Os Negros Adventistas e a Música na Igreja

por: Alma Montgomery Blackman, Mus.D.

Introdução

Os negros adventistas estão fragmentados em suas percepções da música que é apropriada para a adoração a Deus. As diferenças culturais dentro das famílias, oportunidades desiguais de exposição à música e de treinamento musical, tradições musicais mutantes dentro de igrejas locais e a ampla diversidade no grau em que nosso clero, músicos e membros têm se dedicado ao estudo da música de igreja, tudo contribui para a fragmentação que estamos experimentando agora.

Herança Musical Africana

Durante a luta pelos direitos civis, quando os negros americanos redescobriram um interesse em retornar às raízes na África, a história e grandeza daquela terra, que estavam obscurecidas para nós, tornaram-se perceptíveis. O estabelecimento de estudos de questões negras nos currículos de escolas, faculdades e universidades pelo país inspirou muitos a abraçarem quase tudo o que era negro.

O negro spiritual sempre teve lugar nas Igrejas Adventistas do Sétimo Dia (IASD), mas quando os negros adventistas começaram a procurar algo novo que refletisse esta herança negra, muitos se voltaram para a música gospel rítmica, que disc jóqueis estavam começando a tocar nas rádios. Isto foi visto, em muitas igrejas, como apresentação da música da Igreja Pentecostal, mas os negros adventistas estavam determinados em refletir sua música na cultura de seu povo.

Em 1941 o Church Hymnal continha músicas de várias nações do mundo e até mesmo hinos provenientes de outras denominações, mas não havia nenhuma inclusão do negro spiritual. De fato, em certas instituições adventistas da mais alta erudição, professores de música brancos elitistas, estavam comentando sobre a inferioridade do negro spiritual como forma musical. Nesta contexto, a música gospel negra, que era muito nova para a maioria dos adventistas, parecia uma implantação da natureza africana. Neste capítulo, discutirei esta condução na música negra e esboçarei os problemas inerentes ao cenário do rock evangélico.

Instrução Bíblica

Em nossa música na igreja estamos adorando a Deus, não importa qual seja a nossa cor, e temos instrução definida sobre a música que deverá ser executada nesta ocasião. Ellen White, comentando sobre a música na adoração, declara: “Como parte do culto, o canto é um ato de adoração tanto quanto a oração”.2 Assim como oramos a Ele, nós cantamos a Ele. Em ambas as atividades, Deus é o expectador principal. Portanto, nossa atitude ao cantarmos deveria ser tão reverente como se fosse uma oração. Infelizmente, nem sempre é assim.

Em Efésios 5:19 e Colossenses 3:16 Deus nos informa sobre os tipos de música que deveríamos oferecer a Ele: salmos, hinos e cânticos espirituais.

Salmos são passagens da Bíblia, especialmente do livro de Salmos, que são adaptados a melodias simples. Exemplos são “Deus Amou o Mundo de Tal Maneira”, “Ergo os Meus Olhos para os Altos Montes”, “O Senhor É Minha Luz”, etc. (HA – sem correlação. Outros exemplos: O Céu Azul (39) (Salmo 19); O Meu Pastor é o Bom Jesus (87) (Salmo 23); Infinita Graça (192) (Salmo 51); Confiei no meu Senhor (471)(Salmo 40:1-4)

Hinos são orações a Deus, nas quais exaltamos Seu caráter, amor, grandeza, majestade, força, poder e glória. Eles são definitivamente centrados em Deus. Considere os exemplos: “Santo, Santo, Santo”(18), “Prece ao Trino Deus”(09) e “Jesus Reinará”. (–)

Cânticos espirituais são testemunhos musicais da interação da Divindade sobre o coração e a vida do crente. “Salva-me Também”(399), “No Jardim”(426) e “Oh, Que Amigo em Cristo Temos!”(420) são exemplos. Pelo fato destas canções descreverem um relacionamento entre uma pessoa e Cristo, elas são corretamente definidas como canções evangélicas. Porém, nós, como negros, não tendemos a considerá-las como canções evangélicas, porque o ritmo não é sua característica principal. Aqui erramos, porque é o poema, a mensagem do cântico, e não a música, que qualifica um cântico como “música de testemunho”. E para nós, certamente não há nenhum conjunto músicas de testemunho do que a herança que recebemos de nossos antepassados escravos, o negro spiritual.

