Nos Bastidores da Mídia

Entrevista com Michelson Borges


O livro Nos Bastidores da Mídia (CPB) faz parte do “Curso de Leitura 2006”, da Igreja Adventista do Sétimo no Brasil.

Para conhecer um pouco mais sobre esse livro, entramos em contato com o autor, o jornalista e escritor da Casa Publicadora Brasileira (www.cpb.com.br), Michelson Borges.

Formado em Jornalismo pela UFSC, Michelson é editor de notícias da Revista Adventista e editor do site www.criacionismo.com.br. Casado com Débora Tatiane Borges, tem duas filhas: Giovanna e Marcella.


Qual é o público-alvo do livro e o que o motivou a escrevê-lo?

Creio que por serem os maiores consumidores da mídia, os jovens acabam sendo o público-alvo de meu livro. Mas nesta época de tecnologia onipresente, não há quem não esteja exposto a um ou outro meio de comunicação. Por isso, acredito que o alerta proposto no livro vale para todos.

A idéia de escrever Nos Bastidores da Mídia nasceu durante algumas palestras que apresentei sobre o assunto. Quase sempre, no fim das programações, algumas pessoas me procuravam e perguntavam se eu não tinha algum material escrito sobre o tema. Foi aí que percebi a carência de trabalhos que advirtam os cristãos com respeito aos perigos da exposição à mídia. Daí para frente, foi só aprofundar as pesquisas e organizar o material em forma de livro.

Na introdução do livro você fala sobre o filme Matrix. Existe alguma relação do filme com o momento atual em que vivemos?

Tentei fazer algo parecido com que o apóstolo Paulo fez em I Coríntios 9:24 a 27, ao comparar a carreira cristã com o desempenho de um atleta numa competição. Ou seja, usar um fenômeno cultural a fim de extrair lições espirituais dele. (Evidentemente que a intenção não é fazer apologia do filme.)

Matrix nada mais é do que uma versão moderna do Mito da Caverna, de Platão. As pessoas vivem num mundo ilusório, alheias à existência de um mundo real, só que, quando são convidadas a reconhecer a existência dessa realidade, algumas preferem ignorá-la em favor de sua rotina, de seu “mundinho”. A maior parte da humanidade hoje vive assim. Prefere acreditar que este mundo vai durar para sempre, que não tem que dar conta da vida para ninguém. Quantos reconhecem ou estão dispostos a aceitar que alguém lhes fale a respeito de um conflito cósmico entre o bem e o mal, ocorrendo exatamente agora? Quantos reconhecem que esta vida é um pesadelo do qual precisamos despertar, e que a Nova Terra prometida na Bíblia é a vida real? Estamos na “matrix do pecado”, e precisamos sair dela.

Logo no primeiro capítulo, você menciona uma “tríade filosófica do mal”. O que é essa tríade?

A questão-chave no grande conflito é: A quem vamos entregar nossas afeições, nossa mente, nosso coração? A Deus, como reconhecimento de que nada podemos sem Ele; ou a nós mesmos, imaginando que somos capazes de tudo? Segundo a escritora Ellen White, a essência da terceira mensagem angélica de Apocalipse 14 é a justificação pela fé. Isso significa reconhecer nossa insuficiência e aceitar os méritos de Cristo. O orgulho e a auto-suficiência são o contrário da justificação pela fé.

A “tríade filosófica do mal” – evolucionismo, espiritualismo e materialismo – são ideologias que conspiram contra essa entrega do ser humano a Deus. As três, de uma forma ou de outra, ecoam a grande mentira de Satanás, introduzida neste planeta a partir do Éden: “Vocês não morrerão e serão como Deus.” Independência que leva à ruína. E é interessante notar como os meios de comunicação vêm divulgando essas idéias insistentemente nos últimos anos. Em minhas pesquisas, pude perceber que esse é um padrão perceptível no cinema, nas revistas, nas músicas, nos videogames e RPGs, nos quadrinhos, enfim, nas diversas mídias. Para mim, é mais uma evidência de que as últimas “cartas” estão sendo lançadas à mesa do conflito. O fim se aproxima.

No capítulo 3 do livro, você aborda o assunto das mensagens subliminares. Poderia explicar o que são essas mensagens?

São estímulos não captados pelo consciente mas que atingem o cérebro. A Teoria Subliminar remonta ao filósofo grego Demócrito (400 a.C.) e é descrita por Aristóteles, Montaigne, o físico brasileiro Mário Schenberg, o filósofo da linguagem Vilem Flusser e vários outros. Os efeitos dos estímulos sensoriais imperceptíveis conscientemente vinham sendo medidos pela Psicologia Experimental até que, em 1919, o Dr. Otto Poetzle (ex-discípulo de Freud) provou que as sugestões pós-hipnóticas têm o mesmo resultado prático dos estímulos subliminares para alterar o comportamento humano.

