O Cristão e a Música Rock – Capítulo 5

por: Samuele Bacchiocchi

O Ritmo Rock e uma Resposta Cristã

A música rock é o fenômeno cultural mais popular da segunda metade do século vinte, influenciando toda a nossa cultura. É a maior propagadora da revolução moral, social e estética que estamos experimentando hoje. O som e a filosofia da música rock penetra virtualmente todas as áreas de nossas atividades diárias. A sua batida insistente, pulsante, pode ser ouvida nas casas, nos escritórios e até nas igrejas. A música rock tem penetrado em todos os aspectos da vida.

A música rock tornou-se uma forma eficiente de comunicar um novo conjunto de valores e de produzir uma nova experiência religiosa para uma geração emergente. Antes da música rock, a família, como um todo, desfrutava da música como uma forma completa de entretenimento. A velha música européia influenciou a música da primeira metade do século vinte e era considerada como “boa para as crianças”.

Uma mudança radical começou nos anos 50 com a introdução da música rock, a qual tem criado um abismo entre a geração mais antiga e a mais jovem. Nada excita as paixões dos jovens hoje como a música rock. Como Allan Bloom, da Universidade de Chicago aponta, “Hoje, uma porção muito grande dos jovens entre as idades de dez e vinte anos, vivem para a música rock…. Quando estão na escola e com suas famílias, anseiam por se ligarem novamente em sua música. Nada do que os cerca – escola, família, igreja – tem qualquer coisa a ver com o seu mundo musical.” 1

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O que é que torna a música rock tão atrativa, um vício irresistível para muitas pessoas, a despeito da sua natureza anti-cristã e contra-cultural? Por que é que mesmo igrejas cristãs estão adotando cada vez mais formas cristianizadas de música rock para seus cultos de adoração e esforços evangelísticos? Existe algo de único na estrutura da música rock e/ou nas suas letras que torne esta música substancialmente diferente de qualquer outra forma de música? Quentin Schultze nota que “Musicólogos têm ponderado os enigmas da atração do rock e geralmente saem perplexos, pois a música rock dificilmente se encaixa na definição formalística da alta cultura para uma realização musical.” 2

Objetivos Deste Capítulo. Seria presunçoso afirmar que este capítulo resolve o enigma da atração do rock pela identificação de todos os fatores que contribuem para sua popularidade sem precedentes. Qualquer tentativa de ser abrangente na análise de um fenômeno social de tal complexidade corre o risco de ser superficial.

Este capítulo busca compreender as causas da popularidade tão duradoura e irresistível da música rock, através da continuação da investigação conduzida nos últimos três capítulos sobre a natureza da música rock. A suposição básica deste estudo é que as pessoas, tanto seculares quanto cristãs, são atraídas à música rock por causa do que ela oferece em termos de excitação, cosmovisão, sistema de valores e experiência religiosa.

Até aqui a nossa investigação se concentrou na cosmovisão da música rock, seu desenvolvimento ideológico e sua experiência religiosa. No capítulo 2 descobrimos que a música rock reflete uma concepção panteísta de Deus como uma força imanente, impessoal e sobrenatural, que o indivíduo pode experimentar através do ritmo hipnótico da música rock e drogas. A concepção panteísta de Deus tem facilitado a aceitação da música rock tanto entre os cristãos quanto entre pessoas de mente secularizada, porque ambos os grupos buscam preencher seu anseio interior por uma experiência prazerosa do sobrenatural através dos efeitos hipnóticos da música rock.

No capítulo 3 traçamos a evolução da música rock, enfocando os valores que emergiram durante o curso de sua história. Descobrimos que a música rock passou por um processo de endurecimento facilmente identificável, do rock and roll para o hard rock, acid rock, heavy metal, rap rock, trash rock, etc. Novos tipos de música rock estão aparecendo constantemente, porque os fãs do rock exigem constantemente algo mais forte para ir de encontro aos seus anseios.

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No capítulo 4 descobrimos que a cosmovisão panteísta promovida pela música rock tem levado, consequentemente, à rejeição da fé cristã e à aceitação de um novo tipo de experiência religiosa. Esta envolve o uso de música rock, sexo, drogas e dança, para transcender a limitação de tempo e espaço e criar uma conexão com o sobrenatural.

Este capítulo continua e completa a investigação a respeito da natureza da música rock olhando mais de perto as características que a definem, notadamente o seu ritmo. Faremos referências a estudos científicos que indicam que a batida do rock afeta o corpo de uma forma que é diferente de qualquer outro tipo de música. Ela altera a mente e causa várias reações físicas, inclusive excitação sexual.

Este olhar de perto na natureza da música rock fornece uma base para discutirmos a pergunta dominante deste estudo – A música rock pode ser legitimamente transformada em um meio adequado para a adoração a Deus e a proclamação da mensagem do Evangelho? Este capítulo é projetado de forma a ajudar na formulação de uma resposta final a esta questão, oferecendo uma compreensão da estrutura da música rock e seus efeitos.

Este capítulo é dividido em duas partes. A primeira parte examina a estrutura da música rock em si, especialmente seu ritmo e batida característicos. Será dada consideração especial aos efeitos da música rock sobre a mente, músculos e excitação sexual. A segunda parte discute como a igreja deveria responder à música rock escolhendo, em vez dela, uma música que respeite o equilíbrio apropriado entre a melodia, harmonia e ritmo. Tal equilíbrio reflete e promove a ordem e o equilíbrio em nossa vida espiritual, entre os componentes físicos, mentais e espirituais de nosso ser. O capítulo encerra oferecendo algumas sugestões práticas sobre como revitalizar o cântico dos hinos tradicionais e como apresentar novos hinos à congregação.

Parte 1
A Estrutura da Música Rock

A característica que define a boa música é um equilíbrio entre seus três elementos básicos: melodia, harmonia e ritmo. Outros elementos tais como forma, dinâmica, texto e as práticas de apresentação poderiam ser listadas, mas para o propósito de nosso estudo, limitaremos nossa discussão aos três elementos mencionados acima. A música rock inverte esta ordem, fazendo do ritmo o elemento dominante, depois a harmonia e por último a melodia.

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Antes de analisarmos o papel que o ritmo representa na música rock e seus efeitos no corpo humano, pode ser útil para aqueles menos versados em música, que expliquemos como a melodia, a harmonia e o ritmo podem ser integrados na boa música.

A Melodia. A melodia é a parte mais destacada da música. É a “linha da narrativa” de uma peça musical e consiste do arranjo horizontal das notas, que é reconhecido primeiro quando cantamos uma canção como “Tudo Entregarei”. Aqueles que cantam o que é chamado de harmonia, tal como as partes de contralto, tenor e baixo, estão cantando uma melodia que se “harmoniza” com as outras três partes.

Aaron Copland, que é reconhecido como o decano dos compositores americanos, faz esta observação a respeito de uma boa melodia: “O por que uma boa melodia deveria ter o poder de nos mover tem desafiado até agora todas as análises… Embora possamos não ser capazes de definir antecipadamente o que é uma boa melodia, certamente podemos fazer algumas generalizações acerca de melodias que já sabemos serem boas.” 3

De acordo com Copland, uma boa melodia tem as seguintes características gerais:

“Ela deve ter altos e baixos (i.e., os tons devem subir e descer). Uma melodia que permanece estática (no mesmo tom) pode, através da repetição, produzir um efeito hipnótico….”

“Ela deve ter proporções satisfatórias (i.e, um começo, meio e fim) e dar uma sensação de integridade. Uma melodia conta a história da peça.”

“Ela deve, em algum ponto (normalmente perto do final) chegar a um clímax e então a uma resolução. Toda boa arte terá um clímax.”

“Ela será escrita de tal forma que leve a uma resposta por parte do ouvinte.” 4 A música rock, conforme veremos, não possui várias destas características essenciais à boa música.

A Harmonia. A harmonia é produzida pelos acordes que combinam com a estrutura da tonalidade na qual a música é escrita. É o som que ouvimos quando as várias partes coincidem. “Assim como uma melodia fornece o ‘perfil’ de uma peça de música, a harmonia é a sua ‘personalidade’.” 5

“Acordes podem fornecer tanto repouso (consonância) quanto tensão (dissonância) na música. A boa música terá um equilíbrio de repouso e tensão. Acordes harmônicos também podem dar cor ao nosso estado de espírito como ouvintes. Por exemplo: E

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se todas as canções fossem escritas com a harmonização em tonalidade menor? Isto afetaria definitivamente nosso estado de espírito. Este aspecto da música pode ser de difícil compreensão para quem não é músico. Você o reconhece quando ouve, mas pode não estar seguro na forma de como defini-lo.” 6

O Ritmo. O ritmo é o que faz a música se mover. Sem o ritmo, a música se torna um som contínuo, cansativo e desinteressante. “O ritmo é o movimento ordenado da música atreves do tempo. Assim como as batidas do coração são a vida do corpo, o ritmo é a vida da música e fornece a sua energia essencial. Sem ritmo, a música está morta. Melodia e harmonia devem progredir juntas, e o ritmo torna possível esta progressão simultânea.” 7

Tudo na natureza, inclusive o corpo humano, tem ritmo. Existe ritmo nas batidas do coração, na respiração e na fala. Cientistas descobriram que mesmo o cérebro funciona com ritmo. 8 As ondas cerebrais tem freqüências que são influenciadas pelos estados físicos e mentais.

O mesmo é verdade para a música, na qual o ritmo está organizado em batidas recorrentes regulares, o que constitui o que é conhecido como “métrica”. Usualmente o agrupamento de batidas vem em padrões de duas, três ou quatro. “A repetição destes padrões na música é dividida por compassos. Em qualquer boa peça de música, a batida mais forte em um padrão (compasso) é a primeira batida do padrão. Se um padrão tem quatro batidas, a batida mais forte é a primeira e a segunda batida mais forte é a terceira, como mostrado no compasso que se segue:

/UM, dois, TRÊS, quatro/ 9

O Ritmo da Música Rock. A música rock inverte a ordem comum das batidas, colocando a ênfase no que é conhecido como contra-golpe. No contra-golpe, a ênfase principal recai sobre a batida quatro e a batida secundária é a batida dois, conforme mostrado no compasso que se segue:

/um, DOIS, três, QUATRO/

O problema fundamental com a música rock é a sua batida incansável, que domina a música e produz um efeito hipnótico. Bob Larson, cuja carreira como um músico popular de rock lhe deu uma experiência de primeira mão do cenário do rock, aponta que “o assunto principal para consideração de um ponto de vista moral e espiritual é até que ponto uma batida pulsante ou sincopada se sobrepõe aos outros elementos musicais em uma canção, de forma que o nível de comunicação é primariamente excitante, física e sexualmente.” 10

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Na boa música, conforme Tim Fisher explica, “a ordem correta é uma boa melodia, apoiada por uma harmonia equilibrada, sobre um ritmo firme e consistente. A música de concerto (i.e., uma sinfonia ou outra peça de música instrumental) às vezes varia esta ordem por causa de um desejo de demonstrar os talentos do compositor ou a destreza do executante. Porém, nosso assunto aqui é música cristã e sua relação com a comunicação da palavra falada. Se você deseja comunicar um texto com música, a ordem é clara: melodia, harmonia, e então o ritmo.” 11 Deve ser esclarecido que “um ritmo firme e consistente” não significa um ritmo hiper-acentuado como encontrado na música rock.

