A Seleção de Cantos Para o Culto Cristão – Anexos

Livros Online 4 de julho de 2012 7:07 pm

por: Denise Cordeiro de Souza Frederico

Análise dos Cultos Assistidos Durante a Pesquisa nas Comunidades Batista e Luterana

As igrejas escolhidas para a pesquisa situam-se em dois bairros vizinhos, de classe média alta da cidade de Porto Alegre, RS. Esses bairros distam do centro da cidade cerca de 5 a 10 quilômetros. Um deles está em franca expansão imobiliária, com construções de inúmeros edifícios, a maioria luxuosa. A Comunidade Batista situa-se no meio desse bairro, possuindo uma construção arquitetônica que acompanha as edificações do bairro. O outro templo situa-se um pouco mais afastado do centro da cidade, porém ao redor de um grande shopping. A vizinhança do templo é de casas da classe média alta e o local de culto ainda ocupa o subsolo de um pequeno prédio, onde também mora o pastor. Porque são duas comunidades localizadas em bairros nobres da cidade, os membros dessas igrejas possuem alto grau de escolaridade. Muitos estão cursando o terceiro grau ou já o têm completo.

Foram observados cinco cultos na Igreja Batista (dias 06/10- cultos matutino e vespertino, 13/10, 20/10 e 27/10 de 1996) e cinco na Luterana (03/11, 10/11, 24/11 e 01/12, mais a reunião de jovens no dia 30/11 do ano de 1996), quase todos gravados em fita cassete.

Uma das características mais valorizadas pelos batistas como distintivo denominacional é o governo livre e independente que confere autonomia às igrejas locais e liberdade de ação litúrgica. Essa autonomia tem sido mais ou menos padronizada pelo intercâmbio ativo que há entre as igrejas batistas ligadas à Convenção Batista Brasileira (CBB), órgão máximo da denominação. Os princípios batistas foram organizados por uma comissão formada por 19 pessoas, líderes da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, no ano de 1964. Traduzidos para o português, os princípios básicos de doutrina sobre a autoridade na igreja podem ser assim sumariados: a autoridade suprema da igreja é Jesus Cristo; a Bíblia é regra autorizada de fé e prática; o Espírito Santo interpreta a autoridade divina. Existem mais quatro assuntos dos quais o documento fala: sobre a dignidade do homem, sobre a salvação pela graça e a vida cristã, sobre a natureza da igreja, sobre o culto e a educação cristã. As igrejas são comunidades locais democráticas e autônomas, formadas de pessoas regeneradas e batizadas por imersão; defende-se a separação entre a igreja e o Estado; existe absoluta liberdade de consciência, sendo a responsabilidade diante de Deus pessoal. Sobre o culto: “pessoal ou coletivo, é a expressão mais elevada da fé e devoção cristã”.

A música nas igrejas batistas da CBB tem sido fomentada por músicos que desde a década de 60 têm saído dos cursos de Música Sacra de alguns de seus seminários teológicos. Igrejas que podem financiar um músico que funcione como “Ministro de Música” têm a tendência de adotar música mais convencional, no estilo herdado dos norte-americanos. Usam ainda o órgão e o piano como instrumentos principais nos seus cultos. As igrejas que não possuem esse tipo de ministro tendem a adotar uma hinologia mais livre, com predominância dos cânticos divulgados pela mídia e pelas gravações evangélicas tanto brasileiras quanto internacionais. Em virtude dessas influências, a pesquisadora Regina Santos observou que os batistas estão perdendo a identidade denominacional quando deixam de lado seus hinários oficiais, Cantor Cristão (CC) e o Hinário para o Culto Cristão (HCC), para adotarem os modismos de diversos grupos carismáticos e da mídia em geral: “Caminhamos cada vez mais para um texto poético a-doutrinário, capaz de circular e ser recebido por grupos evangélicos diversos, e a música tende a não contribuir para qualquer identidade denominacional”.

