História da Música – Introdução

por: Fábio Lindquist

O Ser Humano possui em sua vida sete “dimensões”: Física, Espiritual, Intelectual, Social, Profissional, Afetiva e Familiar. De todas as realizações do Homem, a Arte é a que mais intrinsecamente permeia todas essas dimensões da existência humana. E de todas as Artes, a mais antiga é a Música.

Assim como o percurso da História do Homem, na suas lutas e realizações, se desenvolve na medida de milênios, do mesmo modo a Arte, expressão espontânea, necessidade da humanidade, floresce em tempos igualmente amplos. É uma exigência a tal ponto irresistível que não há momento do viver humano, por mais árduo que possa ser, que não se empenhe na criação artística.

A música é nossa mais antiga forma de expressão, possivelmente até mais antiga que a linguagem. De fato, a música é o Homem, muito mais que as palavras, pois estas são símbolos abstratos. A música toca nossos sentimentos mais profundamente que a maioria das palavras e nos faz responder com todo nosso ser.

Muito antes de o ser humano aprender a pintar, esculpir, escrever ou projetar algo, já sabia a produzir e apreciar os sons. Obviamente esses sons seriam hoje considerados apenas ruídos, mas considerando que “música é a arte de manipular os sons”, o que o Homem primitivo produzia era música, ou um “embrião” musical.

O “instrumento” musical mais antigo que existe é a voz humana. Com ela, o homem aprendeu a produzir os mais diversos sons, e a agrupar esses sons, formando as primeiras linhas melódicas. Depois inventou os instrumentos musicais, que se multiplicaram e evoluíram ao longo da História. Muitos destes desapareceram, e a Música mudou muito em todo este tempo. Mas o gosto do ser humano pela música permanece intacto.

Para se estudar a Música, é preciso antes saber o que é música. A música não pode ter nenhuma definição objetiva, pois ela conserva um caráter de abstração, o que a torna algo sem uma definição fechada ou precisa. Ela é uma arte sem corpo físico, ao contrário do que acontece com a pintura, escultura, literatura ou a arquitetura, daí sua abstração. Pode-se dizer que ela não tem um significado, mas o produz em determinados contextos; ou seja, só é possível entendê-la através do vínculo estabelecido entre a música e os contextos (sociais, culturais, físicos) a ela ligados.

A música sempre foi uma parte importante da vida cotidiana e da cultura geral do homem. Hoje vê-se a Música sendo transformada em mero produto pela “Indústria do Entretenimento”. Muitas vezes ela se torna um simples ornamento que permite preencher noites vazias com idas a concertos ou shows, organizar festividades públicas, etc. Há um paradoxo, então: as pessoas ouvem, atualmente, muito mais música do que antes, mas esta representa, na prática, bem pouco, e possui, muitas vezes, não mais que uma mera função decorativa.

Mas em todo o Mundo ela ainda mantém vivo seu caráter social, de transmitir sentimentos, de servir de elo com a Divindade, de perpetuar a História, a língua, a cultura e as tradições de cada povo.

A música é mais sublime das Artes, a arte que homens e Anjos compartilham.

Deve ser ensinada como uma língua, e não como mera técnica e prática, sem vida.

No princípio, todas as Artes estavam vinculadas à Arquitetura: Pintura, Escultura, Música, etc… Com o passar do tempo, a Pintura e a Escultura ganharam um status de Artes autônomas. A Pintura saiu das paredes e passou para as telas. A Escultura passou a ter corpo independente das edificações. Mas a Música continuou, e continua ligada à Arquitetura, ao espaço (construído ou não), pois música é acústica, e a acústica depende do meio onde o som é produzido. Uma mesma música tocada em ambientes diferentes nunca soará da mesma forma. Cada instrumento ou estilo musical funciona de maneira ideal em determinados tipos de ambientes arquitetônicos, pois deve ser levado em consideração o volume sonoro e o volume do ambiente, o eco (que pode ser prejudicial ou fundamental), a relação músico/ouvinte, e muitos outros aspectos.

Ao longo da História, a Música esteve tão dependente da Arquitetura, que esta era composta em função da edificação onde ela sempre era executada (a música sacra nas catedrais, a música da corte nos salões dos castelos). Mesmo a música do povo, tocada nas praças e nas ruas, carregavam em sua estrutura a “aura” do espaço adjacente, do estorno construído. O vazio e seu entorno também é arquitetura, pois arquitetura é a “arte de organizar o espaço”.

Com a popularização da música, a partir do Século XIX, quando esta ficou cada vez mais acessível a públicos cada vez maiores, é que começou a ocorrer o contrário: a Arquitetura dependente da Música. Foram então projetadas as primeiras salas de concerto, com sua concepção arquitetônica toda voltada para as questões acústicas.

Este é o tema deste presente estudo: pesquisar a História da Música, analisando em todos os aspectos sua relação com a arquitetura, em como estas duas Artes evoluíram juntas, bem como os aspectos sociais, culturais e ideológicos que determinaram cada uma destas duas Artes.


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