A música rock inverte a ordem da boa música, tornando o ritmo a parte mais importante do som. Larson explica: “Diferentemente de outras formas musicais que podem revelar criatividade melódica, o foco do rock normalmente está na batida. É uma festa para o baterista…. O jazz tem um balanço rítmico. Ele flui com um sentimento excitante, embora liberador. Mas o rock é construído sobre um ritmo forte, um pulso direto de sobe-e-desce que produz energia frustrada. Alguns sons do rock enfatizam batidas alternadas, enquanto outros tipos de rock enfatizam o martelar de cada batida. Embora ele possa agregar enchimentos (breves explosões rítmicas), o trabalho do baterista é manter a força do rock movendo-se com a batida pulsante e sincopada.” 12

Batida Impulsionadora. A forte ênfase na batida é o que distingue o rock de todos os outros tipos de música. Quentin Schultze nota: O coração do rock and roll é o ritmo e a batida – estas forças gêmeas dão ao rock a sua energia e impulsionam a sua harmonia e melodia simples. O apelo não está na harmonia, porque a maioria da música rock and roll consiste em não mais do que quatro ou cinco acordes muito simples em uma tonalidade claramente definida. A atração não está tampouco na melodia, já que o vocalista do rock and roll não canta tanto quanto grita e uiva.” 13

A primeira e mais importante característica que define e distingue a música rock é a sua batida implacável, forte e que impulsiona. Em seu livro The Art of Rock and Roll, Charles Brown discute os vários tipos de música rock que tem aparecido desde os dias de Elvis Presley. Ele descobre que o denominador comum a todos os tipos de música rock é a batida: “Talvez a qualidade mais importante que define o rock and roll é a batida, … Rock and roll é diferente de outras músicas primariamente por causa da batida.” 14

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É de importância vital compreendermos que a música rock é diferente de todas as outras músicas por causa da sua forte ênfase na batida implacável. O fato é reconhecido por músicos de rock. Em seu livro A Conceptual Approach to Rock Music, Gene Grier diz que “o ritmo é o elemento mais importante e básico da música rock por causa da forma como nos relacionamos com ele.” 15 Ele instrui os leitores sobre como escrever boas canções de rock seguindo os quatro passos seguintes:

“1. Decida uma fórmula de compasso
2. Decida uma progressão de acordes
3. Escreva a melodia
4. Escreva a letra” 16

Esta afirmação é abundantemente clara. O rock inverte a ordem correta dos elementos da música normal, fazendo com que o ritmo e a harmonia sejam mais importantes do que a melodia e a letra.

Bob Larson, que antes da sua conversão era um músico de rock de sucesso em shows de televisão e que tocou para platéias repletas no Convention Hall, na cidade de Atlanta, explica que a “batida pulsante e o ritmo rápido identificam, sem qualquer dúvida, a música rock…. Uma vez que o rock é um som híbrido de toda uma tradição musical (jazz, negro spiritual, música country, blues), fica difícil designar qualquer som como típico. Ele se tornou um cadinho musical para muitos estilos, todos centralizados em uma batida incessante.” 17

O papel essencial da batida incessante na música rock explica por que o seu impacto acontece musicalmente e não liricamente. Como o sociólogo Simon Frith aponta em seu livro Sound Effects, Youth, Leisure, and the Politics of Rock ‘n’ Roll, “Uma aproximação baseada em palavras não é útil para compreender o significado do rock…. As palavras, se é que são notadas, são absorvidas depois que a música deixou a sua impressão.” 18

Em um estudo importante sobre a Neurofisiologia do Rock, os pesquisadores Daniel e Bernadette Skubik enfatizam com impressionante clareza (para cientistas!) o impacto musical da batida do rock. “A conclusão destes estudos é dupla. Primeiro, a letra é de pouca importância aqui. Sejam as palavras maldosas, inócuas ou baseadas nas Santas Escrituras, o efeito neurofisiológico total gerado pela música rock permanece o mesmo. Simplesmente não existe uma coisa tal como rock cristão, que seja substancialmente diferente em seu impacto. Segundo, as implicações a curto prazo envolvem uma diminuição na receptividade da comunicação discursiva, enquanto que as implicações a longo prazo levantam sérias questões sobre a reabilitação das habilidades cognitivas do

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hemisfério esquerdo. Em um jargão menos técnico, e em um contexto específico, deveríamos esperar que as habilidades para receber e divulgar o evangelho, de orar de forma discursiva, e de estudar as Escrituras sejam comprometidas [pela música rock].” 19

Este fato científico de que “não existe uma coisa tal como rock cristão, que seja substancialmente diferente em seu impacto” é obviamente ignorado por aqueles que argumentam que a música rock pode ser legitimamente adotada para a adoração cristã pela alteração das letras. O fato é que a alteração das letras não afeta o impacto físico-mental do rock sobre o funcionamento da mente, dos músculos e da produção de hormônios, porque a batida ainda está presente.

Uma batida impulsionadora, mais suave, também está presente no soft rock, onde a batida é bastante sutil e menos “hostil” aos nervos. Mas, seja suave ou pesado, no final um ritmo muito acentuado tem o mesmo efeito.

Os Efeitos da Batida do Rock. Uma infinidade de pesquisas científicas existem sobre os efeitos negativos psicológicos, fisiológicos e sociais da batida do rock sobre homens e animais. Especialistas examinaram a música rock, não como uma experiência espiritual ou religiosa, mas como um fenômeno social, psicológico e fisiológico. Como o capítulo 8 trata especificamente dos efeitos da música rock, serão citados apenas uns poucos estudos neste contexto.

Uma razão importante pela qual a música rock afeta o corpo de uma forma deferente de qualquer outro tipo de música é o caráter único da batida do rock, normalmente referida como “contra-golpe”. O contra-golpe da música rock consiste, como notado anteriormente, de uma seqüência fraco-forte. Este contra-golpe estanca no final de cada compasso, como se a música parasse a então começasse novamente. Isto faz com que o ouvinte, inconscientemente, faça uma parada no final de cada compasso. Isto é o oposto da chamada batida dáctila ou como de valsa, que refletem as batidas do coração e outros ritmos do corpo. (N.T. – A palavra “dáctila refere-se às células da métrica, conhecidas por “pés”. Existem quatro “pés”, de acordo com a acentuação das batidas na célula: a) troqueu, uma forte e uma fraca: [!-] b) iambo, uma fraca e uma forte: [-!] c) dáctilo, uma forte e duas fracas: [!–] e d) anapesto, duas fracas e uma forte: [–!])

O psiquiatra Verle Bell oferece uma explicação gráfica de como a batida rock causa dependência: “Uma das mais poderosas emissões excessivas de adrenalina em ocasiões de lutar-ou-fugir acontece com música que seja discordante em suas batidas ou acordes. A boa música segue regras matemáticas exatas, as quais levam a mente a sentir-se confortada, encorajada, e ‘segura’. Músicos descobriram que, quando vão contra essas regras, o ouvinte experimenta um excesso viciante.

Como doutores inescrupulosos de ‘dietas’ que viciam seus clientes com anfetaminas para assegurar sua contínua dependência, músicos sabem que música discordante vende e vende bem. Como em todo processo de dependência, as vítimas acabam se tornando tolerantes. A mesma música que no passado criava uma sensação agradável de excitação,

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agora não satisfaz mais. A música precisa se tornar mais estridente, alta e mais discordante. A pessoa começa com soft rock, depois passa para o rock and roll e depois vai para a música hevy metal.” 20

Os neurocientistas Daniel e Bernadette Skubik fornecem uma explicação resumida de como a batida do rock afeta os músculos, a mente e os níveis hormonais. “Ritmo para o qual tambores fornecem ou geram a batida básica, produzem respostas corporais mensuráveis no sistema muscular, nos padrões de ondas cerebrais e nos níveis hormonais. De forma sucinta, 1) a coordenação e controle muscular se tornam sincronizados com a batida básica; 2) a própria atividade das ondas cerebrais se alinha com o ritmo gerado desta forma; e 3) vários hormônios (especificamente opiatos e hormônios sexuais) são liberados como resultado da sincronização eletro-fisiológica com o ritmo. Estes resultados tem sido documentados regularmente por vários pesquisadores, e, embora pessoas possam variar individualmente nas suas respostas em uma margem estreita de estímulos controlados, todos os indivíduos estudados reagiram como indicado quando o ritmo excede 3-4 batidas por segundo – de forma geral, um ritmo que excede a taxa média das batidas cardíacas.” 21

O Efeito da Batida do Rock sobre os Músculos. John Diamond é um médico respeitado que tem realizado extensas pesquisas sobre o impacto da música sobre o corpo humano. Seu livro Your Body Doesn’t Lie contém uma grande riqueza de informações sobre este assunto. Depois de um estudo de mais de 20.000 relatos, ele constatou que a batida do rock afeta negativamente o corpo de muitas formas. Por exemplo, ele descobriu que a parada do contra-golpe enfraquece o corpo porque vai contra o ritmo natural da fisiologia humana, afetando desta forma o coração e a pressão sanguínea. A batida do rock ativa uma resposta automática do tipo lutar-ou-fugir, que causa a secreção do hormônio epinefrina. 22 O corpo reage à batida com fraqueza muscular, ansiedade, e comportamento agressivo.

