentes, e por sermos adeptos de uma ética sagrada, digna de cidadãos de outro reino. Devemos nos portar como aqueles que pertencem ao reino de DEUS, e dar exemplo, mesmo que poucos o entendam, do que é um ser que se guia por princípios superiores, e os respeita. Nunca na história da humanidade o nome de DEUS foi pronunciado junto com assuntos tão banais, em momentos de total desrespeito a tudo o que é elevado. Esse nome merece toda a nossa admiração e reverência, a ponto de, ao o escrevermos, ao o pronunciarmos, o façamos com distinção. Nós somos súditos do Reino de DEUS, e não podemos permitir sobre nós influências que vem de baixo, que se originam das trevas, do reino onde as leis que existem nada valem, em que parece mesmo não haver lei. Essa é mais uma importante característica dos tempos do fim, os tempos em que se está do desafiado tudo o que vem de cima.

A reação de Isaías

“Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito em meio a um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei dos Exércitos!” (Isa. 6:5).

Analisemos inicialmente o verso de Isaias. Compõe se de quatro partes, e por elas passaremos.

a) “ai de mim! estou perdido!” – Isaías quando viu o Senhor, embora fosse parcialmente, teve percepção clara do contraste do que ele era e do que DEUS é. Temeu por sua vida, pois lhe ficou bem identificada a distância entre um pecador e o Ser santo, o Criador do Universo. Ele reconheceu sua situação. Embora temesse, foi exatamente esse reconhecimento que o colocou em posição para não morrer, mas viver. A percepção humilde de que somos pecadores é imprescindível para que sejamos aceitos pelo Rei do Universo.

b) “sou homem de lábios impuros” – Isaías percebeu que a sua capacidade de influenciar a outros é negativa, pois o que fala, a comunicação que dele procede, não é construtiva. Ao contrário da fala de DEUS, que é para a salvação, Isaías se identificou como alguém incapacitado para influenciar moralmente num sentido positivo. Isso identifica que pensamentos dominavam a sua mente, pelo que nada de bom nele havia, ou seja, o pouco que Isaías era de bom, nesse momento lhe desapareceu totalmente. A sua pouca justiça, embora insignificante, pois certamente algo de bom nele havia, não foi suficiente para permanecer dignamente em pé diante do Ser absolutamente santo.

c) “habito em meio a um povo de lábios impuros” – Isaías percebeu mais ainda, que ele, além de influenciar para o mal, por viver em meio ao mal, é por ele negativamente influenciado. Que esperança há para alguém numa situação dessas? Pode-se tirar algo bom de um depósito de lixo? O lixo que está ali, não contamina o restante, e não é pelo restante contaminado? Pois, vez por outra vê-se um hábil artesão e que tira do lixo material para fazer seu trabalho, que depois adquire valor, e é apreciado por muitos, e é posto em lugar de destaque nas casas. Mas foi tirado do lixo. Isaías via-se como lixo dentro de um depósito de lixo, mas DEUS o via do ponto de vista do artesão, aquele que é capaz de transformar o impuro para algo que pode ser posto em lugar de destaque nos lugares altos do Universo.

d) “e os meus olhos viram o Rei dos Exércitos” – Nisso residia o temor de Isaías. Ao ver o Rei, nesse momento sentiu sua indignidade, sentiu a diferença do que é o do que deveria ser. Ele então teve a percepção da majestade do Rei, da pureza e da santidade com que é revestido, do que é o Seu reino, de como são os demais seres santos, de como é perfeita a administração do reino dos santos. Ora, haveria espaço, num reino assim, para um pecador? Lógico que não. Isaías entendeu que, assim como estava, seu destino não seria outro senão a morte eterna. Julgou-se, nessa situação, perdido para sempre. Pois foi nesse reconhecimento sincero que se abriu a porta para a sua salvação e para a vida eterna.

Pelo que está escrito em Isaías 64:6, somos imundos, nossa justiça não passa de trapos de imundícia, ou seja, somos parciais, tendenciosos, desinformados de todos os motivos das ações de alguém, e muitas vezes, a quem condenamos, fomos nós mesmos que o levamos a mau caminho. Nossa justiça engana primeiramente a nós mesmos, e a todos os demais, por mais que sejamos bem intencionados, ainda assim, o que dizemos ser justiça, diante de DEUS não passa de procedimentos ridículos, que precisa ser tudo refeito.

