O Cristão e a Música Rock – Capítulo 8

por: Tore Sognefest

Os Efeitos da Música Rock


Tore Sognefest é músico profissional e pianista. Durante os anos oitenta ele teve a sua própria banda de rock que ficou famosa na Noruega. Ele recebeu o grau de Mestre em música pela Academia de Música em Bergen, Noruega, onde ensinou música durante vários anos.

Sognefest é autor de um livro popular The Power of Music. Ele é um conferencista popular convidado por diferentes denominações para realizar seminários de música. Atualmente ele está trabalhando como Diretor de uma Escola Secundária Adventista do Sétimo Dia na Noruega.


A controvérsia atual sobre os efeitos da música rock está baseada, em grande parte, em preocupações estéticas, sociais, religiosas, e/ou políticas, ao invés de estudos científicos sobre seus efeitos mentais e físicos nos seres humanos. Avaliações subjetivas da música podem dar origem a infindáveis controvérsias, porque elas estão baseadas em gosto pessoal e/ou considerações culturais.

Isto nos lembra das tentativas que Hitler fez para eliminar as características “primitivas” e negróides da música negra, estabelecendo normas para determinar o que se constituía em música satisfatória para o povo alemão. Entre outras coisas, o Terceiro Reich decretou: “As composições denominadas como jazz podem conter não mais que 10% de síncopes. O restante tem que consistir de um fluxo de legato natural, completamente despojado das voltas rítmicas histéricas tão típicas da música das raças bárbaras, que apelam aos instintos obscuros tão estranhos à raça germânica (o denominado ‘riffs’). (N.T. – riffs são frases ritmicas curtas, que são repetidas em improvisação.” 1

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É evidente que o Terceiro Reich não obteve sucesso em eliminar as músicas “rítmicas histéricas” das “raças bárbaras”, porque apenas alguns anos após a queda do império de Hitler a música rock veio à existência com uma batida rítmica impulsionadora, mais forte do que o jazz. Hoje, os efeitos da música rock são criticados não apenas por alguns políticos, pastores, e analistas sociais, mas também por músicos consagrados.

Por exemplo, o famoso pianista de concertos norueguês Kjell Bekkelund, declarou: “A cultura pop representa uma mentira humana básica. Retrata os seres humanos sem problemas e restrições, sonhando sobre suas novas conquistas sexuais, carreiras sociais, e aceitação pelos ‘níveis sociais mais elevados.’ É culpada pela degradação sem limites da mulher, considerando-a apenas como objeto sexual. O objetivo da indústria pop, na minha opinião, parece ser a criação de indivíduos que ‘não precisem pensar.'” 2

Alguns podem desejar questionar as opiniões pessoais dos críticos de música como Bakkelund porque elas estão baseadas em uma avaliação subjetiva da música popular. É, portanto, imperativo olharmos para os estudos científicos acerca dos efeitos da música rock no corpo humano.

Objetivos deste Capítulo. Baseado em vários estudos científicos recentes significativos, este capítulo examina os efeitos físicos e mentais da música rock nos seres humanos. Devido às limitações de espaço, é citada apenas uma amostragem dos estudos.

O capítulo é dividido em duas partes. A primeira trata, de uma forma mais geral, da influência da música no corpo humano. Considera, especialmente, como a música afeta o funcionamento do cérebro, a produção de hormônios, e os ritmos do corpo.

A segunda parte examina alguns dos efeitos específicos da batida irregular, incansável, intensa, do rock sobre o corpo humano. Referência específica é feita sobre como a batida do rock coloca o corpo humano sob stress, aumentando a freqüência de pulso, a pressão sangüínea, e a produção de adrenalina. Também são feitas considerações sobre o impacto do barulho ensurdecedor da música rock na audição.

Parte 1
A Influência da Música

Leis naturais governam a química do corpo e da mente, assim como os efeitos físicos e mentais da música. Estas leis foram estudadas através de

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experiências científicas e cuidadosas observações. Ao medir os efeitos dos estímulos da música, os investigadores procuraram por respostas fisiológicas tais como aumento na freqüência de pulso e na resistência elétrica da pele. Claro que uma experiência espontânea de música envolve muito mais que uma resposta física mensurável. Não obstante, é a presença física do som que influencia nossas reações.

A maioria das pessoas não presta muita atenção às leis da música e ignora o impacto que a música tem sobre a sua saúde física, social e mental. Hoje a escolha da música é amplamente determinada pelo gosto pessoal. Esta tendência reflete a orientação consumista de nossa sociedade onde muitas pessoas se enchem indiscriminadamente com “alimento impróprio” inferior que causa inúmeros efeitos psicológicos, bem como desordens físicas, tais como a falta de concentração e a deficiência na aprendizagem entre as crianças na escola e jovens estudantes. A mesma atitude indiscriminada é encontrada no consumo de música inferior e prejudicial.

Ondas Sonoras e o Cérebro. Para apreciarmos os efeitos da música, precisamos estar atentos aos processos básicos que ocorrem no ouvido humano ao som da música. As ondas sonoras (vibrações) que chegam no tímpano do ouvido são transformadas em impulsos químicos e nervosos, que registram em nossa mente as diferentes qualidades dos sons que estamos ouvindo. O que muitos não sabem é que “as raízes dos nervos auditivos – os nervos do ouvido – são distribuídos mais amplamente e tem conexões mais extensas do que os de qualquer outro nervo no corpo. … [Devido a esta extensa rede] dificilmente existe uma função no corpo que possa não ser afetada pelas pulsações e combinações harmônicas de tons musicais”. 3

A investigação da influência da música no corpo humano foi conduzida, em grande parte, por um ramo da medicina conhecido como “musicoterapia.” Em 1944, “The Music Research Foundation” (A Fundação de Pesquisa da Música) foi estabelecida em Washington, D. C., com objetivo de explorar e desenvolver novos métodos para controlar o comportamento humano e as emoções. O governo americano financiou esta pesquisa por causa da necessidade premente de tratamento psiquiátrico para os veteranos de guerra, que sofreram lesões ligadas às ondas de choque dos bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial.