Diamond relata a forma inesperada pela qual ele veio a pesquisar os efeitos da batida do rock. “Vários anos atrás minha pesquisa sobre os efeitos da música deu uma virada inesperada. Fazendo compras no departamento de discos de uma grande loja de Nova Iorque, eu fiquei fraco e inquieto e, de uma forma geral, doente. O lugar estava vibrando com música rock. Mais tarde eu fiz o óbvio – testei o efeito desta música…. Usando centenas de indivíduos, descobri que ouvir à música rock freqüentemente faz com que todos os músculos do corpo enfraqueçam. A pressão exigida para vencer a força de um músculo deltóide forte de um adulto do sexo masculino é de cerca de 18 a 20 quilos. Quando a música rock é tocada, são necessários apenas 4,5 a 7 quilos.” 23

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Em seu livro Tuning the Human Instrument, Steven Halpern relata vários estudos sobre como o ritmo rock afeta a mente e o corpo. Um deles é similar ao estudo do Dr. Diamond. Ele escreveu: “O Dr. Sheldon Deal, um quiroprático (N.T. – A quiroprática é um sistema de terapia no qual a doença é considerada o resultado de uma função anormal do sistema nervoso. O método de tratamento normalmente envolve a manipulação da coluna espinhal e de outras estruturas corporais.) e escritor e que não é, de forma alguma, um velho retrógrado que tenta desmoralizar todo o Rock and Roll em si, demonstrou o efeito da batida padrão do Rock and Roll sobre a força muscular do corpo. Usando testes básicos da cinesiologia [ou seja, movimento dependente de estímulo], ele demonstrou que o arranjo rítmico que ouvimos o tempo todo na música pop tem um efeito enfraquecedor definitivo na força do indivíduo…. O efeito permanecia verdadeiro, quer o indivíduo gostasse da música ou não. Em outras palavras, como a pessoa ‘se sentia’ a respeito da música, com relação ao gosto, era irrelevante em termos de como o corpo ‘sentia’…. um denominador comum através da maioria das reações subjetivas é a excitação sexual.” 24

Outros estudos científicos produziram resultados semelhantes. “Pesquisadores na Universidade Estadual da Louisiana descobriram que ouvir a música rock pesada aumentou os batimentos cardíacos e diminuiu o número de exercícios executados por um grupo de vinte e quatro adultos jovens. Em contraste, música agradável de ouvir ou mais suave diminuiu os batimentos cardíacos e permitiu sessões de exercícios mais longas.” 25 Estudos similares são relatados no capítulo 8. Um deles foi realizado pelo autor do capítulo, Tore Sognefest, um professor de música norueguês e autor do livro The Power of Music.

Em outro estudo sobre os efeitos da música rock, “Pesquisadores da Universidade Temple descobriram que os estudantes da universidade expostos a gravações dos Beatles, Jimi Hendrix, Rolling Stones, Led Zeppelin, e outras bandas semelhantes, respiravam mais rápido, demonstravam uma baixa resistência epidérmica a estímulos, e tinham uma taxa de batimentos cardíacos mais rápida quando comparados àqueles expostos ao ruído de fundo aleatório.” 26

O Ritmo Rock e a Resposta Sexual. Um dos efeitos mais bem conhecidos do ritmo rock é a excitação sexual. Músicos de rock estão bem conscientes deste fato e o exploram com vantagem própria. Foi perguntado a Gene Simmons, do grupo de rock KISS no [programa de televisão] Entertainment Tonight se os pais deveriam ficar preocupados a respeito dos adolescentes ouvirem à sua música. Com uma honestidade franca Simmons respondeu: “Eles deveriam estar preocupados, porque estamos interessados nas garotas – e isto é tudo o que o rock é – sexo, com uma bomba de 100 megatons, o ritmo.” 27

Aqui, sem comentários, estão outros poucos testemunhos de astros do rock. Mick Jagger disse: “Você pode sentir a adrenalina fluindo através do corpo.

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É uma coisa sexual. Eu incito o meu público. O que eu faço é muito semelhante à dança de uma garota fazendo strip-tease.” 28 Jim Morrison afirmou: “Eu me sinto espiritual ali. Pense em nós como políticos eróticos.” 29 Richard Oldhan, gerente dos Rolling Stones disse: “Música rock é sexo e você tem que bater na cara deles [os adolescentes] com ela.” 30 John Taylor, baixista do grupo Duran Duran afirmou: “Quando a música opera, a platéia e o artista freqüentemente sentem como se estivessem tendo um orgasmo juntos.” 31 Estes comentários de astros do rock deixam muito claro que o rock é projetado para estimular as pessoas sexualmente.

Como a batida do rock estimula a excitação sexual? Daniel e Bernadette Skubik explicam o processo: “Quando a batida gera altos níveis de excitação sensorial (ou seja, quando, devido à batida do ritmo e à intensidade da música, o impacto auditivo se aproxima da recepção máxima), o cérebro é colocado em estado de stress. Este estado de stress é mensurável por uma atividade ‘avassaladora’ das ondas cerebrais. Esta atividade avassaladora ocorre em todas as pessoas quando são altamente estimuladas; uma avaliação subjetiva do estímulo – tal como se a pessoa gosta ou não gosta da música – não é um fator relevante. Para forçar um rebaixamento nestes níveis de atividade e para conseguir a homeostase (N.T. – Homeostase é a capacidade do corpo para manter um equilíbrio estável a despeito das alterações exteriores; estabilidade fisiológica.) o cérebro libera os opióides naturais do corpo. Estes opióides são opiatos quimicamente similares a drogas como a morfina. Eles são usados para controlar a sensibilidade do corpo à dor….

Evidências consideráveis confirmam que a música rock gera ou amplia a excitação sexual utilizando este mesmo processo. Ou seja, a uma alta estimulação sensorial o corpo responde com a liberação de gonadotrofinas, bem como opióides. O resultado é que é criada uma forte conexão entre o impulso de um estado estressante de lutar-ou-fugir e o impulso sexual do jovem em desenvolvimento, o que, invariavelmente, liga a excitação à agressão…. Como a música rock se deslocou para muito longe de suas raízes e meio histórico (por ex. música folclórica), ele tanto causa quanto expressa uma crescente associação de agressividade aberta ligada à sexualidade.” 32

Uma explicação semelhante, porém mais simples, é dada por Anne Rosenfeld em seu artigo “Music, The Beautiful Disturber,” publicado na revista Psychology Today. Ela explica que a música desperta “uma gama de sentimentos agitados – tensos, agitados, por vezes sexuais – através de ritmos pronunciados e insistentes, … usados com destreza para aumentar a tensão sexual… a batida do tambor pode produzir estes poderosos efeitos ao manipular os ritmos elétricos do cérebro.” 33

A secreção de hormônios, causada pelo estímulo anormal da batida do rock, resulta em uma hiper-estimulação das glândulas sexuais sem o relaxamento normal. Bob Larson aponta que isto é “o prelúdio ao relaxamento que

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ocorrerá no carro estacionado depois da dança, e é uma causa direta da obscenidade corporal que ocorre na pista de dança. Eu falo não apenas a partir de aconselhamento médico, mas a partir de observação pessoal quando afirmo que garotas que eroticamente entregam seus corpos aos giros frenéticos que acompanham os ritmos do rock podem estar passando por uma condição sexualmente culminante…. Devemos compreender que a emoção subconsciente, por causa da sua natureza, é influenciada por muitos fatores, um dos quais são as vibrações (por ex. os sons graves do baixo encontrados na música rock)…. As emoções relacionadas ao sexo geradas pelas vibrações no subconsciente buscam expressão no pensamento e atividade consciente. Tenho observado casais que realmente passam por um ato sexual imaginário enquanto estão dançando. Este orgasmo simulado, anormal, induzido pela música é destrutivo tanto psicologicamente quanto fisiologicamente. O resultado direto é a neurose. E também é pecado!” 34

Música de Igreja Orientada ao Prazer. A capacidade da batida do rock de causar uma resposta sexual é um fator da maior importância a ser considerado por aqueles que querem transformar a música rock em um meio adequado para a adoração e o evangelismo cristão. Mudar a letra não elimina o efeito da batida do rock porque seu impacto é físico, ultrapassando as funções superiores do cérebro. No final, a questão é: A música da igreja deveria estimular as pessoas fisicamente ou eleva-las espiritualmente?

A resposta a esta questão é em grande parte dependente do entendimento que a pessoa tem da natureza de Deus e da adoração que devemos render-Lhe. Aqueles que vêem a Deus como um amigo especial, um tipo de amante, com quem eles podem se divertir, não vêem problemas em adora-Lo por meio de uma música fisicamente estimulante. Por outro lado, aqueles que percebem a Deus como um Ser majestoso, santo e todo-poderoso, do qual devemos nos aproximar com temor e reverência, só usarão a música que os eleva espiritualmente.

Vivemos em uma sociedade orientada ao prazer e muitos têm chegado a esperar por uma experiência agradável, auto-satisfatória na música na igreja. Calvin Johansson, uma autoridade em música eclesiástica, que contribuiu com os capítulos 10 e 11 para este estudo, observa corretamente que “quando o critério principal para a escolha da música a ser usada na adoração é o prazer, então a música criada especificamente para este propósito se torna a escolha lógica. Em nossa cultura isto significa a música popular, com sua melodia, ritmo e harmonia e que tem apenas um objetivo, a satisfação própria fácil. Seja rock ‘n’ roll, rock, country, música cristã contemporânea, heavy metal, new wave, gospel, country rock, swing, ou rap, música popular é a música preferida da maioria das pessoas.” 35

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Conforme a nossa cultura tem se tornado cada vez mais preocupada com a satisfação dos desejos pessoais agradáveis, a igreja está buscando suprir a contrapartida religiosa, fornecendo formas cristianizadas de música rock. Johansson adverte corretamente que “o resultado de usar rock religioso na adoração é perigoso: O culto na igreja se torna um mundo-fantasia de faz-de-conta usado para satisfazer os traços menos nobres da natureza adâmica.” 36

A música rock religiosa, seja qual for o nome, é hedonista, e música hedonista dificilmente pode contribuir para a construção de uma espiritualidade forte. “Não importa quanto alguém possa tentar, ou no que alguém acredita, imaturidade musical não produz maturidade cristã holística.” 37

Os Efeitos da Música Rock Sobre a Mente. A música rock afeta não apenas o físico, mas também os processos mentais do corpo. Antes de mencionar alguns estudos significativos sobre os efeitos mentais da batida do rock, deixem-me compartilhar uma experiência pessoal. Fui convidado a pregar em uma igreja onde uma banda de rock dirigia o cântico do querido hino “Preciosa Graça” com uma batida de rock pesada. Não muito tempo depois toda a congregação estava em um estado de espírito variável, de dança. A batida do rock levara as pessoas a se esquecerem que o estado de espírito e a mensagem originais da música não nos convidam a dançar por divertimento, mas a contemplar a graça maravilhosa de Deus: “Perdido eu estive e salvo estou; agora um filho Seu”.

