Enciclopédia da Memória Adventista no Brasil – História dos Hinários Adventistas

por: Jetro de Oliveira


Veja também o índice Histórias de Hinos do Hinário Adventista


Hinologia da IASD

O canto congregacional é uma das principais manifestações pela qual toda a Igreja ergue sua voz em um único ato de adoração à Deus. Velho e Novo Testamentos estão repletos de exemplos do povo de Deus cantando hinos de louvor e adoração. No templo do Antigo Israel havia a majestade de um elaborado cerimonial rico em música, tendo os Levitas dedicados exclusivamente para conduzir este serviço. Mas também no humilde nascimento da Igreja primitiva de Atos houve o canto de hinos, Salmos e canções espirituais que serviram para instruir, encorajar e dar voz a esta comunidade de crentes. Nas palavras inspiradas de Ellen White aprendemos que “Como parte do culto, o canto é um ato de adoração tanto como a oração” e que o canto de hinos pode suavizar nossa jornada rumo ao Lar Celestial.

A hinologia dos ASD pioneiros punha bastante ênfase nas doutrinas distintivas da igreja – o Sábado e o Segundo Advento. A começar em 1849 com Hymns for God’s Peculiar People That Keep the Commandments of God and The Faith of Jesus, Tiago White editou cinco hinários e quatro suplementos para seus colegas crentes antes da organização da igreja em 1863. Em acréscimo, sua irmã, Anna White compilou o Hymns for the Youth and Children, em 1854.

Enquanto estes hinários pioneiros eram extraídos de hinários Protestantes, os próprios adventistas escreveram 5% dos hinos que publicaram durante este tempo. Annie R. Smith e Roswell F. Cottrell eram os mais prolíficos compositores Adventistas daquele período.

O primeiro hinário dos ASD contendo música foi o Hymns for Those Who Keep the Commandments of God and the Faith of Jesus, em 1855. A música nos hinários anteriores derivou de três fontes: psalm-tunes, Lowell Mason e sua escola e hinos populares e os white spirituals. Afim à última categoria estavam as melodias populares que os Adventistas substituíram por palavras religiosas. O hino de Urias Smith “Land of Light,” escrito para a melodia Stephen Foster “Swanee River”, apareceu em um suplemento de 1858.

A segunda geração de pioneiros Adventistas, notavelmente, Edson White (filho de Ellen G. White) e seu primo Frank Belden, acrescentaram variedade, se não qualidade à hinologia Adventista. Edson White foi o primeiro a aprender como imprimir caracteres musicais para os hinários. Ele publicou um número de hinários de temperança e Escola Sabatina à vezes colaborando com Belden. Ambos eram compositores, e vários hinos de Belden ainda permanecem na hinologia Adventista. Desde 1886, três volumes dominaram a hinologia adventista. O primeiro foi Hymns and Tunes. Oficialmente intitulado The Seventh-day Adventist Hymn and Tune Book for Use in Divine Worship (O hinário ASD Para Uso no Culto Divino), (veja este hinário) a coleção foi compilada entre 1884 e 1886 por uma comissão especial da Associação Geral da IASD.

Na virada do século, F. E. Belden publicou Christ in Song (veja este hinário). Este hinário substituiu o Hymns and Tunes, e permaneceu como o mais popular entre os Adventistas até 1941, quando foi publicado o atual Church Hymnal.


Bibliografia

1. Ellen G.White, Educação, 167.

Revista Adventista, maio, 1918, 14; setembro, 1919, 23; outubro, 1933, 16; abril, 1956, 36; outubro, 1982, 22.

Jetro de Oliveira, Um Breve Relato dos Hinários Usados Pela Igreja Adventista do Sétimo Dia no Brasil, 1

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Zions Lieder e as Primeiras Traduções

A história dos hinários usados pela Igreja Adventista do Sétimo Dia no Brasil remonta ao próprio início da igreja no Brasil, ao final do Século XIX. Sendo os primeiros conversos e missionários em solo brasileiro de origem alemã, é natural que utilizassem um hinário alemão. Este era o Zions Lieder (cânticos de Sião), que assim como outros materiais Adventistas em alemão teve muitas de suas edições impressas nos Estados Unidos, neste caso pela Pacific Press Publishing Association em Brookfield, Illinois. Zions Lieder teve várias edições que variaram na quantidade de hinos. Sabemos que a 1ª edição continha 945 hinos, enquanto que a edição de 1917 cresceu para 1089 hinos. Contatamos a Pacific Press Publishing Association com o intuito de obter informações detalhadas sobre as várias edições do Zions Lieder. No entanto com a mudança da editora em 1959 de Brookfield, Illinois, para Glenville, Califórnia, nenhum registro detalhado sobre as antigas publicações do Zions Lieder foi preservado (Há vários hinos do Zions Lieder que cantamos até hoje).