Rapidamente foi feita uma descoberta muito importante. Os pesquisadores descobriram que a música é registrada na parte do cérebro que normalmente é estimulado pelas emoções, contornando os centros cerebrais que lidam com a inteligência e razão. Ira Altschuler, um dos pesquisadores, explica que “Música, que

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não depende das funções superiores do cérebro para franquear entrada ao organismo, ainda pode excitar por meio do tálamo – o posto de intercomunicação de todas as emoções, sensações e sentimentos. Uma vez que um estímulo tenha sido capaz de alcançar o tálamo, o cérebro superior é automaticamente invadido.” 4

Isto significa que a “música ataca o sistema nervoso diretamente”, 5 contornando o cérebro superior. Alguns pesquisadores são da opinião que o sentido da audição, mais do que os outros sentidos, exerce maior impacto no sistema nervoso autônomo através de seus trajetos auditivos. 6 Embora as conclusões de vários estudos sejam divergentes, o denominador comum é que os estímulos auditivos afetam, diretamente, o sistema nervoso.

Estudos mostraram que o impacto da música no sistema nervoso e as mudanças emocionais provocados direta ou indiretamente pelo tálamo, afetam processos tais como a freqüência cardíaca, a respiração, a pressão sangüínea, a digestão, o equilíbrio hormonal, o humor e as atitudes. 7 Isto nos ajuda a entender por que a batida impulsionadora e incessante do rock, exercendo um impacto diretamente sobre o corpo, pode ter uma gama tão extensa de efeitos físicos e emocionais.

Música e a Produção de Hormônios. Even Ruud, pesquisador de som e professor de música do “The Institute of Music”, da Universidade de Oslo na Noruega, mantém que uma compreensão da conexão automática entre música e as reações emocionais levanta alguns problemas, porque dificilmente se pode generalizar o conceito de música ou o usar modelos tão elementares para explicar problemas psicológicos. 8 Embora reconhecendo as limitações conceituais da música, outros pesquisadores chegaram a algumas conclusões específicas.

É um fato bem conhecido que o sistema endócrino regula não somente as funções dos órgãos internos, como o coração e os órgãos respiratórios, mas também as glândulas endócrinas. Estas glândulas são controladas pelo tálamo, o qual está intimamente ligado às nossas emoções. Mary Griffiths, uma fisiologista, explica que “o hipotálamo controla as excreções da glândula tiróide, o córtex adrenal e as glândulas sexuais. Assim, ele influencia a velocidade do metabolismo… bem como também a produção de hormônios sexuais…. O hipotálamo tem um efeito marcante na liberação das respostas autônomas provocada pelo medo, raiva, e outras emoções.” 9

Ruud aponta para recentes pesquisas, as quais provam que a música poderia influenciar o ciclo menstrual das mulheres. Um estudo também encontrou um aumento do hormônio lutenizante (LH) enquanto se escutava música. 10 Outros

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estudos indicam que a música libera adrenalina e possivelmente outros hormônios. Também influencia a resistência da eletricidade da pele do corpo, a qual, por sua vez, afeta e governa os humores de uma pessoa. 11

Embora seja verdade que a resposta à música varia de acordo com cada indivíduo, tornando difícil generalizar seus efeitos, permanece o fato de que a indústria da música e o mundo dos negócios sabem usá-la para criar ou mudar humores e vender mercadoria.

Os Efeitos do Ritmo. Um cientista russo, Ivan P. Pavlov, conduziu experimentos sobre os efeitos da música em cães. Ele publicou os resultados de suas experiências por volta do início do século. Sua pesquisa contribuiu significativamente para o desenvolvimento no campo da psicologia comportamental na América. Pavlov administrou testes das reações de reflexos de seus cães ao ritmo. Ele percebeu que quando ele tocava ritmos rápidos seus cães reagiam com excitação; ritmos mais lentos tinham um efeito tranqüilizador. Quando exposto a ritmos sincopados, o sistema nervoso dos cães dava a impressão de estar sendo manipulado, e eles pareciam estar confusos não sabendo como reagir. Os ritmos assincrônicos os fizeram muito confusos.

Muito tempo antes do surgimento da música rock, platéias em concertos na Europa tiveram um exemplo dos efeitos do ritmo quando a obra sinfônica de Igor Stravinsky “Sagração da Primavera” foi executada em Paris em 1913. Esta composição causou uma reação violenta. Logo após seu movimento de abertura, a platéia parecia estar em estado de choque. A música consistia em uma série de dissonâncias ligadas a ritmos desconexos, incoerentes e violentos. Bastaram apenas alguns minutos, antes que a sala de concertos estivesse fervendo em rebelião. Depois de dez minutos, irromperam brigas entre aqueles que não gostaram da música e aqueles que gostaram dela.

Poder-se-ia perguntar se foram os ritmos complicados da música ou o protesto contra este novo tipo de música que causou a turbulência. Reações semelhantes aconteceram alguns anos depois quando a música atonal de doze notas de Arnold Schönberg (música sem tonalidade fixa, sem tons maiores ou menores) atingiu o público dos concertos na Europa como um relâmpago. Esta quebra das velhas tradições da música parece ter sido um prenúncio de uma nova era caracterizada pela experimentação por ritmos complicados.

Hoje, ritmos complicados, como esses da música rock, não causam mais tumultos populares. Ao contrário, muitos foram se tornando dependentes deles. A batida impulsionadora da música rock está dominando a vida cotidiana dos jovens em muitas partes do mundo. Analistas sociais estão muito preocupados

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porque parece que somente através de uma batida de rock pesadamente pulsante é possível conquistar os jovens. Ruud também expressa esta preocupação: “Minha preocupação é que quase toda a música para as crianças e jovens deva ser ritmicamente atrativa para romper as barreiras do som. Isto por sua vez, os bloqueia para outros tipos de experiências auditivas.” 12

Consonância ou Dissonância? Críticos da música rock geralmente apelam aos efeitos físicos prejudiciais de seu ritmo, o qual sobrepuja a melodia e a letra. Eles explicam que a boa música deveria consistir de uma combinação e equilíbrio entre cinco elementos básicos:

Melodia: Tons organizados para compor uma canção.

Timbre: A qualidade do som produzida por instrumentos ou pela voz.

Harmonia: O encadeamento de tons para criar acordes.

Ritmo: Uma porção específica de tempo dado a uma nota ou sílaba em um verso e a marcação de tempo numa composição musical.