A razão pela qual as pessoas de esqueceram do estado de espírito e da mensagem da música é simplesmente porque a batida do rock teve um impacto sobre seus corpos, ultrapassando seus processos mentais. Como cristãos precisamos estar atentos ao fato de que a música é percebida através da porção do cérebro que recebe os estímulos para as sensações e sentimentos, sem antes ser filtrada pelos centros cerebrais que envolvem a razão e a inteligência.

Esta descoberta, que foi feita há mais de cinqüenta anos atrás e que tem sido confirmada desde então por numerosos cientistas, 38 tem contribuído para o desenvolvimento da musicoterapia. “Música, que não depende das funções superiores do cérebro para franquear entrada ao organismo, ainda pode excitar por meio do tálamo – o posto de intercomunicação de todas as emoções, sensações e sentimentos. Uma vez que um estímulo tenha sido capaz de alcançar o tálamo, o cérebro superior é automaticamente invadido.” 39

Dois cientistas alemães, G. Harrer e H. Harrer, realizaram experimentos para determinar o efeito da música no corpo. Eles descobriram que mesmo quando a atenção do ouvinte era desviada propositalmente da música, uma resposta forte, emocional, era registrada nos instrumentos que

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mediam as alterações nas taxas de pulsação e respiração, bem como no reflexo psicogalvânico (elétrico) da pele. 40

Bob Larson, que estudou medicina antes de se tornar um músico popular de rock, explica este ponto com considerável clareza: “A palavra falada tem que passar pelo cérebro superior para ser interpretada, traduzida e filtrada em seu conteúdo moral. Não é assim com a música – especialmente com a música rock. Tal fúria pulsante pode ultrapassar este filtro protetor e fazer com que a pessoa não faça juízo de valores, seja o que quer que esteja ouvindo.” 41

Joseph Crow, um pesquisador da Universidade de Seattle, realizou um estudo interessante da cultura do rock e sua música. Ele descobriu que “Rock é a utilização da música baseada em fórmulas matemáticas para condicionar a mente através de freqüências (vibrações) calculadas e elas são usadas para alterar a química corporal e tornar a mente suscetível a modificação e doutrinamento. A música rock pode ser (e é) empregada para manipulação mental, reeducação e reorganização.” 42

Vários estudos científicos estabeleceram os efeitos negativos da música rock sobre a mente. Em seu estudo sobre “Cinesiologia [ou seja, movimento dependente de estímulo] Comportamental”, Diamond descobriu que a batida fraca do rock causa pensamentos “alterados” no cérebro. “Usando os princípios e técnicas da Cinesiologia Comportamental, também demonstrei que quando a batida enfraquecedora é tocada, o fenômeno chamado alteração ocorre – ou seja, a simetria entre os dois hemisférios cerebrais é perdida, introduzindo sutis dificuldades perceptivas e várias outras manifestações precoces de stress. Todo o corpo é lançado em um estado de alarme.” 43

Diamond continua explicando de forma mais completa os efeitos da música rock sobre a mente. “As alterações perceptivas que ocorrem podem muito bem se manifestar em crianças como uma diminuição do aproveitamento escolar, hiperatividade e agitação; em adultos como perda de produtividade aumento de erros, ineficiência generalizada, redução na capacidade de tomar de decisões no trabalho e uma sensação irritante que as coisas não vão bem – resumindo, a perda de energia sem razão aparente. Isto tem sido observado clinicamente centenas de vezes. Em minha prática tenho descoberto que os resultados acadêmicos de muitas crianças em idade escolar melhoram consideravelmente depois que elas param de escutar música rock enquanto estão estudando.” 44

Conclusões semelhantes foram alcançadas por outros estudos científicos sobre os efeitos da música rock sobre a mente. O psicólogo Jeffery Arnett descobriu que jovens que ouviam rock heavy-metal “relataram uma alta taxa de uma ampla gama de comportamentos irresponsáveis, incluindo comportamento ao volante, comportamento

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sexual e uso de drogas. Eles também estavam menos satisfeitos com seus relacionamentos familiares. Garotas que gostavam de música heavy-metal eram mais descontroladas nas áreas de furtos em lojas, comportamento sexual, uso de drogas e relataram uma auto-estima mais baixa.” 45

Em seu livro Rock Music, Willian Shafer, um estudioso que não se opõe à música rock, reconhece que “o rock é uma ferramenta para alteração da consciência…. Associado ao rock, por exemplo, existe um culto à irracionalidade, uma reverência pelo instintivo, o visceral – a uma desconfiança com relação à razão e a lógica; esta forma de anti-intelectualismo pode ser altamente perigosa, pode levar a modos totalitários de pensamento e ação. Ligado a este anti-intelectualismo está um interesse pelo oculto “magia, superstição, pensamento religioso exótico, qualquer coisa contrária à corrente principal do pensamento Ocidental.” 46

Música Rock e a Conversão de Patty Hearst. Um dos mais assustadores exemplos do terrível poder da música rock para alterar a mente é a conversão de Patty Hearst. Em fevereiro de 1974 Patty Hearst foi seqüestrada pelo Exército de Libertação Simbionesa. Pouco depois de seu seqüestro, Patty foi flagrada por câmeras de vídeo ajudando o ELS a roubar bancos. Você pode se perguntar como eles a converteram? Willian Sargant, um dos mais importantes especialistas em lavagem cerebral da Inglaterra examinou Patty Hearst.

As alarmantes conclusões de Sargant foram relatadas pela revista Newsweek: “Ela foi uma vítima involuntária de uma ‘conversão forçada’ ou lavagem cerebral. De acordo com Sargant, uma pessoa cujo sistema nervoso esteja sob constante pressão pode ‘inibir’ e ‘exibir atividade cerebral paradoxal – o mal fica bom e vice-versa.’ E isto, Sargant argumenta, é precisamente o que aconteceu com Patty Hearst. Seu sistema nervoso foi mantido sob stress máximo, pelo tocar contínuo de música rock em alto volume.” 47

A capacidade da música rock de alterar o processo do pensamento de uma pessoa como Patty Hearst, tornando-a “uma vítima involuntária de uma conversão forçada,” exemplifica o perigo de uma pessoa se expor a tal música. Em seu livro “Tuning the Human Instrument”, Steven Halpern nos adverte sobre este perigo com estas impressionantes palavras: “Os astros do rock estão fazendo malabarismos com material radioativo, que pode explodir a qualquer momento.” 48

Os músicos de rock há muito tempo reconhecem o poder de suas músicas para alterar a mente. Timothy Leary, o psicólogo de Harvard que terminou cumprindo uma pena numa prisão da Califórnia por posse de maconha, sustenta este ponto em sua canção “Turn on, Tune in, Drop out”, que se tornou um hino para milhões. Em seu livro, Politics of Ecstasy, Leary afirma: Não ouçam

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as palavras, é a música que tem a sua mensagem própria…. Eu fiquei vidrado na música muitas vezes…. A música é o que te faz seguir em frente.” 49

De uma forma semelhante, Mick Jagger disse: “Estamos querendo as mentes, assim como a maioria dos grupos novos.” 50 Em Melody Maker ele disse: “Comunicação é a resposta para todos os problemas mundiais e a música é a chave para isso tudo, porque a música abre a porta para a mente de qualquer pessoa.” 51 Graham Nash semelhantemente afirmou: “A música pop é a mídia das massas para condicionar a forma que as pessoas pensam.” 52

Música Rock é Sentida, Não Ouvida. A música rock tem um poder único para alterar a mente porque, como Bob Larson explica com clareza invejável, ao contrário de outras formas de música, “ela é escrita para ser sentida e não para ser ouvida. Ela é executada para embotar a atenção do ouvinte. Não é a criatividade melódica ou o arranjo cromático dos acordes que interessa ao adolescente médio. Os músicos de rock tentam produzir um ‘som’ com a batida embotadora, constante, pesada, palpitante, quase ensurdecedora. E é esta batida que está cativando tantos jovens, fazendo deles uma presa fácil para as letras. Outros tipos de música também poderiam ser acusados de alguma culpa ou erro, mas atualmente a música rock é a que mais dano causa ao jovem contingente de Americanos que estão se preparando para assumir a liderança do país nos anos vindouros.” 53

A subordinação da linha melódica na música rock a um ritmo pulsante, implacável tem um efeito hipnótico que leva as pessoas a perder o contato com a realidade. Bob Larson afirma: “O pulso constante pode levar a mente a um estado de sonhar acordado, no qual a pessoa perde o contato com a realidade. Isto, por sua vez, leva o dançarino ou ouvinte a perder o contato com os sistemas de valores relacionados com a realidade. Qualquer som rítmico, monótono, demorado induz a vários estados de transe. É bastante óbvio a qualquer observador qualificado e objetivo que as adolescentes dançando rock freqüentemente entram em transes hipnóticos. Perda de auto-controle é perigoso e pecaminoso. Em um estado de hipnose a mente do ouvinte pode responder a quase qualquer sugestão fornecida. Tal comportamento compulsivo é indicado pela crescente onda de promiscuidade e pela rebelião cada vez maior da juventude moderna.” 54

Janis Joplin, uma cantora popular de rock que se suicidou, descreveu o poder tremendo da música rock que ela experimentou em seguida à sua primeira apresentação em Avalon, um salão de bailes de São Francisco. “Eu não podia acreditar, todo aquele ritmo e poder. Fiquei vidrada, apenas sentindo aquilo, como se fosse

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a melhor picada do mundo. Era tão sensual, tão vibrante, alto, maluco. Não pude ficar parada; eu nunca tinha dançado quando cantava, mas ali eu estava me mexendo e pulando. Eu não podia me ouvir, então cantei cada vez mais alto. No final eu estava maluca.” 55

Não há forma alguma de isolar as respostas corporais do poder pulsante e martelado da música rock, porque seu impacto é diretamente sobre o corpo, passando por cima da mente. Marye Mannes é citada pelo jornal Washington Post dizendo que a música rock é “o novo analfabetismo, e os jovens adoram isto. Eles adoram porque podem sentir em vez de pensar. É mais fácil. É mais fácil para os que cuidam deles. Porque, para estourar os sentidos – explodir a mente – não é necessário treinamento. Não é preciso nenhum conhecimento. Nem precisa de talento. Tudo o que é necessário é um ego sem limites, um temperamento maníaco e o equipamento de amplificação mais potente que puder conseguir. Aí então, você pode fazer por si mesmo.” Ela conclui: “Se a essência da expressão criativa é trazer significado e beleza à vida, então o som e a fúria do novo analfabetismo está voltado para a destruição de ambos.” 56