Com as primeiras conversões de brasileiros que não falavam alemão surgiu a necessidade de um hinário em português. Inicialmente os hinários evangélicos Cantor Cristão e Psalmos e Himnos foram utilizados pelos novos conversos, mas logo houve a preocupação de hinos em português que refletissem as doutrinas da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Segundo o Dr. Gideon de Oliveira, Guilherme Stein foi o primeiro adventista a traduzir hinos para o português, algo entre 10 a 15 hinos. Há também o relato de alguns obreiros mais antigos de que por volta de 1910 circulou no IAE um pequeno volume compilado, sem música, com aproximadamente 70 hinos em português. Não há maiores informações sobre esta coleção ou outras que possivelmente circularam nas igrejas durante este período.


Bibliografia

Bonnie Tyson-Flyn, Mensagem de correio eletrônico em 16/8/2005.

Dario Pires de Araújo, Música Religiosa e Música da Nossa Igreja (FAT – Conservatório Musical Adventista, 1968),24.

www.user.lasercom.net/twmohr/Mohr%20Genealogy/mohrfamilyhistory.htm

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Cantae ao Senhor, O Primeiro Hinário “Brasileiro”

A obra adventista cresceu rapidamente no Brasil, e em 1914 a Sociedade Internacional de Tratados no Brazil, Estação de São Bernardo – São Paulo, atual Casa Publicadora Brasileira, lançou o primeiro hinário em português: Cantae ao Senhor – Hymnos para Cultos e Solemnidades Religiosas. Este hinário foi uma compilação de 104 poemas, sem música, contendo vários hinos tirados intactos do hinário alemão. Nele há a referência de qual música deve ser usada para cada hino ou poema, indicando o nome do hinário e número do hino que a música será utilizada. Os hinários adventistas em alemão, Zions Lieder, e em inglês, Christ in Song, emprestam suas músicas para o Cantae ao Senhor, assim como os hinários evangélicos Cantor Cristão, Psalmos e Hymnos e Harpa Evangélica. Este primeiro hinário Adventista brasileiro contém: “Indice dos Assumptos”, “Indice” dos hinos, mas curiosamente omite qualquer informação sobre editor/compilador, ou tradutores. A notícia do lançamento deste hinário foi comunicada assim, na Revista Mensal: “Acaba de sair do prelo uma pequena colecção de hymnos para uso de nossas egrejas. Um pequeno volume, nitidamente impresso, contendo 104 hymnos, encadernado em percalina, ao preço de 800 reis o exemplar.”

Em 1918 foi lançado um suplemento ao hinário Cantae ao Senhor contendo 110 hinos. Este suplemento também só contém letras para serem cantadas com músicas de outros hinários, principalmente de Zions Lieder, Christ in Song, Sabbath School Songs, mas também incluindo Psalmos e Hymnos, , H.T. (?) e Kings Business.Este suplemento do Cantae ao Senhor não possui qualquer tipo de índice, mas adiciona iniciais ao final da maioria dos poemas, indicando o autor da versão ou adaptação para o português, ou sua origem: S.L.G., A.R.S., W.E.E., C.E.R., J.L., J.K., C.C. (Cantor Cristão), C., H.M., J.G.R., E.C.E., J.E.B. Foi também a Revista Mensal que trouxe a notícia deste lançamento: “Trazemos hoje aos irmãos as boas novas que em breve sairá do prelo um supplemento ao nosso hymnario Cantae ao Senhor, com cerca de 110 novos e bellos hymnos. No proximo numero da Revista Mensal esperamos poder communicar o preço deste livrinho, que vem satisfazer a um desejo ha muito sentido pelo povo adventista.” Esta breve notícia revela que uma maior quantidade de hinos em português era uma “necessidade” sentida pela igreja, demonstrando a importância do canto congregacional para a Igreja da época.