Tempo: A velocidade do ritmo em que a peça é tocada ou cantada. 13

Todos estes cinco elementos consistem de vibrações rítmicas e/ou ciclos rítmicos. Cada nota vibra em freqüências específicas. Um “lá” médio vibra 440 vezes por segundo. O timbre é dependente da combinação das vibrações dos tons harmônicos naturais inerentes em cada nota.

Harmonia tem a ver com a combinação de notas numa relação vertical. Intervalos como terças, quintas, ou sextas apresentam-se ao ouvinte como harmônicos ou consonantes, comparados com segundas e sétimas, que soam dissonantes por causa da relação de freqüência entre as notas. Uma quinta perfeita e uma oitava perfeita soam muito harmoniosas devido à simplicidade matemática presente em sua relação. Se misturarmos outras notas de freqüências variadas, outras combinações e qualidades de som aparecem, quer na direção da consonância ou da dissonância.

A exposição à música com ritmos “harmônicos” reforça os ciclos rítmicos do corpo humano, sincronizando mensagens nervosas, melhorando a coordenação, e harmonizando humores e emoções.

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Por contraste, a exposição à música com ritmos desarmônicos” – “quer seja a ‘tensão’ causada pela dissonância ou ‘barulho’ ou os balanços antinaturais de acentos rítmicos deslocados, síncopes, e polirritmos, ou tempo impróprio – podem resultar em uma variedade de mudanças incluindo: uma freqüência cardíaca alterada com sua correspondente alteração na pressão sangüínea; uma estimulação excessiva de hormônios (especialmente os opióides ou endorfinas) causando uma alteração no estado da consciência, desde mera estimulação num extremo do espectro até a inconsciência no outro extremo; e digestão inadequada.” 13

A associação do nosso corpo com certos elementos da música é tão profunda que “a não ser pelo entorpecimento de todo o cérebro, os neurologistas não puderam suprimir a habilidade rítmica. Dopar qualquer lado do cérebro ou muitas regiões de uma só vez, ainda permite ao paciente contar e bater palmas no tempo.” 14

Os estudos dos efeitos dos ritmos “desarmônicos” no corpo humano nos ajudam a entender melhor por que o ritmo enfático da música rock exercita tal influência hipnótica nas vidas de tantas pessoas hoje em dia.

Vários Usos da Música. A música foi usada com diferentes propósitos durante o curso da história humana. Uma função era aliviar a monotonia do trabalho pela sincronização dos movimentos dos trabalhadores. De fato, muitas canções folclóricas originaram-se desta maneira. Isto é especialmente verdadeiro com relação aos Negro Spirituals, que traçam suas origens às canções de trabalho dos afro-americanos que estavam em escravidão. Testes conduzidos em locais de trabalho mostraram que a menos que a música seja ajustada ao ambiente particular e ao tipo de trabalho, a precisão e exatidão são prejudicados. 15

Na União Soviética, um instituto para estudos médicos e biológicos informou os resultados de testes mostrando que o ritmo e o tempo da música tiverem um impacto imenso no organismo humano. “Música especialmente selecionada aumenta a capacidade de trabalho dos músculos. Concomitantemente, o tempo dos movimentos do trabalhador muda com a alteração do tempo musical. É como se a música determinasse um bom e rápido ritmo de movimento.” 16

O ritmo também foi usado para excitar as pessoas durante rituais religiosos. Isto foi verdade nas celebrações festivas das antigas orgias selvagens do culto a Dionísio, nas danças de guerra e religiosas entre os índios americanos, e os ritos de vodu na África Ocidental. Estas danças repetitivas, rítmicas, e monótonas resultam, normalmente, em reações semelhantes a transes.

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Os xamãs usam formas de percussão para conseguirem contato entre a humanidade e as dimensões ocultas. Ruud observa: “Parece que os elementos reguladores da tensão do ritmo estão sendo conscientemente usados. Durante o progresso gradual do ritual, a tensão rítmica é regulada a fim de corresponder ao espírito daquela doença em particular. A música que leva à tensão é contrastada por uma forma mais livre e sincopada, destinada a servir como uma espécie de relaxamento no fim do ritual.” 17

Em muitas culturas, a música é também usada para curar. O “curandeiro” toca um padrão rítmico que tem um efeito hipnótico sobre a mente do paciente. Psicólogos ocidentais podem achar este fenômeno difícil de explicar. Ruud nota que “quando tais rituais de cura realmente funcionam, poderíamos achar difícil de avaliar o papel da música, especialmente para aqueles dentre nós que estão arraigados na atual orientação educacional-psicológica. Este tipo de psicologia da música poderia não aceitar as reivindicações de que a música possui qualidades universais que causam efeito no ouvinte, não obstante sua cultura e instrução.” 18

Ritmo da Música e o Ritmo do Corpo. A música com um ritmo forte causa uma reação sensitivo-motora no corpo humano. Quando os soldados se cansam, uma marcha estimulante cria um aumento de energia. Em seu livro Music in Hospitals, Van de Wall, explica: “Vibrações de sons que atuam sobre e através do sistema nervoso dão impulsos em seqüência rítmica para os músculos, levando-os a se contraírem e a colocar nossos braços e mãos, pernas e pés em movimento. Por causa desta reação muscular automática, muitas pessoas fazem um pouco de movimento quando ouvem música; para que elas permaneçam imóveis seria necessária uma restrição muscular consciente.” 19

Elementos rítmicos estão definitivamente presentes no corpo humano e em outros organismos. O psicólogo Carole Douglis afirma: “Somos criaturas essencialmente rítmicas. Tudo, desde o ciclo de nossas ondas cerebrais ao bombeamento de nosso coração, nosso ciclo digestivo, o ciclo do sono – tudo trabalha em ritmos. Nós somos uma massa de ciclos acumulados uns sobre os outros, somos claramente organizados tanto para gerar quanto para responder aos fenômenos rítmicos.” 20

Todo ser humano funciona de acordo com um tempo rítmico. Isto está, em parte, relacionado ao ritmo do coração que trabalha entre 60 e 120 batidas por minuto. Uma pulsação normal varia entre 70 e 80 batidas por minuto. Alguns estudos indicam que as pessoas parecem trabalhar melhor quando

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se associam com outras que têm um “tempo” rítmico semelhante. Tendemos a reagir desfavoravelmente a pessoas que ou tenham uma pulsação muito rápida ou são muito lentas. 21

