Cavalos de Tróia – Parte 4

por: Samuel Koranteng Pipim, PhD

Cavalos de Tróia: Avivamentos Falsificados, Igreja Emergente, e Movimentos Nova Espiritualidade

Parte 4: Espiritualidade Contemplativa e Seus Muitos Caminhos Para Encontrar a Deus

Introdução. Cada vez mais, hoje, estamos ouvindo frases como: Nova espiritualidade, espiritualidade pós moderna, a espiritualidade criativa ou redescoberta, espiritualidade mística, espiritualidade contemplativa, formação espiritual, turismo espiritual, etc. O que exatamente estas expressões significam? São elas compatíveis com o que a própria Bíblia ensina sobre espiritualidade?

Cavalo de Tróia nos Negócios

No mundo dos negócios, um cavalo de Tróia é uma oferta promocional feita por uma empresa, a qual é projetada para atrair clientes potenciais, oferecendo-lhes dinheiro ou algo de valor, para levar o cliente a aceitar a proposta; mas logo que a aceita, o cliente é obrigado a gastar uma quantidade muito maior de dinheiro, seja por ter assinado um contrato longo, do qual é difícil sair, ou por ter dinheiro debitado automaticamente de sua conta por algum outro método. As consequências nocivas enfrentados pelo cliente podem incluir gastos muito acima da taxa de mercado, dívida de uma grande quantia, ou o roubo de identidade.

Vítimas de cavalos de Tróia incluem aqueles que estão à procura de pechinchas, ou o melhor preço para um item, ou aqueles que estão financeiramente quebrados. Muitas dessas vítimas acabam com contas a descoberto, ou devendo acima do limite em seus cartões de crédito devido às taxas que são automaticamente impostas.

Algumas das empresas que utilizam o marketing de cavalos de Tróia incluem bancos, provedores de internet e prestadoras de serviços de celular, clubes de discos e livros, e outras empresas nas quais espera-se que o cliente tenha um relacionamento contínuo. Bancos frequentemente oferecem dinheiro inicialmente para a abertura de uma conta, mas depois cobram taxas em quantidades muito maiores do titular da conta. Montadoras e concessionárias de veículos, muitas vezes, anunciam gasolina gratuita ou subsidiada aos compradores de automóveis durante um determinado período de tempo, mas aumentam o custo do carro de outras maneiras. Empresas de telefonia celular utilizam o marketing de cavalos de tróia, tentando vender itens como toques para os clientes, que sem saber acabam comprando muitos mais toques ao longo do tempo.

As técnicas de marketing cavalo de Tróia também são conhecidas como: propaganda enganosa; venda casada ou taxas [de juros] variáveis. As novas espiritualidades de hoje prometem aos cristãos uma verdadeira pechincha em sua experiência espiritual. Tragicamente, porém, elas mudam a [proposta da] oferta, causando um custo enorme às suas vítimas.

Compradores Atenção: É preciso tomar cuidado com os muitos “cavalos de Tróia” que estão sendo trazidos para dentro de nossas igrejas. Conforme documentado no livro Here We Stand: New Trends in the Church, os cavalos de Tróia são ensinamentos e práticas biblicamente questionáveis que então encontrando uma maneira de penetrarem em nossas instituições e igrejas. (1)

Nos últimos tempos, porém, muito outros cavalos ocos perigosos estão sutilmente entrando na Igreja sob o disfarce de nova espiritualidade. Os cavalos de Tróia de hoje foram trazidos a partir de práticas de religiões orientais (como o budismo e o hinduísmo), a espiritualidade medieval contemplativa da Igreja Católica reabilitada, a “luz divina interna” do quacrismo, e a espiritualidade emergente recomendada por influentes teólogos e líderes emergentes de algumas mega-igrejas.

Portanto, hoje ouvimos frases como: inter-espiritualidade, a espiritualidade pós moderna, espiritualidade criativa ou redescoberta, espiritualidade mística, espiritualidade contemplativa, diretores espirituais, formação espiritual, turismo espiritual, espiritualidade experiencial, o silêncio, os espaços sagrados de meditação, e muitas novas formas de enriquecer a vida devocional de cada um.

Poderiam essas novas maneiras de ser “espiritual” representarem, na verdade, o espiritismo à moda antiga disfarçado em roupas novas? Será que estamos sinceramente equivocados sobre “encontros com Deus” e outras tentativas da atualidade para chegar a níveis mais elevados de espiritualidade? Estas tendências poderiam ser “o Omega” de heresias mortais? Há vários anos atrás, em face dos ensinamentos panteístas que ameaçavam nossa igreja, Ellen G. White advertiu:

Ensinos espiritualistas que minam a fé em Deus e em Sua Palavra estão atualmente penetrando as instituições educativas e as igrejas por toda parte. … mas, se bem que revestida de belas roupagens, essa teoria é perigosíssimo engano. … O resultado de aceitá-la é separação de Deus. (A Ciência do Bom Viver, p. 428)

Este aviso pode ser mais relevante para nosso tempo do que podemos imaginar. (2)

Os Cavalos de Tróia do Oriente

Os fundamentos para as novas espiritualidades foram lançados nos anos 1960 e 70 pelos ensinamentos panteístas do movimento da Nova Era, os quais são uma adaptação de práticas religiosas budistas e hinduistas para o mundo ocidental. Este movimento é sincrético, na medida em que incorpora quaisquer ideologias religiosas e espirituais ao mesmo tempo.

O movimento Nova Era é consistentemente monista (a crença de que toda a realidade é essencialmente única) e panteísta (a crença de que tudo, inclusive o próprio homem, é divino). Pois, se tudo é um, e não há distinções, então tudo é Deus. Ou, nas palavras da líder da Nova Era, Shirley Maclaine “Eu sou Deus, porque toda a energia está conectada com a mesma fonte. … Somos reflexões individualizadas da fonte de Deus. Deus é nós e nós somos Deus.” (3)

Nos últimos tempos, esta doutrina da Nova Era tem sido popularizada pelo ministro da Unidade, Eric Butterworth, em seu best-seller “clássico inspirador” Descubra o Poder Dentro de Você: Um Guia para Profundidades Interiores Inexploradas. Ele escreve:

“O grande pecado da humanidade é não saber a divindade que reside não expressa dentro de cada indivíduo. … Este princípio básico – a divindade do homem – é o dinamismo do cristianismo, que pode salvar o mundo e conduzir a humanidade a um novo nível de ‘paz na terra, boa vontade para com os homens.'” (4)

Oprah Winfrey falou por muitos que abraçaram a espiritualidade da Nova Era, quando endossou o livro de Butterworth com as seguintes palavras na capa da edição brochura (1992)

“Este livro mudou a minha perspectiva sobre a vida e a religião. Eric Butterworth ensina que Deus não está ‘lá em cima.’ Ele existe dentro de cada um de nós, e cabe a nós buscar o divino interior.”

