Ellen White Era Contra a Bateria na Música Sacra? – Uma Resposta – Parte 04

Estilo da Música

Estilo da Música

É importante ressaltar também que Ellen White não aborda o estilo composicional da música da Carne Santa. Ela se concentra no efeito da música quando agregada a práticas estranhas e caóticas no culto. Ela concorda que as mesmas músicas usadas de maneira apropriada, seriam uma bênção.[xlii]

Estilo da Música

Ellen White nunca teve a pretensão de abranger diretamente as questões relacionadas com os aspectos técnicos da música. Mesmo porque, o que é fundamental em seus escritos de forma geral e nos escritos relativos a este tema de forma específica, são os princípios espirituais envolvidos, uma vez que, quando falamos de música sacra, ou música para o culto, estamos falando de música aplicada, ou seja, música composta e executada para se chegar a um objetivo determinado; no caso, a elevação espiritual e a expressão da adoração.

Porém, consideramos que afirmar que “Ela concorda que as mesmas músicas usadas de maneira apropriada, seriam uma bênção” é uma distorção séria, leviana, para não entrarmos diretamente no mérito das intenções do articulista, visto que isto não nos compete. O texto citado como referência diz, textualmente, o seguinte:

“O Espírito Santo nada tem que ver com tal confusão de ruído e multidão de sons como me foram apresentadas em janeiro último. Satanás opera entre a algazarra e a confusão de tal música, a qual, devidamente dirigida, seria um louvor e glória para Deus. Ele torna seu efeito qual venenoso aguilhão da serpente.” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 37)

A pergunta que se impõe imediatamente é: qual a diferença que se poderia esperar entre uma música descrita como “confusão de ruído e multidão de sons“, com “algazarra” e “confusão“, através da qual Satanás opera e uma música “devidamente dirigida“, a qual “seria um louvor e glória para Deus“? Seria a mesma música, somente melhor organizada? Que elementos estariam presentes em uma e ausentes em outra e vice-versa? Fica evidente que, para que os efeitos sejam opostos, a própria música deve ser oposta em seus elementos constituintes, ou seja, na harmonia, na melodia, e no ritmo.

Assim, não fica difícil compreender, para qualquer pensante bem intencionado, que aquilo que Ellen White tinha em mente quando escreveu: “Uma balbúrdia de barulho choca os sentidos e perverte aquilo que, se devidamente dirigido, seria uma bênçãonão era, efetivamente, que “as mesmas músicas usadas de maneira apropriada, seriam uma bênção“, como pretende o articulista.

Um leitor do texto inspirado que não parta de uma opinião pré concebida estará muito mais inclinado a entender que quando ela escreveu a expressão “aquilo que, se devidamente dirigido” estava se referindo à música em si, ao fato de haver música no culto, de forma geral, e não àquelas músicas específicas que estavam sendo utilizadas naquele culto em particular.

Na verdade, podemos concluir com segurança que, de acordo com o texto de Ellen G. White, caso aquele culto houvesse sido “devidamente dirigido” aquelas músicas nunca teriam sido permitidas; aqueles instrumentos nunca teriam sido tocados daquela forma; teriam sido apresentadas músicas de acordo com o verdadeiro espírito de adoração (conforme as características musicais descritas nos textos que destacamos acima e outros que citaremos a seguir) e neste caso a música, em vez de levar às manifestações de êxtase observadas pelo irmão Haskell, “seria uma bênção“.

Segundo o testemunho da irmã Haskell, o movimento usava o hinário adventista da época[xliii] e também a coletânea Garden of Spices[xliv] que refletia o estilo de reavivamentos do Exército da Salvação (veja nota de rodapé 1) e que continha algumas melodias populares da época com letra cristã.[xlv]

Mais uma vez, o articulista distorce a argumentação, ao tentar passar a idéia de que o hinário adventista tradicional houvesse sido usado pelos responsáveis pelo movimento da Carne Santa da mesma forma que a coletânea “Garden of Spices“, ou que atribuíssem a ambos o mesmo peso de importância. Na verdade, a frase é construída de forma a dar a entender que o hinário adventista teria uma certa primazia com relação à coletânea. O fato é que, contrariamente ao afirmado pelo articulista, o grupo responsável pelo movimento da Carne Santa raramente usava o nosso hinário, dando preferência ao “Garden of Spices“, conforme relata a esposa do irmão S. N. Haskell, a qual estava presente ao evento:

“Seu livro de músicas é ‘Garden of Spices’ e tocam músicas dançantes com letra sagrada. Nunca usam nosso próprio hinário, exceto quando os irmãos Breed ou Haskell pregam, então eles iniciam e terminam com um hino do nosso hinário, mas todos os outros hinos são do outro livro. Eles gritam ‘Amém’, ‘Louvado seja o Senhor’ e ‘Glória a Deus’ como o serviço de culto do Exército de Salvação. É penoso para a alma de alguém. As doutrinas pregadas correspondem ao resto. O pobre rebanho está verdadeiramente confuso” (Relatório de Sara S. N. Haskell a Sara McEnterfer (secretária de Ellen G. White), 12 de setembro de 1900 – ênfase acrescentada) (13).

Cabe a pergunta: Qual seria a intenção do articulista – que apresenta-se como conhecedor destes textos – ao causar esta clara distorção, que chega a beirar a falta com a verdade? Não entraremos no mérito de tentar responder a esta questão, visto que não nos cabe conhecer as intenções de outrem; porém, o leitor atento reconhecerá que a argumentação do articulista é, claramente, tendenciosa e distorcida, o que, conseqüentemente, leva a conclusões igualmente tendenciosas e distorcidas.

É importante explorar essa questão porque os argumentos contra a bateria não se limitam a citar o movimento da Carne Santa, mas incluem também outras citações de Ellen White que supostamente apóiam um certo estilo de musical em detrimento de outro.[xlvii] Porém, um estudo exaustivo e minucioso da visão de música nos escritos de Ellen White não revela nenhuma preferência por técnicas de composição melódica, ritmo, estilo ou instrumentos da música aceitável, se erudita do período Barroco, Clássico ou Romântico ou mesmo contemporânea.[xlviii]

A inclusão de textos que claramenteapóiam um certo estilo musical em detrimento de outro” no debate acerca da música apropriada para o culto faz-se dentro do modelo exposto no primeiro trecho desta seção, como o próprio articulista reconhece ao dizer que “Ellen White dá sim qualidades gerais da música apropriada para a adoração“.

Desta forma, embora a autora inspirada sabiamente evite a citação de estilos musicais específicos, faz clara menção de princípios ou características gerais, as quais devem nortear a música de adoração. Por exemplo (ênfases acrescentadas):

A música pode ser um grande poder para o bem; contudo não tiramos o máximo proveito desta parte do culto. O cântico é geralmente originado do impulso ou para atender a casos especiais, e em outras vezes os que cantam o fazem mal, e a música perde o devido efeito sobre a mente. A música deve possuir beleza, poder e faculdade de comover. Ergam-se as vozes em cânticos de louvor e adoração. Que haja auxílio, se possível, de instrumentos musicais, e a gloriosa harmonia suba a Deus em oferta aceitável” (Evangelismo, p. 505).

“Pode-se fazer grande aperfeiçoamento no canto. Pensam alguns que, quanto mais alto cantarem, tanto mais música fazem; barulho, porém não é música. O bom canto é como a melodia dos pássaros – dominado e melodioso. Tenho ouvido em algumas de nossas igrejas solos que eram de todo inadequados ao culto da casa do Senhor. As notas longamente puxadas e os sons peculiares, comuns ao canto de óperas, não agradam aos anjos. Eles se deleitam em ouvir os simples cantos de louvor entoados em tom natural. Os cânticos em que cada palavra é pronunciada claramente, em tom harmonioso, eis os que eles se unem a nós em cantar. Eles se unem a nós em cantar. Eles tomam o estribilho entoado de coração com o espírito e o entendimento.” – Manuscrito 91, 1903 (Evangelismo pp. 510 e 511).

“A melodia do canto, derramando-se dos corações num tom de voz claro e distinto, representam um dos instrumentos divinos na conversão de almas. Todo o serviço deve ser efetuado com solenidade e reverência, como se fora feito na presença pessoal de Deus mesmo” (Testemunhos Seletos, vol. 2, p.195).

“A música forma uma parte do culto de Deus nas cortes do alto. Devemos esforçar-nos em nossos cânticos de louvor, por aproximar-nos o mais possível da harmonia dos coros celestes. Tenho ficado muitas vezes penalizada ao ouvir vozes não educadas, elevadas ao máximo diapasão, guinchando positivamente as palavras sagradas de algum hino de louvor. Quão impróprias essas vozes agudas, estridentes, para o solene e jubiloso culto de Deus! Desejo tapar os ouvidos, ou fugir do lugar, e regozijo-me ao findar o penoso exercício. Os que fazem do canto uma parte do culto divino, devem escolher hinos com música apropriada para a ocasião, não notas de funeral, porém melodias alegres, e todavia solenes. A voz pode e deve ser modulada, suavizada e dominada.” (Signs of the Times, 22 de junho de 1882 – Evangelismo, pp. 507 e 508).