Estes fenômenos rítmicos ou cíclicos podem ser observados em todos os níveis da organização biológica. Dentro de um organismo, os processos parecem que não são apenas acidentais e auto-controlados, mas também auto-ampliados e essenciais à vida, como as atividades cerebrais, as batidas do coração, e o ciclo respiratório. Todos estes ritmos importantes para a vida são sincronizados com outras atividades celulares e cooperam harmonicamente com todas as outras funções corporais. 22

Problemas ocorrem quando interferimos com os ciclos e ritmos do corpo. Este é um fato muito conhecido pela medicina. Quando o corpo é exposto a estímulos desarmônicos variados e contínuos, vários dos mecanismos de stress de nosso corpo são postos em estado de alerta. Se estes mecanismos de defesa são excessivamente tensionados, a harmonia natural dos ritmos biológicos é perturbada. Isto causa desarmonia e pode conduzir a um colapso. A menos que o equilíbrio seja restabelecido, a situação de tensão pode resultar em uma desordem patológica fundamental.

Pesquisadores têm observado uma conexão entre o distúrbio dos ritmos do corpo e doenças como diabete, câncer e patologias respiratórias. Uma vez que a maioria dos mecanismos reguladores são neutros na origem, não é surpreendente que muitas alterações patológicas também possam acontecer em estruturas neutras. No caso das células cerebrais, esta “desordenação” pode se manifestar não apenas no estado físico dos neurônios, mas também na harmonia de seu funcionamento. Por conseguinte, o comportamento do organismo pode vir a ser seriamente afetado. 23

Encontramos exemplos deste tipo se privamos as pessoas do sono ou deixamos gotas de água baterem constantemente em sua testa, um método usado na tortura de prisioneiros. O pesquisador David A. Noebel diz que o ritmo da música rock cria uma secreção anormalmente alta de hormônios sexuais e adrenalina podendo causar alterações nos níveis de açúcar no sangue e a quantidade de cálcio no corpo. 24

Uma vez que o cérebro recebe sua nutrição do açúcar no sangue, sua função diminui quando este açúcar é dirigido a outras partes do corpo para estabilizar o equilíbrio hormonal. No ponto em que uma quantidade insuficiente de açúcar do sangue alcança o cérebro, o julgamento moral é muito reduzido ou completamente destruído. Isto é o que acontece quando o ritmo da música rock muda o nível de açúcar sangüíneo no corpo.

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Parte 2
Os Efeitos da Música Rock

Para melhor entendermos os efeitos da música rock no corpo humano, é importante saber, em primeiro lugar, como o ritmo musical age. O elemento rítmico da música consiste em medidas de tempo divididas em ciclos de compassos. As unidades de tempo mais comuns são grupos de compassos contendo duas batidas (compasso binário), três batidas (compasso ternário), ou quatro batidas (compasso quaternário). No compasso quaternário (como o compasso 4/4), os acentos naturais principais caem nas batidas um (o acento ou tensão principal) e três (o acento ou tensão secundário). O acento primário no primeiro tempo é, naturalmente, o mais forte dos dois. Isto poderia ser ilustrado como segue: UM, dois, TRÊS, quatro.

Na música rock e formas semelhantes, o padrão da acentuação é invertido, de forma que as batidas dois e quatro são acentuadas, em vez das batidas um e três, como representado no compasso que se segue: um, DOIS, três, QUATRO. Invertendo a ordem, o rock torna o ritmo a parte mais importante do som e cria um conflito com os ciclos rítmicos naturais do corpo. Este efeito, conhecido como “contra-golpe” ou “batida quebrada”, causa tensão nervosa (um “clímax”), porque vai contra o ritmo das batidas cardíacas e outros ritmos do corpo.

O Poder Viciante do Rock. O “clímax” causado pelo ritmo irregular do rock aumenta a freqüência cardíaca, debilita a força da pessoa, e tem poder viciante. O psiquiatra Verle Bell oferece uma explicação gráfica de como a batida do rock causa o vício: “Uma das mais poderosas liberações de adrenalina para lutar ou fugir acontece na música alta que é discordante em suas batidas ou acordes. A boa música segue regras matemáticas exatas que fazem a mente se sentir confortável, encorajada, e ‘segura.’ Os músicos descobriram que quando vão contra estas regras, o ouvinte experimenta um clímax viciante.” 25

Bell continua notando que “assim como médicos inescrupulosos de ‘dietas’ viciam seus pacientes com anfetaminas para assegurar sua continuada dependência, os músicos sabem que música discordante vende e vende bem. Como em todo processo de dependência, as vítimas acabam se tornando tolerantes. A mesma música que no passado criava uma sensação agradável de excitação, agora não satisfaz mais. A música precisa se tornar mais estridente, alta e mais discordante. A pessoa começa com soft rock, depois passa para o rock and roll e depois vai para a música hevy metal.” 26

John Diamond, um médico de Nova Iorque, realizou numerosas experiências sobre os efeitos da música rock. Em 1977, trabalhou como presidente eleito da Academia Internacional de Medicina Preventiva. Ele descobriu que

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a música rock é a forma mais séria de poluição sonora nos Estados Unidos. Particularmente prejudicial é a música rock que emprega uma batida “anapéstica” (N.T. – pé de verso grego ou latino formado de três sílabas, as duas primeiras breves e a última longa.) onde a última batida é a mais intensa, como “da da DA.” De acordo com Diamond, este tipo de música pode “suscitar stress e ira, reduzir a produtividade, aumentar a hiperatividade, debilitar a força muscular e poderia desempenhar um papel na delinqüência juvenil.” 27

O Ritmo do Corpo Sob Stress. Estas desordens de comportamento ocorrem, de acordo com Diamond, porque a música rock causa um desarranjo no sincronismo dos dois lados do cérebro, de forma que a simetria entre os dois hemisférios cerebrais seja perdida. Ele conduziu uma experiência numa fábrica em Nova Iorque onde a música rock era tocada o dia todo. Quando a música foi substituída por outra que não fosse rock, Diamond descobriu que a produtividade da fábrica aumentou em 15%, enquanto que o número de erros diminuiu na mesma proporção. 28