De acordo com essa visão panteísta, uma vez que os seres humanos são essencialmente Deus, a espiritualidade ou o processo de salvação é, essencialmente, uma auto-descoberta ou a busca da unidade da vida. É buscar ser Deus. Não semelhante a deus, mas Deus. As novas espiritualidades não procuram ser semelhantes a Cristo, mas sim desenvolver uma “Consciência de Cristo” mística.

Deve-se ressaltar que, quando essa nova espiritualidade fala sobre sua fome ou busca de Deus é realmente uma busca para encontrar uma influência sobrenatural ou divina (daí o “encontro com Deus”). É também uma busca de informações sobre a vida após a morte, que se acredita ser parte desta “Unidade” ou “essência” universal.

Seus defensores acreditam que podem ter o seu “encontro com Deus”, em qualquer uma das religiões tradicionais organizadas (Cristianismo, Islamismo, Judaísmo, Budismo, Hinduísmo, etc.) Eles também afirmam que podem estar em contato com o sobrenatural através de “antigos ritos religiosos”, como o paganismo, a bruxaria, o ocultismo e a magia. Outros acreditam que a busca pelo “sagrado” pode ter lugar nas profundezas de seu próprio ser (isto é, na afirmação de seu gênero ou orientação sexual) ou no ambiente – daí a promoção de espiritualidades feministas, gays e lésbicas, e ecológicas.

Uma vez que é um movimento sincrético (ou seja, uma combinação de diferentes sistemas de crenças ou práticas filosóficas ou religiosas), os ensinamentos doutrinários não são tão importantes quanto a “experiência” com Deus. Em outras palavras, esta espiritualidade mística, muitas vezes carrega conotações de que um crente deve ter uma fé mais pessoal, menos dogmática, mais aberta a novas idéias e influências, e mais pluralista do que as crenças doutrinárias dogmáticas das religiões maduras.

O termo técnico utilizado é interespiritualidade – a visão de que todas as religiões do mundo são idênticas no nível místico e, portanto, deveria haver solidariedade entre elas. Assim, a nova espiritualidade é ecumênica por natureza. Ela tenta unir todas as crenças religiosas, ao nível da experiência de um “encontro com Deus”. (5)

Meditação: O Caminho para Encontrar a Deus

Na nova espiritualidade, a forma mais popular de encontro com Deus é através da meditação – entendida como sendo o libertar a si mesmo de todos os pensamentos, a fim de “parar” a mente, colocando-a no equivalente a pausa ou “ponto morto”. A meditação é a prática mística projetada para experimentar estados alterados de consciência que permitem que uma pessoa tenha uma experiência esotérica. Esta experiência religiosa é, no entanto, sutilmente dissimulada na sociedade secular onde a meditação é promovida como um exercício neutro para benefícios pessoais de saúde, relaxamento e aumento da produtividade.

Observe que a meditação cristã verdadeira, em contraste com as novas formas de meditação, é um processo de pensamento ativo, no qual o crente procura preencher sua mente com as verdades acerca de Deus. Não é o esvaziamento da mente. Pelo contrário, é pensar ou refletir sobre a Palavra de Deus, orando e pedindo a Deus que conceda entendimento através do Espírito, o qual prometeu levar-nos “a toda a verdade” (João 16:13). O produto da meditação cristã deve sempre estar em harmonia com os ensinamentos da Palavra de Deus. Deve também levar a um estilo de vida cristã, espiritualidade autêntica, e a adoração, louvor e serviço por Cristo.

Mas no movimento da nova espiritualidade, a meditação é exatamente o oposto. É o processo pelo qual a mente se torna sem pensamentos, vazia e nula. É como transformar uma correnteza veloz em um lago tranqüilo.

O silêncio se refere à prática da meditação pela ausência de pensamento normal. O local físico onde uma pessoa vai para exercer a prática da meditação mística é chamado de espaço sagrado. O “espaço sagrado” também pode se referir ao silêncio real ou ao estado do ser durante a experiência mística.

Os dois métodos mais comuns utilizados para induzir esse estado sem pensamentos são exercícios de respiração, onde a atenção é focada na respiração, e os mantras, que são palavras ou frases repetidas. (6) (Na nova espiritualidade dentro de círculos cristãos esses “mantras” recebem o rótulo de “orações contemplativas”).

O objetivo final da meditação mística é associar-se com Deus (ou com a parte divina do homem). É tornar-se um com o eu superior. Esta experiência de “encontro com Deus” é conhecida por nomes como: despertar, transformação, iluminação, auto-realização, consciência cósmica, consciência de Cristo, e super-consciência.

O Ocidente Beija o Oriente

Por motivos justificados, na década de 1980 o termo movimento Nova Era inspirou uma sensação de pavor entre muitos cristãos que acreditavam na Bíblia. No entanto, até o final da década de 1990 o medo e a desconfiança quase se extinguiram, e no início do século 21 os ensinamentos e práticas panteístas do movimento da Nova Era começaram discretamente a se infiltrar na cultura e nas igrejas ocidentais. Hoje (uma década adiante no século 21), essas práticas de espiritualidade oriental estão começando a definir a essência do cristianismo!

Se os alicerces do movimento da nova espiritualidade foram estabelecidos pelo movimento da Nova Era, o impulso para mesclar a espiritualidade da Nova Era nas igrejas cristãs de hoje foi tornada possível graças ao encontro de um monge zen budista e alguns monges católicos. Desde então, as igrejas cristãs começaram a adotar as técnicas místicas ou de “interespiritualidade” da Nova Era como formas válidas de falar ou de se encontrar com Deus.

“Oração contemplativa” tornou-se a expressão preferida, embora refira-se à mesma prática de ir além do pensamento através da utilização de palavras ou frases repetidas (quase como uma cantilena – seja Oriental [como os mantras] ou medieval Ocidental [como nos cantos gregorianos ]).

Em 1992, a revista Newsweek fez uma reportagem de capa, informando os leitores sobre o surgimento da espiritualidade contemplativa. Nesta edição Kenneth Woodward escreveu um artigo intitulado “Conversando com Deus”, no qual observou uma mudança no paradigma cristão em direção ao misticismo antigo. Ele descreveu a ascensão da oração mística através da mediação de “diretores espirituais” – um termo novo para o que costumava ser chamado de “gurus” nas religiões orientais e “guias espirituais” no misticismo medieval católico.