No ano seguinte, 1919, foi lançada a primeira edição completa, se podemos dizer assim, do antigo Cantae ao Senhor – Psalmos e Hymnos para Cultos e Solenidades Religiosas. Esta edição contém 321 poemas para serem cantados com músicas de outros hinários, como já indicamos anteriormente.

Examinamos em mãos um exemplar datando de 1921, que indica ser uma edição revista e ampliada. Esta edição é dividida em 3 partes:

1. Hinos cujas músicas eram exclusivamente do Christ in Song e Zions Lieder. 283 hinos.
2. 23 hinos “bem conhecidos” não pertencentes aos hinários já mencionados.
3. Terceira seção intitulada “O molho de Hymnos para colportores”, com 13 hinos.

Dario Araújo informa que diferentes edições deste hinário trouxeram mudanças no número de hinos: “Assim é que na 3ª e na 4ª edições (1925 e 1928), o Cantae ao Senhor aparece com 328 poesias, sendo que 38 [letras] das primeiras edições foram trocadas por outras, e 8 foram modificadas,” sendo que as correções de letra foram feitas por Flávio Monteiro, então professor de português no Colégio Adventista do Brasil. Participaram deste trabalho editorial: Jacob Kroecher, Carlos Rentfro, Mabel C. Gross e Albertina Rodrigues Simon.

Observamos que cada nova edição trouxe modificações, que demonstram o desejo de um contínuo e gradativo aperfeiçoamento deste hinário. “Na ultima edição do Cantae ao Senhor [4ª. edição, 1928] fizeram-se pequeninas modificações no texto de alguns hymnos, das quaes damos abaixo as principaes. Cada qual poderá annotar as modificações nos respectivos logares.” Esta 4ª. edição de 1928 possui 328 poemas e inclui: “Prefacio” dando explicações sobre esta edição, “Indice dos Assumptos”, “Indice das primeiras palavras de todos os hymnos,” e já é publicado pela Casa Publicadora Brasileira, Estação de São Bernardo – São Paulo.


Bibliografia

“Cantae ao Senhor”, Revista Mensal, junho, 1914, 6.

Um Novo Hymnário”, Revista Mensal, maio, 1918, 14.

Dario Pires de Araújo, Música Religiosa e Música da Nossa Igreja (FAT – Conservatório Musical Adventista, 1968), 24.

Cantae ao Senhor – Psalmos e Hymnos para Cultos e Solenidades Religiosas. 2ª. Edição (Estação de São Bernardo, SP: Casa Pulbicadora Brasileira, 1921), 370.

“Cantae ao Senhor”, Revista Mensal, abril, 1929, 15.

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Hinário Adventista, O Primeiro Hinário Com Letra e Música

Foi somente em 1933 que o primeiro hinário com música foi lançado, o antigo Hinário Adventista. “Podemos afinal annunciar que o novo hymnario com musica estará á venda quando esta noticia chegar a nossos leitores. O hymnario contém muitos dos bons hymnos antigos, do Cantae ao Senhor, e muitos outros novos, e todos elles acompanhados de musica, o que torna desnecessario o uso de livros supplementares.” [veja a notícia original completa]

E. H. Wilcox escreve na Revista Adventista de dezembro de 1933 incentivando a implantação do novo hinário, mencionando que algumas igrejas de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul já estavam usando o “novo” hinário. “Sem dúvida, muitas egrejas e grupos estão esperando ansiosamente para começar a usar esse hymnario. É bom estabelecer certa data e então começar, dessa data em diante, a adoptal-o officialmente, só annunciando os hymnos desse hymnario.” Wilcox louva o trabalho da Casa Publicadora que conseguiu materializar um sonho que parecia impossível, unir letra e música em um hinário adventista em português, e ainda a um custo considerado razoável de 12$000, quando muitos criam que tal hinário não poderia custar menos de 20$000. Ele também incentiva a organização de pequenas classes de música nas igrejas, e que dediquem semanalmente entre 15 e 20 minutos para o aprendizado dos hinos.