Diamond publicou seus resultados no livro Your Body Doesn’t Lie (Seu Corpo não Mente). Ele explica que a batida anapéstica, característica especial da música rock, é perturbadora porque é o oposto das batidas do coração, assim como coloca o ritmo do corpo normal sob stress. Isto resulta em dificuldades de percepção e manifestações de stress. Em pessoas jovens estas manifestações podem incluir um menor desempenho escolar, hiperatividade e ansiedade, diminuição da produtividade no trabalho, mais erros e ineficiência geral. Nos adultos, os sintomas incluem uma reduzida capacidade de tomada de decisões no trabalho, uma sensação irritante que as coisas não vão bem, e a perda de energia sem razão aparente. 29

Em seu próprio laboratório, Diamond testou os efeitos da música rock, medindo a força do músculo deltóide no braço. Ele descobriu que um homem normal poderia suportar a aproximadamente 20,5 kg de pressão no braço, mas isto era reduzido a um terço quando a batida anapéstica era tocada ao fundo. 30 O propósito da pesquisa de Diamond não era buscar uma proibição para a música rock, mas advertir as pessoas contra seus perigos. Ele resume: “A música rock não vai matar ninguem, mas eu realmente duvido se Mick Jagger vai viver tanto tempo quanto Pablo Casals ou Segovia.” 31

Pesquisadores russos chegaram a conclusões semelhantes. Eles descobriram que a música rock tem “um efeito psíquico tremendamente prejudicial.” 32 Discursando em um encontro da juventude russa, a equipe médica que realizou as experiências anunciou que a música rock era “como uma série de sinais de alarme, causando a erupção de ondas concentradas de energia que deviam ser liberadas em algum lugar.” 33 A energia é canalizada para disputas e brigas que, como foi notado pelos médicos russos, são características comuns nos concertos de rock ocidentais. 34

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Even Ruud explica como a música rock alta e rítmica cria uma necessidade por reações musculares e movimentos corporais: “Se o estímulo de som originado pelo tronco cerebral e sistema límbico for incapaz de se expressar em termos de movimento físico, isto pode resultar em sintomas indesejáveis de stress, ou seja, um incremento dos estados de alerta e preparação para alarme no sistema, e que não encontram nenhum alívio. Vendo que esta condição é dependente da intensidade do estímulo, podemos entender por que as pessoas expostas ao barulho são propensas a experimentar situações de stress. A música alta e sincopada criará, semelhantemente, uma enorme atividade límbica, além de reações vegetativas e hormonais, ou reações de stress. Estas forças poderiam ser neutralizadas por meio da dança.” 35

A Freqüência de Pulso. Um efeito mensurável importante na batida do rock é sua influência no ritmo cardíaco, independente se o corpo está em movimento ou não. Ann Ekeberg, professora de escola secundária e pesquisadora de música, envolveu alguns de seus colegas – professores de música – em experimentos com seus estudantes. Antes do teste, a freqüência de pulso de cada estudante foi registrada. Um disco de hard rock foi tocado por 5 minutos. Durante o teste, os estudantes permaneceram quietos em seus assentos. Ao fim do teste, foram conferidas as freqüências de pulso novamente e uma média foi registrada. O resultado mostrou um aumento na freqüência de pulso de 7 a 12 batidas por minuto enquanto a música rock era tocada.

As seis colunas abaixo representam as classes da escola que participaram na experiência de Ekeberg. A coluna escura representa a freqüência de pulso antes da música rock ter sido tocada e a coluna clara, a freqüência de pulso depois que os estudantes estiveram escutando por 5 minutos música hard rock.

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Para validar o resultado dos testes de Ekeberg, realizei meus próprios testes com meus alunos na escola secundária adventista em Bergen, na Noruega. Nós registramos um aumento médio na freqüência da pulsação de 10 batidas por minuto quando os estudantes escutaram “Hell’s Bells” do grupo AC/DC. Quando tocamos uma “Ária” de Bach, as freqüências da pulsação abaixaram em até 5 batidas por minuto em relação à sua pulsação normal. A diferença de 15 pulsações cardíacas por minuto é bastante notável. É justo dizer que escolhi dois tipos muito diferentes de música.

É digno de nota que os estudantes que eram os fãs do AC/DC tiveram respostas mais fortes que aqueles que não gostavam da música. O teste prova que os vários tipos de música nos afetam fisicamente de diferentes maneiras. O excesso de energia gerado pela batida do rock leva o coração a bater mais rápido, mesmo quando o indivíduo está sentado quieto na cadeira. Isto pode explicar por que os fãs de rock acham difícil permanecerem sentados, enquanto escutam música que acelera a pulsação. Sua energia acumulada almeja algum tipo de alívio.

O professor de música norueguês Even Ruud realizou testes semelhantes sobre os efeitos da música rock no Instituto de Música Karajan em Salzburg. Ele descobriu: “Ritmos sincopados são especialmente capazes de causar batidas sistólicas extras, batidas que chegam muito cedo. Também é possível aumentar a freqüência de pulso através de mudanças dinâmicas, como o crescendo e decrescendo de uma batida de tambor…. Reações fisiológicas são dependentes do tipo de música que está sendo tocada. Formas como a música de dança ou marchas tendem a ativar respostas motoras, enquanto que outras formas parecem causar mudanças na respiração e nas freqüências da pulsação. 36

Produção Aumentada de Adrenalina. Roger Liebi, um músico suíço e especialista em idiomas bíblicos, defende que um aumento na freqüência das pulsações também aumenta a pressão sanguínea. Como conseqüência, isto leva a um aumento na produção de adrenalina. Este processo é um mecanismo de defesa contra o stress, o qual ajuda a manter o corpo em estado de alerta aumentando o fluxo de sangue nos músculos e facilitando a entrada de oxigênio. 37

Se o stress na pulsação continua, como num concerto de rock prolongado com música intensa e monótona, é produzida uma quantidade excessiva de adrenalina, a qual as enzimas do corpo não são capazes de metabolizar. O resultado é que uma parte da adrenalina se transforma em outra substância química chamada adrenocromo (C9H903N). Esta é de fato uma droga psicodélica semelhante ao LSD, mescalina, STP, e psilocibina. Adrenocromo é um composto um pouco mais fraco que as outras, mas os testes mostraram que