O dano físico aos tímpanos causado pelo volume excessivo do rock é discutido longamente no capítulo 8 escrito por Tore Sognefest. Estudos sobre a perda de audição indicam que ouvir rock, seja através de walkman ou em discotecas ou concertos, se tornou uma ameaça amplamente difundida. O problema assumiu proporções tão alarmantes que ativistas da proteção ao consumidor e fonoaudiólogos tem proposto que os governos locais criem uma lei limitando a 100 decibéis o volume do rock tocado nos clubes. 57

Parte 2
Uma Resposta Cristã à Música Rock

A capacidade que a música rock tem para alterar a mente e causar diversas reações físicas, inclusive excitação sexual, deveria ser uma grande preocupação para os cristãos. Afinal, o cristianismo implica em uma experiência holística com Deus, através da consagração de nossa mente, corpo e alma a Ele. (I Coríntios 6:19; I Tessalonicenses 5:23; Romanos 12:2). É através da mente que oferecemos a Deus “um culto racional” (Romanos 12:1; do grego logike) e fazemos decisões morais e responsáveis. A Escritura nos ordena a nos abstermos de qualquer coisa que possa embotar a nossa mente (I Pedro 1:13; 4:7; Efésios 5:18), porque através da diária “renovação da vossa mente” podemos nos “revestir do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade.” (Efésios 4:24; cf. Colossenses 3:10; Romanos 12:2)

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A Música Rock Não é Questionada. Qual tem sido a resposta da igreja ao desafio criado pelos problemas físicos e psicológicos causados pela música rock? Insignificante. Por que? Calvin Johansson explica a razão com uma visão extraordinária. “A razão por que a música [rock] tem sido deixada, normalmente, sem questionamentos é a noção subjetiva de que as notas, a harmonia e o ritmo de tais canções não contém uma cosmovisão, valores morais ou perspectivas de vida. O sentimento é que a música não reflete uma posição moral, filosófica ou teológica. Assim, a igreja tem dividido de forma ingênua e simplista, o meio (a música) e a mensagem (o texto). Alguns cristãos tem abraçado a música rock (ou uma versão derivada dela) enquanto rejeitam o texto!” 58

Tal divisão é factível? A resposta é NÃO, por três razões principais. Primeiro, como já vimos, a música rock causa seu impacto musicalmente e não liricamente. Isto significa que, seja qual for a versão de rock que se está ouvindo, ela altera a mente e estimula o corpo através de sua batida hipnótica. O veneno mata, não importando a forma como é administrado. Da mesma forma, a batida do rock causa impacto na mente e no corpo, seja a letra sacra ou secular.

Segundo, como Johansson coloca, “Rock cristão, seja qual for a categoria, ainda é rock, uma vez que a sua mensagem permanece a mesma, tendo agora sido transferida dos bares, salões de dança e clubes para a igreja. Não apenas damos aos roqueiros niilistas um fórum para apregoarem suas mercadorias, mas nós mesmos fazemos isto para eles.” 59 Se uma banda de rock cristão parece e soa como seu correspondente secular, sua música dificilmente pode ser uma alternativa, porque o som é o mesmo. Em realidade, a banda cristã está promovendo o rock secular, expondo as pessoas a uma versão modificada dele.

Terceiro, a música e a letra do rock são o produto da mesma cosmovisão, sistema de valores e experiência religiosa panteísta. A cultura do rock, comunicada através da música, é apoiada pelo texto e vice-versa. “Não há regras, Não existem leis”, declara Jim Morrinson. 60 “Eu sou o anti-Cristo, Eu sou um anarquista”, afirma Johnny Rotten. 61 O famoso historiador da arte H. R. Rookmaaker nota que a música rock emergiu “com um ritmo martelado e vozes gritando, cada linha e cada batida repleta de insultos irados a todos os valores Ocidentais.” 62 Isto significa que a adoção de música rock em qualquer formato representa uma aprovação dos valores sociais e religiosos associados com tal música.

Uma Aliança Profana. Existe hoje uma aliança profana entre as bandas de rock cristãs e seculares. Não apenas os músicos cristãos estão passando para o mercado secular, mas revistas que se denominam cristãs estão

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listando e promovendo os nomes de grupos cristãos que parecem e soam como seus congêneres seculares.

A revista Group, que se auto intitula A Revista do Ministério Jovem, freqüentemente publica uma seção conhecida como “MCC: Uma Alternativa Sonora”. A lista dá os nomes de grupos de rock populares, seculares, juntamente com os nomes de bandas cristãs que soam de forma semelhante. A legenda diz: “Se você gosta de ouvir a – então provavelmente você vai gostar de -.”

Em uma edição, a revista Group colocou no topo da lista um grupo de rock secular classificado como Música Punk/Trash. O próprio nome indica o tipo de música tocada pelo grupo. Várias bandas cristãs eram listadas como “Som MCC similar” a este grupo aberrante. Note o que a revista Newsweek tem a dizer a respeito da banda de som similar às “cristãs”: “Eles tocam o tipo de música que os pais adoram odiar. Ela é alta, repulsiva, sem qualquer mérito social positivo. Não há melodias, nem harmonias nem canto – apenas uma maré implacável de letras obscenas, marteladas, socadas em direção ao objetivo por uma torrente contínua de guitarras estridentes e batidas sintetizadas.” 63

Uma banda que soa e se comporta como este correspondente secular, pode ser legitimamente considerada uma “alternativa cristã”? A alternativa cristã é confrontar o mundo com a pureza e o poder do Evangelho, não se conformar com seus valores e práticas.

Quando os babilônicos que os haviam capturado pediram aos israelitas que os divertissem, dizendo: “Cantai-nos um dos cânticos de Sião” (Salmos 137:3), o povo respondeu: “Como entoaremos o cântico do Senhor em terra estrangeira?” (Salmos 137:4) Notem que os israelitas não disseram: “Vamos cantar para eles uma de nossos cânticos sacros, com o estilo de música babilônica, para que possamos converte-los ao Senhor!” não, a resposta deles foi que não podiam cantar ao Senhor para entreter os infiéis. “Os israelitas sabiam que era errado tomar aquilo que pertencia ao Senhor e profana-lo, divertindo aos descrentes. Hoje, não apenas os cânticos do Senhor são usados para divertir aos pagãos, mas a música dos pagãos está sendo empregada como sendo música do Senhor [para entreter os cristãos].” 64

Conhecendo o Nosso Inimigo. Para enfrentar com sucesso o desafio das influencias seculares como a música rock, é imperativo para a igreja que ela saiba contra o que está lutando. Nos esportes, jogar com sabedoria implica em conhecer os pontos fortes e fracos dos competidores.

Os profetas do Antigo Testamento conheciam a sua oposição. Eles compreendiam como as influencias culturais das nações pagãs que os cercavam haviam levado

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o povo de Deus à apostasia e clamavam com ousadia ao povo que se arrependesse, porque Deus não toleraria a sua desobediência. Semelhantemente, abundam no Novo Testamento as advertências para não nos “conformarmos com este mundo” (Romanos 12:2; Efésios 6:12; II Pedro 1 e 2). João nos aconselha: “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo” (I João 2:15).

Para resistir com sucesso às pressões culturais de nosso tempo e manter a nossa identidade cristã, nós, como o povo santo de Deus dos tempos bíblicos, precisamos compreender os valores e práticas pervertidos da nossa cultura. No contexto deste estudo, precisamos compreender a verdadeira natureza da música rock – uma música que, como já vimos, personifica um espírito de rebelião contra Deus e os princípios morais que Ele revelou para nossas vidas hoje.

Razões para Evitarmos a Música Rock. A razão fundamental para que a igreja evite a música rock em qualquer de suas versões, é o seu poder para alterar a mente. Nós descobrimos que a música rock em si, separada de sua letra, pode alterar a mente, com sua batida incessante. Um estilo de vida cristão disciplinado implica em evitar músicas ou drogas que alterem a mente e que embotam o juízo mental, favorecendo assim, comportamento irresponsável.

Em seu livro A Return to Christian Culture, Richard S. Taylor oferece uma perspectiva razoável sobre a escolha cristã de música: “Existem formas de música, seculares ou sacras, que criam estados de ânimo de meditação, de idealismo, de contemplação da beleza, de aspiração e de santa alegria. Existem outras formas de música que criam estados de ânimo de irresponsabilidade e excitação sexual. Certamente não é preciso muita capacidade de julgamento para entender quais formas são as mais apropriadas para as funções religiosas.” 65

É uma infelicidade que uma boa capacidade de julgamento esteja freqüentemente em falta por parte daqueles que promovem a adoção de tipos de música rock, mesmo para a adoração cristã. Muito provavelmente estas pessoas não estão conscientes do impacto mental e físico da música rock. Eles ignoram que as letras cristãs não neutralizam os efeitos sensuais da batida do rock.

Quando cantores cristãos usam para suas canções os métodos empregados pelos músicos de rock para fazer um som sensual, eles “não tomam consciência ou ignoram deliberadamente o fato de que isso não é mais ministério, mas entretenimento puro, sensual e gratificante para a carne.” 66 “Quando hinos são ritmicamente tão irresistíveis que palmas, dança ou batida de pés é a resposta comum, podemos até estar nos divertindo, mas tais canções são, no final, auto-destrutivas. Qualquer música que tenha um impulso rítmico dominante e que induz a excessos e a respostas corporais não controladas agrada ao ‘eu’. Ela fornece

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ao ‘eu’ momentos agradáveis e joviais. Mas lhe falta a disciplina necessária ao amadurecimento. Quando a atenção está vinculada a uma resposta carnal, então a música da igreja já sucumbiu a uma centralização infantil no ‘eu’.” 67

O Problema com Artistas “Ponte”. A falta de maturidade espiritual promovida pela música rock em suas várias versões, pode ser em parte responsável por aqueles artistas cristãos que querem fazer uma ponte para o rock secular. Este é um passo fácil de ser dado por aqueles músicos que já estão tocando o mesmo tipo de música rock, embora com palavras diferentes.