Nossa condição, a de todos nós, é a de colecionadores de iniqüidades. São as iniqüidades, os pecados, a condição de impureza que determinam o pensamentos que temos. Somos como o Sumo Sacerdote Josué, que estava em pé, com as vestes de imundícia, diante do anjo. Nessa situação, ali também estava satanás, evidentemente para o acusar. As acusações de satanás baseavam-se na sujeira das vestes de Josué. No entanto, foram dadas vestes limpas a Josué. Como assim? Josué, como Isaías, estava arrependido das suas faltas, e estava envergonhado pelas faltas daqueles pelos quais intercedia. Ele não queria e não aprovava a situação em que se encontrava, nem a dele, nem a de seu povo. Isso bastou, a cruz permitiu que as acusações de satanás caíssem no vazio, e ali, em vez de condenação, houve redenção. Satanás ficou falando só, e suas acusações não valeram perante o tribunal divino.

Como resolver essa situação, que é a de todos nós? É o que recomenda Apocalipse 3:18 – que adquiramos, de graça, ouro refinado no fogo, vestes bancas e colírio. O ouro é o metal mais nobre no Universo, símbolo da verdadeira riqueza. É o que caracteriza o reino de DEUS: riqueza com pureza. As vestes brancas são símbolo da pureza, ou seja, de vida limpa, de coerência com os princípios universais da justiça. O colírio é o remédio para limpar nossa visão e curar os defeitos de nossas vistas espirituais. Com a aplicação desse colírio, poderemos ver o que hoje nos está oculto. Veremos, como Isaías, a sujeira que somos por vermos a santidade de DEUS. É ao nos darmos conta do contraste do que somos com o que DEUS, nosso Criador é, que nasce a real possibilidade de sermos transformados.

Reverência e a cruz

“Vemos, todavia, Aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, JESUS, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de DEUS, provasse a morte por todo homem” (Heb. 2:9).

JESUS veio ao mundo como Adão e Eva, ou seja, um pouco menor que os anjos. Quase que se pode dizer, por JESUS a criação no mundo teve um recomeço, ou, uma nova oportunidade. Houve falha com Adão e Eva, e agora com JESUS, teria que haver a prova que não falharia de novo, mas que, pelo contrário, a Lei do Universo é sustentável, e que o amor é eterno, pois é insuperável.

JESUS, no entanto, não veio no nível da honra dada ao primeiro casal. Veio humilde, e conquistou a Sua honra e glória na cruz. Nisso há uma grande diferença: JESUS restabeleceu a honra original do ser humano, que estava perdida. A nossa honra é sermos filhos e filhas do Rei do Universo. Isso foi restabelecido, e nisso reside a honra de JESUS, ou seja, Ele Se tornou O Salvador da humanidade.

DEUS, como a lição bem explica, merece reverência por muitos motivos. Pelo Seu poder, pela Sua capacidade de criar e por ter-nos criado, pelo Seu amor, etc. Mas, para nós terrestres, há ao menos mais um conjunto de motivos para O reverenciarmos, motivos centralizados na cruz. Não fosse a cruz, nada dos demais motivos seriam para nós suficientes, embora para os seres não caídos sim. Ou seja, para nós, afetados pelo pecado, o amor, a justiça, o poder, a santidade, enfim, de DEUS, são Suas características admiráveis e merecedoras de reverência. No entanto, exatamente para nós, são insuficientes. Devido a nossa miserável condição, precisamos mais de DEUS, e esse algo mais não faltou. Nós precisamos do que seres não caídos não precisam, precisamos de perdão e de restauração. Então, tudo o que necessitávamos para viver eternamente nos foi oferecido. Isso é para nós motivo especial de reverência a DEUS, ou seja, temos razões a mais para admira-Lo e respeita-Lo. A cruz, para nós terrestres é um adicional que deve fazer parte de nosso culto a DEUS e nossa adoração ao Criador: nós fomos salvos pela morte de JESUS na cruz, se o aceitarmos. Com a cruz, aquele outros atributos pelos quais os seres santos adoram e reverenciam a DEUS, para nós tornam-se também motivo de reverência.