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ele cria uma dependência semelhante às outras drogas. “Não é de causar surpresa, então, quando o público nos concertos de rock ou nas discotecas atinjam ficam ‘altos’, entram em transe e perdem o autocontrole.” 38

A secreção aumentada de hormônios causada pela música rock é confirmada por outros estudos. David Noebel, um pesquisador médico, explica: “Sob a música rock, a secreção de hormônios é mais pronunciada, o que causa um desequilíbrio anormal no sistema corporal, diminuindo os níveis de açúcar e cálcio no sangue e comprometendo o julgamento.” 39 Ele cita a pesquisa médica indicando que “As vibrações de baixa freqüência do contrabaixo, junto com a batida impulsionadora da bateria, afetam o fluido cérebro-espinhal, o qual afeta a glândula pituitária, a qual, por sua vez, controla as secreções hormonais do corpo.” 40

A reação humana à música rock é tão dominante que os neurologistas foram incapazes de suprimir a resposta física de seus ritmos. Foram feitas experiências para entorpecer cada metade do cérebro ou várias áreas do cérebro simultaneamente, mas o paciente ainda responde à batida do ritmo.” 41

Os Efeitos das Luzes Piscando. Os estímulos rítmicos da música rock podem ser intensificados com luzes piscantes. Por exemplo, o laser e as luzes estroboscópicas usadas nas discotecas e em concertos de rock intensificam e amplificam a manipulação rítmica. Jean-Paul Regimbal, um pesquisador canadense, explica como o fenômeno age: “Luzes que constantemente mudam de cor e intensidade perturbam a capacidade de orientação e os reflexos naturais. Quando a alteração entre luz e escuridão, acontece entre seis a oito vezes por segundo, o senso de profundidade é seriamente prejudicado. Se isto ocorre 26 vezes por segundo, as ondas alfa do cérebro se alteram e a capacidade de concentração é enfraquecida. Caso a freqüência de alteração entre luz e escuridão ultrapasse esse valor e perdure por um tempo considerável, o controle da pessoa sobre os sentidos pode cessar completamente. Por essa razão, não é exagero alegar que o rock, combinado com efeitos luminosos, resulta em completa ‘violação da consciência do indivíduo.'” 42

Bäumer, um pesquisador alemão, comenta dos efeitos de tal manipulação nas funções corporais (especialmente em níveis extremos): “A pessoa entra num estado extático, com espasmos semelhantes aos dos ataques epilépticos, nos quais grita, morde, ruge e ri, urina e rasga suas vestes, num intenso sentimento de alegria e felicidade.” 43 Por esta

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razão, as pessoas propensas à ataques epilépticos são advertidas a ficarem longe das discotecas onde as luzes estroboscópicas estão sendo usadas, visto que estas luzes piscando tendem a causar ataques epilépticos.

Uma combinação de luzes e sons intensifica os efeitos do ritmo, porque o corpo não pode decidir se os ritmos que estão sendo recebidos são compatíveis com o seu próprio. O segredo por detrás da manipulação rítmica é encontrado nas ondas de som e luz que afetam o sistema nervoso agindo como choques seqüenciais nos músculos, fazendo com que os braços e as pernas se movam. Isto explica por que as pessoas num concerto de rock acham difícil resistir o desejo de se moverem. Para permanecer imóvel seria necessário um considerável esforço restritivo.

Os fenômenos citados acima são facilmente observados na cultura popular do rock e nas festas rave, onde luz e som são usados em rápida alternação, com padrões monótonos e repetitivos, em ordem para produzir o máximo efeito na platéia.

Peter Bastian, conhecido músico dinamarquês e professor na Royal Music Academy de Copenhague, descreve como elementos relativamente simples e periféricos podem manipular os indivíduos, de forma que seu comportamento seja alterado de forma inconsciente. “Certa vez observei uma cena assustadora envolvendo um rapaz e uma máquina caça-níqueis. A música tocada pela máquina continha uma mensagem subliminar na forma de batidas cardíacas, cuja freqüência aumentava gradualmente. O rapaz ficou cada vez mais excitado, até finalmente lançar-se sobre a máquina. Ele não podia ‘ouvir’ as batidas cardíacas, mas a ‘mensagem’ teve seu efeito.” 44

Ann Ekeberg se refere a um exemplo semelhante. Durante um concerto de rock na Suécia, o pânico dominou a platéia e três pessoas foram pisoteadas até a morte, enquanto que muitos outros ficaram feridos. Enquanto a polícia e os paramédicos tentaram reabilitar os sofredores, a multidão de jovens lançava todos os tipos de xingamentos e insultos sobre eles. Em uma entrevista, Jan Agrell, professor sueco e um especialista em psicose de massas, fez um comentário sobre este comportamento: “Uma multidão possuída de psicose de massas comporta-se como o estouro de uma manada de búfalos, e você não será capaz de alcançá-los… A música pop tem um poder mágico que leva as pessoas a agir coletivamente.” 45

Um Barulho Ensurdecedor. O volume é um elemento muito importante na música rock. São necessárias pilhas de equipamento para produzir a quantidade exigida de amplificação para causar o impacto físico desejado. Volume pelo

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volume em si é uma marca registrada que define o hard rock. Lemmy Kilminster, da banda popular de rock “Motorhead”, disse à revista Hit Parader que seu grupo queria ver “sangue saindo dos ouvidos de todo o mundo, se possível. Nada perigoso, só bastante para sabermos que eles estão se divertindo.” 46 Se a música rock precisa ser tocada tão alta a ponto de causar sangramento nos ouvidos das pessoas para assegurar que “eles estão se divertindo”, então dificilmente se poderia dizer que não há “nada perigoso” nisto. Pelo contrário, numerosos estudos científicos têm demonstrado que o nível elevado de barulho da música rock pode prejudicar o corpo de várias maneiras.

Em experimentos controlados, Andrew Neher descobriu que o toque rítmico do tambor tem efeitos neurofisiológicos, resultando em impulsos de respostas auditivas (mudanças no potencial elétrico do cérebro), os quais podem ser medido pelo eletroencefalógrafo. 47 Neher acrescenta que as respostas subjetivas incluem “temor, espanto, diversão, tensão muscular, enrijecimento do peito, som de fundo, zumbidos, agitação, imagens visuais e auditivas.” 48 Tais respostas dificilmente são compatíveis com o espírito do Cristianismo.