Silêncio, postura corporal adequada e, acima de tudo, esvaziar a mente através da repetição da oração – têm sido as práticas dos místicos em todas as grandes religiões do mundo. E eles formam a base sobre a qual a maioria dos modernos guias espirituais orienta [seus seguidores]. (7)

Novamente, em setembro de 2005, a revista Newsweek publicou outro relatório especial intitulado “Espiritualidade na América.” A reportagem, intitulada “Em Busca do Espiritual”, tem dezessete páginas, e explica como o movimento místico cristão estava crescendo. Além disso, traça a origem do movimento da oração contemporânea na década de 1960, com dois monges católicos em Massachusetts (Thomas Keating e William Meninger). Tudo começou com o convite dos monges ao grande mestre zen budista Roshi Sasaki para ensiná-los a meditação, e sua posterior descoberta em 1974 de um guia católico do século 14 para a meditação contemplativa:

Com base nesta obra [“A Nuvem do Desconhecimento”], assim como nos escritos dos contemplativos São João da Cruz e Santa Teresa de Ávila, os dois monges começaram a ensinar uma forma de meditação cristã, que se transformou em fenômeno mundial conhecido como oração centrante. Duas vezes por dia, durante 20 minutos, os praticantes encontram um lugar calmo para se sentar com os olhos fechados e entregar sua mente para Deus. Em mais de uma dezena de livros e em palestras e retiros que atraíram dezenas de milhares, Keating espalhou a palavra a um mundo de “pessoas famintas, procurando um relacionamento mais profundo com Deus.” (8)

Observe a ligação: Instrução de monges católicos na meditação do zen budismo (por Roshi Sasaki), a sua redescoberta do misticismo medieval católico romano, e agora uma nova forma de espiritualidade cristã (“oração centrante”) para um mundo de “pessoas famintas, à procura de um relacionamento mais profundo com Deus.”

Na verdade, Thomas Keating, posteriormente co-publicou um livro, Encontrando Graça no Centro, com outro monge católico, Basil Pennington (1931-2005), no qual afirmou:

Não devemos hesitar em tomar o fruto da sabedoria antiga do Oriente e “capturá-la” para Cristo. Na verdade, aqueles de nós que estão no ministério devem fazer o esforço necessário para nos familiarizarmos com tantas destas técnicas orientais quanto possível.

Muitos cristãos que levam sua vida de oração a sério têm sido muito ajudados pela Ioga, Zen, MT [Meditação Transcendental] e práticas semelhantes, especialmente se tiverem sido iniciados por mestres confiáveis e possuírem uma fé cristã solidamente desenvolvida para encontrar forma interna e significado nas experiências resultantes. (9)

Desde o beijo entre as práticas místicas orientais e ocidentais, tem havido uma crescente popularidade do uso de rosários, velas, incenso, diretores espirituais (uma pessoa que promove ou treina pessoas nas disciplinas espirituais, incluindo o “silêncio”), labirinto da oração, oração de Taizé, “oração centrante”, e a “lectio divina“.

Outra pessoa importante que tem explicado a dívida que a nova espiritualidade tem para com outras religiões é Thomas Merton (1915-1968), um católico romano do século XX que mergulhou de tal maneira no Budismo, que alegou que não ver nenhuma contradição entre o cristianismo e o budismo. Ele escreve:

Ásia, Zen, Islamismo, etc., tudo isto se reúne em minha vida. Para mim seria loucura tentar criar uma vida monástica para mim mesmo, excluindo tudo isto. Eu seria menos monge. (10)

Em um de seus livros, Merton resume a essência da nova espiritualidade que está varrendo as igrejas cristãs:

“É um destino glorioso ser membro da raça humana, … agora eu percebo o que todos nós somos. … Se apenas [as pessoas] pudessem se ver como elas realmente são … Se apenas pudéssemos ver um ao outro dessa forma o tempo todo. Não haveria mais guerra, não mais ódio, não mais crueldade, não mais cobiça …. Suponho que o grande problema seria que iríamos nos prostrar e adorar uns aos outros. … No centro do nosso ser está um ponto de nada o qual é intocado pelo pecado e pelas ilusões, um ponto de pura verdade. … Este ponto pequeno … é a pura glória de Deus em nós. Ele está em todas as pessoas. (11) (grifo meu)

Como resultado desses fatores, e talvez muitos outros, as práticas de espiritualidade contemplativa que costumavam existir tanto nas religiões orientais quanto nos mosteiros e conventos católicos romanos medievais, agora estão se tornando o alimento básico de muitos cristãos, incluindo protestantes.

Integrando a Nova Espiritualidade

A espiritualidade contemplativa vai muito além dos muros da Igreja Católica. Igrejas protestantes tradicionais – anglicanos, metodistas unidos, presbiterianos, luteranos, a Igreja Unida de Cristo, etc. – todos eles estão imersos nisto também. Através deles, termos como oração contemplativa, silêncio, espaços sagrados, oração centrante, oração de respiração, e outras idéias da espiritualidade oriental mística estão encontrando seu caminho para o vocabulário protestante. Deixe-me mencionar alguns indivíduos e instituições notáveis que têm propagado essa nova espiritualidade:

1. Mathew Fox – um escritor e sacerdote Episcopal, é muitas vezes descrito como sendo o proponente do misticismo da Nova Era no cristianismo. Em A Vinda do Cristo Cósmico, ele escreveu “A Divindade é encontrada em todas as criaturas. … O Cristo Cósmico é o “Eu sou” em cada criatura.” (12)

2. Morton Kelsey – um sacerdote Episcopal e escritor popular entre certos pensadores cristãos, escreveu: “Você pode encontrar a maioria das práticas da Nova Era nas profundezas do cristianismo. … Acredito que Aquele que é Santo vive em cada alma.” (13) Em seu livro Espiritualidade da Nova Era, Morton Kelsey faz a seguinte pergunta:

Como a comunidade cristã pode satisfazer as necessidades religiosas de homens e mulheres modernos orientados pela Nova Era – necessidades que não estão sendo satisfeitas pela maioria das igrejas cristãs?