O compromisso do cristão com Cristo não deixa espaço para artistas cristãos que querem fazer ponte com o cenário do rock secular. É simplesmente uma questão de escolher a quem eles querem servir. Alguns crêem erradamente que podem adorar ao deus do rock nos concertos e à Rocha Eterna na igreja. Ralph Novak, um comentarista musical, nos oferece um exemplo perfeito desta tendência. Ele escreve para a revista People a seguinte descrição perceptiva de uma cantora “ponte” cristã popular: “Ela fez uma transição suave, de um evangelho com as cores de rock para um rock com as cores do evangelho. Ela soa confiante e vibrante. Para os que gostam de dançar e orar ao mesmo tempo, nada se compara ao que ela oferece.” 68

Pode um cristão se envolver em dança erótica e oração ao mesmo tempo? Tal mistura do bem com o mal está se tornando cada vez mais comum hoje em dia. Não podemos nos esquecer que esta foi a estratégia usada por Satanás para causar a queda do homem. Falando da queda de Adão, Ellen White escreve: “Por misturar o mal com o bem, sua mente se tornou confusa, e entorpecidas suas faculdades mentais e espirituais. Não mais poderia apreciar o bem que Deus tão livremente havia concedido.” 69

A pressão para aceitar a mistura do bem com o mal é sentida de forma especial hoje no campo da música religiosa. Lloyd Leno, que antes de sua morte prematura serviu como professor na Universidade Walla Walla, escreveu: “A mídia popular condicionou tão completamente as massas com uma dieta de música dançante orientada ao ritmo, que qualquer coisa que não seja isso parece ser insípido e tedioso. Isto resultou em algo semelhante a uma obsessão entre muitos compositores e executantes de música gospel, Adventistas do Sétimo Dia, para revestirem toda música gospel com algum tipo de ritmo dançante. Embora alguns grupos sejam mais cuidadosos ou ‘conservadores’, o procedimento padrão de muitos grupos inclui formas híbridas levemente disfarçadas de estilos dançantes, tais como valsa, swing (fox trot), country, soft rock, and folk rock…. É bastante óbvio que estes grupos estão usando modelos cujos objetivos não são compatíveis com os princípios cristãos.” 70

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Se Leno estivesse vivo hoje para observar o cenário musical de algumas igrejas Adventistas, ele acrescentaria “Rock Pesado” a esta lista. Em meu ministério itinerante em volta do mundo, tenho sido confrontado em várias ocasiões com bandas de rock adventistas tocando o tipo de música que alguém poderia esperar ouvir nos clubes noturnos ou discotecas, mas não na igreja. Tal música seria fortemente condenada em todas as igrejas Adventistas há trinta anos atrás, mas hoje alguns membros não vêem nada de errado com ela. Por que? Simplesmente porque sua sensibilidade moral tem sido embotada pela música rock que está trovejando em todos os lugares em nossa sociedade. É como um sapo que é colocado na água que é gradualmente aquecida. No decorrer do tempo ela ferve, matando-o sem que ele pressinta o perigo.

Algumas Igrejas Reconhecem o Problema. Enquanto alguns cristãos se comprometem pela adoção de versões modificadas de música rock, outros reconhecem o problema e se afastam dele. É encorajador ler a respeito do crescente número de igrejas cristãs e artistas fonográficos que reconhecem que uma parte da Música Cristã Contemporânea (MCC) representa mal a Cristo em seu som e letras. Em seu livro At the Cross Road, Charlie Peacock, um artista fonográfico premiado, produtor e compositor de músicas MCC, fornece um interessante relato de algumas igrejas e artistas que recentemente cortaram as suas relações com a MCC porque não podiam mais comprometer seus princípios.

Em novembro de 1997, a Igreja do Povo de Salem, Oregon, anunciou seus planos para acabar com o festival de música cristã, conhecido como “Jesus Northwest” que havia atraído auditórios lotados pelos últimos 21 anos. Este anúncio veio de surpresa, na forma de uma carta de arrependimento escrita pelo Rev. Randy Campbell, pastor da Igreja do Povo e diretor do festival. Ele escreveu: “Humildemente nos arrependemos diante do Senhor e pedimos o perdão do corpo de Cristo por representar de forma inadequada a Cristo em nosso ministério, mensagem e métodos.” 71 A carta reconhece que muito do que é feito dentro da indústria de música cristã contemporânea “(por exemplo, direção ministerial, métodos de tomada de decisão, mesmo a própria mensagem) é freqüentemente dirigida pelo mercado – e não pela mente do Senhor.” 72

Em 31 de outubro de 1997, o conhecido artista fonográfico Steve Camp declarou estar “sobrecarregado e alquebrado pelo estado atual da MCC” e divulgou um ensaio em formato de pôster acompanhado por 107 teses intitulado “A Call for Reformation in the Contemporary Christian Music Industry” (Um Clamor pela Reforma na Indústria da Música Cristã Contemporânea). Ele

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conclui este ensaio insistindo os leitores a “saírem de uma indústria que tem tudo, mas abandonou a Cristo e a criarem, pela graça de Deus, aquilo que sempre deveria ter sido…. um ministério. Orem por isto.” 73

Tivemos, na Igreja Adventista do Sétimo Dia, vários músicos de rock bem sucedidos, que abandonaram completamente o cenário do rock depois de unirem-se à igreja. Dois deles, Louis Torres dos EUA e Brian Neumann, da África do Sul, antes de sua conversão, tocavam em bandas populares de rock, que realizavam concertos nacional e internacionalmente. Você pode ler a fascinante história da conversão de David Neumann no capítulo 11 deste estudo. Você será grandemente inspirado ao ler como o Espírito Santo convenceu o coração dele e o guiou da dependência da música rock à adoração da Rocha Eterna.

Outro músico é Rick Shorter, que foi ex-diretor do show da Brodway “Hair”. Quando se tornou um adventista, ele enfrentou a tentação de comprometer-se. Como vocalista e guitarrista profissional, sentiu que poderia usar seus talentos, transformando velhas canções do rock em novos cânticos Gospel. Mas ele se decidiu a não fazer isto. Rick afirmou: “No começo eu pensei que poderia rever algumas velhas canções de rock e soul e torna-las em música gospel. Mas agora me dou conta de que não pode haver compromisso com o mundo – sua música, seu entretenimento, ou suas filosofias.” 74

Conforme refletia sobre sua antiga vida, que incluía amizades com astros populares do rock como Janis Joplin, Jimmy Hendrix, e Jim Morrison, ele deu esta advertência aos jovens: Não há absolutamente nada naquele tipo de vida. Eu só desejaria poder levar esta mensagem até aqueles jovens cuja cabeça está no Rock. Eles vêem o brilho da superfície, mas não o vazio do interior.” 75

Uma Resposta Cristã à Música Rock. Ao formularmos uma resposta cristã à música rock, é importante nos lembrarmos daquilo que afirmamos na primeira parte, ou seja, que a característica que define a boa música é o equilíbrio entre seus três elementos básicos: melodia, harmonia e ritmo. Descobrimos que a música rock inverte esta ordem, fazendo do ritmo seu elemento dominante que sobrepuja a harmonia e a melodia.

Os cristãos deveriam responder à música rock escolhendo, em vez dela, a boa música que respeita o equilíbrio adequado entre melodia, harmonia e ritmo. O equilíbrio adequado entre estes três pode muito bem corresponder ao equilíbrio adequado em nossa vida entre o espírito, a mente e o corpo.

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Em seu livro Music in the Balance, Frank Garlock e Kurt Woetzel apresentam um conceito que era novo para mim, mas que achei ser digno de consideração. Eles explicam graficamente que:

MELODIA responde ao ESPÍRITO
HARMONIA responde à MENTE
RITMO responde ao CORPO
76

A parte da música à qual o espírito responde é a melodia. Isto é sugerido por Efésios 5:18-19, onde Paulo admoesta os crentes: “mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós em salmos, hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando”. O paralelismo sugere que “cantar e salmodiar” seja equivalente a cantar salmos, hinos, e cânticos espirituais. Cantar a melodia (a música) de um cântico religioso, não apenas na igreja, mas também enquanto estiver dirigindo, trabalhando caminhando e mesmo tomando uma ducha, expressa nossa alegria e louvor ao Senhor, que nos enche com Seu Espírito.

A parte da música à qual nossa mente responde é a harmonia. Isto acontece porque a harmonia é a parte intelectual da música. Praticamente qualquer pessoa pode produzir uma melodia, mas é necessário um extenso treinamento musical para escrever e compreender os vários acordes (partes). Uma harmonia que soe bem só pode ser arranjada por um músico treinado. A harmonia, como a palavra sugere, harmoniza a melodia e o ritmo.

A parte da música à qual o corpo responde é o ritmo. A palavra ritmo deriva da palavra grega reo, que quer dizer “fluir” ou “pulsar” (João 7:38). O ritmo é o pulso da música, que encontra uma correspondência analógica com o pulso cardíaco.

O Pulso do Coração e o Ritmo da Música. Garlock e Woetzel suferem, perceptivamente, que “a analogia entre a pulsação [corporal] e o ritmo [da música] será útil para que qualquer cristão desejoso possa ter discernimento em sua escolha de música.” 77 Para ilustrar este conceito eles fornecem esta tabela muito útil:

“Pulso demais (ou irregular) ………. O corpo está doente
Ritmo demais (ou irregular) ……….. A música está doente
Sem pulso ……………………………….. O corpo está morto
Sem ritmo ………………………………… A música está morta
Pulso sob controle …………………….. O corpo está bem
Ritmo sob controle ……………………. A música está ‘bem'” 78

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A analogia entre o pulso do nosso corpo e o ritmo da música é reconhecida por médicos e doutores. John Diamond, um médico citado anteriormente, escreveu: “Nossos corpos tem pulso, e assim também a música. Em um estado saudável, estamos em contato com nossa ‘pulsação interior’, à qual o Dr. Manfred Clynes descreve tão bem como ‘a chave para a empatia que experimentamos com um compositor’…. O fenômeno da pulsação interior… é, com efeito, um ritmo regido internamente.” 79

O ritmo, conforme notado anteriormente, é a parte física da música. Assim como em um corpo humano a pulsação do coração deve estar entre uma faixa normal para que o corpo esteja bem, também o ritmo da música deve ser equilibrado, para que a música seja boa. O problema com a música rock é que o ritmo ou batida domina, de forma a apelar primariamente para os aspectos físicos e sensuais da natureza humana.

