O Culto – Capítulo 22

por: Rev. Onézio Figueiredo [1]

Culto calvinista

Na liturgia sinagogal, com poucas modificações e adaptações, a Igreja primitiva buscou fundamentar seu culto, seguindo aproximadamente a mesma ordem. A Reforma, especialmente a da linha calvinista, retornando aos tempos apostólicos e à primeira fase da patrística, estruturou sua liturgia, como veremos.

Negando a centralização da Igreja no clero e a centralidade da liturgia romana na missa, na hóstia transubstanciada em Cristo, a Reforma, mais pelas mãos de Calvino, firma as bases do culto no fundamento bicolunar da Palavra de Deus e da Ceia do Senhor, tal como se fazia na Igreja das origens, evitando a todo custo proeminências ou evidências sacerdotais, que desviam do Criador para a criatura o alvo litúrtico ou, pelo menos, a importância do culto que, a partir do quarto século, conforme se vê no manual “Constituição Apostólica”, surgido por volta do ano 300 d. C., livros II e VIII, tornou-se demasiadamente cerimonialista, sacramentalista e clericalista. Passamos, pois, dos tempos primitivos da Igreja ao da Reforma, fixando-nos no extraordinário e insuperável Calvino, sem nos esquecermos de que foi Lutero o responsável pelos cantos corais e comunitários da Igreja. O essencial do culto romano é o sacerdote, mediador do perdão e do sacrifício de Cristo pela transubstanciação do pão em hóstia.

A comunidade leiga depende, pois, do sacerdote, para relacionar-se com Deus e dele receber o perdão. A Reforma quebrou, estribada nas Escrituras e na Igreja primitiva, esta dicotomia entre clero e leigo, estabelecendo o sacerdócio universal de todos os crentes. Então, o culto deixou de ser uma “produção sacerdotal” para tornar-se uma “expressão” de toda comunidade relacionada mediante o Espírito, a Palavra iluminada, os sacramentos da Ceia e do batismo e a oração. Os hinos, procedentes dos mesmos fundamentos e expondo as mesmas verdades, enriqueciam, sem dúvida, o culto reformado.


Notas:

[1] O presente texto foi escrito por um Reverendo da Igreja Presbiteriana. Por este motivo, o leitor encontrará algumas referências relacionadas ao culto de domingo, ou ainda alguns temas diretamente vinculados a esta denominação religiosa. Apesar deste detalhe, os editores do Música Sacra e Adoração compreendem que a leitura do texto do Reverendo Onézio Figueiredo é de suma importância para o contexto da adoração e do culto a Deus na Igreja Adventista do Sétimo Dia, justificando assim esta publicação.


Fonte: www.monergismo.com


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