Por muitos anos, a profissão médica tem advertido que a música rock alta pode causar problemas, especialmente a perda da audição. Em 1967, Charles Lebo, um pesquisador médico, apresentou um documento sobre o assunto à Associação Médica da Califórnia. Os destaques de seu discurso foram relatados na revista High Fidelity: ‘O próprio som dessa amplificada forma de arte pode representar um grande trauma ao ouvido interno, assim como a qualidade geral da música freqüentemente faz ao homem interior.” 49

Lebo realizou medições sonoras da música rock em dois estabelecimentos em São Francisco, onde registrou níveis de ruído entre 100 a 119 decibéis no palco do rock. Ele descobriu que os níveis de ruído “eram capazes de produzir dano temporário ou permanente ao ouvido interno dos músicos e da platéia.” 50 Ele concluiu: “Uma vez que o dano ao ouvido interno do tipo produzido pela exposição ao ruído é cumulativo e permanente, conveniência de níveis mais baixos de amplificação para este tipo de música ao vivo é aparente.” 51

Até mesmo Ralph Nader, um famoso ativista americano das causas de defesa do consumidor, envolveu-se com este assunto e propôs que o Congresso deveria classificar a música rock acima de certos decibéis prescritos como uma “inconveniência pública.” 52 Ele concluiu: “O trauma acústico da música rock ‘n’ roll está emergindo como ameaça real à qualidade da audição de jovens que

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se expõem por períodos prolongados a esta música através dos grupos de rock ao vivo com alta amplificação.” 53

Audição prejudicada. Ralph Rupp, audiologista na Speech Clinic da Universidade de Michigan, concorda com Nader de que o governo local deveria estabelecer um nível de 100 decibéis para o rock tocado em clubes. 54 Ele advertiu contra fones de ouvido: “Sem o controle da monitoração paterna, eles podem pulsar ao ritual do rock com tal abandono que o dano permanente ao ouvido interno é quase certo.” 55

Muitos jovens passam seus dias completamente envolvidos em um manto de som pelo uso de equipamentos como walkmans, “sound blasters” portáteis, e outras formas de sistemas estéreos em casa, bem como nas discotecas e outros locais de entretenimento. Os efeitos a longo prazo da escuta constante de música rock alta não pode ser determinado.

Em 1992, a Companhia de Radiodifusão Norueguesa, NRK, realizou alguns testes enfocando o problema de sons intensos e audição prejudicada. Os três testes mostraram que 40%, 50% ou 70% dos músicos experimentaram perda da audição devido ao volume extremo nos ensaios e nas apresentações. Muitos acham difícil ouvir a conversação em geral, e outros são perturbados com um tom penetrante constante, gerado no ouvido (tinitus).

Alguns concertos de rock podem alcançar níveis de volume entre 110-135 decibéis, enquanto o limiar para o dano auditivo está em 85 decibéis. Este não é um problema limitado apenas aos artistas; afeta também aos ouvintes. O walkman é considerado como um dos maiores culpados.

Testes auditivos nas pessoas que se alistam para os serviços militares na Noruega revelaram um grau acentuado de perda de audição entre os jovens. Esta deterioração provou tornar-se crescentemente notável com a idade. Os pesquisadores são da opinião que este problema é uma catástrofe social de dimensões alarmantes. Todos os tipos de música alta, até mesmo passagens poderosas de uma orquestra sinfônica, poderiam expor ao problema, mas a música eletricamente ampliada é definitivamente o problema maior.

Fabricantes de sistemas de som sabem muito bem que os efeitos da amplificação do som tem usado as pessoas. Geoffrey Marks, diretor de Cerwin Vega, uma fábrica na produção de alto-falantes em Los Angeles, reconhece que os testes mostram que alguns têm sido excitados sexualmente quando dançam a uma música num volume de 100-120 decibéis. 56 Quando perguntados se a música das discotecas poderia ter um efeito semelhante, ele disse, “Absolutamente! Se o sistema de som reproduz o som de maneira apropriada,

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podemos manipulá-lo de forma que pessoas fiquem excitadas sexualmente. Mas o volume tem que estar correto. Também é importante que os graves tenham o efeito correto. Os graves são o que de fato governa e comanda nossos sentimentos. Ele penetra em nosso corpo e afeta nossos nervos. Nós testamos este volume particular em pessoas e vimos como eles respondem com rápida estimulação sexual. Parecem achar difícil de resistir a isto. As freqüências mais graves têm uma influência poderosa no corpo e nas emoções.” 57

A indústria da música está claramente manipulando os efeitos das fortes vibrações dos graves, presentes de forma especial na música rock. Estas vibrações atingem abaixo da cintura, levando o ouvinte a perder os benefícios de seus mecanismos de controle. Por esta razão, os fabricantes se esforçam continuamente para melhorar os efeitos dos quilowatts, de forma que os efeitos físicos possam alcançar alturas cada vez maiores.

As provas dos efeitos negativos da música rock vêm de diferentes fontes e países. Concluindo, cito um relatório enviado de Moscou por Martin Walker, correspondente do jornal inglês Times on Sunday. Walker relata que um projeto de pesquisa russo da Sovyetskaya Rossiya fez “uma descoberta impressionante” relativa à música rock. “Quanto mais selvagem a música, mais baixa é a capacidade de trabalho dos jovens.” 58

O professor G. Aminev, chefe do departamento de psicologia na Universidade de Bashkiria, descobriu que “ouvintes de heavy metal são afetados pelos mecanismos psico-fisiológicos da dependência. Se forem isolados de tal música por uma semana o nível geral de sua saúde declina, eles ficam mais irritáveis, suas mãos começam a tremer e o seu pulso fica irregular. Alguns deles se recusaram continuar com nossas experiências depois do terceiro dia. Isto significa que estamos testemunhando um certo tipo de doença. Parece que a música rock não tem uma influência somente psicológica mas também bioquímica, pois parece ligada à aparência das substâncias do tipo da morfina, que induzem ao ‘prazer.'” 59

O professor Aminev continua explicando que estudos com crianças das escolas russas expostas ao heavy-metal nas discotecas mostrou “um agravamento da memória, perda da atenção, uma queda na velocidade de leitura, e um aumento na agressividade e teimosia.” 60

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Conclusão

Investigações científicas têm demonstrado que a música afeta a freqüência cardíaca, respiração, pressão sanguínea, digestão, equilíbrio hormonal, rede neural do cérebro, ritmos do corpo humano, humores e atitudes. A enorme influência da música sobre os aspectos físicos, mentais, e emocionais de nosso corpo deveria ser de grande preocupação para os cristãos que aceitam o apelo para se consagrarem todo o ser como “um sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus” (Rom 12:1).