O Hinário Adventista trouxe alguns hinos para os jovens, assim como uma série de alterações editoriais em relação aos hinários anteriores. As principais modificações foram feitas nas letras dos hinos. Dos hinos presentes na 1ª. edição do Cantae ao Senhor somente 10 foram aproveitados no Hinário Adventista sem nenhuma modificação. Da 4ª. edição do Cantae ao Senhor, mais 2 hinos foram aproveitados sem nenhuma alteração. Nos demais hinos que foram reaproveitados do Cantae ao Senhor, podemos observar profundas modificações de letra, havendo ainda uma pequena quantidade de hinos com pequenas modificações e mais alguns hinos que foram omitidos por completo.

Em julho de 1943 a Revista Adventista publicou na seção de notas e notícias, um chamado de contribuições editoriais para a nova edição do Hinário Adventista, que deveria ficar pronta em aproximadamente 3 meses. Este “chamado” teve como principal objetivo melhorar as letras dos hinos, dando uma clara demonstração da insatisfação existente nesta área. Esta breve nota também indica que a nova edição traria 17 novos hinos. Esta adição de 17 hinos foi vendida inicialmente como um suplemento, mas depois foi incorporada ao Hinário Adventista em suas últimas edições. Podemos afirmar que esta adição de “novos” hinos demonstra o grande interesse da Igreja em ter ainda uma maior quantidade de hinos em português. [veja o prefácio da edição de 1943, juntamente com o primeiro hino]

Buscando satisfazer este desejo da Igreja por novos hinos, em abril de 1950, a já referida seção de notas e notícias da Revista Adventista, trouxe a seguinte novidade:

“É sempre muito apreciado um novo hino, com música. Os adventistas são um povo que gosta de cantar. ´Cantemos durante o dia, e à noite sonhemos com o céu´ é um conselho que vale a pena ser tomado em consideração. Pois Revista Adventista virá ao encontro dessa vontade de cantar, de nosso povo, trazendo, durante o ano, em cada número um novo hino, com música.

Assim é que neste número aparece o lindo hino Conta-me a História de Cristo. Para o próximo número já temos pronto outro: Vem, meu Libertador! São todos hinos muito lindos, que não figuram no Hinário Adventista, e muito apropriados para serem cantados por quartetos e coros.

Os hinos aparecerão mais ou menos do tamanho da página do nosso Hinário, de maneira que poderão ser recortados e colados no hinário.”

Com esta iniciativa, vários hinos “novos” foram incorporados ao repertório de canto congregacional da Igreja Adventista no Brasil. Alguns destes hinos permanecem em uso até os nossos dias, como por exemplo, Tenho Um Hino no Meu Coração:

É também Dario Araújo que nos informa que “os tipos de impressão não resistiram mais edições do Hinário Adventista, pelo que foram fundidos.” Foi a partir de então, que o Hinário Adventista passou a ser impresso em versão somente com letra, sem música, já que havia por parte da liderança da Igreja o desejo de produzir um novo hinário.


Bibliografia

“Uma Novidade: Hymnario Adventista”, Revista Adventista, outubro, 1933, 16.

E. H. Wilcox, “Prossegue a Introducção do Novo Hymnario.” Revista Adventista, dezembro, 1933, 15.

“Hinário Adventista”. Revista Adventista, julho, 1943, 32.

“Hinos com Música.” Revista Adventista, abril, 1950, 32.

Dario Pires de Araújo, Música Religiosa e Música da Nossa Igreja (FAT – Conservatório Musical Adventista, 1968), 16.

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Cantai ao Senhor

Tendo início em 1956, e durante 7 anos, o “novo” hinário Cantai ao Senhor esteve em seu processo de preparação. A 1ª. edição data de 1963, contendo 620 hinos, com mais de 300 novos hinos em relação aos hinários anteriores, e o que os próprios editores chamaram de “muitos dos antigos melhorados”. Seguindo o crescente desejo de aperfeiçoar o material usado para o canto congregacional, a comissão editorial presidida por Flávio Araújo Garcia, então diretor do Conservatório Adventista de Música, e tendo como principais colaboradores, Dario Pires Araújo e Tércio Simon, destinou grande parte de seus esforços para adequar a letra de cada hino seguindo as regras de prosódia musical, assim como analisar e editar a música de cada hino seguindo as regras de fraseologia musical.