Para entender o tipo de culto de uma Igreja Batista, tem-se que recorrer ao estudo que Isaltino Coelho Filho para a Ordem dos Pastores Batistas do Paraná, talvez o único documento sobre o assunto no meio batista. O estudioso detecta quatro categorias de práticas litúrgicas nas igrejas batistas. São elas: a solene, a tradicional, a espontânea e a ausência de qualquer ordem litúrgica. A “solene” é marcada pela rigidez das partes, que vêm impressas em boletim, e pela postura litúrgica de solenidade adotada pelo oficiante e demais participantes: “(…) a hora de virar a cabeça, os gestos, a inflexão verbal, tudo está definido”. A “tradicional” assemelha-se à solene, com uma pequena diferenciação quanto à rigidez, com mais “pessoalidade no culto”. Na “espontânea” há maior participação da congregação, que pode escolher hinos e dar testemunhos. “A quarta é uma absoluta ausência de qualquer ordem. ‘Quem canta um corinho? Quem quer dar um testemunho?’ e as coisas acontecem ao sabor do momento”. Seguindo as classificações de liturgia estabelecidas por esse autor, julga-se que a Igreja Batista em análise possui uma liturgia entre a tradicional e a espontânea. A própria escolha mesclada de hinos do hinário e de cantos de outras fontes contribui para essa avaliação. Outros elementos que ajudam a definir essa liturgia nesse patamar seriam: ordem de culto impressa em boletim, vestimenta formal do pastor, que usa terno e gravata, o uso do piano como instrumento acompanhador e, esporadicamente, a participação de leigos para anúncios, convocações e participações especiais. Por ser um culto “tradicional”, tendendo para o “espontâneo”, o pastor ora usa palavras e gestos formais, ora tenta amenizar a formalidade através dos pedidos para orações livres.

De acordo com os programas impressos nos boletins e a observação in loco, a ordem de culto da igreja em análise pode ser sumariada nos seguintes pontos (os elementos entre parênteses podem ser omitidos ou substituídos eventualmente): anúncios, prelúdio (boas-vindas), hino ou cânticos congregacionais, leitura bíblica por todos, oração (estes dois últimos elementos podem alternar-se), mensagem musical (apresentação de solos e/ou grupo coral), momento de dedicação (que é a hora da oferta), hino e/ou cantos de fontes diversas, oração, prédica (denominada no meio batista mensagem), canto, oração e poslúdio. As orações sempre são espontâneas e é com grande freqüência que os membros são solicitados a fazê-las publicamente, sem combinação prévia. Os cantos são escolhidos mais em função do sermão, embora nem sempre isso fique claro.

O prelúdio foi executado todas as vezes pelo solo do piano, com exceção do culto vespertino do dia 06/10, quando houve a participação de um trio formado por violino, violoncelo e piano, que apresentou dois hinos, um do antigo hinário e outro do novo. Houve um rodízio de três pianistas nos cinco cultos assistidos e o pastor dirigiu quatro dos cultos. Dois cultos fugiram um pouco da normalidade dos demais: o vespertino de 06/10 e o do dia 13/10.

O culto matutino do dia 6/10 teve o seguinte tema: “A Ceia do Senhor Jesus” e foi dividido em três partes: 1) Recordação da Morte e da Ressurreição de Jesus; 2) Reconciliação com Deus em Jesus; 3) Renúncia para a Nova Vida com Jesus. Os textos bíblicos e cantos foram selecionados a partir desses subtítulos. Não houve mensagem, apenas a celebração da “Ceia do Senhor”, que é a expressão usada por batistas para designar o momento da Eucaristia. Nesse culto foram cantados seis hinos do HCC e dois cânticos de outras fontes. Para ajudar no canto, um grupo de adultos posicionou-se à frente da congregação, com microfones, e executou a quatro vozes os hinos indicados no programa impresso, liderados por um regente leigo. Para os cânticos avulsos, contou-se com a cooperação de jovens do sexo feminino, também com microfones, que apenas cantaram em uníssono. No vespertino, o grupo de jovens da igreja apresentou um “musical”, intitulado “Levem a Luz”, preparado pelo ministro de música. O tema do culto foi “Celebrando Cristo – A Luz do Mundo”, tendo sido cantados cinco hinos do HCC e três avulsos. Chamou a atenção o fato de que somente um canto dos oito escolhidos tinha relação com o assunto do dia. O conteúdo da mensagem também fugiu do tema central e foi direcionada ao evangelismo.