Por anos, os negros adventistas, adoraram desta forma. Não houve nenhuma tentativa clara em tornar negro o culto da igreja, exceto pela inclusão do negro spiritual.

Eurocentrismo – Um Ponto de Controvérsia

Talvez como uma reação ao preconceito que experimentamos neste país e nesta igreja, e talvez também por causa do orgulho que sentimos em nossa religação com a África, surgiu um grande ressentimento contra a música eurocêntrica e um desejo de experimentar apenas a música gospel negra. Cantamos de bom grado hinos e canções espirituais, mas um número crescente de nós recusa-se executar os grandes hinos, por causa de suas raízes eurocêntricas. Conseqüentemente, muito do cântico histórico da Palavra de Deus é eliminado de nossos cultos.

Em defesa do eurocentrismo na música e na adoração, deveríamos nos lembrar que a história do protestantismo – a Igreja Adventista do Sétimo Dia é, naturalmente, uma denominação protestante – deve começar com a Reforma. Citamos o trabalho de Martinho Lutero na Alemanha, João Wycliffe na Inglaterra, João Huss na Boêmia, João Calvino na Suécia e França, João Knox na Escócia e outros, no desenvolvimento da base sobre a qual adoramos hoje. E uma vez que essas pessoas eram européias, o protestantismo possui, intrinsecamente, raízes eurocêntricas. Martinho Lutero não apenas divergiu com a Igreja Católica nas suas 95 teses; ele foi o primeiro protestante a escrever hinos. Antes da Reforma Alemã, os padres e corais cantavam toda a música. Lutero, que sentiu que a congregação deveria participar e não ser mera ouvinte, deu ao povo o primeiro hinário na sua própria língua. Durante sua vida ele escreveu 37 belos hinos, mas o mais famoso e duradouro de todos, composto em 1529, foi “Castelo Forte É Nosso Deus”. O hino, portanto, como forma musical, é eurocêntrico.

Assim como Martinho Lutero desenvolveu o hino para o povo, era necessário desenvolver hinos independentes para os corais cantarem, visto que as denominações protestantes recém-estabelecidas haviam abandonado a missa como esta era celebrada na Igreja Católica Romana, começando a desenvolver suas próprias formas de adoração. Considerando que o cristianismo protestante experimentou uma divisão em numerosas denominações com sutilezas variadas de dogma, os compositores escolheram selecionar textos bíblicos para escrever grandes hinos. Seguramente, não podia haver nenhuma discordância entre denominações se as palavras de um hino viesse diretamente das Escrituras! Assim, o hino é realmente eurocêntrico e deveria ser guardado em apreço pelas congregações e pelo clero negro. É a Palavra de Deus sendo cantada; como, então, podemos dizer que isso não seja pertinente a nós como povo?

No atual movimento de renascença dos negros adventistas, não ouço pastores negros lendo Bíblias de negros, escritas em dialeto, nem ouço seus sermões sendo pregados no dialeto dos guetos negros. A Versão King James das Escrituras permanece sendo amplamente usada entre nós, e isso também é bem eurocêntrico. Embora haja uma tendência crescente entre nossos pastores negros de pregarem nos moldes dos pastores negros mais populares dos círculos não adventistas, a música parece ser o principal elemento determinante, que define um culto de adoração como negro, e isso é uma infelicidade.

A Conexão Africana

Muitos consideram a música gospel negra, a qual hoje tem crescido em proeminência dentro das igrejas adventistas negras, seja baseada em nossa religação com a África. O estilo desta música e o uso de instrumentos musicais não tradicionais confirmam isto?