Os editores assim destacam as principais contribuições do Cantai ao Senhor: “Como verão, figura nêle [Cantai ao Senhor] boa parte dos hinos dêste [Hinário Adventista], modificados para satisfazer às leis da Prosódia Musical [. . .]. Acrescentou-se, além disso, bom número de hinos novos, inéditos em português. O critério, seguido pela Comissão, de evitar melodias leves, de caráter popular, explica a omissão de alguns dos cânticos do hinário antigo.” Talvez sejam estas as principais razões para que houvesse uma reação contrária a este hinário, como o próprio Dario Araújo destaca: “Se em todos os hinários anteriores, ao serem lançados, notou-se reação do nosso povo, muito maior sofreu e sofre êste atual [Cantai ao Senhor]. Muitas queixas saudosistas e revoltadas têm se insurgido contra os critérios de trabalho usados. E temos que reconhecer que é muito mais fácil ficar como está do que mudar, e muito mais difícil aprender e estudar.”

O Cantai ao Senhor trouxe as novidades de indicações de andamento, fraseologia, intensidade, expressão e articulação, para praticamente todos os hinos. Há também, a inclusão de 50 leituras responsivas para uso no culto divino, assim como, diversos índices: dos hinos por assuntos, de compositores e arranjadores, de autores e tradutores, de procedência dos hinos, de títulos e primeiras linhas. Esta quantidade de informações detalhadas presentes no Cantai ao Senhor, incluindo referências a direitos autorais, dão mostra da preocupação por parte dos editores, em produzir um hinário o mais completo possível, pelo menos do ponto de vista editorial.

O Cantai ao Senhor também circulou em versão sem música com o objetivo de oferecer um hinário a um custo mais baixo à grande parte da Igreja que não lia música. Outro material até então inédito foi a apostila História dos Hinos e Autores do Hinário Cantai ao Senhor, produzida pelo Conservatório Musical Adventista entre 1963 e 1965. O círculo do hinário Cantai ao Senhor ficava assim, completo, servindo à Igreja por 36 anos.


Bibliografia

“Prefácio“, Cantai ao Senhor. (Tatuí, SP: Casa Publicado Brasileira, 1ª edição, 1963).

Dario Pires de Araújo, Música Religiosa e Música da Nossa Igreja (FAT – Conservatório Musical Adventista, 1968), 24.

“Duas palavras dos Editores“, Cantai ao Senhor. (Tatuí, SP: Casa Publicado Brasileira, 1ª edição, 1963).

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Hinário Adventista do Sétimo Dia

Data de 1980 a primeira referência oficial da elaboração de um hinário que viria substituir ao Cantai ao Senhor. Em 1980 uma Comissão de trabalhos foi estabelecida pela Mesa Administrativa da Divisão Sul-Americana, reunindo-se a partir de julho deste ano. Vários nomes estiveram à frente desta Comissão, mas destacamos o trabalho de Joel Sarli, o primeiro a presidir esta Comissão, e Tércio Sarli, que catalisou o impulso final para que o Hinário Adventista do Sétimo Dia saisse do prelo.

O Hinário Adventista do Sétimo Dia foi lançado oficialmente em 1996, depois de 16 anos de trabalho com algumas interrupções. As principais características deste hinário são a inclusão de hinos de autores contemporâneos e brasileiros adventistas, e o objetivo de que este hinário viesse atender a Igreja como um todo, incluindo crianças, jovens e adultos, e todas as reuniões da Igreja. Temos assim um leque mais amplo no repertório de hinos, incluindo alguns que poderiam ser considerados “corinhos”. O Hinário Adventista do Sétimo Dia possui 610 hinos, contendo muitos do Cantai ao Senhor e o resgate de alguns do Hinário Adventista que haviam sido omitidos neste hinário de 1963. Há também a inclusão de hinos novos, pouco conhecidos pela Igreja Adventista no Brasil.

