As Crianças no Culto

A Forma da Adoração — 30 de dezembro de 2013 3:00 am

por: Pr. David Karnopp

Uma situação com a qual a Igreja tem tido certa dificuldade em encontrar solução é a questão da participação das crianças no culto. O problema começa pelos bebês que choram por algum desconforto ou para avisar que é hora de mamar. Não sendo atendidos de imediato, não se intimidam em abrir o berreiro. Depois, tem a fase das crianças que aprenderam a correr, que não fazem a menor cerimônia para se divertirem no culto. Outra fase é aquela em que as crianças até ficam juntas com seus pais, mas, a cada momento, pedem alguma coisa, atrapalhando a concentração destes. Há aquela fase em que as crianças já dominam boa parte dos recursos da computação; para estes, o culto parece não fazer muito sentido, pois está distante do seu universo.

De outro lado, está a congregação para a qual as crianças, muitas vezes, são “invisíveis”. A presença delas só é percebida quando “aprontam”. Não é sempre que os cultos são preparados visando a participação dos pequenos. A linguagem e a forma do culto geralmente são incompreensíveis e até “chatas” para as crianças: os hinos cantados são de adultos, o sermão é dito numa linguagem adulta e sobre tema de adultos.

Diante disso, criaram-se algumas soluções

– Primeiro, pelos pais que se revezam para ir ao culto. Em um culto vai a mãe; no outro, o pai. A criança, neste caso, fica em casa porque ela “incomoda” no culto. Esta é uma péssima opção.

– Depois, há o caso das crianças que exigem que os pais, a todo o momento, as levem para fora. Os pais, com medo que as crianças perturbem, atendem aos seus apelos. Esta também não é uma boa escolha. É preciso estabelecer um controle.

– A outra solução é o “culto infantil” que acontece em paralelo ao culto, em uma sala à parte. Em algum momento antes do sermão, as crianças saem do culto. Esta é a opção preferida pela maioria. Em parte porque representa uma solução que vai ao encontro das necessidades das crianças, mas também pelo sossego que o momento propicia, pois a igreja “se livra” do incômodo das crianças. Se o culto é corporativo e quer acolher a família, tirar a criança para fora do local de culto não é algo contraditório? E como a criança interpreta esta situação? Culto é coisa para gente grande?

O que fazer com as nossas crianças no culto?

  1. Não tem jeito e não adianta fugir: as crianças sempre vão “aprontar”. É melhor pensar pelo outro lado: que maravilha quando podemos ver crianças “avisando” que estão no culto. É um forte sinal de que a Igreja está em crescimento e tem futuro. O choro e a correria delas, antes de incômodo, devia ser música para os nossos ouvidos e colírio para os nossos olhos. Afinal, a Igreja de agora e do futuro está se manifestando. Por outro lado, se os pais veem que a criança está perturbando, é melhor acalmá-la fora do ambiente cultual.
  2. A Igreja precisa se colocar no nível das crianças, mas não demais. Toda criança quer ser adulta. E criança gosta de ficar atenta às conversas de gente grande, basta apenas que o papo seja interessante. Às vezes, elas captam mais do que os grandes imaginam. No culto não é diferente. Infantilizar demais a linguagem e a forma do culto é podar a oportunidade de aprendizado das coisas sagradas. O desafio é tornar a linguagem interessante aos seus ouvidos.
  3. Se a melhor solução é tirar as crianças do culto para um programa à parte, não deveria ser em todos os cultos. É importante que elas participem de alguns cultos por inteiro. E neste dia pode-se fazer um empenho para que o culto esteja o mais próximo possível delas. Também é importante integrá-las no culto. Além de apresentar cânticos e dizer versinhos, elas podem realizar pequenas tarefas: podem recolher as ofertas ou levá-las ao altar, podem distribuir algum material quando for preciso. As crianças maiores podem ler pequenas mensagens, fazer encenações – em alguns lugares há grupos de coreografia. [*]
  4. Em algumas congregações, há um berçário com parede de vidro, que permite a mãe ver e acompanhar o culto, enquanto tenta acalmar o neném irritado. As palavras de Jesus: “Deixem que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isso” (Marcos 10:14) resume o compromisso que temos de acolher nossas crianças na casa de Deus.

David Karnopp é membro da Comissão de Culto da IELB e Pastor em Vacaria, RS


Fonte: Este artigo foi publicado originalmente em Mensageiro Luterano, Outubro de 2011 – Editora Concórdia, Porto Alegre

Os editores do Música Sacra e Adoração agradecem ao autor pela disponibilidade em ceder este material.


[*] – Nota dos Editores do Música Sacra e Adoração: A liturgia da IASD não aceita esta prática. (voltar)


Tags: , ,