Quem Regerá, Afinal?

por: Carlos Renato de Lima Brito

Fui convertido numa igreja em que o dirigente do culto regia as músicas do culto. Ele mesmo escolhia as músicas que, quase inteiramente, provinham de um único hinário e ensinava o cântico de hinos ou coros avulsos, ensinados a igreja por meio de cartazes e visuais. Penso que, naquele estilo, nem sempre as músicas eram dirigidas de forma adequada, já que nem todos têm um bom preparo para a regência e nem têm talento para a arte da regência. Deve-se enfatizar que havia uma escala de dirigentes em que quase todos os homens membros da igreja eram incluídos. Posso afirmar sinceramente que aquela foi minha grande escola de regência sem querer desprestigiar as outras escolas e cursos que fiz.

Não faz muito tempo, as igrejas evangélicas passaram a utilizar um grupo de louvor. Este grupo, formado por pessoas da mocidade das igrejas, tem um tempo de ensaio semanal, aprendem músicas mais atuais e dirigem os louvores com mais profissionalismo, variedade e técnica vocal. Há desvantagens neste método de direção também: a congregação fica com a atenção dividida, não sabendo quem das pessoas à frente seguirá afinal; há mais dificuldade de se selecionar um repertório conhecido, aceito e acessível a todos os membros do grupo; a vestimenta e o visual é mais difícil de controlar; e enfim, há muita pressão para se adotar um estilo musical mais mundano.

Pensando nesses pontos negativos que tenho sentido com a experiência do grupo de louvor, creio que para todas essas barreiras há soluções possíveis. Primeiro: pode haver um líder reconhecido no grupo de louvor pela congregação, que dará direção ao cântico e será apoiado vocalmente pelos outros membros do grupo. Segundo: os ensaios devem ter tempo suficiente para que todos possam aprender as músicas com segurança e deve-se usar os recursos que estiverem disponíveis para o bom aprendizado das músicas novas como partituras e gravações em áudio e em vídeo. Terceiro: pode ser estabelecido um uniforme para o grupo de louvor. Isto ajuda a manter o padrão da modéstia e da decência, bem como elimina os estímulos visuais excessivos que tiram a atenção dos adoradores. Quarto: o repertório deve ser escolhido mediante uma lista de critérios conhecida por todos os membros do grupo, em que todos possam participar da escolha das músicas, havendo liderança que dê a palavra final e que esta palavra seja acatada razoavelmente pelos outros membros.

De fato, não existe regência perfeita nem um estilo de liderança musical que seja infalível. A regência foi realizada na História de várias formas: com alguém começando a cantar dentro do grupo, com alguém sentado à um instrumento de teclas, com alguém batendo uma vara no chão de madeira, ou com alguém fazendo gestos e segurando uma batuta.

Creio que a direção musical mais eficiente, mesmo que haja um grupo de louvor bem treinado, é a do regente, porque todos precisamos de pontos de referência bem objetivos e estáticos. Quanto maior o grupo de instrumentistas e vocalistas e mais técnica a música que se pretende usar, mais um regente talentoso e bem preparado se torna necessário. Apesar disso, tenho o privilégio de dirigir um grupo de louvor em nossa igreja, sem pretensão nenhuma de descartá-lo a não ser pelas mesmas direções e circunstâncias que o criaram; nem creio que eu tenha esta autoridade de dissolvê-lo.

Finalmente, somos sempre chamados para fazer o melhor no estilo de liderança musical vigente.


Fonte: http://violabrito.blogspot.com