Cada igreja precisa dar aulas acerca de formas de oração. Isso só é possível se os seminários estiverem treinando pastores em oração, contemplação e meditação, e processo grupal. … A igreja não tem nada a temer da Nova Era, quando prega, ensina e cura. (14)

3. Diretores Espirituais Internacionais – A necessidade de iniciar o treinamento em pastores na espiritualidade contemplativa da Nova Era tem sido atendida pelos Diretores Espirituais Internacionais (SDI na sigla inglesa). Eles oferecem oficinas e seminários de treinamento sobre como experimentar esta nova espiritualidade. Em uma conferência nacional, em 2005, intitulado “Exilo ou Retorno? – Acompanhando a Viagem à Oração Contemplativa”, foi apresentado o seguinte:

Este seminário é uma oportunidade para estudar e experimentar o papel do diretor na mudança de uma pessoa na iniciação e estágios iniciais da oração contemplativa, silêncio, e abertura para novos tipos de oração. (15)

4. Instituto Shalem (de Formação Espiritual) – localizado em Washington DC, é considerado um dos centros líderes da espiritualidade contemplativa. Fundada pelo Dr. Tilden Edwards (ministro Episcopal) e Gerald May (um psiquiatra), a missão deste centro é disseminar a prática da oração da nova espiritualidade no cristianismo como um todo. Alguns adventistas dentro de nossas fileiras treinaram neste instituto e estão ensinando esta prática aos seus companheiros de crença. (16)

5. Especialidades da Juventude – é uma organização orientada para os jovens na América do Norte. Há muitos anos tem realizado um evento anual chamado Convenção Nacional de Pastores, à qual muitos oradores contemplativos são convidados. Eles também colocam à disposição dos participantes no local da conferência sessões de oração do labirinto, orações contemplativas noturnas e oficinas de ioga, com os títulos, “Criando Espaços Sagrados”, “Adoração Emergente”, e “Encontros com Deus: Exercícios Espirituais Transformam Alunos.” Tragicamente, alguns diretores de jovens da Igreja Adventista do Sétimo Dia já participaram das conferências organizadas por “Especialidades da Juventude” e estão modelando o seu ministério de jovens de acordo com as práticas que aprenderam nesses locais.

A Conexão Quaker

Embora a espiritualidade contemplativa medieval tenha conseguido sobreviver dentro de pequenos bolsões do catolicismo romano durante séculos, passou completamente despercebida pelos evangélicos. No entanto, alguns grupos, entre eles os quakers, os pentecostais carismáticos, e o movimento Sinais e Maravilhas, sempre mantiveram alguns aspectos da espiritualidade mística dentro do raio de alcance da consciência evangélica.

Mas em 1978, quando Richard J. Foster publicou Celebração da Disciplina, O Caminho Para o Crescimento Espiritual, a espiritualidade contemplativa clássica de repente tornou-se popular nos círculos evangélicos. Aclamado pela revista Christianity Today (Cristianismo Hoje) como um dos dez melhores livros do século XX, este trabalho e outros por Foster, apresentou à igreja protestante os chamados “mestres da vida interior”, como ele gosta de chamar os místicos medievais. (17)

Mais do que qualquer outra pessoa, é Richard Foster, que tem estado na vanguarda do movimento contemplativo contemporâneo desde 1970. Através de seus livros, seminários e palestras sobre “Formação Espiritual” e “Disciplina Espiritual”, ele construiu uma ponte, que foi bem recebida pelos evangélicos, para a espiritualidade contemplativa ou mística. Ele escreve em seu livro “Celebração da Disciplina” [edição de 1978]: “Devemos todos, sem restrições, nos matricular como aprendizes na escola da oração contemplativa.” (18)

Através da sua própria influência pessoal, e através da recomendação de livros e obras de antigos autores místicos, Richard Foster tem ajudado a promover a espiritualidade mística entre os protestantes. O título de um artigo oportunamente refere-se a Richard Foster como “A Centelha do Evangelicalismo Místico”: Ele próprio afirmou:

Quando comecei a escrever sobre o assunto no final dos anos 70 e início dos anos 80 o termo “Formação Espiritual” era pouco conhecido, exceto por referências altamente especializadas relativas às ordens católicas. Hoje, é rara a pessoa que não tenha ouvido o termo. Seminários de Formação Espiritual proliferam como crias de coelhos. Muitas pessoas estão tentando certificar-se como Diretores Espirituais para responder ao clamor de milhares de outros por orientação espiritual. (19)

O que muitos leitores, no entanto, desconhecem é que Foster é um ministro e acadêmico quaker (a Sociedade Religiosa dos Amigos). Ele foi treinado no George Fox College (hoje Universidade) – a principal universidade quaker nos EUA. Um site na internet o chama de “talvez o quaker mais conhecido no mundo de hoje”.

Uma doutrina distintiva quaker é a revelação direta através de uma “luz interior”. Refere-se à presença e orientação divina em cada homem. Há uma ênfase em estar quieto, calado e passivo a fim de receber orientação da luz interior. Outros termos para isto são “a luz de Deus”, “luz de Cristo”, “luz interna”, “a luz”, “luz de dentro”, “Cristo dentro” e “espírito de Cristo”. A este respeito, os ensinamentos de quacrismo não são substancialmente diferentes da espiritualidade promovida nas religiões orientais, as quais estão sendo importadas para as igrejas cristãs.

Espiritualidade Protestante Emergente

Não é apenas na Igreja Católica Romana, nas principais as igrejas protestantes (liberais) e no movimento quaker que encontramos a nova espiritualidade (mística). Também a encontramos propagando-se nas igrejas evangélicas protestantes …. Em minha opinião, o cenário para a espiritualidade mística no protestantismo evangélico foi estabelecido por três grandes pontes.

1. O Movimento Sinais e Maravilhas. A primeira ponte é o movimento “sinais e maravilhas” (às vezes chamado de movimento de reavivamento “evangelho de poder”). Por meio de sua ênfase excessiva em falar em línguas, visões, sonhos, profecias, curas, guerreiros da oração, rir no espírito, caminhadas de oração, e outras formas de oração ofensivas, esse movimento da década de 1980 criou um ambiente fértil para que as pessoas abracem uma espiritualidade mística contemplativa. (20)

2. As Mega-Igrejas. A segunda ponte crítica foi construída por alguns evangélicos bem-intencionados, líderes de mega-igrejas como Rick Warren (famoso pela extressão “Com Propósitos”). Através da sua influência, esses líderes do pensamento evangélico introduziram muitos protestantes a práticas de meditação mística, como “meditação contemplativa” ou “oração contemplativa.” Estas práticas são muitas vezes disfarçadas como novas formas de oração.

Entre os “exercícios espirituais”, promovidos pelo movimento da nova espiritualidade estão três formas populares de oração: “oração centrante”, “oração de Jesus” e “oração de respiração”. Por exemplo, no livro Caminhos Sagrados, uma obra que descreve alguns “exercícios espirituais práticos”, e que foi apoiada por Rick Warren, o autor ensina aos leitores a prática de “orações centrantes”.