Jeffrey K. Lauritzen, diretor de corais do Collegedale Academy em Collegedale, Tennessee, disse: “Baterias, guitarras elétricas, sintetizadores e elaborados sistemas de amplificação, que intensificam grandemente o efeito rítmico e a intensidade da música, estão invadindo de forma dramática a adoração cristã, assim como os play-backs produzidos comercialmente, muitos dos quais estão na linguagem rock”.

Estes não são instrumentos usados tradicionalmente por músicos da igreja na adoração a Deus. Ao contrário, eles fazem parte dos acessórios dos artistas de rock, e embora não aprovemos o rock and roll nos arriscamos, pelo uso destes instrumentos, ao perigo de seguir seu exemplo, em vez de trilhar a senda de músicos cujo propósito exclusivo sempre foi honrar a Deus com seus talentos.

Angi Cooper, de Memphis, Tennessee, discutiu sobre os esforços de Tipper Gore em limpar o cenário da música rock, a qual está bombardeando nossa juventude com letras questionáveis, em numa carta ao editor do Memphis Apped Comercial, datada de 12 de janeiro de 1986: “Desde seu início o rock & roll era uma forma de rebelião – rebelião contra a sociedade, o governo e os pais, que ficaram chocados com o requebrado de Elvis Presley. O rock & roll é mais do que somente um concerto ou uma canção popular das Top 40 (as 40 músicas mais escutadas). É sexual, espiritual e controversa”.

Michael Ventura, um pesquisador de música, realizou estudos baseados na hipótese de que toda música americana (quer dizer, a música de compositores clássicos e populares tanto negros como brancos) tem suas raízes na África. Para isto, traçou o desenvolvimento da música africana em sua vinda da terra de nossos antepassados durante a escravidão para o Haiti e depois para Nova Orleans onde se originaram muitas formas de musica pop negra.

Só para citar alguns exemplos, o “funk” vem da palavra africana Zu-fuki, do idioma Kikongo. Significa “transpiração positiva”, algo que havia sido bem feito e que, portanto, é bom, ou funkeiro. “Soul” também tem uma referência no idioma Kikongo, na palavra mojo, que significa ser investido com o poder de um espírito, que tem a capacidade de controle. É uma prática de vodu em transportar uma pedra mojo. “Boogie” vem da palavra Kikongo mbugi que significa “diabolicamente bom”. Juke é a palavra do idioma Mande para “mau”, e nos bares de Nova Orleans a palavra tinha o sentido de “música ruim tocada por pessoas ruins em lugares ruins”, segundo Michael Ventura.(3)

A edição da revista Ebony de setembro de 1982, em uma reportagem sobre a carreira do cantor evangélico Andrae Crouch, declarou: “Crouch certamente não aderiu ao formato tradicional da apresentação da música religiosa. Ele criou para si um nicho no mundo da música que é normalmente dedicado aos artistas não religiosos, porque combinou de forma sagaz elementos da discoteca, jazz progressivo, rhythm & blues, pop e até mesmo o rock, enquanto que ao mesmo tempo, se equilibrava sobre uma linha tênue entre suas raízes tradicionais música gospel e as Top 40 do funk”.

Certamente, apesar da conexão africana, está claro que estes estilos musicais não têm nenhum espaço na música cristã. Em seu livro Readings in Black American Music, a historiadora de música Eileen Southern descreve a adoração africana primitiva como saturada por práticas de vodu na qual os espíritos de deuses, que os participantes invocam com seus tambores, “cavalgam” os corpos dos adoradores de tal maneira que os espectadores podem olhar para os movimentos dos dançarinos e identificar precisamente qual deus está incorporado no meio deles. (4)

Como podemos tomar a pureza de Jesus Cristo e a história da salvação e apresentá-la em tal formato? Se existe uma conexão africana entre rock, jazz, soul e nossa música evangélica, é uma conexão que não deveríamos fazer.

