Entrevista com Maurício Soares Carneiro

Entrevistas, Técnica Instrumental — 13 de junho de 2013 11:41 am

Maurício Soares Carneiro é mestre em Música pela EMBAP/UFBA, pesquisador na área de clarinetas folclóricas e indígenas, professor da Escola de Música e Belas Artes do Paraná e clarinetista e claronista da Orquestra Sinfônica do Paraná.

Foi no estúdio da Fernandes e Mendonça que gentilmente nos concedeu essa entrevista, especial para o Hypescience falando sobre sua paixão pela música, sua carreira e sua pesquisa na área de instrumentos autóctones.

Na entrevista Maurício Soares Carneiro discorre sobre sua carreira, sua pesquisa sobre instrumentos autóctones oriundo das mais diversas regiões do mundo – apresentando e executando alguns desses instrumentos inauditos presentes em sua coleção de pesquisador. Discorre também sobre seus intérpretes preferidos e, é claro, sobre a profissão de músico e o que é preciso nesse Brasil para que a música erudita tenha espaço também na cultura popular.

Veja a entrevista (com imagens e videografismo de Mario Mendonça e edição de Megg Fernandes)

Ciência e Arte

É interessante pontuar os aspectos conceituais e científicos que cercam a clarineta e o clarone, instrumentos executados por Maurício Soares Carneiro na Orquestra Sinfônica do Paraná.

A clarineta é um dos instrumentos aerófonos mais recentes introduzidos nas orquestras sinfônicas.

É dito aerófono ou aerofono, pois sua afinação depende da variação de uma coluna de ar vibrante.

É constituído por um tubo cilíndrico, geralmente esculpido em madeira negra como o ébano ou a granadilha (também existem modelos de outros materiais), provido de uma boquilha cônica, de uma única palheta e chaves.

As chaves são compostas por hastes metálicas construindo um sistema de delicadas alavancas, ligadas à tampas para alcançar e vedar orifícios situados no corpo do instrumento. Orifícios aos quais os dedos não chegam naturalmente.

É por meio da liberação e/ou da oclusão desses vários orifícios, realizada pelas chaves, que se faz variar a coluna de ar vibrante no interior do tubo e com isso variar a sonoridade típica. Sonoridade essa, oriunda de sua palheta única vibrante.

A clarineta moderna é dotada de quatro registros: grave, médio, agudo e superagudo, sendo que o clarone ou “clarinete baixo” é uma clarineta grave (si-bemol) sendo geralmente posicionada uma oitava mais baixa que a clarineta padrão (clarineta soprano).

Esse instrumento apresenta atualmente uma posição de destaque nas orquestras sinfônicas em todo o mundo, em virtude:

  • Da amplitude de suas possibilidades harmônicas;
  • Do grande controle de suas dinâmicas;
  • Da grande agilidade em sua na execução;
  • Da grande extensão de notas;
  • De seu grande poder sonoro

Além disso, apresenta uma diversificada natureza de timbres, destacando-se:

No registro grave, seu timbre é aveludado, pleno e noturno;

Já no registro médio, é brilhante e expressivo.

Conforme o registro vai tornando-se agudo, o timbre vai ganhando em brilho, podendo tornar-se sarcástico, e até caricato e cômico.

No Brasil, este instrumento é bastante difundido para além do erudito, destacando-se sua utilização na execução da música sacra e principalmente em excelências da música popular brasileira, tais como chorinhos, sambas de raiz, entre outras.

Disso tudo deriva seu apelido carinhoso de “violino das madeiras”.


Fonte: HypeScience.