É particularmente difícil descrever este tipo de oração por escrito, pois é melhor ensinada pessoalmente. Em geral, contudo, a oração centrante funciona assim: Escolha uma palavra (Jesus ou Pai, por exemplo) como um foco da oração contemplativa. Repita a palavra silenciosamente em sua mente para um determinado período de tempo (digamos, vinte minutos) até que seu coração pareça estar repetindo a palavra por si mesmo, tão natural e involuntariamente quanto a respiração. (21)

Observe que, exceto pelas palavras cristãs usadas (Jesus ou Pai), a prática da “oração centrante” é essencialmente semelhante à meditação ou cantilena de estilo oriental. Uma forma especial de oração centrante é a “oração de Jesus.” Aqui, a oração Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem misericórdia de mim, pecador é freqüentemente abreviada para Jesus.

O apoio de Rick Warren à “oração contemplativa” também é visto em sua avaliação positiva do livro A Alma em Repouso: Uma Viagem na Oração Contemplativa. (22) O autor do livro dá as seguintes instruções sobre como se preparar para o tempo de oração:

Faça respirações profundas, concentrando-se em relaxar o corpo. Estabeleça um padrão lento e rítmico. Inspire a paz de Deus, e expire o seu stress, distrações e temores. Inspire o amor de Deus, Seu perdão e compaixão, e expire os teus pecados, fracassos e frustrações. Faça todos os esforços para “parar o fluxo da fala que ocorre com você mesmo – para diminuí-lo até que cesse.” (23)

Alguém poderia se perguntar, onde na Bíblia, somos convidados a participar do amor de Deus através da sua inspiração física ou nos livrarmos de nossos pecados através da sua expiração?

3. A Igreja Emergente e o Convite à Renovação da Adoração. A terceira principal ponte que liga as diversas espiritualidades místicas com o mundo evangélico é um movimento teológico chamado de “Igreja Emergente” – um movimento cujo caminho foi pavimentado por uma cosmovisão filosófica chamada pós modernismo. (24)

O espaço não me permite documentar como o movimento da igreja emergente está remodelando a paisagem de espiritualidade bíblica. (25) Posso apenas remeter o leitor para uma edição especial da revista “Igreja Emergente” (Verão de 2008) para ler mais sobre o assunto.

De particular interesse para nossa discussão é o convite da Igreja Emergente a uma “renovação da adoração” através da “espiritualidade sensorial.” Por “renovação da adoração” ou “despertamente da adoração”, eles querem dizer uma experiência de adoração na qual os participantes realmente “encontram” a Deus através de todos os seus sentidos físicos. Palavras como estas são usadas para descrever isso: “espiritualidade multissensorial”, “espiritualidade experiencial”, “espiritualidade congregacional” ou “espiritualidade sensual”.

Um líder emergente importante, Leonard Sweet, resume: “Os pós-modernos querem um Deus que eles podem sentir, saborear, tocar, ouvir e cheirar – uma imersão sensorial completa no divino” (26) Em outros ponto em seu livro Peregrinos Pós Modernos, Sweet refere-se a esta “espiritualidade sensorial completa”, como “cultura EPIC: Experiencial, Participativa, guiada por Imagens, Conectada” (27)

Para alguns, essa cultura EPIC pode incluir coisas tais como santuários obscurecidos e a criação de postos de oração com velas (oração Taizé), o uso de incenso e ícones. Para outros, a adoração inclui o toque, cantilenas, a lectio divina [uma forma de oração contemplativa], percussão e dança e outras formas de expressões corporais (“a oração do corpo” ou “adoração corporal”). Outro artigo reforça a idéia de que os pós modernos estão à procura de adoração sensual e experimental:

Os pós modernos preferem encontrar a Cristo usando todos os seus sentidos. Isso é parte do apelo da adoração litúrgica clássica ou contemplativa: o incenso e velas, fazer o sinal da cruz, o gosto e o cheiro do pão e do vinho, tocar nos ícones e ser ungido com óleo. (28)

Leitores perceptivos reconhecerão que essas novas formas de adoração que estão encontrando maneiras de se infiltrar nas igrejas protestantes são, na verdade, um retorno dos protestantes ao culto católico romano. Quando os líderes da igreja emergente, dizem “futuro antigo” (ou “novo antigo” ou “de volta para o futuro”), estão dizendo que precisamos olhar para trás, para o catolicismo e os monges e místicos de séculos anteriores para uma renovação de culto ou litúrgica.

Surpreendentemente, muitos evangélicos protestantes estão atendendo ao chamado para voltar a Roma, para redescobrir a espiritualidade. Este fato é capturado em um artigo perspicaz na revista Christianity Today (Cristianismo Hoje) (Fevereiro de 2008) intitulado “O Futuro Jaz no Passado” A legenda diz “Segredos Perdidos da Igreja Antiga: Como os evangélicos começaram a olhar para trás para avançar”. Este artigo esclarecedor não apenas explica que a igreja do “futuro antigo” é agora uma realidade, mas também reconhece que antes que possa haver um ecumenismo pleno entre as várias religiões (interespiritualidade), todas as antigas religiões místicas deve ser incorporadas. (29)

Aliás, é aqui – na área da renovação da adoração e “espiritualidade sensorial completa” – que a controvérsia acerca do “estilo de adoração” na Igreja Adventista do Sétimo Dia se encaixa. Dado o fato de que esses movimentos de renovação da adoração estão levando à espiritualidade mística, deveríamos nos admirar que tenhamos sido advertidos contra tais práticas?

Por exemplo, Ellen G. White advertiu que “imediatamente antes da terminação da graça”, “demonstrar-se-á tudo quanto é estranho. Haverá gritos com tambores, música e dança. … E isto será chamado operação do Espírito Santo” Ela conclamou a que: “Nenhuma animação deve ser dada a tal espécie de culto.” (Mensagens Escolhidas, v. 2, pp. 36-37).

Infelizmente, a nossa igreja já está sendo atacada pelas forças que estão ocultas dentro dos cavalos de Tróia da espiritualidade contemplativa – num momento em que a profecia está se cumprindo diante de nossos olhos.