Embora sejamos afro-americanos e tenhamos orgulho disso, também somos cristãos adventistas do sétimo dia, e sobre nós repousa o encargo de selecionarmos as partes de nossa herança que podemos incorporar com segurança em nossa fé e estilo de vida. Não podemos aceitar a coisa por inteiro, porque nossa etnia não vai nos salvar para o reino de Deus. Em vez disso, foi o sacrifício de Jesus Cristo que tornou a salvação possível a nós e não devemos ofendê-lO.

Em uma conversa com Calvin B. Rock, vice-presidente da Conferência Geral, acerca da atual tendência musical nas igrejas adventistas negras, expliquei que estávamos realizando tentativas de nos relacionarmos com a África e trazer aquela herança rítmica africana para nossa música. O sr. Rock respondeu que esteve por toda a África e nunca viu ou ouviu qualquer coisa semelhante à música que está sendo tocada em nossas igrejas hoje. Claro que ele não viu ou ouviu nada semelhante; o que estamos fazendo não é africano. O fenômeno musical que está ocorrendo em nossas igrejas é um pentecostalismo americano híbrido!

Pelo fato de não conhecermos a cultura de africanos adventistas do sétimo dia consagrados, procuramos às escuras, impondo cegamente a eles características que achamos que eles possuem e que gostaríamos de imitar. Contudo, os adventistas africanos não executam a música que defendemos. De tempos em tempos, recebo pedidos de música de regentes africanos que conheci em meu trabalho na igreja. Eles sempre pedem por hinos para coral e negro spirituals específicos. Deveríamos ter cuidado em não imitar em nossa adoração a música que se relaciona com práticas pagãs. Temos ampla razão em valorizarmos nossos negro spirituals e nossos grandes hinos, assim como valorizar nossa herança como afro-americanos adventistas do sétimo dia.

A Conexão Pentecostal

Como foi sugerido antes, o pentecostalismo parece ter uma importante influência na música gospel negra cristã. De acordo com o Grove?s Dictionary of Music, “música gospel é uma forma religiosa de música folk religioso ou popular. Ela é principalmente americana e é apresentada tanto por negros como por brancos. Entre os negros, a música gospel substituiu, em grande parte, o spiritual. A música gospel negra está relacionada ao desenvolvimento de igrejas Pentecostal e de Santidade. Desde a década de 1940 a música gospel foi assimilada nos cultos de muitas denominações. Também se tornou intimamente associada a certos estilos de música popular: a música gospel negra com o Soul e a música gospel branca com a música Country” (pág. 554). Em várias páginas o artigo explica como a ascensão da música gospel coincidiu com a ascensão do blues e jazz, e como todos eles se desenvolveram juntos na primeira parte do século vinte.

Neste ponto deveríamos reconhecer que música gospel é um tipo legítimo e necessário de música de igreja. Canções gospel testemunham da bondade de Deus ao crente individualmente e da resposta do crente a Ele. Onde estaríamos sem canções como “Cristo Tocou-me”, “Dê um Coração Puro”, e “Seus Olhos Estão sobre o Pardal?” A canção evangélica é uma forma maravilhosa de expressão musical.

O perigo está no modo peculiar como apresentamos a música gospel e os instrumentos que usamos. Como mencionado anteriormente, sintetizadores, guitarras e baterias são extensivamente usados no campo da música rock. Poderosos sistemas de amplificação garantem que a música será alta, levando os cantores a forçarem sua qualidade tonal em suas gargantas. Além disso, uma ênfase exagerada sobre o ritmo é destacada não apenas na bateria, mas também nos corpos dos cantores, como em corais inteiros se balançando de um lado para o outro durante a música. O órgão prefeirdo é o Hammond, que pode alcançar efeitos sonoros estridentes. Se tomarmos tempo em visitar uma igreja Pentecostal, é exatamente isto que encontraremos, o que prova que não estamos imitando a África. Estamos abraçando o Pentecostalismo!

