O Pressuposto Básico da Verdadeira Adoração

por: Héber Carlos de Campos

Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos… (João 4:22)

Jesus Cristo colocou, de forma inquestionável, a possibilidade de uma falsa adoração: adorar a Deus sem conhecê-lo. Repreendendo a mulher samaritana, Ele disse: “Vós adorais o que não conheceis”.

O pressuposto inequívoco da verdadeira adoração é o conhecimento do verdadeiro Deus. Oliphant Old disse que:

Para Calvino, a base da adoração espiritual e pura dos gentios é a vinda deles para a verdadeira fé e para um conhecimento sadio da Palavra de Deus. A verdadeira adoração deve ser baseada no verdadeiro conhecimento de Deus. Calvino diz: E é necessário sempre começar com este princípio – conhecer a Deus a quem adoramos. [1]

O verdadeiro conhecimento de Deus, portanto, é básico para a verdadeira adoração. Calvino acrescenta: “Devemos ter sempre em mente que Deus não pode ser corretamente adorado a menos que Ele seja conhecido.” [2]

Paulo repreende, muito delicadamente, os atenienses pelo fato de adorarem a Deus sem conhecê-Lo:

“Passando e observando os objetos do vosso culto, encontrei também um altar no qual está escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Pois esse que adorais sem conhecer , é precisamente aquele que eu vos anuncio.” (Atos 17:23).

Na verdade, eles não estavam prestando a Deus uma verdadeira adoração. Eles estavam querendo ficar bem com qualquer Deus que existisse. É impossível adorar a Deus verdadeiramente sem saber quem Ele realmente é. A adoração será defeituosa na medida em que desconheçamos Aquele a quem cultuamos. Por essa razão, Paulo começou a explicar aos varões atenienses algumas coisas sobre Quem era o Deus verdadeiro (Atos 17:24-28).

Jesus Cristo fez a mesma observação com respeito aos samaritanos. Quando a mulher samaritana disse que era no monte Gerizim, e não em Jerusalém que se devia adorar, Jesus a repreendeu ensinando-lhe algumas coisas a respeito do culto. Uma delas é que o culto é espiritual; e outra, é que a verdadeira adoração pressupõe que o adorador conheça aquele a quem adora (João 4:22-24).

Jesus mostra as conseqüências de um culto onde não se conhece quem Deus realmente é:

“Tenho-vos dito estas cousas para que não vos escandalizeis. Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso prestar culto a Deus.” (João 16:1-2)

Esse foi um dos pecados cometidos por Paulo. Ele perseguia e matava os cristãos em nome de Deus, porque ele realmente não conhecia o Deus, a quem ele adorava. Quando falhamos em conhecer a Deus, cometemos torpezas no culto a Deus, em nome de Deus. Então, Jesus mostra, de maneira inequívoca, a razão do procedimento errado quanto ao culto: o desconhecimento de Deus. Ele disse em João 16:3 -” Isto farão porque não conhecem o Pai, nem a mim.”

Como se pode ver, a doutrina da adoração está diretamente ligada ao nosso conhecimento de Deus. É impossível adorar a Deus corretamente, sem conhecê-lo corretamente.

Após terminar uma maravilhosa explicação aos Romanos sobre quem Deus é, Paulo não pôde conter-se, e expressou-se numa forma de profunda adoração, dizendo:

“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro lhe deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente.” (Romanos 11:33-36)

Esses versos expressam uma verdadeira adoração advinda de um verdadeiro conhecimento de Deus! Somente após esse conhecimento, Paulo pôde adorar corretamente a Deus.

Via de regra, muitos cultos dos tempos modernos tentam entreter mais do que adorar. Quando a adoração centraliza-se em nosso entretenimento mais do que nos atributos e nas realizações de Deus, ela passa a ser antropocêntrica. Ou seja, o adorador passa a receber mais importância e atenção do que aquele que é adorado.

Suponhamos que Jesus Cristo entrasse, corporalmente, em muitos dos cultos dominicais modernos, onde as pessoas estivessem batendo palmas, cantando e dançando. Como você pensa que elas O receberiam? Você pensa que elas dariam uma salva de palmas mais alta ainda, ou “apupos” surgiriam por toda a congregação? Ou a congregação cairia num profundo silêncio?