Cavalos de Tróia em Nossa Igreja [*]

Há mais de um século, Ellen G. White, escreveu sobre um reavivamento do espiritismo no fim dos tempos. Com perspicácia, ela mencionou como os protestantes desempenharão um papel fundamental na união das diversas formas de espiritualidade mística:

“Os protestantes dos Estados Unidos serão os primeiros a estender as mãos através do abismo para apanhar a mão do espiritismo [e suas formas de espiritualidade mística]; estender-se-ão por sobre o abismo para dar mãos ao poder romano [Espiritualidade Contemplativa]; e, sob a influência desta tríplice união, este país seguirá as pegadas de Roma, desprezando os direitos da consciência.” (O Grande Conflito, p. 588)

“Embora [o espiritismo] antes atacasse a Cristo e a Escritura Sagrada [o modernismo], hoje professa aceitar a ambos [pós modernismo]. Mas a Bíblia é interpretada de molde a agradar ao coração não regenerado, enquanto suas verdades solenes e vitais são anuladas. … Cristo é tão verdadeiramente negado como antes; mas Satanás a tal ponto cegou o povo que o engano não pode ser discernido.” (O Grande Conflito, p. 558)

Lamentavelmente, ao invés de alertar o mundo desse perigo, alguns dentro das nossas fileiras Adventistas do Sétimo Dia estão na verdade empurrando os cavalos de Tróia do Espiritismo para dentro de nossa igreja. Com a desculpa de promover a espiritualidade, eles estão, consciente ou inconscientemente promovendo práticas semelhantes ao paganismo antigo, e ao misticismo medieval oriental e ocidental.

Não é segredo que alguns dos nossos acadêmicos, capelães e líderes foram treinados em escolas de espiritualidade contemplativa. Também não é segredo que alguns dos que estão promovendo a espiritualidade mística continuam a ser convidado aos nossos congressos nacionais para falar aos nossos ministros. Ainda mais, outros foram convidados para dar palestras e realizar cultos na capela de nossas instituições denominacionais, para as mentes inocentes e férteis de nossos jovens estudantes. E alguns dos nossos líderes de jovens estão promovendo tais práticas, que tomaram emprestadas das conferências de Especialidades da Juventude. (30)

Livros e artigos também estão sendo publicados a partir de nossas próprias casas publicadoras denominacionais que também promover algumas práticas de espiritualidade contemplativa. Por exemplo, um artigo na nossa revista Sinais dos Tempos incentiva a prática da oração centrante. (31) Outro líder intelectual publicou um livro intitulado Fome: Satisfazendo o Desejo de Sua Alma (Review and Herald, 2008), que se baseia fortemente em “orações de respiração,” lectio divina como uma forma de meditação, “centralização” como um meio de evitar a distração, e “guias espirituais”, como “companheiros de peregrinação … para ajudar-nos no nosso caminho.” O livro também apela freqüentemente aos líderes do movimento emergente, como Tony Campolo, Willard Dallas, Henri Nouwen, David Benner, Foster, Richard Morton Kelsey, Lawrence irmão, Thomas Keating, e M. Scott Peck . (32)

Mais recentemente, o livro Encontros com Deus: Perseguindo uma Experiência 24-7 com Jesus (Pacific Press, 2009) foi publicado, supostamente para permitir aos jovens adultos explorar as disciplinas espirituais que os capacitariam a satisfazer sua fome de Deus. Os colaboradores do volume compartilham suas “viagens” – “Onde encontramos a DEUS e onde fomos encontrados por DEUS.” Alguns trechos de uma das partes do livro demonstrará até que ponto a espiritualidade está encontrando seu caminho para entrar na igreja:

“Os EcD [Encontros com Deus] procuram instigar os jovens a experimentar a Deus de uma forma que pode, no início, parecer desconfortável, mas que esperamos, trará bênçãos e uma profunda intimidade com Jesus …

“O coordenador da sala de oração [o nome é citado] acredita que apresentar as pessoas às práticas contemplativas coletivas, tais como a lectio divina e a oração centrante, e também às salas de oração experimentais como as criadas para permitir que os visitantes orem através das diferentes estações da Cruz e do santuário do Antigo Testamento, ajuda a instigá-los a saírem de suas zonas de conforto. …

“O clímax da experiência de oração na EcD foi a Sala da Caldeira, uma sala de oração que permanecia aberta por 24 horas direto, por todas as vigílias da noite. Os indivíduos que mantiveram fielmente a oração contínua fizeram isso em particular e em grupos; silenciosamente e em voz alta; em contrição e com alegria; de maneira escrita, falada, cantada, ou desenhada. …

“Quando eu tinha acabado derramar meu coração, me senti livre para ligar a música de celebração e dançar diante de Deus, e assim meu tempo terminou, com minha noiva e eu comungando juntos. Eu estava surpreso de que havia passado facilmente duas horas lá.

“Outras pessoas compartilharam comigo histórias da Sala da Caldeira, sobre encontrar a cura e liberdade de pensamentos destrutivos do passado; de participar de um workshop de unção e então, quase imediatamente, ter a oportunidade de ungir alguém na sala de oração.” (33)

Quero acreditar que aqueles que estão promovendo essas práticas de espiritualidade contemplativa são bem intencionados. Mas faço novamente as perguntas que levantei no início deste artigo: Será que estamos sinceramente equivocados sobre “encontros com Deus” e outras tentativas da atualidade para chegar a níveis mais elevados de espiritualidade? Poderiam essas novas maneiras de ser “espiritual” serem na verdade o espiritismo à moda antiga disfarçado em roupas novas? Poderíamos estar presenciando o “Ômega” de heresias mortais?

Já se estão infiltrando entre nosso povo ensinos espiritualistas, que solaparão a fé dos que lhes derem ouvido. A teoria de que Deus é uma essência que penetra toda a Natureza, é um dos mais sutis artifícios de Satanás. Representa falsamente a Deus e é uma desonra para Sua grandeza e majestade. (Testemunhos para a Igreja, v. 8, p. 291).

Nossa Igreja hoje encontra-se exatamente na posição dos antigos israelitas e da Igreja primitiva – ter de manter a sua fé em meio a vizinhos pagãos hostis. Enfrentamos as mesmas ameaças e tentações para seguirmos as práticas, valores e crenças dos nossos vizinhos.

Guarda-te, que não te enlaces seguindo-as, … não perguntes acerca dos seus deuses, dizendo: “Assim como serviram estas nações os seus deuses, do mesmo modo também farei eu.” Assim não farás ao SENHOR teu Deus; … Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás. (Deuteronômio 12:30-32)

Nos dias de nossos primeiros pioneiros adventistas sétimo dia, eles tiveram que enfrentar os ensinos panteístas de Kellogg e a espiritualidade mística que seguiu a sua trilha. Hoje, conforme os novos cavalos de Tróia da espiritualidade são empurrados para dentro de nossas igrejas, todos nós fazemos bem em dar atenção às advertências que nos foram dadas:

“No livro Templo Vivo [que promovia as teorias panteístas de Kellogg] nos é apresentado o Alfa de heresias letais. Seguir-se-á o Ômega, e será recebido por aqueles que não estiverem dispostos a atender à advertência dada por Deus. … Perigos por nós não discernidos agora hão de romper em breve sobre nós, e desejo grandemente que eles não sejam enganados.” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 200).