O culto do dia 13 foi totalmente endereçado às crianças, com um teatrinho feito por elas próprias, em comemoração aos festejos do “Dia da Criança”, ocorrido em 12/10. A mensagem desse dia ficou a cargo de uma senhora que contou e dramatizou a história do profeta Jonas. Todos os cantos desse culto foram escolhidos por serem direcionados às crianças e todos retirados de coletâneas avulsas.

No programa impresso do dia 20/10 não há registro de um tema principal para o culto. Através da observação dos cantos e textos bíblicos não se pôde determinar a existência de uma idéia central para a ocasião. Os cinco primeiros cantos relacionados dizem respeito à adoração, sendo apenas um do hinário oficial. A prédica foi baseada no texto de 1 Co 13, carta do apóstolo Paulo a respeito do amor, mas não se achou nenhum canto ou texto bíblico relacionado ao assunto amor. A forma aleatória das partes do culto poderia classificá-lo na categoria “ausência de qualquer ordem”, não fossem a impressão do mesmo no boletim e a formalidade do oficiante.

O culto do dia 27/10 foi uma continuação do assunto da mensagem do domingo anterior. Embora não tivesse sido impresso o tema do dia, o assunto foi melhor explorado através dos cânticos: dos nove cantos arrolados, quatro continham o assunto do dia, três falavam de adoração a Deus, um expressava o desejo de “um bom dia na presença de Deus” e um versava sobre oração. Do HCC foram tirados dois hinos; os demais vieram de outras fontes. Nesse dia os cantos foram regidos pelo ministro de música, com reforço da juventude, à frente, nos microfones, durante a execução dos cânticos avulsos.

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) reúne comunidades cujas normas teológico-confessionais vêm registradas em Nossa Fé – Nossa Vida: Guia de Vida Comunitária em Fé e Ação, documento aprovado no Concílio Geral Extraordinário de outubro de 1980, em Carazinho, RS. O organograma da IECLB abrange a Comunidade, que é a sua menor unidade orgânica e o Sínodo, formado por um determinado número de paróquias. As principais regras das igrejas filiadas à IECLB podem ser assim descritas: a igreja é o convívio de pessoas batizadas, o povo de Deus, chamadas para realizar a obra de Deus no mundo. Essa tarefa é desempenhada pelas Comunidades e Paróquias e pelas direções geral e sinodal. A função dessa direção consiste principalmente na formação de pastores e pastoras, de obreiros e obreiras e na regulamentação da vida funcional e disciplinar. As Comunidades são orientadas pelas direções locais, sendo o pastor responsável por comunicar o Evangelho, ministrar os sacramentos e cooperar na administração da Comunidade. O culto é a reunião da Comunidade e suas partes constituem-se de hinos e música, oração, oferta, anúncios, confissão de pecados, perdão, prédica, sacramentos e bênção.

O culto do dia 03/11 versou sobre estar preparado para a morte e culminou com a celebração da Eucaristia. Houve seis participações musicais da congregação, sendo quatro hinos do Hinos do Povo de Deus (HPD). A abertura do culto foi efetuada com o cântico avulso “Aqui Você Tem Lugar”, a capela, em cânone, na liderança do próprio pastor. O coral da igreja participou em duas ocasiões; observando a ordem litúrgica, cantou “Pai Nosso”, acompanhado de violão. Dos cinco hinos do HPD, o primeiro versou sobre louvor e adoração, três trataram da morte e ressurreição de Cristo e outro foi reformulado na letra e na melodia. O teor deste último hino era sobre a transformação do amor em palavra e ação. A prédica girou em torno do tema proposto pelo lecionário eclesiástico e o pastor usou a tragédia ocorrida com o avião da TAM, em S. Paulo, durante a semana, para ilustrar o assunto. Para a celebração da Ceia, o pastor convidou que todos se colocassem em círculo, ao redor da mesa e dos elementos ali arranjados. O pão foi passado pelos próprios participantes, cada um ao seu parceiro de roda imediato, e o cálice único distribuído pelo pastor, com a declaração: “Este é o meu sangue, derramado por vós”. O culto foi encerrado com canto, recitação do Credo Apostólico e bênção.