Este impacto físico, sensual do ritmo rock é amplamente reconhecido por estudiosos. Em seu livro Sound Effects, Youth, Leisure, and the Politics of Rock ‘n’ Roll, o sociólogo inglês Simon Frith afirma categoricamente: “Normalmente nos referimos à sexualidade da música em termos de seu ritmo – é a batida que comanda uma resposta física direta.” 80 A mesma visão é expressa claramente no livro de David Tame, The Secret Power of Music: “Quando a pulsação e a síncope são os fundamentos rítmicos da música no salão de baile, os movimentos dos dançarinos podem ser vistos, invariavelmente, tornando-se muito sensuais.” 81

Ordem na Vida Cristã. Através da estimulação dos aspectos físicos e sensuais do corpo, a música rock tira do seu equilíbrio a ordem da vida cristã. Tame se refere com freqüência ao que ele chama de “um axioma eterno … como na música, assim também na vida.” 82 Como cristãos, podemos inverter o axioma e dizer: “Como na vida, assim também na música”. Em outras palavras, a ordem das prioridades da vida cristã com o espiritual em primeiro lugar, o mental em segundo e o físico em terceiro, deveria ser refletida na própria música.

“O cristão que está preocupado com o físico (o corpo) e gasta a maior parte de seus esforços com isto, é sensual, e não espiritual. O filho de Deus que emprega a maior parte de suas energias em desenvolver a mente, negligenciando suas necessidades espirituais e físicas, coloca uma ênfase indevida em seus objetivos intelectuais. O cristão com uma ordem e equilíbrio escriturísticos em sua vida enfatiza em primeiro lugar o espiritual (Mateus 6:33), o intelectual ou emocional em segundo (II Coríntios 10:5) e por último o físico (Romanos 13:14).” 83

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A ordem apropriada entre os aspectos espirituais, mentais e físicos de nossa vida cristã deveria refletir-se na música cristã. Garlock e Woetzel desenvolvem esta correlação de forma muito persuasiva: “Assim como as considerações espirituais da vida recebem prioridade para um cristão equilibrado, assim também a melodia (a parte da música à qual o espírito responde) deve dominar a música na vida do cristão. De forma similar, a harmonia (a parte da música à qual a mente e as emoções respondem) precisa ter um papel de apoio na música, assim como a mente e emoções desempenham um papel secundário na experiência cristã. Por último, e o mais óbvio, o ritmo (a parte da música à qual o corpo responde) deve estar sob estrito controle na música, assim como o corpo e seus desejos precisam ser disciplinados na vida do cristão.” 84

O desafio que todos nós enfrentamos em nossa vida cristã é o de manter nosso corpo em um relacionamento apropriado com a mente e o espírito. Paulo se refere a esta luta quando disse: “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à submissão, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não venha a ficar reprovado.” (I Coríntios 9:27). Como Paulo, precisamos disciplinar nosso corpo, evitando estas coisas que alimentam apenas a nossa natureza carnal. Precisamos desenvolver o gosto pelo tipo correto de música, que respeita o equilíbrio adequado entre melodia, harmonia e ritmo. Tal música reforça a ordem adequada na vida cristã entre o espiritual, mental e físico.

Tornando os Hinos Significativos. Existe uma abundancia de hinos, tanto tradicionais quanto contemporâneos que respeitam o equilíbrio apropriado e reforça os valores cristãos. Mas algumas pessoas reclamam que estes hinos são insípidos e tediosos. Poderia ser que o problema não esteja com os hinos, mas com o novo apetite que alguns desenvolveram pela música popular? Poderia ser que tal apetite tenha cauterizado tanto a sensibilidade espiritual de algumas pessoas que elas não são mais capazes de apreciar a música sacra? Um apetite espiritual deve ser desenvolvido, antes que a pessoa possa desfrutar da música espiritual, mas isto não acontece da noite para o dia.

O problema, porém, nem sempre é um apetite pervertido. Algumas vezes os hinos tradicionais parecem insípidos porque o cântico congregacional é sem vida. A solução para este problema deve ser encontrada não na adoção dos sons da música popular, mas em encontrar um líder de cânticos que seja dinâmico e espiritual e que possa inspirar a congregação a cantar de todo o coração. O mesmo hino que parece tedioso quando cantado de uma forma monótona, torna-se vibrante e inspirador quando cantado com entusiasmo.

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Os hinos se tornam significativos para a congregação quando todos os participantes – o diretor de cânticos, o ministro, o acompanhante e, é claro, a congregação – despertam para as enormes bênçãos que os espera enquanto cantam com os seus corações e com grande dedicação e concentração. 85

Para ajudar neste processo, deve-se chamar a atenção para o autor das palavras do hino, ou para o compositor da música. Alguns aspectos significantes da mensagem do hino podem ser enfatizados; e então alguém pode convidar a congregação a cantar o hino com um novo significado e entendimento.

Mudanças imaginativas na maneira de cantar podem fazer com que mesmo cânticos familiares fiquem mais interessantes. Às vezes o líder dos cânticos pode convidar a congregação para cantar acapella. Um verso pode ser cantado pelas mulheres e outro pelos homens. Em outras ocasiões a congregação pode acompanhar o coro, o grupo de cantores ou o solista. Existem infindáveis maneiras de cantar os hinos antigos com novo fervor e entusiasmo.

Uma Proliferação de Hinos Contemporâneos. Aqueles que reclamam que o hinário é velho e querem cantar cânticos novos, terão prazer em descobrir que durante as últimas décadas houve uma grande proliferação na escrita de hinos nos Estados Unidos, Inglaterra e outros países pelo mundo afora. 86 Os compositores e letristas de hinos de nossos tempos são homens e mulheres de talento, comprometimento e dedicação. Eles representam diversas denominações cristãs, e seus cânticos preenchem novos hinários que podem enriquecer a experiência de adoração de todos os cristãos.

Deveríamos mencionar a “The Hymn Society” dos Estados Unidos e Canadá 87, que foi fundada em 1922. Desde então, esta sociedade tem estado ativamente envolvida em promover a composição de novos hinos, os quais são publicados em seu periódico chamado The Hymn. Sua conferencia anual acontece a cada verão em diferentes partes da América do Norte e atrai letristas e compositores de muitos países e de diferentes denominações cristãs.

A “Hope Publishing Company” 88 merece recomendações especiais por encorajar compositores a submeterem seus novos cânticos para publicação. Estas novas coleções são publicadas a cada ano e tornadas disponíveis para o público em geral.

Para apresentar novos hinos e aprender a apreciar de forma mais completa os mais antigos, pode ser organizado um Festival de Hinos. Este pode ser um momento de grande inspiração e alegre celebração, quando a importância dos hinos para a

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vida da igreja e os eventos nacionais como o Dia de Ação de Graças. Em 1999 um grande Festival de Hinos foi organizado na Universidade Andrews para celebrar o último Dia de Ação de Graças do século. Foi realmente um culto de grande beleza e gratidão pelos inenarráveis dons da misericórdia, amor e alegria, que Deus dá a Seus filhos e filhas.

Conclusão

Em seu livro The Secret Power of Music, David Tame conclui sua análise da música rock com palavras que expressam adequadamente a conclusão deste presente estudo. Ele escreveu: “O rock afetou inquestionavelmente a filosofia e o estilo de vida de milhões. É um fenômeno global; uma batida pulsante, pulsante e destrutiva que é ouvida desde a América e Europa Ocidental até a África e Ásia. Seus efeitos sobre a alma tornam praticamente impossível o verdadeiro silencio interior e a paz necessários para a contemplação das verdades eternas. Seus ‘fãs’ são dependentes, embora não saibam disto, da ‘sensação prazerosa’, ampliadora do egocentrismo, dos efeitos para-hipnóticos de sua batida insistente.” 89

Tame não é um educador religioso, mas um musicólogo que traça de forma erudita a influência da música sobre o homem e a sociedade desde o tempo da sociedade antiga até o presente. Todavia, ele crê fortemente que a música rock representa uma séria ameaça à própria sobrevivência da nossa civilização. “Creio firmemente que o rock em todas as suas formas é um problema crítico, com o qual a nossa civilização tem que lidar de alguma forma genuinamente eficaz, e sem demora, se deseja continuar a sobreviver.” 90

De muitas formas, o julgamento que Tame faz da música rock concorda perfeitamente com as conclusões que emergiram durante o curso de nossa investigação levada a efeito nos últimos quatro capítulos, sobre os aspectos filosóficos, históricos, religiosos e musicais da música rock.

Filosoficamente, descobrimos, no capítulo 2, que a música rock rejeita a visão bíblica transcendental de Deus, promovendo, em vez disto, uma concepção panteísta do sobrenatural como uma força impessoal, que o indivíduo pode experimentar através do ritmo hipnótico da música rock, drogas e sexo.

Historicamente, notamos, no capítulo 3, que a música rock passou por um processo de endurecimento facilmente reconhecível, promovendo de forma ousada, entre outras coisas, uma cosmovisão panteísta/hedonista, uma rejeição aberta dos

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valores e fé cristãos, perversão sexual, desobediência civil, violência, satanismo, ocultismo, homossexualismo e masoquismo.

Religiosamente, vimos, no capítulo 4, que a música rock tem levado à rejeição da fé cristã e à aceitação de um novo tipo de experiência religiosa. Esta última envolve o uso de música rock, sexo, drogas e dança para transcender a limitação do tempo e espaço e fazer a conexão com o sobrenatural.

Musicalmente, mostramos, neste capítulo, que a música rock difere de todas as outras formas de música por causa de sua batida impulsionadora, forte e implacável. Estudos científicos tem demonstrado que a batida do rock pode alterar a mente e causar várias reações físicas, inclusive excitação sexual.

A informação factual que amealhamos a respeito da natureza da música rock durante o curso desta investigação torna abundantemente claro que tal música não pode ser legitimamente transformada em música cristã pela alteração de sua letra. Em qualquer versão que seja, a música rock é e continua sendo uma música que personifica um espírito de rebelião contra Deus e os princípios morais que Ele revelou para nossas vidas.

Pelo estímulo ao aspecto físico, sensual da natureza humana, a música rock tira do seu equilíbrio a ordem da vida cristã. Isso faz com que a gratificação da natureza carnal seja mais importante do que o cultivo do aspecto espiritual de nossa vida.

Esforçando-se conscientemente para causar um impacto físico, o rock “cristão” reduz as verdades espirituais a uma experiência física. Os ouvintes são enganados, sendo levados a crer que tiveram um encontro espiritual com o Senhor, quando, na verdade, aquela experiência foi apenas excitação física.