Qual seria a sua reação se o Santo de Deus entrasse, corporalmente, em nossas reuniões, enquanto estivéssemos adorando? Você faria as mesmas coisas que você faz durante aquele “pré-aquecimento” para o culto chamado “período de louvor”, dançando, batendo palmas ou soltando gritinhos e apupos? Você pensa que o Deus da Bíblia não é mais o Deus de hoje? Você pensa que Ele é menos santo hoje do que foi no passado? Você não acha que cairíamos todos por terra, aterrorizados pela presença santa dEle, como aconteceu com alguns discípulos de Jesus diante da majestade da Sua glória? Você pensa que o Deus daquela época era um Deus diferente do de hoje? Ou você pensa que Deus hoje é menos santo e menos glorioso?

Naturalmente, há diferentes estilos de adoração hoje, e não é meu propósito dizer qual é o melhor. Contudo, é vital que saibamos da importância de se conhecer Quem é aquele a quem adoramos. Obviamente, o que cremos sobre Deus determinará o estilo, o objeto, o foco e o fervor de nossa adoração.

“Se nós realmente descobríssemos este retrato bíblico de Deus, não necessitaríamos de nenhum entretenimento; e o entusiasmo não seria gerado artificialmente. E, porque nossas mentes seriam conectadas ao todo, haveria um impacto duradouro mesmo quando não fôssemos cercados por corais, músicos, ou um enorme elenco de participantes.”[3]

Os recursos usados para o chamado “louvor” dos cultos contemporâneos são, em muitos dos casos, decorrentes da falta de um verdadeiro conhecimento de Deus; ou, para dizer de outro modo: fruto de um conhecimento inadequado dEle.

Certamente, o conhecimento de Deus determinará o tipo de adoração que prestamos. Se o que ensinamos, pregamos e dizemos no culto é centralizado na experiência humana, a tendência da adoração deverá ser a do entretenimento. Contudo, se o que se diz no culto é a exaltação dAquele que é Independente, Alto, Sublime, Santo, Poderoso, Soberano, etc., a tendência do culto passará a ser teocêntrica, refletindo a personalidade e o caráter do Adorado.

Há muitas coisas que acontecem no culto dos chamados “tradicionais” em nosso meio que precisam ser eliminadas. Com uma certa razão, muitos tradicionais são chamados de ortodoxos frios. Alguns se apegaram muito à doutrina aridamente ensinada, e expressam um culto sem os sentimentos de verdadeira gratidão. No lado oposto, estão os emocionalistas que podem expressar muita alegria sem o conhecimento de Deus e da sã doutrina. No verdadeiro culto a Deus deve haver as duas coisas: o verdadeiro conhecimento de Deus e a expressão de adoração com gratidão sincera.

A chamada “ortodoxia fria” leva a uma obsessão pelos dados intelectuais sem expressão em amor, humildade, caridade, boas obras, e genuína adoração. Os emocionalistas são como os que dizem “obrigado” muitas vezes, sem saber exatamente a razão. [4]

Tem havido um certo desequilíbrio na expressão do culto a Deus em muitas congregações locais, onde a fé é entendida erroneamente por ambas as posições acima. A doutrina Protestante da fé envolve três elementos: conhecimento, assentimento e confiança.

De um lado, estão os chamados ortodoxos [5] que enfatizam os dois primeiros elementos da fé: o conhecimento e o assentimento, mas se esquecem do elemento confiança, onde a totalidade do ser participa da adoração. “As pessoas de tal persuasão podem conhecer a doutrina e podem dar o seu assentimento, mas se não se exige delas o elemento confiança, Cristo não é verdadeiramente crido.” [6]

Do outro lado, estão os defensores das experiências emocionais. Eles procuram expressar confiantemente a sua fé, mas sem o entendimento devido do Deus a quem adoram. A ênfase deles é no relacionamento pessoal com Cristo, mas o fazem sem se preocupar com o conhecimento doutrinário devido para um verdadeiro relacionamento. O conhecimento do verdadeiro Deus, segundo a Escritura o apresenta, é deixado numa posição secundária. “Doutrina é algo desnecessário”, dizem muitos.