Mas o raciocínio não termina nisso. Os seres perfeitos nada tem a ver com isso? Tem sim. Eles são nossos irmãos, e não queriam ver-nos mortos para sempre. Isso lhes aumenta a admiração e reverência ao DEUS do Universo. É para o restante do Universo uma garantia de que o amor de DEUS jamais falha. Outro aspecto é que, o que aconteceu conosco, poderia ter acontecido em outro lugar do Universo. Ou seja, somos nós os atores que tem a oportunidade de experimentar o amor de DEUS no extremo do teste de fidelidade, tanto da parte de DEUS como da parte das criaturas. Poderiam ser outros seres. Assim, há para o Universo inteiro um grande aumento de reverência para com DEUS devido a morte de JESUS na cruz.

Nossa reverência para com DEUS, na prática demonstra-se em duas frentes: em amarmos ao nosso próximo, como DEUS nos ama, e em amarmos a DEUS acima de todas as coisas, adorando-O como Ele bem merece. O reverenciamos porque nos criou e porque nos salvou, temos duplo motivo. Isso precisa ser demonstrado na prática diária de nossa vida.

O nome do Senhor

Não tomarás o nome do Senhor teu DEUS em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.” (Êxodo 20:7)

Quando invocamos (chamar, suplicar, conjurar, recorrer a, apelar para) o nome de DEUS, estamos nos referindo ao maior Ser de todo o Universo, aquEle que criou todas as coisas, que tem poder para mantê-las. Ele é capaz inclusive de reunir os fragmentos do caráter de pessoas que morreram há milhares de anos, e torna-las à vida, tal como elas foram, ou de traze-las à vida tal como elas queriam ser – depende de cada caso. Esse nome identifica um ser santo, absolutamente puro, totalmente amor, infinitamente capaz, que não pode ser comparado com ninguém mais. O nome de DEUS, refere-se a trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É nesse nome que somos aceitos como pertencentes à igreja que aqui na Terra é a embaixada do governo de DEUS. Portanto, nesse nome somos também aceitos como súditos do Reino do Universo (veja em Mateus 28: 19). Sempre que nos referimos ao nome de DEUS, invariavelmente nos referimos ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, os três seres eternos, pré-existentes a tudo, que formam o governo do Universo, e o fazem absolutamente unidos pelo amor que existe neles, sendo eles mesmos puro amor. Quando a Bíblia diz: “DEUS é amor” (João 4:8), está dizendo, a Trindade é amor.

A Trindade está, por esses dias, sendo motivo de polêmica. Essa lição não tem por objetivo debater esse aspecto. Mas, como trata do nome de DEUS, cabe ao menos um importante comentário. A Trindade é uma doutrina central do catolicismo. E ela tornou-se forte fator de engano para o cristianismo. Como assim? É simples de entender, trata-se de uma doutrina correta, a Bíblia é clara quanto aos três seres santos que agem em plena e absoluta unidade. Por ser a Trindade uma doutrina poderosa, essencial, e por estar correta, por trás dela escondem-se erros e mais erros, tais como, a oração pelos mortos, a adoração de santos mortos, a troca do dia de sábado pelo domingo, etc. O problema não reside na doutrina da Trindade, mas no que colocaram junto a ela. Aquelas pessoas que atacam a doutrina da Trindade, intencionalmente ou não, atacam o nome de DEUS, um dos pontos corretos que aqueles que são povo de DEUS tem para se manterem vínculos a algo de verdade que ainda persiste na babilônia. Assim podem estabelecer pontes para atrair os de babilônia, e traze-los para a verdade completa. De certa forma, negar a Trindade é dizer: fiquem em babilônia, não saiam de lá… Ou, o que é pior, trata de descaracterizar o governo do Universo formado pelos três seres santos que no Céu dão testemunho, isto é, que garantem pelos seus atos a veracidade do que dizem. Esses três são: o Pai, a Palavra, que é o Filho (ver João 1:1 a 4) e o Espírito Santo, e esses três são um (I João 5:7 e 8).

Por que a Trindade ainda persiste em babilônia? Não é difícil entender. Satanás não se identifica como demônio, ele usa a doutrina da Trindade para fazer crer que a adoração é de fato ao DEUS verdadeiro. O erro sempre se utilizou de algo de verdade para esconder-se atrás.

Concentremo-nos no nome de DEUS. O que é um nome? É a expressão que identifica alguém. Se queremos honrar uma pessoa, dizemos muitas coisas positivas em relação a ela, e necessariamente devemos mencionar o seu nome. Se não mencionarmos o nome, estaremos honrando a ninguém. Se queremos denegrir a imagem de uma pessoa (o que não se deve fazer) quem faz isso, cita coisas negativas, e não deixa de identificar o prejudicado dizendo seu nome.