Uma Profecia dos Últimos Dias Se Cumpriu

Em 1900, numa reunião campal, em Muncie, Indiana, S. N. Haskell, que havia falado no culto do sábado pela manhã, estava aflito pela música que foi apresentada naquele dia por um grupo de fanáticos da “carne santa”. Usando instrumentos musicais, eles haviam cantado palavras sagradas com melodias de dança, e o povo havia dançado, gritado e se empurrado, até que ficassem histéricos. E estes eram adventistas brancos!

Seis meses antes, a nossa profetisa, Ellen White, viu esta situação em visão, e quando cartas de preocupação começaram a chegar a ele, respondeu com estas palavras: “As coisas que descrevestes como ocorrendo em Indiana, o Senhor revelou-me que haviam de ocorrer imediatamente antes da terminação da graça. Demonstrar-se-á tudo quanto é estranho. Haverá gritos com tambores, música e dança. Os sentidos dos seres racionais ficarão tão confundidos que não se pode confiar neles quanto a decisões retas. E isto será chamado operação do Espírito Santo”.

Ela continuou: “O Espírito Santo nunca Se revela por tais métodos, em tal balbúrdia de ruído. Isso é uma invenção de Satanás para encobrir seus engenhosos métodos para anular o efeito da pura, sincera, elevadora, enobrecedora e santificante verdade para este tempo. E melhor nunca ter o culto do Senhor misturado com música do que usar instrumentos músicos para fazer a obra que, foi-me apresentado em janeiro último, seria introduzida em nossas reuniões campais. A verdade para este tempo não necessita nada dessa espécie em sua obra de converter almas… As forças dos agentes satânicos misturam-se com o alarido e barulho, para ter um carnaval, e isto é chamado de operação do Espírito Santo… Satanás opera entre a algazarra e a confusão de tal música, a qual, devidamente dirigida, seria um louvor e glória para Deus. Ele torna seu efeito qual venenoso aguilhão da serpente”.5

O fim do tempo de prova está sobre nós. A profecia se tornou realidade. A música está aqui nas igrejas adventistas negras e, de acordo com Sua profetisa, Deus não está contente. Quando a música de hoje é apresentada, afeta o decoro das congregações, as quais, juntamente com a música, contribui para o ruído e barulho sobre os quais Ellen White escreveu. Devemos estar cientes de que Satanás é o autor da confusão. O reconhecimento deste fato e a severa advertência de Ellen White encorajam a que sejamos cautelosos em nossa escolha de música de adoração.

Charles D. Brooks, diretor/orador do programa de televisão Breath of Life, disse recentemente: “Eu viajo para toda parte, como vocês sabem, e ouço o que está acontecendo com a música de nossa igreja. É possível ver como estamos nos aproximando da crise final. Receio que seja a música que dividirá nossa igreja. Haverá um remanescente que permanecerá firme, e estes são os que serão perseguidos, não só pelo mundo, mas por seus antigos irmãos.”

Eric C. Ward, ex-pastor da igreja da Faculdade de Oakwood, compartilhou conosco duas abordagens que Satanás tem usado para dividir a igreja de Deus.A primeira foi um esforço em lançar sementes de dúvida sobre a veracidade do Espírito de Profecia, o qual parece não ter funcionado com os adventistas negros. A segunda abordagem envolveu a música de estilo e conteúdo questionáveis, supostamente ligados à nossa herança africana. Certamente gostaríamos de tomar providências para assegurar que este plano também não funcione.