Os cristãos deveriam responder à música rock escolhendo, em vez dela, a boa música, que respeita o equilíbrio adequado entre a melodia, harmonia e ritmo. O equilíbrio adequado entre estes três reflete e incentiva a ordem e o equilíbrio em nossa vida cristã entre os componentes espirituais, mentais e físicos de nosso ser. Música boa e equilibrada pode contribuir e contribuirá para manter nosso “espírito, e alma e corpo … conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” (I Tessalonicenses 5:23)

No limiar de um novo século e milênio, os cristãos tem uma oportunidade sem precedentes para construírem com base em sua rica herança de música religiosa. Em um tempo no qual a tendência é substituir os hinos sacros com canções seculares que estimulam as pessoas fisicamente em vez de eleva-las espiritualmente, é bom relembrarmos que Deus nos chama a adora-Lo na “beleza da Sua santidade” (I Crônicas 16:20; cf. Salmos 29:2; 96:9).

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A santidade na adoração evita o trivial repetitivo no som e nas palavras. A santidade na adoração evita o ritmo degenerado e o estilo sussurrado dos artistas populares. A santidade na adoração exige compromisso com os mais altos padrões razoáveis de execução. A santidade na adoração é adorar ao Senhor verdadeiramente, com nossa máxima reverência e respeito.

Nossa música de adoração deveria refletir a música que esperamos cantar na comunhão do Pai e do Filho no mundo porvir. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são honrados por nossa música? A nossa música reflete a paz, pureza e majestade de nosso Deus? Podemos nos imaginar cantando nossa música da igreja um dia, quando estaremos em pé diante da indescritível majestade do Deus triúno? Paulo nos lembra que “a nossa pátria está no céu” (Filipenses 3:20). Isto significa que qualquer aspecto das nossas vidas, inclusive nossa música, deveria ser visto como uma preparação para aquela gloriosa experiência na Nova Terra, onde “uma única palpitação de harmonioso júbilo vibra por toda a vasta criação.” 92

Notas

1. Allan Bloom, The Closing of the American Mind (New York, 1987), p. 69.

2. Quentin J. Schultze, Dancing in the Dark (Grand Rapids,MI, 1991), p. 151.

3. Aaron Copland, What to Listen for Music (New York, 1957), p. 40.

4. Ibid., p. 46.

5. Jay Cannon, Striving for Excellence (Oakbrook, IL, 1989), p. 5.

6. Tim Fisher, The Battle for Christian Music (Greenville, SC, 1992), p. 68.

7. Jay Cannon (nota 5), p. 10.

8. Veja Lawrence Walters, “How Music Produces Its Effects on the Brain and Mind,” Music Therapy (New York, 1954), p. 38.

9. Tim Fisher (nota 6), p. 79.

10. Bob Larson, The Day Music Died (Carol Stream, IL, 1972), p. 15.

11. Tim Fisher (nota 6), p. 69.

12. Bob Larson (nota 10), p. 16.

13. Quentin J. Schultze (nota 2), p. 151.

14. Charles T. Brown, The Art of Rock and Roll (Englewood Cliffs, NJ, 1983), p. 42.

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15. Gene Grier, A Conceptual Approach to Rock Music (Valley Forge, PA, 1976), p 30.

16. Ibid., p. 61.

17. Bob Larson, (nota 10), pp. 9,12. Ênfase acrescentada.

18. Simon Frith, Sound Effects, Youth, Leisure, and the Politics of Rock ‘n’ Roll (New York, 1981), p. 14.

19. Daniel and Bernardette Skubik, The Neurophysiology of Rock, publicado separadamente como um apêndice em John Blanchard, Pop Goes the Gospel: Rock in the Church (Durham, England, 1991), p. 191.

20. Verle L. Bell, “How the Rock Beat Creates an Addiction,” em How to Conquer the Addiction to Rock Music (Oakbrook, IL, 1993), p. 82.

21. Daniel and Bernardette Skubik (nota 19), p. 187.

22. John Diamond, Your Body Doesn’t Lie (New York, 1979), p. 101.

23. Ibid., pp. 159-160.

24. Stephen Halpern, Tuning the Human Instrument (Belmont, CA, 1978), p. 45.

25. Don Campbell, The Mozart Effect. Tapping the Power of Music to Heal the Body, Strengthen the Mind, and Unlock the Creative Spirit (New York, 1997), p. 67.

26. Ibid.

27. Entrevista, Entertainment Tonight, ABC, 10 de dezembro de 1987. Citado em Leonard Seidel, Face the Music (Springfield, VA, 1988), p. 26.

28. Entrevista em Newsweek (4 de janeiro de 1971), p. 25.

29. Fort Lauderdale News (6 de março de 1969), p. 14.

30. Rolling Stones (7 de Janeiro de 1971), p. 12.

31. U. S. A. Today (13 de Janeiro de 1984), p. 35.

32. Daniel and Bernardette Skubik (nota 19), pp. 187-188, 32.

33. Anne H. Rosenfeld, “Music, the Beautiful Disturber,” Psychology Today (dezembro de 1985), p. 54.

34. Bob Larson (nota 10), p. 123.

35. Calvin M. Johansson, Discipling Music Ministry: Twenty-first Century Directions (Peabody, MA, 1992), pp. 50-51.

36. Ibid.

37. Ibid., p. 52.

38. Veja Lawrence Walters, “How Music Produces Its Effects on the Brain and Mind,” em Music Therapy (New York, 1954), p. 38; Arthur Winter, M. D., e Ruth Winter, Build Your Brain Power (New York, 1986), pp.79-80.

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39. Ira A. Altshuler, A Psychiatrist’s Experiences With Music as a Therapeutic Agent: Music and Medicine (New York, 1948), pp. 270-271.

40. G. Harrer and H. Harrer, “Musik, Emotion und Vegetativum,” Wiener Medizinische Wochenschrift 45/46 (1968).

41. Bob Larson (nota 10), p. 110.

42. Quoted in Leonard Seidel, Face the Music (Springfield, VA, 1988), p. 64.

43. John Diamond (nota 22), p. 164. Ênfase acrescentada.

44. Ibid. Ênfase acrescentada.

45. Jeffery Arnett, “Heavy Metal and Reckless Behavior Among Adolescents,” Journal of Youth and Adolescents (1991), p. 6.

46. William J. Schafer, Rock Music (Minneapolis, MN, 1972), p.76. Veja também C. H. Hansen and R. D. Hansen, “Rock Music Videos and Antisocial Behavior,” Basic and Applied Social Psychology, 2:4 (1990), pp. 357-370; Phyllis Lee Levine, “The Sound of Music,” New York Times Magazine (14 de março de 1965), p. 72.

47. Newsweek (16 de fevereiro de 1976), p. 24. Ênfase acrescentada.

48. Stephen Halpern (nota 24), p. 103.

49. Timothy Leary, Politics of Ecstasy (New York, 1965), p. 165.

50. Hit Parader (Janeiro de 1968), p. 12.

51. Melody Maker (7 de outubro de 1967), p. 9.

52. Hit Parader Yearbook, No. 6 (1967).

53. Bob Larson (nota 10), p. 111.

54. Ibid.

55. Citado por Joel Dreyfuss, “Janis Joplin Followed the Script,” Wichita Eagle (6 de outubro de 1970), p. 7A.

56. Citado por Lawrence Laurent, “ABC New Format Proves Successful,” The Washington Post (19 de julho de 1968), p. C7.

57. Ralph Rupp, um fonoaudiólogo da Clínica da Fala da Universidade de Michigan, propôs que os governos locais deveriam fazer cumprir um limite de 100 decibéis no rock tocado em clubes. (Citado por Jeff Ward, “Cum On Kill the Noize!” Melody Maker 48 [8 de dezembro de 1973], p. 3.) Veja também “Nader Sees Deaf Generation from Excessive Rock ‘n’ Roll,” New York Times (2 de junho de 1969), p. 53.

58. Calvin M. Johansson (nota 35), p. 25.

59. Ibid.

60. David A. Noebel, Rock ‘n’ Toll: A Prerevolutionary Form of Cultural Subversion (Tulsa, OK, n.d.), p. 3.

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61. Ibid., p. 10.

62. R. H. Rookmaaker, Modern Art and the Death of a Culture (Downers Grove, IL, 1970), p. 188.

63. Jim Miller, “Hymning the Joys of Girls, Gunplay and Getting High,” Newsweek (2 de fevereiro de 1987), p. 70. Ênfase acrescentada.

64. Frank Garlock and Kurt Woetzel, Music in the Balance (Greenville, SC, 1992), p. 108.

65. Richard S. Taylor, A Return to Christian Culture (Minneapolis,MN, 1973), p. 87.

66. Frank Garlock and Kurt Woetzel (nota 64), p. 93.

67. Calvin M. Johansson (nota 35), p. 73.

68. Ralph Novak, “Peoples Picks & Pans,” People (24 de junho de 1985), p. 20.

69. Ellen G. White, Educação (Casa Publicadora Brasileira, Tatuí, SP), p. 25.

70. H. Lloyd Leno, “Music and Morality,” Adventist Review (26 de fevereiro de 1976), pp. 7-8.

71. Charlie Peacock, At the Crossroad: An Insider’s Look at the Past, Present, and Future of Contemporary Christian Music (Nashville, TN, 1999), p. 15.

72. Ibid.

73. Ibid., p. 16.

74. Jiggs Gallager, Insight, edição especial.

75. Ibid.

76. Frank Garlock and Kurt Woetzel (nota 64), p. 57.

77. Ibid., p. 59.

78. Ibid.

79. John Diamond (nota 22), p. 156.

80. Simon Frith (nota 18), p. 240.

81. David Tame, The Secret Power of Music (New York, 1984), p. 199.

82. Ibid., p. 15.

83. Frank Garlock and Kurt Woetzel (nota 64), p. 62.

84. Ibid., p. 63.

85. O material desta seção “Tornando os Hinos Significativos” é adaptada do ensaio “The Music of Worship” preparado por Elsie Buck, que atualmente está servindo como presidente da International Adventist Musicians Association.

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86. Ibid.

87. O endereço da The Hymn Society of the United States and Canada é Boston School of Theology, 745 Commonwealth Avenue, MA 02215-1401.

88. Hope Publishing Company, 380 South Main Place, Carol Stream, IL 60188.

89. David Tame, The Secret Power of Music (Rochester, VT, 1984), p. 204.

90. Ibid.

91. Ibid.

92. Ellen G. White, O Grande Conflito (Casa Publicadora Brasileira, Tatuí, SP), p. 678.

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Capítulo 6

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