Alguns dos principais critérios utilizados pelos editores do Hinário Adventista do Sétimo Dia foram, a substituição de hinos pouco cantados do Cantai ao Senhor, a simplificação das fórmulas de compasso, a inclusão de uma variedade de estilos e autores, a busca de traduções fiéis à letra original e a redução da tessitura vocal. Este hinário é o primeiro a ser elaborado com musicografia digital, que esteve a cargo de José Newton da Silva Jr. O Hinário Adventista do Sétimo Dia possui vários índices, leituras responsivas e um longo editorial explicativo, seguindo o padrão estabelecido no Cantai ao Senhor.

Ciente de que as mudanças promovidas no Hinário Adventista do Sétimo Dia não agradariam à todos, os editores escrevem: “A Comissão tem consciência de que um novo hinário, com as mudanças e alterações inevitáveis, sempre traz algum desconforto a todos os que, por mais de uma geração, aprenderam a cantar de uma certa maneira. Espera, contudo, que em breve tempo toda a Igreja, em todos os rincões de nossa Pátria, possa estar louvando a Deus e renovando sua fé e esperança, com todo o entusiasmo e alegria, através dos hinos de Sião contidos neste novo hinário.”

Além de versões sem música, uma das grandes novidades trazidas pelo Hinário Adventista do Sétimo Dia é a produção deste hinário em mídias eletrônicas. Todos os hinos do Hinário Adventista do Sétimo Dia estão disponíveis na forma de Compact Discs, contendo orquestrações e vocal para cada hino. Para cada um de dois hinos foi preparado um vídeo, disponível no formato de DVD.


Bibliografia

Hinário Adventista do Sétimo Dia (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1ª. Ed., 1996).

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Melodias de Vitória

Foi em janeiro de 1953 que a Revista Adventista trouxe o pedido de colaboração para a elaboração de um novo hinário para a juventude. Quem assina como presidente da comissão responsável pelo desenvolvimento deste hinário é Francisco N. Siqueira, dando as seguintes diretrizes para as contribuições:

“1. Poesias com base em temas religiosos e juvenis a serem musicadas.
2. Músicas de caráter religioso, às quais se possam adaptar poesias ou poemas próprios à finalidade do hinário.
3. Hinos, melodia e letra, em português ou outra língua de fácil tradução.
4. Sugestões de nomes para o novo hinário.”

Além de Francisco N. Siqueira participaram do processo de seleção de hinos, Charles Pierce, Frederico Gerling Jr. e Flávio Araújo Garcia. Foi assim então que em 1955 o 1º. hinário jovem adventista brasileiro nasceu, o Melodias de Vitória. Este hinário contém 225 hinos, com letra e música. Os hinos foram extraídos do antigo Hinário Adventista, traduções de hinários adventistas em inglês e alemão, e de hinários evangélicos, como Cantor Cristão e Salmos e Hinos, assim como alguns hinos de autores brasileiros, uma grande novidade. Melodias de Vitória foi publicado pela Casa Publicadora Brasileira, Santo André/SP. Este hinário possui: índice dos assuntos, índice de títulos e primeiras linhas dos hinos, lista de tradutores e traduções, indicando os nomes dos colaboradores (Isolina A. Waldvogel, Ruth O. Guimarães, S. J. Schwantes, J. N. Siqueira, Luiz Waldvogel, R. A. Butler e Jonas Monteiro), índice por espécie (Congregação, solos, duetos, etc.).


Bibliografia

F. N. Siqueira, “Hinário da Juventude.”, Revista Adventista, janeiro, 1953, 29.

Informações fornecidas por Flávio A. Garcia, Entrevista telefônica em 28/02/06.

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Pequenas Coleções e Congressos

O lançamento de um hinário oficial da igreja para os jovens serviu de impulso para a produção de várias pequenas coletâneas e compilações: Melodias de Sião, Frederico Gerling Jr. (1963[?]); Louvores do Coração 3: MV corinhos, Raimundo Martins e Henry Feyerabend (1968); Cantemos a Mensagem do Amor 1, trazendo hinos e arranjos de Raimundo Martins, uma publicação do Conservatório Musical Adventista, sob a direção de Flávio Araújo Garcia (1968); MV Canta, coletânea produzida pelo IAP, com corinhos de Alexandre Reichert Filho.