O segundo culto assistido foi o do dia 10/11, que contou com a participação especial do coro do Morro do Espelho, formado por alunos da Escola Superior de Teologia e de seu Instituto de Música em São Leopoldo, RS. A liturgia seguiu a estrutura legada pela tradição, com três partes, com a omissão da liturgia da Eucaristia, comemorada no domingo anterior: liturgia de abertura, liturgia da palavra e liturgia de encerramento. O coral entoou o hino “O Senhor É o Meu Fiel Pastor”, de H. Schütz (Der Herr ist mein getreuer Hirte), cantado em alemão, como prelúdio. O tema do dia versou sobre “Cristo, protetor dos que sofrem”. Ao dar as boas-vindas a todos, o pastor apresentou a família que trouxe seu bebê para ser batizado. O Batismo foi realizado durante a liturgia da palavra, antes da prédica, baseada em Êx 22.21-27. O pastor deu relevo aos assuntos concernentes ao término de mais um ano eclesiástico e quis verificar o que havia sido feito pelos mais fracos no decorrer do ano. Os cantos do culto foram de três categorias: hinos do HPD, cantos litúrgicos (Kyrie, Gloria, Aleluia) e de origem avulsa, estes apresentados pelo Coral do Morro. Os hinos do HPD foram inseridos de acordo com os requisitos de ordem litúrgica: o primeiro (262) tratou de louvor e adoração, o segundo (138) preparou para o Batismo, o de número 197 concluiu a cerimônia de Batismo e o 165 encerrou o culto com palavras para o serviço cristão. Três dos hinos selecionados do HPD para esse culto foram compostos em anos recentes: dois de Lindolfo Weingärtner e um de procedência americana. O 262 é originário do século XVI. Os cantos especiais apresentados pelo coral visitante foram inseridos criteriosamente: o Kyrie, na liturgia de entrada e um hino com texto de Dietrich Bonhoeffer, que fala da proteção de Deus, logo após a prédica. A participação desse coral foi estendida para além do culto, quando então entoou cantos religiosos, folclóricos e populares. Após o encerramento, as pessoas confraternizaram no salão de cultos, quando foi servido um chá gelado.

O culto do dia 17/11 teve início com o prelúdio tocado pelo órgão. A liturgia de entrada constou de um hino do HPD como canto inicial, sobre adoração, seguido das demais partes tradicionais. A liturgia da palavra iniciou-se com a leitura bíblica de 1 Ts 5.1-11, seguida da recitação do Credo, do canto do hino 107 e da prédica, cujo conteúdo baseou-se no tema proposto para o final do calendário eclesiástico, acerca de se estar preparado para as coisas futuras que vão acontecer no fim dos tempos. Essa parte foi encerrada com o canto das últimas estrofes do hino 1 do HPD, embora ele esteja classificado como hino de advento, as estrofes escolhidas tratam do assunto do dia. Após os anúncios feitos por uma senhora, veio o momento de intercessão pelas necessidades da comunidade, a bênção e o cântico do hino 216, quando se recolheram as ofertas. O culto foi encerrado com um poslúdio ao órgão e em seguida todos foram convidados a participar de uma confraternização com suco gelado, no próprio salão de cultos. Os hinos para o culto, retirados do hinário oficial, datam dos séculos XVI, XVII e XVIIII, traduzidos do alemão, com exceção do 216, que, embora registrado no hinário como negro spiritual, não tem essa origem.