“Não vos enganeis; muitos se afastarão da fé, dando ouvidos a espíritos sedutores e doutrinas de demônios. Temos agora perante nós o Alfa desse perigo. O Ômega será de natureza mais assustadora.” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p.197).

“Este engano [espiritismo / nova espiritualidade] se espalhará, e com ele teremos de lutar face a face; e, a menos que estejamos preparados para isto, seremos enredados e vencidos. … Vi a rapidez com que este engano se propagava. … Parecia que o mundo inteiro ia embarcado nele, que não faltava ninguém. (Primeiros Escritos, p. 88).

Os alertas de Laocoonte e Cassandra aos líderes e cidadãos de Tróia são aplicáveis ao nosso tempo: “Cuidado com gregos trazendo presentes.” No nosso caso, podemos advertir: “Cuidado com os movimentos de nova espiritualidade. Eles são cavalos de Tróia”.


Nota dos editores do Música Sacra e Adoração:

[*] – Acreditamos que a seção intitulada Cavalos de Tróia em Nossa Igreja está em consonância e serve de complemento às advertências acerca deste assunto, tão polêmico quanto contemporâneo, expressas pelo Pr. Ted Wilson em seu sermão inaugural como Presidente da Conferência Geral da IASD, em 03 de Julho de 2010 na assembléia da 59ª Conferência Geral, onde ele diz:

Não devemos nos misturar a movimentos ou a mega igrejas fora da Igreja Adventista do Sétimo Dia que prometem o sucesso espiritual baseado em uma teologia defeituosa. Afaste-se de assuntos espirituais não-bíblicos, ou métodos de formação espiritual que estão enraizadas no misticismo, como oração contemplativa, de oração centrante, e a movimentos de igrejas emergentes que são promovidos.” (ver o sermão na íntegra) (voltar)


Notas do autor:

1 – Os “cavalos de Tróia” incluem: a promoção da evolução como uma doutrina aceitável para a Criação; a aceitação do homossexualismo, o divórcio não bíblico e novo casamento como formas válidas de moralidade; a adoção de novas formas de adoração, “artimanhas evangelísticas” e entretenimento como formas aceitáveis de reavivamento da adoração, crescimento da igreja e ministério jovem; e uma campanha calculada para novos modelos de liderança na igreja, em nome da “inclusão, equilíbrio, sensibilidade de gênero ou diversidade” …. Para maiores detalhes a este respeito veja Samuel Koranteng-Pipim, Here We Stand: New Trends in the Church (Berrien Springs, MI: Adventists Affirm, 2005). Veja também meu artigo “Leadership in the Church: Are We Honestly Mistaken?” Adventists Affirm (Primavera de 2006), pp. 6-24; (também disponível no site do autor: http://drpipim.org/leadership-contemporaryissues-97/55-leadership-in-the-church.html). (voltar)

2 – Autores não adventistas estão bem à nossa frente em documentar e advertir contra os perigos. Veja, por exemplo, Roger Oakland, Faith Undone (Silverton, Oregon: Lighthouse Trails Publishing, 2007, 2008); Ray Yungen, A Time of Departing (Silverton, Oregon: Lighthouse Trails Publishing, 2002, 2006). Estou em dívida para com estas obras pela orientação que elas fornecem acerca do que está acontecendo. (voltar)

3 – Shirley Maclaine, Dancing in the Light (New York: Bantam Doubleday, 1991), 339. (voltar)

4 – Eric Butterworth, Discover the Power Within You: A Guide to the Unexplored Depths Within (New York: HaperCollins, 1968), pp. 233, 8. (voltar)

5 – Outra expressão comumente utilizada é sabedoria antiga – a visão que as supostas leis do universo, quando compreendidas, capacitam a pessoa a ver a sua própria divindade – outra palavra para ocultismo e metafísica. (voltar)

6 – A palavra mantra é do idioma sânscrito. É formada por duas palavras – man (pensar) e tra (ser liberto de). Portanto, a palavra mantra significa fugir do pensamento. Através da repetição de um mantra, seja de maneira audível ou em silêncio, a palavra ou frase começa a perder qualquer significado que poderia ter originalmente. (voltar)

7 – Kenneth Woodward, “Talking to God,” Newsweek (January 6, 1992), p. 44; ênfase minha. (voltar)

8 – Jerry Adler, “In Search of the Spiritual,” Newsweek, September 2005p. 48. (voltar)

9 – M. Basil Pennington, Thomas Keating, Thomas El Clarke, Finding Grace at the Center (Petersham, MA: St. Bede’s Publ., 1978), pp. 5-6. De acordo com o artigo de 2005 da Newsweek mencionado anteriormente, somente em 1991 Keating ensinou a 31.000 pessoas como “ouvir a Deus”. Isto é “oração centrante“. De fato, ele escreveu um livro popular sobre a oração centrante intitulado Open Mind, Open Heart. (voltar)

10 – Rob Baker e Gray Henry, Editores, Merton and Sufism (Louisville, KY: Fons Vitae, 199), p. 41. (voltar)

11 – Thomas Merton, Conjectures of a Guilty Bystander (Garden City, NY: Doubleday Publishers, 1989), pp. 157-158. (voltar)

12 – Matthew Fox, The Coming of the Cosmic Christ (New York: HarperCollins Publishers, 1980), pp. 65; cf. p. 154. Seus livros populares Original Blessing e The Coming of the Cosmic Christ são os fundamentos para o que ele chama de “espiritualidade centrada na criação”. (voltar)

13 – Morton Kelsey, citado em Charles H. Simpkinson, “In the Spirit of the Early Christians,” Common Boundary magazine, Jan./Fev. 1992, p. 19. (voltar)

14 – Morton Kelsey, New Age Spirituality (Louisville, KY: Westminster John Knox Press, 1ª edição, 1992 editado por Duncan S. Ferguson), pp. 56-58. Seu livro mais importante é Other Side of Silence: The Guide to Christian Meditation. Kelsey também escreveu Companions on the Inner Way: The Art of Spiritual Guidance – o qual foi considerado como um “favorito entre os diretores espirituais.” (voltar)

15 – Diretores Espirituais Internacionais, Oficinas da Conferência: “Exile or Return? Accompanying the Journey into Contemplative Prayer” (http://www.sdiworld.org/conference_workshops.html). Os Diretores Espirituais Internacionais também oferecem cursos e aulas sobre esta nova espiritualidade. Um dos currículos de seus cursos e aulas inclui: Prática Espiritual nas Várias Tradições de Fé; Construindo uma Ponte para o Budismo; Exercícios de Ignácio e Ecologia/Cosmologia: Exercícios Espirituais; O Enagrama e a Cabala; O labirinto Sagrado: Um Novo Paradigma Espiritual; Oração da Terra: Celebrando a Interconexão com Todos os Seres Vivos; Espiritualidade Trans-Fé. (voltar)