Quando se faz um cadastro para empréstimo bancário, ou para crédito numa loja, ou para outro objetivo, entre outros dados, ali vai o nome. É a parte principal do cadastro, sem o qual não tem valor. Ele identifica a pessoa. Junto do nome vai o seu endereço, a profissão, e um conjunto de informações que permitem ver qual é o caráter associado àquele nome, isto é, se merece ou não crédito. Os dados adicionais são relacionados ao caráter que está associado àquele nome.

Portanto, um nome é importante. Devemos respeitar o nome das pessoas, e devemos zelar pelo nosso próprio nome. É uma questão de dignidade, respeito, educação, cuidado pelos princípios nobres.

Se é assim com os nomes de simples mortais, como não será com o nome de DEUS? Mas como esse nome é maltratado! Como as pessoas, descuidadamente exclamam: “Meu DEUS!”, ou simplesmente, por banalidade, dizem: “DEUS o livre”, ou outras expressões quaisquer. Quantas piadas, muitas delas sujas e pesadas, envolvem o nome de DEUS. Quantas vezes esse nome é escrito de forma feia, irregular, irreverente. Quantas vezes o lugar sagrado, a igreja, ou qualquer lugar em que alguém esteja em atitude de adoração, ou esteja lendo a Bíblia, outros por perto riem descuidadamente, falam besteiras, portam-se como se estivessem num galpão imundo. E quando um jovem, pela primeira vez vai se apresentar em público, por que outros se põem a rir dele? Isso também é irreverência diante do nome de DEUS, e descuido grave de educação para com o jovem. Jovens principalmente merecem muito respeito, para que aprendam melhor a respeitar. Quantos se põem a falar assuntos comerciais, ou outros assuntos indevidos, dentro ou nos arredores dos lugares sagrados dos templos do Senhor. E quantas vezes a televisão está ligada em programas onde o nome de DEUS é desrespeitado, e os que se dizem seguidores desse DEUS nem se importam com isso, e deixam esse canal ligado. E quando assistem programas de baixo nível, ou lêem textos assim, acham que o santo nome de DEUS não está sendo profanado? Aliás, um detalhe, esse nome é tão maravilhoso que até o nosso testemunho negativo é uma blasfêmia. Vale dizer, se carregamos o sobre-nome cristão, devemos nos portar como filhos do Rei. Junto do nosso nome, está o Seu nome, e outras pessoas vêem o DEUS que nós representamos… Será que podemos alcançar a profundidade dessa reflexão?

Afinal, o que é tomar o Seu nome em vão? Há uma infinidade de maneiras para fazê-lo. Todas elas envolvem num mesmo problema: desrespeito com o que é santo, isto é irreverência. Vivemos numa sociedade de deboche. Essa é uma sociedade comandada pelo inimigo de DEUS. Não devemos nem deixar que isso nos influencie, muito menos participar dela, pois estaremos adquirindo e reforçando em relação a ética do amor, uma contra-cultura, a cultura do “besteirol”.

O poder, a santidade, a honra, o amor, não está exatamente no nome de DEUS, isto é, nas letras que o compõem. Isso seria idolatria, ou misticismo, algo como mágico. DEUS tem o poder, Ele que é santo. E o Seu nome identifica que Ele tem esses atributos. Foi importante a lição trazer esse aspecto à luz. Significa que, ao nos referirmos ao nome de DEUS, destacamos os atributos que o dono desse nome possui. Portanto, respeitar esse nome é, ao pronunciá-lo, exaltar os nobres atributos que ele representa, nunca o lixo que o mundo quer associar ao nome de DEUS. Nós somos os Seus embaixadores, e devemos dar o devido testemunho de quais são os atributos daquele a quem seguimos, e dizemos honrar.

Temer a DEUS

Temam a DEUS e glorifiquem-nO, pois chegou a hora do Seu juízo. Adorem Aquele que fez os céus, a terra, o mar e as fontes das águas” (Apoc. 14:7, NVI).