Como conseguimos detectar se em alguma propaganda, música, desenho ou filme existem mensagens subliminares?

Acho isso muito difícil, até porque se fossem facilmente detectáveis, essas mensagens não seriam “subliminares”. Elas estão lá para não serem vistas, nem percebidas, apenas captadas. Com um pouco de treino para não se ver apenas o óbvio e um pouco de paciência para “virar do avesso” filmes, músicas e ilustrações, dá para se perceber uma coisa aqui, outra ali.

Então estamos indefesos diante das mensagens subliminares?

Considero ainda mais perigosas as “mensagens explícitas” às quais nos expomos deliberadamente. Posso pedir que Deus proteja as entradas de minha mente e neutralize eventuais sugestões subliminares negativas. Mas será que posso fazer-Lhe o mesmo pedido quando ouço um CD de música claramente condenável? Ou quando assisto um filme de conteúdo impróprio? O verso áureo do cristão que busca ter a mente pura é Filipenses 4:8. Deveríamos usar esse texto como um verdadeiro “antivírus” mental.

Além de falar sobre propaganda, mensagens subliminares, televisão e o poder da música, o livro também traz capítulos relacionados com histórias em quadrinhos, cinema, desenhos animados, videogames, RPGs, erotismo, etc. De todos os temas abordados no livro, qual deles teve maior influência em sua vida?

Creio que as histórias em quadrinhos. Gosto de desenhar e aperfeiçoei minhas técnicas observando como os ilustradores trabalhavam nas revistas. Na verdade, eu tinha três motivos para comprar HQs: (1) as histórias de ficção científica e de super-heróis me agradavam; (2) gostava de colecionar gibis; e (3) admirava os desenhistas e procurava aprender com eles. O problema é o envolvimento de tempo, os recursos gastos e a influência negativa das histórias. Na década de 1980, essas histórias em quadrinhos já eram filosoficamente complicadas. As de hoje, então, nem se fala. A violência, o sensualismo e o espiritualismo tomaram conta. Até o Superman já morreu, vagueou por aí como um “espírito” e depois ressuscitou! O contato freqüente com esse tipo de conteúdo acaba afetando a mente, queira ou não.

Como podemos nos defender das armadilhas que estão sendo usadas nos meios de comunicação para nos influenciar?

Estabelecendo critérios de seleção baseados nos princípios bíblicos. Somos aquilo que pensamos; é da mente que procedem os bons e os maus desígnios; portanto, temos que levar a sério o assunto da proteção mental (se é que queremos ter a “mente de Cristo”). É importante passar mais tempo em contato com a Bíblia e em oração. Gastamos horas e horas na frente da televisão, lendo revistas ou jogando videogames, mas quanto tempo temos dedicado à nossa comunhão com Deus? Enfraquecidos espiritualmente, vamos sucumbir aos apelos da mídia e seremos cristão infelizes, fracos e formais.

Qualquer uma das mídias sobre as quais falo no livro pode virar um tipo de vício. Por isso, é preciso tratar o assunto da perspectiva de um viciado: se não consegue dominar a situação, saia de perto. Mas e se vier a tentação? Aceite o conselho de Gordon Van Rooy: “Quando o demônio bate à porta, peça que Jesus vá abri-la.”

Por que os jovens devem ler Nos Bastidores da Mídia?

Porque foi escrito pensando especial e carinhosamente neles. Porque trata de assuntos reais do dia-a-dia e que nos afetam para sempre. E, finalmente, porque é um convite para uma tomada de decisão séria, num momento solene da História.

Um conselho especial para os jovens.

“Jovem, aproveite a sua mocidade e seja feliz enquanto é moço. Faça tudo o que quiser e siga os desejos do seu coração. Mas lembre de uma coisa: Deus o julgará por tudo o que você fizer… Lembre-se do seu Criador enquanto você ainda é jovem” (Eclesiastes 11:9 e 12:1).

Quando somos jovens, a tendência é achar que podemos tudo, que temos força e inteligência suficientes para encarar o perigo e sair ilesos. Não é bem assim. Muitas situações vividas nessa fase especial e bonita da vida acabarão por influenciar-nos para o resto da existência. Por isso, é preciso pensar bem no que fazemos, lemos, vemos, ouvimos e pensamos. Especificamente no que diz respeito à mídia, é bom lembrar que tudo o que vemos ou ouvimos fica gravado na mente e pode ser usado tanto por Deus, quanto por Satanás. Se você já assimilou mensagens negativas, peça que Deus as torne indisponíveis em seu cérebro, jogando-as no “arquivo morto”, que será deletado definitivamente quando Jesus voltar.


Fonte: http://michelsonborges.blogspot.com