Fica evidente ao leitor atento que os textos acima, apesar de não citarem estilos musicais específicos (além da ópera), estabelecem princípios, instruindo- nos acerca de certas características musicais as quais, caso atendidas, conseqüentemente deixarão de fora certos estilos que não apresentam essas características, ou que apresentam as características citadas negativamente.

Note também que condenar a percussão por causa do seu uso na música popular contemporânea ou na música étnica (fazendo-se necessário “separar-se do mundo”) ignora o fato de que ela é usada profusamente na música sacra erudita para enfatizar o ritmo da música, para criar expectativa ou para atingir um clímax na música. Talvez o exemplo mais conhecido seja o Messias de Händel onde os tímpanos (tambores) são peça chave para criar o clímax final do Aleluia. J. S. Bach, compositor sacro por excelência, também usava os tímpanos com liberdade.

Fica difícil imaginar que Ellen White se oporia ao Aleluia de Händel porque usa a percussão.
Embora não haja instruções específicas sobre um estilo de composição sacro, Ellen White dá sim qualidades gerais da música apropriada para a adoração (especialmente a cantada) como suave, harmoniosa, solene e comovente e ao mesmo tempo exultante, animada, energética e com poder[xlviii], qualidades essas que não são necessariamente incompatíveis com a música cristã contemporânea que usa a bateria ou percussão.[xlix]

Não seria necessário, então, na visão do articulista, “separar-se do mundo”? A pergunta se impõe, porque é este conceito que fica sugerido na linha argumentativa adotada por ele. Porém nenhum cristão fiel aceitaria este pensamento como verdadeiro. A este respeito, O Mestre, falando acerca dos discípulos, ora ao Pai da seguinte forma:

Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. (João 17:14-16)

Evidentemente que vivemos neste mundo e convivemos com a sociedade que nos cerca, mas a nossa cidadania deve estar na pátria por vir. (Hebreus 11: 13-16; Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 232)

Também é útil notarmos que, dos textos de Ellen G. White destacados no trecho anterior, os quais nos apresentam algumas características que devem estar presentes em nossa música de adoração, não se encontram termos que sejam equivalentes às expressões “exultante, animada, energética e com poder“, no sentido em que essas expressões são utilizadas pelos músicos atuais comprometidos com a Música Cristã Contemporânea ou Música Gospel, como parece ser o caso do articulista. Também não foram encontradas expressões equivalentes a estas em todos os textos citados na nota de rodapé correspondente ao item citado [xlviii] (a saber, Patriarcas e Profetas, p. 591; Evangelismo, p. 505-8, 512; Educação, p. 39; Manuscript Releases, vol. 5, p. 424). Seria interessante conhecer a fonte inspirada para tais afirmações, no sentido pretendido pelo articulista.

Obviamente, a questão fundamental em pauta não é o uso da percussão ‘per se‘, mas a maneira como ela é usada e a adequação desta utilização no culto de adoração. Notadamente, o grande problema é a marcação rítmica dançante, induzindo a congregação a reações não compatíveis com o espírito reverente que deve pautar a nossa adoração. Neste sentido, o professor Harold B. Hannum comenta sobre a utilização de instrumentos na igreja da seguinte maneira:

Há também alguns tipos de instrumentos como tambores, guitarras, marimbas, saxofones e outros que não são associados tradicionalmente à igreja, mas que são usados amplamente na música secular. Estes instrumentos não devem ser considerados como proibidos para o uso na igreja, mas devem ser tocados com habilidade e técnica de modo a não sugerir o secular. Nenhum instrumento é, em si, sacro ou secular. Há, contudo, estilos de tocar que são tradicionalmente associados à igreja. O importante é manter a música em harmonia com o que é sagrado.” (Harold B. Hannum – “Existe Música Sacra?“) (14).

O articulista provavelmente precise ser lembrado, neste ponto da argumentação, que a questão central de toda esta argumentação se focava na utilização dada ao tambor na reunião campal de Indiana, em 1900, e os resultados desta experiência, bem como as implicações escatológicas da profecia feita por Ellen G. White que “Essas coisas que aconteceram no passado hão de ocorrer no futuro. Satanás fará da música um laço pela maneira por que é dirigida.