Esse verso refere-se a adoração, e está intimamente ligado ao quarto mandamento. Para facilitar, iremos aborda-lo em quatro partes, que se inter-relacionam entre si em torno da reverência e adoração.

a) “Temam a DEUS” – não significa ter medo de DEUS, pelo contrário, está mais identificado com confiar em DEUS, em ser íntimo amigo dEle e amá-Lo, com reverência. A palavra temor aqui significa reverência diante do Ser mais poderoso do Universo, um Ser que é a origem de todas as coisas pelo Seu poder e pelo Seu amor, e que mantém todas as coisas. Ela é tão capaz que pode manter as coisas existindo eternamente. Tudo o que existe, exceto DEUS, por si próprio, degenera e ao longo do tempo, desaparece, transformando-se, primeiro no caos, depois, em pura energia. Mas pelo poder de DEUS, nada degenera, mas existe sempre, e em perfeitas condições. Ele merece ser adorado porque a nossa existência origina-se em Sua vontade, e assim também a nossa salvação. São os seus atributos puros e perfeitos, em dimensão infinita, a nós incompreensível, que nos leva à necessidade de teme-Lo como uma atitude de respeito inquestionável. Que jamais se interprete temor por medo, mas sempre por um respeito que brota de uma irresistível admiração pelos laços de amor recíprocos com Ele.

b) “e glorifiquem-nO” – Ou seja, honrem-nO como DEUS que Ele é. Dar glória a DEUS envolve tanto adoração, como no último item abaixo, quanto o louvor, a admiração, o respeito, a deferência especial, a profunda amizade, a fidelidade e até mesmo o senso de dependência dEle. Em resumo, dar glória a DEUS pode também significar nos referirmos positivamente a Seu respeito diante de outras pessoas, quer crentes nEle, quer não. Trata-se de um testemunho positivo quanto a sermos Seus seguidores.

c) “pois chegou a hora do Seu juízo” – Aqui está uma das razões dos apelos acima e abaixo. Desde 1844 o mundo está sendo julgado, ou seja, os mortos, todos que em sua vida chegaram a aceitar o plano de salvação, e que portanto tiveram seus nomes escritos no livro da vida, e que já morreram, os casos deles são agora verificados no céu se de tudo se arrependeram e de tudo foram perdoados. Em caso positivo, seus nomes permanecerão no livro da vida, e seus pecados serão apagados do livro de registros. Em caso contrário, serão os nomes apagados do livro da vida, e os pecados permanecerão para serem analisados pelos salvos durante a fase de julgamento no milênio. Portanto, o mundo está num tempo extremamente solene, é tempo de juízo. Isso significa que o nosso Salvador está numa tarefa especial, Ele está atuando, com relação aos mortos, como Juiz, muito embora, com relação aos vivos, ainda como advogado. É a solenidade dos dias em que vivemos, e agora, muito próximos de o tribunal do Céu passar a julgar os vivos (isso só vai acontecer bem próximo do fechamento da porta da graça, depois do decreto dominical) que requer de nós, testemunhas do Salvador da humanidade, uma atitude de dignidade e reverência, algo mais solene que em qualquer tempo anterior. Dessa atitude poderá depender a vida de muitos…

Em tempo, se os mortos agora estão sendo julgados, eles ao morrerem, não podem ter uma alma separada que vai para o céu, pois em caso de serem reprovados, teriam que voltar à terra. Os poucos que já foram levados ao Céu, esses aja foram julgados em seu tempo e aceitos, como Moisés, Elias e Enoque.

d) “Adorem aquEle que fez…” – Essa expressão referenda o quarto mandamento, ou seja, ratifica o dia de sábado, o sétimo dia da criação, como o dia especial para demonstração a quem adoramos. A santificação do sábado é para, numa solenidade máxima, ou seja, de todo nosso entendimento, todas nossas forças, toda nossa capacidade, deixarmos de lado as atividades servis (ver em Lev. 23), isto é, produtivas. O centro da adoração é a intimidade de amor. Só pode haver amor se houver intimidade. E só pode haver intimidade se deixarmos nossas atividades para a luta pela sobrevivência, que prendem nossa atenção, para então nos dedicarmos completamente ao nosso DEUS. Ou seja, pelo sétimo dia estaremos adorando aquele que fez todas as coisas nos seis dias anteriores.

