Genética e Ouvido Absoluto

por: Julie Steenhuysen

Um gene pode ser a chave para o ouvido absoluto

Músicos e cantores treinam por anos para desenvolver seu senso de afinação, mas poucos podem dizer o nome de uma nota musical sem um tom de referência. Pesquisadores dos Estados Unidos descobriram que um gene pode ser a chave para esta cobiçada capacidade.

Apenas um em cada 1.000 pessoas tem o ouvido perfeito ou absoluto, a inusitada capacidade de dizer o nome da nota de praticamente qualquer som, sem a ajuda de um tom de referência.

“Um homem disse ‘Posso dizer o tom de qualquer coisa – até flatulências'”, disse a Dra. Jane Gitschier da Universidade da Califórnia, São Francisco, cujos estudos aparecem no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

Ela e seus colegas analisaram os resultados de uma pesquisa de três anos, realizada através da internet, utilizando testes musicais que exigiam que os participantes identificassem notas musicais sem a ajuda de um tom de referência. Mais de 2.200 pessoas completaram o teste de 20 minutos.

“Notamos que a capacidade de dizer o nome das notas é, de forma genérica, um fenômeno que a pessoa tem ou não tem”, ela disse.

Isto levou os pesquisadores a concluir que um gene, ou talvez alguns genes, possam estar por trás deste talento.

Gitschier disse que aqueles que possuem o ouvido absolute foram capazes de identificar corretamente tanto notas de um piano quanto tons gerados por computador, os quais não possuem sons característicos de qualquer instrumento musical.

Ela disse que pessoas com ouvido absoluto foram capazes de identificar os tons puros com facilidade. E eles também têm a tendência de possuir um treinamento musical precoce – antes dos 7 anos de idade.

“Cremos que esta habilidade necessita das duas coisas”, ela disse.

Eles também descobriram que o ouvido absoluto tende a se deteriorar com a idade.

“Conforme as pessoas ficam mais velhas, sua percepção se torna mais aguda. Se uma nota Dó é tocada, e eles têm por volta de 15 anos, dirão que é um Dó. Se têm por volta de 50 anos podem dizer que é um Dó sustenido.”

“Este fato pode ser muito desconcertante para eles”, Gitschier disse.

A nota mais comumente identificada de forma equivocada, de acordo com o estudo, é o Sol sustenido. Isto pode ocorrer porque o Sol sustenido é sobrepujado pelo Lá, sua nota vizinha, eles disseram. O Lá é normalmente utilizado pelas orquestras ocidentais como a note de referência para afinação.

 Gitschier disse que ela e seus colegas estavam se concentrando para identificar o gene responsável pelo ouvido absoluto, o que envolverá o mapeamento genético. Depois, eles tentarão identificar quais genes são diferentes nas pessoas com ouvido absoluto.

“Teremos que tocar ‘de ouvido’, por assim dizer” ela disse.


Fonte: Publicado pela agência Reuters, em 28/08/2007 1:30 PM, em http://www.reuters.com

Traduzido por Levi de Paula Tavares em Agosto/2007