A batida irregular, incansável, e intensa da música rock coloca o corpo humano sob stress aumentando a freqüência da pulsação, a pressão sanguínea, e a produção de adrenalina, e prejudicando a qualidade da audição das pessoas. Mais importante, descobrimos que a música rock não atinge apenas o ouvido, ela esmaga o cérebro como um trem de carga.

A repetição constante, a batida incessante, e a avalanche de decibéis fazem com que a música rock seja capaz de explodir as emoções e a mente. Prejudicando o funcionando da mente, música rock faz com que seja impossível refletir sobre a verdade, honestidade, integridade, e, acima de tudo, oferecer uma “adoração racional [logike em grego]” (Rom 12:1).

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Notas

1. Josef Skvoreck, Comments on “Bass-saksofonen” (Cappelen, 1980), pp.11-12.

2. Kjell Bekkelund, “Pop og antipop,” Berlingske Tidende (6 de junho de 1964).

3. Edward Podoisky, Music for Your Health (New York, 1945), pp. 26-27.

4. Ira A. Altshuler, “A Psychiatrist’s Experiences with Music as a Therapeutic Agent,” Music and Medicine (New York, 1948), pp. 270-271.

5. Erwin H. Schneider, ed., Music Therapy (Lawrence, 1959), p. 3.

6. G. and H. Harrer, “Musik, Emotion und Vegetativum,” Wiener Medizinische Wochenschrift, no. 45/46 (1968).

7. Veja Willem Van de Wall, Music in Hospitals (New York, 1946), pp. 15-20; G. e H. Harrer (nota 6). pp. 45-46; Edward Podoisky (nota 3), p. 131; Arthur Guyton, Functions of the Human Body (Philadelphia, 1969), pp. 332-340.

8. Even Ruud, Musikksom kommunikasjon og samhandling (Oslo, 1990), p. 263.

9. Mary Griffiths, Introduction to Human Physiology (New York, 1974), pp.474-475.

10. Even Ruud (note 8), p. 44.

11. See Ira A. Altshuler (note 4), p. 270; Doris Soibelman, Thera­peutic and Industrial Use of Music (New York, 1948), p. 4.

12. Even Ruud, Musikken—vart nye rusmiddel? (Oslo, 1983), p. 17.

13. Carol and Louis Torres, Notes on Music (New York, 1990), p. 19.

14. Michael Segell, “Thythmatism,” American Health (dezembro de 1988), p. 60.

15. Doris Soibelman (nota 11), p. 47.

16. Leonid Malnikov, USSR: Music and Medicine, Music Journal, 82 (novembro de 1970), p.15.

17. Even Ruud (nota 8), p. 45.

18. Ibid., p. 43.

19. Willem Van de Wall (nota 7), p.15.

20. Carole Douglis: “The Beat Goes On,” Psychology Today (novembro de 1987), p .42.

21. Ibid., pp. 37-42.

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22. Veja Gervasia M. Schreckenberg and Harvey H. Bird, “Neural Plasticity of MUS musculus in Response to Disharmonic Sound,” Bulletin, New Jersey Academy of Science 32, no 2 (outono de 1987), p. 8.

23. Ibid., p. 82.

24. Cited by Ann Ekeberg, För Sverige—pa tiden (Stockholm,

199 I), p. 53.

25. Verle L. Bell, “How the Rock Beat Creates an Addiction,” in How to Conquer the Addiction to RockMusic (Oakbrook, IL, 1993), p.82.

26. Ibid.

27. “Medico Finds Root of Many Evils in a Pesty Rock Beat,” Variety 288 (28 de setembro de 1977), p. 77.

28. Ibid.

29. John Diamond, Your Body Doesn’t Lie (New York, 1979), p. 49.

30. Roman Kozak, “Can Certain Music Harm One’s Health?” Billboard 92 (23 de fevereiro de 1980), p. 53.

31. Ibid.

32.”Soviet Doctors Blast Rock’s ‘Harmful Effect,”‘ Variety 314 (28 de março de 1984), p. 32.

33. Ibid.

34. Ibid.

35. Even Ruud (nota 12), p. 254.

36. Ibid., p. 260.

37. Roger Liebi, Rock Music! The Expression of Youth in a Dying Era (Zurich, 1989), p. 4.

38. Ibid.

39. David Noebel é citado em Contemporary Christian Music (agosto/setembro de 1981), p. 26.

40. Ibid.

41. Michael Segell (nota 14), p. 60.

42. Jean-Paul Regimbal and others, Le Rock’n Roll viol de la conscience par des messages subliminaux (Gen6ve, 1983), pp. 17-18.

43. U. Bäumer, Wir wollen nur deine Seele, Rockszene und Okkultismus: Daten—Fakten—Hintergründe, vol. 2 (Bielefeld, Ger­many, 1986), p. 102.

44. Peter Bastian, Inn i Musikken (Stockholm, 1987), p. 46.

45. Ann Ekeberg (nota 24), p. 58.

46. Hit Parader (fevereiro 1982), p. 12.

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47. Andrew Neher, “Auditory Driving Observed with Scalp Elec­trodes in Normal Subjects,” EEG and Clinical Neurophysiology 13 (1961), pp. 449-451.

48. Ibid., p.451.

49. “Acoustic Trauma from Rock and Roll,” High Fidelity 17 (novembro 1967), p. 38.

50. Ibid.

51. Ibid.

52. “Nader Sees Deaf Generation from Excessive Rock ‘n’ Roll,” New York Times (2 de junho de 1969), p. 53.

53. Ibid.

54. Cited by Jeff Ward, “Cum On Kill the Noize!” Melody Maker 48 (8 de dezembro de 1973), p. 3.

55. Ibid.

56. Interview in Vecko Revyn, no. 41(1979), p.12.

57. Ibid.

58. Times on Sunday (7 de junho de 1987), p. 17.

59. Ibid.

60. Ibid.

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Capítulo 9

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