No dia 30/11 foi observada a reunião dos jovens dessa paróquia, que acontece todos os sábados à tarde, depois da prática de esportes. A reunião foi liderada por Werner, um dos entrevistados, e iniciou-se com diversos cânticos, todos da coletânea Cantarei ao Senhor, volumes 2 e 3. Os quatro primeiros cantos estiveram baseados nos Salmos (2), em Provérbios (1) e o outro tem o título “Deus Desce das Nuvens”. Werner fez uma pequena reflexão (texto bíblico em Mt 21.28) a respeito da auto-estima, do amor, da integração e da responsabilidade, temas que vinham sendo tratados entre eles desde setembro. Após a explanação do jovem pastor, os presentes cantaram mais quatro cantos daqueles cancioneiros, escolhidos na hora, pelos participantes. Esses cantos estão fundamentados nos seguintes textos da Bíblia : Sl 100 e 46, Mt 24, 1 Co 13. O último entoado intitula-se “Eu Navegarei no Oceano do Espírito”. Todos os cantos foram acompanhados por Jaime, um dos jovens entrevistados, no violão e escolhidos na ocasião. A reunião terminou com todos em círculo, dando-se as mãos, e, após a oração de Werner, os jovens oraram o Pai – Nosso.

O último culto assistido ocorreu em 01/12, primeiro domingo do Advento. O organista tocou o hino 107 do HPD como prelúdio. A Liturgia de Entrada iniciou-se com as palavras de boas-vindas e o anúncio do início das comemorações do Natal. Seguiram-se as partes dessa liturgia, concluindo com o canto de um hino natalino avulso, denominado “O Advento Chegou”. Nessa oportunidade foi acesa a primeira vela do advento, presa `a guirlanda suspensa à frente da congregação. As crianças foram convidadas a sair para a Escola Dominical e logo a seguir a Liturgia da Palavra foi iniciada com a leitura do Sl 9 . A prédica enfocou o significado do Natal e os hinos selecionados do hinário foram todos escolhidos em razão da época de Natal.

Uma vez descritos os cultos na Igreja Batista, pode-se dizer que o tema do dia, escolhido pelo pastor e/ou indicado pelo calendário secular, como o “Dia da Criança”, foi o que suscitou a seleção de textos bíblicos e parte dos cantos nos cultos observados nessa igreja. Misturada a isso, pôde-se notar a tendência de abrir o culto com uma “chamada `a adoração”, após a palavra informal inicial do pastor com anúncios e avisos, mas a ausência efetiva das demais partes sugeridas pela leitura de Is 6, de onde saiu a liturgia referendada pela CBB. Não se descobriram outros critérios de seleção para os cantos dos cultos, mas se reforça o que Regina Márcia Santos havia apontado em seu artigo, ou seja, as igrejas batistas estão perdendo sua identidade em virtude de darem lugar aos cantos e “trejeitos” de suas apresentações, ambos oriundos dos carismáticos, em detrimento dos cantos de seus hinários oficiais. Isso quer dizer que a frágil sustentação do que era tradicional para os batistas, os cantos de seu hinário oficial, está sendo ameaçada de ruir (se é que isso já não aconteceu) diante da influência que a mídia e os movimentos carismáticos têm exercido sobre as igrejas protestantes históricas, mormente sobre os seus cantos.

A liturgia adotada na Comunidade Luterana observada é a tradicional luterana, sendo que só o primeiro culto assistido foi celebrada a Eucaristia. Os cantos foram escolhidos pelo pastor da paróquia, que, na falta de outra liderança, também exerce o cargo de líder da música, seja porque rege e ensaia o coro da igreja, seja porque é o “puxador” dos cantos durante o culto. Os cantos, todos do hinário oficial, foram escolhidos principalmente para atender os temas propostos pelo calendário eclesiástico e para acompanhar as partes litúrgicas, tais como o Kyrie, o Gloria e o Aleluia. Sempre depois da prédica foi incluído um canto que estava intimamente preso ao assunto abordado. Quanto à reunião da juventude, observou-se o caráter informal em todos os momentos, inclusive na escolha do que cantar.