Esses dois extremos devem ser cuidadosamente evitados. Ambos carecem do verdadeiro conceito bíblico de fé e geram uma adoração equivocada. Por essa razão, é muito salutar que aceitemos o conselho de Calvino: “É necessário sempre começar com este princípio – conhecer a Deus a quem adoramos.”

Um outro aspecto que tem que ser levado em conta na adoração cristã é a distância que existe entre o Adorado e seus adoradores.

Quando você conhece a Deus verdadeiramente, você logo perceberá que existe:

Uma Distância Enorme Entre O Adorado o os Seus Adoradores

Quando começamos a conhecer quem Deus é, assustamo-nos com o quão pequenos somos diante dEle. Isso deveria ser mais que suficiente para nos fazer tremer diante dEle em adoração.

Herman Hanko disse que “a adoração congregacional é a mais alta expressão do pacto gracioso com Seu povo. É esta verdade do pacto que determina que o temor do Senhor deva controlar completamente o serviço de adoração da Igreja.” [7]

A reunião pública é uma reunião que revela as relações pactuais entre Deus e os homens. Contudo, essas relações de amizade entre o Adorado e os adoradores não devem ser motivo para se pensar que os adoradores podem fazer o que quiserem nas reuniões de culto ao Adorado pelo simples fato de que Ele os trata com amizade pactual.

Há duas coisas muito importantes que devem ser consideradas nessa idéia de conversação pactual, mas que não eliminam as diferenças entre Deus e seus adoradores:

1) Há uma distância Quantitativa entre Deus e Seus Adoradores

Embora as relações de conversação entre Deus e Seu povo sejam cordiais e, de fato, há uma conversação, um diálogo; contudo, não devemos pensar que os que conversam são iguais, como marido e esposa ou dois vizinhos que trocam idéias no mesmo pé de igualdade.

É importante que se tenha em mente que quando nos aproximamos de Deus, para responder em fé à sua convocação para a adoração, ainda persiste uma grande distância entre os adoradores e Aquele que é o “objeto” do nosso culto.

O autor de Eclesiastes sentiu enormemente o peso dessa responsabilidade diante do Senhor quando entrou no lugar da adoração. Ele disse:

“Guarda o teu pé quando entrares na casa de Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal. Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu na terra; portanto sejam poucas as tuas palavras.” [8]

Embora Deus seja um Deus gracioso e amoroso, quando é “objeto” de adoração, Ele não é adorado apenas na condição de nosso Pai, mas também na condição do Deus que habita em “luz imarcescível”, que é quantitativamente distinto dos seus adoradores, sendo infinitamente mais alto e maior que eles. Isso é dito por Salomão quando ele se expressa com esta idéia: “Tomem cuidado com o que vocês falam a Ele. Ele é muito superior a vocês. Ele está no céu, e vocês aqui na terra. Sejam respeitosos…”.

Daí a importância de sermos respeitosos ao nos dirigirmos a Ele naquilo que dizemos nas orações, ou naquilo que Lhe cantamos, e da forma como o fazemos.

2) Há uma distância Qualitativa entre Deus e Seus Adoradores.

Além da diferença quantitativa entre Deus e os homens que O adoram, há uma grande diferença moral entre eles, uma diferença de qualidade. Søren Kierkegaard, o filósofo e teólogo dinamarquês, costumava falar nos seus livros da “distância qualitativa e infinita entre Deus e os homens.” [9] A idéia é de que Deus está no céu, e nós na terra. Quando estamos no culto, temos que nos portar como criaturas finitas e qualitativamente menores, mesmo a despeito do fato de hoje sermos chamados Seus filhos. A nossa filiação não diminui a nossa distância dEle. Essa distância ainda existe, e precisamos ter plena consciência dela, especialmente quando O adoramos.