Também é óbvio, mesmo para o leitor não iniciado em música, que o tímpano de orquestra exerce um papel completamente diferente do papel desempenhado pela bateria, que é um instrumento característico das bandas de rock. Devemos levar em conta que o tímpano pode ser afinado e assim, ao combinar tímpanos de tamanhos diferentes, o executante está, na verdade, reforçando os graves da harmonia, normalmente dobrando as notas do naipe dos contrabaixos, coisa impossível para a bateria, já que os instrumentos que a compõe não possuem tom determinado, contribuindo apenas para gerar ruído.

Na verdade, a diferença é tão contrastante que o Dr. Wolfang Stefani diz o seguinte:

“Da mesma forma em que a música em si não é neutra, tanto no significado como na estrutura estilística, os instrumentos também não são neutros. Diferentes instrumentos foram feitos e aperfeiçoados para propósitos específicos. Quando me perguntam sobre o uso da bateria na igreja, primeiramente sugiro: ‘Por que não usar um tímpano? É um tipo de percussão. Se tambores são neutros, o tímpano deveria ser tão bom quando o tambor de uma bateria’. Eles olham para mim perplexos e dizem: ‘Bem, não era esse o tipo de tambor que eu tinha em mente. Eu quero a bateria que é usada numa banda de música popular’. É claro que a razão pela qual querem este tipo de tambor é o fato de desejarem tocar determinado tipo de música.” (Dr. Wolfang Hans Martin Stefani, Ph.D. – “Música: Moralmente Neutra?” – Entrevista à Revista Adventista , março 2002, pág. 5-7) (15)

O articulista, ao pretender fazer uma comparação direta ao uso do tímpano – tanto no Messias de Handel quanto seu suposto uso “com liberdade” por J. S. Bach – com a utilização da bateria na música popular ou gospel atual demonstra que, além de não haver considerado – embora acreditemos que não seja ignorante deste assunto – as diferenças fundamentais entre o tímpano de orquestra e a bateria, como já exposto no trecho acima, tenta alijar por completo da discussão a maneira como a percussão é utilizada por estes autores eruditos.

Especificamente na obra citada, “O Messias” de Haendel, de um tempo total que pode chegar a 2 mais de horas de execução, o uso do tímpano se restringe a alguns trechos específicos, especialmente nos trechos em que a música exige uma expressão mais majestosa ou marcial e nos momentos de clímax (como o próprio articulista reconhece). Porque o uso do tímpano nestes trechos e não nos demais? Porque obviamente, pelas características próprias deste instrumento, o mesmo é utilizado para criar no conjunto harmônico – na medida em que o instrumento possui som definido e não indefinido como a bateria – uma sonoridade triunfal, majestosa e/ou de júbilo. Desta forma, notamos que seu uso é ligado sempre a um contexto de mensagem e significado, e não simplesmente no sentido de fornecer recursos harmônicos ou rítmicos ao elemento sonoro em si.

Vemos assim que a utilização da percussão na música erudita possui um caráter completamente diferente do que se observa nas produções atuais de “música de louvor”, onde se faz uso em larga escala da bateria. Nestas produções os instrumentos de percussão (normalmente a bateria) estão a serviço especificamente da marcação rítmica, enfatizando síncopes e ritmos dançantes, ignorando por completo – e muitas vezes sobrepujando e eclipsando – o contexto da harmonia, melodia e principalmente da letra (mensagem) à qual deveria estar ligada. Devido a este desequilíbrio, tudo se iguala e o que importa é “sentir o balanço”. Assim, nessas “músicas de louvor” as cadências, levadas e batidas usadas em trechos que retratem, por exemplo, uma “vida morta em pecados” são normalmente as mesmas utilizadas em outros trechos ou composições que descrevam, por exemplo, uma “vida vitoriosa sobre o pecado”, sem nenhuma conformidade com o contexto da mensagem que está sendo veiculada através da letra e dos outros elementos musicais.

Tendo este ponto de vista em consideração, é fácil compreender por que Ellen White não se oporia ao Aleluia de Haendel, mesmo usando percussão. A questão é que esta obra (entre muitas outras da mesma estirpe) faz um uso completamente diferente da percussão do que aquela pretendida pelo articulista para o culto, através da utilização da bateria.

Além disso, reconhecemos que mesmo este tipo de música não é o mais adequado para todos os cultos de adoração, a não ser eventualmente, em ocasiões e momentos especiais.

