“Rock” Santeiro?

Música Rock e seu Impacto na Vida Cristã — 5 de outubro de 2015 3:00 am

por: Rolando de Nassau

Sim, senhor, existe muito “rock” metido a santo!

Os compositores e intérpretes do “rock” algumas vezes simulam interesse em assuntos religiosos.

Entre os pioneiros, citemos Elvis Presley, que gravou um disco intitulado “He walks beside me” (Ele caminha ao meu lado), contendo canções favoritas “de fé e inspiração”, e Sister Rosetta Tharpe, que, já em 1957, nos primórdios do “rock”, com sua guitarra cantava hinos ao ritmo dele; entre os grupos surgidos na década de 70, citemos do “Queen” as músicas “In Only Seven Days” (Em apenas sete dias) e “Jesus”, e do Led Zeppelin, “Stairway to Heaven” (Escada para o Céu); entre os conjuntos que estão fazendo sucesso, os “Commodores”, com a música “Love for Jesus” (Amor a Jesus).

Também os brasileiros têm composto “rock” santeiro: Roberto Carlos (“Jesus Cristo, eu estou aqui”, “O Homem de Nazaré”, “Aleluia”), Nélson Néd (“Segura na mão de Deus”) e Gessé (“Ao meu Pai”).

Até mesmo compositores que tiveram formação na música erudita, como, por exemplo, Andrew Lloyd Webber, enveredaram pelos caminhos tortuosos do “rock”: Webber compôs “Jesus Christ, Superstar” (Jesus Cristo, Super-Astro), primeira ópera no ritmo de “rock”, influenciando a concepção de obras corais para execução em igrejas evangélicas.

É preciso não esquecer que vários elementos usados pelo “rock” têm origem em estilos de “jazz”, particularmente no “rhythm and blues”. O “rock” e o “rhythm and blues” prestigiam o ritmo, pois neles a melodia é mero suporte do texto (ver: Joachim E. Berendt, Le Jazz, des origines à nos jours. Paris : Payot, 1963 ; Philip Daufouy, Pop Music/Rock. Paris: Champ Libre, 1972).

A ênfase sobre o ritmo caracteriza, por isso mesmo, a atual música popular brasileira, pois ela, atravessando uma crise, devido à falta de criatividade da maioria dos compositores (que deveriam buscar, mas não buscam, a identificação com o público), contenta-se em ser uma diluição do “rock” americano. Como afirmou um dirigente da maior gravadora de discos do País, “hoje, para uma música brasileira fazer sucesso, ela deve ter um saborzinho de rock”. O compositor popular brasileiro, em detrimento da melodia e harmonia, coloca maior ênfase no ritmo, o elemento mais diretamente relacionado com a reação física. O resultado é a padronização sonora, que não encontra ressonância no sentimento do povo, pela forçada combinação de bateria, sintetizadores e teclados eletrônicos, imitando o chamado “Los Angeles Sound”.

Como o povo evangélico no Brasil, em sua maioria, ouve pouca música sacra, e suporta diariamente a carga sonora impingida pelo rádio e televisão, pelos discos e fitas magnéticas, acaba aceitando o padrão rítmico mais frequente, que é o transmitido pelo “rock”. Daí, fica mais fácil aceitar música de finalidade religiosa que seja muito ritmada.

Além disso, o “rock” aproveita alguns elementos dos estilos “spiritual” e “gospel”, o que facilita a sua penetração na música-de-igreja.

A influência deletéria do “rock” em algumas igrejas evangélicas é evidente: basta ver o uso do “play-back”, dos instrumentos musicais elétricos (guitarra, sintetizador) e da batida rítmica simétrica. O “rock tem contaminado até jovens crentes, com linguagem ímpia, sons alucinantes e ritmo sensual.

Recorde-se que o “rock” promoveu a eletronização da música popular, já realizada por engenheiros eletroacústicos na música erudita, atingindo inclusive a música religiosa; muitas igrejas têm seu equipamento de som com muitos “watts” para amplificar o acompanhamento instrumental no canto dos “corinhos” (ver: “ULTIMATO”, set.out.nov.dez1983).

O “rock” é santeiro, fora e dentro das igrejas. Basta manusear cantatas disponíveis na língua portuguesa para constatar que o “rock” permeou a música pretensamente sacra: encontramos elementos de “rock” nas cantatas “Boas Novas” (Bob Oldenburg), “Pastores, venham celebrar” (John Floyd Wilson) e “Celebração da Esperança” (Otis Skillings).

Vem muito a propósito a transcrição de um trecho da bem elucidativa reportagem publicada no “Mensageiro da Paz” (edições de setembro e outubro de 1985):

“Quantos jovens crentes não possuem em suas casas coleções inteiras de discos de música secular, onde sobressai o “rock”, em sua forma normal, ou inversa de louvor a Satanás, carregado de expressões oriundas da simbologia ocultista? … O problema se torna ainda muito mais grave porque, influenciados por esse ritmo, procuram trazê-lo para dentro dos templos, ao som de suas guitarras no mais alto volume, com músicas desconexas, sem nenhuma expressão espiritual … Enquanto os sons estridentes dos instrumentos eletrônicos ressoam …, centenas de moças e rapazes, na plateia, começam a balançar o corpo, de mãos dadas ou com os punhos erguidos, sob o efeito alucinante da música tocada por um conjunto, que inicia sua apresentação pública cantando: “Pegue uma guitarra e cante um “rock” para louvar a Jesus”. Para a pessoa que chega, sem estar ciente do que se trata, sua primeira impressão é a de que se encontra diante de mais um “show” de “rock” pesado (“heavy metal”), desses que têm influenciado milhares de jovens em todo o mundo. Mas para sua surpresa se vê participando do paradoxo de uma pretensa reunião evangélica, que em quase nada difere dos “festivais da pesada”. Cena como esta que acaba de ser descrita não representa, hoje, nenhuma novidade, pois não são poucos os conjuntos evangélicos a lançarem mão desse expediente, sob o argumento de que precisam usar a mesma “linguagem” do mundo para promover uma evangelização mais eficiente …”.

Nos últimos 20 anos o “rock” aliou-se ao satanismo e difundiu-se em todo o mundo. Comprovada e inegavelmente, o “rock” desenvolveu-se à sombra do “Hare Krishna”, seita hinduísta trazida em 1965 da Índia para os Estados Unidos, e Inglaterra (via George Harrison, que visitou a Índia em 1967) pelo guru Backtivedanta Swani Prabhupanda. A experiência das drogas e a influência da religião hinduísta mudaram os rumos do “rock” (ver: Henry Skoff Torgue, La Pop-Music. Paris: Presses Universitaires de France, 1975).

A técnica hinduísta do mantra (ver : Caio Miranda, Hatha, o ABC do Yoga. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, s.d.) foi utilizada pela tecnologia ocidental: daí surgiu o “backward masking” (ver: artigo “Desmascarando o Rock”, edições de 09 e 23 out 83, OJB, p.2). Prabhupanda iniciou o guitarrista Harrison (que pertenceu aos “Beatles”) nos segredos mântricos do “Hare Krishna”, e Harrison, com a ajuda do sonoplasta George Martin, empregou eficientemente a técnica eletroacústica que tem sido instrumento do satanismo (ver: ‘TIME’, out.1983, p. 78).

Os crentes de hoje têm facilmente à sua disposição o espetáculo do “Roque Santeiro” e a música do “Rock” santeiro …


Este material foi publicado originalmente em 21 de novembro de 1985.


Fonte: Os editores do Música Sacra e Adoração agradecem ao autor pela disponibilização deste material.


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