Deus é santo e nós somos pecadores. A despeito de sermos regenerados pelo Santo Espírito, ainda apresentamos sinais visíveis de nossa depravação, inclusive em nossa manifestação cúltica. A corrupção herdada ainda se revela na maneira imperfeita e impura de nossa adoração. Temos a tendência de pensar que somos iguais a Ele, e que a noção que recebemos de Sua paternidade diminui essa distância qualitativa entre nós e Ele. Isso não é verdade. Ele é santo, não somente separado dos pecadores – majestaticamente – mas também por ser ética e moralmente limpo.

A conversação entre Deus e seus adoradores, portanto, deve ser santa. Por essa razão, no culto, devem estar presentes as Palavras do Senhor.

Num sentido estrito, Deus é o primeiro a falar no culto, quando convida os homens pecadores para O adorarem. O Salmista diz no Salmos 65:3-4:

“…Se prevalecem as nossas transgressões, Tu no-las perdoas. Bem-aventurado aquele a quem escolhes, e aproximas de Ti,para que assista nos Teus átrios.: ficaremos satisfeitos com a bondade da Tua casa – o Teu santo templo.”

Deus mesmo traz os homens para o Seu santo templo para que estes O adorem. Estes são pecadores perdoados, mas ainda pecadores. Essa idéia deve sempre permear nossa adoração. Ele é o santo Deus que toma a iniciativa ao falar a Sua Palavra e, então, nós, os homens, pecadores perdoados, respondemos às santas palavras de Deus com as palavras de fé que retiramos da própria Escritura.

O uso da Escritura é fundamental no culto porque ela contém os diversos elementos da nossa adoração. Portanto, a nossa adoração deve conter palavras santas que indiquem nossa reverência e nosso respeito a Ele, revelando-Lhe nosso santo temor.

Quando o elemento da santidade de Deus fica perdido na nossa adoração, ela deve ser fortemente condenada. Se perdemos este elemento, temos perdido um aspecto central do culto, que é o respeito a um Deus quantitativa e qualitativamente superior a nós.

O escritor aos Hebreus nos chama a atenção para este fato quando diz:

“Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor.” (Hebreus 12:28-29)

O contexto dessa citação do autor de Hebreus é o de culto. O termo usado para “sirvamos” deveria ser traduzido como “cultuemos”, pois o termo grego é latreu/wmen, do qual deriva-se latrei/a, que significa “adoração”, ou “culto”. Portanto, no nosso serviço (culto) a Deus precisamos ter reverência e santo temor. Esse é o culto que Lhe agrada. Para que tenhamos estas posturas na adoração divina é necessário que saibamos a Quem estamos adorando.

A perda destas coisas, isto é, da reverência e do santo temor, é patente nos movimentos modernos de liturgia. Muitos adoradores não têm em sua adoração o senso de santa reverência por Aquele a quem adoram. O escritor sacro está falando de um culto reverente que devemos prestar a Deus, cheio de santo temor, por causa da natureza do Deus a quem adoramos. Ele é fogo consumidor.

Estas noções não estão presentes na maioria dos cultos prestados a Deus. As reuniões das inovações litúrgicas são tão cheias de irreverência que perdem em formalidade até para reuniões sociais que as pessoas fazem nas suas atribuições normais como cidadãos. Quando as pessoas tratam com as autoridades deste mundo, elas ainda têm uma certa postura que as diferencia de uma conversação com um seu igual, mas com Deus a conversa é destituída de qualquer cerimônia, reverência ou santo temor.

Nossos atos de culto freqüentemente se iniciam com uma saudação mais ou menos como esta: “Como está você nesta noite?” ou “Está todo mundo contente hoje?”, ou “Oi, pessoal, tudo bem aí?” ou “Bom dia para todos”. Hanko diz que através de saudações como estas “a congregação nem mesmo é conscientemente levada à presença de Deus; muito menos são as pessoas inspiradas com o senso de reverência que deve permear aqueles que entram na presença de Deus.” [10] Estas expressões que trazem Deus ao nível dos adoradores pecadores, usadas por inovadores litúrgicos, desvestem Deus de sua majestade, desvestem o culto de sua santidade, e desvestem os adoradores de sua seriedade.