Eugene F. Durand, em um artigo publicado na Adventist Review (6/12/1990) intitulado “Música Cristã Contemporânea”, expressou sua preocupação sobre a música atual na igreja adventista: “Enquanto crescia, os adventistas eram ensinados que a música popular era imprópria aos ouvidos cristãos, não só por causa das palavras apaixonadas, sentimentais, mas por causa da música sensual. Imagine nosso constrangimento, então, quando adventistas, que rejeitavam a música dançante, passaram a executá-la (com palavras sagradas) na igreja no sábado! Aquilo que conscienciosamente nos abstemos durante a semana… somos forçados a escutar atualmente durante o culto sagrado no dia santo de Deus!…”

“Não é estranho que nós adventistas saibamos como distinguir entre o santo e o profano quando se trata do dia de adoração, entre o limpo e o impuro em nossa alimentação e entre certo e errado no dízimo, no vestuário e na recreação, e contudo pareçamos não ter a mínima noção de como diferenciar o sacro do profano em nossa música?”

O profeta Ezequiel fala contra misturar o sacro com o profano, ao agir assim, cria-se uma Babilônia musical. Em Ezequiel 22:26 ele adverte: “Os seus sacerdotes transgridem a minha lei e profanam as minhas coisas santas; entre o santo e o profano, não fazem diferença, nem discernem o imundo do limpo e dos meus sábados escondem os olhos; e, assim, sou profanado no meio deles”.

O estado futuro da música devocional no adventismo negro é motivo de preocupação. Em nossa busca pelo “acorde perdido”, nossa conexão africana, não devemos perder de vista nossa herança espiritual como cristãos protestantes adventistas do sétimo dia. Nossos antepassados escravos trouxeram consigo elementos de sua música que era autêntico em termos de cultura africana, abraçando a justaposição de um ritmo sobre outro e escalas modais nas quais as melodias eram entrelaçadas. Estes modos não são americanos, mas sim africanos. Nós, como seus filhos, não deveríamos abandonar essa herança autêntica.

O Sacrifício de Louvor

Deus está nos dizendo, “Adorai-me com salmos, hinos e canções espirituais”. Ele está buscando por expressões de adoração em músicas que O exaltem simplesmente pelo que Ele é, que reconheçam Seu poder, Seu amor, e os muitos maravilhosos atributos que constituem Seu grande caráter. Não se deleitaria Ele em ouvir corais elevarem suas vozes em hinos cujas palavras vêm de Suas próprias Escrituras? O objetivo da adoração não é ver quão negros podemos ser; é sim, mostrar reverência e amor ao nosso Deus.

A segunda vinda de Jesus aproxima-se de nós. Nossa adoração através da música tem que estar em conformidade com a vontade de Deus. Em nossas orações e em nossa música, Deus é o espectador. Ele nunca nos pediu que O entretivéssemos – Ele nos pede que O adoremos. Devemos piamente considerar a direção de nossa música, dando atenção às instruções e advertências de Deus, e tomar os passos que forem necessários para assegurar que a música negra devocional na IASD continuará sendo um veículo para as mais elevadas bênçãos de Deus!


NOTAS

1 – Por exemplo: “Sometimes a Light Surprises” N°. 254 [Jesus, o Bom Amigo ? n° 118 HASD]; “Sun of My Soul“, N°. 321 [Vem Entre Nós Morar – n° 454 HASD]; “My God, How Endless Is Thy Love!” N°. 414; “O Golden Day” N°. 434; e “The God of Abraham Praise” N°. 76 [Ao Deus de Abraão Louvai – n° 11 HASD], Church Hymnal (Washington, D.C.: Review and Herald Pub. Assn., 1941).

2 – Ellen G. White, Educação (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira), p. 168.

3 – Michael Ventura, Shadow Dancing in the U.S.A. (Los Angeles: Jeremy P. Tarcher, Inc., 1985), pp. 104, 106, 107.

4 – Eileen Southern, Readings in Black American Music (New York: W. W. Norton and Company, Inc., 1983).

5 – Ellen G. White, Testemuhos Seletos (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira), pp. 36, 37.


Traduzido por Levi de Paula Tavares em Janeiro de 2005