A questão da reverência é muito mais abrangente do que vulgarmente pensamos. Muitos pensam que devemos ser reverentes dentro de uma igreja, quando está havendo algum programa ali. Estão enganados. Outros, já um pouco mais entendidos, pensam que devemos ser reverentes nos lugares de culto, haja ali ou não alguma programação. Esses são bem poucos, mas também estão enganados. A pergunta é: onde a terra é santa, que devemos seguir a recomendação que DEUS deu a Moisés, de portarmo-nos com reverência? Não é difícil responder, em todo lugar onde DEUS Se faz presente. Mas onde DEUS se faz presente? Em todo lugar onde estiver um filho Seu. Esse é o ponto central. Enoque andou 300 anos com DEUS, ou seja, na presença de DEUS. Portanto, onde estivesse Enoque, ali era um lugar sagrado, pois DEUS estava com ele. Assim, se você é um crente em DEUS, em primeiro lugar, deve portar-se como estando diante de DEUS, pois Ele quer estar com você em qualquer lugar. E se nos encontramos com outro crente, devemos nos portar do mesmo modo, com todo respeito pela presença de DEUS, pois já estamos entre dois. E onde estiverem dois ou três crentes reunidos em nome de DEUS, nesse ato, algo de especial acontece, ali está havendo um culto de adoração, e isso torna o lugar muito santo, DEUS está ali com eles, embora não possa ser visto. É o senso da presença de DEUS que nos diz que ali devemos nos portar com a dignidade de cidadãos de Seu Reino. Portanto, onde nós mesmos estivermos, a todo o momento, devemos cuidar da reverência, pois somos filhos do rei, e Ele está conosco, e a Sua companhia torna o lugar sagrado. Mas o que dizer então daqueles que não respeitam nem o lugar de culto no momento do culto?

Reverência e obediência

Sigam somente o Senhor, o seu DEUS, e temam a Ele somente. Cumpram os Seus mandamentos e obedeçam-Lhe; sirvam-No e apeguem-se a Ele” (Deut. 13:4, NVI).

Esse verso trata de um conjunto de três relações vitais: seguir a DEUS, obedece-Lo e apegar-se a Ele. O que vem a ser isto? Seguir a DEUS inicia-se por adora-Lo, ou seja, como o verso diz, “temer” a DEUS. Essa primeira parte desse verso refere-se a todo verso anterior de Apoc. 14:7. Portanto, trata do modo como nos referimos àquEle que tudo criou, inclusive a nós.

Mas isso não é tudo, uma perfeita relação com o Criador requere mais duas coisas. A segunda é a obediência. Evidentemente todo aquele que adora a DEUS de verdade, O obedece. Essa é a parte prática do dia-a-dia, em nossos afazeres. Por esse ponto é que funciona todo o Universo, menos a civilização dos terrestres. A perfeição e a liberdade dependem da livre obediência ao que é bom, e o que é bom vem de DEUS, pois Ele é amor. Portanto, adoração é uma admiração solene e sagrada, reverente, que leva a atitudes de exclusivo amor ao Criador, leva invariavelmente a fazer o que Ele de bom deseja que façamos. Para isso Ele tem os Dez Mandamentos, que orientam quanto ao que é bom e correto, e o que deve ser evitado.

Na terceira parte encontramos o foco do relacionamento com DEUS: nos apegarmos a Ele, isto é, nos ligarmos com Ele por causa dos laços do amor. E se nos apegarmos a Ele por intermédio do amor, nos apegaremos uns aos outros, em amor, e seremos felizes, na expectativa da breve perfeição que Ele prometeu.

Há um elo de ligação entre o “seguir” ao Senhor, mais “obedecer” ao Senhor, com “apegar-se” ao Senhor. O elo de ligação é a expressão “sirvam-nO”, que aqui quer dizer, trabalhem para Ele, como fruto da obediência. Isso se refere a uma experiência com nosso DEUS, de tal maneira que resulte em uma vida de diária transformação. Os seres humanos não são transformados por conhecimento teórico apenas, mas quando esse conhecimento é posto em prática. E é na prática que nos tornaremos cada vez mais semelhantes com quem trabalhamos juntos, o nosso DEUS. Assim, seremos cada dia mais semelhantes a JESUS.

Aplicação do estudo

A reverência é um princípio ético cristão que satanás vem atacando furiosamente. Vemos por todos os lados uma sociedade cada vez mais voltada ao deboche, ao comportamento irrefletido, sem preocupação com o que vale o próximo, e muito menos o Criador e o que a Ele se relaciona. O que é sagrado e nobre, nesses últimos dias passa a ser motivo de baixaria.