16 – For example, Still Waters, “um lugar para o silêncio, isolamento e companheirismo espiritual”, é um retiro influente perto de Berrien Springs, Michigan. Entre os serviços que ele oferece estão adoração e Taizé, companheirismo espiritual, etc. Seu site na internet indica que alguns dos “Diretores Espirituais” do Still Waters receberam seu treinamento no Shalem Institute. Veja http://www.stillwaters.org/formation/direction/, accessado em 13 de dezembro de 2009. (voltar)

17 – Em pelo menos nove ocasiões separadas em Celebration of Discipline Foster cita de modo aprovador a obra do místico católico do século 20 Thomas Merton Contemplative Prayer. “Um livro indispensável”, e fala acerca de Merton: “Thomas Merton provavelmente fez mais do que qualquer outro personagem do século vinte para tornar a vida de oração amplamente conhecida e compreendida.” Veja, Richard Foster e James Bryan Smith, Spiritual Classics (San Francisco, CA: Harper, 2000), p. 17. Em edições anteriores (1990, 1991, 1993), na p. 61, ele acrescentou que seus livros (de Merton) estão cheios de “sabedoria sem preço para todos os cristãos que anseiam se aprofundar em sua vida espiritual.” (voltar)

18 – Richard Foster, Celebration of Discipline (San Francisco, CA: Harper & Row, 1978 edition), p. 13. (voltar)

19 – Richard Foster, “Spiritual Formation: A Pastoral Letter” (January 18, 2004, http://www.theooze.com/articles/article.cfm?id=744). (voltar)

20 – Na Igreja Adventista do Sétimo Dia o palco foi preparado pelo movimento de celebração na igreja, depois pelo movimento para uma adoração contemporânea no estilo de celebração e, em tempos recentes, através de acadêmicos emergentes. (voltar)

21 – Gary Thomas, Sacred Pathways (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2000, Primeira edição Zondervan), p. 185. A respeito deste livro, Rick Warren escreve: “Gary falou [na igreja de] Saddleback, e eu considero a sua obre de maneira muito positiva … Ele lhes diz [aos leitores] como podem tirar o máximo de suas jornadas espirituais. Coloca uma ênfase em exercícios espirituais práticos. Veja o Ministry Toolbox de Rick Warren, seção “Book Look” (Edição #40, 2/20/2002, http://www.pastors.com/RWMT?ID=40, acessado em 2/2006; Veja A Time of Departing, p. 152 (voltar)

22 – Tricia Rhodes, The Soul at Rest: A Journey into Contemplative Prayer (Minneapolis, MN: Bethany House, 1996). Rick Warren apoiou esta obra em seu boletim semanal para pastores (3 de Setembro de 2003), quando escreveu: “Este livro é um companheiro das horas tranqüilas para aqueles que têm fome de uma maior intimidade com Deus. Ele oferece novos vislumbres com relação a aspectos pouco compreendidos da oração e apresenta uma jornada passo a passo no aprendizado da oração contemplativa (ênfase minha). (voltar)

23 – Tricia Rhodes, The Soul at Rest: A Journey into Contemplative Prayer, p. 28. (voltar)

24 – O Pós modernismo acredita que (a) não existem absolutos morais (ou seja, não existe certo e errado, ou a “moralidade é relativa”) e (b) não existem absolutos (não existe uma verdade absoluta ou “a verdade é relativa”). A primeira declaração tem a ver com ética ou moral. A segunda tem a ver com verdade ou ensinamentos / doutrinas. (voltar)

25 – A igreja emergente é a tentativa de alguns cristãos para falar ao mundo pós moderno. Apesar de seus objetivos nobres, este movimento tende a manter a fé cristã prisioneira do espírito pós moderno. Portanto, o movimento da igreja emergente começa relativizando a verdade (doutrinas / ensinamentos). Mas em pouco tempo também estará relativizando a moralidade (ética). E quando a ética é separada da santidade bíblica, o resultado é uma religião mística, da Nova Era e ecumênica. (voltar)

26 – Da obra de Leonard Sweet Soul Tsunami, citeda por Julie B. Sevig, em “Ancient New” (The Lutheran, September 2001). (voltar)

27 – Leonard Sweet, Postmodern Pilgrims (Nashville, TN: Broadman and Holman Publishers, 2000), p. 28. (voltar)

28 – Julie B. Sevig, “Ancient New” (The Lutheran, September 2001). (voltar)

29 – Chris Armstrong, “The Future Lies in the Past,” Christianity Today, Fevereiro de 2008, edição online http://www.christianitytoday.com/ct/2008/february/22.22.html. (voltar)

30 – A documentação dos cavalos de Tróia do espiritismo disfarçados como espiritualidade aguardará um livro a ser lançado. Um resumo será dado nas apresentações a serem realizadas no encontro da GYC deste ano (2009) em Louisville, Kentucky. Será feira uma menção à Conferência Nacional sobre Inovação, organizada anualmente pela Associação de Ohio dos Adventistas do Sétimo Dia. No decorrer dos anos, os palestrantes incluíram pessoas tais como: Doug Pagitt, Rabbi Marci Prager, Leonard Sweet, Kevin Kaiser, Leanne Kaiser Carlson, Samir Selmanovic e outros. A “Conferência Nacional sobre Inovação” lista as seguintes instituições como patrocinadores: Divisão Norte Americana dos Adventistas do Sétimo Dia, Centro para um Ministério Criativo, Versacare, Centro Médico Kattering, Departamento de Liderança e Administração Educacional da Universidade Andrews. (voltar)

31 – “Stillness Is Golden,” Signs of the Times – Austrália/Nova Zelândia, Vol. 119 (Novembro de 2004), http://www.signsofthetimes.org.au/archives/2004/november/article5.shtm. (voltar)

32 – Jon Dybdahl, Hunger: Satisfying the Longing of Your Soul (Hagerstown, MD: Autumn House Publishing [Uma divisão da Review and Herald], 2008), 52, 62, 63, 136, etc. Para uma crítica devastadora deste livro, veja o artigo de John Whitecombe, “How to Still the Hunger of the Soul,” Adventists Affirm (Primavera de 2008), pp. 38-53. (voltar)

33 – Erika Larson-Hueneke, “In the Presence of GOD and Each Other,” em A. Allan Martin, Shayna Bailey, Lynell LaMountain, eds., God Encounters: Pursuing A 24-7 Experience of Jesus (Pacific Press, 2009), p. 11. (voltar)


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Fonte: http://www.drpipim.org

Traduzido por Levi de Paula Tavares em março de 2011