O Culto – Capítulo 16

por: Rev. Onézio Figueiredo [1]

O que Deus que convoca

O culto, tanto o do templo como o da sinagoga e, conseqüentemente, o da Igreja, efetiva-se por convocação de Deus, isto é, ele convoca o seu povo para estar reunido no local onde seu nome se faz presente. Portanto, a assembléia litúrgica se reune em Deus, congrega-se pelo poder atrativo e pela força imperativa do Salvador. Diríamos que a Igreja (ekklesia-qahal) é eminentemente teocêntrica. Seu centro vital é Deus, não que ela o tenha chamado para si; pelo contrário, o Redentor é que congrega em torno de si os seus eleitos. Sem a presença de Deus não há culto verdadeiro.

Retenhamos bem isto: A Igreja é a assembléia dos que Deus escolhe em Cristo Jesus, não a reunião dos que invocam a divindade para que ela desça ao local dos invocadores. Também não se define como “romaria” a espaço virtuals de “aparições” em que a “divindade” aparecida se limita ao espaço e ao tempo, aguardando a “visita” dos fiéis. Culto, por outro lado, não pode ser “ascese” extática de místicos que pretendem “sair” do meio físico para “subirem” aos céus e lá, em “espírito”, estarem com Deus.

O culto é o sinal de que Deus “desceu” até nós, agregou-nos a ele, fez-nos seus adoradores. A presença de Deus gera o culto, não o culto “chama” Deus para estar presente. Havia no culto da Igreja primitiva a “apiklesis”, um tipo de invocação, não para “atrair” a presença de Deus, como se o culto começasse sem ele e fosse um meio de trazê-lo à terra, buscando-o do transcendente para o imanente. A “apiklesis” era uma súplica para que Cristo consagrasse os elementos eucarísticos, desse a eles conteúdo espiritual para que a comunhão se transformasse num meio de graças para os comungantes. Também se usava a “epiklesis” escatologicamente como jaculatória: “Vem, Senhor Jesus (Maranata).

O mesmo sentido epiclético se dava à petição da Oração do Senhor: “Venha o teu reino”. A Igreja pode invocar o poder do Deus presente, autor e consumador da fé, para que esteja sempre sobre ela, jamais a pessoa de Deus para “comparecer” à reunião, pois esta existe como consequência de sua presença. Deus, pelo seu Santo Espírito, produz o culto que sua Igreja expressa em atos litúrgicos.


Notas:

[1] O presente texto foi escrito por um Reverendo da Igreja Presbiteriana. Por este motivo, o leitor encontrará algumas referências relacionadas ao culto de domingo, ou ainda alguns temas diretamente vinculados a esta denominação religiosa. Apesar deste detalhe, os editores do Música Sacra e Adoração compreendem que a leitura do texto do Reverendo Onézio Figueiredo é de suma importância para o contexto da adoração e do culto a Deus na Igreja Adventista do Sétimo Dia, justificando assim esta publicação.


Fonte: www.monergismo.com


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