Seguindo a tradição de grandes eventos jovem estabelecido pelo congresso de “Quitandinha”, em 1956, temos o II Congresso Sul-Americano da Juventude Adventista, “Maranata”, na cidade Curitiba/PR, entre 20 a 24 de janeiro de 1970. Destacamos a importância deste evento, por incluir na sua coletânea de hinos, 2 cânticos de título Maranata de compositores adventistas brasileiros: Raimundo Martins e Alexandre Reichert Filho.

Houve também em 1992 a publicação de uma coletânea com os cânticos da Campal de Buenos Aires, trazendo 11 hinos de vários autores adventistas da América do Sul.

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Vamos Cantar

Os dois volumes da coleção intitulada Vamos Cantar marcaram época. A antiga “Liga MV” dos anos 70, existiu ao som sdesta coleção. O 1º. volume de Vamos Cantar, contendo 84 cânticos, foi lançado em 1973, sob iniciativa da União Sul Brasileira, com sede em São Paulo. Fazem parte desta coletânea alguns cânticos traduzidos e vários cânticos de compositores adventistas brasileiros: Williams Costa Jr., Alexandre Reichert Filho, Raimundo Martins, José Geraldo Lima e Enio M. Souza. O 2º. volume de Vamos Cantar data de 1979, sendo agora um empreendimento do departamento “MV” (jovem) da Divisão Sul Americana, através da CPB. Dos 49 cânticos presentes neste 2º. volume de Vamos Cantar, somente 4 são traduzidos, sendo todos os outros 45, composições de adventistas brasileiros.

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Louvor Jovem

“Sentindo a necessidade de criar um novo hinário para a juventude adventista em nosso País, que pudesse incorporar os trabalhos mais recentes desses compositores [brasileiros], a liderança J.A. da Divisão Sul-Americana constituiu, no início de 1983, um grupo de trabalho para planejar a edição de um ´Novo Melodias de Vitória´, como foi inicialmente chamado.” Depois de analisar mais de três mil composições nacionais e estrangeiras, a comissão escolheu 162 delas, com base nos seguintes critérios principais:

1. Cânticos essencialmente congregacionais;
2. Composições já aceitas e consagradas entre o público jovem, pois o hinário não deveria ser caracterizado como laboratório musical;
3. Prioridade para compositores nacionais;
4. Preservação da tradição hinológica evangélica.

Surgiu então assim, em 1988, o Louvor Jovem, com 162 cânticos de autores adventistas brasileiros e hinos traduzidos. O Louvor Jovem teve como editor, Wilson de Almeida, e como editor musical: Williams Costa Jr.

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Tempo de Cantar

Em 1994 foi lançado o hinário Tempo de Cantar, uma compilação feita por Flávio Santos e publicado pela Kit’s Editora. Mesmo não sendo uma material oficial produzido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, decidimos incluí-lo pela importância e aceitação que obteve. Este hinário traz 220 cânticos divididos por temas (amizade, hinos pátrios, natureza, etc.). Tempo de Cantar é uma mistura de hinário jovem, juvenil, infantil e escolar. Vários hinos desta coleção, principalmente de autores brasileiros, foram incorporados no Hinário Adventista do Sétimo Dia de 1996.

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Mídias Eletrônicas

A partir de 1992 começa o que viria a tornar-se uma tradição: a produção de hinários para os jovens em formato eletrônico. O primeiro destes foi o K7 Brilha Jesus (1992), uma produção de Ariney B. Oliveira para a União Central Brasileira contendo 6 hinos. Outros se seguiram: Já é Tempo (1993); A Diferença É Cristo(1995), versões em K7, CD e impressa; Na Direção de Deus (1997), em K7 e CD;Missão (1998), K7 e CD; Rumo ao Porto Seguro (1998), somente em CD (tiragem: 11821); É Tempo de Ver Jesus (2000), em CD e VHS; Quase no Lar (2001), em CD, VHS e impresso; Você Me Pertence (2002), (tiragem: CD 14481, impresso 81000);Ensina-me a Servir (2003); Senhor Somos Tua Voz (2004), além de CD e impresso, também em DVD; Fiel a Toda Prova (2005), impresso, CD e DVD contendo múltiplos formatos; Sou de Jesus (2006), Vencedor a cada Dia (2007), e Vivo por Jesus (2008), em CD e DVD.

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Fonte: http://www.unasp-ec.com