Satanás sabe que pelo comportamento irreverente consegue afastar-nos de DEUS, dos seus anjos e dos lugares de adoração. Eles ausentes dos cultos, estes tornam-se mera formalidade sem o calor do amor a DEUS e ao próximo. Serão meros debates acadêmicos sobre temas bíblicos, sem a eficácia de sua prática com humildade e contrição de coração. Cai-se no estado de rico sou, de nada tenho falta. Essa é uma situação bem presente hoje no cristianismo e procura invadir as igrejas onde haja alguma dedicação sincera pelo cumprimento do mandato de pregar esse evangelho a todos. Os líderes, em especial o ministério, é o alvo principal. Hoje é quase uma regra, onde há suficientes recursos financeiros, a irreverência tem espaço favorecido. A necessidade de oração aparentemente desaparece, exceto para agradecer, dificilmente para pedir a DEUS, reconhecendo a insuficiência humana. A facilidade de recursos financeiros e a irreverência se atraem, uma vez que a dependência de DEUS fica difícil de ser identificada. Quando o ministério, não importa de qual religião, se torna rico e sem necessidade de conter gastos, a irreverência, por sua vez, se abate sobre aquela religião, e de diferentes maneiras. Há casos em que ela é mascarada pela gritaria deliberada, que em vez de ser vista como irreverência, pelo contrário, passa a fazer parte do culto. Noutras igrejas, mais tradicionais, a irreverência aparece mais com barulho irregular em seus locais de culto, e se torna praticamente impossível conter. Noutras igrejas ainda, a irreverência se manifesta pela ausência dos fiéis, que nem aparecem mais para as reuniões, mas onde quer que estejam, envolvem-se em atitudes de baixaria e de sujeira. Observamos que irreverência não é apenas barulho inadequado em local e momento de culto, mas um modo de vida, que impede que as pessoas tenham a devida postura diante de DEUS. Portanto, é praticamente uma raridade encontrar alguma comunidade religiosa que se possa classificar como reverente a DEUS. O povo está perecendo por falta de conhecimento (Os. 4:6).

O que fazer? Os líderes devem conscientizar-se da necessidade de reverência nos locais de culto e no estilo de vida cristã. O trabalho para se cultivar a reverência será enorme, e nem todos irão atender. Aqui vão alguma sugestões:

a) Os próprios líderes, por um tempo, devem cultivar a reverência, em todos os momentos, até formarem o hábito.

b) Então, dar exemplo aos demais, procurando pessoalmente influenciar a favor da reverência.

c) A seguir, poderá partir para a educação na igreja nesse sentido, quando tiver “moral” para isso, ou seja, quando já for visto como um exemplo a ser seguido.

d) Isso poderá fazer com um intensivo programa de visitas nas casas, de conversas ao pé do ouvido, não para apontar erros, mas para cativar mais adeptos da reverência.

e) Um programa de reforma da saúde é vital para obter reverência, pessoas com se alimentam de muita carne tendem a ser irreverentes por natureza dos seres carnívoros, menos cuidadosos com as suas atitudes.

f) Nas igrejas, antes dos cultos, para conter a irreverência, uns 15 minutos antes do início dos programas pode-se ter momentos de cânticos.

g) Durante os cultos, pode-se convidar a todos a uns 5 minutos de reflexão sobre uma passagem bíblica, com um suave fundo musicar não cantado. Isso educa para a capacidade de ficar calado em locais em que se deve ficar calado. Nesse caso, orientar bem para que um momento assim não se torne oportunidade para mais um pouco de bate-papo. Há pessoas que sempre tem muito a falar…

h) As crianças, cada vez mais liberadas, precisam da atenção dos pais. Se eles não assumirem seus pequenos, dificilmente alguém as conterá.

i) Os jovens precisam de um líder jovem, um deles mesmo, para cultivar a reverência, e formar uma cultura de ética cristã, que nada tenha a ver com o mundanismo.

j) Os adultos, que são sempre vistos como exemplos pelos jovens, adolescentes e crianças, devem ser o máximo do que se espera como verdadeiros cristãos, uma vez que deles deve vir a força da experiência. Eles tornam-se espelho para os demais.

k) Daí por diante, a criatividade, com oração, desenvolverá novas estratégias para se cultivar a reverência nesses tempos finais. O que parece não funcionar é simplesmente fazer um sermão pedindo reverência.

DEUS espera que nesses dias finais Seu povo seja exemplo de adoração. Sem reverência, nem se quer existe adoração, mas apenas um culto de faz de conta, embora, por enquanto, a esperança de converter-se em adoração ainda não se tenha esgotada.