A horizontalidade da adoração tem tomado o lugar de sua verticalidade. Na verdade, não deve existir no culto cristão lugar para as relações horizontais. Estas devem acontecer somente depois que as relações diretas com Deus terminam formalmente. Os avisos, as saudações e as “sociais” não podem fazer parte do culto, que deve ser sempre uma expressão de verticalidade. Os crentes ficam juntos na hora da adoração pública, mas a comunhão deles ali é com Deus. Obviamente, eles têm comunhão uns com os outros no sentido em que todos comungam do mesmo espírito de adoração, mas aquela hora não é a hora de mostrar a nossa simpatia de uns para com os outros. A nossa simpatia e delicadeza podem e devem ser mostradas depois que o culto termina, e nos dias subseqüentes. O dia-a-dia deve evidenciar as relações horizontais como um produto das nossas relações verticais particulares e públicas, mas não na hora do culto!

Hanko diz que a falta de temor a Deus “é que , em grande medida, explica o baixo padrão de moral, a mundanidade e a carnalidade, a loucura do prazer e a perversão ética, que caracterizam os nossos tempos. ” [11] A falta de temor a Deus, que tem caracterizado a presente geração de adoradores, tem produzido uma adoração sem qualquer senso de reverência ao Adorado.

A presença da grandeza, da majestade e da santidade de Deus deveria tornar-nos cheios de reverente temor diante dEle. Culto envolve diretamente essa presença. Portanto, Sua presença deveria ter como resposta o reverente temor. Davi disse: “Arrepia-se-me a carne com temor de Ti” (Salmos 119:120).

É assim que deveríamos nos sentir e nos portar diante dEle na hora de adoração. É o Santo que está entre nós no culto. Mas quando o adorador “assume uma atitude de familiaridade, quando ele fala a Deus como se fosse um seu igual, sem qualquer semelhança de admiração e reverência em sua voz e palavras nas suas comunicações com o santo Deus, ele se torna profano e blasfemo.” [12]

Se em nossa adoração o senso de admiração e de reverência pelo Senhor não estão presentes, não existe uma verdadeira adoração. Esses são elementos essenciais a uma verdadeira adoração. Mas quando eles estão presentes, então podemos desfrutar o senso da gostosa e majestosa presença dAquele a quem adoramos.

Portanto, conheça-se a si mesmo e conheça quem o Deus verdadeiro é. Somente assim, você poderá exercitar uma verdadeira adoração.

A nossa oração é para que Jesus nunca venha a dizer de você que adora a Deus, o mesmo que Ele disse da mulher Samaritana: “Vós adorais o que não conheceis…”


Notas:

[1] Hughes Oliphant Old, op. cit. p. 239 (grifos meus).

[2] João Calvino em seu Comentário de Malaquias 1:11.

[3] Michael Scott Horton, Putting Amazing Back into Grace, (Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1991), p. 61.

[4] Horton, op. cit. pp. 62.

[5] Por várias vezes estou usando a expressão “os chamados ortodoxos” porque eles não são, na verdade, ortodoxos. A palavra ortho significa “correto” e doxa significa “adoração”. Uma pessoa com fé ortodoxa dá a glória ou a adoração correta a Deus, sendo, na verdade, um verdadeiro adorador.

[6] Horton, op. cit. p. 62.

[7] “The Fear of the Lord in Worship”, in Worship in the Presence of God, op cit. p. 21.

[8] Eclesiastes 5:1-2.

[9] Citado por Karl Barth, The Epistle to the Romans, (London: Oxford University Press, 1965) p.10 (prefácio à segunda edição).

[10] Hanko, op. cit. p. 26.

[11] Hanko, op. cit. p. 28.

[12] Hanko, op. cit. p. 32.


Héber Carlos de Campos é ministro presbiteriano, tem bacharelado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul, Campinas, SP; mestrado em Teologia Contemporânea pelo Seminário Presbiteriano JMC, em São Paulo; e doutorado em Teologia Sistemática pelo Concordia Theological Seminary, Estados Unidos. Atualmente é Coordenador do Programa de Mestrado do Centro de Pós Graduação “A. A. Jumper”; e professor de Teologia Sistemática.


Fonte: Publicado em O Presbiteriano Conservador na edição de Novembro/Dezembro de 1996)