O maestro e compositor adventista Carlyle Manous explica esta questão da seguinte forma:

“Primeiro, algumas músicas apropriadas para um concerto sacro poderiam ser inapropriadas para um culto de adoração, com base simplesmente em sua extensão. Por exemplo, existem oratórios e obras correlatas cuja duração ultrapassa em muito o tempo normalmente separado para um culto de adoração. Embora alguns trechos de tais composições possam funcionar bem no contexto da adoração, a execução da obra completa estaria fora de questão. Tais obras glorificam a Deus de muitas formas e podem ser ouvidas no Sábado com grande proveito, mas o culto de adoração em si não parece ser o melhor momento.”

“Segundo, algumas músicas consideradas como sacras seriam inapropriadas para um culto de adoração por causa de seu propósito. Ou seja, embora uma composição específica possa glorificar e honrar a Deus no sentido de ser uma expressão do que é belo, e embora ela possa até ser uma excelente expressão do que poderia ser chamado de um ‘assunto espiritual’, o intuito principal da obra não é especificamente a adoração ou louvor a Deus no sentido que é desejável para a música em um serviço dedicado especificamente para este propósito. Mais uma vez, tais obras podem ser usadas para glorifica a Deus em um concerto no sábado à tarde, onde muitos assuntos espirituais além da adoração são totalmente apropriados.” (Carlyle Manous – “Os Cristãos e a Música – Parte 2 – Música de Adoração“) (16).

Finalmente, em sua nota de rodapé [xlvi] (não citada no texto) o articulista desdenha dos inúmeros estudos e pesquisas acerca da influência da música sobre a mente, o corpo e suas diversas funções, bem como sobre animais e até mesmo plantas. Acreditamos que, embora haja muitos mitos nesta área, existem estudos sérios comprovando o grande poder, conhecido empiricamente há séculos, da música sobre o ser humano. O nosso ponto de vista da ligação entre essas pesquisas e a música apropriada para a adoração é que a música verdadeiramente sacra nunca poderá ser prejudicial, nem sob o aspecto físico (I Coríntios 6:19; 10:31) nem, principalmente, sob o aspecto mental (Filipenses 4:8; Romanos 12:1-2). Acerca deste aspecto, vejamos os seguintes textos inspirados:

Sinto-me alarmada quando presencio a frivolidade de moços e moças que professam crer na verdade. Parece que Deus não ocupa seus pensamentos. Sua mente é povoada de futilidades. Sua conversação é vazia e vã. Possuem um apurado ouvido para música e Satanás sabe qual órgão excitar, incitar, absorver e fascina a mente de modo que Cristo não seja desejado. Desvanecem-se os anseios espirituais da alma por conhecimento divino, por crescimento em graça.” (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 497 – ênfase acrescentada)

A música é um ídolo que muitos dos professos cristãos, que guardam o sábado, adoram.Satanás não tem objeções quanto à música, quando pode fazer dela o canal pelo qual possa ter acesso à mente da juventude. Nada satisfará mais o propósito do que desviar a mente de Deus e ocupar o tempo, que deveria ser devotado a Seu serviço. Ele trabalha através de meios que exerceram a mais forte influência para reter o maior número em uma agradável enfatuação, enquanto estão paralisados pelo seu poder. Quando empregada para uma boa finalidade à música pode ser uma benção, mas freqüentemente ela é usada como uma das agências mais atrativas de Satanás para enganar as almas. Quando permitimos que a música tome o lugar da devoção e oração, isto é uma maldição terrível.” (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 506 – ênfase acrescentada)

Complementando de maneira enfática, Kurt Pahlen declara que:

“A música age sobre o indivíduo e a massa; encontra-se não somente na história das revoluções senão também nas psicoses de guerra. A música é, nas mãos dos homens, um feitiço; o seu efeito se estende desde o despertar dos mais nobres sentimentos até o desencadeamento dos mais baixos instintos, desde a concentração devotada até a perda da consciência que parece embriaguez, desde a veneração religiosa até a mais brutal sensualidade.” (Pahlen, Kurt – “História Universal da Música” (São Paulo: Edições Melhoramentos). Citado por Martin Claret, O Poder da Música (São Paulo: Editora Martin Claret), p. 11)

Para os leitores que querem conhecer melhor as questões envolvidas neste aspecto da música, sugerimos a página “Efeitos da Música Sobre o Corpo e a Mente(17).


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Parte 03 – Ellen White e Instrumentos Musicais

Parte 05 – A Bateria e o Fim dos Tempos