A declaração que consta no “Nossa Fé – Nossa Vida” refere-se aos cantos dos cultos luteranos da seguinte forma: “Hinos e música no Culto servem para expressar o que nos move como filhos de Deus, louvando-o e glorificando-o como nosso Criador e Salvador”. Eugene Brand faz menção de que a tradição luterana elegeu o canto congregacional como o mais apropriado para a liturgia e essa é a razão pela qual o “ordinário da missa” é cantado pelos fiéis. O mesmo autor defende a inclusão de música autóctone e justifica essa opção por duas razões: o vernáculo é a linguagem típica da liturgia e não cai bem transplantar para uma cultura um estilo musical estranho a ela. Faz, porém, uma exceção a esse último ponto-de-vista : “Exceto nos lugares em que os convertidos, através de várias gerações, possam adotar como sua [grifo da autora] uma cultura musical estrangeira…”. Tomando o Rio Grande do Sul como uma região onde essa exceção pode ser acatada como prática comum, justificada pela história das sucessivas imigrações de alemães, pode-se compreender melhor a tendência musical das Comunidades luteranas locais, principalmente o acervo do HPD.

Halter e Schalk, na introdução do seu livro, expõem as características da Igreja Luterana, as quais podem ser assim resumidas: é uma igreja que gosta de cultuar; é uma igreja litúrgica; o culto luterano oferece riqueza e variedade, de forma que dá significado à adoração corporativa; os luteranos reconhecem com gratidão a herança da variedade de culto; a música encontra sua melhor expressão dentro do contexto litúrgico. Embora se tenha vivenciado apenas cinco reuniões cúlticas da comunidade, pôde-se avaliar o quanto essa comunidade valoriza suas tradições e o significado importante que a música recebe durante os momentos de culto. Os hinos nessa comunidade integram a liturgia de uma forma tão natural e coerente que falar de culto é falar de música, falar de música é falar de culto.


Abreviaturas

a.C – Antes de Cristo
ACH – American Catholic Hymnal: Hinário Católico Americano
AIBAPA – Associação das Igrejas Batistas de Porto Alegre
AMBB – Associação dos Músicos Batistas Brasileiros
AMBEES – Associação de Músicos Batistas do Estado do Espírito Santo
AT – Antigo Testamento
CBB – Convenção Batista Brasileira
CC – O Cantor Cristão, hinário batista.
CD-ROM – Compact Disc-Read Only Memory
CEBEP – Centro Brasileiro de Estudos Pastorais
CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
d.C – Depois de Cristo
EST – Escola Superior de Teologia
EUA – Estados Unidos da América
HCC – Hinário para o Culto Cristão
HL – Hinário Litúrgico
HPD – Hinos do Povo de Deus
IAET – Instituto Anglicano de Estudos Teológicos de São Paulo
IECLB – Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
IELB – Igreja Evangélica Luterana do Brasil
IEPG – Instituto Ecumênico de Pós-Graduação
IPI – Igreja Presbiteriana Independente do Brasil
ISAEC – Instituição Sinodal de Assistência, Educação e Cultura
JUERP – Junta de Educação Religiosa e Publicações
LMT – Liturgical Music Today: Música Litúrgica Atual
MCW – Music in Catholic Worship: Música no Culto Católico
MIDI – Musical Instrument Digital Interface
MS – Musicam Sacram: Música Sacra
MSCC – The Milwaukee Symposia for Church Composers: a Ten-Year Report: Simpósios de Milwaukee para Compositores Sacros: Relatório de uma Década
NT – Novo Testamento
PPL – Pastoral Popular Luterana
SC – Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia
SC – Sacrosanctum Concilium
SH – Salmos e Hinos
SSCLM – The Snowbird Statement on Catholic Liturgical Music: Documento de Snowbird sobre a Música Litúrgica Católica
TAM – Transportes Aéreos de Marília
TdL – Teologia da Libertação
TM – Thuma Mina, hinário ecumênico.
UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
VU – Voices United: Vozes Unidas, hinário canadense.
WA – Weimarer Ausgabe
YFC – Youth for Christ: Juventude para Cristo


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